terça-feira, junho 21, 2005

Professores

Os professores estão chateados. Dizem eles que não podem ser prejudicados na carreira, na sua progressão, na reforma e numa série de direitos adquiridos. Não consegui confirmar, mas penso que já acham bem, por um outro prisma, reunir muito sem qualquer propósito, ensinar sem qualidade, ter 4 e 5 meses de férias, produzir hordas de analfabetos e ter horários que lhes permite, entre outras coisas, ensinar formação profissional, dar explicações ou ter um segundo emprego. À custa do Estado.
Os professores esquecem-se, claro, que Portugal é dos países que mais gasta em educação per capita (e dos que piores resultados tem) e que os professores, comparativamente à Europa desenvolvida, são das classes que melhor recebem. Tudo isto parecem pormenores irrelevantes. Aliás, calmamente ignorados por todos.
Do alto da sua sapiência, e da mais abjecta demonstração corporativa, demagógica e de duvidosa ética, os professores ameaçaram e ameaçam faltar aos exames, testes e outros derivados. O Ministério está numa posição de força e não quer ceder perante a chantagem e outros nomes feios. Pelo meio lixa-se o mexilhão, que é como quem diz lixam-se os alunos, que só por acaso são a parte mais interessada no assunto, factor convenientemente apagado pelos doutos cultos que ensinam as nossas criancinhas.
Fica a lição desta gente ilustre e mais este gentil ensinamento às gerações futuras: não podes vencê-los? Podes sempre lixar a vida de outros que nada têm a ver com o assunto. Nem mais.