Quando soube que Deus Pinheiro era o cabeça-de-lista da coligação veio-me à memória uma piada antiga.
Perguntam a João de Deus Pinheiro, depois de sair de Ministro dos Negócios Estrangeiros, qual tinha sido o acontecimento que mais o tinha marcado enquanto titular daquelas funções. O homem pensa um bocado e responde “O Golfo”.
Anos depois, fazem-lhe a mesma pergunta, mas desta feita depois de sair de Comissário Europeu. Depois de muito pensar ele atira com... “o Golfe”.
segunda-feira, maio 31, 2004
Apelo do Presidente
O Presidente veio apelar à participação dos portugueses nas próximas eleições num artigo hoje publicado no DN. Algures no tempo, o artigo deve ter feito sentido até porque explica o que é a Europa, quais os seus principais desafios e porque é que é importante que todos participem activamente na sua construção.
Lê-se o Presidente e ficamos na dúvida se as eleições de que ele fala são as mesmas pelas quais os políticos andam a fazer campanha. Eu desconfio que não estão a falar da mesma coisa... Não pode ser.
Lê-se o Presidente e ficamos na dúvida se as eleições de que ele fala são as mesmas pelas quais os políticos andam a fazer campanha. Eu desconfio que não estão a falar da mesma coisa... Não pode ser.
Desabafo
A actual situação do PSD é reveladora de que o partido vive refém do passado. Já não bastava o contínuo entrar de ministros e secretários de estado provenientes da era gloriosa cavaquista como também, e agora, se sucedem os candidatos do tempo das cruzadas num ciclo que parece interminável.
No PSD parece que para refrescar as ideias políticas é necessário recorrer a este género de políticos. O problema pior prende-se com as ideias: nem são novas nem são originais. Para completar o ramalhete e a satisfação total das hostes adormecidas, é conveniente que se perceba que só falta o regresso do D. Sebastião. Perdão, do Dr. Cavaco, às lides domésticas para colocar o pessoal na ordem. O povo certamente agradece, farto de tanta indisciplina e rega-bofe. Entretanto, o problema deve ser contagioso. Algures no PS detecta-se um sintoma parecido: os que afundaram o país oferecem-se agora para remediá-lo à distância, numa espécie de cura milagrosa. O que vale é que para eles, Bruxelas é um fim, daí o evidente esforço na campanha, em vez de um princípio, situação a todos os títulos estranha. É o que dá fazer do Parlamento Europeu um El Dorado em detrimento de um merecido castigo.
No PSD parece que para refrescar as ideias políticas é necessário recorrer a este género de políticos. O problema pior prende-se com as ideias: nem são novas nem são originais. Para completar o ramalhete e a satisfação total das hostes adormecidas, é conveniente que se perceba que só falta o regresso do D. Sebastião. Perdão, do Dr. Cavaco, às lides domésticas para colocar o pessoal na ordem. O povo certamente agradece, farto de tanta indisciplina e rega-bofe. Entretanto, o problema deve ser contagioso. Algures no PS detecta-se um sintoma parecido: os que afundaram o país oferecem-se agora para remediá-lo à distância, numa espécie de cura milagrosa. O que vale é que para eles, Bruxelas é um fim, daí o evidente esforço na campanha, em vez de um princípio, situação a todos os títulos estranha. É o que dá fazer do Parlamento Europeu um El Dorado em detrimento de um merecido castigo.
domingo, maio 30, 2004
Promentir
Infelizmente, os políticos portugueses não querem esclarecer o povo sobre o que está em causa na Europa nem para que servem as eleições europeias. Entre cartões de várias cores e feitios, as principais forças políticas dedicam-se ao ataque ou à defesa, consoante o caso, das actuais políticas governativas, fazendo deste evento, as eleições europeias, um circo sem sentido e com palhaços de parca qualidade. Sabendo que Portugal manda cada vez menos e obedece cada vez mais à tal Europa que eles se recusam discutir e que os portugueses cada vez menos se interessam por estas coisas chatas que se chamam eleições pergunta-se se esta campanha eleitoral não será uma mera mentira. Eles bem que prome(n)tem mudar, mas são todos iguais. Igualzinhos.
quarta-feira, maio 26, 2004
Jim Carrey - Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Foi a segunda vez que tive oportunidade de ver Carrey num ecrã de cinema, depois de Homem na Lua, um registo em que a sua conhecida hiper-expressividade e o tom desbragado estavam circuncritos a limites mais estreitos do que o conhecido pela natureza da personagem representada, o comediante Andy Kaufman, e pela oscilação entre a comédia e o drama que a biografia deste implicava.
Sinteticamente, em "Eternal Sunshine of the Spotless Mind", temos agora um Carrey dar largas ao génio criativo do argumentista Charlie Kaufman, o mesmo de "Queres ser John Malkovich", ao vestir a pele de um indivíduo que sobrevive numa existência amorfa e desinteressante, segundo o próprio, e que ao descobrir que foi apagado da memória da rapariga que havia encontrado à beira-mar, decide retribuir à rapariga a supressão da sua mente, desígnio esse que será mal sucedido em virtude dos seus sentimentos não o permitirem.
Se ainda alguém tinha dúvidas do talento de Carrey, elas dissipam-se aceleradamente com a visualização do filme, digo eu...
Sinteticamente, em "Eternal Sunshine of the Spotless Mind", temos agora um Carrey dar largas ao génio criativo do argumentista Charlie Kaufman, o mesmo de "Queres ser John Malkovich", ao vestir a pele de um indivíduo que sobrevive numa existência amorfa e desinteressante, segundo o próprio, e que ao descobrir que foi apagado da memória da rapariga que havia encontrado à beira-mar, decide retribuir à rapariga a supressão da sua mente, desígnio esse que será mal sucedido em virtude dos seus sentimentos não o permitirem.
Se ainda alguém tinha dúvidas do talento de Carrey, elas dissipam-se aceleradamente com a visualização do filme, digo eu...
segunda-feira, maio 24, 2004
Durão Barroso responsabiliza PCP por eventuais problemas de segurança no Euro 2004
Depois dos telemóveis com imagem no Iraque, foi descoberta mais uma força subversiva a por em causa a "nossa" segurança, o PCP.
Relativamente ao apoio incondicional e reverente à refrega iraquiana, ao não pagamento dos honorários devidos aos inspectores do SEF pelo trabalho desenvolvido e ao incumprimento do regulamento de promoções das forças policiais, o primeiro-ministro, curiosamente, foi omisso...
Relativamente ao apoio incondicional e reverente à refrega iraquiana, ao não pagamento dos honorários devidos aos inspectores do SEF pelo trabalho desenvolvido e ao incumprimento do regulamento de promoções das forças policiais, o primeiro-ministro, curiosamente, foi omisso...
Rumsfeld proíbe telemóveis com câmara digital no Iraque
"De acordo com a publicação, o departamento da Defesa está convencido de que as fotos postas a circular nos Estados Unidos, que mostram os abusos cometidos pelos militares norte-americanos sobre os iraquianos detidos na prisão de Abu Ghraib, foram tiradas por este tipo de aparelhos".
Portanto, ficamos a saber que em vez de proibirem a prática dos abusos, para o departamento de defesa yankee o mais importante é confiscar os telemóveis, esses instrumentos subversivos que estão a minar a vontade de implantar a democracia ocidental na antiga Babilónia.
Portanto, ficamos a saber que em vez de proibirem a prática dos abusos, para o departamento de defesa yankee o mais importante é confiscar os telemóveis, esses instrumentos subversivos que estão a minar a vontade de implantar a democracia ocidental na antiga Babilónia.
sexta-feira, maio 21, 2004
Portugal Positivo
O movimento Portugal Positivo, tentativa do PSD, via sociedade civil, combater os malefícos do discurso da «tanga», organizou uma conferência sobre a nossa (dos portugueses) auto-estima. Vasco Pulido Valente foi a grande atracção do evento. Convidar VPV para uma conferência sobre auto-estima organizada por um movimento chamado Portugal Positivo é das melhores piadas que ouvi nos últimos tempos. A coisa correu, bem se vê, bastante mal. Algumas frases do amargurado Vasco. Sobre a modernização do país por imitação de modelos estrangeiros: "Se uma pessoa define o seu programa político como imitação o que está a dizer é que a sua identidade é ser atrasado." Sobre as nossas elites: "Portugal está cheio de nulidades nas mais altas instâncias em que ninguém toca." Perante a estupefacção de um público optimista, Vasco apontou a solução para a depressão nacional: "Se houver mais dinheiro as pessoas começam logo a sentir-se melhor, nem precisam deste tipo de conferências."
A capital do trabalho
Desculpem o futebol outra vez. Dos 14 mil e tal bilhetes atribuídos ao FC Porto para a final da Liga dos Campeões apenas pouco mais de 3 mil foram vendidos ao público. Os restantes foram distribuídos por patrocinadores, empresas e por notáveis do país e da cidade. Quando olharmos para a bancada central do Estádio alemão onde se vai disputar a final e encontrármos políticos, empresários, artistas e outras figuras mais ou menos públicas sabemos que estes personagens, ao contrário da plebe, não tiveram que ir para a frente das bilheteiras dois dias antes. O clube da região, do imaginado "povo do norte" que enche permanentemente a Av. dos Aliados contra o centralismo lisboeta, distribuí os seus bens e serviços pelos mesmos de sempre, os barões do capital regional, as redes de interesses e de tráfico de influências, a mesma «classe» de sempre, que dirige impunemente este país. É neste ponto que estabelecem os limites do populismo, da paixão clubista, da mobilização da capital do trabalho. A capital do trabalho continua muito mais próxima do capital do que do trabalho.
Ao Bruno - nos os ocidentais....
Algarve e uma palavra que deriva do Arabe e significa 'o Ocidente'. E era-o, de facto, para as tribos Arabes de Marrocos. No norte da Europa, Portugal passa a 'Sul'... A relatividade das posicoes geograficas depende tambem da forma como se olha para o mapa: se de frente para a Europa, ou se por outras perspectivas. Enfim, e como tudo na vida...
quarta-feira, maio 19, 2004
Túnel do Rego - As obras estão já em andamento
Depois das mensagens de boas vindas dirigidas ao Sr. Benvindo, é este o novo cartaz afixado pela Câmara Municipal de Lisboa em diversos locais...
No Comments!
No Comments!
terça-feira, maio 18, 2004
Sobre os maus-tratos
Apesar de tudo aquilo que aconteceu na prisão de Abu Ghraib, e que é uma enorme vergonha para a suposta superioridade moral do Ocidente, é importante relembrar que há importantes diferenças de tratamento entre os prisioneiros e os infractores dos dois lados da barricada, situação que a imprensa ocidental, imbuída do seu mais primitivo antiamericanismo, tem confortavelmente esquecido (basta olhar para as recentes fotos falsificadas de humilhações inexistentes que andaram até a circular por correio electrónico). É por isso que convém perceber três coisas:
Convém perceber, em primeiro lugar, que há uns que humilham, põem nus e batem e que há outros que se entretém a cortar a garganta e a cabeça, o que é rigorosamente muito diferente (sei que os puritanos vão ficar muito escandalizados).
Convém perceber, em segundo lugar, que há uns que vão ser julgados em tribunal marcial e que há outros que vão ser totalmente esquecidos e até perdoados, não só pelos seus como também pela generalidade da opinião pública.
E convém ainda perceber, por último, que enquanto nós ocidentais repudiamos aquilo que sucedeu (e verdadeiramente sentimo-lo e reprovamo-lo), eles aplaudem e dão vivas de satisfação de cada vez que cortam uma cabeça.
É por isso que digo que há uma diferença abismal de tratamento e que é má-fé fazer dos americanos os únicos maus do mundo.
Convém perceber, em primeiro lugar, que há uns que humilham, põem nus e batem e que há outros que se entretém a cortar a garganta e a cabeça, o que é rigorosamente muito diferente (sei que os puritanos vão ficar muito escandalizados).
Convém perceber, em segundo lugar, que há uns que vão ser julgados em tribunal marcial e que há outros que vão ser totalmente esquecidos e até perdoados, não só pelos seus como também pela generalidade da opinião pública.
E convém ainda perceber, por último, que enquanto nós ocidentais repudiamos aquilo que sucedeu (e verdadeiramente sentimo-lo e reprovamo-lo), eles aplaudem e dão vivas de satisfação de cada vez que cortam uma cabeça.
É por isso que digo que há uma diferença abismal de tratamento e que é má-fé fazer dos americanos os únicos maus do mundo.
A criação da Universidade Pública de Viseu
O primeiro-ministro anunciou, ontem, a criação de uma Universidade Pública em Viseu, cumprindo um dos seus compromissos eleitorais e uma promessa feita pelos sucessivos governos nos últimos 14 anos.
Como viseense, não posso deixar de me congratular com a decisão tomada pelo Governo, "premiando" uma cidade que tem evidenciado uma dinâmica económica e cultural assinalável ao longo das últimas duas décadas.
Pode ser este um impulso fulcral para a criação de centros de excelência ao nível da inovação e do conhecimento, que funcionem como alavancas para o desenvolvimento local e regional.
Para tal torna-se imprescíndivel, não só a aposta na investigação com fortes ligações a outras unidades no país e no estrangeiro, mas também a criação de uma rede de suporte de empresas que forneçam serviços à Universidade e às unidades de investigação, designadamente ao nível do equipamento tecnológico, e o investimento empresarial no chamado capital de risco em áreas de actividade desenvolvidas pelas unidades de investigação da Universidade.
Caso tal não se verifique, arrisca-se a ser mais uma Universidade Pública, incapaz de fazer face
a outras que geograficamente a circundam e de aportar os contributos relevantes que dela se aguardam como motor indispensável para o desenvolvimento de toda aquela região e do País.
Como viseense, não posso deixar de me congratular com a decisão tomada pelo Governo, "premiando" uma cidade que tem evidenciado uma dinâmica económica e cultural assinalável ao longo das últimas duas décadas.
Pode ser este um impulso fulcral para a criação de centros de excelência ao nível da inovação e do conhecimento, que funcionem como alavancas para o desenvolvimento local e regional.
Para tal torna-se imprescíndivel, não só a aposta na investigação com fortes ligações a outras unidades no país e no estrangeiro, mas também a criação de uma rede de suporte de empresas que forneçam serviços à Universidade e às unidades de investigação, designadamente ao nível do equipamento tecnológico, e o investimento empresarial no chamado capital de risco em áreas de actividade desenvolvidas pelas unidades de investigação da Universidade.
Caso tal não se verifique, arrisca-se a ser mais uma Universidade Pública, incapaz de fazer face
a outras que geograficamente a circundam e de aportar os contributos relevantes que dela se aguardam como motor indispensável para o desenvolvimento de toda aquela região e do País.
segunda-feira, maio 17, 2004
11) Maradona
Quando desenhou a tatuagem de Che Guevara no seu braço direito Maradona disse que finalmente os dois mais importantes argentinos estavam juntos no mesmo corpo.
9) Rui Rio
É de elementar justiça salientar a postura de Rui Rio em relação ao mundo do futebol. Porventura houve alguns exageros por parte do autarca. Mas as notícias que vieram a lume sobre os financiamentos ilegais da Câmara ao FC Porto provam que tinha efectivamente razão. O Rio é uma lança em África.
8) Os representantes da Nação
Vamos ter outra vez a rábula de Sevilha. Alguns deputados já admitiram que não se importam de faltar à sessão, não recebendo o dinheiro correspondente ao dia de trabalho. Os deputados deviam ter consciência que estão a representar os cidadãos e que a Assembleia não é o cabaret da coxa. Algures no México alguém deve estar surpreendido como é que alguém cancela uma visita de Estado para ir a um jogo de futebol.
7) Patriotas
Há alguma razão para um não portista apoiar o Porto na final da Liga dos Campeões? Consigo encontrar apenas uma. A cultura do ódio é repelente. Também dispenso o argumento patrioteiro. A única forma de apoiar esta equipa depende do que ela conseguir demonstrar em campo, interpretanto o jogo. Como o fez, exemplarmente, na Corunha.
6) Deco
Deco é o melhor jogador a actuar em Portugal. Um espectáculo dentro do espectáculo. No entanto, não consegue, tal como Mourinho, envolver o seu génio numa postura positiva. Deco é violento e é o mais simulador de faltas que tenho visto (bem mais que Liedson. Sé entou inventou uma mão-cheia delas. Deco engana os adversários, o árbitro, os colegas e o público. Os ingleses chamam-lhe diver. É pena.
Subscrever:
Mensagens (Atom)