segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Sobre os posts longos...

Há duas coisas que me espantam em tudo isto: não perceberem que Hitler, por exemplo, copiou o estado totalitário de Estaline, logo que a prática política era igual (tal como era igual a política expansionista ou a política de extermínio ou dos campos de concentração); e dizer que o fascismo provocou mais mortos do que o comunismo, como se isto se resumisse a um qualquer campeonato de primeiras e segundas categorias. Mau grado a contabilidade dos mortos, apenas para relembrar que na China foram apenas 70 milhões de mortos sob a égide desse grande timoneiro Mao Tse-tung em nome da Revolução Cultural e do grande passo em frente. Na URSS dos camaradas soviéticos, avança-se com números (por baixo) perto dos 20 milhões. Deixemo-nos de verdades dissimuladas que não nos levam a lado nenhum. Por respeito pelas vítimas.
Queria acrescentar que na realidade vejo uma grande diferença entre fascismo e comunismo, mas que esta nem está no plano doutrinário nem na extraordinária teoria da inclusão/exclusão (tristes tempos estes, em que um totalitarismo é justificado pela sua capacidade ou não de inclusão). E passo a explicar: enquanto que o fascismo teve criminosos com rosto, uma vez que foi derrotado militarmente por uma associação de Estados a quem isso convinha, que acabaram julgados e condenados (pelo menos, os que sobreviveram) pelos horríveis crimes que cometeram, o comunismo, por seu turno, teve a original ousadia de originar crimes sem criminosos, como a história actual nos diz, num branqueamento atroz que lesa a memória, que jamais deveria ser esquecida, das suas vítimas. É por isso que um crime perpetrado por um ditador fascista é um crime; mas um crime perpetrado por um ditador comunista, não é crime: é um passo em frente ou apenas um infeliz acontecimento, um desvio, que nada tem a ver com o comunismo ou com a ideologia. É por isso que Estaline representa um desvio. Tal como todos os outros tipos simpáticos, responsáveis por outros tantos desvios de circunstância. É esta a razão que leva o marxismo a passear-se impune pelo mundo e por muitas cabeças. Como na do camarada Jerónimo que hoje mesmo afirma, em entrevista ao Público, a extraordinária verdade “Quem sou eu para dizer que a minha democracia é melhor do que a deles?”. Isto como resposta à pergunta “Acha que há democracia em Cuba?” Quem sou eu, para dizer o contrário? Quem sou eu para tentar explicar que não há totalitarismos bons e maus? Não acham que está tudo explicado?