terça-feira, novembro 25, 2003

Bush na terra de sua Majestade

Correm boatos de que o principe (Charles, claro esta) foi apanhado em flagrante sexual, no seu real leito, com o seu fiel mordomo. (Alguns comecaram a esfregar as maos de contentes, vislumbrado a possibilade de ganhar uma velha aposta com a futura revelacao de que a Camila e afinal um travesti ou uma drag queen.) Adiante… O fiel mordomo, por sua vez, parece ter violado um outro criado real que, veja-se, depois de uma noite de folia, chegou a ala dos serventes reais e tomado pela santa embriaguez, jogou-se num dos sofas. Quis o destino que adormecesse, etilizado que estava, com o repectivo a apontar para o tecto. Quis o destino que acordasse, incomodado que estaria, com o fiel mordomo do Charles a prevaricar com o seu respectivo ainda que sem consentimento. A historia algum fundamento tera pois ao que parece, quando o episodio foi relatado por serios jornais do continente, Londres acordou sem um Le Monde para amostra. Misteriosamente a imprensa estrangeira foi retirada do Mercado (conheco paises onde por accoes menos democraticas chovem bombas por minuto mas…). God Save the Queen! Ora, foi no meio deste importantissimo assunto de estado (ou melhor, do reino) que chegou a ilha (se bem que para o ingles medio ilha e o mundo e o mundo e a ilha…) um tal de Bush. Sacudiu-se o po a Buckingham Palace, deu-se uso a rainha, e o Bush ficou entao hospedado nos reais aposentos oficiais. Consta que a par e passo era apanhado a raspar as paredes com o dedo mendinho para se certificar de que o dourado era mesmo ouro e nao tinta e que mal ingeria o pequeno almoco, confudido que ficava com o numero de utensilios expostos em cima da mesa. Entre calorosos abracos ao Blair (que diga-se de passagem, o homem e digno de pena… alguem que tivesse de encarar todos os dias um ser tao horrendo quanto a mulher dele e eu queria ver) ia chamando ao Reino Unido de Great Kingdom e aos ingleses de Best Friends. Nada que encha mais o ego aos subditos de sua majestado (independentemente das suas preferencias sexuais)! De tal forma que o debate acerca da estadia de Bush decorreu da forma mais patetica possivel: quem influencia quem? Se e o Bush que influencia o Blair entao tudo vai mal! Se o contrario e verdadeiro entao tudo vai bem porque este Great Kingdom e perfeito, omnipotente e omnipresente. O sol nunca se poe, a nao ser na Escocia, onde o Parlamento explicitamente votou contra a Guerra e certamente esta-se nas tintas para o reino. Um ex assessor do Clinton foi ao Canal de televisao 4 dizer que o Blair nao tem qualquer influencia sobre a administracao Bush e que pelos corredores da Casa Branca ja se fala em bater em retirada do Iraque porque a opiniao publica (essa gaja de quem toda a gente fala mas nunca ninguem viu) nao esta la muito satisfeita com a situacao. Logo, os ingleses serao deixados com a batata quente na mao, de mas relacoes com o resto da Europa e a bracos com uma opiniao publica inglesa, de maquina de calcular em punho, a exigir mais investimento no decrepito sistema nacional de saude e na educacao (que, diga-se, nao podia estar pior). O que Bush veio fazer a metropole foi campanha eleitoral. Ha que passar a imagem la na terrinha de que o ex-alcoolico triunfou em terras de sua majestade, que e bem visto e que ate dorme numa cama com lencois suspensos… Mas meus caros, a intelectualidade inglesa 'apispenhou-se'! Nada disso, o homem veio aqui porque precisa do apoio dos ingleses. Delusions of grandeur, chama a isto a esquerda cinica, alucinacoes de grandeza… A ‘Europa’ some, subtrai ou segue sem a Inglaterra e no final ainda agradece. Nao me parece que o eixo franco-alemao se deixe influenciar pela Inglaterra no que quer que seja e enquanto o mundo anglo-saxonico se transveste de Churchil e New Deal, a Franca e a Alemanha afoitam-se por outros imperialismos a porta de suas casas.
Nisto Michael Jackson e preso, acusado de molestar criancinhas. Na Inglaterra, como nos Estados Unidos e a histeria colectiva. De repente, a par de um obscuro Campeonato Mundial de Rugby, Jackson invade as paginas dos jornais. Ja nao tem mal o Charles ser gay, ja nao importa o porque da vinda do Bush e a imagem esteticamente incomodativa da mulher do Blair. Em vez de T-shirts contra a Guerra os corpos sao invadidos por T-shirts onde se le ‘Michael we love u’ ou ‘What the fuck is this’ e por baixo a cara da famosa estrela pop... Serve de consolo, no meio desta paisagem visual, dar de caras com um simpatico Americano que enverga um T-shirt onde esta escrito ‘Bush, you’re not my president’ e que me diz ter muitas mais em casa, tamanho XL para usar por cima da roupa quente (porque faz muito frio) e que as ira usar todos os dias ate que Bush seja derrotado pelo sistema que nao o elegeu: o sistema democratico!