terça-feira, dezembro 02, 2003

Retroactivos do fim-de-semana I

Há coisas que já não espantam.
A visível impunidade dos jogadores que humildemente passearam a sua educação pelas terras de Robespierre, resume-se, pelas palavras do Sr. Madaíl ao pagamento da conta referente à destruição maciça de tudo o que era estático no balneário. Nem um tostão a mais nem um tostão a menos: a conta a dividir pelos jogadores (não percebo porque fica o Sr. Romão de fora da factura). Mas castigo, que é bom e que é educativo e correctivo a sério é que nem vê-lo.
Infelizmente a mentalidade que predomina no cérebro do Sr. Madaíl diz-nos que basta pagar os estragos e que fica tudo corrigido, inclusive a imagem bárbara pelos seus apaniguados, deixada. Dele já nada me espanta, porque basta ouvi-lo diariamente para perceber que o homem não foi talhado para isto mas que por obra de alguém lá se mantém agarrado ao tacho que o alimenta.
Penso que por ele o mesmo princípio se aplicaria se os mesmos meninos quisessem bater em alguém ou partir um centro comercial ou andar numa auto-estrada em contra-mão. Bastava, no fundo, que os lesados apresentassem a factura que eles pagavam e tudo ficava lusitanamente perdoado e esquecido. Esta imagem de que o dinheiro pode tudo é um péssimo retrato desta nossa escabrosa pátria e um péssimo exemplo para as camadas mais jovens, e menos abonadas, da população. É uma falácia que nos custa mais cedo ou mais tarde, caro e que mostra bem como neste país há uns com mais direitos e menos deveres do que outros porque neste país há gente que permanece intocável quer pelo seu estatuto social, político ou económico quer por ser um menino bonito da selecção de futebol que viaja e se instala à custa dos que pagam impostos. O caso dos jogadores de selecção deveria ter sido punido exemplarmente para que noutros sítios, noutros locais, noutras modalidades, não se repetisse ou se reflectisse melhor dizendo, a verdadeira e triste imagem de quem para além de não saber perder, não sabe também ganhar. É por isso que é péssimo que tudo isto acabe com uma simples multa (porque é de uma simples multa que se trata) quando o que está em causa é da exclusiva competência do vandalismo, delinquência e de um problema social muito mais grave e que ninguém parece querer discutir e que nem a idade desculpa. Chamo a isto tapar o sol com a peneira. Ainda há pouco tempo, na final do Torneio de Toulon, um defesa português de nome Amoreirinha, teve a ideia de espetar com os pitões na cabeça de um avançado italiano caído no chão sem qualquer necessidade. Eu não sei o que se pretende do futebol, mas quando este tipo de comportamento, assassino, não é punido não nos podemos queixar das coisas que posteriormente acontecem.
Assim, não me espanto que jogadores que são apanhados a transgredir continuem a ser convocados à Selecção, que jogadores que agridem seleccionadores e árbitros a mesma coisa e que o Sr. Madaíl continue a ser um pateta alegre que ganha milhares de contos sem prestar contas a ninguém. Nada me espanta.
Daqui por alguns meses, quando a Rússia se transformar em Coreia do Sul e a Grécia em EUA alguém virá dizer que este grupo era o mais difícil e que a culpa foi do fiscal-de-linha que validou o golo em fora-de-jogo e que no Mundial da Alemanha é que será. Neste futebol português, infelizmente, também reina a impunidade e a desfaçatez do Sr. Madaíl. Até quando?