segunda-feira, junho 27, 2005

A Ritinha e as amigas

Manter um programa sobre livros, em horário em que os outros canais passam novelas, como faz questão de sublinhar o apresentador no final de cada programa, não é fácil. Ainda que expatriado para essa coisa híbrida e cinzentona que é a RTPN, Francisco José Viegas continua a apresentar-nos, todas as semanas livros, autores, escritores, investigadores que de maior ou menor interesse representam de uma forma plural uma parte do que se cria, pensa e publica; Procurando justamente ser plural, o seu último programa foi alvo de um terrível erro de casting. A personagem convidada é a autora de um blog já famoso, o blog da rititi, que como outros se converteu agora em livro. Quem quiser pode consultar esse espaço de “reflexão” muito pós-moderno e rosa choc, onde a Rita escreve sobre a sua vidinha, e onde opina, sempre com muitas asneiras, sobre nada. A escrita é light e pop como convêm, carregada de Chanel, explanando argumentos banais, já conhecidos em outras pensadoras da mesma doutrina “pseudo-feminista-chic”.
Se o blog é insuportável, ao menos poupa-nos a visão da criatura. Já na televisão constatei o que seria se esperar. Uma menina muito Fashion como convêm, que vive em Madrid, e de vez em quando vem ao Portugal dos pequeninos visitar a família. Sim porque Portugal é chato, demasiado cinzento, machista, pequenino para a criatividade e inteligência da ritinha. Pela minha parte mandava as Ritas, as Martas, as Margaridas, e todas as “betinhas” que se acham escritoras para um gulag na Sibéria. Já é difícil fazer programas sobre livros. Já é complicado ler certas coisas. Agora aturar esta gente é impossível.

P.S – Não esquecer o papel muito “pedagógico” da editora Oficina do Livro, que pública a grande maioria das alarvidades que estas senhoras escrevem.