sexta-feira, dezembro 12, 2003

O Sr. Santana Lopes anda a abusar.

Preocupado com a sua proto-candidatura a candidatura a Presidente da República o Sr. Santana estica a corda para além do limite tolerável e já começa a ver inimigos em todo o lado. Meio caminho andado para a esquizofrenia.
Eu pessoalmente já gostei do Sr. Santana, noutros tempos, antes de perceber as suas reais e verdadeiras motivações e os modos como faz política sem falar de política, género Guterres mas ligeiramente melhor e mais bonito também.
Mas hoje, não tenho dúvidas que ele, tal como Louçã à esquerda e Portas mais à direita, representa aquilo que há de pior na política: o populismo bem-falante e mediático que anda sempre atrás do jornalista mais próximo e da fotografia e cuja sabedoria e estatuto lhe permite discorrer, sobretudo, sobre nada e aparecer fartamente naquelas revistas cor-de-rosa onde volta meia volta, vem na capa um segredo muito bem guardado da alcova de um notável execrável dito do jet set. Deste último lote retiro o Portas e o Louçã.
Eu acredito que o Sr. Santana esteja farto de Lisboa e que se tenha apercebido que gerir um hipermercado (Lisboa) não é bem a mesma coisa que gerir a mercearia (Figueira da Foz). Só isso pode explicar esta fúria em se lançar de cabeça nesta odisseia só exequível com a horripilante conivência da comunicação social em chafurdar num tema que nem é actual nem é pertinente. Não é nada.
Mas o tiro pode-lhe sair pela culatra: é que sem querer o Sr. Santana pode estar a abrir caminho para outro, que não ele, e a desgastar a sua imagem em conflitos institucionais desnecessários e inúteis e a prejudicar nitidamente o próprio PSD.
Contudo, percebe-se a estratégia do Sr. Santana: O que é melhor que ser primeiro-ministro? Só Presidente da República. Só que há o reverso da medalha porque pode ficar pior porque pior é não ser coisa nenhuma. Nem presidente da Câmara.
Que lhe fique a lição que Ícaro também a seu custo aprendeu.