terça-feira, janeiro 04, 2005

Distanciamentos

Um facto que acho interessante analisar neste período de pré-campanha é o modo como os principais partidos políticos se distanciaram da sociedade que os acolhe. No sentido inverso, os partidos aproximaram-se do mundo que gravita junto ao poder e que é composto pelas funções que organizam o Estado e o governo. Esta tendência é visível, por exemplo, em Portugal e pode ter várias razões:
1- O modo de financiamento dos partidos – os partidos sobrevivem através de subvenções atribuídas pelo Estado e que resultam de variáveis como o número de votos e o número de mandatos; mais votos mais dinheiro e vice-versa;
2- Por causa da primeira situação, e em nome de uma suposta transparência, os partidos políticos aceitam a ingerência do Estado no seu modo de funcionamento interno;
3- Os partidos de poder – PSD, PS e agora também em parte PP e talvez Bloco – dão cada vez mais prioridade à sua função de conseguirem para os seus militantes e quadros dirigentes cargos públicos que confiram real poder nem que para isso tenham de subverter a lógica eleitoral e promover coligações pós-eleitorais. A conquista de cargos é cada vez mais um fim em si mesmo disfarçada de estabilidade política. Ao afastarem-se da sociedade [os partidos políticos], afastam-se consequentemente dos cidadãos. Este afastamento sente-se mais no declínio da filiação e na presença de pessoas nos comícios, mais interessadas em ouvir o músico-pimba do que o político (às vezes também ele pimba).