quinta-feira, março 11, 2004

life goes on

Se ha coisa que me irrita sao as comparacoes que o portuguesinho constantemente faz… Ja nao basta ter de ouvir a emigrantada (ui, la vai a senhora da Suica enviar um e-mail por ser chamada de emigrantada…) dizer “la na Franca…”; levamos ainda com a intelligentsia lusa constantemente a babar pelo sistema aglo-saxonico, academico e outros… Esta adulacao pela Ilha-reino vem de ha seculos e so por isso se percebe o facto de nao ter sido ainda ultrapassada… Pois nas Britanicas life goes on como noutra qualquer parte do mundo e, se querem saber, por vezes de forma bem pior. Vide o caso dos geneticamente modificados. O governo gastou milhoes de libras em consulta popular, formando comites comunitarios e por ai vai. Quase 90% da populacao pronunciou-se contra a introducao de culturas geneticamente modificadas em Inglaterra. O governo nao faz mais nada: contra os ventos da comunidade Europeia e a vontade popular, deu luz verde ao processo de plantio para comercializacao de culturas geneticamente modificadas e isto independentemente dos artigos alarmantes acerca do assunto produzidos, em catadupa, pela comunidade cientifica. Consequencias bio-ambientais a parte (que poderao ser extremamente graves), as consequencias sociais de tal medida poderao ser desastrosas. O possivel futuro cenario aponta para a monopolizacao das sementes, que serao patenteadas pelas grandes empresas como a Monsanto. Ou seja, a plantinha geneticamente manipulada esta preparada para nao dar sementinha… Logo, mesmo os agricultores que se dediquem a auto-subsistencia ficarao sempre na dependencia dessas grandes multinacionais. No futuro, quanto teremos nos de pagar para comer? Eis a questao… O exemplo que a nobre Inglaterra da e simplesmente asqueroso. A moda pegando nos paises do Terceiro Mundo (onde alias varias experiencias comecaram ja a ter lugar) estes terao de debater-se nao apenas com as farmaceuticas mas igualmente com a agro-industrias. Quanto custa viver, e afinal a questao que se coloca num futuro bastante proximo…
Por outro lado este episodio constitui um exemplo de como vai a democracia por terras do senhor Blair...