terça-feira, dezembro 02, 2003

Retroactivos do fim-de-semana II

Achei curiosas duas notícias vindas nos jornais: uma relativa ao apoio da JP/Gerações Populares à candidatura de Santana Lopes à Presidência da República e outra que dizia respeito ao desejo de se fazer uma coligação nas eleições regionais dos Açores entre o PSD e o PP.
Vamos por partes.
Primeira situação: Uma juventude partidária que tem como principal problema a candidatura ou não do Sr. Santana é uma juventude que não se percebe muito bem o que anda cá a fazer. Eu, e se calhar muita gente mais, pensava que a JP andava preocupada com o aumento do desemprego, com a falta de qualificação dos nossos jovens, com a baixa qualidade do ensino, com o aumento das toxicodependências, com o aumento da SIDA, com a falta de habitação, enfim, com as temáticas que directa e indirectamente dizem respeito aos mais jovens. Redondo engano meu. A JP não está preocupada com nada disto. A JP está preocupada, isso sim, com o Sr. Santana e com a sua candidatura a Belém daqui a mais de dois anos!!! Haja paciência.
Segunda situação: a coligação que tem como único objectivo matar/fundir o PP a prazo (no PSD) avança agora em moldes diferentes nos Açores. O erro é crasso: qualquer coligação pré-eleitoral nunca define o verdadeiro peso de cada um dos partidos envolvidos na mesma o que pode originar mal-entendidos difíceis de ultrapassar sem contar com toda uma negociação milimétrica que, transpirando para a opinião pública, pode ter consequências nefastas (género, isto é para mim, aquilo é para ti, tu nomeias este, eu nomeio aquele, tu ficas com a Educação, mas dás-me a Cultura, etc, etc). Tudo isto tem de ser alvo de acordo pormenorizado e pré-eleitoral. A minha pergunta é simples: para quê? Porque não se deixa as coisas correrem normalmente, apresentando-se ao eleitorado separadamente, mostrando as ideias fortes de cada um e depois sim, se necessário, fazer contas? Será que o PSD não percebe que esta aliança pré-eleitoral pode prejudicar uma fatia importante dos eleitores que vêem no PSD um partido daquela coisa esquisita chamada Centro e o tal do “voto flutuante”? Não se percebe que os descontentes do PS mais depressa votam no PSD que numa coligação PSD/PP? Não se percebe isto? Haja paciência.