terça-feira, abril 25, 2006
quarta-feira, abril 05, 2006
Havana Blues
São estas também as sonoridades que, misturadas, são abraçadas pelos principais protagonistas da história. Dois jovens e inseparáveis músicos, Ruy e Tito, marcados pela ânsia de transporem os mares que os rodeiam e os enclausuram cumplicemente com as determinações políticas, aspiram pelos palcos europeus, pelo alcance da fama musical para lá das fronteiras da ilha e das salas de espectáculo degradadas.
A oportunidade tem uma face galega, a face visível de dois produtores assalariados de uma editora multinacional, que concede ao grupo musical liderado por Ruy e Tito um salvo conduto para a produção e distribuição internacional de registos discográficos.
Para lá desta aparente correspondência de vontades escondem-se as contrapartidas do mundo do business musical. O salvo conduto, representado pelo contrato discográfico, pressupõe a exteriorização mediática de discursos flamejantes sobre a conjuntura cubana, em paridade com uma imposição artística e usurpação financeira excessiva dos ganhos que advirem das vendas discográficas e dos concertos.
A leitura do contrato faz estremecer a solidariedade entre os membros do grupo. De súbito, o inconformismo unido dos protagonistas perante as amarras políticas e culturais cubana estremece, agora divididos entre a perseguição de um sonho e o preço do mesmo, traduzido no provável fechamento fronteiriço e decorrente separação familiar quase irremediável.
A (re) conquista espanhola estava consumada, agora pela música, e embora não suficientemente forte para impedir o concerto da reconciliação, trouxe para a antiga colónia mais algumas vozes para fazer moeda. O desespero e os sonhos a tal podem obrigar.
quinta-feira, março 30, 2006
Os prazeres da rádio
Portanto,ouvidos atentos...
quarta-feira, março 22, 2006
PSD Madeira
Jaime Ramos adiantou ainda que a comemoração do 25 de Abril, através de uma sessão comemorativa no Parlamento Regional, colocava entraves ao normal desenrolar dos trabalhos parlamentares desse dia, em virtude de já ter agendado para o dia 25 de Abril, da parte da manhã, uma sessão de insultos, impropérios e ameaças com sifões de retrete à integridade física dos líderes da oposição e, da parte da tarde, a entrega de vários requerimentos ao Presidente da Assembleia Regional para a avaliação compulsiva do estado de sanidade mental de vários deputados da oposição regional.
"E se o PSD nacional ainda há 2 anos quis reescrever a História, perdão, ensinar todos os portugueses que aquilo que se passou naquele dia foi uma mera "Evolução", como afixou nos cartazes, é também nosso dever iluminar o povo madeirense acerca do que realmente (não) significa essa data!", acrescentou, antes de atirar para o chão um cravo vermelho, em solidariedade com o gesto do ano passado cometido pelo seu colega parlamentar Coito Pita.
terça-feira, março 14, 2006
segunda-feira, março 13, 2006
Os paraquedistas...
No jornal Record :"José Veiga disparou hoje com um alvo bem definido. O administrador da SAD encarnada falou do empate a zero cedido ontem frente à Naval na Luz, dizendo que o Benfica está a ser prejudicado pelas arbitragens desde que denunciou a reunião entre Luís Guilherme e Pinto da Costa".E se uns tais de Anderson e de Marcel não falhassem de baliza aberta?
domingo, março 12, 2006
Poesia
Há semanas, num jornal francês, dei com uma declaração extraordinária de um responsável do patronato. Qualquer coisa como isto: o amor é precário, a alegria é precária, o casamento é precário, a vida é precária; então porque é que o trabalho não pode ser precário? Quando o patronato argumenta com poesia, já nada é como dantes. "
Acabei de ler isto no blog do Pedro Mexia:
http://estadocivil.blogspot.com/
Realmente, dá que pensar...
terça-feira, fevereiro 28, 2006
Quem são as vítimas?
segunda-feira, fevereiro 27, 2006
Gisberto
Nados em famílias “desestruturadas”, desprovidos por isso de referências parentais centrais para a sua conduta e sem modelos de conduta relacional, sobre os adolescentes procurava-se traçar essencialmente um quadro de contextualização sócio-económico que supostamente teria facilitado o desfecho ocorrido.
Manifestamente, era uma linha claramente redutora e que mitigava outras variáveis de relevo para se compreender o móbil do crime. Muitos outros rapazes têm dificuldades económicas, não estão enraízados num núcleo familiar tradicional e não é por isso que cometem tais actos criminosos. A pobreza é uma condição já suficientemente maldita e difícil de superar, para não se fazer recair o estigma duplamente nessa condição. Havia necessariamente que alargar o âmbito de abordagem noticiosa e investigar outros vectores de entendimento da situação, em suma, advogar uma reflexividade mais alargada do que as propaladas condições materiais de existência, tão centrais nas narrativas jornalísticas.
Entretanto, no fim de semana, uma estação televisiva exibiu uma reportagem efectuada a propósito de uma competição futebolística internacional entre padres. A certa altura, aquando da apresentação dos “craques”, a reportagem visitou um jornal minhoto de inspiração católica, onde a certa altura foi dada voz ao editor do mesmo a dirigir informalmente uma questão a um jornalista do jornal a propósito do “casamento daquelas duas fulanas de Lisboa”…
Matéria jornalística de interesse, não pela aspiração em si, mas pelo carácter de novidade da mesma, envolta por isso ainda em questões jurídicas de jurisprudência, a interrogação do editor do diário minhoto, afinal, não tinha como fito a obtenção de mais elementos informativos com vista à sua inclusão nas páginas do órgão escrito, porque, como se aprestou o editor a revelar, os critérios jornalísticos não tinham eleito esse acontecimento como digno de ser alvo de tratamento noticioso no jornal.
Todavia, aquela “caixa jornalística” momentânea constituiu um momento esclarecedor de como a instituição católica continua a lidar com as orientações sexuais minoritárias. De repente, a “pessoa humana”, tão fulcral nas alegações católicas a respeito de outros assuntos na ordem do dia, transformou-se em “fulana”, expressão provida de uma consideração social menor.
As duas mulheres, por afrontarem valores historicamente estabelecidos a respeito do entendimento da chamada instituição do casamento e por denotarem comportamentos distintivos em relação à moral defendida eclesiaticamente, já não eram duas pessoas, mas sim duas fulanas.
Se dissermos que os rapazes do Porto estavam há muito internados na Oficina de S. José, instituição da diocese do Porto, e que a vítima do crime e das perseguições era um transexual, começamos a ponderar que a aclaração da deficiente socialização primária a que os rapazes foram sujeitos não se deverá única e exclusivamente à sua condição sócio-económica. Analise-se também a actual instituição de integração social dos rapazes e verifique-se em conformidade quais os valores e os pensamentos que ela transmite aos seus internados sobre o "outro". Se calhar alguma da luz para a explicação do sucedido está aí…
Comentanto o "em jeito de comentário"
2- Por isso, o mais preocupante é precisamente o argumento do “incluem-se parte importante de estudos e trabalhos feitos por pessoas que em vez de papaguearem cartilhas ideológicas, estudaram, foram para o terreno, para os arquivos e procuraram, o que não os torna imunes à crítica, chegar a algumas conclusões. Quem é que informa melhor?” Toda a citação resume bem o pensamento do autor. Eu sei porque vi, porque estudei, porque pesquisei. Logo, tu que não viste, que não estudaste, que não pesquisaste não sabes nada do assunto nem podes ter qualquer opinião formada e digna de ser, sequer, comentada. Por isso, cala-te porque não podes “informar”. Faltou apenas acrescentar “sou [a tal] uma autoridade moral avalizada pelas pesquisas académicas que fiz e que diariamente faço”.
3- Eu não percebo nada de átomos (aliás, nunca vi nenhum), mas sei que eles existem. Sou até capaz de explicar, pasme-se, a sua composição (que heresia). Sou capaz também de falar sobre a Revolução Industrial, mas de repente não sei se devo porque não vivi na época. Estou consequentemente e também por isso condenado a não poder falar da China, ou da Inglaterra ou mesmo da Austrália pelo simples facto de nunca os ter visitado. Ou de Angola e Moçambique porque nunca vi de perto a sua pobreza e o desespero das suas populações. Estou proibido ainda de falar sobre a fome e a miséria porque nunca passei fome nem fui miserável. Ou sobre a toxicodependência por razões semelhantes. Continuo assim a procurar sentido para a existência de livros, revistas, filmes, jornais. E de bibliotecas, e livrarias, e museus, e arquivos. E da televisão, da rádio, da internet, etc. Triste mundo este se nos limitássemos a falar apenas sobre as nossas profissões ou sobre o nosso clube de futebol.
4- No meu partido (apesar de discordar com muitas das suas orientações e estratégias) há gente contra e a favor do aborto. Contra e a favor da eutanásia. Contra e a favor da regionalização. Contra e a favor do casamento entre homossexuais. Contra e a favor das privatizações. Contra e a favor da integração europeia. Contra e a favor da intervenção militar no Iraque. Contra e a favor do código do trabalho. Contra e a favor de uma maior liberalização do mercado. Contra e a favor da publicação dos cartoons. Etc. etc. Poucos partidos existem em Portugal com tanta diversidade de opinião. Dogmáticos e transmissores de “cartilhas” são aqueles que impõem uma única, e apenas uma, possibilidade de escolha. Aos seus e ao mundo.
sábado, fevereiro 25, 2006
Para que fique registado
Em jeito de comentário
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
A realidade existe
terça-feira, fevereiro 21, 2006
África
Entre 1960 e 1997 o continente africano recebeu qualquer coisa como o equivalente a seis planos Marshall. Resultado: um enorme e indescritível desastre. África está hoje muito pior do que estava, há quarenta anos atrás. Um exemplo particular: a esperança de vida no Zimbabwe passou de 56 para 33 anos. Vários outros exemplos gerais: metade da sua população vive com menos de um dólar; a fome mata anualmente milhões; a esperança de vida está nos 46 anos; uma em cada seis crianças morre antes de atingir os 5 anos; há 25 milhões de infectados (projecções simpáticas) com o HIV sendo que dois milhões sucumbiram à pandemia apenas em 2005. Problema central: o mundo perante a catástrofe evidente, alicerçado num forte sentimento de culpa (ocidental, sobretudo), decidiu doar rios de dinheiro que mais não serviram do que para encher os bolsos ou de políticos corruptos ou de senhores da guerra. Em qualquer das hipóteses, tratou-se sempre de gente pouco recomendável, que na maioria larga dos casos dedicou-se afincadamente à destruição física, e maciça, dos recursos disponíveis. Como lamento, a grande massa dos europeus convenceu-se de que doar dinheiro apagava o desconforto das imagens que corriam mundo e eliminava, da sua consciência, os dramas e as tragédias individuais e colectivas que entravam, via televisão, casa adentro. Por isso, nada como puxar do livro de cheques e comprar alguma leveza de consciência. Erro crasso, claro está. A maioria dos fundos disponibilizados acabou em parte incerta. Aliás, 80 cêntimos de cada dólar, para ser mais exacto. E claro que a caridade não desenvolveu as estruturas económicas nem deu azo ao desenvolvimento efectivo de uma classe média empreendedora capaz de solidificar alguma coisa de concreto que pudesse avalizar um qualquer futuro. O dinheiro mandou. Logo, o dinheiro comprou, por exemplo, as armas necessárias para amansar o povo e eliminar os adversários, principalmente os incómodos, em troca do forjar de algo levemente parecido com eleições.
Depois da Guerra Fria, situação complexa que não pode ser avaliada fora do contexto específico da época e dos blocos divididos por um muro, restou um único culpado: a América imperial, mais os falcões da sua administração (do passado e do presente, com especial ressonância na administração Reagan, afinal aquela que fez o muro ruir gerando um ódio evidente), responsáveis pelo arrastar das situações devido à sua política geoestratégica expansionista e predatória dos recursos terrestres ou mesmo devido à falta de interesse da região em questão. Outro grave, e roliço, engano. E explicação demasiado simplista para ser levada a sério. Os primeiros responsáveis da grave situação africana são os seus governantes, mesmo que educados nas melhores universidades americanas, inglesas, russas ou francesas e sob influência do “ocidente”. É preciso dizer as coisas como elas são. Usar o colonialismo, ou mesmo o pós-colonialismo, como justificação e desculpabilização pelo terror instituído e diversificado, não ajuda a resolver a situação porque, é preciso que se diga, boa parte dos líderes africanos são déspotas da pior espécie e, em alguns casos, notórios serial killers. Tudo o resto, é defender o indefensável e ser conivente com quem diariamente trai o seu povo, não criando uma única infra-estrutura que possa fazer crescer um país.
Quanto ao argumento da liberalização do comércio é preciso dizer que este é, e quanto a mim, um não argumento. Porque sucede precisamente o contrário: o problema africano resulta do excessivo proteccionismo de alguns mercados e não da liberalização do comércio ou da globalização em si. Basta ver a vergonha da União Europeia e das suas políticas agrícolas, o proteccionismo alfandegário e aduaneiro de blocos comerciais antagónicos e o recente falhanço da Organização Mundial de Comércio. O problema é estar, e continuar, à margem da globalização. Não é estar na globalização. O problema é que gostamos demasiado do nosso bem-estar e aceitamos que líderes africanos continuem impunes. O problema é que passar o raio do cheque é bem mais fácil. E dá menos chatices.
B. Macedo
domingo, fevereiro 19, 2006
O futebol de domingo
B. Macedo
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Berthelot
Entramos em contacto convosco para, infelizmente, vos transmitirmos a notícia, recebida da AISLF, do falecimento de Jean-Michel Berthelot. Desejamos deixar aqui expresso também o nosso pesar por esta perda significativa tanto para os sociólogos em geral como para os colegas que com ele privaram. Em baixo enviamos a notícia recebida da AISLF e um resumo biográfico de Jean-Michel Berthelot (obtido através da página electrónica do Centred’Études Sociologiques de La Sorbonne).
AtentamenteAssociação Portuguesa de Sociologia
A Direcção
Mensagem recebida hoje às 12h15
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Alguma coisa sobre África
Sobre os posts longos...
Queria acrescentar que na realidade vejo uma grande diferença entre fascismo e comunismo, mas que esta nem está no plano doutrinário nem na extraordinária teoria da inclusão/exclusão (tristes tempos estes, em que um totalitarismo é justificado pela sua capacidade ou não de inclusão). E passo a explicar: enquanto que o fascismo teve criminosos com rosto, uma vez que foi derrotado militarmente por uma associação de Estados a quem isso convinha, que acabaram julgados e condenados (pelo menos, os que sobreviveram) pelos horríveis crimes que cometeram, o comunismo, por seu turno, teve a original ousadia de originar crimes sem criminosos, como a história actual nos diz, num branqueamento atroz que lesa a memória, que jamais deveria ser esquecida, das suas vítimas. É por isso que um crime perpetrado por um ditador fascista é um crime; mas um crime perpetrado por um ditador comunista, não é crime: é um passo em frente ou apenas um infeliz acontecimento, um desvio, que nada tem a ver com o comunismo ou com a ideologia. É por isso que Estaline representa um desvio. Tal como todos os outros tipos simpáticos, responsáveis por outros tantos desvios de circunstância. É esta a razão que leva o marxismo a passear-se impune pelo mundo e por muitas cabeças. Como na do camarada Jerónimo que hoje mesmo afirma, em entrevista ao Público, a extraordinária verdade “Quem sou eu para dizer que a minha democracia é melhor do que a deles?”. Isto como resposta à pergunta “Acha que há democracia em Cuba?” Quem sou eu, para dizer o contrário? Quem sou eu para tentar explicar que não há totalitarismos bons e maus? Não acham que está tudo explicado?

