quarta-feira, junho 23, 2004

Rescaldo (retroactivo) das eleições europeias

Uma coisa que estas eleições europeias revelaram foi a súbita ânsia pela possibilidade de voltar ao poder, de conquistar o poder ou de sobreviver no poder, em alguns partidos e organizações políticas.
Estes efeitos sentiram-se particularmente no PS (possibilidade de voltar ao poder), no Bloco de Esquerda (de conquistar, finalmente, o poder) e no PP (desesperadamente sobreviver no poder).
O poder é o objectivo supremo de uma, de qualquer uma, organização política. Logo é legítimo que haja essa vontade expressa, ou não, de querer o poder para executar um plano, uma estratégia, um conjunto de princípios (o Bloco de Esquerda, tal como a grande maioria de organizações radicais de esquerda, prima pela originalidade de não ter nada disto, o que parece atrair, quanto a mim enigmaticamente, bastante juventude “esclarecida”!!!) ou uma ideia política.
Com base nesta premissa devemos todos meditar um pouco nas seguintes questões: merece o PS, depois do caos e do pântano, cujos efeitos ainda se sentem, nova oportunidade em tão curto espaço de tempo? Merece a burguesia intelectual e bem instalada na vida (e que é fruto e consequência de uma comunicação social conivente e vergonhosamente tendenciosa), que gosta imenso das ganzas, dos cachimbos, do circo mediático e da retórica bem falante, que no seu íntimo despreza e abomina o povo e tudo aquilo que ele representa, chegar ao poder para lá iniciar um conjunto de belas e confortáveis borlas impregnadas de demagogia e com consequências mais do que nefastas para estas e para as futuras gerações? Merece o Dr. Portas continuar, no futuro, como co-líder de uma coligação que não está a acrescentar há já algum tempo nada de novo ao país e muito menos ao PSD e que só prejudica a imagem deste partido? A qualquer uma destas perguntas a resposta só pode ser, quanto a mim, um rotundo não. É por isso que o momento político em Portugal merece alguma reflexão, muita atenção e extraordinário cuidado. E isto exige-se, mormente, ao único partido com capacidade de dirigir e de dar um rumo condigno ao país: isto exige-se ao PSD. E isto exige-se ao PSD porque dos outros nada de bom se pode esperar.