quarta-feira, outubro 06, 2004

A César o que é de César

Em plena campanha eleitoral para as eleições regionais de 2004, o líder madeirense do PS, Jacinto Serrão, passa a vida a gabar os aspectos transcendentais do desenvolvimento açoriano menorizando as políticas e o modelo implantado pelo PSD na Madeira. Isto começou a acontecer desde que Serrão foi aos Açores fazer um curso intensivo de política com Carlos César, actual presidente dos Açores e do Partido Socialista local. Mas a César o que é de César e a Serrão o que é de Serrão.
Mesmo estando no calor da política não se desculpa tudo até porque como diz o ditado, em tempo de guerra não se limpam armas. O problema aqui é de comparação. E de óbvia falta de imaginação. Serrão falha redondamente a analogia que usa, porque quem o ouve quase que acredita que os Açores são a Singapura do Atlântico e um paradigma do desenvolvimento. Nada de mais errado. Os indicadores disponíveis, e são muitos, desmontam a falácia e o engodo muito facilmente (como se pode ver, por exemplo, aqui). Basta comparar. Se Serrão estivesse mais atento, perceberia rapidamente que a mentira tem pernas curtas e que hoje se vive efectivamente melhor na Madeira do que nos Açores, sem ser preciso fazer grande ginástica ou exercício mental.
Com oposição deste calibre, desnorteada e alienada, percebe-se o que quer dizer falta de alternativa. E já agora, de credibilidade. Depois queixam-se de que ninguém os leva a sério. Não se pode mesmo.

4 Comments:

Blogger A Vicente said...

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7:14 da tarde  
Blogger A Vicente said...

Não querendo diminuir a importância do desenvolvimento alcançado pela Madeira nos últimos anos, é preciso, no entanto, notar que o valor do PIB, tal como qualquer valor médio, fornece um dado grosseiro na medida em que não tem em consideração os casos extremos da escala. Neste caso, os muito pobres e os muito ricos.
Por outro lado, uma ocorrência apenas pode contribuir para a alteração da média, ou seja, um individuo poderá ter a riqueza toda, explorando os que nada têm.

7:29 da tarde  
Blogger Bruno Macedo said...

Isso faria algum sentido se a Madeira sobrevivesse à custa de um recurso natural único - petróleo, ouro, diamante, gás natural, etc. Não é o caso.

10:38 da manhã  
Blogger Bruno Macedo said...

Mas obviamente que existem discrepâncias. Como em todo o lado há uns que têm mais do que outros e reconheço que o PIB não é o melhor, e muito menos o único, indicador a levar em linha de conta. O que pretendia acima de tudo, era chamar a atenção para as perfeitamente patéticas analogias que utilizam para denegrir o trabalho que foi feito usando argumentos (?!) e comparações que quanto a mim não fazem sentido. Aceito que devemos ter sempre a preocupação de conseguir olhar para além do nosso quintal e de ver o que lá fora outros modelos e regiões conseguem fazer de inovador (a Madeira tem feito assim). Mas é precisamente por isso que usar os Açores como paradigma não serve. Não pode servir.

11:02 da manhã  

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