terça-feira, novembro 23, 2004

Vitimização

Toda a gente já percebeu a obsessão, doentia, pela comunicação social deste governo. Não há dia que não haja notícia fresca sobre o assunto. O que deixa muita gente desesperada. E com razão. Esta obsessão para além de anormal, não é, como é óbvio, salutar. E a imagem que passa, que sai deste governo para o país através dos meios da comunicação social e dos comentadores, é um misto de prepotência com fragilidade: prepotência no modo abrupto como quer agarrar e dominar as coisas (no fundo um dos papéis mais importantes dos partidos políticos é de natureza processual e tem a ver com o modo como organiza o Estado e o Governo) e fragilidade no que concerne à adopção de políticas e de estratégias. Quer uma quer outra, representam falhas estruturais, e também conjunturais, que polvilham a actual vida política nacional imersa em profunda trapalhada. Nota-se assim a ânsia desmedida pelo poder e a clara ausência de estratégia política de fundo que conduza os portugueses a bom porto.
Portas é mais inteligente do que Santana e bem mais interessante no modo como gere os silêncios – em política nem sempre conta o que se diz; muitas vezes o importante é o que não se diz. É por isso que há qualquer coisa aqui que não bate certo e que me faz pensar se não há atrás de tudo isto uma estratégia oculta.
A pergunta que todos fazem é como foi possível que Portas e Santana tenham chegado ao poder. É uma pergunta legítima e que só é possível porque o Dr. Sampaio tomou a decisão de não convocar eleições. É coisa, claro, que magoa e frustra muita gente. E esta constatação mergulha a maioria dos comentários políticos num ódio primário aos dois personagens. Relembra-se o passado duvidoso de Portas e a inconstância de Santana; pede-se inclusive o regresso de Cavaco numa clara manobra de desespero. Mas todas estas orientações e críticas partem de pressupostos que podem não ser válidos: confiam em demasia que o governo não vai contra-atacar; confiam em demasia que a coligação se dissolverá por si própria; confiam que a retoma não vai chegar; confiam que não será possível recuperar a imagem perdida; confiam que as Autárquicas serão o prenúncio do desastre anunciado; confiam que de tanto massacrar o Dr. Sampaio vai ouvir os apelos; confiam que o Dr. Portas e o Dr. Santana vão ficar calados e mudos no seu canto. No fundo esquecem-se que este duo tem o Estado, em todo o seu esplendor, ao seu dispor. E esquecem-se também de uma outra coisa: o ataque constante, por tudo e por nada, cria um efeito boomerang que pode trazer dissabores aos críticos a médio prazo. Portas e Santana são óptimos no papel de vítimas e dão-se muito bem na dificuldade (ainda este fim-de-semana António Barreto e Vasco Pulido Valente falaram sobre este aspecto da vitimização) e no papel de acossados. Portas é ainda conhecido por resistir em situações de desespero e Santana costuma ganhar contra todas as sondagens. Eles têm currículo mais do que suficiente que provam parte destes axiomas. É por isso que era bom tomar algum cuidado quando se faz do tudo e do nada espectáculo mediático de chacota à coligação. Tenham medo do animal ferido e encurralado.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Cool guestbook, interesting information... Keep it UP
difference between negligence and malpractice Fire rescue diamond blades Charger for pda and cell phone

7:18 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Best regards from NY! film editing schools

1:48 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home