segunda-feira, abril 05, 2004

Mourinho

O Sr. Mourinho, treinador de futebol futuro bi-campeão nacional, perdeu finalmente um jogo para o campeonato nacional. 90% do país, com toda a certeza, rejubilou com o feito porque o senhor não passa de um arrogante que merece o piorio e porque o Porto tem sorte, é protegido pelos árbitros (e pelo tal do sistema) entre outras ladainhas do costume, onde nunca entram o mérito, o esforço, o trabalho e a capacidade. Os portugueses são assim: invejosos com o sucesso dos outros e principalmente com o dos seus, se os seus estiverem muito próximos. Esse famigerado fatalismo acompanha-nos ao longo dos tempos: as elites são do piorio neste país, o tempo e a história assim o dizem. Nós não gostamos dos bons; escorraçamo-los para longe porque o seu sucesso nos ofusca. Gostamos dos medíocres (a)normais que não nos parecem nada de especial e realmente não o são. Por isso, sempre que alguém diz que se vai embora o nacionalismo balofo e patético vem ao de cima conjuntamente com o chauvinismo do costume. Mas ficamos contentes. Afinal, o Mourinho finalmente perdeu, embora ninguém se pergunte como é que jogadores perfeitamente banais se tornam, qual toque de Midas, em jogadores de uma eficiência atroz, capazes de levar de vencida equipas muito mais conceituadas. Se calhar é da sorte. Ou sempre do sistema, como o Sr. Barbosa, jogador do Sporting, se encarregou ontem de mais uma vez demonstrar.
Entretanto, não muito longe dali, o seleccionador nacional não ganha nem a feijões, o Sr. Santos do Sporting quase empata a jogar contra menos dois (e com a preciosa ajuda do árbitro) e o Sr. Camacho arrisca tanto quanto o meter um avançado para retirar outro o permite fazer, perante a inevitável escassez de um plantel que se diz, pretensiosamente, de candidato ao título. Mas parece que são muito bons. Lá isso parece.