quarta-feira, março 23, 2005

O que debater nos têxteis?

Ele há coisas, como vocês bem sabem ou já perceberam, que me dão nos nervos... Uma delas e o enquadramento do PCP na idade da pedra. Fosse Marx vivo, e o próprio acusaria o PCP de desactualizado e de fechado sobre si mesmo, falando para o lago vazio de peixes. Falo das criticas dos grupos parlamentares ao programa do novo governo. Bernardino Soares, esse jovem educado no viveiro que são as juves partidárias e que desde que chegou a bancada parlamentar passou a investir mais em gravatas, esta descontente com o programa do governo porque, pasmem-se, não apresenta uma solução para os têxteis! E quais são as tuas soluções para os têxteis, camarada? Bombardear a Índia, o Paquistão, o Sri Lanka, a China, Tailândia, enfim, o continente asiático? Já terás tu ouvido falar de globalização econômica? Claro, uma coisa e não gostar, outra e ignorar... Os têxteis, como o calçado, como as industrias pesadas são tradicionalmente industrias de arranque. Nenhum pais que viveu a revolução industrial antes de Portugal permaneceu com um forte sector têxtil. E que pode o governo fazer: obrigar os empresários a investir em tecnologia, no design, na qualidade? Não. Mas pode, e voltamos nos a velha conversa, conceber e promover, em parceria com as entidades patronais que terão de ser activas na matéria, programas de requalificação profissional. Trabalhar em conjunto com as Câmaras Municipais dos concelhos afectados para a atracção de novas industrias em sectores diversificados, impedindo a mono-especialização e mono-dependência da região. Incentivando a instalação das chamadas ‘industrias limpas’ de inovação tecnologica (que vai muito para alem de telemoveis...). O sector têxtil camarada, como o conhecemos hoje já era e terá de ir. Avante, avante e que e o caminho!
Há no entanto que ressalvar que Soares aludiu ao problema do Sistema Nacional de Saúde (esse sim, uma prova de fogo para o actual governo), e os Verdes foram o único partido a questionar frontalmente o governo sobre a eventualidade do 'não' ao aborto vencer neste referendo. De fora ficaram: questões CONCRETAS sobre o código do trabalho, reforma fiscal, segurança social, a questão do redimensionamento das universidades, do combate ao insucesso e abandono escolar, entre muitas outras. Num governo de maioria espera-se uma oposição construtiva, forte e coerente. No parlamento os cérebros dos deputados de oposição já estão no Algarve, Vilamoura...