sábado, janeiro 29, 2005

Um longo domingo...

Na mesma semana vi um dos melhores filmes de sempre, ‘2046’ de Wong Kar-wai, e, até ao momento, o pior filme do ano, ‘Um longo domingo de noivado’, de Jean-Pierre Jeunet. Confesso que não fazia questão alguma de ir ver este último, mas a uma sexta à noite, depois de um longo dia de trabalho, torna-se difícil argumentar com um grupo de amigos, fã do famoso ‘Amelie’... Já o ‘Amelie’ tinha sido uma desilusão. Depois do ‘Delicatessen’ esperava mais, muito mais de Jeunet. Mas não. Acabou por realizar um ‘feel-good-movie’, perfeitamente inofensivo, é certo, mas em nada criativo. ‘Um Longo domingo’ parece a história da (tri)bisavó de Amelie. Audrey Tautou provou que ainda tem muito que provar... Terá de provar se é assim tão má actriz ou se a sua actuação depende exclusivamente da direcção de actores de Jeunet. Tautou lá esta, com aquela carinha ‘eternamente 5 aninhos’, a fazer um beicinho aqui, a abrir ou a fechar os olhinhos ali e, grandes momentos de representacao, a coxear, pois claro. Aliás, esta deficiência física é a única que separa Mathilde de Amelie. De resto, Tautou não fez esforço algum (ou simplesmente não consegue, coitada) para compor uma personagem diferente da empregada de mesa de um café de Paris. O filme é pejado de ‘flash-backs’, uma técnica que Jeunet, ex-realizador de ‘spots’ publicitários, parece adorar uma vez que o argumento é tão mau, tão mau que nem em mais de duas horas de filme, Jeunet consegue condensar a complicada historieta. Logo, temos os constantes ‘flash-backs’. Resta-nos a paisagem, o trabalho de montagem e fotografia. Tirando isso, não nos resta mais nada. Péssimo, muito mau mesmo. Completamente dispensável.

[E eu tambem gero vida. Se puder e quiser. Não sou a Maria, logo Deus não tem nada a ver com isso, muito menos o Gabriel...]