terça-feira, fevereiro 01, 2005

Sócrates, a fotocópia

Quem julga que o Eng. Sócrates será um grande primeiro-ministro por ter sido um bom ministro do ambiente (tese absurda do inenarrável Freitas do Amaral, que também faria do Dr. Portas um bom primeiro-ministro, por exemplo), engana-se redondamente. Sócrates representa o que há de pior na política portuguesa e no seu tão conhecido “centrão”: o imobilismo, o facilitismo, o carreirismo, a incapacidade reformadora, o autismo, os chavões políticos vazios, o deixar andar para a frente enquanto se colocam mais uns milhares de funcionários bem identificados com a cor do poder. Sócrates, um arrogante, é fruto de uma nova geração que não se livra das velhas gerações: basta vê-los a divagar sobre planos disto, reformas daquilo para ver que são as mesmas caras, os mesmos caciques, as mesmas estratégias, os mesmos novos-ricos que chegaram com Guterres atraídos pela glória fácil da efemeridade da política. O problema português começa exactamente aí: na manifesta incapacidade de reformar a classe política (e os seus aparelhos povoados de caciques que controlam quem entra, quem sai e quem lá chega), e de atrair gente boa para as suas fileiras, capaz de, com sangue novo, mudar radicalmente as coisas e fazer algo de positivo pelas futuras gerações.
O Eng. Sócrates é mais do mesmo. Da mesma cepa de que são e foram feitos todos os medíocres que nos últimos tempos nos têm governado. E isso não interessa. Não pode interessar.