Quatro sugestões
1ª Sugestão – Mostrar amarelo à segunda falta cometida por um mesmo jogador, independentemente da gravidade da mesma (obviamente que os casos de expulsão directa se mantinham); mostrar segundo amarelo e consequente vermelho, à quarta falta, independentemente da gravidade da mesma (mantendo os mesmos critérios).
2ª Sugestão – Fazer como no Futsal: marcar livres directos sem barreira à frente da baliza a partir da 10ª falta.
3ª Sugestão – Irradiar o Boavista.
4ª Sugestão – Irradiar o Jaime Pacheco (se bem que já contentava muita gente proibi-lo de falar).
quarta-feira, agosto 18, 2004
Justiça portuguesa
O actual estado da justiça portuguesa fez-me lembrar uma coisa que há dias um amigo meu me havia confidenciado. Dizia-me ele, e através de fonte bem colocada na magistratura ou nessa coisa da Justiça, que a justiça em Portugal serve essencialmente para três coisas: 1º- Proteger “os amigos”; 2º- Atacar “os inimigos”; 3º- Aplicá-la aos indiferentes. Nem mais.
O paraíso cubano
O Presidente da Câmara Ibero-Americana de Comércio, Armando Lago, prepara-se para lançar um livro com um nome sugestivo: Livro Negro da Revolução Cubana. Alguns números interessantes:
Número de Fuzilados – 5621
Presos políticos mortos em cativeiro por maus-tratos – 1163
Soldados cubanos mortos em missões no exterior: 14160
Número de mortos e desaparecidos em tentativas de fuga da ilha: 77824
Elucidativo.
Número de Fuzilados – 5621
Presos políticos mortos em cativeiro por maus-tratos – 1163
Soldados cubanos mortos em missões no exterior: 14160
Número de mortos e desaparecidos em tentativas de fuga da ilha: 77824
Elucidativo.
segunda-feira, agosto 09, 2004
Moore & Moore
Fahrenheit 9/11 é um filme importante. A base da democracia é a participação dos indivíduos. Estes só podem participar na vida do seu país se estiverem informados. No que respeita às actividades e intenções do governo americano liderado por Bush Jr. ficamos, com este documentário, mais esclarecidos: percebemos o que está por detrás das guerras do Iraque e do Afeganistão, as ligações da família Bush e seus acólitos com as monarquias do Golfo, nomeadamente a Arábia Saudita (7% da riqueza americana é saudita). Dados importantes, e devidamente comprovados, para o exercício do direito de cidadania. Quem acusa Moore de ser parcial esquece-se da parcialidade das grandes multinacionais da comunicação. O filme de Moore é dedicado ao público americano. É por isso que, para chegar ao cidadão comum, opta, algumas vezes, por um discurso simplista e emocional, bastante visível quando trata da questão do Iraque e da presença dos soldados do Tio Sam. É possível afirmar que certos planos eram dispensáveis, mas Moore sabe bem que são úteis. A vida das pessoas é, neste como em muitos outros casos, mais importante do que arte.
sábado, agosto 07, 2004
Sines 2004 outra vez
Em relação ao meu post anterior o camarada César contestou, informalmente, algumas das minhas afirmações. As suas discordâncias foram em dois sentidos. Por um lado, afirmou ele, a maior parte das pessoas que estava em Sines não era da terra, mas de Lisboa, o que contrariaria a ideia de uma política local de desenvolvimento. Por outro lado, a própria música apresentada no festival teria pouco a ver com o gosto das pessoas da terra. Deste modo, o festival de Sines estaria mais a servir uma população de Lisboa, com determinados gostos, digamos, próximo de certa classe média.
A verdade é que o César tem, em grande parte, razão. O que ele não apresenta, no entanto, é um modelo alternativo que permita que a sua crítica se torne construtiva. Temos um festival com um conjunto de grupos que se inclui no que se chama de World Music (embora, na minha opinião, o festival consiga ir para além deste chapéu), fora, portanto, do registo mais claramente comercial das rádios, televisões, editoras, distribuidoras, etc; um festival cuja entrada, pelos três dias, custa 10 euros; existem, à parte, inúmeras iniciativas gratuitas. A música não será globalmente conhecida mas, com toda a certeza, não apresenta os problemas formais de um concerto de trash metal, ou de música de câmara, ou um espectáculo de dança contemporânea, etc. A lógica do festival de Sines, aliás, não é assim tão diferente da apresentada nas Cantigas de Maio do Seixal, ou mesmo, embora neste caso a questão seja mais complexa, na festa do Avante.
Claro que isto não evita os dois problemas colocados: a invasão da classe média lisboeta (embora seja discutível que as pessoas vindas de Lisboa sejam na sua maioria de classe média) e a dificuldade dos habitantes de Sines, por incompatibilidade formal com a música apresentada, aderirem ao evento.
Assim de repente só me lembro de uma solução para o problema do César: o populismo. Esta solução é, aliás, utilizada em grande parte dos nossos munícipios. Usando aquela velha máxima rangeliana de que «só damos ao povo o que o povo quer», enchamos o Castelo de Sines com o Nel Monteiro e a Mónica Sintra. De certeza que temos adesão maciça à la Chão da Lagoa. Estou em crer que, apesar de tudo, quem organiza o festival de Sines tem o povo em melhor conta. Infelizmente, dirão algumas almas mais intolerantes e desconfiadas, não é possível proibir a classe média de Lisboa de rumar a sul.
A verdade é que o César tem, em grande parte, razão. O que ele não apresenta, no entanto, é um modelo alternativo que permita que a sua crítica se torne construtiva. Temos um festival com um conjunto de grupos que se inclui no que se chama de World Music (embora, na minha opinião, o festival consiga ir para além deste chapéu), fora, portanto, do registo mais claramente comercial das rádios, televisões, editoras, distribuidoras, etc; um festival cuja entrada, pelos três dias, custa 10 euros; existem, à parte, inúmeras iniciativas gratuitas. A música não será globalmente conhecida mas, com toda a certeza, não apresenta os problemas formais de um concerto de trash metal, ou de música de câmara, ou um espectáculo de dança contemporânea, etc. A lógica do festival de Sines, aliás, não é assim tão diferente da apresentada nas Cantigas de Maio do Seixal, ou mesmo, embora neste caso a questão seja mais complexa, na festa do Avante.
Claro que isto não evita os dois problemas colocados: a invasão da classe média lisboeta (embora seja discutível que as pessoas vindas de Lisboa sejam na sua maioria de classe média) e a dificuldade dos habitantes de Sines, por incompatibilidade formal com a música apresentada, aderirem ao evento.
Assim de repente só me lembro de uma solução para o problema do César: o populismo. Esta solução é, aliás, utilizada em grande parte dos nossos munícipios. Usando aquela velha máxima rangeliana de que «só damos ao povo o que o povo quer», enchamos o Castelo de Sines com o Nel Monteiro e a Mónica Sintra. De certeza que temos adesão maciça à la Chão da Lagoa. Estou em crer que, apesar de tudo, quem organiza o festival de Sines tem o povo em melhor conta. Infelizmente, dirão algumas almas mais intolerantes e desconfiadas, não é possível proibir a classe média de Lisboa de rumar a sul.
terça-feira, agosto 03, 2004
Sines 2004
O festival de Músicas do Mundo realizado em Sines é um exemplo de bom trabalho autárquico na área da cultura. Um festival de inegável qualidade a preços acessíveis. Alguns críticos musicais, denotando dificuldade em pensar para além das notas que semanalmente dão aos discos que vão saindo, não conseguem perceber que a importância do festival é inseparável de uma filosofia de política local. Gerido por uma qualquer produtora, o festivalde Sines proporcionaria um lucro assinalável, bastava aumentar o preço dos bilhetes e, seguindo a doutrina João César das Neves, acabar com o investimento em espectáculos gratuitos. Considera a autarquia, no entanto, que existem benefícios para a população, não contabilizáveis apenas em balanços e balancetes, que justificam a aposta. O festival de Sines levanta muito mais discussões do que aquelas que perspassam em meia página de crítica musical. Houvesse jornalistas capazes de as pensar.
sexta-feira, julho 30, 2004
Críticas de cinema e Lições básicas de matemática
Por uma questão de curiosidade, decidi dar uma vista de olhos ao suplemento "Indígena" do jornal Independente que tinha ao dispor aqui perto.
Com a atenção mais virada para a crítica do filme "Fahrenheit", da autoria do senhor Leonardo Ralha, voluntariei-me para ler a mesma de fio e pavio de molde a poder julgá-la e compará-la mais logo com a minha visualização do filme.
De forma expectável, o crítico do Independente propõe-se no seu texto levar a cabo a tarefa de desfazer, ponto por ponto, os argumentos de Michael Moore, no intuito de desmascarar a terrível manipulação da verdade que neles estão subsumidos, abstraindo-se, claro, "tanto quanto possível de preconceitos ideológicos", como o tipo-ideal da actividade de crítico de cinema postula.
Não conseguindo disfarçar minimamente os tais preconceitos ideológicos (a aposição destas ressalvas no destaque dos textos, geralmente é quase sempre um indício da garantia do que vem a seguir...), o crítico atinge o auge da sua tarefa inglória perto do final do texto quando refere:
"Se num universo de 1070 pais - partindo do princípio de que nenhum dos eleitos é viúvo ou viúva - existe um dos 140 mil estacionados no país e em 294 milhões de norte-americanos há cerca de 130 milhões com idade suficiente para terem filhos nas Forças Armadas, a proporção é idêntica".
Apostado em oferecer-nos esta "lição básica de matemática", como diz, esquece-se das lições básicas de representatividade estatística!
Honesto seria o crítico verificar se existe uma correspondência entre o peso proporcional dos distintos extractos sócio-económicos no conjunto da população americana e os 140 mil militares destacados no Iraque.
Desconfio que se esqueceu de dar ao trabalho de verificar esta lição básica de representatividade estatística por algum motivo...
Com a atenção mais virada para a crítica do filme "Fahrenheit", da autoria do senhor Leonardo Ralha, voluntariei-me para ler a mesma de fio e pavio de molde a poder julgá-la e compará-la mais logo com a minha visualização do filme.
De forma expectável, o crítico do Independente propõe-se no seu texto levar a cabo a tarefa de desfazer, ponto por ponto, os argumentos de Michael Moore, no intuito de desmascarar a terrível manipulação da verdade que neles estão subsumidos, abstraindo-se, claro, "tanto quanto possível de preconceitos ideológicos", como o tipo-ideal da actividade de crítico de cinema postula.
Não conseguindo disfarçar minimamente os tais preconceitos ideológicos (a aposição destas ressalvas no destaque dos textos, geralmente é quase sempre um indício da garantia do que vem a seguir...), o crítico atinge o auge da sua tarefa inglória perto do final do texto quando refere:
"Se num universo de 1070 pais - partindo do princípio de que nenhum dos eleitos é viúvo ou viúva - existe um dos 140 mil estacionados no país e em 294 milhões de norte-americanos há cerca de 130 milhões com idade suficiente para terem filhos nas Forças Armadas, a proporção é idêntica".
Apostado em oferecer-nos esta "lição básica de matemática", como diz, esquece-se das lições básicas de representatividade estatística!
Honesto seria o crítico verificar se existe uma correspondência entre o peso proporcional dos distintos extractos sócio-económicos no conjunto da população americana e os 140 mil militares destacados no Iraque.
Desconfio que se esqueceu de dar ao trabalho de verificar esta lição básica de representatividade estatística por algum motivo...
quarta-feira, julho 28, 2004
La Palisse
Naquilo que pensava ser um anúncio de grande impacte em termos de novidade, o Presidente da Associação de Turismo de Lisboa disse ontem ter garantias que o novo casino de Lisboa se irá situar no Pavilhão da Realidade Virtual... como se isso não fosse já do conhecimento de toda a gente desde há muito tempo! La Palisse não diria melhor...
terça-feira, julho 27, 2004
Bola
Para os amantes da bola, um site com alguns dos melhores momentos de sempre:
http://www.soccerpulse.com/forum/
lofiversion/index.php/t306.html
http://www.soccerpulse.com/forum/
lofiversion/index.php/t306.html
Pedintes
Há algumas semanas atrás foi anunciado, com pompa e circunstância, pelo Governo o reforço dos meios aéreos de combate aos incêndios.
Ontem o Governo português pediu auxílio externo, em aviões e helicópteros, para combater os fogos florestais que estão a lavrar pelo país.
Alguém me consegue explicar como é que isto é possível?
Ontem o Governo português pediu auxílio externo, em aviões e helicópteros, para combater os fogos florestais que estão a lavrar pelo país.
Alguém me consegue explicar como é que isto é possível?
sexta-feira, julho 23, 2004
quinta-feira, julho 22, 2004
A modernidade
O Ikea chegou a Lisboa para revolucionar as casas portuguesas. Design para o povo, funcionalidade, novas soluções, faça você mesmo. Passo a publicidade, mas temos que agradecer aos nossos amigos suecos esta forma de democratizar o mobiliário. William Morris chamou-lhes as artes menores, sabendo que eram da maior importância.
Responsabilidade
Um dos argumentos mais usados pelo PSD contra a esquerda é o da falta de responsabilidade. Desde que está no governo, o PSD apresentou-se como o partido que ia limpar as impurezas do país, impondo o rigor contra a irresponsabilidade da esquerda. Para isso rodearam-se de técnicos e burocratas. Os economistas neo-clássicos, os famosos gestores, para os quais a discussão entre direita e esquerda foi há muito ultrapassada pelas regras infalíveis e universais do cálculo económico, matematizaram o mundo: tudo o que foge à sua aritmética neo-liberal é pura irresponsabilidade. Manuela Ferreira Leite foi o rosto desta política em Portugal.
Gostava de perceber em que estado fica o discurso do rigor quando se sabe que Câmara de Lisboa, depois da liderança do novo primeiro-ministro, está um atoleiro de dívidas, que o orçamento do governo regional da Madeira tem défices crónicos, que o novo governo criou mais ministérios e secretarias de Estado e que pensa colocá-los nos lugares mais mirabolantes do país e que, em breve, vão chover novos contratos e nomeações.
O PSD, se lhe resta algum efémero resíduo de social-democracia - é tão invisível a esquerda do PS como a social-democracia no PSD - devia-se preocupar com a responsabilidade, a responsabilidade social. Afinal não é isso que define um social-democrata?
Gostava de perceber em que estado fica o discurso do rigor quando se sabe que Câmara de Lisboa, depois da liderança do novo primeiro-ministro, está um atoleiro de dívidas, que o orçamento do governo regional da Madeira tem défices crónicos, que o novo governo criou mais ministérios e secretarias de Estado e que pensa colocá-los nos lugares mais mirabolantes do país e que, em breve, vão chover novos contratos e nomeações.
O PSD, se lhe resta algum efémero resíduo de social-democracia - é tão invisível a esquerda do PS como a social-democracia no PSD - devia-se preocupar com a responsabilidade, a responsabilidade social. Afinal não é isso que define um social-democrata?
ser vesgo...
O 'vesguismo lusitano' nao e tanto uma efermidade fisica; i.e., reflectida na aparencia fisica do ser efermo, mas interior. Nao deixa, no entanto, de ser uma efermidade. Julgam renomados cientistas que do foro da genetica populacional. O ultimo sintoma consiste na obsessiva preocupacao do povo portugues com o processo de eleicoes no interior do PS quando o partido do Governo elegeu um inergumenero sem igual para ser Primeiro Ministro e este, por sua vez, constitui um governo de amigos. De amigos, vejam bem! Disto ouvi poucos a 'tremelarem'.
Boa sorte, Zé Manel!
O Dr. José Barroso é o novo presidente da Comissão Europeia. Nunca mais me digam que o crime não compensa.
Esquerdismos
Já estou como o Vasco e o Nuno: alguém, por favor, que me explique o que é a esquerda do PS? É o Manuel Alegre a declamar? É o diálogo de gerações do “velho” Dr. Soares com o “jovem” Sousa Pinto? É a D. Ana Gomes a xingar aos microfones? O dr. Pedroso sem a PJ à perna? Os escritos do Dr. Santos Silva irritado? O símbolo do soco? Pelo amor de Deus, ajudem-me a resolver este meu dilema existencial...
Sampaio tinha razão
O actual melodrama socialista veio provar uma coisa que não é nada negligenciável: Sampaio afinal tinha razão e tinha motivos mais do que suficientes para estar preocupado com as alternativas existentes aquando da demissão do Dr. José Manuel Barroso. Ele melhor do que ninguém sabia o que a casa gastava.
Posto isto, e perante a tragicomédia vivida no seio do maior partido da oposição, o PSD continua a ser a única alternativa credível para governar o país. A única. Basta olhar o triste espectáculo para se perceber isto.
Posto isto, e perante a tragicomédia vivida no seio do maior partido da oposição, o PSD continua a ser a única alternativa credível para governar o país. A única. Basta olhar o triste espectáculo para se perceber isto.
O Novo-Burlesco
No intuito de combater um conjunto de restrições legais que foram instituídas na Big Aple na década de 90 (leis contra o álcool, o cigarro, a pornografia e tudo o que pudesse trazer algum prazer aos habitantes), têm renascido algumas das modas sonantes do passado na cosmopolita cidade de Nova Iorque. A mais sonantes dessa modas actuais é o Novo-Burlesco.
Herdeiro do oitocentista Burlesco, género teatral que combinava o Cabaré com o Teatro Revista, o Novo-Burlesco mistura o espectáculo circense com o freak-show.
Sempre atento às inovações da cena cultural internacional, Santana Lopes começou já a mimetizar esta corrente artística que visa levar os espectadores às gargalhadas para o seu Governo.
Em escassos 6 dias, e para combater os discursos pessimistas do governo anterior, o Executivo de Santana Lopes começou já a trazer alegria que escasseava ao povo depois de 2 anos de tanga.
Primeiro no anúncio da tomada de posse do seu Adjunto como Ministro do Mar (mas não das pescas, nem dos rios ou dos lagos), depois no desvio da nomeação da ex-Secretária de Estado da Segurança Social, garantida pelo Ministro do Mar como sua Secretária de Estado, para a Secretária das Artes, Santana Lopes começou já a dar provas inequívocas que o Novo-Burlesco veio para ficar próximos tempos para animar e dar cor a este anteriormente país cinzento!
Herdeiro do oitocentista Burlesco, género teatral que combinava o Cabaré com o Teatro Revista, o Novo-Burlesco mistura o espectáculo circense com o freak-show.
Sempre atento às inovações da cena cultural internacional, Santana Lopes começou já a mimetizar esta corrente artística que visa levar os espectadores às gargalhadas para o seu Governo.
Em escassos 6 dias, e para combater os discursos pessimistas do governo anterior, o Executivo de Santana Lopes começou já a trazer alegria que escasseava ao povo depois de 2 anos de tanga.
Primeiro no anúncio da tomada de posse do seu Adjunto como Ministro do Mar (mas não das pescas, nem dos rios ou dos lagos), depois no desvio da nomeação da ex-Secretária de Estado da Segurança Social, garantida pelo Ministro do Mar como sua Secretária de Estado, para a Secretária das Artes, Santana Lopes começou já a dar provas inequívocas que o Novo-Burlesco veio para ficar próximos tempos para animar e dar cor a este anteriormente país cinzento!
quarta-feira, julho 21, 2004
As primárias do PS
No Largo do Rato a coisa começa a aquecer. A meia dúzia de personalidades que constituem a chamada ala esquerda do partido já assumiram que vão apresentar um candidato a secretário-geral. Acho esta opção extremamente positiva e corajosa. Não só vai permitir que haja um mínimo de discussão de ideias, evitando reduzir o processo a uma lamentável disputa de chefes, como também possibilitará, no contexto de estreia em Portugal de uma eleição directa para líder partidário, perceber o quanto vale entre os militantes socialistas a enigmática "ala esquerda do PS".
Fahrenheit 9/11 de Michael Moore
Excelente. A nao perder! As sessoes tem estado cheias, ha filas enormes para o filme e no final de cada sessao jorram aplausos. Um olhar ironico mas serio sobre uma America tao destruida quanto o Iraque de hoje. Um filme corajoso de alguem que sabe viver, tambem ele, numa ditadura onde a censura e pratica comum. Tenho e receio que Moore esteja a pregar para os convertidos. Por isso, caros patos, quando forem ver o filme convecam um nao-convertido a ir convosco. Pode ser que se renda as duras evidencias…
terça-feira, julho 20, 2004
O últimos heróis desportivos
Quem consegue sentir a emoção de uma etapa de montanha na Volta à França sabe que aqueles homens que sobem paredes numa bicicleta são os últimos grandes heróis desportivos.
Pinguins: Vilar de Mouros 2004
Um pinguim madeirense de espécie rara, das encostas do norte da ilha, atirou com um Corneto de morango ao cantor Bob Dylan durante o espectáculo que este apresentou no festival de Vilar de Mouros.
Perto do paraíso
Nesta última semana têm sido transmitidos na televisão portuguesa, de dois em dois dias, jogos do Benfica.
Homem não consegue sair do Fundão
Um jovem sociólogo beirão não consegue sair da sua terra. Mal se aproxima da auto-estrada há uma força poderosa que o devolve ao sofá da sua casa, numa casa no centro do Fundão. A Nasa já enviou cientistas para estudar o caso. Depois do nascimento de um rabanete de 56 kilos, em 1937, este é mais um caso que abala a pacata cidade beirã.
Queremos os pinguins de volta
O blog do pato perdeu a sua densidade, a sua solidez, a sua dimensão metafórica em estado de graça para voltar a banalidade do comentário político. Queremos os pinguins de volta.
Lugares míticos e misteriosos
A esquerda do PS acaba de ganhar o prémio do lugar mais mítico e misterioso de Portugal, batendo a Boca do Inferno, o Cabo Espichel, a Lagoa das Sete Cidades e o Túnel das Antas. Ela existe, mas nunca ninguém a viu em acção.
quinta-feira, julho 15, 2004
O Demónio de Sócrates
“Vós tendes frequentemente e em todo o lado ouvido dizer que um signo divino e demoníaco se manifesta em mim (...) Isso começou desde a minha infância; é uma espécie de voz que, quando se faz ouvir, me desvia sempre do que me proponho fazer, mas nunca me incita a isso. É ela que se opõe a que eu me ocupe da política, e creio que é de uma extrema felicidade para mim que ela me desvie disso.”
Apologia
Apologia
quarta-feira, julho 14, 2004
Gravatas
Duelo interessante à vista: Santana contra Sócrates. Duas coisas estão já garantidas: as gravatas vão sempre combinar com os cenários de fundo (e com a Judite de Sousa) e os programas vão ser repetidos na SIC Mulher e no Programa LUX. A D. Eulália do café garante-me que isso é muito importante para conquistar o eleitorado. Esteticamente, acha excelente, mesmo que não perceba muito de política. Eu, como de costume, não gosto de contrariar o povo e a sua sabedoria. Mas já vi para onde isto caminha.
D. Sebastionas
Uma dúvida que me assalta é porque é que nunca há D. Sebastionas nestas histórias? Será que as mulheres não têm perfil para salvadoras da pátria, do clube da esquina ou do partido da aldeia? Eu se fosse feminista exigia já igualdade de oportunidades e uma quota na matéria.
D. Sebastião
Um dos conceitos mais interessantes do imaginário português é o mito do sebastianismo. Há D. Sebastiões em todo o lado e para todas as ocasiões: a preço de saldo, em promoção, a preço normal, a preço de feira, em território nacional ou em solo estrangeiro, tanto faz. Anuncia-se um regresso, um salvador, eis um D. Sebastião pronto a entrar-nos pela porta para lavar as mágoas.
Mais uma vez o mítico salvador não chegou. Desta vez ao PS. Vitorino, o Desejado recusou sublime e honrosa distinção: levar o PS a bom porto, que é o mesmo que dizer, levar o PS novamente ao poder no país (ou ao local do crime se assim o preferirem).
Eu por mim, é mais um que perante a mediocridade reinante, prefere não se intrometer nos “altos” desígnios da nação. E às tantas faz bem.
Mais uma vez o mítico salvador não chegou. Desta vez ao PS. Vitorino, o Desejado recusou sublime e honrosa distinção: levar o PS a bom porto, que é o mesmo que dizer, levar o PS novamente ao poder no país (ou ao local do crime se assim o preferirem).
Eu por mim, é mais um que perante a mediocridade reinante, prefere não se intrometer nos “altos” desígnios da nação. E às tantas faz bem.
terça-feira, julho 13, 2004
13-07-2008 - Parte II
Quatro anos após o anterior Presidente da República, Jorge Sampaio, tal como Deus, ao menino e ao borracho, entenda-se aliança Santana-Portas, ter colocado a mão por baixo, o Primeiro-Ministro, António Vitorino, anunciou hoje ao actual Presidente da República, Cavaco Silva, que recebeu um convite formulado pelo Partido Socialista Europeu, na sequência da vitória deste último partido nas recentes eleições para o Parlamento Europeu, para ser o homem do leme da Comissão Europeia para os anos vindouros, em substituição do líder vigente, José Barroso, considerado inepto pelo PSE para continuar a desempenhar as funções para as quais foi mandatado há quatro anos pelo PPE como “mínimo denominador comum”.
António Vitorino fez saber junto de Cavaco Silva que é sua intenção aceitar, finalmente, embora a contragosto, o convite por entender, entre outros motivos, ser de relevante interesse nacional que este cargo seja novamente preenchido por um português.
Cavaco Silva compreendeu a vontade de Vitorino e deu anuência para a satisfação desta sua velha pretensão.
Cavaco hesita agora entre na decisão a adoptar. As alternativas consistem na nomeação do vice-presidente do PS, José Sócrates, como novo líder do Governo ou na convocação de eleições antecipadas.
Admitida pelo próprio como a mais grave e difícil decisão a tomar no seu mandato, porque inédita, Cavaco alegou que irá iniciar um conjunto diversificado de auscultações de figuras representativas da sociedade civil portuguesa, ou seja, os dirigentes de associações patronais, os accionistas de topo dos maiores bancos portugueses e o Governador do Banco de Portugal, antes de tomar a decisão final.
António Vitorino fez saber junto de Cavaco Silva que é sua intenção aceitar, finalmente, embora a contragosto, o convite por entender, entre outros motivos, ser de relevante interesse nacional que este cargo seja novamente preenchido por um português.
Cavaco Silva compreendeu a vontade de Vitorino e deu anuência para a satisfação desta sua velha pretensão.
Cavaco hesita agora entre na decisão a adoptar. As alternativas consistem na nomeação do vice-presidente do PS, José Sócrates, como novo líder do Governo ou na convocação de eleições antecipadas.
Admitida pelo próprio como a mais grave e difícil decisão a tomar no seu mandato, porque inédita, Cavaco alegou que irá iniciar um conjunto diversificado de auscultações de figuras representativas da sociedade civil portuguesa, ou seja, os dirigentes de associações patronais, os accionistas de topo dos maiores bancos portugueses e o Governador do Banco de Portugal, antes de tomar a decisão final.
segunda-feira, julho 12, 2004
Por falar em fugas...
Aconteceu uma das coisas que o PSD mais temia: o Dr. Ferro pisgou-se.
Pergunta de algibeira
Qual teria sido o veredicto de Sampaio se este fosse o seu primeiro mandato?
Entrevista
Se a única ideia do Dr. Pedro Santana Lopes para o país passa pela descentralização geográfica de Ministérios e Secretarias de Estado como ontem deixou entender naquele exercício absurdo de entrevista de fundo, estamos conversados. Não era de facto necessário responder a mais nada.
sexta-feira, julho 09, 2004
Homenagem a um dos mais fabulosos actores de todos os tempos
Marlon Brando (1924-2004)
O Padrinho, de Francis Ford Coppola, 1972
I Cena, Diálogo entre Corleone e Bonasera
Bonasera: I believe in America. America has made my fortune. And I raised my daughter in the American fashion. I gave her freedom, but - I taught her never to dishonor her family. She found a boyfriend, not an Italian...Two months ago, he took her for a drive, with another boyfriend. They made her drink whiskey. And then they tried to take advantage of her. She resisted. She kept her honor. So they beat her like an animal...She was the light of my life - my beautiful girl. Now she will never be beautiful again...I-I went to the police like a good American. These two boys were brought to trial. The judge sentenced them to three years in prison - suspended sentence. Suspended sentence! They went free that very day! I stood in the courtroom like a fool. And those two bastards, they smiled at me. Then I said to my wife, 'for justice, we must go to Don Corleone.'
Corleone: Why did you go to the police? Why didn't you come to me first?
Bonasera: What do you want of me? Tell me anything, but do what I beg you to do.
Corleone: What is that? (Bonasera whispers his request in the Don's ear.) That I cannot do.
Bonasera: I will give you anything you ask.
Corleone: We've known each other many years, but this is the first time you ever came to me for counsel or for help. I can't remember the last time that you invited me to your house for a cup of coffee, even though my wife is godmother to your only child. But let's be frank here. You never wanted my friendship. And uh, you were afraid to be in my debt.
Bonasera: I didn't want to get into trouble.
Corleone: I understand. You found paradise in America, you had a good trade, you made a good living. The police protected you and there were courts of law. And you didn't need a friend like me. But uh, now you come to me and you say - 'Don Corleone, give me justice.' But you don't ask with respect. You don't offer friendship. You don't even think to call me Godfather. Instead, you come into my house on the day my daughter is to be married, and you, uh, ask me to do murder for money.
Bonasera: I ask you for justice.
Corleone: That is not justice. Your daughter is still alive.
Bonasera: Let them suffer then, as she suffers. How much shall I pay you?
Corleone (after standing and turning his back): Bonasera, Bonasera. What have I ever done to make you treat me so disrespectfully? If you'd come to me in friendship, then this scum that ruined your daughter would be suffering this very day. And if by chance an honest man like yourself should make enemies, then they would become my enemies. And then they would fear you.
Bonasera: Be my friend - - Godfather. (The Don shrugs. Bonasera bows toward the Don and kisses the Don's hand.)
Corleone: Good. (The Don puts his hand on Bonasera's shoulder.) Someday, and that day may never come, I'll call upon you to do a service for me. But uh, until that day - accept this justice as a gift on my daughter's wedding day.
Bonasera: Grazie, Godfather.
Corleone: Prego.
Sampaio
Nas mãos deste homem, está a decisão mais aguardada pelos portugueses. Convocar o Conselho de Estado é apenas mais um mau prenúncio para a crise que se avizinha. Só pela forma medíocre como Sampaio conduziu todo este processo, dê por onde der, merece a pancada que vai levar.
quinta-feira, julho 08, 2004
A Internet chegou a Cavernães
Numa acção promocional, mas que simultaneamente serviu como medida de equalização dos desníveis sociais no acesso à Internet, a PT ofereceu ontem a uma associação de solidariedade social de uma aldeia do concelho de Viseu, um Kit de navegação "Sapo ADSL".
Até ontem arredadas da utilização da Rede em virtude das dificuldades económicas de muitos dos seus progenitores em possuírem computadores e em estabelecerem ligações virtuais, a oferta da PT traduziu-se num enorme contentamento para as crianças locais.
O encantamento foi tão grande que, segundo as próprias, teriam ficado muito felizes, mesmo se em vez da ligação ADSL cá colocassem a Internet mais lenta do mundo .
É que, como disseram, a partir de agora vamos poder fazer muito mais coisas..., sem, evidentemente, poderem explicitar que coisas seriam essas para além da ideia de que na Internet «dá para ir buscar coisas. O meu irmão foi lá buscar receitas de bolos. Também dá para ir buscar coisas sobre animais, não dá?».
Possuíndo, naturalmente, apenas uma noção muito vaga do potencial da Internet, quase sempre construída pelos media, designadamente pelos anúncios publicitários da televisão, a difusão da Internet continua a espalhar sobre os mais jovens, mesmo entre aqueles que nunca usufruíram dela, uma curiosidade irresistível.
O mérito destas iniciativas, sem estar a querer aprofundar muito outras análises relativas aos benefícios e aos perigos do uso da Internet, está precisamente em equalizar o primeiro nível de desigualdade de acesso a este imenso manancial de informação, comunicação e diversão, já que
ao invés de outras crianças mais bafejadas por dotes financeiros, para quem a desenvoltura na utilização da Rede é um dado adquirido há algum tempo, para aquelas crianças aquilo que até ontem conheciam da Internet era o que tinham visto «na televisão. Eles dizem: o sapo libertou- se. Mas não sei para onde foi. Terá ido para a Internet?», como perguntou Cláudia Amaral, de 10 anos.
A partir de agora a Cláudia e outras crianças, menos afortunadas financeiramente, já saberão para onde terá ido o Sapo.
Até ontem arredadas da utilização da Rede em virtude das dificuldades económicas de muitos dos seus progenitores em possuírem computadores e em estabelecerem ligações virtuais, a oferta da PT traduziu-se num enorme contentamento para as crianças locais.
O encantamento foi tão grande que, segundo as próprias, teriam ficado muito felizes, mesmo se em vez da ligação ADSL cá colocassem a Internet mais lenta do mundo .
É que, como disseram, a partir de agora vamos poder fazer muito mais coisas..., sem, evidentemente, poderem explicitar que coisas seriam essas para além da ideia de que na Internet «dá para ir buscar coisas. O meu irmão foi lá buscar receitas de bolos. Também dá para ir buscar coisas sobre animais, não dá?».
Possuíndo, naturalmente, apenas uma noção muito vaga do potencial da Internet, quase sempre construída pelos media, designadamente pelos anúncios publicitários da televisão, a difusão da Internet continua a espalhar sobre os mais jovens, mesmo entre aqueles que nunca usufruíram dela, uma curiosidade irresistível.
O mérito destas iniciativas, sem estar a querer aprofundar muito outras análises relativas aos benefícios e aos perigos do uso da Internet, está precisamente em equalizar o primeiro nível de desigualdade de acesso a este imenso manancial de informação, comunicação e diversão, já que
ao invés de outras crianças mais bafejadas por dotes financeiros, para quem a desenvoltura na utilização da Rede é um dado adquirido há algum tempo, para aquelas crianças aquilo que até ontem conheciam da Internet era o que tinham visto «na televisão. Eles dizem: o sapo libertou- se. Mas não sei para onde foi. Terá ido para a Internet?», como perguntou Cláudia Amaral, de 10 anos.
A partir de agora a Cláudia e outras crianças, menos afortunadas financeiramente, já saberão para onde terá ido o Sapo.
quarta-feira, julho 07, 2004
Anúncios
O Dr. Louçã foi ao Presidente da República dizer que o Bloco, essa coisa indefinível, está preparado para garantir a estabilidade política caso o PS não tenha maioria relativa nas próximas eleições. O Dr. Louçã apresenta estas conclusões porque parte de pressupostos perigosos que só devem ter sido possíveis de abordar porque o Dr. Sampaio também foi um perigoso radical esquerdista na sua juventude e porque a conversa deve ter para aí descambado. Ninguém, pelos vistos, estranhou a conversa, já de si esquiva e enigmática. Eu pensei que o Dr. Sampaio quisesse ouvir a opinião dos partidos sobre a actual crise. Mas não. O Dr. Louçã foi a Belém anunciar já um novo projecto de Governo. Como se as coisas fossem um dado adquirido.
Lula
No Brasil, o país irmão, Lula decidiu assinalar uma data muito especial: 18 meses de mandato. Obviamente que está no seu direito. Afinal, é muito comum nos governos que fazem pouco assinalar datas sem grande significado: 100 dias, 6 meses, 200 dias, 2 anos - também conhecido por meio do mandato - , etc. Em Lula, por isso, isto não se estranha. Faz parte do seu show mediático e da sua tentativa vã de salvar a face perante a sua inoperância e incompetência. Pena que as suas principais promessas continuem por cumprir (os tais 10 milhões de novos postos de trabalho - nem 500 mil - ou o problema dos Sem-Terra, por exemplo); que alguns membros da sua casa civil e do seu governo se encontrem mergulhados em escândalos financeiros; e que ele tenha, à boa maneira estalinista, tentado expulsar um jornalista estrangeiro por este ter feito referência a um acto seu muito comum, pelos vistos, em público: beber exageradamente. Todos os meses, Lula desce nas sondagens e na simpatia dos brasileiros. A crítica sobe de tom e ele pelos vistos responde com operações de cosmética para fazer esquecer a mudança de opções e de prioridades e o socialismo que já deve ter metido comodamente na gaveta do outro. Não sei porque é que alguém um dia ousou pensar que Lula seria um político diferente. Não é.
Memória
Desde que emergiu este processo de sucessão governativa, têm sido diversos os argumentos invocados, quer pelos defensores da continuidade da assunção das funções executivas pela coligação formada em Abril de 2002 quer por aqueles que preconizam a convocação de eleições antecipadas por parte do Presidente da República.
Em termos genéricos, os defensores da continuidade alegam a estabilidade governativa, a coesão da coligação PSD/PP ou a colocação em risco da tão propalada como dúbia retoma económica como motivos legítimos para a condução de Santana Lopes à chefia do Governo.
Os adeptos de eleições antecipadas apoiam-se na (falta de) legitimidade eleitoral de Santana Lopes e, por inerência, de todo o futuro Governo para conduzir os destinos próximos do País, no primado de responsabilização dos eleitores e na necessidade de se atender aos recentes resultados eleitorais para sustentarem a ida às urnas.
Estando a minha opinião incluída no lote dos que perfilham a necessidade do País ir a votos, e sem desmerecer nenhum dos argumentos atrás mencionados para legitimar tal decisão, o que mais me impressiona e mais chocaria na eventualidade de sucessão governativa que contemplasse a figura de Santana Lopes como Primeiro-Ministro, é a ideia de uma memória traída do seu Governo
Uma memória que remonta não à consciência de um passado remoto, mas que data de há pouco mais de 2 anos.
- Uma memória que contempla o demissionário Durão Barroso a acusar o seu antecessor de cobardia e de ter fugido às suas responsabilidades políticas, quando depois fez o mesmo;
- Que recorda Durão Barroso a apelar, após a demissão de Guterres, para a imediata necessidade de convocação de eleições, para agora solicitar ardentemente a não auscultação dos cidadãos na nomeação de um novo Governo;
- Que se lembra de ouvir Durão Barroso intitular num Congresso do PSD o seu agora sucessor como uma mistura de Zandinga e Gabriel Alves;
- Que evoca um passado recente onde Santana Lopes considerava o seu agora desejado líder de parceiro de coligação como um indivíduo que, obstinadamente, tudo fazia para denegrir todos os líderes do PSD desde Sá Carneiro, algo que Santana Lopes asseverava nunca ir esquecer;
De todo este histórico em tom de encómios recíprocos estes indivíduos fizeram agora tábua rasa... O primado do apego ao poder e a satisfação de ambições pessoais e partidárias consegue mascarar antipatias tão profundas como foram aquelas que foram reveladas, ao ponto de conseguir congregar no mesmo barco tantas falsas aparências!
Se não fosse por outro motivo, só o facto destes actores demonstrarem tanto fingimento e de se disporem a obliterar a memória tão facilmente, do tipo "Despertar da Mente", é razão mais do que suficiente para os cidadãos do País decidirem se os querem a governar o País, ou não.
Em termos genéricos, os defensores da continuidade alegam a estabilidade governativa, a coesão da coligação PSD/PP ou a colocação em risco da tão propalada como dúbia retoma económica como motivos legítimos para a condução de Santana Lopes à chefia do Governo.
Os adeptos de eleições antecipadas apoiam-se na (falta de) legitimidade eleitoral de Santana Lopes e, por inerência, de todo o futuro Governo para conduzir os destinos próximos do País, no primado de responsabilização dos eleitores e na necessidade de se atender aos recentes resultados eleitorais para sustentarem a ida às urnas.
Estando a minha opinião incluída no lote dos que perfilham a necessidade do País ir a votos, e sem desmerecer nenhum dos argumentos atrás mencionados para legitimar tal decisão, o que mais me impressiona e mais chocaria na eventualidade de sucessão governativa que contemplasse a figura de Santana Lopes como Primeiro-Ministro, é a ideia de uma memória traída do seu Governo
Uma memória que remonta não à consciência de um passado remoto, mas que data de há pouco mais de 2 anos.
- Uma memória que contempla o demissionário Durão Barroso a acusar o seu antecessor de cobardia e de ter fugido às suas responsabilidades políticas, quando depois fez o mesmo;
- Que recorda Durão Barroso a apelar, após a demissão de Guterres, para a imediata necessidade de convocação de eleições, para agora solicitar ardentemente a não auscultação dos cidadãos na nomeação de um novo Governo;
- Que se lembra de ouvir Durão Barroso intitular num Congresso do PSD o seu agora sucessor como uma mistura de Zandinga e Gabriel Alves;
- Que evoca um passado recente onde Santana Lopes considerava o seu agora desejado líder de parceiro de coligação como um indivíduo que, obstinadamente, tudo fazia para denegrir todos os líderes do PSD desde Sá Carneiro, algo que Santana Lopes asseverava nunca ir esquecer;
De todo este histórico em tom de encómios recíprocos estes indivíduos fizeram agora tábua rasa... O primado do apego ao poder e a satisfação de ambições pessoais e partidárias consegue mascarar antipatias tão profundas como foram aquelas que foram reveladas, ao ponto de conseguir congregar no mesmo barco tantas falsas aparências!
Se não fosse por outro motivo, só o facto destes actores demonstrarem tanto fingimento e de se disporem a obliterar a memória tão facilmente, do tipo "Despertar da Mente", é razão mais do que suficiente para os cidadãos do País decidirem se os querem a governar o País, ou não.
terça-feira, julho 06, 2004
segunda-feira, julho 05, 2004
Trappatoni, si!
E como de desilusões futebolísticas já chegaram as deste ano (Liga dos Campeões e Campeonato da Europa, ainda por cima competições perdidas sempre para adversários de menor capacidade futebolística...), a contratação de Trapatoni pelos rivais da 2ª circular serve para animar um pouco o dia!
Realmente, valeu a pena o tempo de espera para contratarem essa velha raposa do cattenacio...
A meu ver, a única esperança do SLB poderá ser a passagem a técnico principal a meio da época daquele que se adivinha futuro tradutor de Trappatoni em Portugal.
Vocês sabem do que é que eu estou a falar!
Realmente, valeu a pena o tempo de espera para contratarem essa velha raposa do cattenacio...
A meu ver, a única esperança do SLB poderá ser a passagem a técnico principal a meio da época daquele que se adivinha futuro tradutor de Trappatoni em Portugal.
Vocês sabem do que é que eu estou a falar!
domingo, julho 04, 2004
Lutas laborais
Uma adepta grega acaba de afirmar na televisão que Deus é grego e, consequentemente, a vitória da equipa helénica é certa. Complicado. Portugal conta apenas com a nossa senhora de Caravagio e a nossa senhora de Fátima que, pelos vistos, andam a mijar fora do penico pois lá nas alturas a fidelidade laboral é uma característica importante e o patrão é que manda. Há, no entanto, a possibilidade da adepta grega estar a mentir. O portuense João Meireles diz que tem provas irrefutáveis de que Deus é do Boavista.
sexta-feira, julho 02, 2004
Eu também vou!
Informo os parceiros do Pato que fui também chamado a fazer ouvir a minha voz junto de Sua Excelência o Presidente da República, a propósito da indecisão governamental, em audiência, na próxima terça-feira à tarde assim que termine o expediente, o que irá acontecer lá para as 17h30 18h, em princípio.
Aproveito ainda para questionar algum parceiro se me sabe dizer que é a carreira da Carris
que faz o percurso entre a zona Oriental da Capital e a zona de Belém?
Aproveito ainda para questionar algum parceiro se me sabe dizer que é a carreira da Carris
que faz o percurso entre a zona Oriental da Capital e a zona de Belém?
Uma laracha
Qual a diferença entre Portugal e a República Checa?
A República Checa tem o governo em Praga, Portugal vai ter uma praga de Governo...
A República Checa tem o governo em Praga, Portugal vai ter uma praga de Governo...
Metáfora nórdica
Pedi a um amigo que desse uma olhada no nosso blogue. Ele enviou-me um mail que passo a reproduzir.
Fui à morada que me deste mas devo-me ter enganado.
Só encontrei posts sobre pinguins, icebergues, a vida no Polo Norte, pinguins do Polo Norte para o Polo Sul, a nossa senhora de Fátima, o Paulo empoleirado na duna, a rebentação das ondas. Eu tenho uma veia poética mas isto para mim é demais.
Um abraço do teu amigo
Ricardo Barbosa
Fui à morada que me deste mas devo-me ter enganado.
Só encontrei posts sobre pinguins, icebergues, a vida no Polo Norte, pinguins do Polo Norte para o Polo Sul, a nossa senhora de Fátima, o Paulo empoleirado na duna, a rebentação das ondas. Eu tenho uma veia poética mas isto para mim é demais.
Um abraço do teu amigo
Ricardo Barbosa
O Euro acabou, já não era sem tempo
Esta coisa de a Grécia ir à final do Euro com Portugal torna qualquer torneio de snooker na associação recreativa de Freixo de Espada à Cinta mais interessante do que o último jogo da competição. A Grécia, para quem não saiba, é aquela equipa que joga futebol como os italianos nos seus piores dias e que é treinada por um alemão. Qualquer filme do Manoel de Oliveira é animadíssimo quando comparado com o futebol grego. Do outro lado, estão os novos heróis nacionais, os novos Vascos da Gama. Para quem não saiba, Portugal, é aquela equipa bestialmente parecida com o FC do Porto mas só que em em vez de ser treinada por aqueles rapaz simpático e modesto de Setúbal tem ao comando a nossa Senhora de Caravagio e a gravata do Durão Barroso, perdão, do José Barroso. E depois há ainda um brasileiro lá pelo meio, mas ainda não percebi bem qual é o papel dele.
Estou desejoso que chegue o dia cinco, quando o Benfica apresenta a sua nova equipa. Estou farto de Portugal. Confesso que neste momento prefiro um sportinguista ou um portista a um português. São menos histéricos e nos jogos destes bons clubes não temos que aturar o José Barroso nos flashs interviews depois dos jogos(César, junta esta ao teu glossário de anglicismos parolos.)
Estou desejoso que chegue o dia cinco, quando o Benfica apresenta a sua nova equipa. Estou farto de Portugal. Confesso que neste momento prefiro um sportinguista ou um portista a um português. São menos histéricos e nos jogos destes bons clubes não temos que aturar o José Barroso nos flashs interviews depois dos jogos(César, junta esta ao teu glossário de anglicismos parolos.)
A Fuga de Durão
É preciso combater, por não ser verdade, a ideia de que a presença de Durão em Bruxelas dignifica o país. Não é verdade, dignifica-o, quanto muito, a ele próprio. O país não ganha, nem perde. Durão fugiu, sabendo que os dois próximos anos iam ser complicados e que, muito provavelmente, iria perder as eleições em 2006. Mas se Durão fugiu, como Guterres o tinha feito, se a equipa do Dr. Lopes pouco terá a ver com a que neste momento nos governa, resta escolher outro grupo, através da realização de eleições legilativas antecipadas, para governar o rectângulo.
quarta-feira, junho 30, 2004
ATENCAO
O post 'Interrogacao Pertinente' foi publicado no Gato Fedorento pelo RAP. Isto so para evitar acusacoes de plagio e por ai vai. Fica aqui a adenda.
Comentarios ao Blog
PEDI A UMA AMIGA QUE DESSE UMA ESPREITADELA AO BLOG. EIS A SUA OPINIAO NUM E-MAIL PARA MIM ENVIADO:
Date: Tue, 29 Jun 2004 16:51:52 +0000
Tenho muita pena, devo-me ter enganado no blog mas não vi nada de
interessante, apenas chorrilhos de textos de um tal Bruno a discorrer a
cartilha dos iluminados do PSD (leia-se cavaquistas), com a boca cheia
do "estado em que o PS nos deixou" - como se a Estratégia de Lisboa,
quando bem aplicada, não pudesse significar algum revés para o pais como um todo
económico e estatístico, em favor e beneficio das pessoas que o
constituem. Deixem-se de tretas, por mais prestigiante que seja o cargo, a verdade
é que o povo nas ruas, que contrafeito lá foi apertando o cinto, sente agora
sim a entregar o seu ouro aos bandidos, para quem os seus problemas não valem
mais que um prato de lentilhas num qualquer restaurante de Bruxelas.
Sobre a nossa vitória, muito pouco! Mas gostei da idéia da t-shirt:
"Foi voce que pediu um Santana?"
Date: Tue, 29 Jun 2004 16:51:52 +0000
Tenho muita pena, devo-me ter enganado no blog mas não vi nada de
interessante, apenas chorrilhos de textos de um tal Bruno a discorrer a
cartilha dos iluminados do PSD (leia-se cavaquistas), com a boca cheia
do "estado em que o PS nos deixou" - como se a Estratégia de Lisboa,
quando bem aplicada, não pudesse significar algum revés para o pais como um todo
económico e estatístico, em favor e beneficio das pessoas que o
constituem. Deixem-se de tretas, por mais prestigiante que seja o cargo, a verdade
é que o povo nas ruas, que contrafeito lá foi apertando o cinto, sente agora
sim a entregar o seu ouro aos bandidos, para quem os seus problemas não valem
mais que um prato de lentilhas num qualquer restaurante de Bruxelas.
Sobre a nossa vitória, muito pouco! Mas gostei da idéia da t-shirt:
"Foi voce que pediu um Santana?"
terça-feira, junho 29, 2004
15- Em ano de eleições (não nos podemos esquecer que ainda há regionais em Outubro), a actual situação só vem prejudicar o PSD nos dois arquipélagos. Se na Madeira a coisa não deve dar para aquecer lá muito (infelizmente o PS caracteriza-se por ser um saco de gatos – Vicente Jorge Silva dixit), nos Açores o caso muda de figura. A coligação pré-eleitoral sofre um duro revés de consequências imprevisíveis. Ainda por cima Vítor Cruz, o líder do PSD local, é um político que prima por uma excessiva colagem ao poder central o que no actual estado de coisas não deve trazer lá grandes dividendos. E mais uma vez neste arquipélago se vai provar que concorrer coligado com o PP subtrai votos.
14- Outra questão que se coloca tem a ver com a motivação individual de Durão Barroso. Devia ou não ter aceite o convite? Devia ou não manter-se nas suas actuais funções? Onde começa e onde acaba o egoísmo de Durão Barroso? Boas perguntas com difíceis respostas. É mais do que óbvio que Durão não deveria ter aceite o cargo nem que fosse pelo actual compromisso com os portugueses e porque era importante colocar o tal interesse nacional acima de tudo transmitindo um sinal de confiança. Mas perante os factos, a dura realidade dos factos, dificilmente se podia pedir que não aceitasse. Afinal, Durão Barroso vai ganhar um prestígio sem precedentes e vai ocupar um cargo que mantém intactas as suas aspirações políticas internas e externas e que pode efectivamente constituir uma mais-valia para o país e para os portugueses. Estranho é que, de um momento para outro, o cargo seja relativizado. Se fosse Vitorino já era importante? Porque é que Durão não passa de um medíocre de segunda escolha e Vitorino não? Porventura Vitorino era primeira escolha? É a tal superioridade moral da esquerda que tem sempre os melhores e tem sempre razão.
13- Outro problema de difícil solução prende-se com o rumo das principais políticas do actual governo. Com Santana, com qualquer outro primeiro-ministro, o caminho até agora traçado muda completamente em áreas tão cruciais como as Finanças, os Negócios Estrangeiros e relativamente à própria Europa. Em relação a este último aspecto nenhum dos protagonistas da pseudo nova aliança se compromete: quer Santana quer Portas não são conhecidos pelos seus amores europeus e nenhum deles abdica do discurso nacionalista serôdio que o caracteriza. Em tudo o resto, a tendência seria implementar políticas de facilitismo uma vez que a distância até às próximas eleições já é curta e precisa de medidas populares. As verdadeiras consequências? Mais tarde se verá.
Reflexões Políticas III
12- A ida de Santana para primeiro-ministro abre o caminho da Presidência da República a Cavaco Silva? Não, não abre. Fecha-o completamente porque Cavaco recusa-se, pura e simplesmente, a coabitar com Santana. Tal como Marcelo. O tabu é então, pelas piores razões, finalmente desfeito. Mais um problema que ao contrário do que se supõe não se resolve. A esquerda aplaude.
Na www.tsf.pt
'Esta terça-feira opositores à ida de Pedro Santana Lopes para São Bento voltam a manifestar-se em Belém. No mesmo local e à mesma hora (19:00) um grupo de apoiantes anónimos do autarca de Lisboa resolveu marcar uma concentração.'
DESCULPE!? Sao motards?
PS: no final da concentracao vai haver festa da espuma e consurso de Miss t-shirt molhada.
DESCULPE!? Sao motards?
PS: no final da concentracao vai haver festa da espuma e consurso de Miss t-shirt molhada.
No futuro...
Imaginem um futuro longiquo. Imaginem as criancinhas desse futuro numa escola. Imaginem a professora a dizer-lhes: ‘entao e agora vamos estudar o seculo XXI’. Passados 15 minutos, imaginem a gargalhada total a ecoar pela sala de aula. A epoca em que vivemos e a epoca historica mais ridicula de todas. Nada se produz de bom: das artes a politica. Todos os campos estao totalmente dominados pela mediocridade. Quando a bitola mede pelo mediocre, o menos mau parece sempre o melhor… E como se a imaginacao da humanidade tivesse chegado ao fim. E a falencia total das ideias, dos ideais, das ideologias, das utopias. E isto nao e so em Portugal, embora muitos assim o pensem. A democracia ja deu mostras de que e falivel, e bem falivel. Ainda assim, dominada por mentecaptos, vai cambaleando sem que se questionem os seus fundamentos. Sem que se inove. Ja nao ha imaginacao para tal. Nao sera esta a epoca do final da Historia. Sera antes a epoca do final da Historia das ideias. Entraram em cena os Berlusconis, os Bushes, os Blairs, os Duroes. Como se tal nao fosse ja bater no fundo, ao que parece veem ai os Santanas. E ninguem se indigna, ninguem assalta as ruas. Pelo menos escrever numa t-shirt ‘Foi voce que pediu um Santana!?’. Nada! Mas sao os Homens que fazem a historia. Sao os Homens que fazem as democracias. Sao os Homens que entendem as democracias como reduzidas ao voto. Foram os Homens que afinal fizeram as democracias falhar. E imaginem que depois dos primeiros 15 minutos, o pranto total comeca a ecoar na sala de aula do futuro…
segunda-feira, junho 28, 2004
Albergues espanhóis
Os dois maiores partidos portugueses continuam a dar a imagem real da nossa democracia. Alguém lhes reconhece alguma ideia estruturante, algum princípio fundamental a não ser o da defesa das corporações, da manipulação do aparelho de Estado, do patrocínio de carreiras individuais. No PSD-PPD, os do PSD não gostam dos do PPD (de quem o PP é uma óbvia extensão). Como é que é possível que pessoas que se odeiam que, aparentemente, têm ideias diferentes, estejam juntas no mesmo partido? Valentins e Pachecos, Rios e Meneses, Santanas e Balsemões, etc. No PS, a direcção quer eleições antecipadas, mas muitos daqueles que olham aguçadamente a carcaça de Ferro Rodrigues, pensam duas vezes: sem congresso Ferro não cai, se Ferro vai a eleições provavelmente ganha e lá se vão as carreiras dos Sócrates e dos Lamegos.
11- Ninguém, à excepção do Bloco que adora a paródia, me parece preparado para eleições antecipadas uma vez que todo este processo resulta de um acontecimento inesperado e imprevisível e não de uma crise instalada ou mesmo anunciada, como defende a oposição. As eleições europeias valem o que valem e é preciso não esquecer que a grande maioria dos governos europeus foi fustigada pelos maus resultados. É bom que não se radicalize certos acontecimentos.
(Continua)
(Continua)
10- Outro sinal claro: o PS encontra-se mergulhado numa crise de identidade sem qualquer rumo. Basta ver a lista de putativos candidatos à sucessão para se assimilar o mar de equívocos que é o PS no actual momento, mesmo depois da tal “estrondosa” vitória que em vez de acalmar teve o efeito exactamente contrário. Depois do regresso ao Cavaquismo (pelo menos nos nomes) teríamos um novo regresso: o do guterrismo à política portuguesa e a essa tristonha política sem sal e de consequências e maleitas incalculáveis. Nem um nem outro deixam saudades. Mas na política portuguesa, nada se perde, tudo se transforma. As elites perpetuam-se e os movimentos políticos vivem num exercício cíclico que poucos entendem mas que resulta perfeitamente quando se trata de deixar tudo exactamente na mesma.
9- A decisão está tomada apesar de todo o melodrama que estão a querer montar. Durão Barroso vai aceitar. Já aceitou. De outra forma já teria posto fim ao já mais do que longo e injustificado boato. O PS perde aqui um pouco do espaço que poderia ganhar aos partidos pequenos numa espera com pouco sentido e de resultado duvidoso.
Novamente Ferro Rodrigues se vê ultrapassado pela maior acuidade dos partidos mais pequenos, que neste momento de facto lideram a oposição quer pela sua destreza quer pela sua arte política. Todos os dias o PS perde terreno. E isso é um sinal mais do que claro da sua incapacidade para governar.
Novamente Ferro Rodrigues se vê ultrapassado pela maior acuidade dos partidos mais pequenos, que neste momento de facto lideram a oposição quer pela sua destreza quer pela sua arte política. Todos os dias o PS perde terreno. E isso é um sinal mais do que claro da sua incapacidade para governar.
Reflexões Políticas II
8- Parece-me óbvio outra coisa: Sampaio apoiou desde logo a ida de Durão Barroso para Presidente da Comissão. Ele próprio confessou que há coisas que não se podem recusar. Mas talvez não estivesse à espera que a escolha de Durão recaísse em Santana o que lhe mudou em parte os planos. Sampaio não faz tenção de convocar novas eleições porque sabe que corre um risco grande que põe em causa todo o seu prestígio, no plano interno, e que pode originar uma desconfiança insuportável, no plano externo. O Presidente é em primeiro lugar Presidente de todos os portugueses como eles muito bem se gostam de intitular (mas não se pode esquecer que Sampaio é socialista). Só que Sampaio viu-se quase de certeza ultrapassado: esperava Manuela Ferreira Leite ou Marcelo Rebelo de Sousa; saiu-lhe na rifa Santana Lopes e o mesmo Paulo Portas, que ele não suporta.
Ok...
Ah, pronto, percebi... Tem de se ter cabelo a proxeneta, comer muita gaja tia e ir a Capital... Pois, nao preencho os requesitos. Mas e o Zeze Camarinha, que tal?
tenho uma idea...
Com o Santana a Ministro, podemos fazer de S. Bento a proxima casa do Big Brother e ganhar dinheiro com os direitos de transmissao. Aposto que vai ser a casa mais divertida de Portugal... Cruzes, ao que isto chegou! So de se pensar no nome desse tipo para Ministro da vontade de acreditar em Fatima e implorar-lhe por um marmoto...
Durao a UE...
Porque e que a UE quer o Durao? Porque no momento da vida politica em se se encontra este gigante burocratico quer-se e um gajo sem personalidade, fraco, sem carisma, influenciavel e incompetente q.b.. Nesse aspecto ate era bom que a UE se transformasse numa especie de buraco negro: em vez de mandarmos para la o lixo radioactivo, mandavamos para la os politicos de merda. Com certeza que em Portugal nao iriam ficar muitos...
Santana a primeiro!
Entao diz que o Santana Lopes vai ser o novo Primeiro-Ministro de Portugal. Bom, ja agora porque nao o Goucha, ou a Teresa Guilherme? E desta que eu vou a Haia pedir o estatuto de apatrida. Se precisarem de informacoes, madem que eu estou seriamente a estudar o assunto.
7- Para Paulo Portas joga-se o seu futuro imediato. Há dias escrevia aqui que ele faria tudo para se manter no poder, numa altura em que o seu partido é marginal no seio da sociedade portuguesa e que subtrai em vez de somar. Isso agora é mais do que visível na colagem a Santana Lopes e no seu “pedido expresso” por uma outra pasta com maior visibilidade mediática que evite levar tanta porrada na comunicação social (o feitiço que se virou contra o feiticeiro) e que lhe dê o ar de menino angelical. O acordo está selado? Talvez. Mas isso não significa que seja exequível e muito menos que o PSD o aprove.
(Continua)
(Continua)
6- A maior injustiça que pode trazer uma nova eleição tem a ver com o beneficiar do infractor. Ou seja, depois do regabofe e do estado lastimoso em que o PS deixou o país e as suas contas públicas, seria de todo injusto, numa altura em que se fala numa eventual retoma e de um maior equilíbrio financeiro da coisa, dar de bandeja ao adversário aquilo que tanto custou a endireitar. Nestas coisas sou da opinião que não se deve entregar o ouro ao bandido porque não tenhamos dúvidas: neste momento particularmente difícil, qualquer eleição antecipada seria maléfica para o PSD e catastrófica para o PP (caso concorresse sozinho). Defendo ainda que as legislaturas devem, em nome da estabilidade, ir até ao fim. O caso de Guterres foi diferente: foi o próprio PS que não quis indicar novo nome.
5- No PSD há um outro problema grave: as bases, os seus militantes de base, acolhem bem Santana Lopes porque gostam do estilo. Nas cúpulas poucos o suportam como se vê nas imediatas reacções internas de rejeição da solução encontrada. Santana não é internamente político de consensos. Mas as bases estão com ele. Quem assistiu ao último congresso do PSD em Oliveira de Azeméis sabe que o momento por que todos esperavam era o discurso de Santana. E quando ele se preparava para começar, acreditem, nem um único ruído se ouvia na sala. Impressionante. Mas na política, pelo menos no PSD, não há, ou não deve haver, sucessões dinásticas: é preciso ir a votos num congresso soberano que aplauda e que se reúna em torno de um novo líder. Não basta a legitimidade de um Conselho Nacional (até porque a lista de Durão Barroso neste órgão nem maioria tem e porque o nome de Santana pode não passar numa votação); é preciso mais. Muito mais. Encontrado um líder em congresso que se avance então com um nome para primeiro-ministro. Não se deve pôr o carro à frente dos bois, porque nestas coisas só devagar se pode ir ao longe. Assim sim, haveria alguma legitimidade política.
4- Pelos vistos, não há timings perfeitos em política. O problema de Barroso é muito mais profundo do que parece. Por causa dele, do seu abandono para um cargo de prestígio europeu que se compreende no plano pessoal e no plano político, o PSD pode abrir uma guerra interna problemática que pode deitar por terra muito do trabalho até aqui feito e que pode fazer o país entrar numa deriva populista – com Santana e Portas ao leme, se o Presidente aceitar a nova indigitação – ou no caos da esquerda – se forem necessárias novas eleições e o Sr. Louçã, mais os seus apaniguados, conjuntamente com os incompetentes que acompanham o Dr. Ferro, chegarem ao Governo. Como se vê nenhuma das soluções me parece agradável. Ou sequer recomendável.
2- Outro ponto interessante prende-se com as passadas eleições europeias: se o resultado da coligação tivesse sido estrondoso mas num outro sentido, será que alguém da oposição se atreveria sequer a exigir novas eleições? Parece-me obviamente que não, ainda para mais quando a Europa reconhece o ainda actual primeiro-ministro como o homem capaz de a liderar nos próximos cinco anos e que ainda recentemente reconheceu o trabalho da ministra das Finanças.
3- O principal problema da oposição é Santana Lopes. Se fosse Ferreira Leite as exéquias começavam hoje mesmo a ser preparadas. E compreende-se o medo do Dr. Louçã, do Dr. Carvalhas e o silêncio indigente do Dr. Ferro: Santana é um populista que sabe jogar como ninguém com a imagem, com o marketing, com as palavras, com os gestos e com as imagens, com o significado íntimo das coisas. Santana ataca ao coração das pessoas, diz-lhes o que elas querem ouvir, põe-as as chorar; Santana não tem princípios programáticos nem textos de base: tem ideias e tem causas, e luta abnegadamente por elas. Um pouco à semelhança do Bloco que faz das pequenas coisas o seu objecto político e a sua razão de ser na política. Só que Santana é pior porque pode chegar lá, pode tomar o poder. Daí o medo, genuíno, na oposição. O Dr. Louçã então, percebeu melhor que ninguém o perigo: para populista, populista e meio; “Quem com ferros mata com ferros morre”. E aqui reside, para ele, o cerne da questão. Pressente o perigo.
Em dois anos Santana pode revolucionar o país e dar-lhe uma nova alma e, pior, preparar com calma nova maioria para 2006 e um novo reinado. Na artificialidade das coisas, escusado será dizer que o povo irá na conversa como foi na conversa de Guterres demasiado tempo. E já ninguém se lembra.
Em dois anos Santana pode revolucionar o país e dar-lhe uma nova alma e, pior, preparar com calma nova maioria para 2006 e um novo reinado. Na artificialidade das coisas, escusado será dizer que o povo irá na conversa como foi na conversa de Guterres demasiado tempo. E já ninguém se lembra.
Reflexões políticas
1- A crise política que se avizinha é um teste de fogo à democracia portuguesa porque está em cima da mesa a possibilidade de Santana Lopes ser primeiro-ministro de Portugal. Uma coisa é certa: as mesmas razões que supostamente impedem (no plano da legitimidade) Santana Lopes de assumir a governação do país são exactamente as mesmas em qualquer outro. Isto quer dizer que, tirando Durão Barroso que foi a eleições, que deu a cara pelo partido e que apresentou um projecto, mais ninguém dentro do PSD tem legitimidade perante os portugueses para assumir as suas actuais funções. Nem Ferreira Leite, nem Marques Mendes, nem Marcelo Rebelo de Sousa, nem Dias Loureiro: nenhum deles foi efectivamente a eleições.
sábado, junho 26, 2004
Eleições
Confirmando-se o abandono do cargo de primeiro-ministro por parte de Durão Barroso parece-me que não resta a Jorge Sampaio outra atitude que não seja a convocação de eleições antecipadas.
Mas nem tudo é mau
É verdade. É um prazer ler as crónicas que Luís Campos, treinador de futebol do Gil Vicente, escreve no Público. Tal como foi superior o modo como José Mourinho comentou o Portugal-Espanha. Das poucos coisas que nos fazem esquecer o António Fidalgo, os jornalistas que não conseguem fazer um resumo de um jogo sem aplicar no mesmo milhares de trocadilhos idiotas, quase sempre como umas imagens de umas gajas pelo meio, e umas transmissões que nunca dão as repetições completas (Alguém que explique aos realizadores da televisão que, por exemplo, para apreciar o último golo do Rui Costa no Portugal-Inglaterra é preciso ver a jogada desde o início e não apenas o remate final).
Futebol?
Dizem os críticos que o país está futebolizado. De certo ponto de vista a afirmação é verdadeira. Arrisco afirmar, no entanto, que de futebol vejo, escuto e leio muito pouco. Façamos um exercício. Contabilizemos as horas de televisão, os minutos de rádio, as páginas de jornais e revistas dedicados ao Euro 2004. Vejamos agora quanto tempo e espaço é dedicado ao futebol, ao jogo em si. Bastante pouco. Restam as intermináveis e estereotipadas perguntas de rua - o povo é uma mais-valia televisiva bastante barata - os programas de televisão em que figuras públicas, que de futebol nada percebem, fazem comentários imbecis, opinam, dão conselhos ao treinador, o acompanhar das viagens das equipas entre treinos, as ridículas conferências de imprensa, as reportagens com todos os familiares possíveis e imaginários dos jogadores e um sem número de banalidades milhões de vezes repetido. De futebol, muito pouco.
Qual a razão?
Por que raio é que as duas primeiras pessoas a comentar para a televisão estatal a vitória da selecção nacional de futebol foram Durão Barroso e Ferro Rodrigues? Deixem o futebol em paz, deixem-nos para os seus intérpretes, jogadores, treinadores, árbitros.
sexta-feira, junho 25, 2004
EURO 2004 Parte II
Desculpem, nao resisto, aqui vai mais uma 'partilha'...
> Date: Fri, 25 Jun 2004 12:09:37 +0000
>
> Do you realise what you have done? England will
> never be the same for you
> now, beware of the ethnic cleansing the British will
> unleash on you. Look
> over your shoulder for red-faced, red-necked, beer
> belly, half-sobbing
> zombies who are after you.
> Ha ha, congratulations! The only reason why I have a
> small, tiny interest in
> international competitions is because all countries
> have the opportunity to
> huble each other and sweep their delusions of
> grandure under the carpet,
> well, until next time. England needed to be dragged
> down a bit and I think
> you were the best candidate for this job. It is just
> that I am worried about
> your cities now.... hummmm
>
> See you lata
> Date: Fri, 25 Jun 2004 12:09:37 +0000
>
> Do you realise what you have done? England will
> never be the same for you
> now, beware of the ethnic cleansing the British will
> unleash on you. Look
> over your shoulder for red-faced, red-necked, beer
> belly, half-sobbing
> zombies who are after you.
> Ha ha, congratulations! The only reason why I have a
> small, tiny interest in
> international competitions is because all countries
> have the opportunity to
> huble each other and sweep their delusions of
> grandure under the carpet,
> well, until next time. England needed to be dragged
> down a bit and I think
> you were the best candidate for this job. It is just
> that I am worried about
> your cities now.... hummmm
>
> See you lata
EURO 2004
Gostava de partilhar este e-mail que recebi hoje convosco:
> Subject: MERCI!
> Date: Fri, 25 Jun 2004 11:02:51 +0100
>
> Dear Bare-foot walking people, those speaking their
> language, and those
> living with them,
>
> On behalf of Europe, place where sophistication and
> savoir vivre is everyday
> bread, I would like to thank you for doing what
> needed to be done, that is
> England out of the competition.
>
> As a consequence, in few days you will see less and
> less crossed flags, less
> and less sport wears, but much more of a smile on my
> face.
>
> Vive l'Europe!!
>
> A+
> Subject: MERCI!
> Date: Fri, 25 Jun 2004 11:02:51 +0100
>
> Dear Bare-foot walking people, those speaking their
> language, and those
> living with them,
>
> On behalf of Europe, place where sophistication and
> savoir vivre is everyday
> bread, I would like to thank you for doing what
> needed to be done, that is
> England out of the competition.
>
> As a consequence, in few days you will see less and
> less crossed flags, less
> and less sport wears, but much more of a smile on my
> face.
>
> Vive l'Europe!!
>
> A+
quinta-feira, junho 24, 2004
Aos Pachecos deste mundo...
"In fact - what did I know about real societies? About, say, French society? I had sociology degrees, I read Le Monde every day, quite often the New York Times, and Time, and The Observer. But I had never set foot in a factory; I had never had to look for a job to make a living. I had never worked in a private firm either. From my sociological readings I knew many things about 'society'; but what I knew was, somehow, irrelevant to real societies. I began to become conscious of my ignorance".
Daniel Bertaux
Daniel Bertaux
Pacheco Pereira, o cinema e Cannes
Pacheco Pereira na sua incessante e risível cruzada na defesa da Guerra do Iraque, oferece-nos hoje na sua crónica do Público uma autêntica pérola de presunção sobre o cinema e o Festival de Cannes.
Diz ele que "o pensamento baixou ao nível do grande "cineasta" Michael Moore (o prémio de "cinema" que lhe foi atribuído chega para desclassificar de vez o festival e o jurí que o fez".
Sem nos elucidar se já viu o filme ou não, sem nos explicitar quem constituíu esse jurí tão desacreditado, sem nos dar a conhecer as razões que estão na base da desclassificação do Festival de Cannes, só podemos chegar à óbvia conclusão que, para Pacheco Pereira, o pensamento elevado é marca registada do próprio e dos, como ele classifica, "governos democráticos legítimos", mesmo que esses governos sejam liderados por presidentes que alcançam um milhão de votos a menos que os seus adversários da contenda eleitoral.
Todos aqueles que têm a veleidade e a desfaçatez de questionar o pensamento elevado de tais elites esclarecidas, mesmo que o façam através de mensagens veiculadas em campos artísticos e que mereçam o reconhecimento dos seus pares, são agora classificados como pertencentes a uma espécie inferior em capacidade intelectual e reflexiva, os Baixos Pensadores.
Diz ele que "o pensamento baixou ao nível do grande "cineasta" Michael Moore (o prémio de "cinema" que lhe foi atribuído chega para desclassificar de vez o festival e o jurí que o fez".
Sem nos elucidar se já viu o filme ou não, sem nos explicitar quem constituíu esse jurí tão desacreditado, sem nos dar a conhecer as razões que estão na base da desclassificação do Festival de Cannes, só podemos chegar à óbvia conclusão que, para Pacheco Pereira, o pensamento elevado é marca registada do próprio e dos, como ele classifica, "governos democráticos legítimos", mesmo que esses governos sejam liderados por presidentes que alcançam um milhão de votos a menos que os seus adversários da contenda eleitoral.
Todos aqueles que têm a veleidade e a desfaçatez de questionar o pensamento elevado de tais elites esclarecidas, mesmo que o façam através de mensagens veiculadas em campos artísticos e que mereçam o reconhecimento dos seus pares, são agora classificados como pertencentes a uma espécie inferior em capacidade intelectual e reflexiva, os Baixos Pensadores.
quarta-feira, junho 23, 2004
Rescaldo (retroactivo) das eleições europeias
Uma coisa que estas eleições europeias revelaram foi a súbita ânsia pela possibilidade de voltar ao poder, de conquistar o poder ou de sobreviver no poder, em alguns partidos e organizações políticas.
Estes efeitos sentiram-se particularmente no PS (possibilidade de voltar ao poder), no Bloco de Esquerda (de conquistar, finalmente, o poder) e no PP (desesperadamente sobreviver no poder).
O poder é o objectivo supremo de uma, de qualquer uma, organização política. Logo é legítimo que haja essa vontade expressa, ou não, de querer o poder para executar um plano, uma estratégia, um conjunto de princípios (o Bloco de Esquerda, tal como a grande maioria de organizações radicais de esquerda, prima pela originalidade de não ter nada disto, o que parece atrair, quanto a mim enigmaticamente, bastante juventude “esclarecida”!!!) ou uma ideia política.
Com base nesta premissa devemos todos meditar um pouco nas seguintes questões: merece o PS, depois do caos e do pântano, cujos efeitos ainda se sentem, nova oportunidade em tão curto espaço de tempo? Merece a burguesia intelectual e bem instalada na vida (e que é fruto e consequência de uma comunicação social conivente e vergonhosamente tendenciosa), que gosta imenso das ganzas, dos cachimbos, do circo mediático e da retórica bem falante, que no seu íntimo despreza e abomina o povo e tudo aquilo que ele representa, chegar ao poder para lá iniciar um conjunto de belas e confortáveis borlas impregnadas de demagogia e com consequências mais do que nefastas para estas e para as futuras gerações? Merece o Dr. Portas continuar, no futuro, como co-líder de uma coligação que não está a acrescentar há já algum tempo nada de novo ao país e muito menos ao PSD e que só prejudica a imagem deste partido? A qualquer uma destas perguntas a resposta só pode ser, quanto a mim, um rotundo não. É por isso que o momento político em Portugal merece alguma reflexão, muita atenção e extraordinário cuidado. E isto exige-se, mormente, ao único partido com capacidade de dirigir e de dar um rumo condigno ao país: isto exige-se ao PSD. E isto exige-se ao PSD porque dos outros nada de bom se pode esperar.
Estes efeitos sentiram-se particularmente no PS (possibilidade de voltar ao poder), no Bloco de Esquerda (de conquistar, finalmente, o poder) e no PP (desesperadamente sobreviver no poder).
O poder é o objectivo supremo de uma, de qualquer uma, organização política. Logo é legítimo que haja essa vontade expressa, ou não, de querer o poder para executar um plano, uma estratégia, um conjunto de princípios (o Bloco de Esquerda, tal como a grande maioria de organizações radicais de esquerda, prima pela originalidade de não ter nada disto, o que parece atrair, quanto a mim enigmaticamente, bastante juventude “esclarecida”!!!) ou uma ideia política.
Com base nesta premissa devemos todos meditar um pouco nas seguintes questões: merece o PS, depois do caos e do pântano, cujos efeitos ainda se sentem, nova oportunidade em tão curto espaço de tempo? Merece a burguesia intelectual e bem instalada na vida (e que é fruto e consequência de uma comunicação social conivente e vergonhosamente tendenciosa), que gosta imenso das ganzas, dos cachimbos, do circo mediático e da retórica bem falante, que no seu íntimo despreza e abomina o povo e tudo aquilo que ele representa, chegar ao poder para lá iniciar um conjunto de belas e confortáveis borlas impregnadas de demagogia e com consequências mais do que nefastas para estas e para as futuras gerações? Merece o Dr. Portas continuar, no futuro, como co-líder de uma coligação que não está a acrescentar há já algum tempo nada de novo ao país e muito menos ao PSD e que só prejudica a imagem deste partido? A qualquer uma destas perguntas a resposta só pode ser, quanto a mim, um rotundo não. É por isso que o momento político em Portugal merece alguma reflexão, muita atenção e extraordinário cuidado. E isto exige-se, mormente, ao único partido com capacidade de dirigir e de dar um rumo condigno ao país: isto exige-se ao PSD. E isto exige-se ao PSD porque dos outros nada de bom se pode esperar.
terça-feira, junho 22, 2004
Perguntas de algibeira
A qualificação portuguesa para os quartos-de-final de uma prova organizada por nós e no grupo mais fácil de todo o Europeu vale assim tanta euforia?
Porque será que continuamos a celebrar aquilo que deve ser uma obrigação?
Não era obrigatório que esta equipa, com estes técnicos, jogadores e dirigentes se qualificasse sem espinhas e sem grandes sofrimentos? Parece que não.
segunda-feira, junho 21, 2004
quarta-feira, junho 16, 2004
O Zé do PS
É compreensível que nas hostes socialistas se sinta alguma euforia em razão dos resultados eleitorais do passado fim de semana.
Todavia, pensava eu que esse estado de espírito de satisfação não seria motivo para algumas personagens do partido perderem a noção dos sentidos e entrarem em delírio. Mas está a acontecer!...
O vislumbre da hipótese de reconquista do poder em breve está a provocar umas certas psicoses nalgumas mentes do PS, conduzindo-as a atitudes esquizofrénicas.
O mais recente ilustre representante desta tendência para a senilidade é a do ex-representante de Portugal no Governo Provisório do Iraque, Zé Lamego.
Ora não é que Zé Lamego, depois de nobres e elevados feitos praticados no Iraque, pretende agora candidatar-se a Secretário-Geral do PS?!
Justifica ele a candidatura com a "defesa de princípios e para a criação de espaços de protagonismos a novas gerações e a novos elementos". A julgar pelo seu recente passado político antecipa-se facilmente qual a índole e a elevação dos princípios que pretende defender...
Felizmente, ou muito me engano eu ou a sua candidatura não será mais do que mero fogo fátuo!
Todavia, pensava eu que esse estado de espírito de satisfação não seria motivo para algumas personagens do partido perderem a noção dos sentidos e entrarem em delírio. Mas está a acontecer!...
O vislumbre da hipótese de reconquista do poder em breve está a provocar umas certas psicoses nalgumas mentes do PS, conduzindo-as a atitudes esquizofrénicas.
O mais recente ilustre representante desta tendência para a senilidade é a do ex-representante de Portugal no Governo Provisório do Iraque, Zé Lamego.
Ora não é que Zé Lamego, depois de nobres e elevados feitos praticados no Iraque, pretende agora candidatar-se a Secretário-Geral do PS?!
Justifica ele a candidatura com a "defesa de princípios e para a criação de espaços de protagonismos a novas gerações e a novos elementos". A julgar pelo seu recente passado político antecipa-se facilmente qual a índole e a elevação dos princípios que pretende defender...
Felizmente, ou muito me engano eu ou a sua candidatura não será mais do que mero fogo fátuo!
sábado, junho 12, 2004
Liners e Bandeirinhas
Num país pejado de bandeirinhas ad nauseum (não é só na Velha Albion, "amigo" Global...), esperemos, apesar de tudo, que a equipa portuguesa não fique logo à tarde em posição de fora de jogo (off-side)...
Em resposta ao nosso Bruno II
Os 3 ocupantes do pódio, em ordem aleatória: França, Itália, Holanda.
Os 3 melhores marcadores: Henry, Nistelroy, Larsson
A equipa revelação: Suécia
Os 3 melhores marcadores: Henry, Nistelroy, Larsson
A equipa revelação: Suécia
sexta-feira, junho 11, 2004
Orgulho nacional?
Deixem-me ver se percebo? As bandeiras desfraldadas por toda a cidade de Lisboa, e imagino por todo o país, mais em bairros populares do que em bairros burgueses,revelam a paixão por uma das nações mais sub-desenvolvidas da Europa, que trata os seus cidadãos abaixo de cão. A bem da Nação. Viva a selecção.
Em resposta ao nosso Bruno
Então cá vai: campeão República Checa; final: República Checa-Espanha (2-1); melhor marcador Morientes;
Xutos
Foi com enorme prazer que vi os cinco elementos dos Xutos e Pontapés serem condecorados pelo Presidente Sampaio. Numa lógica de atribuição de prémios eminentemente classista, que esquece quase todas as profissões e actividades distantes do campo do poder, é um óptimo sinal alguém se ter lembrado destes indiscutíveis baluartes da cultura popular portuguesa. Vivam os Xutos.
quarta-feira, junho 09, 2004
A campanha dos cartazes e placards em Viseu
Percorrendo as diversas artérias e rotundas da cidade de Viriato, constata-se, com surpresa, que, em matéria de afixação de material partidário, os espaços públicos viseenses são largamente dominados nestas eleições, pasme-se, pelo Bloco de Esquerda e pela CDU!...
Numa cidade e num concelho onde obtêm percentagens eleitorais marginais, não deixa de ser curiosa a aposta destas duas forças partidárias em polvilharem a cidade com adereços publicitários (cartazes, placards) das suas cores, a contrastar com uma presença muito mais discreta e quase invisível dos partidos que recolhem a maioria das preferências locais..., os quais, certamente, preferem dispender as verbas que estão guardadas nos seus cofres nas refregas eleitorais que se avizinham.
É apenas mais um sintoma da desvalorização que os principais partidos políticos fazem destas eleições, cristalino de se ver diariamente, quando estando nós perante uma eleições para o Parlamento Europeu, os discursos políticos nos intervalos dos insultos mútuos, se dedicam, sobretudo, a sondar e a ventilar para os media os nomes de putativos candidatos presidenciais...
Numa cidade e num concelho onde obtêm percentagens eleitorais marginais, não deixa de ser curiosa a aposta destas duas forças partidárias em polvilharem a cidade com adereços publicitários (cartazes, placards) das suas cores, a contrastar com uma presença muito mais discreta e quase invisível dos partidos que recolhem a maioria das preferências locais..., os quais, certamente, preferem dispender as verbas que estão guardadas nos seus cofres nas refregas eleitorais que se avizinham.
É apenas mais um sintoma da desvalorização que os principais partidos políticos fazem destas eleições, cristalino de se ver diariamente, quando estando nós perante uma eleições para o Parlamento Europeu, os discursos políticos nos intervalos dos insultos mútuos, se dedicam, sobretudo, a sondar e a ventilar para os media os nomes de putativos candidatos presidenciais...
segunda-feira, junho 07, 2004
Metal connection
No mesmo café do e-mail anterior, no dia anterior, reinaram os reis do Metal. À minha frente estavam dez jovens vestidos de preto, cerveja na mão, sotaque indiscutivelmente alentejano, a berrarem todos os clássicos da banda de Hetfielf, Hammet e Ulrich. O metal devia ser estudado, não digo essas novas bandas fabricados em estúdios de Los Angeles para adolescentes pseudo-rebeldes, mas do metal do underground que passa de cassete em cassete, ouvida em grupos, predominantemente masculinos, multiplicados por todo o país, nas grandes cidades e nos sítios mais recônditos. Embora o show dos Metallica seja muito produzido, muito profissional, no mau sentido destas expressões, o seu poder ainda se sente. Foi bom voltar a ouvir alguns hinos antigos. Mantendo uma posição de observador distanciado e reflexivo ainda abanei muitas vezes a cabeça.
A alegria do povo
Garrincha foi o mais conhecido extremo-direito brasileiro. Alguns consideram-no ainda melhor do que Pelé. Os seus dribles fenomenais, dançantes, inebriantes, encantavam o adepto do futebol. Garrincha, como ficou eternizado num dos mais importantes documentários do cinema novo brasileiro - obra da autoria de Joaquim Pedro de Andrade - era a alegria do povo. Não pude deixar de pensar nesta frase quando vi, num café de Sines chamado SMURSS (as quatro últimas letras não são um acaso) o concerto de Daniela Mercury no Rock in Rio lisboeta. Há qualquer coisa de profundamente honesto no concerto da Daniela. A produção é festivaleira, profissional, a música é muito fácil, mas prevalece uma ligação poderosa com o público, que dificilmente conseguimos observar nos McCartneys, nos Stings e dinossauros afins.
Apostas
As apostas para o Europeu começaram. Entre candidatos ao título e candidatos a candidatos ao título – onde se inclui a equipa portuguesa – as hipóteses de escolha são mais do que muitas: melhor marcador, conjunto dos apurados da primeira fase, equipa sensação, nome dos jogadores da selecção ideal, número total de golos marcados, número de pénaltis assinalados e convertidos, cartões amarelos e vermelhos, melhor seleccionador, etc. Entre todas estas opções só houve uma que realmente escapou: por quantos vai ganhar a abstenção em Portugal no próximo domingo? Aceitam-se palpites...
sexta-feira, junho 04, 2004
O dia D em Inglaterra e as eleicoes Europeias
Comeco por dizer que nao existem sociedades perfeitas. Ou, para ser mais correcto, formas de organizacao social perfeitas. Ha no entanto que reconhecer que certas ‘formas’ resultam melhor do que outras. Mas adiante que tambem esta discussao daria pano para mangas… Inglaterra e definitivamente uma ilha a deriva, mergulhada no isolacionismo solitario e numa busca desesperada por uma identidade nacional. Esta ultima, no passado, era fortemente baseada no mito do Imperio em cujo o sol nunca se punha. Ao contrario do (cruel) colonialismo envergonhado dos Portugueses, os Ingleses sempre se orgulharam do seu, nao menos cruel, colonialismo. Apos a segunda Guerra Mundial, a ilha da ponderosa armada assistiu, nao impavida, ao desmantelamento das suas possessoes ultramarinas. Foi o declinio, nao tanto economico, mas identitario. A Segunda Guerra mundial ficou assim a ser lembrada como o ultimo grande feito da nacao imperial, mas um feito que estranhamente teima a recontar a historia como opondo a ilha ao continente. As comemoracoes do dia D neste pais processam-se de uma forma extremamente chauvinista, comprovando o erro crasso do arquetipo dos Franceses como o expoente maximo do chauvinismo. Bandeiras da Uniao hasteam-se por todo o lado e esgueiram-se pelas janelas de muitas das casas. A BBC desdobra-se em entrevistas a ex-combatentes, aqueles que ainda nao desenvolveram qualquer Alzheimer ou Parkinson, em programas de feitos heroicos nos quais as praias da Normandia sao representadas como a porta de entrada para uma Europa vil e tomada pelo diabo que Churchil veio para exorcizar. Preocupante e o facto de tudo isto se processar em paralelo a campanha eleitoral para as eleicoes Europeias. O desconhecimento da Uniao Europeia enquanto instituicao revela-se atroz e tao aprisionado a preconceitos nacionalistas que fazem corar qualquer partido de direita por essa Europa fora. No pais cada vez mais, e abertamente, controlado pelos privados o medo da perda de independencia e identidade nacionais e ridiculo. Digamos que se discute o acessorio. Mas foi exactamente para isso que os Ingleses inventaram o 'politicamente correcto', que nao e mais do que a censura polite de certos e determinados temas.
Entretanto, por estes dias, os meus amigos Alemaes, dado ao nojento (tambem porque velado e polite) xenofobismo Ingles, vao dizendo que sao Holandeses. E eu penso o quao facil e ao ser humano transformar-se exactamente naquilo em que supostamente abomina...
Entretanto, por estes dias, os meus amigos Alemaes, dado ao nojento (tambem porque velado e polite) xenofobismo Ingles, vao dizendo que sao Holandeses. E eu penso o quao facil e ao ser humano transformar-se exactamente naquilo em que supostamente abomina...
terça-feira, junho 01, 2004
Saber da vida dos outros
Um hábito terrível que se sente nos madeirenses é o querer saber da vida dos outros. Sente-se à distância esse prazer mesquinho a que se dá particular ênfase se for alguém conhecido ou que tenha fama de ser conhecido, mesmo que não passe de um reles sem mérito nenhum e sem nada de interessante que valha o trabalho de narrar.
Sempre que estou num grupo de pessoas a fazer qualquer coisa simples, como por exemplo a jantar, há sempre alguém, ou há sempre um momento em que alguém, de sorriso deliciado e maquiavélico, desata a comentar a vida de quem muito bem lhe apetece. Inusitado será dizer que perco o meu apetite quase instantaneamente. O meu estômago não aguenta com tanta má-língua e com tanta hipocrisia ao serviço da espécie humana como se nós vivêssemos a vida dos outros e não a nossa vida. Por isso não é raro ouvir por aí, em qualquer lado, em qualquer ajuntamento com duas ou mais pessoas, que x dorme com y, que a enganou b, que c roubou a d e outras pérolas que só visto, ou neste caso, só ouvido.
Os sítios pequenos são todos assim, ao que me dizem (é mais fácil sempre acreditar em ideias feitas, mesmo que absurdas). Mal-educados, claro, e estupidamente altruístas (estou a ironizar, como é óbvio). Nós, herdeiros desta tradição de séculos (povo metido na vida dos outros), não podíamos ficar para trás renegando as nossas origens, o nosso código genético (claro, saber de tudo aquilo que não interessa). Neste aspecto, em nada aprendemos com os ingleses, nem com os seus hábitos bem mais de acordo com os hábitos de uma elite de cariz europeu e empreendedor do que com uma pequena burguesia, muita dela medíocre, em ascensão a partir do último quartel do século passado.
Que se tenha vivido assim ao longo dos tempos pela falta de notícias, pela proximidade das gentes, pelo favor pessoal e pela cunha instituída e mecanicamente processada, pela solidão, pelo mar, pela falta do que fazer, pelas centenas de Alziras bilhardeiras (a bilhardice é um termo nosso, acho eu), pela regência e predomínio inglês que parece não se preocupou lá muito em pôr na linha o tal do povo nem perdeu tempo a educá-lo, ainda aceitava. Mas quando vejo várias gerações inteiras, com formação superior e continental e que sabem bem a estigmatização que isto origina, continuarem pelo mesmo caminho, resta-me ironizar com tudo isto e chegar à triste conclusão que ninguém aprendeu nada.
Um dos males da ilha também é este: depois da nova clausura, rapidamente adoptamos os velhos, e dolorosos, hábitos. A ilha, pela falta de mobilidade, pela claustrofobia, estupidifica-nos e aprimora o que há de pior na coscuvilhice que é uma forma escamoteada e versátil de destruir a vida dos outros e o seu mérito muitas vezes.
Só que o mal dos novos é não terem sido ensinados para pensarem superiormente quando tiveram óptimas e inacreditáveis oportunidades para isso. Mais que as gerações que os precederam a quem a alegoria da caverna de Platão assentaria que nem uma luva. Hoje não têm justificação. Nem perdão.
Numa sociedade de aparências, o parecer sempre foi mais importante que o ser, mesmo que fosse um parecer estúpido, um parecer rico, um parecer esperto, um parecer que se vinha de boas famílias, um parecer que se era da burguesia há gerações e não novos-ricos. Sempre foi assim. Os que tinham dinheiro, mesmo muito dinheiro, passavam despercebidos, tentando sim, que não falassem deles; os outros, os que precisavam de dizer que tinham dinheiro (nem que fosse de garganta, nem que fosse se mostrar nas fotografias de qualquer publicação apresentando a intimidade sem piada) davam nas vistas, com o objectivo precisamente contrário. O que é certo é que vivemos numa terra de parecer que somos qualquer coisa que no fundo não somos, valorizando em demasia o aspecto exterior e não o conteúdo, o que é mau para a mobilidade e péssimo para a tão desejada meritocracia.
Por isso também, ganha particular importância o nome do pai, da mãe, as suas profissões, as suas propriedades; o que veste, com quem anda, que carro tem, que sítios frequenta, onde mora. Tudo isto ganha central importância na vida dos medíocres mais preocupados com a árvore genealógica do que em aprender com os erros do passado. Assim, não é raro renegar primos menos abastados, familiares deficientes ou antigos amigos que avivam a memória de infâncias miseráveis. Tudo vale em prol da aparência.
Só que tudo não passa de um pretensioso paradoxo: por um lado sabemos o como comentamos a vida dos outros e a forma, pouco simpática, como a pintamos; mas por outro, queremos é que os outros falem de nós, mesmo que seja para contar mentiras e falar de ilusões. Estranhos tempos estes. E sombrios.
Sempre que estou num grupo de pessoas a fazer qualquer coisa simples, como por exemplo a jantar, há sempre alguém, ou há sempre um momento em que alguém, de sorriso deliciado e maquiavélico, desata a comentar a vida de quem muito bem lhe apetece. Inusitado será dizer que perco o meu apetite quase instantaneamente. O meu estômago não aguenta com tanta má-língua e com tanta hipocrisia ao serviço da espécie humana como se nós vivêssemos a vida dos outros e não a nossa vida. Por isso não é raro ouvir por aí, em qualquer lado, em qualquer ajuntamento com duas ou mais pessoas, que x dorme com y, que a enganou b, que c roubou a d e outras pérolas que só visto, ou neste caso, só ouvido.
Os sítios pequenos são todos assim, ao que me dizem (é mais fácil sempre acreditar em ideias feitas, mesmo que absurdas). Mal-educados, claro, e estupidamente altruístas (estou a ironizar, como é óbvio). Nós, herdeiros desta tradição de séculos (povo metido na vida dos outros), não podíamos ficar para trás renegando as nossas origens, o nosso código genético (claro, saber de tudo aquilo que não interessa). Neste aspecto, em nada aprendemos com os ingleses, nem com os seus hábitos bem mais de acordo com os hábitos de uma elite de cariz europeu e empreendedor do que com uma pequena burguesia, muita dela medíocre, em ascensão a partir do último quartel do século passado.
Que se tenha vivido assim ao longo dos tempos pela falta de notícias, pela proximidade das gentes, pelo favor pessoal e pela cunha instituída e mecanicamente processada, pela solidão, pelo mar, pela falta do que fazer, pelas centenas de Alziras bilhardeiras (a bilhardice é um termo nosso, acho eu), pela regência e predomínio inglês que parece não se preocupou lá muito em pôr na linha o tal do povo nem perdeu tempo a educá-lo, ainda aceitava. Mas quando vejo várias gerações inteiras, com formação superior e continental e que sabem bem a estigmatização que isto origina, continuarem pelo mesmo caminho, resta-me ironizar com tudo isto e chegar à triste conclusão que ninguém aprendeu nada.
Um dos males da ilha também é este: depois da nova clausura, rapidamente adoptamos os velhos, e dolorosos, hábitos. A ilha, pela falta de mobilidade, pela claustrofobia, estupidifica-nos e aprimora o que há de pior na coscuvilhice que é uma forma escamoteada e versátil de destruir a vida dos outros e o seu mérito muitas vezes.
Só que o mal dos novos é não terem sido ensinados para pensarem superiormente quando tiveram óptimas e inacreditáveis oportunidades para isso. Mais que as gerações que os precederam a quem a alegoria da caverna de Platão assentaria que nem uma luva. Hoje não têm justificação. Nem perdão.
Numa sociedade de aparências, o parecer sempre foi mais importante que o ser, mesmo que fosse um parecer estúpido, um parecer rico, um parecer esperto, um parecer que se vinha de boas famílias, um parecer que se era da burguesia há gerações e não novos-ricos. Sempre foi assim. Os que tinham dinheiro, mesmo muito dinheiro, passavam despercebidos, tentando sim, que não falassem deles; os outros, os que precisavam de dizer que tinham dinheiro (nem que fosse de garganta, nem que fosse se mostrar nas fotografias de qualquer publicação apresentando a intimidade sem piada) davam nas vistas, com o objectivo precisamente contrário. O que é certo é que vivemos numa terra de parecer que somos qualquer coisa que no fundo não somos, valorizando em demasia o aspecto exterior e não o conteúdo, o que é mau para a mobilidade e péssimo para a tão desejada meritocracia.
Por isso também, ganha particular importância o nome do pai, da mãe, as suas profissões, as suas propriedades; o que veste, com quem anda, que carro tem, que sítios frequenta, onde mora. Tudo isto ganha central importância na vida dos medíocres mais preocupados com a árvore genealógica do que em aprender com os erros do passado. Assim, não é raro renegar primos menos abastados, familiares deficientes ou antigos amigos que avivam a memória de infâncias miseráveis. Tudo vale em prol da aparência.
Só que tudo não passa de um pretensioso paradoxo: por um lado sabemos o como comentamos a vida dos outros e a forma, pouco simpática, como a pintamos; mas por outro, queremos é que os outros falem de nós, mesmo que seja para contar mentiras e falar de ilusões. Estranhos tempos estes. E sombrios.
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