terça-feira, outubro 26, 2004

Michael Moore

Três meses depois da sua estreia nacional finalmente chegou o mais recente documentário de Michael Moore, Fahrenheit 9/11, aos cinemas madeirenses. Confesso que ia com uma ideia um pouco pré-concebida (mea culpa, não gosto de Moore nem daquilo que ele representa) e que por isso o filme-documentário não me despertou grandes apetites nem despropositadas esperanças. Nada de novo, portanto. Quem viu Bowling for Columbine conhece a treta e percebe logo os truques de Fahrenheit 9/11. Louve-se a encenação, que é boa, e a montagem, que é muito boa. Moore não esconde o seu propósito, mas ardilosamente omite factos importantes simplesmente porque para ele a verdade é um mero acessório de retórica ao serviço dos seus interesses e das suas patéticas tergiversações. Estilos.
O documentário, nota-se e sente-se, é feito para consumo interno, mas foi um sucesso também na Europa onde entretanto se descobriu, um ódio maciço ao Sr. Bush e à sua administração. Todos os europeus (parece que sem excepção) querem corrê-lo e pô-lo fora da Casa Branca de acordo com estudos recentes de indubitável credibilidade. Percebe-se a agonia e o drama: eu também não gosto do Sr. Zapatero, mas nem por isso deixo de dormir descansado ou vivo preocupado com a vida interna espanhola. Prioridades diferentes.
Por último, só para dizer que a coisa diverte e faz passar o tempo. Damos sonoras gargalhadas e soltamos uns uis empedernidos sempre que o acima-de-qualquer-suspeita Moore nos desvenda a marosca e o golpe que frequentemente envolve uns árabes muito perigosos. Só que o filme de Moore é igual ao Código da Vinci de Dan Brown: é para divertir; não é para levar a sério.