terça-feira, setembro 28, 2004

Lideranças políticas

A política portuguesa definha: os novos líderes políticos – Portas, Santana, Louçã e Sócrates – são o novo protótipo do homem político do século XXI, aparentemente muito agradável mas sem grande, ou nenhuma, substância. Há alternância; não há alternativa. A política portuguesa colhe os frutos da mediatização total, penosa, da sua sociedade: ganham os populistas, os não comprometidos (impressionante neste aspecto o caso de Sócrates que numa campanha eleitoral interna conseguiu dizer sempre nim a tudo), os homens bonitos e charmosos, bem-falantes, mediaticamente atractivos; os que falam de tudo e de coisa nenhuma; os que andam de agenda na mão a marcar o ritmo dos telejornais; os que vendem a imagem burguesa e a mensagem; os que não vivem de programas políticos, vivem de ideias e de inspirações momentâneas. Neste ponto, o single issue é muito mais comum entre eles do que se julga e o pragmatismo há muito que substituiu a ideologia que jaz morta nas gavetas das secretárias. Tal como os soft issue aos poucos substituem os hard issue. Desta caldeirada política insonsa só Carvalhas e a ortodoxia do PC estão de fora. Resta saber com que consequências. E até quando.