sexta-feira, novembro 25, 2005

Pacheco Pereira, just do your homework & have a port...

Começo a ler o artigo de um homem aflito, em que a tinta discorre letras num turbilhão. Se me concentrasse apenas na forma e não no significado de tais símbolos, pensaria estar a ler um artigo de um evangelista do sétimo dia, que escreve que o mundo afinal terminara ao sexto, e que o sexto e já amanha... Mas não. Estou a ler um artigo do Jose Pacheco Pereira (JPP), no Publico. E JPP esta realmente aflito. Aflige-se ele com as declarações de Freitas do Amaral em relação a resistência do Reino Unido em fazer passar o orçamento Europeu. Teatralmente escreve JPP que estas foram “as mais violentas acusações que qualquer governante europeu da EU fez contra outro governo da EU”. Chocado, JPP, que deve ter escrito o artigo ainda de queixo caído, afirma que Portugal alienou um dos seus maiores aliados. Bom, que dizer... JPP do your homework... Em primeiro lugar, nenhum jornal britânico focou o assunto. A celeuma levantada por JPP, que toma as dores do Reino de Isabel, não se verifica por cá, nem a Isabel esta com dores algumas. Isto espelha exactamente o respeito e a importância que a Inglaterra atribui a Portugal, pais que certamente não considera como o seu melhor aliado. A estratégia do Reino Unido (RU) passa pelas boas relações com os paises do Leste, esses sim, seus aliados preferenciais, uma vez que estes paises se mostram mais favoráveis a política dos EUA. Ser a ponte entre os dois continentes e o que o RU ambiciona. Mediar, ser um player no trafico de influencias políticas internacionais e, sem sombra de duvida, o papel que o RU quer para si, na Europa e no Mundo. Portugal não interessa. O vinho do Porto faz parte do comercio livre e têxteis já os ingleses não produzem. Portanto...
Em segundo lugar, se bem que concorde com a pressão que o governo britânico exerce sobre os interesses instituídos da Franca e da Alemanha no conjunto da EU, concordo também que a diplomacia Portuguesa não tem necessariamente de ser sinônimo de servilismo. Declarações agressivas são comuns em negociações. Fazem parte do jogo. Quem vê Mandelson a negociar com certeza que não chamara aquilo de diplomacia, mas mais de bullying. Ou então basta lembrar a conferencia de imprensa do ministro dos negócios estrangeiros brasileiro após as negociações entre a EU e os representantes dos paises em vias de desenvolvimento sobre o comercio e agricultura. Luiz Fernando Furlan disse na altura que ou o seu inglês era muito mau ou Mandelson era surdo... Nao consta que o RU deixasse de importar cafe ao Brasil, ou mesmo que diminuisse a quota de importacao de produtos brasileiros.
Portanto, JPP, no calor da indignação, não escrevas artigos tontos... Espera, just sit back, drink an Earl Grey, and relax. Or have a port, have a port...