segunda-feira, outubro 13, 2003

Os pindéricos da Selecção Nacional

Só por excessivo laxismo, comprometimento, arrogância e/ou provincianismo é que não se consegue ver em que é que vai resultar esta selecção de ex-vedetas, vedetas e de candidatos a vedetas ou proto-vedetas no próximo Euro 2004.
Levar um golo da Albânia já era mau; levar dois não era mau, era terrível para não dizer inadmissível; levar três, não era mau nem terrível: tinha de dar despedimento com justa causa por incompetência. Do seleccionador e de alguns, hipotéticos, jogadores.
Sinceramente, começo a ficar farto do autismo do senhor Scolari e dos projectos de equipa que em vez de solidificar a nossa candidatura anda a deitá-la por terra e dos métodos pouco práticos e ortodoxos que o mesmo pratica. Qualquer dia, jogamos com Andorra e corremos o risco do empate ser um bom resultado. Voltamos às velhas máximas do Poeta Jorge Artur do Contra-Informação, para quem ganhar, empatar ou perder era exactamente a mesma coisa.
Talvez fosse bom, o Senhor Scolari repensar a sua vida e começar por tentar explicar aos portugueses o que pretende desta selecção.
Este empreendimento, que meteu milhões em construções de estádios para gáudio dos insuspeitos Filipe Vieira (que faz campanha eleitoral com isto!!!), Pinto da Costa (que se recusa a convidar o Presidente da Câmara do Porto, porque sim senhor, sou eu que mando), e, só para citar os três grandes, Dias da Cunha (já agora, se não fosse muito incómodo, gostaria de saber quanto mais custou ao erário público a mudança da fantástica relva) é demasiado valioso para que um tipo, seja ele quem for, não tenha que prestar contas pelo trabalho que está a fazer.
Mas julgo que isto é um mal nacional. Parece que há cargos e lugares que não podem ser criticados em nome da tranquilidade dos medíocres. Só que eu penso exactamente o contrário e acho que esta coisa de andar a fazer experiências deve ter um limite plausível e delimitado. É que eu já não sei onde começa a realidade e termina a ficção.
Ou acham que é normal levar três golos da Albânia?
Olhem, eu não acho.

Questão adicional: por que razão para se ser seleccionador nacional é preciso ter um curto, ou farto, mas sempre inestético bigode?