sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Sistemas

O Dr. Dias da Cunha, senhor de elevado conhecimento, foi a um programa de televisão, que me recusei a ver, falar sobre o futebol e sobre as eventuais máfias que o controlam.
Os ecos da entrevista já estão por todo o lado.
Diz o douto senhor que os senhores Pinto da Costa e Valentim Loureiro controlam o futebol português e que tem provas inequívocas e inapeláveis contra o José Mourinho, empregado de um clube de futebol acusado por um empregado, que é uma espécie de mascote, de um outro clube de futebol de rasgar uma camisola. Acho tudo muito estranho. O Sr. Dias da Cunha em si, é muito estranho e personagem de duvidosa capacidade de discernimento, mas há algo que não se entende em todo este raciocínio.
Uma equipa que ganhou o seu último campeonato com qualquer coisa como 17 ou 18 grandes penalidades a favor, que fez de Jardel rei da Europa e dos arredores, e que neste, e a procissão ainda vai no adro, já conta com 12, onde se incluem o da Luz, do artista Silva, e o contra o FC Porto em Alvalade, da autoria desse inenarrável Liedson, é realmente uma equipa que se pode queixar, principalmente, do sistema. Ou da falta dele. Para se fazer uma ligeira comparação, o Nacional é a equipa mais concretizadora nos jogos em casa e tem um pénalti assinalado a favor. Coincidência?
Por último, penso que o Sr. Dias da Cunha só pode andar nervoso porque já percebeu três coisas: primeiro, que a sua equipa é vulgar; segundo, que o treinador que escolheu não vale tanto sofrimento; e, terceiro, que é muito mais difícil ganhar jogos sem pénaltis. Mas muito mais mesmo.