segunda-feira, novembro 03, 2003

A PAIXÃO DA BOLA

É interessante ver que há duas perspectivas de se ver (ou não querer ver) a realidade do Benfica.
A dos supostos seis milhões, para quem o Benfica foi e continua a ser o maior do Mundo e há uma outra da qual tu partilhas, segundo a qual o Benfica está moribundo/morto.
Como é óbvio são as duas vítimas de dois sentimentos exacerbados: a paixão e o ódio.
É verdade que muitos dos adeptos do Benfica vivem do passado, mas isso, como já muita gente disse, acontece com o nosso saudoso país das míticas naus.
Porém, não é menos verdade, apesar do que tu dizes, que o clube em questão é a maior instituição desportiva do país, e daí infelizmente o aproveitamento que a nossa classe política faz do clube, passando-se o mesmo no sentido contrário.
Aproveitamento que toda gente dentro e fora do Benfica tenta,
apesar de ser pequeno e estar moribundo.
No que se refere a esse aproveitamento, penso que estamos todos de acordo,
quando até o líder do governo regional de um longínquo arquipélago vem saudar
“gente de aparência duvidosa e de percurso cinzento se auto-promover e se dar a conhecer, gratuitamente, ao Benfica, a Portugal e, supostamente, ao Mundo” se vê a promiscuidade.
Líder que nunca se imiscui no tema futebol do tal arquipélago
tentando fazer uma Sad, união de três clubes, que tornaria o resultado dessa união
um clube capaz de ombrear com os grandes -onde não está o Benfica – e que também por isso foi vaiado.
Assobios, que parecem recorrentes nos recintos desportivos, mas não só por maus espectáculos como se viu nos últimos quinze dias e por duas vezes no estádio da Luz,
o que só demonstra uma certa coerência dos adeptos do clube:
Assobia-se um mau Primeiro-ministro
assim como, com a devida distância, se assobia um mau jogo de futebol.