terça-feira, agosto 31, 2004

A oriente tudo de novo

Tenho partilhado a minha condição de estudante no Reino Unido com uma vasta comunidade oriental. Chineses, japoneses, coreanos, tailandeses, etc Temo-nos dado bem e uma japonesa chegou mesmo a dizer-me que eu era parecido com o primo dela, mas para não me preocupar – como se uma comparação com um oriental fosse uma espécie de ofensa. Entre japoneses mais sofisticados e chineses mais tímidos uma coisa em comum: a obsessão com o ocidente e, especialmente, com o american way of life. A China é um caso particularmente interessante. As roupas, as marcas, os gestos, as séries de televisão, o cinema, os carros, são ambicionados por milhões de chineses (muitos milhões digamos). A grande maioria dos chineses que frequentam a SOAS estão a expensas das famílias. Estamos a falar de quase três mil contos por ano de propinas mais os custos da habitação, alimentação, etc. Asseverou-me o chinês que já há muita gente na China a poder pagar tais quantias. As universidades britânicas agradecem.

Portugal Olímpico

Tenho à minha frente o quadro completo das medalhas atribuídas nos jogos olímpicos de Atenas. Portugal situa-se no 61.º lugar entre os setenta e cinco países que ganharam alguma coisa. A equipa nacional alcançou duas medalhas de prata e uma de bronze. Destas, apenas a última me parece poder ser considerada o resultado de um qualquer investimento estrutural. Rui Silva é há muito um valor evidente e, embora não se esperasse dele uma medalha, sabia-se que poderia fazer um bom resultado. O feito de Sérgio Paulinho, sem lhe tirar o mérito, muito dificilmente se voltará a repetir. Foi, de certa forma, um feliz acaso. Francis Obikwelu é um nigeriano que treina em Espanha e que Portugal, e muito bem, acolheu na sua equipa. É fantástico o que fez, mas não se pode considerar o produto da política desportiva do país. Não é preciso recorrer ao quadro de medalhas para perceber o desastre que é a actividade desportiva em Portugal. No país do futebol fala-se muito e pratica-se pouco. Agitam-se bandeirinhas pela pátria mas não se percebe quão efémeras são as conquistas do futebol face à fragilidade de tudo o resto. É certo que as medalhas não são o único, sem sequer o melhor, critério de avaliação da saúde desportiva de uma população. Mas basta ouvir as queixas de atletas, nadadores, judocas, velejadores, corredores, etc, para perceber que o que fazem é quase sempre muito mais do que tinham que fazer. É nestas ocasiões que os argumentos esgrimidos por aqueles que lutaram contra o “país dos dez estádios” parecem realmente válidos.

quinta-feira, agosto 26, 2004

(IV) Madeira - Agosto 2004

Enquanto não podem aceder à SIC e à TVI os madeirenses lá se vão entretendo com as Semanas Gastronómicas dedicadas às especialidades locais (Lapas, Polvo de escabeche, Queijadas, Pudins de maracujá, entre outras), quase sempre fartamente oferecidas em bandeja por belas moçoilas, como acontece no Machico, terra de muitos “comunas”, como carinhosamente e sem desdém nenhum o Jornal da Madeira costuma caricaturar os seus naturais...
Evento já razoavelmente enraizado na história, é apenas mais um dos atractivos da Ilha da Madeira dignos de uma visita.

(III) Madeira - Agosto 2004

Por falar em media, a presença in loco na Madeira permitiu-me ficar a saber que os canais televisivos SIC e TVI, felizmente, não estão disponíveis em sinal aberto, mas apenas para os assinantes das ligações por cabo.
Mas ao que parece, azar dos azares, esta situação será em breve corrigida, por pressão das forças políticas, incluindo o PCP, que na voz do seu líder regional, Edgar Silva invocava ainda o imperativo ético do Estado comparticipar a totalidade do preço do descodificador necessário para tal visualização (15 contos na moda antiga). Ou seja, em breve será possível a todos os madeirenses terem nos seus ecrãs a projecção diária de 17 novelas brasileiras e 15 portuguesas, distribuídas pelos dois canais, reality-shows com farturinha e noticiários televisivos dedicados às aparições de extra-terrestres no Alvito e de fantasmas na casa dos Gomes em Vila Franca das Naves (Guarda).
Estavam os madeirense muito bem até hoje, imunes ao nivelamento por cima que os citados canais televisivos trouxeram ao espaço televisivo e vem o Padre Edgar exigir que o Estado faculte gratuitamente o acesso aos mesmos. Só apetece fazer-lhe o mesmo que a figura do Bordalo.
Ao Padre Edgar propunha, em alternativa, que em vez de andar a defender que o dinheiro dos contribuintes que vá ser desbaratado em descodificadores, com insígnias apregoe que o metal valioso seja melhor afortunado na compra dos primeiros três volumes do Capital para todos os cidadãos da Madeira. Seria uma atitude que contemplava certamente maior valor educativo e cultural do que andar a dar-lhes a SIC e a TVI. E os madeirense agradeciam, com certeza!

terça-feira, agosto 24, 2004

(II) Madeira - Agosto 2004

Retomando a crónica madeirense, e depois da aclaração de alguns dos aspectos passíveis de provocar consideráveis contratempos às pessoas e às viaturas, (tinha-me esquecido da amplitude de remendos no alcatrão em quase tudo o que é estrada!) mesmo àquelas máquinas de grande qualidade e capacidade de resistência, como são o caso do Ford Ka e do Nissan Micra, arriscaria dizer, ainda assim, que nenhum deles consegue concorrer tanto para a má imagem da ilha como o cenário com que nos deparámos na discoteca JAM.
Nesse cenário, nem mais nem menos do que o localmente apelidado de “Quinhentitos”, Presidente do Nacional da Madeira, num estilo muito "à lá Intendente", mirava as moças que bailavam na pista de dança, encostado ao balcão e envergando uma t-shirt sem mangas e uma pulseira verde fluorescente. Atroz imagem para o turismo de qualquer região!
A banir rapidamente, portanto.
Falando de coisas mais propensas a deixarem uma boa impressão nos visitantes, seremos obrigados a mencionar o carácter consideravelmente prolixo da imprensa local.
Com 3 ou 4 jornais diários, e pelo menos um semanário, se não me engano, e com particular destaque para o Diário de Notícias da Madeira, cuja tiragem chega perto dos 20.000 exemplares,(certamente um dos líderes da imprensa regional), depreende-se daqui que a taxa de leitura de jornais na Madeira é francamente superior à da média da população do Continente (embora, por exemplo, a leitura do Jornal de Notícias da Madeira, a julgar pela edições que vimos, quase sempre com um editorial do Presidente do Governo Regional, em topo de página, por sua vez também ele quase sempre secundado por um outro texto de um líder de um organismo público regional a distribuir encómios ao primeiro, não me pareça prefigurar este como uma mais valia de informação isenta...)

Continua...

quinta-feira, agosto 19, 2004

(I) Madeira - Agosto de 2004

Depois da estreia nos palcos madeirenses, é altura de fazer um curto balanço da digressão. Como me movimentei em território conhecido por metade dos leitores deste blog, não vale a pena estar a ser exaustivo na descrição da ilha, pois seria como estar a ensinar a missa ao padre ( à excepção, claro, do Forte do Pico, que parece que quase nenhum dos madeirenses conhece!... Mas depois do árduo esforço que envolveu a sua subida compreendo melhor as reticências para irem visitar o Forte).
Num tom geral, diria que retive bastantes aspectos agradáveis da Madeira, situados essencialmente ao nível da paisagem natural (a Costa Norte, o Paúl da Serra, o Cabo Girão, o Pico do Areeiro, o Ribeiro Frio, o Curral das Freiras, o Santo da Serra, a Ponta de São Lourenço, etc), mas também cultural e patrimonial (a caótica Livraria Esperança, alguns museus e os Fortes de Santiago e do Pico, por exemplo).
Tais virtualidade superam algumas situações que merecem reparos, seja pelo incómodo que provocam aos cidadãos (a quantidade de empreitadas da construção civil a decorrer em simultâneo e a antiguidade dos autocarros que fazem o percurso desde o Funchal até ao interior da ilha), seja por se constituírem como rombos no património natural (aqui o destaque vai para as obras de requalificação (???) da praia de Ponta do Sol).

Continua...

segunda-feira, agosto 09, 2004

Moore & Moore

Fahrenheit 9/11 é um filme importante. A base da democracia é a participação dos indivíduos. Estes só podem participar na vida do seu país se estiverem informados. No que respeita às actividades e intenções do governo americano liderado por Bush Jr. ficamos, com este documentário, mais esclarecidos: percebemos o que está por detrás das guerras do Iraque e do Afeganistão, as ligações da família Bush e seus acólitos com as monarquias do Golfo, nomeadamente a Arábia Saudita (7% da riqueza americana é saudita). Dados importantes, e devidamente comprovados, para o exercício do direito de cidadania. Quem acusa Moore de ser parcial esquece-se da parcialidade das grandes multinacionais da comunicação. O filme de Moore é dedicado ao público americano. É por isso que, para chegar ao cidadão comum, opta, algumas vezes, por um discurso simplista e emocional, bastante visível quando trata da questão do Iraque e da presença dos soldados do Tio Sam. É possível afirmar que certos planos eram dispensáveis, mas Moore sabe bem que são úteis. A vida das pessoas é, neste como em muitos outros casos, mais importante do que arte.

sábado, agosto 07, 2004

Sines 2004 outra vez

Em relação ao meu post anterior o camarada César contestou, informalmente, algumas das minhas afirmações. As suas discordâncias foram em dois sentidos. Por um lado, afirmou ele, a maior parte das pessoas que estava em Sines não era da terra, mas de Lisboa, o que contrariaria a ideia de uma política local de desenvolvimento. Por outro lado, a própria música apresentada no festival teria pouco a ver com o gosto das pessoas da terra. Deste modo, o festival de Sines estaria mais a servir uma população de Lisboa, com determinados gostos, digamos, próximo de certa classe média.
A verdade é que o César tem, em grande parte, razão. O que ele não apresenta, no entanto, é um modelo alternativo que permita que a sua crítica se torne construtiva. Temos um festival com um conjunto de grupos que se inclui no que se chama de World Music (embora, na minha opinião, o festival consiga ir para além deste chapéu), fora, portanto, do registo mais claramente comercial das rádios, televisões, editoras, distribuidoras, etc; um festival cuja entrada, pelos três dias, custa 10 euros; existem, à parte, inúmeras iniciativas gratuitas. A música não será globalmente conhecida mas, com toda a certeza, não apresenta os problemas formais de um concerto de trash metal, ou de música de câmara, ou um espectáculo de dança contemporânea, etc. A lógica do festival de Sines, aliás, não é assim tão diferente da apresentada nas Cantigas de Maio do Seixal, ou mesmo, embora neste caso a questão seja mais complexa, na festa do Avante.
Claro que isto não evita os dois problemas colocados: a invasão da classe média lisboeta (embora seja discutível que as pessoas vindas de Lisboa sejam na sua maioria de classe média) e a dificuldade dos habitantes de Sines, por incompatibilidade formal com a música apresentada, aderirem ao evento.
Assim de repente só me lembro de uma solução para o problema do César: o populismo. Esta solução é, aliás, utilizada em grande parte dos nossos munícipios. Usando aquela velha máxima rangeliana de que «só damos ao povo o que o povo quer», enchamos o Castelo de Sines com o Nel Monteiro e a Mónica Sintra. De certeza que temos adesão maciça à la Chão da Lagoa. Estou em crer que, apesar de tudo, quem organiza o festival de Sines tem o povo em melhor conta. Infelizmente, dirão algumas almas mais intolerantes e desconfiadas, não é possível proibir a classe média de Lisboa de rumar a sul.


terça-feira, agosto 03, 2004

Sines 2004

O festival de Músicas do Mundo realizado em Sines é um exemplo de bom trabalho autárquico na área da cultura. Um festival de inegável qualidade a preços acessíveis. Alguns críticos musicais, denotando dificuldade em pensar para além das notas que semanalmente dão aos discos que vão saindo, não conseguem perceber que a importância do festival é inseparável de uma filosofia de política local. Gerido por uma qualquer produtora, o festivalde Sines proporcionaria um lucro assinalável, bastava aumentar o preço dos bilhetes e, seguindo a doutrina João César das Neves, acabar com o investimento em espectáculos gratuitos. Considera a autarquia, no entanto, que existem benefícios para a população, não contabilizáveis apenas em balanços e balancetes, que justificam a aposta. O festival de Sines levanta muito mais discussões do que aquelas que perspassam em meia página de crítica musical. Houvesse jornalistas capazes de as pensar.

sexta-feira, julho 30, 2004

Críticas de cinema e Lições básicas de matemática

Por uma questão de curiosidade, decidi dar uma vista de olhos ao suplemento "Indígena" do jornal Independente que tinha ao dispor aqui perto.
Com a atenção mais virada para a crítica do filme "Fahrenheit", da autoria do senhor Leonardo Ralha, voluntariei-me para ler a mesma de fio e pavio de molde a poder julgá-la e compará-la mais logo com a minha visualização do filme.
De forma expectável, o crítico do Independente propõe-se no seu texto levar a cabo a tarefa de desfazer, ponto por ponto, os argumentos de Michael Moore, no intuito de desmascarar a terrível manipulação da verdade que neles estão subsumidos, abstraindo-se, claro, "tanto quanto possível de preconceitos ideológicos", como o tipo-ideal da actividade de crítico de cinema postula.
Não conseguindo disfarçar minimamente os tais preconceitos ideológicos (a aposição destas ressalvas no destaque dos textos, geralmente é quase sempre um indício da garantia do que vem a seguir...), o crítico atinge o auge da sua tarefa inglória perto do final do texto quando refere:
"Se num universo de 1070 pais - partindo do princípio de que nenhum dos eleitos é viúvo ou viúva - existe um dos 140 mil estacionados no país e em 294 milhões de norte-americanos há cerca de 130 milhões com idade suficiente para terem filhos nas Forças Armadas, a proporção é idêntica".
Apostado em oferecer-nos esta "lição básica de matemática", como diz, esquece-se das lições básicas de representatividade estatística!
Honesto seria o crítico verificar se existe uma correspondência entre o peso proporcional dos distintos extractos sócio-económicos no conjunto da população americana e os 140 mil militares destacados no Iraque.
Desconfio que se esqueceu de dar ao trabalho de verificar esta lição básica de representatividade estatística por algum motivo...





quarta-feira, julho 28, 2004

La Palisse

Naquilo que pensava ser um anúncio de grande impacte em termos de novidade, o Presidente da Associação de Turismo de Lisboa disse ontem ter garantias que o novo casino de Lisboa se irá situar no Pavilhão da Realidade Virtual... como se isso não fosse já do conhecimento de toda a gente desde há muito tempo! La Palisse não diria melhor...

terça-feira, julho 27, 2004

Bola

Para os amantes da bola, um site com alguns dos melhores momentos de sempre:
http://www.soccerpulse.com/forum/
lofiversion/index.php/t306.html

Pedintes

Há algumas semanas atrás foi anunciado, com pompa e circunstância, pelo Governo o reforço dos meios aéreos de combate aos incêndios.
Ontem o Governo português pediu auxílio externo, em aviões e helicópteros, para combater os fogos florestais que estão a lavrar pelo país.
Alguém me consegue explicar como é que isto é possível?

quinta-feira, julho 22, 2004

A modernidade

O Ikea chegou a Lisboa para revolucionar as casas portuguesas. Design para o povo, funcionalidade, novas soluções, faça você mesmo. Passo a publicidade, mas temos que agradecer aos nossos amigos suecos esta forma de democratizar o mobiliário. William Morris chamou-lhes as artes menores, sabendo que eram da maior importância.

Responsabilidade

Um dos argumentos mais usados pelo PSD contra a esquerda é o da falta de responsabilidade. Desde que está no governo, o PSD apresentou-se como o partido que ia limpar as impurezas do país, impondo o rigor contra a irresponsabilidade da esquerda. Para isso rodearam-se de técnicos e burocratas. Os economistas neo-clássicos, os famosos gestores, para os quais a discussão entre direita e esquerda foi há muito ultrapassada pelas regras infalíveis e universais do cálculo económico, matematizaram o mundo: tudo o que foge à sua aritmética neo-liberal é pura irresponsabilidade.  Manuela Ferreira Leite foi o rosto desta política em Portugal.

Gostava de perceber em que estado fica o discurso do rigor quando se sabe que Câmara de Lisboa, depois da liderança do novo primeiro-ministro,  está um atoleiro de dívidas, que o orçamento do governo regional da Madeira tem défices crónicos, que o novo governo criou mais ministérios e secretarias de Estado e que pensa colocá-los nos lugares mais mirabolantes do país e que, em breve, vão chover novos contratos e nomeações.
O PSD, se lhe resta algum efémero resíduo de social-democracia - é tão invisível a esquerda do PS como a social-democracia no PSD - devia-se preocupar com a responsabilidade, a responsabilidade social. Afinal não é isso que define um social-democrata?

O Novo-Burlesco

No intuito de combater um conjunto de restrições legais que foram instituídas na Big Aple na década de 90 (leis contra o álcool, o cigarro, a pornografia e tudo o que pudesse trazer algum prazer aos habitantes), têm renascido algumas das modas sonantes do passado na cosmopolita cidade de Nova Iorque. A mais sonantes dessa modas actuais é o Novo-Burlesco.
Herdeiro do oitocentista Burlesco, género teatral que combinava o Cabaré com o Teatro Revista, o Novo-Burlesco mistura o espectáculo circense com o freak-show.
Sempre atento às inovações da cena cultural internacional, Santana Lopes começou já a mimetizar esta corrente artística que visa levar os espectadores às gargalhadas para o seu Governo.
Em escassos 6 dias, e para combater os discursos pessimistas do governo anterior, o Executivo de Santana Lopes começou já a trazer alegria que escasseava ao povo depois de 2 anos de tanga.
Primeiro no anúncio da tomada de posse do seu Adjunto como Ministro do Mar (mas não das pescas, nem dos rios ou dos lagos), depois no desvio da nomeação da ex-Secretária de Estado da Segurança Social, garantida pelo Ministro do Mar como sua Secretária de Estado, para a Secretária das Artes, Santana Lopes começou já a dar provas inequívocas que o Novo-Burlesco veio para ficar próximos tempos para animar e dar cor a este anteriormente país cinzento!

terça-feira, julho 20, 2004

O últimos heróis desportivos

Quem consegue sentir a emoção de uma etapa de montanha na Volta à França sabe que aqueles homens que sobem paredes numa bicicleta são os últimos grandes heróis desportivos.

Pinguins: Vilar de Mouros 2004

Um pinguim madeirense de  espécie rara, das encostas do norte da ilha, atirou com um Corneto de morango ao cantor Bob Dylan durante o espectáculo que este apresentou no festival de Vilar de Mouros.

Perto do paraíso

Nesta última semana têm sido transmitidos na televisão portuguesa, de dois em dois dias, jogos do Benfica.

Homem não consegue sair do Fundão

Um jovem sociólogo beirão não consegue sair da sua terra. Mal se aproxima da auto-estrada há uma força poderosa que o devolve ao sofá da sua casa, numa casa no centro do Fundão. A Nasa já enviou cientistas para estudar o caso. Depois do nascimento de um rabanete de 56 kilos, em 1937,  este é mais um caso que abala a pacata cidade beirã.

Queremos os pinguins de volta

O blog do pato perdeu a sua densidade, a sua solidez, a sua dimensão metafórica em estado de graça para voltar a banalidade do comentário político. Queremos os pinguins de volta.

Lugares míticos e misteriosos

 
A esquerda do PS acaba de ganhar o prémio do lugar mais mítico e misterioso de Portugal, batendo a Boca do Inferno, o Cabo Espichel, a Lagoa das Sete Cidades e o Túnel das Antas. Ela existe, mas nunca ninguém a viu em acção.

quinta-feira, julho 15, 2004

O Demónio de Sócrates

“Vós tendes frequentemente e em todo o lado ouvido dizer que um signo divino e demoníaco se manifesta em mim (...) Isso começou desde a minha infância; é uma espécie de voz que, quando se faz ouvir, me desvia sempre do que me proponho fazer, mas nunca me incita a isso. É ela que se opõe a que eu me ocupe da política, e creio que é de uma extrema felicidade para mim que ela me desvie disso.”
Apologia

terça-feira, julho 13, 2004

13-07-2008 - Parte II

Quatro anos após o anterior Presidente da República, Jorge Sampaio, tal como Deus, ao menino e ao borracho, entenda-se aliança Santana-Portas, ter colocado a mão por baixo, o Primeiro-Ministro, António Vitorino, anunciou hoje ao actual Presidente da República, Cavaco Silva, que recebeu um convite formulado pelo Partido Socialista Europeu, na sequência da vitória deste último partido nas recentes eleições para o Parlamento Europeu, para ser o homem do leme da Comissão Europeia para os anos vindouros, em substituição do líder vigente, José Barroso, considerado inepto pelo PSE para continuar a desempenhar as funções para as quais foi mandatado há quatro anos pelo PPE como “mínimo denominador comum”.
António Vitorino fez saber junto de Cavaco Silva que é sua intenção aceitar, finalmente, embora a contragosto, o convite por entender, entre outros motivos, ser de relevante interesse nacional que este cargo seja novamente preenchido por um português.
Cavaco Silva compreendeu a vontade de Vitorino e deu anuência para a satisfação desta sua velha pretensão.
Cavaco hesita agora entre na decisão a adoptar. As alternativas consistem na nomeação do vice-presidente do PS, José Sócrates, como novo líder do Governo ou na convocação de eleições antecipadas.
Admitida pelo próprio como a mais grave e difícil decisão a tomar no seu mandato, porque inédita, Cavaco alegou que irá iniciar um conjunto diversificado de auscultações de figuras representativas da sociedade civil portuguesa, ou seja, os dirigentes de associações patronais, os accionistas de topo dos maiores bancos portugueses e o Governador do Banco de Portugal, antes de tomar a decisão final.

quinta-feira, julho 08, 2004

A Internet chegou a Cavernães

Numa acção promocional, mas que simultaneamente serviu como medida de equalização dos desníveis sociais no acesso à Internet, a PT ofereceu ontem a uma associação de solidariedade social de uma aldeia do concelho de Viseu, um Kit de navegação "Sapo ADSL".
Até ontem arredadas da utilização da Rede em virtude das dificuldades económicas de muitos dos seus progenitores em possuírem computadores e em estabelecerem ligações virtuais, a oferta da PT traduziu-se num enorme contentamento para as crianças locais.
O encantamento foi tão grande que, segundo as próprias, teriam ficado muito felizes, mesmo se em vez da ligação ADSL cá colocassem a Internet mais lenta do mundo .
É que, como disseram, a partir de agora vamos poder fazer muito mais coisas..., sem, evidentemente, poderem explicitar que coisas seriam essas para além da ideia de que na Internet «dá para ir buscar coisas. O meu irmão foi lá buscar receitas de bolos. Também dá para ir buscar coisas sobre animais, não dá?».
Possuíndo, naturalmente, apenas uma noção muito vaga do potencial da Internet, quase sempre construída pelos media, designadamente pelos anúncios publicitários da televisão, a difusão da Internet continua a espalhar sobre os mais jovens, mesmo entre aqueles que nunca usufruíram dela, uma curiosidade irresistível.
O mérito destas iniciativas, sem estar a querer aprofundar muito outras análises relativas aos benefícios e aos perigos do uso da Internet, está precisamente em equalizar o primeiro nível de desigualdade de acesso a este imenso manancial de informação, comunicação e diversão, já que
ao invés de outras crianças mais bafejadas por dotes financeiros, para quem a desenvoltura na utilização da Rede é um dado adquirido há algum tempo, para aquelas crianças aquilo que até ontem conheciam da Internet era o que tinham visto «na televisão. Eles dizem: o sapo libertou- se. Mas não sei para onde foi. Terá ido para a Internet?», como perguntou Cláudia Amaral, de 10 anos.
A partir de agora a Cláudia e outras crianças, menos afortunadas financeiramente, já saberão para onde terá ido o Sapo.

quarta-feira, julho 07, 2004

Memória

Desde que emergiu este processo de sucessão governativa, têm sido diversos os argumentos invocados, quer pelos defensores da continuidade da assunção das funções executivas pela coligação formada em Abril de 2002 quer por aqueles que preconizam a convocação de eleições antecipadas por parte do Presidente da República.
Em termos genéricos, os defensores da continuidade alegam a estabilidade governativa, a coesão da coligação PSD/PP ou a colocação em risco da tão propalada como dúbia retoma económica como motivos legítimos para a condução de Santana Lopes à chefia do Governo.
Os adeptos de eleições antecipadas apoiam-se na (falta de) legitimidade eleitoral de Santana Lopes e, por inerência, de todo o futuro Governo para conduzir os destinos próximos do País, no primado de responsabilização dos eleitores e na necessidade de se atender aos recentes resultados eleitorais para sustentarem a ida às urnas.
Estando a minha opinião incluída no lote dos que perfilham a necessidade do País ir a votos, e sem desmerecer nenhum dos argumentos atrás mencionados para legitimar tal decisão, o que mais me impressiona e mais chocaria na eventualidade de sucessão governativa que contemplasse a figura de Santana Lopes como Primeiro-Ministro, é a ideia de uma memória traída do seu Governo
Uma memória que remonta não à consciência de um passado remoto, mas que data de há pouco mais de 2 anos.
- Uma memória que contempla o demissionário Durão Barroso a acusar o seu antecessor de cobardia e de ter fugido às suas responsabilidades políticas, quando depois fez o mesmo;
- Que recorda Durão Barroso a apelar, após a demissão de Guterres, para a imediata necessidade de convocação de eleições, para agora solicitar ardentemente a não auscultação dos cidadãos na nomeação de um novo Governo;
- Que se lembra de ouvir Durão Barroso intitular num Congresso do PSD o seu agora sucessor como uma mistura de Zandinga e Gabriel Alves;
- Que evoca um passado recente onde Santana Lopes considerava o seu agora desejado líder de parceiro de coligação como um indivíduo que, obstinadamente, tudo fazia para denegrir todos os líderes do PSD desde Sá Carneiro, algo que Santana Lopes asseverava nunca ir esquecer;
De todo este histórico em tom de encómios recíprocos estes indivíduos fizeram agora tábua rasa... O primado do apego ao poder e a satisfação de ambições pessoais e partidárias consegue mascarar antipatias tão profundas como foram aquelas que foram reveladas, ao ponto de conseguir congregar no mesmo barco tantas falsas aparências!
Se não fosse por outro motivo, só o facto destes actores demonstrarem tanto fingimento e de se disporem a obliterar a memória tão facilmente, do tipo "Despertar da Mente", é razão mais do que suficiente para os cidadãos do País decidirem se os querem a governar o País, ou não.

segunda-feira, julho 05, 2004

Trappatoni, si!

E como de desilusões futebolísticas já chegaram as deste ano (Liga dos Campeões e Campeonato da Europa, ainda por cima competições perdidas sempre para adversários de menor capacidade futebolística...), a contratação de Trapatoni pelos rivais da 2ª circular serve para animar um pouco o dia!
Realmente, valeu a pena o tempo de espera para contratarem essa velha raposa do cattenacio...
A meu ver, a única esperança do SLB poderá ser a passagem a técnico principal a meio da época daquele que se adivinha futuro tradutor de Trappatoni em Portugal.
Vocês sabem do que é que eu estou a falar!

domingo, julho 04, 2004

Lutas laborais

Uma adepta grega acaba de afirmar na televisão que Deus é grego e, consequentemente, a vitória da equipa helénica é certa. Complicado. Portugal conta apenas com a nossa senhora de Caravagio e a nossa senhora de Fátima que, pelos vistos, andam a mijar fora do penico pois lá nas alturas a fidelidade laboral é uma característica importante e o patrão é que manda. Há, no entanto, a possibilidade da adepta grega estar a mentir. O portuense João Meireles diz que tem provas irrefutáveis de que Deus é do Boavista.

sexta-feira, julho 02, 2004

Eu também vou!

Informo os parceiros do Pato que fui também chamado a fazer ouvir a minha voz junto de Sua Excelência o Presidente da República, a propósito da indecisão governamental, em audiência, na próxima terça-feira à tarde assim que termine o expediente, o que irá acontecer lá para as 17h30 18h, em princípio.
Aproveito ainda para questionar algum parceiro se me sabe dizer que é a carreira da Carris
que faz o percurso entre a zona Oriental da Capital e a zona de Belém?

Uma laracha

Qual a diferença entre Portugal e a República Checa?
A República Checa tem o governo em Praga, Portugal vai ter uma praga de Governo...

Metáfora nórdica

Pedi a um amigo que desse uma olhada no nosso blogue. Ele enviou-me um mail que passo a reproduzir.

Fui à morada que me deste mas devo-me ter enganado.
Só encontrei posts sobre pinguins, icebergues, a vida no Polo Norte, pinguins do Polo Norte para o Polo Sul, a nossa senhora de Fátima, o Paulo empoleirado na duna, a rebentação das ondas. Eu tenho uma veia poética mas isto para mim é demais.

Um abraço do teu amigo

Ricardo Barbosa

O Euro acabou, já não era sem tempo

Esta coisa de a Grécia ir à final do Euro com Portugal torna qualquer torneio de snooker na associação recreativa de Freixo de Espada à Cinta mais interessante do que o último jogo da competição. A Grécia, para quem não saiba, é aquela equipa que joga futebol como os italianos nos seus piores dias e que é treinada por um alemão. Qualquer filme do Manoel de Oliveira é animadíssimo quando comparado com o futebol grego. Do outro lado, estão os novos heróis nacionais, os novos Vascos da Gama. Para quem não saiba, Portugal, é aquela equipa bestialmente parecida com o FC do Porto mas só que em em vez de ser treinada por aqueles rapaz simpático e modesto de Setúbal tem ao comando a nossa Senhora de Caravagio e a gravata do Durão Barroso, perdão, do José Barroso. E depois há ainda um brasileiro lá pelo meio, mas ainda não percebi bem qual é o papel dele.
Estou desejoso que chegue o dia cinco, quando o Benfica apresenta a sua nova equipa. Estou farto de Portugal. Confesso que neste momento prefiro um sportinguista ou um portista a um português. São menos histéricos e nos jogos destes bons clubes não temos que aturar o José Barroso nos flashs interviews depois dos jogos(César, junta esta ao teu glossário de anglicismos parolos.)

A Fuga de Durão

É preciso combater, por não ser verdade, a ideia de que a presença de Durão em Bruxelas dignifica o país. Não é verdade, dignifica-o, quanto muito, a ele próprio. O país não ganha, nem perde. Durão fugiu, sabendo que os dois próximos anos iam ser complicados e que, muito provavelmente, iria perder as eleições em 2006. Mas se Durão fugiu, como Guterres o tinha feito, se a equipa do Dr. Lopes pouco terá a ver com a que neste momento nos governa, resta escolher outro grupo, através da realização de eleições legilativas antecipadas, para governar o rectângulo.

segunda-feira, junho 28, 2004

Albergues espanhóis

Os dois maiores partidos portugueses continuam a dar a imagem real da nossa democracia. Alguém lhes reconhece alguma ideia estruturante, algum princípio fundamental a não ser o da defesa das corporações, da manipulação do aparelho de Estado, do patrocínio de carreiras individuais. No PSD-PPD, os do PSD não gostam dos do PPD (de quem o PP é uma óbvia extensão). Como é que é possível que pessoas que se odeiam que, aparentemente, têm ideias diferentes, estejam juntas no mesmo partido? Valentins e Pachecos, Rios e Meneses, Santanas e Balsemões, etc. No PS, a direcção quer eleições antecipadas, mas muitos daqueles que olham aguçadamente a carcaça de Ferro Rodrigues, pensam duas vezes: sem congresso Ferro não cai, se Ferro vai a eleições provavelmente ganha e lá se vão as carreiras dos Sócrates e dos Lamegos.

sábado, junho 26, 2004

Eleições

Confirmando-se o abandono do cargo de primeiro-ministro por parte de Durão Barroso parece-me que não resta a Jorge Sampaio outra atitude que não seja a convocação de eleições antecipadas.

Mas nem tudo é mau

É verdade. É um prazer ler as crónicas que Luís Campos, treinador de futebol do Gil Vicente, escreve no Público. Tal como foi superior o modo como José Mourinho comentou o Portugal-Espanha. Das poucos coisas que nos fazem esquecer o António Fidalgo, os jornalistas que não conseguem fazer um resumo de um jogo sem aplicar no mesmo milhares de trocadilhos idiotas, quase sempre como umas imagens de umas gajas pelo meio, e umas transmissões que nunca dão as repetições completas (Alguém que explique aos realizadores da televisão que, por exemplo, para apreciar o último golo do Rui Costa no Portugal-Inglaterra é preciso ver a jogada desde o início e não apenas o remate final).

Futebol?

Dizem os críticos que o país está futebolizado. De certo ponto de vista a afirmação é verdadeira. Arrisco afirmar, no entanto, que de futebol vejo, escuto e leio muito pouco. Façamos um exercício. Contabilizemos as horas de televisão, os minutos de rádio, as páginas de jornais e revistas dedicados ao Euro 2004. Vejamos agora quanto tempo e espaço é dedicado ao futebol, ao jogo em si. Bastante pouco. Restam as intermináveis e estereotipadas perguntas de rua - o povo é uma mais-valia televisiva bastante barata - os programas de televisão em que figuras públicas, que de futebol nada percebem, fazem comentários imbecis, opinam, dão conselhos ao treinador, o acompanhar das viagens das equipas entre treinos, as ridículas conferências de imprensa, as reportagens com todos os familiares possíveis e imaginários dos jogadores e um sem número de banalidades milhões de vezes repetido. De futebol, muito pouco.

Qual a razão?

Por que raio é que as duas primeiras pessoas a comentar para a televisão estatal a vitória da selecção nacional de futebol foram Durão Barroso e Ferro Rodrigues? Deixem o futebol em paz, deixem-nos para os seus intérpretes, jogadores, treinadores, árbitros.

quinta-feira, junho 24, 2004

Pacheco Pereira, o cinema e Cannes

Pacheco Pereira na sua incessante e risível cruzada na defesa da Guerra do Iraque, oferece-nos hoje na sua crónica do Público uma autêntica pérola de presunção sobre o cinema e o Festival de Cannes.
Diz ele que "o pensamento baixou ao nível do grande "cineasta" Michael Moore (o prémio de "cinema" que lhe foi atribuído chega para desclassificar de vez o festival e o jurí que o fez".
Sem nos elucidar se já viu o filme ou não, sem nos explicitar quem constituíu esse jurí tão desacreditado, sem nos dar a conhecer as razões que estão na base da desclassificação do Festival de Cannes, só podemos chegar à óbvia conclusão que, para Pacheco Pereira, o pensamento elevado é marca registada do próprio e dos, como ele classifica, "governos democráticos legítimos", mesmo que esses governos sejam liderados por presidentes que alcançam um milhão de votos a menos que os seus adversários da contenda eleitoral.
Todos aqueles que têm a veleidade e a desfaçatez de questionar o pensamento elevado de tais elites esclarecidas, mesmo que o façam através de mensagens veiculadas em campos artísticos e que mereçam o reconhecimento dos seus pares, são agora classificados como pertencentes a uma espécie inferior em capacidade intelectual e reflexiva, os Baixos Pensadores.

segunda-feira, junho 21, 2004

quarta-feira, junho 16, 2004

O Zé do PS

É compreensível que nas hostes socialistas se sinta alguma euforia em razão dos resultados eleitorais do passado fim de semana.
Todavia, pensava eu que esse estado de espírito de satisfação não seria motivo para algumas personagens do partido perderem a noção dos sentidos e entrarem em delírio. Mas está a acontecer!...
O vislumbre da hipótese de reconquista do poder em breve está a provocar umas certas psicoses nalgumas mentes do PS, conduzindo-as a atitudes esquizofrénicas.
O mais recente ilustre representante desta tendência para a senilidade é a do ex-representante de Portugal no Governo Provisório do Iraque, Zé Lamego.
Ora não é que Zé Lamego, depois de nobres e elevados feitos praticados no Iraque, pretende agora candidatar-se a Secretário-Geral do PS?!
Justifica ele a candidatura com a "defesa de princípios e para a criação de espaços de protagonismos a novas gerações e a novos elementos". A julgar pelo seu recente passado político antecipa-se facilmente qual a índole e a elevação dos princípios que pretende defender...
Felizmente, ou muito me engano eu ou a sua candidatura não será mais do que mero fogo fátuo!


sábado, junho 12, 2004

Liners e Bandeirinhas

Num país pejado de bandeirinhas ad nauseum (não é só na Velha Albion, "amigo" Global...), esperemos, apesar de tudo, que a equipa portuguesa não fique logo à tarde em posição de fora de jogo (off-side)...

Em resposta ao nosso Bruno II

Os 3 ocupantes do pódio, em ordem aleatória: França, Itália, Holanda.
Os 3 melhores marcadores: Henry, Nistelroy, Larsson
A equipa revelação: Suécia

sexta-feira, junho 11, 2004

Orgulho nacional?

Deixem-me ver se percebo? As bandeiras desfraldadas por toda a cidade de Lisboa, e imagino por todo o país, mais em bairros populares do que em bairros burgueses,revelam a paixão por uma das nações mais sub-desenvolvidas da Europa, que trata os seus cidadãos abaixo de cão. A bem da Nação. Viva a selecção.

Em resposta ao nosso Bruno

Então cá vai: campeão República Checa; final: República Checa-Espanha (2-1); melhor marcador Morientes;

Xutos

Foi com enorme prazer que vi os cinco elementos dos Xutos e Pontapés serem condecorados pelo Presidente Sampaio. Numa lógica de atribuição de prémios eminentemente classista, que esquece quase todas as profissões e actividades distantes do campo do poder, é um óptimo sinal alguém se ter lembrado destes indiscutíveis baluartes da cultura popular portuguesa. Vivam os Xutos.

quarta-feira, junho 09, 2004

A campanha dos cartazes e placards em Viseu

Percorrendo as diversas artérias e rotundas da cidade de Viriato, constata-se, com surpresa, que, em matéria de afixação de material partidário, os espaços públicos viseenses são largamente dominados nestas eleições, pasme-se, pelo Bloco de Esquerda e pela CDU!...
Numa cidade e num concelho onde obtêm percentagens eleitorais marginais, não deixa de ser curiosa a aposta destas duas forças partidárias em polvilharem a cidade com adereços publicitários (cartazes, placards) das suas cores, a contrastar com uma presença muito mais discreta e quase invisível dos partidos que recolhem a maioria das preferências locais..., os quais, certamente, preferem dispender as verbas que estão guardadas nos seus cofres nas refregas eleitorais que se avizinham.
É apenas mais um sintoma da desvalorização que os principais partidos políticos fazem destas eleições, cristalino de se ver diariamente, quando estando nós perante uma eleições para o Parlamento Europeu, os discursos políticos nos intervalos dos insultos mútuos, se dedicam, sobretudo, a sondar e a ventilar para os media os nomes de putativos candidatos presidenciais...

segunda-feira, junho 07, 2004

Metal connection

No mesmo café do e-mail anterior, no dia anterior, reinaram os reis do Metal. À minha frente estavam dez jovens vestidos de preto, cerveja na mão, sotaque indiscutivelmente alentejano, a berrarem todos os clássicos da banda de Hetfielf, Hammet e Ulrich. O metal devia ser estudado, não digo essas novas bandas fabricados em estúdios de Los Angeles para adolescentes pseudo-rebeldes, mas do metal do underground que passa de cassete em cassete, ouvida em grupos, predominantemente masculinos, multiplicados por todo o país, nas grandes cidades e nos sítios mais recônditos. Embora o show dos Metallica seja muito produzido, muito profissional, no mau sentido destas expressões, o seu poder ainda se sente. Foi bom voltar a ouvir alguns hinos antigos. Mantendo uma posição de observador distanciado e reflexivo ainda abanei muitas vezes a cabeça.

A alegria do povo

Garrincha foi o mais conhecido extremo-direito brasileiro. Alguns consideram-no ainda melhor do que Pelé. Os seus dribles fenomenais, dançantes, inebriantes, encantavam o adepto do futebol. Garrincha, como ficou eternizado num dos mais importantes documentários do cinema novo brasileiro - obra da autoria de Joaquim Pedro de Andrade - era a alegria do povo. Não pude deixar de pensar nesta frase quando vi, num café de Sines chamado SMURSS (as quatro últimas letras não são um acaso) o concerto de Daniela Mercury no Rock in Rio lisboeta. Há qualquer coisa de profundamente honesto no concerto da Daniela. A produção é festivaleira, profissional, a música é muito fácil, mas prevalece uma ligação poderosa com o público, que dificilmente conseguimos observar nos McCartneys, nos Stings e dinossauros afins.

quarta-feira, maio 26, 2004

10.000

Olha, o Pato já tomou mais de 10.000 banhos no lago...

Jim Carrey - Eternal Sunshine of the Spotless Mind

Foi a segunda vez que tive oportunidade de ver Carrey num ecrã de cinema, depois de Homem na Lua, um registo em que a sua conhecida hiper-expressividade e o tom desbragado estavam circuncritos a limites mais estreitos do que o conhecido pela natureza da personagem representada, o comediante Andy Kaufman, e pela oscilação entre a comédia e o drama que a biografia deste implicava.
Sinteticamente, em "Eternal Sunshine of the Spotless Mind", temos agora um Carrey dar largas ao génio criativo do argumentista Charlie Kaufman, o mesmo de "Queres ser John Malkovich", ao vestir a pele de um indivíduo que sobrevive numa existência amorfa e desinteressante, segundo o próprio, e que ao descobrir que foi apagado da memória da rapariga que havia encontrado à beira-mar, decide retribuir à rapariga a supressão da sua mente, desígnio esse que será mal sucedido em virtude dos seus sentimentos não o permitirem.
Se ainda alguém tinha dúvidas do talento de Carrey, elas dissipam-se aceleradamente com a visualização do filme, digo eu...

segunda-feira, maio 24, 2004

Durão Barroso responsabiliza PCP por eventuais problemas de segurança no Euro 2004

Depois dos telemóveis com imagem no Iraque, foi descoberta mais uma força subversiva a por em causa a "nossa" segurança, o PCP.
Relativamente ao apoio incondicional e reverente à refrega iraquiana, ao não pagamento dos honorários devidos aos inspectores do SEF pelo trabalho desenvolvido e ao incumprimento do regulamento de promoções das forças policiais, o primeiro-ministro, curiosamente, foi omisso...

Rumsfeld proíbe telemóveis com câmara digital no Iraque

"De acordo com a publicação, o departamento da Defesa está convencido de que as fotos postas a circular nos Estados Unidos, que mostram os abusos cometidos pelos militares norte-americanos sobre os iraquianos detidos na prisão de Abu Ghraib, foram tiradas por este tipo de aparelhos".
Portanto, ficamos a saber que em vez de proibirem a prática dos abusos, para o departamento de defesa yankee o mais importante é confiscar os telemóveis, esses instrumentos subversivos que estão a minar a vontade de implantar a democracia ocidental na antiga Babilónia.

sexta-feira, maio 21, 2004

Portugal Positivo

O movimento Portugal Positivo, tentativa do PSD, via sociedade civil, combater os malefícos do discurso da «tanga», organizou uma conferência sobre a nossa (dos portugueses) auto-estima. Vasco Pulido Valente foi a grande atracção do evento. Convidar VPV para uma conferência sobre auto-estima organizada por um movimento chamado Portugal Positivo é das melhores piadas que ouvi nos últimos tempos. A coisa correu, bem se vê, bastante mal. Algumas frases do amargurado Vasco. Sobre a modernização do país por imitação de modelos estrangeiros: "Se uma pessoa define o seu programa político como imitação o que está a dizer é que a sua identidade é ser atrasado." Sobre as nossas elites: "Portugal está cheio de nulidades nas mais altas instâncias em que ninguém toca." Perante a estupefacção de um público optimista, Vasco apontou a solução para a depressão nacional: "Se houver mais dinheiro as pessoas começam logo a sentir-se melhor, nem precisam deste tipo de conferências."

A capital do trabalho

Desculpem o futebol outra vez. Dos 14 mil e tal bilhetes atribuídos ao FC Porto para a final da Liga dos Campeões apenas pouco mais de 3 mil foram vendidos ao público. Os restantes foram distribuídos por patrocinadores, empresas e por notáveis do país e da cidade. Quando olharmos para a bancada central do Estádio alemão onde se vai disputar a final e encontrármos políticos, empresários, artistas e outras figuras mais ou menos públicas sabemos que estes personagens, ao contrário da plebe, não tiveram que ir para a frente das bilheteiras dois dias antes. O clube da região, do imaginado "povo do norte" que enche permanentemente a Av. dos Aliados contra o centralismo lisboeta, distribuí os seus bens e serviços pelos mesmos de sempre, os barões do capital regional, as redes de interesses e de tráfico de influências, a mesma «classe» de sempre, que dirige impunemente este país. É neste ponto que estabelecem os limites do populismo, da paixão clubista, da mobilização da capital do trabalho. A capital do trabalho continua muito mais próxima do capital do que do trabalho.

quarta-feira, maio 19, 2004

Túnel do Rego - As obras estão já em andamento

Depois das mensagens de boas vindas dirigidas ao Sr. Benvindo, é este o novo cartaz afixado pela Câmara Municipal de Lisboa em diversos locais...
No Comments!

terça-feira, maio 18, 2004

A criação da Universidade Pública de Viseu

O primeiro-ministro anunciou, ontem, a criação de uma Universidade Pública em Viseu, cumprindo um dos seus compromissos eleitorais e uma promessa feita pelos sucessivos governos nos últimos 14 anos.
Como viseense, não posso deixar de me congratular com a decisão tomada pelo Governo, "premiando" uma cidade que tem evidenciado uma dinâmica económica e cultural assinalável ao longo das últimas duas décadas.
Pode ser este um impulso fulcral para a criação de centros de excelência ao nível da inovação e do conhecimento, que funcionem como alavancas para o desenvolvimento local e regional.
Para tal torna-se imprescíndivel, não só a aposta na investigação com fortes ligações a outras unidades no país e no estrangeiro, mas também a criação de uma rede de suporte de empresas que forneçam serviços à Universidade e às unidades de investigação, designadamente ao nível do equipamento tecnológico, e o investimento empresarial no chamado capital de risco em áreas de actividade desenvolvidas pelas unidades de investigação da Universidade.
Caso tal não se verifique, arrisca-se a ser mais uma Universidade Pública, incapaz de fazer face
a outras que geograficamente a circundam e de aportar os contributos relevantes que dela se aguardam como motor indispensável para o desenvolvimento de toda aquela região e do País.

segunda-feira, maio 17, 2004

11) Maradona

Quando desenhou a tatuagem de Che Guevara no seu braço direito Maradona disse que finalmente os dois mais importantes argentinos estavam juntos no mesmo corpo.

10) Formalismos

Só apoio a selecção nacional no próximo Europeu se eles jogarem alguma coisa.

9) Rui Rio

É de elementar justiça salientar a postura de Rui Rio em relação ao mundo do futebol. Porventura houve alguns exageros por parte do autarca. Mas as notícias que vieram a lume sobre os financiamentos ilegais da Câmara ao FC Porto provam que tinha efectivamente razão. O Rio é uma lança em África.

8) Os representantes da Nação

Vamos ter outra vez a rábula de Sevilha. Alguns deputados já admitiram que não se importam de faltar à sessão, não recebendo o dinheiro correspondente ao dia de trabalho. Os deputados deviam ter consciência que estão a representar os cidadãos e que a Assembleia não é o cabaret da coxa. Algures no México alguém deve estar surpreendido como é que alguém cancela uma visita de Estado para ir a um jogo de futebol.

7) Patriotas

Há alguma razão para um não portista apoiar o Porto na final da Liga dos Campeões? Consigo encontrar apenas uma. A cultura do ódio é repelente. Também dispenso o argumento patrioteiro. A única forma de apoiar esta equipa depende do que ela conseguir demonstrar em campo, interpretanto o jogo. Como o fez, exemplarmente, na Corunha.

6) Deco

Deco é o melhor jogador a actuar em Portugal. Um espectáculo dentro do espectáculo. No entanto, não consegue, tal como Mourinho, envolver o seu génio numa postura positiva. Deco é violento e é o mais simulador de faltas que tenho visto (bem mais que Liedson. Sé entou inventou uma mão-cheia delas. Deco engana os adversários, o árbitro, os colegas e o público. Os ingleses chamam-lhe diver. É pena.

5) Mourinho

Mourinho é provavelmente o melhor treinador de futebol do Mundo. Ainda ontem ficou provado. O Porto foi superior ao Benfica, tal como o Sporting o havia sido no último derby. Mas o futebol não é matemática. O treinador do Porto encaixou com perfeição na cultura do clube. Regra número um: só se elogia o adversário quando ganhamos, por que isso nos valoriza. Regra número dois: nunca, mas nunca, se reconhece uma derrota considerando que o adversário jogou melhor. Regra número três: tem que haver um responsável externo pela derrota, um agente do centralismo. Este agente é normalmente o árbitro. Qualquer pessoa com o mínimo de imparcialidade reconhecerá que as afirmações de Mourinho sobre o árbitro são tonterias. A massa adepta, de Gondomar, de Gaia, de Espinho, de Ermesinde, acredita, no entanto, na tese da cabala. É isto que é perigoso.

4) As regras do jogo

A cultura do ódio utiliza como arma de coesão interna a invenção do adversário: somos mais fortes e unidos com um inimigo forte. A lógica pegou bem na colagem do FC Porto à cidade do Porto, supostamente esmagada pelo poder centralista representado pelos clubes da capital, especialmente pelo Benfica. O Benfica não era apenas um clube de futebol mas o representante da injustiça centralista. Claro que os porta-vozes que reivindicam a justiça para o Porto não são as pessoas que vivem em condições precárias, em subúrbios miseráveis liderados por caciques autárquicos, mas os barões do Norte, espécie de senhores feudais que à custa do futebol e de electrodomésticos constróem exércitos de adeptos, que à falta de alegria material, sobrevivem do êxito dos seus clubes, bem longe dos palacetes da Foz.

3) A outra vitória

O Benfica não ganhou apenas uma Taça de Portugal, ganhou ao Porto. Mas não é o facto do Porto ser provavelmente a melhor equipa do mundo que torna a vitória mais importante. O que lhe dá um verdadeiro significado é o facto de ela ter sido edificada contra uma cultura do ódio. Esta cultura detestável não deve ser confundida com uma cultura de uma região, de uma cidade, ou das pessoas que por lá moram e trabalham, ela deve-se apenas aqueles que construíram, ao longo dos anos, um clube que se caracteriza por ser contra, que se define pela negativa.

2) A festa

Dizia ontem alguém, visivelmente aborrecido, que parecia que o Benfica tinha ganho a Liga dos Campeões, tal era a festa em Lisboa. Alguns consideraram a comemoração exarcebada a prova de que o clube está decadente. O Benfica deve assumir a sua história recente, uma história de fracassos. Neste contexto compreende-se a alegria, um sentimento extraordinário que ultrapassa em muito o mundo do futebol. O erro daqueles que não gostam, não percebem, e são sobranceiros de mais para procurar perceber o que significa o jogo, é que o futebol é um meio para expressar algumas das coisas essnciais da vida.

11 posts sobre o futebol - 1) Camacho

A vitória que o Benfica alcançou na final da taça de Portugal é o culminar justo do trabalho excepcional de José António Camacho. Reorganizador do futebol do Benfica, exemplo de rigor e frontalidade, o espanhol enfrentou o caos, os treinos em campos emprestados, os ordenados em atraso, as mortes em campo, uma equipa com fragilidades evidentes. Não é apenas o Benfica que perde com a mais que provável saída de Camacho, mas todo o futebol português que, no fundo, não o merece.

sexta-feira, maio 14, 2004

A Frase do Dia

"Quando se dá uma malga de sopa a alguém que está na rua, não se está a contribuir para o recuperar, mas para o manter naquela situação"
Paulo Morais - Vice-presidente da Câmara do Porto

quinta-feira, maio 13, 2004

Herança

Embora o seu posicionamento ideológico e doutrinário ao longo da vida estivesse quase sempre longe, para não dizer completamente nos antípodas daquele que eu perfilho, ainda assim parece-me justo reconhecer que o homem da expressão "25 do A", teve uma atitude nobre ao legar 500 milhões de euros da sua avultadíssima fortuna pessoal para a realização de investigação científica na área da medicina, através da criação de uma Fundação, apenas depois da sua morte, e não em vida para aproveitar e beneficiar somente de gratificações e subvenções monetárias que o regime júridico atinente à criação de fundações faculta, tal como muitos o fazem (embora o seu espólio também dispensasse com comodidade este tipo de artíficios...)

sexta-feira, maio 07, 2004

Múm

Os islandeses Múm deram ontem a conhecer ao vivo o seu novo albúm, "Summer make Good", na Aula Magna, num concerto intimista e verdadeiramente inebriante.
Com uma uma voz sussurante, a da vocalista Kristín Anna Valtýsdóttir's a liderar uma eclética digressão musical de 100 minutos, em termos instrumentais, foi o exemplo perfeito de como converter um espectáculo musical numa vibrante viagem pelo espaço sideral.
Inesquecível!



terça-feira, maio 04, 2004

Mais um advogado versado na "realidade sociológica"

Numa prosa deliciosa, o deputado Pinheiro Torres do PSD, num artigo de opinião publicado no jornal Público, vem hoje verberar contra o facto de ter sido exarado na recente revisão constitucional o preceito de nenhum cidadão poder ser privilegiado ou privado de qualquer direito em virtude da sua “orientação sexual”, invocando o facto de que a afixação constitucional desta norma por parte da coligação foi decidida, nas suas palavras, “em oposição com aquele que é o sentimento da realidade sociológica que costuma votar nos partidos da maioria”.
Ora, seria de elementar rigor científico, já para não dizer de bom senso, que este deputado jurista nos desse a conhecer em que abordagens sociológicas sobre o tema é que se foi apoiar para legitimar a sua asserção.
Pode ser uma lacuna minha, mas desconheço qualquer investigação sociológica credível recente acerca do posicionamento daqueles que votam nos partidos de direita que suporte a obliteração da constituição daquele preceito que agora foi incluído.
Pelos vistos, este causídico está mais bem documentado sobre o tema...As coisas que se aprendem sobre a "realidade sociológica" com juristas...

segunda-feira, maio 03, 2004

Juve Leo

Muito gostaria de saber como é que ao fim de anos e anos a provocar desacatos e a enfileirar atentados às mais elementares normas de uma postura minimamente civilizada, o líder da Juventude Leonina (e não só desta claque..) continua a poder frequentar recintos desportivos sem que qualquer tipo de escolho judicial lhe seja imposto pelas autoridades competentes...

domingo, maio 02, 2004

A Frase do Dia

"A mim ele nunca me levou ao teatro"
Carla Pinto, ex-esposa de João Pinto

sexta-feira, abril 30, 2004

Netsaúdeº

Após aquele autêntico massacre parlamentar transmitido pelas televisões, ontem no horário nobre, onde foi possível constatar um gestor de um grupo bancário português, e agora ao que parece também representante de uma empresa internacional de telecomunicações, de seu nome Luís Filipe Pereira, a ser violentamente fustigado pelo líder de um pequeno partido, que o deixou completamente atordoado e com uma capacidade de resposta risível, para bem do crescimento futuro e desprovido de traumas das crianças portuguesas, acho que chegou a altura das televisões começarem a ter alguma temperança e contenção na transmissão de actos daquele manifesto calibre violento, como, aliás, são quase todos aqueles onde participa o anedótico ministro da saúde...

O Túnel

"Manifestação de Apoio ao Túnel do Marquês contou com 4 participantes"
A Capital, 30-04-04

Embora tenha ficado um pouco abaixo das expectativas da organização em termos da presença de apoiantes (a organização esperava ao todo 7 participantes), esta manifestação em prol da política de Santana Lopes teve a virtude de ter permitido aos serviços de vigilância do Hospital Júlio de Matos encontrar os 4 pacientes que de manhã haviam fugido das suas instalações e cujo paradeiro permanecia incerto até à hora da manifestação, altura em que foram então encontrados no Marquês de Pombal.

quinta-feira, abril 29, 2004

Liberdade de Imprensa

Relatório da Freedom House
Liberdade de imprensa deteriorou-se no mundo em 2003

Olha, nós aqui no weblog do Pato nunca sofremos desse mal.
Aqui as opiniões e a informação circulam livremente, libertas de pressões colocadas por grupos económicos, estados autoritários ou perseguições judiciais.
Tomara que fosse assim em todo o lado.

segunda-feira, abril 26, 2004

Compromisso Portugal

"Compromisso Portugal propõe mudanças na Constituição.
Entre as propostas consta o estudo de uma revisão séria da Constituição da República, de modo a que esta deixe de colidir com as formas de contratação que as modernas relações económicas exigem".


Palpita-me que este lobbie económico-financeiro não se deve ter inspirado nas formas de contratação que os países mais “modernos” do mundo admitem como legalmente autorizadas para vincular os trabalhadores às entidades empregadoras...
Relembro quais eram os 3 países que em 2003 ocupavam as posições cimeiras em termos de índice de desenvolvimento humano da ONU, um indicador internacionalmente reconhecido como válido para consignar o grau de “modernidade” de um país:
1º Noruega; 2º Islândia; 3º Suécia.
Seria interessante analisar quais as coincidências de pontos de vista relativamente ao que vigora sobre as formas de contratação nestes países e o que este excelso grupo de empresários e gestores portugueses propugna como caminho a seguir.


domingo, abril 25, 2004

Sandim power

Um jornalista da TVI acaba de perguntar a um adepto do Gondomar se ele considera que a operação "apito dourado" é uma cabala engendrada pelos Dragões Sandinenses.
Claro que foi. Consta ainda que os Dragões de Sandim estão na origem do caso Casa Pia, do 11 de Setembro, do regicídio de 1908, do terramoto de 1755, da última ceia e da extinção dos dinossauros, este último feito em colaboração próxima com o Águias da Musgueira.

sexta-feira, abril 23, 2004

Sentido de Humor II

"Acontece ainda que o "apito" tem uma conotação fálica, mas frustre, de uma sexualidade sem energia nem alegria, reduzida a uma dimensão doméstica, envergonhada e melancólica. E, no plano do significante, um vocábulo em que apareça o elemento "pito" tem algo de uma sexualidade infantil, feita de expressões carinhosas, mas destituídas de agudeza e exuberância. "
Eduardo Prado Coelho

Sentido de Humor I

"E se o tal saneamento do futebol português não é levado a cabo, substituindo uma estafada e desacreditada geração de dirigentes dos órgãos institucionais do futebol, é porque a clubite lisboeta só aceita o saneamento se à cabeça vier o nome de Pinto da Costa".
Miguel Sousa Tavares

Piada do Dia

"Ganhar por 3-0 em Alvalade está perfeitamente ao nosso alcance"
Rui Cunha, dirigente da SAD do SLB

quinta-feira, abril 22, 2004

He was my friend

Jorge Andrade, mais um indivíduo que não domina bem o conceito regionalista de amizade.

Regionalismos

O advogado do presidente do Gondomar FC e vice-presidente da Câmara de Gondomar explicou esta manhâ a um jornalista da TVI que a expressão «tráfico de influências» não se aplicava bem à região Norte, porque para cima do Mondego as pessoas eram mais chegadas, almoçavam umas com as outras, abraçavam-se, faziam favores como camaradas e amigos. Claro, dizia ainda o jurista, que as pessoas de Lisboa não percebem isto porque são frias e cínicas, pouco calorosas e nada prestáveis - onde é que já se viu um político lisboeta a oferecer uma torradeira aos seus eleitores. Deste modo, expressões como «tráfico de influências» ou «corrupção», bem como os códigos penais, os tribunais, os juízes e as leis em geral são invenções de um demónio centralista, frio e calculista que não percebe nada da antropologia nortenha. Faz sentido. Talvez fosse possível candidatar esta boa forma de ser português a património mundial, juntamente com a lampreia do Rio Minho, os ovos moles de Aveiro, a alheira de Mirandela e os Ferraris de Felgueiras. Acho que pelo menos apoios na Sícilia e no Paraguai não iam faltar.

A retoma já chegou à C.M de Lisboa

Entre Março de 2003 e Março de 2004, o Município Lisboeta adquiriu 11
viaturas topo da gama no valor de 600.000 euros. Nove da marca Peugeot a
quase 50.000 euros cada, um Lância Thesis de igual valor e um Audi A8 4.2
V8 Quattro de 115.000 euros. Acresce registar que o Audizito consome 19,6
litros de gasolina em circuito urbano!
Segundo Santana Lopes foi um bom negócio, visto que os carros substituídos estavam velhos, tinham três anos! João Soares deixou um Volvo S80...
O Lância Thesis foi para a vereadora do PSD Teresa Maury e os Peugeot para os outros colegas de partido.

Sabeis qual é o slogan da Audi para promover o modelo A8?

"Os sonhos não têm preço"





quarta-feira, abril 21, 2004

Submarinos

Na senda da discussão acerca das opções políticas sobre a forma de esbanjar dinheiro neste "rico" país, vem agora a Nato, de forma estulta e extemporânea , intrometer-se com a vontade governamental de satisfazer os caprichos do Ministro da Defesa e na pretensão deste em conquistar simpatias no meio militar, ao considerar que Portugal tem pouco dinheiro e o pouco que tem anda a gastá-lo mal.
Mas que descaramento este o da Nato!...

"A NATO considerou um desperdício o investimento de centenas de milhões de euros na compra de submarinos novos para a Armada portuguesa, revelaram ao DN fontes aliadas".

"Portugal tem pouco dinheiro e o pouco que tem será desperdiçado na compra de submarinos, tendo-nos pedido que justificásemos tal opção. Não o faremos", escreveu a NATO num dos documentos classificados acerca dessa matéria

terça-feira, abril 20, 2004

Futebol Português IV - Operação Mãos Limpas?

Entretanto, ironicamente, já hoje...
O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Valentim Loureiro, mais 15 pessoas entre as quais o presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, Pinto de Sousa, foram detidas pela Polícia Judiciária para interrogatório, sob suspeita de tráfico de influências na arbitragem...

Futebol Português III

Sobre a derrota, e admitindo sem reservas as más intervenções do guarda -redes Ricardo nos lances de golo do Boavista, também não nos podemos esquecer que até o Sr. árbitro ter expulso o jogador do SCP daquela forma letal, o Boavista tinha feito um remate à baliza durante 80 minutos... e raramente passava o meio-campo, mesmo estando a perder há largos minutos, pelo menos no jogo que eu vi...
Em relação ao Nacional, foi curioso aqui há mês quando o Nacional veio jogar a Belém, estava junto a uma pequena claque do clube, misturada também com adeptos do Belenenses, e quando os madeirenses gritavam pelo clube (Nacional, Nacional), vinham imediatamente os adeptos do Belém rectificar prontamente, Nacional... da Madeira, da Madeira!...
Pelo vistos os continentais de Lisboa reconhecem um cariz regional ao Nacional o que nem sempre acontece com os Madeirenses....

segunda-feira, abril 19, 2004

Cat Power

Lindo. O cd "You are free". Do melhor que ouvi nos últimos tempos. E tenho andado a ouvir muita coisa...

A Mão de Deus

O Diego Armando Maradona já explicou lá em cima que desta vez não precisa da mão de Deus. Esperemos.

A Paixão de Bruno

Aproveitando a maré de êxito de bilheteira do filme de Mel Gibson, uma dupla de realizadores portugueses, Loureiro e Pacheco, responsável por diversas películas brilhantes no campo da comédia, decidiu pôr as mãos ao trabalho e vai começar a filmar um remake do actual líder de audiências cinematográficas em Portugal, neste momento.
O filme chamar-se-à a Paixão de Bruno e narra a história de um jovem alentejano que cresceu a praticar o milagre da multiplicação dos cartões a partir do nada pelos relvados do país, e que embora tenha sido precocemente detectado como um embuste, e por isso esteja constantemente a sofrer crucificações públicas, consegue, incrivelmente, ressuscitar todas as semanas a partir de um monte alentejano de oliveiras, não para subir ao céu e desaparecer da vista de todos, mas para continuar a sua saga de falsos milagres...

sexta-feira, abril 16, 2004

Prémio Coerência da Semana

vai para...
José Saramago, que depois de ter dito em vésperas da eleições legistativas de 2002 que se o PSD ganhasse as eleições não compareceria mais em nenhum acto público em nome de Portugal, esteve ontem reunido com o primeiro ministro para entre outros, discutir a criação de uma cátedra na Unversidade Autónoma do México com o nome de... José Saramago.

quarta-feira, abril 14, 2004

Orrecção

A comissão que o governo nomeou para organizar as comemorações dos trinta anos do 25 de Abril quer corrigir todos aqueles que a têm mandado para o caralho devido à tal subtracção do "R". Segundo esta comissão, e depois de uma consulta a várias enciclopédias e a diversos linguistas de nomeada, a palavra "caralho" não passa de uma apropriação selvagem e sem qualquer conteúdo científico que o povo faz de um determinado órgão humano, embora a mesma comissão desconfie que por detrás disto há com certeza um bando de perigosos esquerdalhos. Neste sentido, a expressão deve ser substituída pela palavra pénis, a denominação exacta e correcta. Congratula-se esta comissão pelo trabalho que está a realizar em prol da educação do povo (embora o povo, cientificamente, também não exista).

Aproveito para recomendar, a propósito deste tema, o post que o nosso colega Rui Branco escreveu no blog rosa forte chamado Pais Real.

Os convites para almoçar de Queiroz

De há duas ou três semanas para cá, o treinador Carlos Queiroz, segundo o próprio, deixou de receber a míriade habitual de convites para almoçar, tendo vindo desde então a ficar à míngua em termos de oportunidades de beneficiar de uns repastos gratuitos.
Realmente, em Madrid esteve em voga até há bastante pouco tempo convidar para almoçar treinadores elegantes e bem-falantes, competência que Queiroz aproveitou para aperfeiçoar depois da sua estadia na África do Sul, nos EUA e no Japão, sem que outros requisitos fossem exigidos para o usufruto dos tais manjares.
No entanto, segundo contactos com autoridade sobre a matéria, podemos assegurar que na base deste declínio de convites que Carlos Queiroz vinha merecendo tem estado (desenganem-se aqueles que pensam que a justificação para esta situação se prende com as sucessivas derrotas impostas ao Real Madrid nas últimas semanas) a emergência de uma nova moda na cena gastronómica internacional, inspirada por um emergente Chefe português: João César das Neves.
De facto, este Chefe de cozinha português irrompeu no panorama gastronómico a defender a teoria de que "não há almoços grátis", e desde então tem merecido uma ampla adesão popular levando a que o número de convites para almoçar em todo o lado tenha decrescido vertiginosamente, incluindo em Madrid.

terça-feira, abril 13, 2004

A Montra

O Portugal real deu lugar ao Portugal virtual. Os técnicos de marketing juntaram-se às elites políticas e económicas e até mesmo a algumas personalidades da cultura nacional (veja-se o concurso promovido pelo Instituto das Artes para projectos sobre o futebol) para criar uma grande montra. Esta montra, última de uma série recente, dá pelo nome de Euro 2004. Desenganem-se aqueles que pensam que o Euro 2004 é um simples campeonato de futebol entre nações europeias. O evento é a última encenação de um país que não existe. Os que pensaram esta encenação pedem, todos os dias, pelas mais variadas formas, a colaboração do povo. O desígnio nacional serve para mostrar à Europa e ao Mundo quão capazes somos, mas também, claro, para sacar uns cobres. O portuguesinho, tão bem descrito em vários anúncios de televisão, está cá para receber o turista, sorrir subservientemente, aturar os holigans com complacência e sacar algum. Fomos todos convocados a receber convenientemente: os portugueses ricos, os pobres, os empregados, os desempregados, os que pagam impostos os que não pagam impostos, os velhotes, as criancinhas. Todos unidos na grande encenação.
Mas claro que nem todos os actores são perfeitos. Há uns malandros, evidentemente traidores à pátria, que acham que esta encenação é uma treta e que a pátria que são obrigados a amar sem condição não é representada por onze marmanjos a correr atrás de uma bola, mas pelos salários e as pensões mais miseráveis da Europa, os níveis educativos mais vergonhosos, o poder central e local mais corrupto, as elites mais tontas do hemisfério norte. É por este país que somos obrigados a actuar no palco do grande evento, nesta montra organizada pelos madaís e pelos arnauts desta terra, versões engravatadas de caciques como o Ferreira Torres. Como dizia uma personagem do Cardoso Pires, isto não é um país é um lugar mal frequentado.

segunda-feira, abril 12, 2004

A Evolução dos Cravos

Após a omissão intencional do vocábulo "revolução" nas comemorações do 25 de Abril, omissão essa que foi correcta e legítima, segundo as doutas palavras de Pacheco Pereira, uma vez que embora considere que o 25 de Abril foi, de facto, uma revolução, o longo período de tempo entretanto decorrido (já lá vão 30 anos, imagine-se...), não justifica que se continue a lembrar a data como as obsoletas forças de extrema-esquerda pretendem continuar a fazer), o Governo CDS-PP/PSD começou já a fornecer directrizes para que os manuais escolares dos próximos anos não contenham mais nenhuma referência à Revolução Francesa, à Revolução Russa, à Revolução Chinesa e à Revolução Cubana.
Doravante, a partir do próximo ano estes acontecimentos históricos serão designados por Evolução Francesa, Evolução Russa, Evolução Chinesa e Evolução Cubana...

segunda-feira, abril 05, 2004

António José (in)Seguro

Teve lugar na semana passada a primeira reunião do grupo parlamentar do PS, sob liderança do novo líder , António José Seguro.
Interrogado no final da mesma pela comunicação social acerca dos temas que haviam estado em discussão, designadamente o aborto, o novo líder do grupo parlamentar do PS prontamente esclareceu que o aborto não tinha sido um dos temas de debate, uma vez que “não era uma questão premente”.
Prosélito da tendência católica-liberal do PS, António José Seguro deixou já antever o caminho que pretende trilhar durante a sua liderança, ou seja, o caminho do temor, do medo de enfrentar as questões que suscitem controvérsia e dissensão.
Enfim, não se pode dizer que seja algo de novo e surpreendente no PS, não fosse este novo líder do grupo parlamentar um guterrista assumido, logo é natural que paute a sua acção política pela hesitação constante, pela indecisão permanente em tomar um posição clara sobre as tais matérias ditas “fracturantes”.
No entanto, apesar de ser expectável este comportamento dúbio por parte do novo líder parlamentar, não deixa de ser impressionante como num partido que supostamente visa a progressiva rectificação das desigualdades natural e socialmente causadas e a inscrição da paridade de possibilidades na acção política, se advogue numa questão de saúde pública, sem que as vozes internas contra isso se levantem, a permanência de distinções no acesso ao usufruto de cuidados básicos de saúde a todas as pessoas que optem pela realização do aborto, preferindo continuar a tapar os olhos com a peneira e a construir os destinos de muitas mulheres na clandestinidade...
Se isto é de um Partido Socialista!...

sexta-feira, abril 02, 2004

A Frase da Semana

"O Estado não tem vocação para gerir companhias de aviação civil"
Cardoso e Cunha, presidente do Conselho de Administração da TAP SGPS