quarta-feira, novembro 24, 2004

Bruxelas III

Entretanto, a pergunta que vai a referendo sobre o nosso futuro na Europa está dividida em três partes distintas, o que faz dela uma mescla de definições confusas e difusas. Como alguém inteligentemente disse, é uma “trigunta”. Esta “trigunta” implica o domínio de conceitos como maioria qualificada, direitos fundamentais e quadro institucional, por exemplo.
Ora, toda a gente sabe que os portugueses são ignorantes em quase tudo e que para além dos termos técnicos do mundo da bola, pouco ou nada pescam de outros assuntos. Aliás, os portugueses são europeiamente conhecidos por serem iletrados e incapazes de, sozinhos, preencherem, por exemplo, um formulário ou um simples questionário. Os portugueses raramente lêem e o que lêem provavelmente não compreendem, dizem também muitos estudiosos da matéria. Somos, os portugueses, geralmente últimos em tudo o que tem a ver com educação e cultura (excepto no dinheiro que lá se despeja) como a UNESCO constantemente afirma. E como somos tudo isto, o governo e o PS decidiram encurtar caminho porque perceberam, e bem, que não vale a pena explicar aquilo que ninguém vai simplesmente perceber. No fundo, é tudo uma questão de não perder tempo desnecessário que pode ser útil para outros desígnios importantes. Também é preciso não esquecer o velho ditado que fala na relação entre ignorância e felicidade, argumento, aliás, que pode servir para justificar o silêncio e a inutilidade das explicações.
Com tudo pelos vistos planeado ao pormenor, resta ao Governo rezar para que mais de 50% do eleitorado não tenha nada mais interessante para fazer nesse dia. E que opte pelo sim.

Proposta avulsa e gratuita: fazer o referendo numa quarta-feira e dar tolerância de ponto a todos os funcionários públicos que decidirem ir votar. No sim, claro.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Enjoyed a lot! »

10:33 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Very nice site! »

1:53 da manhã  

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