quarta-feira, abril 06, 2005

Pestana, o Papa, e o Reino Unido

Um dia destes deitei mao a uma revista do Expresso que deve ter-se infiltrado na mala de alguem. Na capa aparecia o retrato do Sr. Pestana, onde se prometia contar a historia deste menino pobre que chegou a milionario. Resolvi pois dedicar os meus 10 minutos de intervalo a leitura desta mini auto-biografia. No entanto nao passei da infancia... O Sr. Pestana, filho de imigrantes portugueses e natural de Africa do Sul, onde nasceu. Conta-nos ele que com os pais em casa nunca falava portugues e que os pais so falavam portugues com os tios e primos, que tambem estavam la imigrados (e muito provavelmente com mais uma centena de imigrantes portugueses que deveria habitar a mesma rua). Dai que portanto o Sr. Pestana diz sentir-se muito mais anglo-saxonico. Ora foi aqui que parei de ler, tal foi o ataque de riso... Por entre as gargalhadas e os olhos semi cerrados ainda pude ler que o Sr. nutre uma admiracao pelo pais da sua lingua que diz materna: basta ir a Londres, afianca Pestana, para se respirar a democracia, o desenvolvimento, a abertura!
Ora, no pais democratico de Pestana termina agora o julgamento de 3 politicos do Labour Party condenados por fraude eleitoral a escala industrial (sic palavras do Juiz). Ao que parece, esta sera apenas uma gota num imenso oceano de fraude eleitoral com votos via postal. Nada que nao me passasse pela cabeca quando nas ultimas eleicoes locais e sem eu nada pedir, chegou a minha casa um boletim de voto que qualquer pessoa poderia ter assinado (alias chegaram seis: referentes a todos os anteriores inquilinos e eu poderia ter preenchido todos...). No entanto, os tres partidos parlamentares esforcam-se por diminuir a gravidade da situacao. Isto porque num pais onde acima de 50% nao vao as urnas, todos os partidos deverao ter os seus politicos que a noite, num primeiro andar de um qualquer armazem, levam a familia para preencher 3000 ou mais boletins de voto.
No pais de abertura do Sr. Pestana, passou o 'Social Behaviour Act', que faria corar Salazar, e passara, sem controversia, a lei de 'odio religioso' que muito provavelmente tera precisamente os efeitos que pretende evitar.
No aberto pais de Pestana (que ja agora aproveito para dizer que e o Reino Unido, visto Londres ser uma cidade...) ha dias que a BBC nos massacra com o Papa. Alias, eu ja vi mais vezes a imagem do Papa morto do que a das minhas falecidas tias todas juntas! Blair adiou o anuncio do dia das eleicoes e Charles, o retardado, adiou o seu casamento com o travesti Camila. E isto estamos a falar de um pais que nao e constitucionalmente laico. Isto porque o pais democratico de Pestana nao tem constituicao e legalmente os cidadaos britanicos sao ainda subditos da Rainha que e o representante maximo da Igreja Anglicana (duro trabalho que delegou no retardado).
Pestana representa o nacional parolismo esquecendo-se que 1) ha coisas boas e mas em todo o lado 2) na era da informacao ja nao se pode ir para os jornais dizer baboseiras. A Pestana de nada lhe serve o dinheiro e as viagens. Pouco parece ter aprendido para alem de maneirismos novos-ricos e ressaibiamentos. Eu compreendo. Ser portugues na Africa do Sul do Apartheid e dificil, sobretudo quando os portugueses eram vistos ao nivel da populacao negra. Pestana optou por se identificar com o grupo dominante e opressor. Pois quanto a mim, abonaria muito mais em seu favor se fosse o contrario...
Take care!