terça-feira, fevereiro 01, 2005

Louçã, o evangelista

Louçã é o político populista mais perigoso no activo. Toda a gente conhece a corja que o segue, dona absoluta da moral e dos bons costumes, para quem a liberdade é impor às pessoas as suas ideias e convicções. Na sua maioria são burgueses que odeiam o povo, que o desprezam, finos intelectuais que não sabem o que é trabalhar ou ter de lutar por uma vida melhor, mas que acham chique ser radical, atirar uns ovos e manifestar-se contra o FMI, o G8 e o Fóruns de Davos. São geralmente gente sem ideias, ou de uma única ideia: feministas, ecologistas radicais, aborto, eutanásia, homossexuais, defensores das minorias, dos direitos dos animais, e de outros imediatismos. Agit-prop, no seu melhor. Louçã é mestre na arte da retórica e da mais fina e refinada das ironias. Mas Louçã não tem uma única ideia para o país, o que para si é uma vantagem sobre todos os outros concorrentes, pois não precisa de ser sério. Basta-lhe ser irónico.
De realçar que Louçã foi o primeiro a invocar a vida privada de um candidato para lhe retirar a “autoridade” de se expressar acerca de um tema fracturante. Aliás, em Louçã o recurso a temas fracturantes é recorrente e muito bem usado. A táctica é maniqueísta: “nós” somos os bons, “eles” são os maus; “nós” temos razão, “eles” não têm; “nós” dizemos a verdade, “eles” mentem.