quinta-feira, setembro 02, 2004

Persil

Uma das coisas mais interessantes do mundo publicidade é a sua capacidade latente de fazer-nos entrar num mundo novo sem darmos por isso. Ontem, a olhar estarrecido para a televisão, dei por mim, gentileza do Persil, a invadir uma toalha de mesa e a remover nódoas graças a uns princípios activos que só os químicos, e pelos vistos os publicitários, conhecem. Fiquei maravilhado: a tecnologia hoje faz milagres e não engana. E fá-lo não só por mim; fá-lo por muita gente. É comovedor.
A coisa é simples: põe-se um tipo bem-falante a convencer uma tipa mãe de família, que é um pouco mais do que estúpida, que perde imenso tempo no seu dia-a-dia porque não conhece os atributos do novo produto em questão – geralmente uma variante nova de um produto já existente – que remove todas as nódoas. A senhora maravilhada olha depois - já antes havia olhado para o antes - para o resultado final e reconhece o valor da coisa e o tempo de chatices que poupou.
Nunca percebi bem o alcance deste drama das nódoas que não caem, mas uma coisa veio-me à memória. Lembrei-me da recente tese do Ministro Sarmento sobre o papel das mulheres na família e na sociedade. Será o Persil o elemento que faltava e uma das medidas do governo para dar mais tempo e dignidade às mulheres?