«Não vou desistir no Governo, tal como não desisti na oposição, enquanto não fizer de Portugal um País avançado» - Durão Barroso, algures em Março de 2002
quarta-feira, setembro 29, 2004
terça-feira, setembro 28, 2004
Lideranças políticas
A política portuguesa definha: os novos líderes políticos – Portas, Santana, Louçã e Sócrates – são o novo protótipo do homem político do século XXI, aparentemente muito agradável mas sem grande, ou nenhuma, substância. Há alternância; não há alternativa. A política portuguesa colhe os frutos da mediatização total, penosa, da sua sociedade: ganham os populistas, os não comprometidos (impressionante neste aspecto o caso de Sócrates que numa campanha eleitoral interna conseguiu dizer sempre nim a tudo), os homens bonitos e charmosos, bem-falantes, mediaticamente atractivos; os que falam de tudo e de coisa nenhuma; os que andam de agenda na mão a marcar o ritmo dos telejornais; os que vendem a imagem burguesa e a mensagem; os que não vivem de programas políticos, vivem de ideias e de inspirações momentâneas. Neste ponto, o single issue é muito mais comum entre eles do que se julga e o pragmatismo há muito que substituiu a ideologia que jaz morta nas gavetas das secretárias. Tal como os soft issue aos poucos substituem os hard issue. Desta caldeirada política insonsa só Carvalhas e a ortodoxia do PC estão de fora. Resta saber com que consequências. E até quando.
segunda-feira, setembro 27, 2004
A normalidade
O Benfica empatou em casa; o Sporting empatou fora; o Porto ganhou fora. A normalidade futebolística está de volta.
sexta-feira, setembro 24, 2004
A Antiguidade dos Administradores da Galp
A informação esta noite veiculada num canal televisivo de que dois administradores da Galp Energia, nomeados para os respectivos postos há 2 anos, possuem contratos de trabalho onde consta a informação de que têm um vínculo contratual com a citada empresa há 15 anos (!!!), isto é, ainda a Galp Energia não existia e estes dois excelsos administradores já deixavam sangue, suor e lágrimas em prol da mesma, configura, para ser comedido, uma autêntica canalhice, própria de indivíduos sem quaisquer escrúpulos e vergonha.
Ainda segundo a notícia, a administração da empresa admitiu a veracidade da informação, mas escusou-se a comentá-la, uma vez que, na sua opinião, não tinha a obrigação de o fazer.
Dito isto, realmente parece que o descaramento não tem limites para a administração da Galp Energia. Não lhe bastou ter sido recentemente adjectivada de pouco zelosa e desleixada no estabelecimento de directrizes atinentes ao cumprimento da normas de segurança no seu exercício de actividade, na sequência do gravoso acidente da refinaria de Leça. Pois bem, agora arroga-se no direito de não justificar o favorecimento ilícito e infame destes seus dois administradores, tendo em vista precavê-los aquando das suas saídas com faustosas indemnizações por tempo de serviço e no encurtamento do seu tempo de descontos para efeitos de reforma.
Vai por caminhos muito lúgubres e pantanosos a ética de quem está à frente desta empresa maioritariamente financiada pelo erário público. É mais uma entidade onde a desfaçatez e a impunidade correm, pelos vistos, lado a lado com a incompetência e a incúria. Até quando, gostava eu de saber...
Ainda segundo a notícia, a administração da empresa admitiu a veracidade da informação, mas escusou-se a comentá-la, uma vez que, na sua opinião, não tinha a obrigação de o fazer.
Dito isto, realmente parece que o descaramento não tem limites para a administração da Galp Energia. Não lhe bastou ter sido recentemente adjectivada de pouco zelosa e desleixada no estabelecimento de directrizes atinentes ao cumprimento da normas de segurança no seu exercício de actividade, na sequência do gravoso acidente da refinaria de Leça. Pois bem, agora arroga-se no direito de não justificar o favorecimento ilícito e infame destes seus dois administradores, tendo em vista precavê-los aquando das suas saídas com faustosas indemnizações por tempo de serviço e no encurtamento do seu tempo de descontos para efeitos de reforma.
Vai por caminhos muito lúgubres e pantanosos a ética de quem está à frente desta empresa maioritariamente financiada pelo erário público. É mais uma entidade onde a desfaçatez e a impunidade correm, pelos vistos, lado a lado com a incompetência e a incúria. Até quando, gostava eu de saber...
quinta-feira, setembro 23, 2004
Produtividade
O dr. Bagão, simpática personagem independente, veio dizer aos portugueses que é preciso trabalhar mais. Portugal é o sexto país dos 15 onde os trabalhadores a tempo inteiro mais horas semanais trabalham. Como é evidente, algo aqui não bate certo porque tudo isto é um problema de qualidade de trabalho e não de quantidade, que é coisa muito diferente.
Não adianta punir os trabalhadores quando o próprio Estado é o primeiro a não modernizar e a não apostar na real qualificação dos seus quadros e dos seus processos. Os exemplos de malfadada insensatez e inusitado despesismo são gritantes (quanto vai custar a brincadeira da colocação dos professores, por exemplo?). A tudo isto some-se o facto do país estar povoado de empresários (?!) com a quarta classe, chicos-esperto e self-made men da treta, todos empenhados em enriquecer do dia para a noite e em gerir o negócio como se gere a mercearia: com fronteiras curtas e sem qualquer espécie de visão e de objectivo futuros. Entregues (os trabalhadores) ao Estado e a tipos deste calibre muito dificilmente se vai aumentar a produtividade porque o Estado não investe nos seus trabalhadores para torná-los produtivos e os empresários ainda menos.
É por isso também que este problema é de obsolescência, primeiro, e de manifesta ineficiência, depois. Mas para resolvê-lo é preciso criar condições, logo é preciso gastar dinheiro que pelos vistos não há. Não se pode pedir milagres, nem, como diz o povo, fazer omeletas sem ovos. É aqui que o problema vai mais além: impedido de gastar, como pode o Estado investir? O dilema é gritante. E não pode ser tratado com demagogia.
Não adianta punir os trabalhadores quando o próprio Estado é o primeiro a não modernizar e a não apostar na real qualificação dos seus quadros e dos seus processos. Os exemplos de malfadada insensatez e inusitado despesismo são gritantes (quanto vai custar a brincadeira da colocação dos professores, por exemplo?). A tudo isto some-se o facto do país estar povoado de empresários (?!) com a quarta classe, chicos-esperto e self-made men da treta, todos empenhados em enriquecer do dia para a noite e em gerir o negócio como se gere a mercearia: com fronteiras curtas e sem qualquer espécie de visão e de objectivo futuros. Entregues (os trabalhadores) ao Estado e a tipos deste calibre muito dificilmente se vai aumentar a produtividade porque o Estado não investe nos seus trabalhadores para torná-los produtivos e os empresários ainda menos.
É por isso também que este problema é de obsolescência, primeiro, e de manifesta ineficiência, depois. Mas para resolvê-lo é preciso criar condições, logo é preciso gastar dinheiro que pelos vistos não há. Não se pode pedir milagres, nem, como diz o povo, fazer omeletas sem ovos. É aqui que o problema vai mais além: impedido de gastar, como pode o Estado investir? O dilema é gritante. E não pode ser tratado com demagogia.
Código de Estrada
O governo anunciou mais uma revisão do Código de estrada. Com toda a pompa e circunstância cheira-me que as novas multas têm como objectivo principal garantir liquidez para o Estado. Só isso justifica esta obsessão pela velocidade, pelo cinto de segurança, pelo telemóvel e, pasme-se, pela beata atirada pela janela fora. Enquanto não é proibido ouvir rádio, comer maçãs e falar com o passageiro do lado, o desfile de mortos teima em não parar. O problema não está, como toda a gente já sabe, na repressão: está na mentalidade, na educação, na formação dos condutores e nessa coisa estranha a que chamam rede viária nacional cheia de imperfeições, de má sinalização e de fraca iluminação. Mais: quando se sabe que boa parte dos acidentes mortais acontecem com jovens que têm entre os 18 e os 21 anos e menos de dois anos de carta, impõe-se perguntar o que é que se está a fazer para combater isto. Querem ser radicais? Carta só aos 21 anos. Era um bom começo.
quarta-feira, setembro 22, 2004
O maravilhoso mundo do golfe
Realizou-se neste último fim-de-semana uma competição de golfe chamada Ryder Cup. Para quem não saiba bem que desporto é este avanço com duas ilustrações. O golfe é aquela modalidade que está a transformar a nossa paisagem rural num conjunto de terrenos arrelvados com 18 buracos assinalados por um bandeira, povoados por uma catrefada de ingleses e alemães gordos, de meias brancas e uns tacos na mão. O golfe também é, ao mesmo tempo, o desporto das novas elites endinheiradas portuguesas, especialmente daqueles novos ricos que resolvem começar a praticar a coisa aos sessenta anos, com os sapatinhos do golfe, os bonezinhos como aparecem nas revistas, as camisolinhas da Lacoste, e uma falta de jeito olímpica, habituados que estão à sueca e ao bilhar às três tabelas. Mas adiante.
A Ryder Cup realiza-se de dois em dois anos e opõe uma equipa de golfistas norte-americanos a uma equipa de golfistas europeus. Este ano os europeus, entre os quais se encontravam uns quantos britânicos, deram uma cabazada aos americanos. Em face disto, a BBC resolveu questionar os seus espectadores com a seguinte pergunta: depois da vitória europeia na Ryder Cup ficou com orgulho em ser europeu? A pergunta, relativamente pateta, dá azo a inúmeras leituras extra-desportivas. 39% daqueles que responderam afirmaram que sim, que sentem orgulho em ser europeus, mas 61% afirmou que não. As análises adiantam que, de um ponto de vista progressista, os números nem são maus. O nacionalismo em Inglaterra tem-se tornado uma realidade mais visível desde que o momento em que a União Europeia começou a ganhar uma forma definitiva. A libra, a rainha, as recordações do império, etc., são símbolos da singularidade britânica que influenciam as atitudes dos ingleses perante a Europa: o outro mais próximo. A Europa só parece atraente no contexto político internacional, isto é, a maior parte dos ingleses revê-se mais na opinião política dos governos da «velha Europa» no que na posição de Blair. Mas a decisão sobre o futuro da Inglaterra, especialmente ao que respeita a economia e o futuro da libra, deve estar dependente de outros processos: resistirá o nacionalismo à pressão económica, resistirá a libra ao enorme mercado da zona euro? A ver.
A Ryder Cup realiza-se de dois em dois anos e opõe uma equipa de golfistas norte-americanos a uma equipa de golfistas europeus. Este ano os europeus, entre os quais se encontravam uns quantos britânicos, deram uma cabazada aos americanos. Em face disto, a BBC resolveu questionar os seus espectadores com a seguinte pergunta: depois da vitória europeia na Ryder Cup ficou com orgulho em ser europeu? A pergunta, relativamente pateta, dá azo a inúmeras leituras extra-desportivas. 39% daqueles que responderam afirmaram que sim, que sentem orgulho em ser europeus, mas 61% afirmou que não. As análises adiantam que, de um ponto de vista progressista, os números nem são maus. O nacionalismo em Inglaterra tem-se tornado uma realidade mais visível desde que o momento em que a União Europeia começou a ganhar uma forma definitiva. A libra, a rainha, as recordações do império, etc., são símbolos da singularidade britânica que influenciam as atitudes dos ingleses perante a Europa: o outro mais próximo. A Europa só parece atraente no contexto político internacional, isto é, a maior parte dos ingleses revê-se mais na opinião política dos governos da «velha Europa» no que na posição de Blair. Mas a decisão sobre o futuro da Inglaterra, especialmente ao que respeita a economia e o futuro da libra, deve estar dependente de outros processos: resistirá o nacionalismo à pressão económica, resistirá a libra ao enorme mercado da zona euro? A ver.
O erro da raça
Os jornais britânicos andam muito preocupados com o facto dos estudantes ingleses de origem africana continuarem a apresentar piores resultados escolares que os alunos dos outros grupos étnicos. Incapazes de afirmar que se trata de uma qualquer tendência natural ou genética, seria politicamente incorrecto, tentam encontrar uma causa que explique o fenómeno. Com base em alguns relatórios elaborados por especialistas chegaram à conclusão que o problema são os professores brancos. O ensino é dominado por professores brancos descrentes das capacidades dos alunos de origem africana. Para estes últimos, tratados diferenciadamente, a vida torna-se um inferno. Vamos admitir que, em certa medida, a discriminação efectuada pelos professores brancos é responsável pelo insucesso dos alunos negros. Mas vamos imaginar que, por artes mágicas, eliminávamos o factor discriminatório, e que, mesmo assim, os alunos de origem africana continuavam a ser os piores. Perante tal cenário, como é que os políticos e os jornais iriam explicar o fenómeno?
A insistência de tratar as perfomances escolares com base na questão da raça é algo bastante perigoso. Bem sei que a palavra classe está fora de moda mas não vejo outra forma de lidar com o assunto. As teorias da sociologia da educação sobre a função de reprodução social inerente ao sistema educativo já há muito saíram do gueto académico. Sabemos, numa apreciação muito genérica, que a linguagem da escola favorece as classes médias. O que se passa, pelo mesmo na área de Londres, é que as classes baixas estão fortemente etnicizadas. Para os indivíduos de origem africana o handicap da origem de classe junta-se a outros problemas relacionados com a etnia, nomeadamente as línguas faladas em casa pelas famílias, quase sempre formas autóctones, jamaicanas, nigerianas, ganesas, etc, do inglês. Noutro sentido, as famílias de origem africana, e os seus filhos, rapidamente percebem que o seu futuro não vai em grande medida depender das qualificações escolares. Eles vão ocupar os lugar mais baixos da estrutura profissional e cada ano perdido na escola é menos dinheiro a entrar em casa.
A insistência de tratar as perfomances escolares com base na questão da raça é algo bastante perigoso. Bem sei que a palavra classe está fora de moda mas não vejo outra forma de lidar com o assunto. As teorias da sociologia da educação sobre a função de reprodução social inerente ao sistema educativo já há muito saíram do gueto académico. Sabemos, numa apreciação muito genérica, que a linguagem da escola favorece as classes médias. O que se passa, pelo mesmo na área de Londres, é que as classes baixas estão fortemente etnicizadas. Para os indivíduos de origem africana o handicap da origem de classe junta-se a outros problemas relacionados com a etnia, nomeadamente as línguas faladas em casa pelas famílias, quase sempre formas autóctones, jamaicanas, nigerianas, ganesas, etc, do inglês. Noutro sentido, as famílias de origem africana, e os seus filhos, rapidamente percebem que o seu futuro não vai em grande medida depender das qualificações escolares. Eles vão ocupar os lugar mais baixos da estrutura profissional e cada ano perdido na escola é menos dinheiro a entrar em casa.
A sensibilidade burguesa
Várias televisões do mundo transmitiram há poucos dias imagens dos protestos dos caçadores ingleses em frente ao Parlamento britânico. O órgão legislativo deliberou proibir a caça à raposa, tradição centenária por terras de sua majestade. Milhares de indivíduos rumaram a Londres demonstrando a sua ira em relação à decisão governamental. Alguns dos argumentos adiantados para justificar o protesto sugeriam que se tratava de mais uma luta entre o campo e a cidade. As classes médias urbanas e os seus representantes políticos não percebem os modos de vida do campo obrigando todo o país a sujeitar-se à sua sensibilidade particular. Para quem não esteja por dentro do contexto da caça em Inglaterra o argumento poderia fazer algum sentido.
A caça foi desde sempre uma forma de sobrevivência. Num contexto de necessidade, falar em direitos dos animais é absurdo. Sabemos, infelizmente, que os defensores dos direitos dos animais tendem muitas vezes a esquecer os direitos das pessoas. Uma inversão lamentável. O que se passa em Inglaterra, porém, nada tem a ver com um contexto de necessidade. A caça à raposa é um dos mais evidentes resquícios de uma mentalidade aristocrata de uma Inglaterra serôdia. O ritual que acompanha a caça à raposa é, sem dúvida, uma demonstração de posição de classe. Homens montados a rigor e dezenas de cães a bater o terreno e a perseguir implacavelmente as raposas. A figura literária do Robin dos Bosques representa, em certa medida, a luta pela democratização da caça num contexto em que os senhores feudais monopolizavam as terras. Os descendentes desses mesmos senhores pretendem, sob a capa da tradição e da cultura, preservar os seus rituais distintivos. O parlamento inglês decidiu acabar com isto.
É simplista, no entanto, afirmar que a questão da caça à raposa é um reflexo da oposição entre o campo e a cidade. Talvez seja mais adequado considerá-la como mais uma etapa da luta da burguesia contra a aristocracia. A sensibilidade das classes médias urbanas, o grande estrato de uma concepção alargada de burguesia, tende a impor a sua lei, seja em relação às tradições aristocráticas, seja em relação às tradições operárias. O processo é evidente num conjunto largo de fenómenos sociais: hábitos de alimentação, de consumo, defesa dos direitos dos animais, consciência ecológica, a importância dada à cultura, a defesa da diversidade das opções sexuais, a defesa dos direitos das crianças, etc. Esta sensibilidade burguesa é, porém, quase sempre muito estreita. É com dificuldade que a encontramos, por exemplo, na luta pelos direitos de saúde, de educação ou do trabalho. A existência de hospitais privados, escolas privadas, empregos assegurados e bem remunerados, afasta estes grupos de preocupações tão comezinhas. Sabemos bem que a maior parte dos nossos políticos representa os interesses desta sensibilidade social.
A caça foi desde sempre uma forma de sobrevivência. Num contexto de necessidade, falar em direitos dos animais é absurdo. Sabemos, infelizmente, que os defensores dos direitos dos animais tendem muitas vezes a esquecer os direitos das pessoas. Uma inversão lamentável. O que se passa em Inglaterra, porém, nada tem a ver com um contexto de necessidade. A caça à raposa é um dos mais evidentes resquícios de uma mentalidade aristocrata de uma Inglaterra serôdia. O ritual que acompanha a caça à raposa é, sem dúvida, uma demonstração de posição de classe. Homens montados a rigor e dezenas de cães a bater o terreno e a perseguir implacavelmente as raposas. A figura literária do Robin dos Bosques representa, em certa medida, a luta pela democratização da caça num contexto em que os senhores feudais monopolizavam as terras. Os descendentes desses mesmos senhores pretendem, sob a capa da tradição e da cultura, preservar os seus rituais distintivos. O parlamento inglês decidiu acabar com isto.
É simplista, no entanto, afirmar que a questão da caça à raposa é um reflexo da oposição entre o campo e a cidade. Talvez seja mais adequado considerá-la como mais uma etapa da luta da burguesia contra a aristocracia. A sensibilidade das classes médias urbanas, o grande estrato de uma concepção alargada de burguesia, tende a impor a sua lei, seja em relação às tradições aristocráticas, seja em relação às tradições operárias. O processo é evidente num conjunto largo de fenómenos sociais: hábitos de alimentação, de consumo, defesa dos direitos dos animais, consciência ecológica, a importância dada à cultura, a defesa da diversidade das opções sexuais, a defesa dos direitos das crianças, etc. Esta sensibilidade burguesa é, porém, quase sempre muito estreita. É com dificuldade que a encontramos, por exemplo, na luta pelos direitos de saúde, de educação ou do trabalho. A existência de hospitais privados, escolas privadas, empregos assegurados e bem remunerados, afasta estes grupos de preocupações tão comezinhas. Sabemos bem que a maior parte dos nossos políticos representa os interesses desta sensibilidade social.
As Grandes Barracas
Após a débacle monumental em que se transformou, este ano, o concurso de colocação dos professores, o Ministério da Educação encontrou finalmente uma solução alternativa à empresa Machete & Couto dos Santos, vulgo Compta, para a resolução do imbróglio, noutra dupla, aquela formada por Dias da Cunha & Peseiro.
Numa solução bem ponderada e reflectida, como é apanágio de Santana Lopes, o Governo chegou à conclusão de que este duo é, à partida, através do primeiro componente, garante da desculpabilização dos erros próprios que surgirem na ordenação das listas, ao invocar o sistema educativo como o responsável pela situação, e uma voz autoritária capaz de ordenar o silêncio de todos os portugueses que acometam de críticas o processo de colocação, e, através do segundo elemento, certeza absoluta de uma ordenação e colocação de professores nas mais originais posições, seja por intermédio da táctica do losango, da táctica W ou da táctica do pirilau.
Deste modo o Governo espera que, através da dupla Dias da Cunha & Peseiro, o impasse da colocação dos professores seja resolutamente ultrapassado e o ano lectivo possa começar rapidamente e em força.
Numa solução bem ponderada e reflectida, como é apanágio de Santana Lopes, o Governo chegou à conclusão de que este duo é, à partida, através do primeiro componente, garante da desculpabilização dos erros próprios que surgirem na ordenação das listas, ao invocar o sistema educativo como o responsável pela situação, e uma voz autoritária capaz de ordenar o silêncio de todos os portugueses que acometam de críticas o processo de colocação, e, através do segundo elemento, certeza absoluta de uma ordenação e colocação de professores nas mais originais posições, seja por intermédio da táctica do losango, da táctica W ou da táctica do pirilau.
Deste modo o Governo espera que, através da dupla Dias da Cunha & Peseiro, o impasse da colocação dos professores seja resolutamente ultrapassado e o ano lectivo possa começar rapidamente e em força.
terça-feira, setembro 21, 2004
(Des)Coordenações
Depois do primeiro-ministro ter andado a contratar tanta gente para lhe pôr a imagem (angelical e culta) na ordem, parece que ainda ninguém teve tempo para lhe explicar que nem sempre deve abrir a boca. Principalmente, quando há fortes probabilidades de dali sair asneira. Mas Santana é assim. Não sabe ou não liga, o que é muito pior. De cada vez que faz um comentário a descoordenação no governo fica evidente. Aconteceu com as taxas moderadoras da saúde e aconteceu com o caso da refinaria da GALP de Leça da Palmeira. Ambos os casos graves para serem desconsiderados. Pelo meio, o primeiro-ministro fugiu de um debate prometido na Assembleia onde levou fogo cerrado por ter falado quando não devia.
Num projecto que é de navegação à deriva, sem rumo e sem porto de abrigo, ficam evidentes as inúmeras dificuldades (e incapacidades) deste governo: quando a entrada é periclitante nada de bom se deve esperar à saída, a não ser o aumento da borrasca. Há quem pense, pessoas optimistas, que eles ainda vão mudar. Eu não confiaria muito.
Num projecto que é de navegação à deriva, sem rumo e sem porto de abrigo, ficam evidentes as inúmeras dificuldades (e incapacidades) deste governo: quando a entrada é periclitante nada de bom se deve esperar à saída, a não ser o aumento da borrasca. Há quem pense, pessoas optimistas, que eles ainda vão mudar. Eu não confiaria muito.
Colocações
Por aí corre o boato que a principal responsabilidade do atraso na colocação dos professores advém da mudança de software, que fazia precisamente estas complicadíssimas operações, quando nada o justificava. Diz-se ainda que tudo foi feito apenas para beneficiar uma outra empresa mais ligada ao partido do poder e porque esta última garantia uma maior fiabilidade e a modernização de um sistema aparentemente com necessidade de evolução. Os resultados estão à vista: o óptimo, como sempre, é inimigo do bom, ainda para mais quando resulta de um plano de boas (ou talvez deva dizer pouco transparentes) intenções. Reina o caos no ministério e o desespero entre os professores. Por arrasto, milhares de alunos são directamente prejudicados, mas não deixa de ser divertido assistir ao circo ao mesmo tempo que se cava a sepultura.
No país da OCDE com menos dias de aulas e de paupérrimos resultados, quase no fim de Setembro, ainda ninguém sabe quando realmente vão começar as aulas. Culpados? A ver vamos. Por agora, há mais um sistema a abater (não sei se o mesmo do Dr. Dias da Cunha). Tudo o resto é já do domínio do absurdo. Que triste espectáculo.
No país da OCDE com menos dias de aulas e de paupérrimos resultados, quase no fim de Setembro, ainda ninguém sabe quando realmente vão começar as aulas. Culpados? A ver vamos. Por agora, há mais um sistema a abater (não sei se o mesmo do Dr. Dias da Cunha). Tudo o resto é já do domínio do absurdo. Que triste espectáculo.
Delírios
Sabiam que Portugal deve ser o único país desenvolvido (que lindo eufemismo) que tem estádios de futebol (oficialmente reconhecidos como tal) com o nome de pessoas que estão vivas? Não sabiam? Pois é verdade. E como nestas coisas não gostamos de fazer as coisas pelo mais simples temos logo dois exemplos deste espantoso culto da personalidade. O primeiro caso é o estádio do Marco de Canavezes, que se chama Avelino Ferreira Torres, conhecido homem das letras e do teatro de rua; o segundo, é o do Nacional da Madeira, cujo Estádio se chama Eng. Rui Alves, nada mais, nada menos, do que o seu próprio e distinto presidente, conhecido romancista e filósofo.
segunda-feira, setembro 20, 2004
Variedades
"Sócrates ataca "estilo" de Santana". Importa-se de repetir?
domingo, setembro 19, 2004
Aniversário
O blogue do Grupo do Pato faz hoje precisamente um ano. Estamos de parabéns por termos conseguido manter, com prazer e vivacidade, este projecto de amigos. Que assim continue.
O blogue segue dentro de momentos.
O blogue segue dentro de momentos.
sábado, setembro 18, 2004
Lixo bimba
Entao e agora porque e que temos um relogio de cozinha pendurado aqui no Blogue? Pronto, agora la vai o Pacheco, patrono e expert da intima Blogoesfera de intelectuais, catalogar-nos de 'lixo bimba'... Nao ha por ai nada com mais design, assim de autor?
sexta-feira, setembro 17, 2004
Bilderberg e outras curiosidades
Entre 3 e 6 de Junho deste ano, em Stresa, Itália, teve lugar mais uma reunião (a 52ª ao que dizem) do não muito conhecido Grupo Bilderberg. O Bilderberg é tido por algumas pessoas como uma das mais poderosas e secretas organizações do mundo. Nesta última reunião estiveram presentes 126 personalidades, oriundas dos países mais desenvolvidos e todas elas ocupando cargos políticos e profissionais de particular relevo. Portugal contou, nesta reunião, com 4 presenças: Pinto Balsemão (o único português, ao que dizem, com assento na coisa e apresentado como Chairman and CEO, IMPRESA, SGPS, Former Prime Minister), António Vitorino (Justice and Home Affairs Commissioner, European Union), José Sócrates (Member of Parliament) e Pedro Santana Lopes (Mayor of Lisbon).
Entretanto, passou-se um pouco mais de três meses. Balsemão continua hipotético candidato a tudo e senhor todo-poderoso da comunicação social portuguesa; Vitorino, por causa das eleições europeias, vai sair da Comissão Europeia e anunciou não estar interessado na vida política doméstica quando muitos clamavam pelo seu nome (não fechou, contudo, a porta para outros saltos no futuro); Sócrates é o mais forte candidato a secretário-geral do PS (e por arrasto, também provável futuro primeiro-ministro) e Santana Lopes, já não é de Lisboa, mas é o actual primeiro-ministro português por desistência e fuga do antigo.
Dê por onde der, coincidência ou não, tudo isto não deixa de ser curioso. Muito curioso.
Entretanto, passou-se um pouco mais de três meses. Balsemão continua hipotético candidato a tudo e senhor todo-poderoso da comunicação social portuguesa; Vitorino, por causa das eleições europeias, vai sair da Comissão Europeia e anunciou não estar interessado na vida política doméstica quando muitos clamavam pelo seu nome (não fechou, contudo, a porta para outros saltos no futuro); Sócrates é o mais forte candidato a secretário-geral do PS (e por arrasto, também provável futuro primeiro-ministro) e Santana Lopes, já não é de Lisboa, mas é o actual primeiro-ministro português por desistência e fuga do antigo.
Dê por onde der, coincidência ou não, tudo isto não deixa de ser curioso. Muito curioso.
Importa-se de repetir, please...
David Blanket, o equivalente ingles ao nosso Portas (vulgo Deneuve), ao ser entrevistado na BBC esta manha disse qualquer coisa como: 'e necessario fechar as fronteiras para que os indigenas aprendam a conviver com a tolerancia e a perder o medo da diferenca'. Hum!!!!????
Ele ha estupidos cada vez mais cheios de si, tanto na direita como na suposta esquerda...
Ele ha estupidos cada vez mais cheios de si, tanto na direita como na suposta esquerda...
quinta-feira, setembro 16, 2004
Shôrss Agentess
Dois agentes da PSP de Viseu, um deles graduado, "aconselharam", anteontem, os responsáveis por uma livraria a retirarem da montra um livro com um título eventualmente polémico: "As mulheres não gostam de foder". O ensaio sexual em banda desenhada, da autoria do espanhol Alvarez Rabo, encontrava-se exposto na montra da loja que as Edições Polvo abriram, há cerca de dois meses, no shopping Ícaro, no centro da cidade.
"Estiveram da parte de fora a ler os títulos. Depois entraram e pediram para ver o livro. Vinham fardados. No princípio, julguei que estavam aqui como clientes. Mas não. Fiquei espantado quando o graduado, em jeito de aviso, aconselhou a retirar a obra da montra", explicou ontem, Alexandre de Melo, colaborador da livraria.
Os agentes da autoridade terão justificado o aviso ao livreiro, com "várias" queixas recebidas na PSP. "Com a maior correcção, explicaram-me que Viseu é uma cidade muito especial e que aquele livro não ficava bem na montra", lembra Alexandre Melo, que afirma ter argumentado que a editora e a obra em causa "eram absolutamente legais".
Fonte: Viseu Online
"Estiveram da parte de fora a ler os títulos. Depois entraram e pediram para ver o livro. Vinham fardados. No princípio, julguei que estavam aqui como clientes. Mas não. Fiquei espantado quando o graduado, em jeito de aviso, aconselhou a retirar a obra da montra", explicou ontem, Alexandre de Melo, colaborador da livraria.
Os agentes da autoridade terão justificado o aviso ao livreiro, com "várias" queixas recebidas na PSP. "Com a maior correcção, explicaram-me que Viseu é uma cidade muito especial e que aquele livro não ficava bem na montra", lembra Alexandre Melo, que afirma ter argumentado que a editora e a obra em causa "eram absolutamente legais".
Fonte: Viseu Online
Explicando a loucura dos loucos...
O mal neste mundo é que os estúpidos são cada vez mais cheios de si e os inteligentes cada vez mais cheios de dúvidas.
Bertrand Russel
Bertrand Russel
quarta-feira, setembro 15, 2004
O ridículo
O Eng. Rui Alves, personagem do imaginário madeirense, veio a público, depois de três jogadores seus terem sido presos em consequência de uma rixa com as autoridades, acusar a polícia de perseguir o seu clube por motivos obscuros.
A teoria é simples de deduzir, mesmo que ele não a diga com todas as letras: a polícia persegue o Nacional porque assim beneficia, indirectamente, o Marítimo, seu rival (nas contas dele, como é óbvio) de sempre. Desconheço quem dá estes conselhos ao engenheiro ou mesmo se eles resultam de profunda e sentida reflexão. Desconheço também até que ponto se pode descer no ridículo. Mas já pouco me espanta nos homens porque eles continuam a conseguir descer. Apesar de tudo, desde que o Dr. Ferro do PS garantiu que o seu envolvimento na cabala da Casa Pia podia ter origem nos EUA (leram bem, nos EUA) que não me ria tanto.
A teoria é simples de deduzir, mesmo que ele não a diga com todas as letras: a polícia persegue o Nacional porque assim beneficia, indirectamente, o Marítimo, seu rival (nas contas dele, como é óbvio) de sempre. Desconheço quem dá estes conselhos ao engenheiro ou mesmo se eles resultam de profunda e sentida reflexão. Desconheço também até que ponto se pode descer no ridículo. Mas já pouco me espanta nos homens porque eles continuam a conseguir descer. Apesar de tudo, desde que o Dr. Ferro do PS garantiu que o seu envolvimento na cabala da Casa Pia podia ter origem nos EUA (leram bem, nos EUA) que não me ria tanto.
terça-feira, setembro 14, 2004
Condutores de Domingo
Dadas as estatísticas cruéis da sinistralidade rodoviária, a velocidade excessiva, as transgressões grosseiras do código da estrada, o mau estado de conservação das estradas e o sono, têm estado sempre presentes nos discursos do apuramento das funestas causas do negro panorama de acidentes em Portugal, o qual não tem fim à vista.
A todos estes comprovados motivos, eu acrescentaria, por elementar justiça, um outro, que, ou muito me engano eu ou já tem provocado bastantes acidentes pelo desespero que provoca, mesmo nos condutores com um histórico de cadastro sem infracções, levando-os à prática de manobras arriscadas para se apartarem do perigo: os Condutores de Domingo.
Os Condutores de Domingo pegam na sua carripana ao domingo, geralmente bem conservada depois de uma semana de pousio na garagem, com esposa, descendentes e sogros a acompanhar, e lançam-se no alcatrão determinados a nunca exceder os 30 ou 40km/h, no máximo, e com isso conseguirem igualar a média de qualquer cicloturista.
Abnegados e inflexíveis, é vê-los agruparem-se aos magotes depois do almoço para se passearem descontraidamente, frequentemente com os braços de fora dos vidros, apontando incessantemente para todas as direcções “Olhem aquela casa salmão. Bonita, mas acho que as caves são pouco altas”; “Vejam, vejam aqui à direita, aquele relvado com macieiras de bravo de elmolfe!”.
Demitindo-se das filas de quilómetros que a sua vagarosidade assumida acarreta, começam por levar o mais cumpridor das regras de trânsito à apoquentação, depois à ânsia, a seguir à aflição e, por fim, ao desespero total (que está na origem da tentativa enfurecida de ultrapassar colericamente esta sub-espécie das nossas estradas para poder prosseguir na estrada com uma mudança superior à 2).
A solução, e depreendendo que tais condutores são encartados, alguns há 40 ou 50 anos, e por isso têm o direito de conduzir, está em construir um ou dois circuitos, não de velocidade, mas sim de vagarosidade, para poderem livremente dar azo aos seus ímpetos obstrucionistas.
A todos estes comprovados motivos, eu acrescentaria, por elementar justiça, um outro, que, ou muito me engano eu ou já tem provocado bastantes acidentes pelo desespero que provoca, mesmo nos condutores com um histórico de cadastro sem infracções, levando-os à prática de manobras arriscadas para se apartarem do perigo: os Condutores de Domingo.
Os Condutores de Domingo pegam na sua carripana ao domingo, geralmente bem conservada depois de uma semana de pousio na garagem, com esposa, descendentes e sogros a acompanhar, e lançam-se no alcatrão determinados a nunca exceder os 30 ou 40km/h, no máximo, e com isso conseguirem igualar a média de qualquer cicloturista.
Abnegados e inflexíveis, é vê-los agruparem-se aos magotes depois do almoço para se passearem descontraidamente, frequentemente com os braços de fora dos vidros, apontando incessantemente para todas as direcções “Olhem aquela casa salmão. Bonita, mas acho que as caves são pouco altas”; “Vejam, vejam aqui à direita, aquele relvado com macieiras de bravo de elmolfe!”.
Demitindo-se das filas de quilómetros que a sua vagarosidade assumida acarreta, começam por levar o mais cumpridor das regras de trânsito à apoquentação, depois à ânsia, a seguir à aflição e, por fim, ao desespero total (que está na origem da tentativa enfurecida de ultrapassar colericamente esta sub-espécie das nossas estradas para poder prosseguir na estrada com uma mudança superior à 2).
A solução, e depreendendo que tais condutores são encartados, alguns há 40 ou 50 anos, e por isso têm o direito de conduzir, está em construir um ou dois circuitos, não de velocidade, mas sim de vagarosidade, para poderem livremente dar azo aos seus ímpetos obstrucionistas.
segunda-feira, setembro 13, 2004
Aparelhos
Para aqueles que estão convencidos que vivem numa espécie de democracia, mesmo que ténue, nada como seguir atentamente as eleições internas do PS, um novo programa de humor que diariamente passa em todos os órgãos informativos (gostaria de destacar o Dr. João Soares e a Dra. Ana Gomes, personagens impagáveis do enredo). A coisa diverte, como é óbvio. E instiga ódios antigos, como é natural. Mas destas eleições internas ressalta uma evidência raramente discutida em Portugal e que é sintomática do actual estado da nossa jovem democracia: o aparelho partidário.
Para quem observa com atenção, o aparelho do PS tem-se revelado no máximo do seu esplendor e do seu patético aparato. Paga quotas a militantes a troco de votos, avança com autocarros para encher salas e restaurantes, ameaça quem pensa diferente, coordena assobios ou ovações, faz telefonemas e, se preciso for, provoca tumultos internos. É com ele [com o aparelho] que se fazem os principais partidos políticos portugueses (PS e PSD) pois é ele que escolhe os candidatos locais, que define as políticas e as obras para o seu concelho ou distrito, que manda no sítio e que ajuda a colocar no poder o futuro secretário-geral (e consequente candidato a primeiro-ministro) a troco de uma negociação de bastidores que poucos entendem, mas que vale sempre um número mais ou menos definido de votos e de cumplicidades futuras. Quando o partido está no poder é manso, mas bastante robusto nos dividendos porque exige a contrapartida do apoio dado; quando o partido está na oposição é perigoso porque quer rapidamente voltar à ribalta a qualquer preço. Nas situações em que o partido está dividido e aparentemente sem rumo, rende-se àquele que lhe dá maiores garantias. E aqui o termo garantias, pode ser lido de mil e uma maneiras diferentes. Basta usar a imaginação.
Quem é que acham que o aparelho do PS apoia? Como dizia um antigo professor meu: “Ah pois é!”.
Para quem observa com atenção, o aparelho do PS tem-se revelado no máximo do seu esplendor e do seu patético aparato. Paga quotas a militantes a troco de votos, avança com autocarros para encher salas e restaurantes, ameaça quem pensa diferente, coordena assobios ou ovações, faz telefonemas e, se preciso for, provoca tumultos internos. É com ele [com o aparelho] que se fazem os principais partidos políticos portugueses (PS e PSD) pois é ele que escolhe os candidatos locais, que define as políticas e as obras para o seu concelho ou distrito, que manda no sítio e que ajuda a colocar no poder o futuro secretário-geral (e consequente candidato a primeiro-ministro) a troco de uma negociação de bastidores que poucos entendem, mas que vale sempre um número mais ou menos definido de votos e de cumplicidades futuras. Quando o partido está no poder é manso, mas bastante robusto nos dividendos porque exige a contrapartida do apoio dado; quando o partido está na oposição é perigoso porque quer rapidamente voltar à ribalta a qualquer preço. Nas situações em que o partido está dividido e aparentemente sem rumo, rende-se àquele que lhe dá maiores garantias. E aqui o termo garantias, pode ser lido de mil e uma maneiras diferentes. Basta usar a imaginação.
Quem é que acham que o aparelho do PS apoia? Como dizia um antigo professor meu: “Ah pois é!”.
Estado
Em Portugal, o primeiro-ministro veio dizer que os hospitais se preparam para cobrar os tratamentos de acordo com o bolso do cliente. A receita é simples: quem pode pagar, paga; quem não pode, não paga. Brilhante, como sempre.
Sem colocar em causa a seriedade ou a necessidade da medida, é caso para se perguntar se a carroça não vai outra vez à frente dos bois. O Estado português continua, inexoravelmente, a fugir para a frente sem resolver o problema estrutural de enorme dimensão que o contagia e que devia ser a “mãe de todas as [suas] batalhas”: a fuga generalizada e instituída aos impostos.
Quando o Estado entra em colapso, o antídoto, para os governantes do novo século, é simples: inventam novos impostos ou despesas disfarçados de utilidade ou de justiça social ou do princípio do utilizador-pagador. Contudo, os políticos continuam confortavelmente a deixar fugir o grosso da fatia – precisamente aquela que alimenta a economia paralela que de norte a sul, nos mina como um cancro, que causa boa parte da injustiça social, mas que não impede que a compra de Jaguares em tempo de crise e de supostas vacas magras tenha quadruplicado. A eles basta punir a classe média com despesas acrescidas, ganhando algum tempo enquanto a coisa – o sistema em si – não rui de vez. Resta saber até quando a coisa se aguenta. Se é que ainda se aguenta.
A dificuldade central mantém-se: temos um Estado forte com os fracos e fraco – fraquíssimo – com os fortes. Só isso explica que ninguém se interesse em ir buscar o dinheiro onde ele realmente existe e continue a fazer de todos nós – generalidade da classe média – bodes expiatórios para a crise que não passa. A troco de quê? Isso não se sabe. Mas os senhores dos Jaguares com certeza que agradecem, porque a conta do hospital sempre deve dar para encher mais um depósito de gasolina.
Sem colocar em causa a seriedade ou a necessidade da medida, é caso para se perguntar se a carroça não vai outra vez à frente dos bois. O Estado português continua, inexoravelmente, a fugir para a frente sem resolver o problema estrutural de enorme dimensão que o contagia e que devia ser a “mãe de todas as [suas] batalhas”: a fuga generalizada e instituída aos impostos.
Quando o Estado entra em colapso, o antídoto, para os governantes do novo século, é simples: inventam novos impostos ou despesas disfarçados de utilidade ou de justiça social ou do princípio do utilizador-pagador. Contudo, os políticos continuam confortavelmente a deixar fugir o grosso da fatia – precisamente aquela que alimenta a economia paralela que de norte a sul, nos mina como um cancro, que causa boa parte da injustiça social, mas que não impede que a compra de Jaguares em tempo de crise e de supostas vacas magras tenha quadruplicado. A eles basta punir a classe média com despesas acrescidas, ganhando algum tempo enquanto a coisa – o sistema em si – não rui de vez. Resta saber até quando a coisa se aguenta. Se é que ainda se aguenta.
A dificuldade central mantém-se: temos um Estado forte com os fracos e fraco – fraquíssimo – com os fortes. Só isso explica que ninguém se interesse em ir buscar o dinheiro onde ele realmente existe e continue a fazer de todos nós – generalidade da classe média – bodes expiatórios para a crise que não passa. A troco de quê? Isso não se sabe. Mas os senhores dos Jaguares com certeza que agradecem, porque a conta do hospital sempre deve dar para encher mais um depósito de gasolina.
Evidentemente mediterrânico
Esplanada do café Estrela. Selecção nacional na Letónia. Sagres a quinhentos paus, bifanas e saladas de polvo. Aproxima-se um velho que me pede para se sentar à minha mesa. Sentou-se. Esperou dois minutos até encontrar o meu olhar, até ai perdido nos movimentos televisionados dos pupilos de Scolari, e pergunta-me de onde sou. Respondo e ele diz: eu também sou do mediterrâneo. Era sírio. Faz sentido.
O nosso homem em Londres
Pensaram que o indivíduo se ia calar? Pensaram que ia transformar os seus modos por respeito ao país onde trabalha, que ia deixar de ser malcriado e arrogante, que ia começar a sorrir? Pensaram mal. José Mourinho continua igual, sem tirar nem pôr. Os jornais ingleses adoram-no porque ele é notícia. Divertem-se com as suas baboseiras e esperam gulosos que Mourinho se espalhe para o ridicularizar implacavelmente. Já passaram cinco semanas e continuam à espera. Têm a certeza, no entanto, que o momento virá. Mourinho diz mal dos árbitros, não é polido com os adversários, diz mal dos métodos de treino em Inglaterra e chegou a insinuar, dirigindo-se ao mundo britânico, que só recebia lições de quem ganhava mais trofeus internacionais do que ele. Há alguém por aí que tenha ganho mais do que eu? Depois de afirmar que antes dele só Deus, o treinador de Setúbal afirmou que só o todo poderoso lhe tira o sono, sugerindo que os media ingleses lhe eram perfeitamente indiferentes. O homem já comprou mil guerras, mas é extraordinário o modo como pretende ganhá-las uma a uma.
Mourinho consegue, como todos sabemos, ser bastante irritante. Mas como estas coisas têm sempre que ser avaliadas dentro do seu próprio contexto, o nosso homem em Londres têm alguma graça. Habituados à emigração portuguesa da cabeça vergada, do trabalhador pouco instruído e economicamente debilitado vemos de repente aterrar na sobranceira capital do que foi o maior império do mundo um indivíduo obviamente latino, com um ar chateado, um ordenado milionário e uma confiança do tamanho do universo que o leva, com a maior das irresponsabilidades, a disparar para todo o lado enfrentando qualquer adversário, independendemente da sua origem, história, tradição, fleuma, etc. Continuamos à espera do momento da queda de Mourinho.
Mourinho consegue, como todos sabemos, ser bastante irritante. Mas como estas coisas têm sempre que ser avaliadas dentro do seu próprio contexto, o nosso homem em Londres têm alguma graça. Habituados à emigração portuguesa da cabeça vergada, do trabalhador pouco instruído e economicamente debilitado vemos de repente aterrar na sobranceira capital do que foi o maior império do mundo um indivíduo obviamente latino, com um ar chateado, um ordenado milionário e uma confiança do tamanho do universo que o leva, com a maior das irresponsabilidades, a disparar para todo o lado enfrentando qualquer adversário, independendemente da sua origem, história, tradição, fleuma, etc. Continuamos à espera do momento da queda de Mourinho.
sexta-feira, setembro 10, 2004
Presunções
O Dr. Soares filho, candidato a secretário-geral do PS defende que a experiência autárquica é fundamental para se poder assumir, com uma visão mais global e incisiva, responsabilidades governativas. Este é um dos argumentos que utiliza para justificar o porquê de ele ser melhor que os restantes para liderar os destinos do PS e, quiçá, do país (isto claro se entretanto toda a gente enlouquecer). A sua teoria apoia-se no exemplo francês que, aliás, é sempre muito usado, aparentemente com muito sucesso, entre os nossos socialistas.
Eu não sei em que país vive o Dr. Soares, mas não estou a ver que utilidade teria para o governo a experiência autárquica de gente como o Sr. Avelino de Canavezes, a Dra. Fátima de Felgueiras, a Dra. Edite de Sintra, o Dr. Judas de Cascais, o Dr. Menezes de Gaia ou o inefável e incasável Sr. Narciso de Matosinhos (embora este por lá tenha andado efemeramente). Tal como não estou a ver que tipo de mais-valia trouxe o Dr. Lopes ao país. Por que é que com o Dr. Soares isso seria diferente?
Eu não sei em que país vive o Dr. Soares, mas não estou a ver que utilidade teria para o governo a experiência autárquica de gente como o Sr. Avelino de Canavezes, a Dra. Fátima de Felgueiras, a Dra. Edite de Sintra, o Dr. Judas de Cascais, o Dr. Menezes de Gaia ou o inefável e incasável Sr. Narciso de Matosinhos (embora este por lá tenha andado efemeramente). Tal como não estou a ver que tipo de mais-valia trouxe o Dr. Lopes ao país. Por que é que com o Dr. Soares isso seria diferente?
quarta-feira, setembro 08, 2004
O Guerreiro
O Guerreiro é o antigo comandante do exército privado de um senhor feudal, numa Índia remota e cercada pelo deserto. Líder feroz e impiedoso ao serviço da extorsão da vida e das colheitas alimentares das aldeias sob o jugo inclemente do senhor, rebela-se, a certa altura, contra este ao abandonar o seu posto para regressar à aldeia natal. Imediatamente perseguido pelos sequazes do suserano, que se considerava afrontado na sua honra, vê o filho ser degolado às mãos dos anteriores companheiros de guerra, logo no início da sua viagem de retorno primordial.
Por entre paisagens desérticas e montanhas enregeladas, a viagem de retorno torna-se a partir desse momento um ritual da tentativa de expiação de antigos pecados, sempre presentes, seja pela activação espontânea da memória seja pelo acompanhamento inseparável de um descendente das suas inúmeras vítimas, símbolo do passado, ou pela repulsa da sábia anciã que busca as águas sagradas, no seu auxílio motor.
Amargurado pela sucessão de recordações, vagarosamente se arrasta sob tempestades de areia ou de areia, numa absoluta resignação aos desígnios providenciais, até chegar a ser encontrado pelo ambicioso antigo coadjuvante de epopeias de destruição. Abdicando da vingança imediata, coloca-se sob o alcance do punhal do sicário, até que o seu jovem companheiro de viagem, sombra do seu passado maldito, lhe salva a vida.
Notável do ponto de visto do enquadramento natural, o Guerreiro é uma metáfora singular do arrependimento e da busca de perdão.
Por entre paisagens desérticas e montanhas enregeladas, a viagem de retorno torna-se a partir desse momento um ritual da tentativa de expiação de antigos pecados, sempre presentes, seja pela activação espontânea da memória seja pelo acompanhamento inseparável de um descendente das suas inúmeras vítimas, símbolo do passado, ou pela repulsa da sábia anciã que busca as águas sagradas, no seu auxílio motor.
Amargurado pela sucessão de recordações, vagarosamente se arrasta sob tempestades de areia ou de areia, numa absoluta resignação aos desígnios providenciais, até chegar a ser encontrado pelo ambicioso antigo coadjuvante de epopeias de destruição. Abdicando da vingança imediata, coloca-se sob o alcance do punhal do sicário, até que o seu jovem companheiro de viagem, sombra do seu passado maldito, lhe salva a vida.
Notável do ponto de visto do enquadramento natural, o Guerreiro é uma metáfora singular do arrependimento e da busca de perdão.
O PP da Madeira
Na Madeira, o PP do sítio, através do seu mandatário regional Ricardo Vieira um histórico do partido (embora ainda seja muito novo), apresentou a sua lista de candidatos às próximas eleições regionais. Por entre promessas de enorme combate, competência e mérito, tudo apanágio dos candidatos desta confraria (e de outras também), destaca-se, das palavras do dito mandatário, a enorme presença de mulheres e de jovens que compõem esta sociedade meio anónima. A coisa promete.
Ora tenho para mim que de cada vez que um partido fala muito em presenças femininas e de jovens é porque pretende disfarçar algum problema estrutural, utilizando uma estratégia que visa chamar a atenção para um dado que é precisamente irrelevante, ao mesmo tempo que se desmarca do dilema principal. E a verdade, apesar da retórica e das supostas elevadas percentagens de representantes de mulheres e jovens, é essa mesma: o PP, apesar da festança, não tem nenhuma mulher nem nenhum jovem em lugar elegível. Com a lata do costume, explorando este tipo de demagogia abjecta que não disfarça a crise e a manifesta incapacidade de renovação dos seus quadros, eis o PP da Madeira no seu melhor: muito grande nas juras, tão mesquinho nos actos.
Ora tenho para mim que de cada vez que um partido fala muito em presenças femininas e de jovens é porque pretende disfarçar algum problema estrutural, utilizando uma estratégia que visa chamar a atenção para um dado que é precisamente irrelevante, ao mesmo tempo que se desmarca do dilema principal. E a verdade, apesar da retórica e das supostas elevadas percentagens de representantes de mulheres e jovens, é essa mesma: o PP, apesar da festança, não tem nenhuma mulher nem nenhum jovem em lugar elegível. Com a lata do costume, explorando este tipo de demagogia abjecta que não disfarça a crise e a manifesta incapacidade de renovação dos seus quadros, eis o PP da Madeira no seu melhor: muito grande nas juras, tão mesquinho nos actos.
Não há festa como esta!
Texto da Catarina, que se esqueceu da sua senha de acesso...
"Para camaradas, amigos ou simples visitantes.
Fiz a minha estreia na festa do avante ao som do Godinho e do Palma “ ... vou ao fundo do mar, no corpo de uma mulher ...”. O espírito vermelho cresceu dentro de mim e, de repente, tudo fazia sentido por uma noite : o som, os cheiros genuínos de quem dispensa desodorizantes, o caldo verde, o pão partilhado, as mãos das crianças a bater o compasso nas cabeças desprotegidas de pais complacentes, as bandeiras ao rubro, a percussão ensurdecedora dos toca-a-rufar ... , os sons de beijos molhados aqui e ali, entre sorrisos (“hoje soube-me a tanto ...”) , enquanto nas tendas se adivinham as trocas de fluidos feitas de amor incondicional (na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida ...) . O Saramago dentro da tenda a dar autógrafos, em troca dos olhares lacrimejantes de quem lhe devora os caracteres impressos e sente que o reconhece, por detrás dos óculos. Aproximam-se e identificam-se, para que saiba a quem dedicar mais umas páginas, e ele, o mestre, nem se levanta, e mal olha : a admiração incondicional também é feita destes pequenos nadas, destes snobismos de artista, que todos desculpam (e admiram) : Ele é mesmo assim ... E afinal nem tanto os separa (uma mesa tosca) , como o que os une (1 livro, a tinta derramada com o seu e o meu nome desenhados na mesma frase, uma frase de dádiva que começa com : PARA ... um PARA que se abre numa imensidão interminável de possibilidades e se fecha naquele olhar inebriado de quem, por momentos, é a razão única de ser daquele livro e daquele homem (um Nobel, um nobre ), que escreve para ser lido, que escreve para MIM. Um aperto de mão sela o pacto de promessas surdas (eu continuarei a ler, tu continuarás a escrever), e traz de novo a consciência de que são, afinal, tão semelhantes : de carne e osso. Corre-se para o telemovel : “Tou, ... olha, ... sim, está aqui, eu vi-o ! ...” , ( e o mais importante fica, submerso, por dizer : ... “e ele também me viu !” ) Sempre é verdade : não há festa como esta ! Catarina A R"
"Para camaradas, amigos ou simples visitantes.
Fiz a minha estreia na festa do avante ao som do Godinho e do Palma “ ... vou ao fundo do mar, no corpo de uma mulher ...”. O espírito vermelho cresceu dentro de mim e, de repente, tudo fazia sentido por uma noite : o som, os cheiros genuínos de quem dispensa desodorizantes, o caldo verde, o pão partilhado, as mãos das crianças a bater o compasso nas cabeças desprotegidas de pais complacentes, as bandeiras ao rubro, a percussão ensurdecedora dos toca-a-rufar ... , os sons de beijos molhados aqui e ali, entre sorrisos (“hoje soube-me a tanto ...”) , enquanto nas tendas se adivinham as trocas de fluidos feitas de amor incondicional (na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida ...) . O Saramago dentro da tenda a dar autógrafos, em troca dos olhares lacrimejantes de quem lhe devora os caracteres impressos e sente que o reconhece, por detrás dos óculos. Aproximam-se e identificam-se, para que saiba a quem dedicar mais umas páginas, e ele, o mestre, nem se levanta, e mal olha : a admiração incondicional também é feita destes pequenos nadas, destes snobismos de artista, que todos desculpam (e admiram) : Ele é mesmo assim ... E afinal nem tanto os separa (uma mesa tosca) , como o que os une (1 livro, a tinta derramada com o seu e o meu nome desenhados na mesma frase, uma frase de dádiva que começa com : PARA ... um PARA que se abre numa imensidão interminável de possibilidades e se fecha naquele olhar inebriado de quem, por momentos, é a razão única de ser daquele livro e daquele homem (um Nobel, um nobre ), que escreve para ser lido, que escreve para MIM. Um aperto de mão sela o pacto de promessas surdas (eu continuarei a ler, tu continuarás a escrever), e traz de novo a consciência de que são, afinal, tão semelhantes : de carne e osso. Corre-se para o telemovel : “Tou, ... olha, ... sim, está aqui, eu vi-o ! ...” , ( e o mais importante fica, submerso, por dizer : ... “e ele também me viu !” ) Sempre é verdade : não há festa como esta ! Catarina A R"
segunda-feira, setembro 06, 2004
Queremos mesmo que Bush se vá embora?
A questão parece estranha, mas confesso que não conheço a resposta. O problema nem passa pelo argumento de que Bush e Kerry são iguais e que republicanos e democratas representam, cada qual à sua maneira, a América dos interesses. Se esta última afirmação é no geral verdadeira é justo afirmar que Bush e Kerry não são totalmente iguais. Bush é uma versão mais rude, violenta e perigosa de Reagan. Bush é a prova que a democracia pode transformar-se numa completa aberração, uma retórica dirigida a autênticos mentecaptos, um simplificação absoluta das ideias, uma prática maniqueista primária, manipulatória e, como se pode observar, criminosa e assassina. Neste sentido, Bush é pior, talvez não muito pior, mas efectivamente pior. Para o povo americano é melhor que Kerry ganhe. Com Kerry, não que dele se esperem maravilhas, os direitos sociais vão aguentar-se e a economia talvez cresça, à semelhança do que sucedeu com Clinton.
Mas noutro sentido, talvez seja melhor que Bush ganhe. A consciencialização política de largas camadas da população do mundo, especialmente aquelas que mais afastadas estão da vida cívica e política, deve muito ao presidente Bush. Os seus modos básicos chegam tão rapidamente aos seus apoiantes como às pessoas que acham a política algo esotérico e distante, coisa de especialistas. Quantas pessoas passaram a ter opinião política desde que Bush apareceu? Quantas pessoas se juntaram a manifestações porque o alvo era George W. Bush e a política imperialista americana. Os movimentos sociais na Europa e no Mundo ganharam muito com Bush, apesar de, por vezes, de forma errada, se confundir a política americana com o povo americano. Queremos mesmo que Bush se vá embora?
Mas noutro sentido, talvez seja melhor que Bush ganhe. A consciencialização política de largas camadas da população do mundo, especialmente aquelas que mais afastadas estão da vida cívica e política, deve muito ao presidente Bush. Os seus modos básicos chegam tão rapidamente aos seus apoiantes como às pessoas que acham a política algo esotérico e distante, coisa de especialistas. Quantas pessoas passaram a ter opinião política desde que Bush apareceu? Quantas pessoas se juntaram a manifestações porque o alvo era George W. Bush e a política imperialista americana. Os movimentos sociais na Europa e no Mundo ganharam muito com Bush, apesar de, por vezes, de forma errada, se confundir a política americana com o povo americano. Queremos mesmo que Bush se vá embora?
O Trabalho no mundo
1) O Guardian publicou, na sua edição do último dia dois de Setembro, os resultados de um relatório do International Labour Office sobre o universo laboral. Noventa países foram colocados numa escala segundo vários critérios: salário, representação sindical, segurança do posto de trabalho, segurança no trabalho, direitos de saúde e segurança social, entre outros. Os resultados, no geral, não são muito surpreendentes. Em primeiro lugar a Suécia, depois a Finlândia, a Noruega, a Dinamarca, a Holanda, a Bélgica, a França, o Luxemburgo, a Alemanha e o Canadá. Portugal surge no 14.º lugar, depois da Irlanda, da Áustria e da Espanha e imediatamente à frente do Reino Unido. Os Estados Unidos, o país mais rico do mundo, estão em 25.º lugar. O primeiro país asiático é o Japão, em 18.º lugar e não há quaisquer sinais de países árabes nem das novas democracias do leste da Europa entre os primeiros 20. Na cauda da tabela está, como se esperaria, um contingente de países africanos. Segundo o mesmo relatório, a progressiva privatização dos sistemas de segurança social tem levado a um efectivo empobrecimento das populações. Contra esta tendência foi apontado como factor positivo o incremento das pensões sociais no Brasil.
2) A luta contra a União Europeia é, nos nossos dias, um anacronismo. É elementar, no entanto, desejar uma outra Europa. O primeiro passo para alcançar este objectivo passa por impedir todas as forças que pretendem destruir um modelo de direitos sociais e do trabalho que, sendo já de si bastante débil e injusto, ainda faz da Europa um lugar à parte no contexto mundial. As últimas tendências não são, infelizmente, positivas.
3) O resultado alcançado por Portugal é, de certo modo, espantoso, nomeadamente porque o país chegou a 74 com uma infra-estrutura de apoio social e de direitos do trabalho muito débil, quando comparada, por exemplo, com o pujante welfare-state britânico construído depois da Segunda Guerra Mundial. É útil olhar para a história portuguesa destes últimos 30 anos e procurar os momentos e as causas que proporcionaram a inversão. Não será difícil perceber, basta olhar para as estatísticas, que o grande momento de social-democratização do país foi precisamente o período revolucionário após o 25 de Abril de 74. Tarefa realizada, refira-se, em contra-ciclo económico. Também não é difícil compreender que o maior ataque a este conjunto de direitos se realizou a partir dos anos noventa, pela mão de governos socialistas e sociais-democratas. Basta olhar, por exemplo, para a evolução da legislação dos contratos a prazo. Quanto tempo mais nos vamos aguentar no 14.º lugar?
2) A luta contra a União Europeia é, nos nossos dias, um anacronismo. É elementar, no entanto, desejar uma outra Europa. O primeiro passo para alcançar este objectivo passa por impedir todas as forças que pretendem destruir um modelo de direitos sociais e do trabalho que, sendo já de si bastante débil e injusto, ainda faz da Europa um lugar à parte no contexto mundial. As últimas tendências não são, infelizmente, positivas.
3) O resultado alcançado por Portugal é, de certo modo, espantoso, nomeadamente porque o país chegou a 74 com uma infra-estrutura de apoio social e de direitos do trabalho muito débil, quando comparada, por exemplo, com o pujante welfare-state britânico construído depois da Segunda Guerra Mundial. É útil olhar para a história portuguesa destes últimos 30 anos e procurar os momentos e as causas que proporcionaram a inversão. Não será difícil perceber, basta olhar para as estatísticas, que o grande momento de social-democratização do país foi precisamente o período revolucionário após o 25 de Abril de 74. Tarefa realizada, refira-se, em contra-ciclo económico. Também não é difícil compreender que o maior ataque a este conjunto de direitos se realizou a partir dos anos noventa, pela mão de governos socialistas e sociais-democratas. Basta olhar, por exemplo, para a evolução da legislação dos contratos a prazo. Quanto tempo mais nos vamos aguentar no 14.º lugar?
sexta-feira, setembro 03, 2004
Seinfeld - o Regresso
Agora, que já estamos na contagem decrescente para a reexibição do Verdadeiro Artista (dia 20 de Setembro, na Sic Radical), a horas decentes para a maioria dos seres, fica aqui um pequeno aperitivo:
"Porque será tão difícil e desconfortável estar nu? É porque quando estamos vestidos, é sempre possível fazer aqueles pequenos arranjos, que as pessoas adoram fazer. Puxar, endireitar, ajustar. Achamos que estamos a ficar bem. «Ah, estou mesmo jeitoso. Sinto-me bem, muito bem». Mas quando estamos nus, não há nada a fazer. «Pronto, é isto. Não posso fazer mais nada.»
É por isso que eu gosto de pôr um cinto quando estou nu. Sinto que tenho qualquer coisa. Gostava de ter uns bolsos pendurados no cinto. Não era o máximo? Imaginem! Estar nu e, mesmo assim, conseguir pôr as mãos nos bolsos. Acho que seria uma grande ajuda."
"Porque será tão difícil e desconfortável estar nu? É porque quando estamos vestidos, é sempre possível fazer aqueles pequenos arranjos, que as pessoas adoram fazer. Puxar, endireitar, ajustar. Achamos que estamos a ficar bem. «Ah, estou mesmo jeitoso. Sinto-me bem, muito bem». Mas quando estamos nus, não há nada a fazer. «Pronto, é isto. Não posso fazer mais nada.»
É por isso que eu gosto de pôr um cinto quando estou nu. Sinto que tenho qualquer coisa. Gostava de ter uns bolsos pendurados no cinto. Não era o máximo? Imaginem! Estar nu e, mesmo assim, conseguir pôr as mãos nos bolsos. Acho que seria uma grande ajuda."
quinta-feira, setembro 02, 2004
Renovadores
Segundo “A Capital” o Eng. Sócrates quer os renovadores do PC nos futuros estados-gerais do PS, uma espécie de encontro muito conhecido entre as luminárias do partido e, dizem, da sociedade civil. A trama já era conhecida, mas só agora foi escrupulosamente revelada àqueles que ainda tinham dúvidas. Usar os dissidentes para engrossar as fileiras de um projecto político que é um misto de nada com coisa nenhuma só serve para destapar o rabo da verdadeira intenção dos ditos renovadores e dos pseudo-socialistas: destruir o PC e fortalecer o PS. Tão óbvio.
Persil
Uma das coisas mais interessantes do mundo publicidade é a sua capacidade latente de fazer-nos entrar num mundo novo sem darmos por isso. Ontem, a olhar estarrecido para a televisão, dei por mim, gentileza do Persil, a invadir uma toalha de mesa e a remover nódoas graças a uns princípios activos que só os químicos, e pelos vistos os publicitários, conhecem. Fiquei maravilhado: a tecnologia hoje faz milagres e não engana. E fá-lo não só por mim; fá-lo por muita gente. É comovedor.
A coisa é simples: põe-se um tipo bem-falante a convencer uma tipa mãe de família, que é um pouco mais do que estúpida, que perde imenso tempo no seu dia-a-dia porque não conhece os atributos do novo produto em questão – geralmente uma variante nova de um produto já existente – que remove todas as nódoas. A senhora maravilhada olha depois - já antes havia olhado para o antes - para o resultado final e reconhece o valor da coisa e o tempo de chatices que poupou.
Nunca percebi bem o alcance deste drama das nódoas que não caem, mas uma coisa veio-me à memória. Lembrei-me da recente tese do Ministro Sarmento sobre o papel das mulheres na família e na sociedade. Será o Persil o elemento que faltava e uma das medidas do governo para dar mais tempo e dignidade às mulheres?
A coisa é simples: põe-se um tipo bem-falante a convencer uma tipa mãe de família, que é um pouco mais do que estúpida, que perde imenso tempo no seu dia-a-dia porque não conhece os atributos do novo produto em questão – geralmente uma variante nova de um produto já existente – que remove todas as nódoas. A senhora maravilhada olha depois - já antes havia olhado para o antes - para o resultado final e reconhece o valor da coisa e o tempo de chatices que poupou.
Nunca percebi bem o alcance deste drama das nódoas que não caem, mas uma coisa veio-me à memória. Lembrei-me da recente tese do Ministro Sarmento sobre o papel das mulheres na família e na sociedade. Será o Persil o elemento que faltava e uma das medidas do governo para dar mais tempo e dignidade às mulheres?
terça-feira, agosto 31, 2004
A oriente tudo de novo
Tenho partilhado a minha condição de estudante no Reino Unido com uma vasta comunidade oriental. Chineses, japoneses, coreanos, tailandeses, etc Temo-nos dado bem e uma japonesa chegou mesmo a dizer-me que eu era parecido com o primo dela, mas para não me preocupar – como se uma comparação com um oriental fosse uma espécie de ofensa. Entre japoneses mais sofisticados e chineses mais tímidos uma coisa em comum: a obsessão com o ocidente e, especialmente, com o american way of life. A China é um caso particularmente interessante. As roupas, as marcas, os gestos, as séries de televisão, o cinema, os carros, são ambicionados por milhões de chineses (muitos milhões digamos). A grande maioria dos chineses que frequentam a SOAS estão a expensas das famílias. Estamos a falar de quase três mil contos por ano de propinas mais os custos da habitação, alimentação, etc. Asseverou-me o chinês que já há muita gente na China a poder pagar tais quantias. As universidades britânicas agradecem.
Portugal Olímpico
Tenho à minha frente o quadro completo das medalhas atribuídas nos jogos olímpicos de Atenas. Portugal situa-se no 61.º lugar entre os setenta e cinco países que ganharam alguma coisa. A equipa nacional alcançou duas medalhas de prata e uma de bronze. Destas, apenas a última me parece poder ser considerada o resultado de um qualquer investimento estrutural. Rui Silva é há muito um valor evidente e, embora não se esperasse dele uma medalha, sabia-se que poderia fazer um bom resultado. O feito de Sérgio Paulinho, sem lhe tirar o mérito, muito dificilmente se voltará a repetir. Foi, de certa forma, um feliz acaso. Francis Obikwelu é um nigeriano que treina em Espanha e que Portugal, e muito bem, acolheu na sua equipa. É fantástico o que fez, mas não se pode considerar o produto da política desportiva do país. Não é preciso recorrer ao quadro de medalhas para perceber o desastre que é a actividade desportiva em Portugal. No país do futebol fala-se muito e pratica-se pouco. Agitam-se bandeirinhas pela pátria mas não se percebe quão efémeras são as conquistas do futebol face à fragilidade de tudo o resto. É certo que as medalhas não são o único, sem sequer o melhor, critério de avaliação da saúde desportiva de uma população. Mas basta ouvir as queixas de atletas, nadadores, judocas, velejadores, corredores, etc, para perceber que o que fazem é quase sempre muito mais do que tinham que fazer. É nestas ocasiões que os argumentos esgrimidos por aqueles que lutaram contra o “país dos dez estádios” parecem realmente válidos.
Valentim
O Sr. Valentim Loureiro, cacique português muito conhecido, presidente de várias coisas e empresário muito importante da região norte (com algumas ramificações por terras africanas) andou a distribuir elogios numa recente visita que fez por uma das freguesias lá do seu feudo. Andou ele a elogiar, imaginem, José Sócrates, candidato a secretário-geral do PS e putativo candidato a primeiro-ministro de Portugal. Eu não sei que tipo de intimidade (para além do programa Polis) existe entre estes dois inefáveis e surpreendentes amigos, mas cheira-me que há elogios piores que qualquer ataque pessoal, como o Dr. Sócrates deve estar a imaginar. Este é um caso simples e paradigmático disso mesmo. Com amigos surpreendentes destes, quem precisa de inimigos?
Os 3 candidatos do PS
O candidato do passado
Manuel Alegre
O candidato do presente
José Sócrates
O candidato sem futuro
João Soares
Manuel Alegre
O candidato do presente
José Sócrates
O candidato sem futuro
João Soares
quinta-feira, agosto 26, 2004
(IV) Madeira - Agosto 2004
Enquanto não podem aceder à SIC e à TVI os madeirenses lá se vão entretendo com as Semanas Gastronómicas dedicadas às especialidades locais (Lapas, Polvo de escabeche, Queijadas, Pudins de maracujá, entre outras), quase sempre fartamente oferecidas em bandeja por belas moçoilas, como acontece no Machico, terra de muitos “comunas”, como carinhosamente e sem desdém nenhum o Jornal da Madeira costuma caricaturar os seus naturais...
Evento já razoavelmente enraizado na história, é apenas mais um dos atractivos da Ilha da Madeira dignos de uma visita.
Evento já razoavelmente enraizado na história, é apenas mais um dos atractivos da Ilha da Madeira dignos de uma visita.
(III) Madeira - Agosto 2004
Por falar em media, a presença in loco na Madeira permitiu-me ficar a saber que os canais televisivos SIC e TVI, felizmente, não estão disponíveis em sinal aberto, mas apenas para os assinantes das ligações por cabo.
Mas ao que parece, azar dos azares, esta situação será em breve corrigida, por pressão das forças políticas, incluindo o PCP, que na voz do seu líder regional, Edgar Silva invocava ainda o imperativo ético do Estado comparticipar a totalidade do preço do descodificador necessário para tal visualização (15 contos na moda antiga). Ou seja, em breve será possível a todos os madeirenses terem nos seus ecrãs a projecção diária de 17 novelas brasileiras e 15 portuguesas, distribuídas pelos dois canais, reality-shows com farturinha e noticiários televisivos dedicados às aparições de extra-terrestres no Alvito e de fantasmas na casa dos Gomes em Vila Franca das Naves (Guarda).
Estavam os madeirense muito bem até hoje, imunes ao nivelamento por cima que os citados canais televisivos trouxeram ao espaço televisivo e vem o Padre Edgar exigir que o Estado faculte gratuitamente o acesso aos mesmos. Só apetece fazer-lhe o mesmo que a figura do Bordalo.
Ao Padre Edgar propunha, em alternativa, que em vez de andar a defender que o dinheiro dos contribuintes que vá ser desbaratado em descodificadores, com insígnias apregoe que o metal valioso seja melhor afortunado na compra dos primeiros três volumes do Capital para todos os cidadãos da Madeira. Seria uma atitude que contemplava certamente maior valor educativo e cultural do que andar a dar-lhes a SIC e a TVI. E os madeirense agradeciam, com certeza!
Mas ao que parece, azar dos azares, esta situação será em breve corrigida, por pressão das forças políticas, incluindo o PCP, que na voz do seu líder regional, Edgar Silva invocava ainda o imperativo ético do Estado comparticipar a totalidade do preço do descodificador necessário para tal visualização (15 contos na moda antiga). Ou seja, em breve será possível a todos os madeirenses terem nos seus ecrãs a projecção diária de 17 novelas brasileiras e 15 portuguesas, distribuídas pelos dois canais, reality-shows com farturinha e noticiários televisivos dedicados às aparições de extra-terrestres no Alvito e de fantasmas na casa dos Gomes em Vila Franca das Naves (Guarda).
Estavam os madeirense muito bem até hoje, imunes ao nivelamento por cima que os citados canais televisivos trouxeram ao espaço televisivo e vem o Padre Edgar exigir que o Estado faculte gratuitamente o acesso aos mesmos. Só apetece fazer-lhe o mesmo que a figura do Bordalo.
Ao Padre Edgar propunha, em alternativa, que em vez de andar a defender que o dinheiro dos contribuintes que vá ser desbaratado em descodificadores, com insígnias apregoe que o metal valioso seja melhor afortunado na compra dos primeiros três volumes do Capital para todos os cidadãos da Madeira. Seria uma atitude que contemplava certamente maior valor educativo e cultural do que andar a dar-lhes a SIC e a TVI. E os madeirense agradeciam, com certeza!
O Barco do Aborto I
Sinceramente, dizer que o barco do aborto vem a convite de organizacoes femininistas e lesbicas e dize-lo com tamanho desprezo so demonstra o extremo populismo das tuas afirmacoes. O teu, tambem lider, Paulo Portas, com tiques de ditador Castrista, o tal Castro que tu julgas ser comunista e comer criancinhas ao pequeno almoco, diz que o debate nao devera ocorrer. Um contra-senso num pais que se diz democratico... A questao do aborto e tambem e acima de tudo uma questao de saude publica como tal devera ser debatida sempre, em Agosto ou Dezembro, nao importa quando pois ha muitos portugueses nao politicos (porque os ha, sabias?) que nao estao de ferias ‘parlamentares’ e quererao talvez que a discussao salte para a praca publica. O aborto e tambem uma questao social. Espelha o deficit de educacao sexual nas escolas, de educacao sexual familiar e, mais grave, espelha a deficiente estruturacao e rede de gabinetes de planeamento familiar. Infelizmente espelha tambem a ignorancia, a rudeza dos portugueses que se armam de pudor e de conceitos religiosamente informados para falarem de sexo.
O barco do aborto tem salvo vidas de mulheres que se tivessem ido faze-lo a um vao de escada se arriscariam a ficar estereis, a sofrerem de outras complicacoes graves, ou ate a morrerem. Talvez tu aches que isso sera apenas a consequencia dos seus actos e que quem semeia ventos colhe tempestades. No entanto, quem semeia tais ventos nao sao as mulheres... E ja agora, eu que nao sou ‘Bloquista’ faco aqui um Ave ao Bloco que incansavelmente tem trazido esta questao a praca publica. Para que nao esta habituado a democracias plenas, e para isso que os partidos servem: para representarem os interesses dos cidadaos. Em certas ilhas ha quem chama a isto ‘exploracao mediatica e extemporanea de assuntos problematicos’. Ok...
O barco do aborto tem salvo vidas de mulheres que se tivessem ido faze-lo a um vao de escada se arriscariam a ficar estereis, a sofrerem de outras complicacoes graves, ou ate a morrerem. Talvez tu aches que isso sera apenas a consequencia dos seus actos e que quem semeia ventos colhe tempestades. No entanto, quem semeia tais ventos nao sao as mulheres... E ja agora, eu que nao sou ‘Bloquista’ faco aqui um Ave ao Bloco que incansavelmente tem trazido esta questao a praca publica. Para que nao esta habituado a democracias plenas, e para isso que os partidos servem: para representarem os interesses dos cidadaos. Em certas ilhas ha quem chama a isto ‘exploracao mediatica e extemporanea de assuntos problematicos’. Ok...
quarta-feira, agosto 25, 2004
O chefe de gabinete do Dr. Rio
O Dr. Rui Rio do Porto tem um chefe de gabinete que ganha mais do que o devido. O caso não é estranho: na causa pública toda a gente gosta de pagar um pouco mais a toda a gente porque parece que o dinheiro não é de ninguém. Já nada escandaliza o indígena e não há limites para a sua imaginação.
No regabofe nacional, vale tudo: até pedir pareceres de encomenda que justifiquem que um chefe de gabinete de uma Câmara Municipal ganhe mais do que um Presidente da República. Sentido e perplexo, imagino o Dr. Rio ao espelho da transparência que ele tanto defende: “Faz o que eu digo; não o que eu faço”. Pois, pois...
No regabofe nacional, vale tudo: até pedir pareceres de encomenda que justifiquem que um chefe de gabinete de uma Câmara Municipal ganhe mais do que um Presidente da República. Sentido e perplexo, imagino o Dr. Rio ao espelho da transparência que ele tanto defende: “Faz o que eu digo; não o que eu faço”. Pois, pois...
O Barco do Aborto
O barco do aborto chega a Portugal no domingo a convite de uma série de organizações feministas e lésbicas ligadas aos populistas do Bloco de Esquerda. Temo que fazer da questão do aborto uma questão de circo, onde apenas se procura a exploração mediática e extemporânea de casos problemáticos e sempre difíceis, não ajude verdadeiramente à causa de quem luta pela liberalização do aborto. Muito pelo contrário.
A questão do aborto é uma questão nacional que ultrapassa largamente quer a representatividade do Bloco quer a representatividade das associações a ele ligadas. E, como é óbvio, não precisa de ir a reboque de nenhum deles. Nem de cativar a agenda vazia de Agosto.
É tempo do Bloco perceber que esta exploração abjecta das mulheres que estão desesperadas é um acto indigno que revela plenamente a natureza vil deste tipo de organização política e que impede a realização de um debate e de acções concretas que despachem de uma vez por todas este assunto. Ao Bloco alguém tem de explicar que a radicalização de palavras e de actos só contribui para extravasar ódios e impedir soluções.
A questão do aborto é uma questão nacional que ultrapassa largamente quer a representatividade do Bloco quer a representatividade das associações a ele ligadas. E, como é óbvio, não precisa de ir a reboque de nenhum deles. Nem de cativar a agenda vazia de Agosto.
É tempo do Bloco perceber que esta exploração abjecta das mulheres que estão desesperadas é um acto indigno que revela plenamente a natureza vil deste tipo de organização política e que impede a realização de um debate e de acções concretas que despachem de uma vez por todas este assunto. Ao Bloco alguém tem de explicar que a radicalização de palavras e de actos só contribui para extravasar ódios e impedir soluções.
Cansaços
O Benfica perdeu a eliminatória que lhe dava acesso à milionária liga que de campeões já tem muito pouco. Trapattoni aponta o cansaço como um dos responsáveis pela derrota aziaga e inapelável às mãos (neste caso, pés) de um Anderlecht acessível, mas que ontem parecia de outro mundo.
É caso para perguntar se é normal uma equipa de topo estar cansada depois de apenas ter disputado três jogos oficiais esta época. E é caso para perguntar ainda se este jogo, talvez dos mais decisivos de toda a época para o Benfica, era razão para ser assim tão negligenciado como parece que foi.
É caso para perguntar se é normal uma equipa de topo estar cansada depois de apenas ter disputado três jogos oficiais esta época. E é caso para perguntar ainda se este jogo, talvez dos mais decisivos de toda a época para o Benfica, era razão para ser assim tão negligenciado como parece que foi.
terça-feira, agosto 24, 2004
(II) Madeira - Agosto 2004
Retomando a crónica madeirense, e depois da aclaração de alguns dos aspectos passíveis de provocar consideráveis contratempos às pessoas e às viaturas, (tinha-me esquecido da amplitude de remendos no alcatrão em quase tudo o que é estrada!) mesmo àquelas máquinas de grande qualidade e capacidade de resistência, como são o caso do Ford Ka e do Nissan Micra, arriscaria dizer, ainda assim, que nenhum deles consegue concorrer tanto para a má imagem da ilha como o cenário com que nos deparámos na discoteca JAM.
Nesse cenário, nem mais nem menos do que o localmente apelidado de “Quinhentitos”, Presidente do Nacional da Madeira, num estilo muito "à lá Intendente", mirava as moças que bailavam na pista de dança, encostado ao balcão e envergando uma t-shirt sem mangas e uma pulseira verde fluorescente. Atroz imagem para o turismo de qualquer região!
A banir rapidamente, portanto.
Falando de coisas mais propensas a deixarem uma boa impressão nos visitantes, seremos obrigados a mencionar o carácter consideravelmente prolixo da imprensa local.
Com 3 ou 4 jornais diários, e pelo menos um semanário, se não me engano, e com particular destaque para o Diário de Notícias da Madeira, cuja tiragem chega perto dos 20.000 exemplares,(certamente um dos líderes da imprensa regional), depreende-se daqui que a taxa de leitura de jornais na Madeira é francamente superior à da média da população do Continente (embora, por exemplo, a leitura do Jornal de Notícias da Madeira, a julgar pela edições que vimos, quase sempre com um editorial do Presidente do Governo Regional, em topo de página, por sua vez também ele quase sempre secundado por um outro texto de um líder de um organismo público regional a distribuir encómios ao primeiro, não me pareça prefigurar este como uma mais valia de informação isenta...)
Continua...
Nesse cenário, nem mais nem menos do que o localmente apelidado de “Quinhentitos”, Presidente do Nacional da Madeira, num estilo muito "à lá Intendente", mirava as moças que bailavam na pista de dança, encostado ao balcão e envergando uma t-shirt sem mangas e uma pulseira verde fluorescente. Atroz imagem para o turismo de qualquer região!
A banir rapidamente, portanto.
Falando de coisas mais propensas a deixarem uma boa impressão nos visitantes, seremos obrigados a mencionar o carácter consideravelmente prolixo da imprensa local.
Com 3 ou 4 jornais diários, e pelo menos um semanário, se não me engano, e com particular destaque para o Diário de Notícias da Madeira, cuja tiragem chega perto dos 20.000 exemplares,(certamente um dos líderes da imprensa regional), depreende-se daqui que a taxa de leitura de jornais na Madeira é francamente superior à da média da população do Continente (embora, por exemplo, a leitura do Jornal de Notícias da Madeira, a julgar pela edições que vimos, quase sempre com um editorial do Presidente do Governo Regional, em topo de página, por sua vez também ele quase sempre secundado por um outro texto de um líder de um organismo público regional a distribuir encómios ao primeiro, não me pareça prefigurar este como uma mais valia de informação isenta...)
Continua...
segunda-feira, agosto 23, 2004
Dilemas existenciais
O Sr. Fernando Santos confessa numa entrevista ao diário desportivo “A Bola” que ainda não percebeu porque saiu do Sporting. Como parece que memória é coisa que não abunda nesta cabeça, eis a enumeração de três singelos acontecimentos ocorridos na época passada, qualquer um deles motivo mais do suficiente para um despedimento com justa causa:
- a perda do acesso à Liga dos Campeões, em casa, frente ao seu maior rival;
- a eliminação da Taça de Portugal em Alvalade às mãos de um clube de divisão inferior;
- e a humilhação sofrida em casa por uma equipa vinda da Turquia (não sei escrever o nome) que provocou a eliminação do Sporting da Taça UEFA.
Espero assim ter contribuído para a resolução deste enorme dilema na cabeça do Sr. Santos.
- a perda do acesso à Liga dos Campeões, em casa, frente ao seu maior rival;
- a eliminação da Taça de Portugal em Alvalade às mãos de um clube de divisão inferior;
- e a humilhação sofrida em casa por uma equipa vinda da Turquia (não sei escrever o nome) que provocou a eliminação do Sporting da Taça UEFA.
Espero assim ter contribuído para a resolução deste enorme dilema na cabeça do Sr. Santos.
sexta-feira, agosto 20, 2004
O idiota
O Sr. Gilberto Madaíl veio mais uma vez comodamente lavar as mãos perante aquilo que aconteceu com a selecção olímpica portuguesa. Mais uma vez o dirigente federativo nada tem a ver com o assunto como das suas ténues declarações se depreende. Contudo, pede desculpa. É preciso que alguém lembre ao Sr. Madaíl que ele é o principal responsável por tudo isto uma vez que ele supostamente é o homem do leme. Quando não se pune exemplarmente atitudes como a de Sá Pinto (que voltou a ser convocado à selecção depois da agressão), a de João Pinto (um mentecapto sem nível nenhum) ou a de Amoreirinha (tentativa de homicídio em directo sobre um jogador italiano na final de Toulon); quando se escamoteia aquilo que aconteceu na Coreia com todo o bando envolvido, deixando a culpa morrer mais uma vez solteira; ou quando se deixa passar a triste e lamentável cena dos balneários franceses, está-se a ser conivente e a dar azo a que outras situações se sucedam, como de facto vieram a acontecer. É tempo de deixar de tratar estes tipos da bola (jogadores, treinadores, dirigentes) como casta à parte onde tudo é permitido. É tempo de exigir responsabilidades a esta trupe de gente mal-formada que quer propagar o desporto através do mau exemplo. Chega de mediocridades. E a primeira medida deve ser pôr o Sr. Madaíl a andar. Rapidamente. Nem que para isso seja necessária a intervenção do governo no assunto. Basta de idiotas. E de idiotias.
quinta-feira, agosto 19, 2004
(I) Madeira - Agosto de 2004
Depois da estreia nos palcos madeirenses, é altura de fazer um curto balanço da digressão. Como me movimentei em território conhecido por metade dos leitores deste blog, não vale a pena estar a ser exaustivo na descrição da ilha, pois seria como estar a ensinar a missa ao padre ( à excepção, claro, do Forte do Pico, que parece que quase nenhum dos madeirenses conhece!... Mas depois do árduo esforço que envolveu a sua subida compreendo melhor as reticências para irem visitar o Forte).
Num tom geral, diria que retive bastantes aspectos agradáveis da Madeira, situados essencialmente ao nível da paisagem natural (a Costa Norte, o Paúl da Serra, o Cabo Girão, o Pico do Areeiro, o Ribeiro Frio, o Curral das Freiras, o Santo da Serra, a Ponta de São Lourenço, etc), mas também cultural e patrimonial (a caótica Livraria Esperança, alguns museus e os Fortes de Santiago e do Pico, por exemplo).
Tais virtualidade superam algumas situações que merecem reparos, seja pelo incómodo que provocam aos cidadãos (a quantidade de empreitadas da construção civil a decorrer em simultâneo e a antiguidade dos autocarros que fazem o percurso desde o Funchal até ao interior da ilha), seja por se constituírem como rombos no património natural (aqui o destaque vai para as obras de requalificação (???) da praia de Ponta do Sol).
Continua...
Num tom geral, diria que retive bastantes aspectos agradáveis da Madeira, situados essencialmente ao nível da paisagem natural (a Costa Norte, o Paúl da Serra, o Cabo Girão, o Pico do Areeiro, o Ribeiro Frio, o Curral das Freiras, o Santo da Serra, a Ponta de São Lourenço, etc), mas também cultural e patrimonial (a caótica Livraria Esperança, alguns museus e os Fortes de Santiago e do Pico, por exemplo).
Tais virtualidade superam algumas situações que merecem reparos, seja pelo incómodo que provocam aos cidadãos (a quantidade de empreitadas da construção civil a decorrer em simultâneo e a antiguidade dos autocarros que fazem o percurso desde o Funchal até ao interior da ilha), seja por se constituírem como rombos no património natural (aqui o destaque vai para as obras de requalificação (???) da praia de Ponta do Sol).
Continua...
A selecção Olímpica
O futebol português voltou a ser alvo de chacota mundial. Depois do pesadelo iraquiano a modesta selecção da Costa Rica espetou 4 bolas na baliza portuguesa, inviabilizando a sua passagem à fase seguinte. Posto isto, não fosse isto já de si suficiente, daqui ainda resultou nova cena de indisciplina e de violência (desde o fenómeno João Pinto na Coreia que a coisa não pára) tão do agrado do público e pelos vistos do jogador português, antes considerado jogador de brandos costumes.
Que o Sr. José Romão é péssimo naquilo que faz já toda a gente sabia. Agora que se insista no erro é que não cabe na cabeça de ninguém. Quem não se lembra do modo como esta selecção, com a conivência total do seu mentor principal, comemorou a sua qualificação nos balneários franceses? Falaram então da idade, da euforia, do sentimento da vitória e de um ou outro acto de maior emoção que resultou naquilo que se viu. Mas como é hábito tão intrinsecamente nosso, ninguém aprendeu nada. Os jovens jogadores portugueses não foram corrigidos. Disseram-lhes que se calhar que depois se esquecia e que o que interessava era aquela qualificação a qualquer preço. Passado este tempo todo, foi preciso estar já em pleno torneio olímpico para perceber os erros de palmatória, que vão desde a convocatória à própria condução técnica e estratégica da equipa. Neste momento, depois daquelas cenas todas, depois da lição de humildade dada por iraquianos e costa-riquenhos sente-se vergonha daquela selecção. É bom que se comece a punir exemplarmente estes meninos e aqueles que os comandam. O Sr. Madaíl incluído. De outra forma, caminhamos para o abismo e para a destruição da pálida imagem que ainda resta deste (talvez já mesmo miserável) futebol português.
No fundo, o que mais me chateia é que aqueles que têm melhores condições para desenvolver o seu trabalho, sejam precisamente aqueles que menos se empenham em representar o emblema do seu país. E isso não tem perdão. Não pode ter.
Que o Sr. José Romão é péssimo naquilo que faz já toda a gente sabia. Agora que se insista no erro é que não cabe na cabeça de ninguém. Quem não se lembra do modo como esta selecção, com a conivência total do seu mentor principal, comemorou a sua qualificação nos balneários franceses? Falaram então da idade, da euforia, do sentimento da vitória e de um ou outro acto de maior emoção que resultou naquilo que se viu. Mas como é hábito tão intrinsecamente nosso, ninguém aprendeu nada. Os jovens jogadores portugueses não foram corrigidos. Disseram-lhes que se calhar que depois se esquecia e que o que interessava era aquela qualificação a qualquer preço. Passado este tempo todo, foi preciso estar já em pleno torneio olímpico para perceber os erros de palmatória, que vão desde a convocatória à própria condução técnica e estratégica da equipa. Neste momento, depois daquelas cenas todas, depois da lição de humildade dada por iraquianos e costa-riquenhos sente-se vergonha daquela selecção. É bom que se comece a punir exemplarmente estes meninos e aqueles que os comandam. O Sr. Madaíl incluído. De outra forma, caminhamos para o abismo e para a destruição da pálida imagem que ainda resta deste (talvez já mesmo miserável) futebol português.
No fundo, o que mais me chateia é que aqueles que têm melhores condições para desenvolver o seu trabalho, sejam precisamente aqueles que menos se empenham em representar o emblema do seu país. E isso não tem perdão. Não pode ter.
quarta-feira, agosto 18, 2004
Mudar as regras da bola quando uma das equipas se chama Boavista
Quatro sugestões
1ª Sugestão – Mostrar amarelo à segunda falta cometida por um mesmo jogador, independentemente da gravidade da mesma (obviamente que os casos de expulsão directa se mantinham); mostrar segundo amarelo e consequente vermelho, à quarta falta, independentemente da gravidade da mesma (mantendo os mesmos critérios).
2ª Sugestão – Fazer como no Futsal: marcar livres directos sem barreira à frente da baliza a partir da 10ª falta.
3ª Sugestão – Irradiar o Boavista.
4ª Sugestão – Irradiar o Jaime Pacheco (se bem que já contentava muita gente proibi-lo de falar).
1ª Sugestão – Mostrar amarelo à segunda falta cometida por um mesmo jogador, independentemente da gravidade da mesma (obviamente que os casos de expulsão directa se mantinham); mostrar segundo amarelo e consequente vermelho, à quarta falta, independentemente da gravidade da mesma (mantendo os mesmos critérios).
2ª Sugestão – Fazer como no Futsal: marcar livres directos sem barreira à frente da baliza a partir da 10ª falta.
3ª Sugestão – Irradiar o Boavista.
4ª Sugestão – Irradiar o Jaime Pacheco (se bem que já contentava muita gente proibi-lo de falar).
Justiça portuguesa
O actual estado da justiça portuguesa fez-me lembrar uma coisa que há dias um amigo meu me havia confidenciado. Dizia-me ele, e através de fonte bem colocada na magistratura ou nessa coisa da Justiça, que a justiça em Portugal serve essencialmente para três coisas: 1º- Proteger “os amigos”; 2º- Atacar “os inimigos”; 3º- Aplicá-la aos indiferentes. Nem mais.
O paraíso cubano
O Presidente da Câmara Ibero-Americana de Comércio, Armando Lago, prepara-se para lançar um livro com um nome sugestivo: Livro Negro da Revolução Cubana. Alguns números interessantes:
Número de Fuzilados – 5621
Presos políticos mortos em cativeiro por maus-tratos – 1163
Soldados cubanos mortos em missões no exterior: 14160
Número de mortos e desaparecidos em tentativas de fuga da ilha: 77824
Elucidativo.
Número de Fuzilados – 5621
Presos políticos mortos em cativeiro por maus-tratos – 1163
Soldados cubanos mortos em missões no exterior: 14160
Número de mortos e desaparecidos em tentativas de fuga da ilha: 77824
Elucidativo.
segunda-feira, agosto 09, 2004
Moore & Moore
Fahrenheit 9/11 é um filme importante. A base da democracia é a participação dos indivíduos. Estes só podem participar na vida do seu país se estiverem informados. No que respeita às actividades e intenções do governo americano liderado por Bush Jr. ficamos, com este documentário, mais esclarecidos: percebemos o que está por detrás das guerras do Iraque e do Afeganistão, as ligações da família Bush e seus acólitos com as monarquias do Golfo, nomeadamente a Arábia Saudita (7% da riqueza americana é saudita). Dados importantes, e devidamente comprovados, para o exercício do direito de cidadania. Quem acusa Moore de ser parcial esquece-se da parcialidade das grandes multinacionais da comunicação. O filme de Moore é dedicado ao público americano. É por isso que, para chegar ao cidadão comum, opta, algumas vezes, por um discurso simplista e emocional, bastante visível quando trata da questão do Iraque e da presença dos soldados do Tio Sam. É possível afirmar que certos planos eram dispensáveis, mas Moore sabe bem que são úteis. A vida das pessoas é, neste como em muitos outros casos, mais importante do que arte.
sábado, agosto 07, 2004
Sines 2004 outra vez
Em relação ao meu post anterior o camarada César contestou, informalmente, algumas das minhas afirmações. As suas discordâncias foram em dois sentidos. Por um lado, afirmou ele, a maior parte das pessoas que estava em Sines não era da terra, mas de Lisboa, o que contrariaria a ideia de uma política local de desenvolvimento. Por outro lado, a própria música apresentada no festival teria pouco a ver com o gosto das pessoas da terra. Deste modo, o festival de Sines estaria mais a servir uma população de Lisboa, com determinados gostos, digamos, próximo de certa classe média.
A verdade é que o César tem, em grande parte, razão. O que ele não apresenta, no entanto, é um modelo alternativo que permita que a sua crítica se torne construtiva. Temos um festival com um conjunto de grupos que se inclui no que se chama de World Music (embora, na minha opinião, o festival consiga ir para além deste chapéu), fora, portanto, do registo mais claramente comercial das rádios, televisões, editoras, distribuidoras, etc; um festival cuja entrada, pelos três dias, custa 10 euros; existem, à parte, inúmeras iniciativas gratuitas. A música não será globalmente conhecida mas, com toda a certeza, não apresenta os problemas formais de um concerto de trash metal, ou de música de câmara, ou um espectáculo de dança contemporânea, etc. A lógica do festival de Sines, aliás, não é assim tão diferente da apresentada nas Cantigas de Maio do Seixal, ou mesmo, embora neste caso a questão seja mais complexa, na festa do Avante.
Claro que isto não evita os dois problemas colocados: a invasão da classe média lisboeta (embora seja discutível que as pessoas vindas de Lisboa sejam na sua maioria de classe média) e a dificuldade dos habitantes de Sines, por incompatibilidade formal com a música apresentada, aderirem ao evento.
Assim de repente só me lembro de uma solução para o problema do César: o populismo. Esta solução é, aliás, utilizada em grande parte dos nossos munícipios. Usando aquela velha máxima rangeliana de que «só damos ao povo o que o povo quer», enchamos o Castelo de Sines com o Nel Monteiro e a Mónica Sintra. De certeza que temos adesão maciça à la Chão da Lagoa. Estou em crer que, apesar de tudo, quem organiza o festival de Sines tem o povo em melhor conta. Infelizmente, dirão algumas almas mais intolerantes e desconfiadas, não é possível proibir a classe média de Lisboa de rumar a sul.
A verdade é que o César tem, em grande parte, razão. O que ele não apresenta, no entanto, é um modelo alternativo que permita que a sua crítica se torne construtiva. Temos um festival com um conjunto de grupos que se inclui no que se chama de World Music (embora, na minha opinião, o festival consiga ir para além deste chapéu), fora, portanto, do registo mais claramente comercial das rádios, televisões, editoras, distribuidoras, etc; um festival cuja entrada, pelos três dias, custa 10 euros; existem, à parte, inúmeras iniciativas gratuitas. A música não será globalmente conhecida mas, com toda a certeza, não apresenta os problemas formais de um concerto de trash metal, ou de música de câmara, ou um espectáculo de dança contemporânea, etc. A lógica do festival de Sines, aliás, não é assim tão diferente da apresentada nas Cantigas de Maio do Seixal, ou mesmo, embora neste caso a questão seja mais complexa, na festa do Avante.
Claro que isto não evita os dois problemas colocados: a invasão da classe média lisboeta (embora seja discutível que as pessoas vindas de Lisboa sejam na sua maioria de classe média) e a dificuldade dos habitantes de Sines, por incompatibilidade formal com a música apresentada, aderirem ao evento.
Assim de repente só me lembro de uma solução para o problema do César: o populismo. Esta solução é, aliás, utilizada em grande parte dos nossos munícipios. Usando aquela velha máxima rangeliana de que «só damos ao povo o que o povo quer», enchamos o Castelo de Sines com o Nel Monteiro e a Mónica Sintra. De certeza que temos adesão maciça à la Chão da Lagoa. Estou em crer que, apesar de tudo, quem organiza o festival de Sines tem o povo em melhor conta. Infelizmente, dirão algumas almas mais intolerantes e desconfiadas, não é possível proibir a classe média de Lisboa de rumar a sul.
terça-feira, agosto 03, 2004
Sines 2004
O festival de Músicas do Mundo realizado em Sines é um exemplo de bom trabalho autárquico na área da cultura. Um festival de inegável qualidade a preços acessíveis. Alguns críticos musicais, denotando dificuldade em pensar para além das notas que semanalmente dão aos discos que vão saindo, não conseguem perceber que a importância do festival é inseparável de uma filosofia de política local. Gerido por uma qualquer produtora, o festivalde Sines proporcionaria um lucro assinalável, bastava aumentar o preço dos bilhetes e, seguindo a doutrina João César das Neves, acabar com o investimento em espectáculos gratuitos. Considera a autarquia, no entanto, que existem benefícios para a população, não contabilizáveis apenas em balanços e balancetes, que justificam a aposta. O festival de Sines levanta muito mais discussões do que aquelas que perspassam em meia página de crítica musical. Houvesse jornalistas capazes de as pensar.
sexta-feira, julho 30, 2004
Críticas de cinema e Lições básicas de matemática
Por uma questão de curiosidade, decidi dar uma vista de olhos ao suplemento "Indígena" do jornal Independente que tinha ao dispor aqui perto.
Com a atenção mais virada para a crítica do filme "Fahrenheit", da autoria do senhor Leonardo Ralha, voluntariei-me para ler a mesma de fio e pavio de molde a poder julgá-la e compará-la mais logo com a minha visualização do filme.
De forma expectável, o crítico do Independente propõe-se no seu texto levar a cabo a tarefa de desfazer, ponto por ponto, os argumentos de Michael Moore, no intuito de desmascarar a terrível manipulação da verdade que neles estão subsumidos, abstraindo-se, claro, "tanto quanto possível de preconceitos ideológicos", como o tipo-ideal da actividade de crítico de cinema postula.
Não conseguindo disfarçar minimamente os tais preconceitos ideológicos (a aposição destas ressalvas no destaque dos textos, geralmente é quase sempre um indício da garantia do que vem a seguir...), o crítico atinge o auge da sua tarefa inglória perto do final do texto quando refere:
"Se num universo de 1070 pais - partindo do princípio de que nenhum dos eleitos é viúvo ou viúva - existe um dos 140 mil estacionados no país e em 294 milhões de norte-americanos há cerca de 130 milhões com idade suficiente para terem filhos nas Forças Armadas, a proporção é idêntica".
Apostado em oferecer-nos esta "lição básica de matemática", como diz, esquece-se das lições básicas de representatividade estatística!
Honesto seria o crítico verificar se existe uma correspondência entre o peso proporcional dos distintos extractos sócio-económicos no conjunto da população americana e os 140 mil militares destacados no Iraque.
Desconfio que se esqueceu de dar ao trabalho de verificar esta lição básica de representatividade estatística por algum motivo...
Com a atenção mais virada para a crítica do filme "Fahrenheit", da autoria do senhor Leonardo Ralha, voluntariei-me para ler a mesma de fio e pavio de molde a poder julgá-la e compará-la mais logo com a minha visualização do filme.
De forma expectável, o crítico do Independente propõe-se no seu texto levar a cabo a tarefa de desfazer, ponto por ponto, os argumentos de Michael Moore, no intuito de desmascarar a terrível manipulação da verdade que neles estão subsumidos, abstraindo-se, claro, "tanto quanto possível de preconceitos ideológicos", como o tipo-ideal da actividade de crítico de cinema postula.
Não conseguindo disfarçar minimamente os tais preconceitos ideológicos (a aposição destas ressalvas no destaque dos textos, geralmente é quase sempre um indício da garantia do que vem a seguir...), o crítico atinge o auge da sua tarefa inglória perto do final do texto quando refere:
"Se num universo de 1070 pais - partindo do princípio de que nenhum dos eleitos é viúvo ou viúva - existe um dos 140 mil estacionados no país e em 294 milhões de norte-americanos há cerca de 130 milhões com idade suficiente para terem filhos nas Forças Armadas, a proporção é idêntica".
Apostado em oferecer-nos esta "lição básica de matemática", como diz, esquece-se das lições básicas de representatividade estatística!
Honesto seria o crítico verificar se existe uma correspondência entre o peso proporcional dos distintos extractos sócio-económicos no conjunto da população americana e os 140 mil militares destacados no Iraque.
Desconfio que se esqueceu de dar ao trabalho de verificar esta lição básica de representatividade estatística por algum motivo...
quarta-feira, julho 28, 2004
La Palisse
Naquilo que pensava ser um anúncio de grande impacte em termos de novidade, o Presidente da Associação de Turismo de Lisboa disse ontem ter garantias que o novo casino de Lisboa se irá situar no Pavilhão da Realidade Virtual... como se isso não fosse já do conhecimento de toda a gente desde há muito tempo! La Palisse não diria melhor...
terça-feira, julho 27, 2004
Bola
Para os amantes da bola, um site com alguns dos melhores momentos de sempre:
http://www.soccerpulse.com/forum/
lofiversion/index.php/t306.html
http://www.soccerpulse.com/forum/
lofiversion/index.php/t306.html
Pedintes
Há algumas semanas atrás foi anunciado, com pompa e circunstância, pelo Governo o reforço dos meios aéreos de combate aos incêndios.
Ontem o Governo português pediu auxílio externo, em aviões e helicópteros, para combater os fogos florestais que estão a lavrar pelo país.
Alguém me consegue explicar como é que isto é possível?
Ontem o Governo português pediu auxílio externo, em aviões e helicópteros, para combater os fogos florestais que estão a lavrar pelo país.
Alguém me consegue explicar como é que isto é possível?
sexta-feira, julho 23, 2004
quinta-feira, julho 22, 2004
A modernidade
O Ikea chegou a Lisboa para revolucionar as casas portuguesas. Design para o povo, funcionalidade, novas soluções, faça você mesmo. Passo a publicidade, mas temos que agradecer aos nossos amigos suecos esta forma de democratizar o mobiliário. William Morris chamou-lhes as artes menores, sabendo que eram da maior importância.
Responsabilidade
Um dos argumentos mais usados pelo PSD contra a esquerda é o da falta de responsabilidade. Desde que está no governo, o PSD apresentou-se como o partido que ia limpar as impurezas do país, impondo o rigor contra a irresponsabilidade da esquerda. Para isso rodearam-se de técnicos e burocratas. Os economistas neo-clássicos, os famosos gestores, para os quais a discussão entre direita e esquerda foi há muito ultrapassada pelas regras infalíveis e universais do cálculo económico, matematizaram o mundo: tudo o que foge à sua aritmética neo-liberal é pura irresponsabilidade. Manuela Ferreira Leite foi o rosto desta política em Portugal.
Gostava de perceber em que estado fica o discurso do rigor quando se sabe que Câmara de Lisboa, depois da liderança do novo primeiro-ministro, está um atoleiro de dívidas, que o orçamento do governo regional da Madeira tem défices crónicos, que o novo governo criou mais ministérios e secretarias de Estado e que pensa colocá-los nos lugares mais mirabolantes do país e que, em breve, vão chover novos contratos e nomeações.
O PSD, se lhe resta algum efémero resíduo de social-democracia - é tão invisível a esquerda do PS como a social-democracia no PSD - devia-se preocupar com a responsabilidade, a responsabilidade social. Afinal não é isso que define um social-democrata?
Gostava de perceber em que estado fica o discurso do rigor quando se sabe que Câmara de Lisboa, depois da liderança do novo primeiro-ministro, está um atoleiro de dívidas, que o orçamento do governo regional da Madeira tem défices crónicos, que o novo governo criou mais ministérios e secretarias de Estado e que pensa colocá-los nos lugares mais mirabolantes do país e que, em breve, vão chover novos contratos e nomeações.
O PSD, se lhe resta algum efémero resíduo de social-democracia - é tão invisível a esquerda do PS como a social-democracia no PSD - devia-se preocupar com a responsabilidade, a responsabilidade social. Afinal não é isso que define um social-democrata?
ser vesgo...
O 'vesguismo lusitano' nao e tanto uma efermidade fisica; i.e., reflectida na aparencia fisica do ser efermo, mas interior. Nao deixa, no entanto, de ser uma efermidade. Julgam renomados cientistas que do foro da genetica populacional. O ultimo sintoma consiste na obsessiva preocupacao do povo portugues com o processo de eleicoes no interior do PS quando o partido do Governo elegeu um inergumenero sem igual para ser Primeiro Ministro e este, por sua vez, constitui um governo de amigos. De amigos, vejam bem! Disto ouvi poucos a 'tremelarem'.
Boa sorte, Zé Manel!
O Dr. José Barroso é o novo presidente da Comissão Europeia. Nunca mais me digam que o crime não compensa.
Esquerdismos
Já estou como o Vasco e o Nuno: alguém, por favor, que me explique o que é a esquerda do PS? É o Manuel Alegre a declamar? É o diálogo de gerações do “velho” Dr. Soares com o “jovem” Sousa Pinto? É a D. Ana Gomes a xingar aos microfones? O dr. Pedroso sem a PJ à perna? Os escritos do Dr. Santos Silva irritado? O símbolo do soco? Pelo amor de Deus, ajudem-me a resolver este meu dilema existencial...
Sampaio tinha razão
O actual melodrama socialista veio provar uma coisa que não é nada negligenciável: Sampaio afinal tinha razão e tinha motivos mais do que suficientes para estar preocupado com as alternativas existentes aquando da demissão do Dr. José Manuel Barroso. Ele melhor do que ninguém sabia o que a casa gastava.
Posto isto, e perante a tragicomédia vivida no seio do maior partido da oposição, o PSD continua a ser a única alternativa credível para governar o país. A única. Basta olhar o triste espectáculo para se perceber isto.
Posto isto, e perante a tragicomédia vivida no seio do maior partido da oposição, o PSD continua a ser a única alternativa credível para governar o país. A única. Basta olhar o triste espectáculo para se perceber isto.
O Novo-Burlesco
No intuito de combater um conjunto de restrições legais que foram instituídas na Big Aple na década de 90 (leis contra o álcool, o cigarro, a pornografia e tudo o que pudesse trazer algum prazer aos habitantes), têm renascido algumas das modas sonantes do passado na cosmopolita cidade de Nova Iorque. A mais sonantes dessa modas actuais é o Novo-Burlesco.
Herdeiro do oitocentista Burlesco, género teatral que combinava o Cabaré com o Teatro Revista, o Novo-Burlesco mistura o espectáculo circense com o freak-show.
Sempre atento às inovações da cena cultural internacional, Santana Lopes começou já a mimetizar esta corrente artística que visa levar os espectadores às gargalhadas para o seu Governo.
Em escassos 6 dias, e para combater os discursos pessimistas do governo anterior, o Executivo de Santana Lopes começou já a trazer alegria que escasseava ao povo depois de 2 anos de tanga.
Primeiro no anúncio da tomada de posse do seu Adjunto como Ministro do Mar (mas não das pescas, nem dos rios ou dos lagos), depois no desvio da nomeação da ex-Secretária de Estado da Segurança Social, garantida pelo Ministro do Mar como sua Secretária de Estado, para a Secretária das Artes, Santana Lopes começou já a dar provas inequívocas que o Novo-Burlesco veio para ficar próximos tempos para animar e dar cor a este anteriormente país cinzento!
Herdeiro do oitocentista Burlesco, género teatral que combinava o Cabaré com o Teatro Revista, o Novo-Burlesco mistura o espectáculo circense com o freak-show.
Sempre atento às inovações da cena cultural internacional, Santana Lopes começou já a mimetizar esta corrente artística que visa levar os espectadores às gargalhadas para o seu Governo.
Em escassos 6 dias, e para combater os discursos pessimistas do governo anterior, o Executivo de Santana Lopes começou já a trazer alegria que escasseava ao povo depois de 2 anos de tanga.
Primeiro no anúncio da tomada de posse do seu Adjunto como Ministro do Mar (mas não das pescas, nem dos rios ou dos lagos), depois no desvio da nomeação da ex-Secretária de Estado da Segurança Social, garantida pelo Ministro do Mar como sua Secretária de Estado, para a Secretária das Artes, Santana Lopes começou já a dar provas inequívocas que o Novo-Burlesco veio para ficar próximos tempos para animar e dar cor a este anteriormente país cinzento!
quarta-feira, julho 21, 2004
As primárias do PS
No Largo do Rato a coisa começa a aquecer. A meia dúzia de personalidades que constituem a chamada ala esquerda do partido já assumiram que vão apresentar um candidato a secretário-geral. Acho esta opção extremamente positiva e corajosa. Não só vai permitir que haja um mínimo de discussão de ideias, evitando reduzir o processo a uma lamentável disputa de chefes, como também possibilitará, no contexto de estreia em Portugal de uma eleição directa para líder partidário, perceber o quanto vale entre os militantes socialistas a enigmática "ala esquerda do PS".
Fahrenheit 9/11 de Michael Moore
Excelente. A nao perder! As sessoes tem estado cheias, ha filas enormes para o filme e no final de cada sessao jorram aplausos. Um olhar ironico mas serio sobre uma America tao destruida quanto o Iraque de hoje. Um filme corajoso de alguem que sabe viver, tambem ele, numa ditadura onde a censura e pratica comum. Tenho e receio que Moore esteja a pregar para os convertidos. Por isso, caros patos, quando forem ver o filme convecam um nao-convertido a ir convosco. Pode ser que se renda as duras evidencias…
terça-feira, julho 20, 2004
O últimos heróis desportivos
Quem consegue sentir a emoção de uma etapa de montanha na Volta à França sabe que aqueles homens que sobem paredes numa bicicleta são os últimos grandes heróis desportivos.
Pinguins: Vilar de Mouros 2004
Um pinguim madeirense de espécie rara, das encostas do norte da ilha, atirou com um Corneto de morango ao cantor Bob Dylan durante o espectáculo que este apresentou no festival de Vilar de Mouros.
Perto do paraíso
Nesta última semana têm sido transmitidos na televisão portuguesa, de dois em dois dias, jogos do Benfica.
Homem não consegue sair do Fundão
Um jovem sociólogo beirão não consegue sair da sua terra. Mal se aproxima da auto-estrada há uma força poderosa que o devolve ao sofá da sua casa, numa casa no centro do Fundão. A Nasa já enviou cientistas para estudar o caso. Depois do nascimento de um rabanete de 56 kilos, em 1937, este é mais um caso que abala a pacata cidade beirã.
Queremos os pinguins de volta
O blog do pato perdeu a sua densidade, a sua solidez, a sua dimensão metafórica em estado de graça para voltar a banalidade do comentário político. Queremos os pinguins de volta.
Lugares míticos e misteriosos
A esquerda do PS acaba de ganhar o prémio do lugar mais mítico e misterioso de Portugal, batendo a Boca do Inferno, o Cabo Espichel, a Lagoa das Sete Cidades e o Túnel das Antas. Ela existe, mas nunca ninguém a viu em acção.
quinta-feira, julho 15, 2004
O Demónio de Sócrates
“Vós tendes frequentemente e em todo o lado ouvido dizer que um signo divino e demoníaco se manifesta em mim (...) Isso começou desde a minha infância; é uma espécie de voz que, quando se faz ouvir, me desvia sempre do que me proponho fazer, mas nunca me incita a isso. É ela que se opõe a que eu me ocupe da política, e creio que é de uma extrema felicidade para mim que ela me desvie disso.”
Apologia
Apologia
quarta-feira, julho 14, 2004
Gravatas
Duelo interessante à vista: Santana contra Sócrates. Duas coisas estão já garantidas: as gravatas vão sempre combinar com os cenários de fundo (e com a Judite de Sousa) e os programas vão ser repetidos na SIC Mulher e no Programa LUX. A D. Eulália do café garante-me que isso é muito importante para conquistar o eleitorado. Esteticamente, acha excelente, mesmo que não perceba muito de política. Eu, como de costume, não gosto de contrariar o povo e a sua sabedoria. Mas já vi para onde isto caminha.
D. Sebastionas
Uma dúvida que me assalta é porque é que nunca há D. Sebastionas nestas histórias? Será que as mulheres não têm perfil para salvadoras da pátria, do clube da esquina ou do partido da aldeia? Eu se fosse feminista exigia já igualdade de oportunidades e uma quota na matéria.
D. Sebastião
Um dos conceitos mais interessantes do imaginário português é o mito do sebastianismo. Há D. Sebastiões em todo o lado e para todas as ocasiões: a preço de saldo, em promoção, a preço normal, a preço de feira, em território nacional ou em solo estrangeiro, tanto faz. Anuncia-se um regresso, um salvador, eis um D. Sebastião pronto a entrar-nos pela porta para lavar as mágoas.
Mais uma vez o mítico salvador não chegou. Desta vez ao PS. Vitorino, o Desejado recusou sublime e honrosa distinção: levar o PS a bom porto, que é o mesmo que dizer, levar o PS novamente ao poder no país (ou ao local do crime se assim o preferirem).
Eu por mim, é mais um que perante a mediocridade reinante, prefere não se intrometer nos “altos” desígnios da nação. E às tantas faz bem.
Mais uma vez o mítico salvador não chegou. Desta vez ao PS. Vitorino, o Desejado recusou sublime e honrosa distinção: levar o PS a bom porto, que é o mesmo que dizer, levar o PS novamente ao poder no país (ou ao local do crime se assim o preferirem).
Eu por mim, é mais um que perante a mediocridade reinante, prefere não se intrometer nos “altos” desígnios da nação. E às tantas faz bem.
terça-feira, julho 13, 2004
13-07-2008 - Parte II
Quatro anos após o anterior Presidente da República, Jorge Sampaio, tal como Deus, ao menino e ao borracho, entenda-se aliança Santana-Portas, ter colocado a mão por baixo, o Primeiro-Ministro, António Vitorino, anunciou hoje ao actual Presidente da República, Cavaco Silva, que recebeu um convite formulado pelo Partido Socialista Europeu, na sequência da vitória deste último partido nas recentes eleições para o Parlamento Europeu, para ser o homem do leme da Comissão Europeia para os anos vindouros, em substituição do líder vigente, José Barroso, considerado inepto pelo PSE para continuar a desempenhar as funções para as quais foi mandatado há quatro anos pelo PPE como “mínimo denominador comum”.
António Vitorino fez saber junto de Cavaco Silva que é sua intenção aceitar, finalmente, embora a contragosto, o convite por entender, entre outros motivos, ser de relevante interesse nacional que este cargo seja novamente preenchido por um português.
Cavaco Silva compreendeu a vontade de Vitorino e deu anuência para a satisfação desta sua velha pretensão.
Cavaco hesita agora entre na decisão a adoptar. As alternativas consistem na nomeação do vice-presidente do PS, José Sócrates, como novo líder do Governo ou na convocação de eleições antecipadas.
Admitida pelo próprio como a mais grave e difícil decisão a tomar no seu mandato, porque inédita, Cavaco alegou que irá iniciar um conjunto diversificado de auscultações de figuras representativas da sociedade civil portuguesa, ou seja, os dirigentes de associações patronais, os accionistas de topo dos maiores bancos portugueses e o Governador do Banco de Portugal, antes de tomar a decisão final.
António Vitorino fez saber junto de Cavaco Silva que é sua intenção aceitar, finalmente, embora a contragosto, o convite por entender, entre outros motivos, ser de relevante interesse nacional que este cargo seja novamente preenchido por um português.
Cavaco Silva compreendeu a vontade de Vitorino e deu anuência para a satisfação desta sua velha pretensão.
Cavaco hesita agora entre na decisão a adoptar. As alternativas consistem na nomeação do vice-presidente do PS, José Sócrates, como novo líder do Governo ou na convocação de eleições antecipadas.
Admitida pelo próprio como a mais grave e difícil decisão a tomar no seu mandato, porque inédita, Cavaco alegou que irá iniciar um conjunto diversificado de auscultações de figuras representativas da sociedade civil portuguesa, ou seja, os dirigentes de associações patronais, os accionistas de topo dos maiores bancos portugueses e o Governador do Banco de Portugal, antes de tomar a decisão final.
segunda-feira, julho 12, 2004
Por falar em fugas...
Aconteceu uma das coisas que o PSD mais temia: o Dr. Ferro pisgou-se.
Pergunta de algibeira
Qual teria sido o veredicto de Sampaio se este fosse o seu primeiro mandato?
Entrevista
Se a única ideia do Dr. Pedro Santana Lopes para o país passa pela descentralização geográfica de Ministérios e Secretarias de Estado como ontem deixou entender naquele exercício absurdo de entrevista de fundo, estamos conversados. Não era de facto necessário responder a mais nada.
sexta-feira, julho 09, 2004
Homenagem a um dos mais fabulosos actores de todos os tempos
Marlon Brando (1924-2004)
O Padrinho, de Francis Ford Coppola, 1972
I Cena, Diálogo entre Corleone e Bonasera
Bonasera: I believe in America. America has made my fortune. And I raised my daughter in the American fashion. I gave her freedom, but - I taught her never to dishonor her family. She found a boyfriend, not an Italian...Two months ago, he took her for a drive, with another boyfriend. They made her drink whiskey. And then they tried to take advantage of her. She resisted. She kept her honor. So they beat her like an animal...She was the light of my life - my beautiful girl. Now she will never be beautiful again...I-I went to the police like a good American. These two boys were brought to trial. The judge sentenced them to three years in prison - suspended sentence. Suspended sentence! They went free that very day! I stood in the courtroom like a fool. And those two bastards, they smiled at me. Then I said to my wife, 'for justice, we must go to Don Corleone.'
Corleone: Why did you go to the police? Why didn't you come to me first?
Bonasera: What do you want of me? Tell me anything, but do what I beg you to do.
Corleone: What is that? (Bonasera whispers his request in the Don's ear.) That I cannot do.
Bonasera: I will give you anything you ask.
Corleone: We've known each other many years, but this is the first time you ever came to me for counsel or for help. I can't remember the last time that you invited me to your house for a cup of coffee, even though my wife is godmother to your only child. But let's be frank here. You never wanted my friendship. And uh, you were afraid to be in my debt.
Bonasera: I didn't want to get into trouble.
Corleone: I understand. You found paradise in America, you had a good trade, you made a good living. The police protected you and there were courts of law. And you didn't need a friend like me. But uh, now you come to me and you say - 'Don Corleone, give me justice.' But you don't ask with respect. You don't offer friendship. You don't even think to call me Godfather. Instead, you come into my house on the day my daughter is to be married, and you, uh, ask me to do murder for money.
Bonasera: I ask you for justice.
Corleone: That is not justice. Your daughter is still alive.
Bonasera: Let them suffer then, as she suffers. How much shall I pay you?
Corleone (after standing and turning his back): Bonasera, Bonasera. What have I ever done to make you treat me so disrespectfully? If you'd come to me in friendship, then this scum that ruined your daughter would be suffering this very day. And if by chance an honest man like yourself should make enemies, then they would become my enemies. And then they would fear you.
Bonasera: Be my friend - - Godfather. (The Don shrugs. Bonasera bows toward the Don and kisses the Don's hand.)
Corleone: Good. (The Don puts his hand on Bonasera's shoulder.) Someday, and that day may never come, I'll call upon you to do a service for me. But uh, until that day - accept this justice as a gift on my daughter's wedding day.
Bonasera: Grazie, Godfather.
Corleone: Prego.
Sampaio
Nas mãos deste homem, está a decisão mais aguardada pelos portugueses. Convocar o Conselho de Estado é apenas mais um mau prenúncio para a crise que se avizinha. Só pela forma medíocre como Sampaio conduziu todo este processo, dê por onde der, merece a pancada que vai levar.
quinta-feira, julho 08, 2004
A Internet chegou a Cavernães
Numa acção promocional, mas que simultaneamente serviu como medida de equalização dos desníveis sociais no acesso à Internet, a PT ofereceu ontem a uma associação de solidariedade social de uma aldeia do concelho de Viseu, um Kit de navegação "Sapo ADSL".
Até ontem arredadas da utilização da Rede em virtude das dificuldades económicas de muitos dos seus progenitores em possuírem computadores e em estabelecerem ligações virtuais, a oferta da PT traduziu-se num enorme contentamento para as crianças locais.
O encantamento foi tão grande que, segundo as próprias, teriam ficado muito felizes, mesmo se em vez da ligação ADSL cá colocassem a Internet mais lenta do mundo .
É que, como disseram, a partir de agora vamos poder fazer muito mais coisas..., sem, evidentemente, poderem explicitar que coisas seriam essas para além da ideia de que na Internet «dá para ir buscar coisas. O meu irmão foi lá buscar receitas de bolos. Também dá para ir buscar coisas sobre animais, não dá?».
Possuíndo, naturalmente, apenas uma noção muito vaga do potencial da Internet, quase sempre construída pelos media, designadamente pelos anúncios publicitários da televisão, a difusão da Internet continua a espalhar sobre os mais jovens, mesmo entre aqueles que nunca usufruíram dela, uma curiosidade irresistível.
O mérito destas iniciativas, sem estar a querer aprofundar muito outras análises relativas aos benefícios e aos perigos do uso da Internet, está precisamente em equalizar o primeiro nível de desigualdade de acesso a este imenso manancial de informação, comunicação e diversão, já que
ao invés de outras crianças mais bafejadas por dotes financeiros, para quem a desenvoltura na utilização da Rede é um dado adquirido há algum tempo, para aquelas crianças aquilo que até ontem conheciam da Internet era o que tinham visto «na televisão. Eles dizem: o sapo libertou- se. Mas não sei para onde foi. Terá ido para a Internet?», como perguntou Cláudia Amaral, de 10 anos.
A partir de agora a Cláudia e outras crianças, menos afortunadas financeiramente, já saberão para onde terá ido o Sapo.
Até ontem arredadas da utilização da Rede em virtude das dificuldades económicas de muitos dos seus progenitores em possuírem computadores e em estabelecerem ligações virtuais, a oferta da PT traduziu-se num enorme contentamento para as crianças locais.
O encantamento foi tão grande que, segundo as próprias, teriam ficado muito felizes, mesmo se em vez da ligação ADSL cá colocassem a Internet mais lenta do mundo .
É que, como disseram, a partir de agora vamos poder fazer muito mais coisas..., sem, evidentemente, poderem explicitar que coisas seriam essas para além da ideia de que na Internet «dá para ir buscar coisas. O meu irmão foi lá buscar receitas de bolos. Também dá para ir buscar coisas sobre animais, não dá?».
Possuíndo, naturalmente, apenas uma noção muito vaga do potencial da Internet, quase sempre construída pelos media, designadamente pelos anúncios publicitários da televisão, a difusão da Internet continua a espalhar sobre os mais jovens, mesmo entre aqueles que nunca usufruíram dela, uma curiosidade irresistível.
O mérito destas iniciativas, sem estar a querer aprofundar muito outras análises relativas aos benefícios e aos perigos do uso da Internet, está precisamente em equalizar o primeiro nível de desigualdade de acesso a este imenso manancial de informação, comunicação e diversão, já que
ao invés de outras crianças mais bafejadas por dotes financeiros, para quem a desenvoltura na utilização da Rede é um dado adquirido há algum tempo, para aquelas crianças aquilo que até ontem conheciam da Internet era o que tinham visto «na televisão. Eles dizem: o sapo libertou- se. Mas não sei para onde foi. Terá ido para a Internet?», como perguntou Cláudia Amaral, de 10 anos.
A partir de agora a Cláudia e outras crianças, menos afortunadas financeiramente, já saberão para onde terá ido o Sapo.
quarta-feira, julho 07, 2004
Anúncios
O Dr. Louçã foi ao Presidente da República dizer que o Bloco, essa coisa indefinível, está preparado para garantir a estabilidade política caso o PS não tenha maioria relativa nas próximas eleições. O Dr. Louçã apresenta estas conclusões porque parte de pressupostos perigosos que só devem ter sido possíveis de abordar porque o Dr. Sampaio também foi um perigoso radical esquerdista na sua juventude e porque a conversa deve ter para aí descambado. Ninguém, pelos vistos, estranhou a conversa, já de si esquiva e enigmática. Eu pensei que o Dr. Sampaio quisesse ouvir a opinião dos partidos sobre a actual crise. Mas não. O Dr. Louçã foi a Belém anunciar já um novo projecto de Governo. Como se as coisas fossem um dado adquirido.
Lula
No Brasil, o país irmão, Lula decidiu assinalar uma data muito especial: 18 meses de mandato. Obviamente que está no seu direito. Afinal, é muito comum nos governos que fazem pouco assinalar datas sem grande significado: 100 dias, 6 meses, 200 dias, 2 anos - também conhecido por meio do mandato - , etc. Em Lula, por isso, isto não se estranha. Faz parte do seu show mediático e da sua tentativa vã de salvar a face perante a sua inoperância e incompetência. Pena que as suas principais promessas continuem por cumprir (os tais 10 milhões de novos postos de trabalho - nem 500 mil - ou o problema dos Sem-Terra, por exemplo); que alguns membros da sua casa civil e do seu governo se encontrem mergulhados em escândalos financeiros; e que ele tenha, à boa maneira estalinista, tentado expulsar um jornalista estrangeiro por este ter feito referência a um acto seu muito comum, pelos vistos, em público: beber exageradamente. Todos os meses, Lula desce nas sondagens e na simpatia dos brasileiros. A crítica sobe de tom e ele pelos vistos responde com operações de cosmética para fazer esquecer a mudança de opções e de prioridades e o socialismo que já deve ter metido comodamente na gaveta do outro. Não sei porque é que alguém um dia ousou pensar que Lula seria um político diferente. Não é.
Memória
Desde que emergiu este processo de sucessão governativa, têm sido diversos os argumentos invocados, quer pelos defensores da continuidade da assunção das funções executivas pela coligação formada em Abril de 2002 quer por aqueles que preconizam a convocação de eleições antecipadas por parte do Presidente da República.
Em termos genéricos, os defensores da continuidade alegam a estabilidade governativa, a coesão da coligação PSD/PP ou a colocação em risco da tão propalada como dúbia retoma económica como motivos legítimos para a condução de Santana Lopes à chefia do Governo.
Os adeptos de eleições antecipadas apoiam-se na (falta de) legitimidade eleitoral de Santana Lopes e, por inerência, de todo o futuro Governo para conduzir os destinos próximos do País, no primado de responsabilização dos eleitores e na necessidade de se atender aos recentes resultados eleitorais para sustentarem a ida às urnas.
Estando a minha opinião incluída no lote dos que perfilham a necessidade do País ir a votos, e sem desmerecer nenhum dos argumentos atrás mencionados para legitimar tal decisão, o que mais me impressiona e mais chocaria na eventualidade de sucessão governativa que contemplasse a figura de Santana Lopes como Primeiro-Ministro, é a ideia de uma memória traída do seu Governo
Uma memória que remonta não à consciência de um passado remoto, mas que data de há pouco mais de 2 anos.
- Uma memória que contempla o demissionário Durão Barroso a acusar o seu antecessor de cobardia e de ter fugido às suas responsabilidades políticas, quando depois fez o mesmo;
- Que recorda Durão Barroso a apelar, após a demissão de Guterres, para a imediata necessidade de convocação de eleições, para agora solicitar ardentemente a não auscultação dos cidadãos na nomeação de um novo Governo;
- Que se lembra de ouvir Durão Barroso intitular num Congresso do PSD o seu agora sucessor como uma mistura de Zandinga e Gabriel Alves;
- Que evoca um passado recente onde Santana Lopes considerava o seu agora desejado líder de parceiro de coligação como um indivíduo que, obstinadamente, tudo fazia para denegrir todos os líderes do PSD desde Sá Carneiro, algo que Santana Lopes asseverava nunca ir esquecer;
De todo este histórico em tom de encómios recíprocos estes indivíduos fizeram agora tábua rasa... O primado do apego ao poder e a satisfação de ambições pessoais e partidárias consegue mascarar antipatias tão profundas como foram aquelas que foram reveladas, ao ponto de conseguir congregar no mesmo barco tantas falsas aparências!
Se não fosse por outro motivo, só o facto destes actores demonstrarem tanto fingimento e de se disporem a obliterar a memória tão facilmente, do tipo "Despertar da Mente", é razão mais do que suficiente para os cidadãos do País decidirem se os querem a governar o País, ou não.
Em termos genéricos, os defensores da continuidade alegam a estabilidade governativa, a coesão da coligação PSD/PP ou a colocação em risco da tão propalada como dúbia retoma económica como motivos legítimos para a condução de Santana Lopes à chefia do Governo.
Os adeptos de eleições antecipadas apoiam-se na (falta de) legitimidade eleitoral de Santana Lopes e, por inerência, de todo o futuro Governo para conduzir os destinos próximos do País, no primado de responsabilização dos eleitores e na necessidade de se atender aos recentes resultados eleitorais para sustentarem a ida às urnas.
Estando a minha opinião incluída no lote dos que perfilham a necessidade do País ir a votos, e sem desmerecer nenhum dos argumentos atrás mencionados para legitimar tal decisão, o que mais me impressiona e mais chocaria na eventualidade de sucessão governativa que contemplasse a figura de Santana Lopes como Primeiro-Ministro, é a ideia de uma memória traída do seu Governo
Uma memória que remonta não à consciência de um passado remoto, mas que data de há pouco mais de 2 anos.
- Uma memória que contempla o demissionário Durão Barroso a acusar o seu antecessor de cobardia e de ter fugido às suas responsabilidades políticas, quando depois fez o mesmo;
- Que recorda Durão Barroso a apelar, após a demissão de Guterres, para a imediata necessidade de convocação de eleições, para agora solicitar ardentemente a não auscultação dos cidadãos na nomeação de um novo Governo;
- Que se lembra de ouvir Durão Barroso intitular num Congresso do PSD o seu agora sucessor como uma mistura de Zandinga e Gabriel Alves;
- Que evoca um passado recente onde Santana Lopes considerava o seu agora desejado líder de parceiro de coligação como um indivíduo que, obstinadamente, tudo fazia para denegrir todos os líderes do PSD desde Sá Carneiro, algo que Santana Lopes asseverava nunca ir esquecer;
De todo este histórico em tom de encómios recíprocos estes indivíduos fizeram agora tábua rasa... O primado do apego ao poder e a satisfação de ambições pessoais e partidárias consegue mascarar antipatias tão profundas como foram aquelas que foram reveladas, ao ponto de conseguir congregar no mesmo barco tantas falsas aparências!
Se não fosse por outro motivo, só o facto destes actores demonstrarem tanto fingimento e de se disporem a obliterar a memória tão facilmente, do tipo "Despertar da Mente", é razão mais do que suficiente para os cidadãos do País decidirem se os querem a governar o País, ou não.
terça-feira, julho 06, 2004
segunda-feira, julho 05, 2004
Trappatoni, si!
E como de desilusões futebolísticas já chegaram as deste ano (Liga dos Campeões e Campeonato da Europa, ainda por cima competições perdidas sempre para adversários de menor capacidade futebolística...), a contratação de Trapatoni pelos rivais da 2ª circular serve para animar um pouco o dia!
Realmente, valeu a pena o tempo de espera para contratarem essa velha raposa do cattenacio...
A meu ver, a única esperança do SLB poderá ser a passagem a técnico principal a meio da época daquele que se adivinha futuro tradutor de Trappatoni em Portugal.
Vocês sabem do que é que eu estou a falar!
Realmente, valeu a pena o tempo de espera para contratarem essa velha raposa do cattenacio...
A meu ver, a única esperança do SLB poderá ser a passagem a técnico principal a meio da época daquele que se adivinha futuro tradutor de Trappatoni em Portugal.
Vocês sabem do que é que eu estou a falar!
domingo, julho 04, 2004
Lutas laborais
Uma adepta grega acaba de afirmar na televisão que Deus é grego e, consequentemente, a vitória da equipa helénica é certa. Complicado. Portugal conta apenas com a nossa senhora de Caravagio e a nossa senhora de Fátima que, pelos vistos, andam a mijar fora do penico pois lá nas alturas a fidelidade laboral é uma característica importante e o patrão é que manda. Há, no entanto, a possibilidade da adepta grega estar a mentir. O portuense João Meireles diz que tem provas irrefutáveis de que Deus é do Boavista.
sexta-feira, julho 02, 2004
Eu também vou!
Informo os parceiros do Pato que fui também chamado a fazer ouvir a minha voz junto de Sua Excelência o Presidente da República, a propósito da indecisão governamental, em audiência, na próxima terça-feira à tarde assim que termine o expediente, o que irá acontecer lá para as 17h30 18h, em princípio.
Aproveito ainda para questionar algum parceiro se me sabe dizer que é a carreira da Carris
que faz o percurso entre a zona Oriental da Capital e a zona de Belém?
Aproveito ainda para questionar algum parceiro se me sabe dizer que é a carreira da Carris
que faz o percurso entre a zona Oriental da Capital e a zona de Belém?
Uma laracha
Qual a diferença entre Portugal e a República Checa?
A República Checa tem o governo em Praga, Portugal vai ter uma praga de Governo...
A República Checa tem o governo em Praga, Portugal vai ter uma praga de Governo...
Metáfora nórdica
Pedi a um amigo que desse uma olhada no nosso blogue. Ele enviou-me um mail que passo a reproduzir.
Fui à morada que me deste mas devo-me ter enganado.
Só encontrei posts sobre pinguins, icebergues, a vida no Polo Norte, pinguins do Polo Norte para o Polo Sul, a nossa senhora de Fátima, o Paulo empoleirado na duna, a rebentação das ondas. Eu tenho uma veia poética mas isto para mim é demais.
Um abraço do teu amigo
Ricardo Barbosa
Fui à morada que me deste mas devo-me ter enganado.
Só encontrei posts sobre pinguins, icebergues, a vida no Polo Norte, pinguins do Polo Norte para o Polo Sul, a nossa senhora de Fátima, o Paulo empoleirado na duna, a rebentação das ondas. Eu tenho uma veia poética mas isto para mim é demais.
Um abraço do teu amigo
Ricardo Barbosa
O Euro acabou, já não era sem tempo
Esta coisa de a Grécia ir à final do Euro com Portugal torna qualquer torneio de snooker na associação recreativa de Freixo de Espada à Cinta mais interessante do que o último jogo da competição. A Grécia, para quem não saiba, é aquela equipa que joga futebol como os italianos nos seus piores dias e que é treinada por um alemão. Qualquer filme do Manoel de Oliveira é animadíssimo quando comparado com o futebol grego. Do outro lado, estão os novos heróis nacionais, os novos Vascos da Gama. Para quem não saiba, Portugal, é aquela equipa bestialmente parecida com o FC do Porto mas só que em em vez de ser treinada por aqueles rapaz simpático e modesto de Setúbal tem ao comando a nossa Senhora de Caravagio e a gravata do Durão Barroso, perdão, do José Barroso. E depois há ainda um brasileiro lá pelo meio, mas ainda não percebi bem qual é o papel dele.
Estou desejoso que chegue o dia cinco, quando o Benfica apresenta a sua nova equipa. Estou farto de Portugal. Confesso que neste momento prefiro um sportinguista ou um portista a um português. São menos histéricos e nos jogos destes bons clubes não temos que aturar o José Barroso nos flashs interviews depois dos jogos(César, junta esta ao teu glossário de anglicismos parolos.)
Estou desejoso que chegue o dia cinco, quando o Benfica apresenta a sua nova equipa. Estou farto de Portugal. Confesso que neste momento prefiro um sportinguista ou um portista a um português. São menos histéricos e nos jogos destes bons clubes não temos que aturar o José Barroso nos flashs interviews depois dos jogos(César, junta esta ao teu glossário de anglicismos parolos.)
A Fuga de Durão
É preciso combater, por não ser verdade, a ideia de que a presença de Durão em Bruxelas dignifica o país. Não é verdade, dignifica-o, quanto muito, a ele próprio. O país não ganha, nem perde. Durão fugiu, sabendo que os dois próximos anos iam ser complicados e que, muito provavelmente, iria perder as eleições em 2006. Mas se Durão fugiu, como Guterres o tinha feito, se a equipa do Dr. Lopes pouco terá a ver com a que neste momento nos governa, resta escolher outro grupo, através da realização de eleições legilativas antecipadas, para governar o rectângulo.
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