segunda-feira, dezembro 20, 2004

PC e radicais chiques

Nesta pré-campanha politica gostava para já de destacar a ambiguidade do Bloco e a firmeza do PCP.
Não é de agora que se sabe que o Bloco é um partido burguês que mais cedo ou mais tarde pretende concretizar o sonho de exercer o poder dos gabinetes e infiltrar a máquina do Estado com gentinha do seu calibre, à semelhança do que tem feito nos sindicatos. Será aqui que irá trair os seus ideais e será assim que acabará por desaparecer. Ou ferir-se de morte. O Bloco é um movimento de contra-poder, de intelectuais chiques, radicais urbanos e minoritários, todos anti-democráticos por definição. Não tem perfil para nada mais excepto para o circo de rua e a exploração mediática de uma imagem já gasta. Bastou ver o seu pedido de namoro ao PS e a sua eventual futura viabilização do novo governo: qualquer coisa entre o absurdo e o patético; entre o delírio e a doença.
O PC por seu turno, e como é seu apanágio, não se vende por lentilhas e acredita que há uma via alternativa. Distante e utópica, mas alternativa. Quer dar luta ao PS e ao contrário do Bloco fará desta campanha eleitoral uma questão de vida ou de morte por novas políticas.
O Bloco perderá então por se colar e se oferecer a um poder que é corrupto, populista e que no fundo não representa nada de novo na vida política portuguesa. Com o PC pode acontecer o contrário. E para quem augurou um PC morto, eis a possibilidade de provar exactamente o seu contrário. E logo com o mais improvável dos líderes: Jerónimo de Sousa.