terça-feira, abril 05, 2005

António Borges

O Sr. António Borges, certamente farto de ser vice-presidente de uma instituição capitalista qualquer, vai apresentar uma moção de estratégia global ao congresso do PSD. A resma de papel ao que parece promete. Muita gente subscreve (incluindo Balsemão) e muitos sectores abanam-se convencidos da teoria do homem e do seu conhecimento. Falsa esperança. Nem um centésimo do PSD vai conhecer a moção (que por si só não será mais do que um simples plano de intenções e frustrações várias e sortidas) nem o Sr. António Borges e sua trupe vão ter o impacto desejado dentro do partido. Não sendo um movimento burguês qualquer e espontâneo, este novo movimento dentro do PSD (só do PSD?), armado em moralista e transparente (???) e que pretende fazer da política um clube privado, só pode ser um movimento de aristocratas onde os senhores, do alto da sua sapiência e conhecimento (e já agora autismo), vão debitar algum ruído e ideias gastas com o propósito de ensinar ao povo as virtudes do seu modo de fazer política (claro que enquanto esperam, futuramente, tirar dividendos, que é como quem diz, ser ministro ou qualquer outra coisa melhor). O Sr. Borges não vale o esforço. Basta ler e ouvir as entrevistas e analisar os “militantes” e “barões” que o acompanham: falam com muita erudição, desdobram-se em poses sérias, falam de sonhos e estatísticas, de milagres e reformas, de pequenas revoluções, do maravilhoso mundo civilizado já ali ao lado, de gente bonita e inteligente deslumbrada com a macroeconomia e outros derivados. No fundo, são uma versão melhorada do nunca me engano e raramente tenho dúvidas que no passado fez furor e sucesso. Felizmente para nós, e infelizmente para eles, ninguém, tirando os jornais e o Sr. José Manuel Fernandes (que anda muito atarefado e preocupado com o futuro da direita), lhes passará cartão. E ainda bem.