quarta-feira, novembro 26, 2003

Delenda Carthago*

Esta obsessão pelo cumprimento do défice da D. Manuela das Finanças não tinha paralelo desde que o Dr. Cavaco por cá andou de máquina calculadora em riste a contar os clipes que gastávamos. Eram outros tempos. Os tempos em que Bruxelas começou a "directivar" para que os bárbaros de cá do burgo começassem a conhecer e a entrar na civilização.
Hoje, voltamos a esta obsessão inusitada sem qualquer resultado visível e sem se perceber, afinal, as razões de tantos sacrifícios quando a outros nada se exige.
Pior. Aquilo que aconteceu ontem na reunião dos doze ministros das finanças da zona euro, revelou uma coisa que não devia ter revelado em circunstância alguma: a falta de substância do Governo da coligação, a fraqueza das suas posições e a incoerência entre aquilo que diz e aquilo que faz. Tudo erros que se pagarão caros.
O não cumprimento dos pactos de estabilidade por parte dos dois maiores países da zona Euro veio pôr a nu a fragilidade de uma União Europeia que começa a fomentar uma nítida divisão entre os que podem e os que não podem, ou entre os que mandam e os que obedecem. Antes mesmo de aprofundarmos mais esta relação contra-natura eis que França e Alemanha revelam as suas verdadeiras e reais intenções e aquilo que vão fazer com os mais pequenos. Sente-se que nem todos jogam de acordo com as mesmas regras.
Assim, resta-me perguntar como pode a D. Manuela vir pedir contenção em nome do cumprimento de um défice, espremendo os portugueses até ao tutano (pelo menos os que mais necessitam) para depois levianamente votar ao lado da Alemanha e da França na aprovação da violação ou suspensão desse mesmo défice? Ó D. Manuela tenha dó. Já não há pachorra.

*lat Cartago deve ser destruída. Palavras de Catão, o Antigo, com que terminava seus discursos. Cita-se esta locução a propósito de uma ideia fixa, perseguida com tenacidade.