segunda-feira, novembro 29, 2004

Jeróóóóóóóóóónimo

Jerónimo de Sousa é o novo líder do PC. Está por isso de parabéns.
Ao longo do fim-de-semana, nas poucas imagens televisivas do congresso de Almada, foi possível ver que o PC embora em “invisível” conflito interno, exageradamente extrapolado pela comunicação social, não está morto e respira ainda com alguma tranquilidade. E que Jerónimo até fala bem. Para o PSD isto é bom; para o PS e para o Bloco é mau; para a vida política do país é assim-assim. Para tudo o resto é indiferente.
Jerónimo, ao que dizem, representa a vitória, que é contínua, da linha mais ortodoxa que desde sempre domina o Comité Central. Contudo, reconheço nele um actor político inteligente e hábil que é apenas desprovido de carisma (o que num líder político é característica, convém relembrar, a não menosprezar). Mas Jerónimo representa ainda uma interessante mudança sociológica de fundo: ao contrário dos seus antecessores, Jerónimo vem do proletariado suburbano e industrial. Precisamente o contrário das experiências e das visões cosmopolitas e burguesas de Carvalhas e Cunhal. E esta sua condição pode ter um efeito curioso. Afinal, não é sempre que o proletariado, sem revolução, chega ao poder.