segunda-feira, fevereiro 23, 2004

Marítimo e Nacional


O Nacional tem os mesmos pontos que o Marítimo, 37, mas já marcou mais 15 golos (40 contra 25) que o seu rival regional, sofrendo apenas mais 5 (25 contra 20). Num outro patamar, tem apenas quatro empates (o Marítimo já leva 10) e conta com o melhor marcador do campeonato, Adriano (um fora-de-série) com 15 golos. É ainda a equipa da primeira liga que mais concretiza nos jogos em casa.
Ontem o Nacional voltou a mostrar porque é uma equipa demolidora a jogar no seu terreno marcando, novamente, três golos a um pseudo-candidato ao título (antes o Sporting já tinha sentido na pele o tratamento de choque). O Marítimo, por seu turno, precisou de um penálti para ganhar ao último classificado em casa – clube com quem tinha conseguido, incrivelmente, perder na primeira volta – voltando a dar uma pálida imagem da sua capacidade. A diferença de produção, entre uma equipa e outra e pese o mesmo número de pontos, é abissal.
Eu sei que os mais racionais dizem que o que importa é o resultado. Mas é tempo de percebermos uma outra coisa: o futebol também vive do espectáculo, da emoção forte, dos golos imprevisíveis. Logo, as péssimas exibições do Marítimo, aliadas a um fio de jogo muito ténue, têm contribuído decisivamente para um afastamento preocupante da sua massa de adeptos, baixando cada vez mais a média de assistências nos jogos em casa, situação que se reflecte imediatamente no apoio humano que podia receber.
Talvez fosse interessante, alguém elucidar os dirigentes do Marítimo sobre este problema. E o próprio Cajuda também porque desde o tempo do Prof. Vingada que o futebol do Marítimo é uma sucessão de equívocos. Está na hora de o Marítimo se empenhar a sério na competição, treinando com afinco e apostando no espectáculo colectivo em vez de andar a passear a meio da semana pelas escolas da Região e pelos seus diferentes concelhos em acções de charme sem grande consequência. Traz mais publicidade, e é mais proveitoso, golear o Braga e marcar três golos ao Sporting e ao Benfica.
O Marítimo é sem dúvida o maior da Região. Mas tal como à mulher de César, ao Marítimo não basta ser o maior: também é preciso parecer o maior. E isso, ele não está a conseguir. Facto que o Nacional agradece.