terça-feira, maio 18, 2004

Sobre os maus-tratos

Apesar de tudo aquilo que aconteceu na prisão de Abu Ghraib, e que é uma enorme vergonha para a suposta superioridade moral do Ocidente, é importante relembrar que há importantes diferenças de tratamento entre os prisioneiros e os infractores dos dois lados da barricada, situação que a imprensa ocidental, imbuída do seu mais primitivo antiamericanismo, tem confortavelmente esquecido (basta olhar para as recentes fotos falsificadas de humilhações inexistentes que andaram até a circular por correio electrónico). É por isso que convém perceber três coisas:
Convém perceber, em primeiro lugar, que há uns que humilham, põem nus e batem e que há outros que se entretém a cortar a garganta e a cabeça, o que é rigorosamente muito diferente (sei que os puritanos vão ficar muito escandalizados).
Convém perceber, em segundo lugar, que há uns que vão ser julgados em tribunal marcial e que há outros que vão ser totalmente esquecidos e até perdoados, não só pelos seus como também pela generalidade da opinião pública.
E convém ainda perceber, por último, que enquanto nós ocidentais repudiamos aquilo que sucedeu (e verdadeiramente sentimo-lo e reprovamo-lo), eles aplaudem e dão vivas de satisfação de cada vez que cortam uma cabeça.
É por isso que digo que há uma diferença abismal de tratamento e que é má-fé fazer dos americanos os únicos maus do mundo.