segunda-feira, dezembro 13, 2004

Soares

Soares fez, a semana passada, 80 anos entre 2000 convidados. É obra. Por dois motivos: pela provecta idade e pela enorme mobilização à volta do acontecimento. Soares é das personagens mais controversas da nossa história contemporânea e o seu percurso político é demasiado errático para não levantar nenhuma espécie de celeuma e para gerar tanto unanimidade. É por isso estranho que a data passada tenha sido usada apenas para glorificar feitos e relembrar os faustosos tempos do seu apogeu político. O jornalismo da terrinha, reflexo puro da mediocridade geral, ocupou-se em colocar Soares nos píncaros da lua enquanto discorria sobre as suas inúmeras qualidades de estadista que ainda não perdeu o tino: os próprios directores dos maiores jornais também se refastelaram e se regalaram no faustoso e "inocente" banquete.
Enquanto alguém marcava e organizava este encontro político disfarçado de aniversário, Soares respondia a tudo isto com profundo desprezo (mas aceitando a bajulação generalizada) dizendo, humildemente, que não passaria de uma nota de rodapé na história. O seu discurso é que teve pouco a ver com aniversário. Mas em frente.
Sendo este um evidente comício ao serviço dos interesses socialistas e dos delírios alter-globalização do Dr. Soares e da sua trupe, porque razão tanta gente aceitou ser usada como isco e promoção do mesmo? O que podem ter em comum 2000 pessoas e o Dr. Soares? Aparentemente nada. Nada de especial ou nada que valha em boa verdade tanto esforço. A não ser, pormenor, o ódio puro e doentio à coligação que nos governa(va).