terça-feira, fevereiro 07, 2006

Problema de comunicacao

Desculpa la Nuno, mas vou ter de pessoalizar a questao. Parece-me que ha aqui um problema de comunicacao que urge resolver:

  1. tu estas a colocar as coisas em termos de ocidentais/nao ocidentais eu nao. Eu coloco as coisas em termos de defesa de um estado secular/defesa de um estado religoso;
  2. se os estados seculares produzem despotas fundamentalistas e obvio que eu nao estou de acordo mas isso nao me impede de defender um estado secular. Nao existe ate a data nenhuma correlacao directa entre estado secular/despota;
  3. os despotas fundamentalistas chegam ao poder tantas vezes devido a complacencia de quem assiste a sua ascensao: foi assim com o Hitler, ignorado, na sua ascensao pelos restantes ‘ocidentais’ e pelos ‘seus’ proprios ‘ocidentais’. E assim com a ‘dinastia’ na Arabia Saudita ignorada pelos ‘ocidentais’ e outros que tais;
  4. o ponto 3 tambem nao abala um milimetro a minha defesa por um estado secular;
  5. a minha defesa pelo estado secular nada tem a ver com racismo portanto nao entendo o teu argumento. Logo de maneira politicamente correcta e evitando um comentario menos ‘polite’, direi que nao faco comentarios;
  6. os limites da imprensa deverao ser contidos em sede propria, nomeadamente nos tribunais e nao nas ruas com cartazes onde se pode ler ‘cortem a cabeca a quem ofender o profeta’ ou gritando slogans como ‘freedom go to hell’;
  7. mais do que o choque de civilizacoes, conspiracoes politicas e obscuros interesses economicos (que se tao obscuros tao pouco estariam ao alcance dos mais iluminados), as manifestacoes estao populadas de fundamentalistas e jovens descontentes com a sua integracao na sociedade, ocidental ou outra;
  8. portanto, quanto a mim a discussao passaria sim pela afirmacao da liberdade de expressao e defesa de um estado secular (sera que eu tenho o direito de exigir tal do pais em que vivo, seja no ocidente ou no oriente?) e pela problematica da integracao social nomeadamente dos mais jovens. Estes, quando desapontados pelo estado, no ocidente, oriente ou quica em Marte, poderao mais facilmente se recrutados para movimentos fundamentalistas que nao traduzem de todo a opiniao da maioria;
  9. terminando, a meu ver a questao e muito mais complexa que a simples dictomia ocidente/medio oriente e ultrapassa os limites macrossociais de uma conspiracao a escala mundial baseada em interesses economicos que existem e que todos nos sabemos existir.