terça-feira, novembro 02, 2004

Prós e Contras

A RTP brindou-nos ontem com um “Prós e Contras” sobre as eleições americanas. Dividiu, salomonicamente, os paineleiros em pró-Bush e pró-Kerry, sendo que estes últimos mais não eram do que cruzados anti-Bush. De um lado, Vasco Rato e Martins da Cruz; do outro, Mário Soares e Ângelo Correia. Na assistência estava um perito em petróleo e outro em sondagens.
Louve-se a tentativa de esclarecer, mas ela foi irrisória e simultaneamente efémera. A coisa prometeu cedo mas rapidamente transformou-se em logro e em desilusão: os actores não ajudaram, a entrevistadora também não e o público estava, e era, pouco mais do que amorfo.
Entre as patranhas de um e outro lado (em partes iguais) e os argumentos mais do que repetidos e conhecidos, poucos pareceram perceber que as verdadeiras diferenças existentes entre os dois candidatos são apenas mensuráveis e identificáveis no plano interno, já que no plano externo o enorme poderio americano não permite nem admite grande margem de manobra. É por isso falso, e só para citar um exemplo, que Kerry vá, em caso de vitória, desmobilizar as suas tropas uma vez que ele próprio, facto que muito comodamente se omite, votou a favor da Guerra no Iraque.
Por entre piropos e algumas acusações subliminares entre os paineleiros (que chegou a meter a descolonização do Dr. Soares), todos falaram do “incompetente” Bush e esqueceram o “incoerente” Kerry, como lhes chamou a The Economist. Sintoma claro que não interessa quem vai ganhar desde que Bush não ganhe. É por isso óbvio para mim que Kerry, se ganhar, tem um grave problema de legitimidade nas mãos para resolver.