sexta-feira, abril 22, 2005

Médias

Nos EUA, em 1850, a média de idades cifrava-se nos 19 anos. Na década de 90 do século passado, essa mesma média subiu para 34 anos. Algumas projecções demográficas, com alguma pertinência, prevêem que em 2050 esse número atinja os 40 anos. É um fenómeno preocupante que é indiciador da enorme mudança que se avizinha e que não pode ser descontextualizado de dois fenómenos umbilicalmente ligados: o aumento da esperança de vida e a queda, abrupta, da taxa de fertilidade.
Mas a coisa piora fora dos EUA. De acordo com projecções semelhantes, e que não levam em linha de conta um eventual aumento da esperança de vida (que no ano 2000 nos EUA era de 74,2 anos para os homens e de 79,9 para as mulheres, por exemplo), a média de idades para esse mesmo ano de 2050 será de 54 anos na Alemanha, de 56 anos no Japão e de 58 anos na Itália. Mais: prevê-se que no caso italiano apenas uma reduzidíssima percentagem de crianças tenham parentes colaterais (que é exactamente o mesmo que dizer que muito poucas terão irmãos ou primos).
Parece evidente que este é um fenómeno preocupante e de consequências imprevisíveis nas sociedades ditas ocidentais. Um só exemplo, entre muitos possíveis, em tom de descontracção: que sentido farão os desfiles de moda com meninas anorécticas para plateias de idosos?