"O regresso do Super-Homen, ao grande ecrã, está marcado para o mês de Junho de 2006. A Warner Bros já revelou que Brandon Routh vai ser o actor que irá substituir o falecido Christopher Reeve. As gravações já começaram, na Austrália, e o facto de o actor, de 26 anos, ter o órgão sexual grande de mais está a causar problemas aos produtores do filme. Segundo o site Entertainment Wise, como o fato do Super-Homem é muito justo ao corpo, os produtores estão a pensar em usar tecnologia digital para suavizar o pénis de Brandon".
Jornal Tribuna de Macau
quinta-feira, dezembro 29, 2005
sexta-feira, dezembro 23, 2005
barcos gregos
O país anda distraído com as presidenciais, cuja campanha tem um nível ligeiramente mais elevado do que os reality shows da TVI. Sócrates deve estar satisfeito. Entretanto as estatísticas, imperiais, vão dando mostras do percurso da nossa modernização. Portugal nunca deixou de ser um país de emigrantes. O facto de agora recebermos muita gente parece ter ocultado essa permanência. A emigração voltou, no entanto, a crescer. Não se trata de uma emigração qualificada, mas a mesma de sempre, a da pobreza, originária em grande parte da região norte do país.
Cantavam os Xutos, no auge da sua criatividade: "Já estou farto de procurar Um sítio para me encaixar Mas não pode ser Está tudo cheio, tão cheio, cheio, cheio Mas o que é que eu vou fazer Eu vou para longe, para muito longe Fazer-me ao mar, num dia negro Vou embarcar, num barco grego Falta-me o ar, falta-me emprego Para cá ficar Já estou farto de descobrir Tantas portas por abrir Mas não pode ser, é tudo feio, tão feio, feio Mas o que é que eu vou fazer"
Cantavam os Xutos, no auge da sua criatividade: "Já estou farto de procurar Um sítio para me encaixar Mas não pode ser Está tudo cheio, tão cheio, cheio, cheio Mas o que é que eu vou fazer Eu vou para longe, para muito longe Fazer-me ao mar, num dia negro Vou embarcar, num barco grego Falta-me o ar, falta-me emprego Para cá ficar Já estou farto de descobrir Tantas portas por abrir Mas não pode ser, é tudo feio, tão feio, feio Mas o que é que eu vou fazer"
domingo, dezembro 18, 2005
Clubite II
O escândalo continua. Mais uma vez, de forma desassombrada, sem o respeito devido a uma centenária instituição, o Benfica foi dramaticamente prejudicado pela arbitragem. O sistema não dorme, as suas forças trabalham nas trevas. Penalties contei dois. E a conta é feita por baixo, que é para não haver dúvidas. Mas o mais trágico foi mesmo o lance do golo do Benfica. Foi visível, para toda a gente, que o nosso jogador Luisão foi brutalmente agredido pelo guarda redes da equipa adversária. Reparem com justiça na imagem e observem o modo como a fronha ameaçadora e peluda do guarda-redes daquele clube brasileiro da Madeira embateu com violência desmesurada no braço terno e honesto de Luisão, provocando-lhe inúmeras contusões que lhe podem ficar para o resto da vida (consta que o homem nem dormiu bem esta noite e que se levantou às 3.25 da manhã para escrever o testamento não vá, como se espera, a situação piorar). Perante esta barbaridade, que fez o juiz? Nada. Deixou a jogada decorrer até ao fim e nada. Já não digo que irradiassem o homem do Nacional do futebol, mas pelo menos que o suspendessem por uns anos. Mas não; nem um amarelo levou. Com estes exemplos não se admirem que as crianças de hoje se tornem os terroristas de amanhã, que se expludam em estações de comboios e que ponham etnias inteiras em câmaras de gás. Uma vergonha.
Clubite I
Um dos grandes problemas da esquerda portuguesa é a clubite. A clubite, como fenómeno global, manifesta-se por várias razões. É útil para manter relações pessoais. Partilham-se conhecimentos e opiniões, alimentam-se inúmeras discussões, perde-se tempo, reforça-se espírito de grupo, ganha-se sentido de vida pelo reconhecimento do adversário (sem o qual a vida era bastante mais aborrecida). Quase que é possível dizer que a clubite à esquerda é uma espécie de estilo de vida, organizado tribalmente. Mas há outro lado, bastante mais trágico. A clubite política, como as clubites em geral, é quase sempre irmã do desconhecimento, da imparcialidade, da incapacidade de fazer propostas e de discernir quem são os verdadeiros adversários e quais os seus métodos. Sobretudo em relação à elaboração de propostas, algo que exige uma análise do real - e dá trabalho e actualização - a clubite é cega. A clubite não é outra coisa senão a imagem da incapacidade. Num contexto da pequena política, a opinão da clubite não é, por vezes, falha de razão, conseguindo fazer críticas acertadas e justas. Mas a esquerda não pode continuar a entreter-se com a pequena política. Não é apenas uma questão de justeza, é uma questão de opções. Mas é a esquerda que vamos tendo.
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Mais um debate
Era o debate presidencial entre os candidatos da área ideológica com que mais me identifico, e, à priori, mais uma boa oportunidade para os dois candidatos esgrimirem perícias. Todavia, o que ressalta evidente no final de mais uma jornada de debates, à imagem das jornadas anteriores deste campeonato presidencial, continua a ser a distorção sobre a suposta importância decisiva da eleição que se avizinha para o futuro do país e dos portugueses.
Quanto mais realce se dá à audição dos candidatos, mais se constata à ilharga a impotência que mesmo uma figura central de topo de um país está votada, tal como se configura a actual organização económica, social e simbólica do planeta. Tal impotência não é determinada pelo asséptico modelo de debate, mas pelas visíveis mãos atadas de todos os candidatos, uns mais presos a crenças doutrinárias vetustas do que outros, perante o destino e o presente que lhes foge e não conseguirão controlar.
Esse presente é o presente dos fluxos. Os fluxos de capital, fluxos da informação, fluxos da tecnologia, fluxos de imagens, sons e símbolos. Mais do que um elemento integrante da nossa organização social, esses fluxos são a expressão dos processos que dominam a nossa vida económica, social e política.
Num presente marcado pelos circuitos electrónicos (microelectrónica, telecomunicações, processamento computacional, sistemas de transmissão e transporte em alta velocidade), onde os lugares não desaparecem, mas a sua lógica e o seu significado são absorvidos em rede, rede essa que conecta lugares específicos com características sociais, culturais, físicas e funcionais bem-definidas, através de cidades globais, são as elites globais que dominam.
O problema é que a articulação de tais elites é global e são essas elites que por intermédio da rede constituída pelos sistemas de processos da economia global, especialmente os do sistema financeiro, que estabecelem e reorganizam as práticas sociais dominantes. Perante este espaço de fluxos, não há Presidente da República que consiga ter poder e autonomia para impor vontades e futuros para os cidadãos do seu país.
Quem não se ligar aos nós de ligação dessa rede e não conseguir que os seus interesses sejam representados dentro da estrutura desse espaço de fluxos bem pode debater incessantemente, que o seu futuro não será deveras risonho....
Quanto mais realce se dá à audição dos candidatos, mais se constata à ilharga a impotência que mesmo uma figura central de topo de um país está votada, tal como se configura a actual organização económica, social e simbólica do planeta. Tal impotência não é determinada pelo asséptico modelo de debate, mas pelas visíveis mãos atadas de todos os candidatos, uns mais presos a crenças doutrinárias vetustas do que outros, perante o destino e o presente que lhes foge e não conseguirão controlar.
Esse presente é o presente dos fluxos. Os fluxos de capital, fluxos da informação, fluxos da tecnologia, fluxos de imagens, sons e símbolos. Mais do que um elemento integrante da nossa organização social, esses fluxos são a expressão dos processos que dominam a nossa vida económica, social e política.
Num presente marcado pelos circuitos electrónicos (microelectrónica, telecomunicações, processamento computacional, sistemas de transmissão e transporte em alta velocidade), onde os lugares não desaparecem, mas a sua lógica e o seu significado são absorvidos em rede, rede essa que conecta lugares específicos com características sociais, culturais, físicas e funcionais bem-definidas, através de cidades globais, são as elites globais que dominam.
O problema é que a articulação de tais elites é global e são essas elites que por intermédio da rede constituída pelos sistemas de processos da economia global, especialmente os do sistema financeiro, que estabecelem e reorganizam as práticas sociais dominantes. Perante este espaço de fluxos, não há Presidente da República que consiga ter poder e autonomia para impor vontades e futuros para os cidadãos do seu país.
Quem não se ligar aos nós de ligação dessa rede e não conseguir que os seus interesses sejam representados dentro da estrutura desse espaço de fluxos bem pode debater incessantemente, que o seu futuro não será deveras risonho....
terça-feira, dezembro 06, 2005
Os poderes do presidente
Não sendo propriamente o incrível Hulk, nem o Homem-Aranha, nem tão pouco o Batman ou o Super-Homem, o presidente português tem os poderes que lhe são consagrados pela Constituição. A coisa é tão clara que a discussão nacional sobre o assunto, que nenhum jornalista se coíbe de introduzir em debates e entrevistas, é inútil. O presidente não pode legislar, não tem governo, ministérios nem secretarias de estado. Não gere orçamentos. Pode vetar leis, enviá-las para o Tribunal Constitucional. Em caso disso, e este disso é avaliação relativamente subjectiva, pode dissolver o Parlamento. Pode fazer comunicações ao país, reunir com o governo, partidos, sindicatos, igrejas, etc. Pode fazer "presidências abertas". Mais do que tudo, tem um poderoso poder de intervenção mediática, o que lhe garante uma influência eleitoral considerável, isto, claro, se aquilo que disser não for apenas percebido por 5% dos portugueses, como foi timbre das intervenções públicas do actual titular do cargo. Nesta campanha eleitoral, se algum dos candidatos dá a sua opinião sobre uma questão concreta: o desemprego, o défice, a segurança social, logo lhe perguntam se isso não é matéria de governo? É, no sentido da execução legislativa, não o é, porque um presidente tem que ter ideias sobre as matérias que preocupam o país, tendo inclusivé o dever de as expressar.
segunda-feira, dezembro 05, 2005
O Juíz decidiu, tá decidido
Depois da celeuma no ano transacto levantada o Ministério Público (MP) do Tribunal Judicial de Viseu arquivou o processo de inquérito à exposição do livro polémico - "As mulheres não gostam de foder" - na montra da livraria das Edições Polvo, em Viseu.
No despacho de arquivamento, o procurador do MP, além de alegar a inexistência de matéria para sustentar uma eventual irregularidade, lamenta a controvérsia que surgiu em torno do ensaio sexual em banda desenhada, do espanhol Alvarez Rabo, admitindo que, se porventura o autor da obra tivesse o peso e a importância literária de um Lobo Antunes (que escreveu "Os cus de Judas") ou Miguel Esteves Cardoso (que editou "O amor é fodido"), a contestação não teria tido lugar.
Depois disto fica a sugestão aos livreiros das Edições Polvo: Colocar na montra da livraria as três obras em exibição lado a lado.
No despacho de arquivamento, o procurador do MP, além de alegar a inexistência de matéria para sustentar uma eventual irregularidade, lamenta a controvérsia que surgiu em torno do ensaio sexual em banda desenhada, do espanhol Alvarez Rabo, admitindo que, se porventura o autor da obra tivesse o peso e a importância literária de um Lobo Antunes (que escreveu "Os cus de Judas") ou Miguel Esteves Cardoso (que editou "O amor é fodido"), a contestação não teria tido lugar.
Depois disto fica a sugestão aos livreiros das Edições Polvo: Colocar na montra da livraria as três obras em exibição lado a lado.
domingo, dezembro 04, 2005
Outra vez
No prosseguimento de justas análises sobre o momento futebolístico português que têm brindado aqui o nosso espaço de conversa, venho protestar pelos acontecimentos desta jornada. Mais uma vez, as forças negras e ímpias que há muito dominam o futebol português congeminaram ardilosamente para prejudicar o glorioso SLB. Quem beneficiou com tal empresa? Os mais directos e históricos adversários do clube da águia. Senão vejamos: ao Sporting foi-lhe perdoado pelo menos um penalty, além de ter sofrido um golo limpo que foi mal anulado. No jogo do F.C. Porto, a mesma coisa: perdoaram-lhe um clara grande penalidade e o valoroso adversário dos dragões marcou um belo tento prontamente anulado pelas forças ocultas. Isto é, em vez de ganharmos três pontos aos directos adversários só conquistamos 2, depois da vitória contra aquele clube brasileiro do Funchal. Um escândalo.
terça-feira, novembro 29, 2005
Chef
O indivíduo entrava nas habitações, durante a noite e, quase como ponto de honra, "matava a fome". Não raras ocasiões, de acordo com as autoridades, terá mesmo ido a ponto de confeccionar as refeições, usando os ingredientes e a cozinha alheios. Depois de alimentado, "aproveitava" para assaltar essas mesmas residências, levando tudo quanto pudesse e lhe parecesse valioso.
Com a carência de "chefs" no país capazes de aguçar o paladar dos portugueses a preços em conta, aprisionar versáteis cozinheiros não creio que seja a solução. O homem ainda por cima "limpava" tachos, panelas e muitos outros objectos de cozinha que o comum dos mortais não tem paciência para limpar e desengordurar no final das refeições...Gente mal agradecida é o que é.
Com a carência de "chefs" no país capazes de aguçar o paladar dos portugueses a preços em conta, aprisionar versáteis cozinheiros não creio que seja a solução. O homem ainda por cima "limpava" tachos, panelas e muitos outros objectos de cozinha que o comum dos mortais não tem paciência para limpar e desengordurar no final das refeições...Gente mal agradecida é o que é.
quinta-feira, novembro 17, 2005
Guns of Brixton
Os defensores da excelência do modelo de integração britânico sofrem de amnésia histórica e quando falam da excelência de Londres é porque nunca foram muito para sul do Tamisa. Independentemente da origem cultural, como agora se diz, basta um desemprego alto e a usual discriminação racial para inflamar a situação. Em 1981, quando o sul de Londres explodiu, a multidão foi apelidada de "black crowd". Não houve grande conversa sobre a origem religiosa ou mesmo cultural dos que protestaram, filhos e netos de jamaicanos, nigerianos e de outras proveniências. O relatório oficial falava de "serious social and economic problems affecting Britain's inner cities" e ainda de "racial disadvantage that is a fact of British life". Nem sombra do grande satã muçulmano. Os The Clash escreveram sobre Brixton. Seguem as primeiras estrofes.
Guns of Brixton
When they kick at your front door
How you gonna come?
With your hands on your head
Or on the trigger of your gun
When the law break in
How you gonna go?
Shot down on the pavement
Or waiting on death row
You can crush us
You can bruise us
But you'll have to answer to
Oh, the guns of Brixton
Guns of Brixton
When they kick at your front door
How you gonna come?
With your hands on your head
Or on the trigger of your gun
When the law break in
How you gonna go?
Shot down on the pavement
Or waiting on death row
You can crush us
You can bruise us
But you'll have to answer to
Oh, the guns of Brixton
terça-feira, novembro 15, 2005
Ainda as culturas
Por alturas em que o "Público" tomou a iniciativa de fechar grande parte dos seus conteúdos on-line a todos aqueles que não aderissem à assinatura mensal paga, levantou-se uma onda de cizânia aqui no ciberespaço. Inclusivé, à data, tive oportunidade de deixar aqui umas palavras de forte desconfiança quanto ao sucesso da operação.
Devido às características da génese da criação da Internet e do caldo de culturas que desde o início lhe deram forma e nela estão enraízadas, pareceu-me que seria uma iniciativa condenado ao fracasso.
A Internet foi moldada desde cedo, entre outras, pela cultura hacker, que, ao contrário da imagem tradicionalmente veiculada pelos media, valoriza os quadros informais de transmissão gratuita da informação, a livre partilha da descoberta e a cooperação em rede.
Obviamente, este modus de acção está nos antípodas da iniciativa do "Público", que apostou no custeamento do acesso à informação. Até hoje, que eu tenha conhecimento, o jornal nunca deu a conhecer o state of art da sua iniciativa. Contudo, a julgar pelos indicadores apurados recentemente por uma empresas de sondagens sobre a Web, o panorama não deve ser muito risonho quanto ao número de adesões à assinatura paga da edição on-line...
A confirmar-se esta tendência (tudo o leva a crer) na assinatura do "Público on-line", não deixa de ser uma pena que o seu director, actualmente tão envolto na destrinça das questões culturais, tenha descurado uma análise mais aprofundada da(s) cultura(s) da Internet...
Devido às características da génese da criação da Internet e do caldo de culturas que desde o início lhe deram forma e nela estão enraízadas, pareceu-me que seria uma iniciativa condenado ao fracasso.
A Internet foi moldada desde cedo, entre outras, pela cultura hacker, que, ao contrário da imagem tradicionalmente veiculada pelos media, valoriza os quadros informais de transmissão gratuita da informação, a livre partilha da descoberta e a cooperação em rede.
Obviamente, este modus de acção está nos antípodas da iniciativa do "Público", que apostou no custeamento do acesso à informação. Até hoje, que eu tenha conhecimento, o jornal nunca deu a conhecer o state of art da sua iniciativa. Contudo, a julgar pelos indicadores apurados recentemente por uma empresas de sondagens sobre a Web, o panorama não deve ser muito risonho quanto ao número de adesões à assinatura paga da edição on-line...
A confirmar-se esta tendência (tudo o leva a crer) na assinatura do "Público on-line", não deixa de ser uma pena que o seu director, actualmente tão envolto na destrinça das questões culturais, tenha descurado uma análise mais aprofundada da(s) cultura(s) da Internet...
segunda-feira, novembro 14, 2005
O último e mais esperado candidato
A coisa está ainda no começo mas uma onda imparável poderá varrer as próximas eleições. Vieira is back.
www.vieira2006.com
www.vieira2006.com
quinta-feira, novembro 10, 2005
A "invenção" dos muçulmanos
Existindo há uns bons séculos os muçulmanos foram dramaticamente reinventados nas últimas duas décadas. Antigamente os muçulmanos eram designados de forma diferente. Havia os regimes amigos a quem se podia vender armas porque tinham uma posição estratégica, como o Iraque de Saddam, ou os regimes perigosos, focos de potenciais comunismos, como O Egipto de Nasser ou a Síria ou mesmo na altura o Afeganistão. É certo que a revolução islâmica no Irão lembrou que havia muçulmanos, mas quem se lembrava da religião quando o mundo era disputado, território a território, entre dois tabuleiros políticos. Mesmo o conflito entre Israel e a Palestina era, antes de tudo, político, ou se quisermos, geo-estratégico. Hoje as divisões políticas parecem pouco importantes, trata-se, como advogam os grandes defensores do factor de explicação cultural/religioso, de uma batalha entre civilizações. É certo que esta visão implica uma amnésia em relação certas amizades, a mais evidente das quais a da Arábia Saudita. O quadro cultural/religioso redefiniu a representação do mapa mundo, com algumas limitações, substituindo o proeminente quadro político/económico. Mas não o fez apenas a um nível macro-estrutural. No que respeita a indivíduos com determinada origem nacional, como se passa neste momento em França, eles deixaram de ser operários, agricultores, desempregados, consumidores de bens e serviços ou mesmo cidadãos, para passarem a ser muçulmanos. Do outro lado da barreira estão os ocidentais, também eles violentamente uniformizados.
Antes da queda do muro de Berlim ser muçulmano era uma coisa diferente. O império soviético veio dar lugar, nas imaginações do "ocidente", ao império muçulmano. O hiper-racionalizado Homem soviético, frito e falho de emoções, veio dar lugar ao irracionalismo religioso do barbudo bombista suicida. E é assim que nos vão contando histórias.
Antes da queda do muro de Berlim ser muçulmano era uma coisa diferente. O império soviético veio dar lugar, nas imaginações do "ocidente", ao império muçulmano. O hiper-racionalizado Homem soviético, frito e falho de emoções, veio dar lugar ao irracionalismo religioso do barbudo bombista suicida. E é assim que nos vão contando histórias.
Cromos da Bola
Não tenho por hábito deixar aqui referências de outros blogs. Mas como a regra comporta por vezes a excepção, ainda para mais somos portugueses, e esse arrojo transgressor faz parte do nosso ethos, vou aproveitar para habilitar todos aqueles que assim o queiram com a possibilidade de arrematar o prémio de uma nostálgica e bem disposta viagem às memórias do nosso desporto-rei.
Cromos da Bola, assim se chama o blog no qual dei por mim a reviver lembranças de antigas "glórias do futebol português", sob o patrocínio de espirituosos textos de dissertação a acompanhar. Desde Eskilsson a Zé d'Angola, de Bandeirinha a Folha, de Vata a Vlk, passando por já vetustos players do saudoso Académico de Viseu, como o inquebrável defesa jugoslavo Mirko Soc ou o prolífico avançado brasileiro Marcelo Sofia, sósia de Lionel Richie para os autores do texto, diversas são as referências que nos fazem sorrir acerca de personagens "clássicas" que fizeram história, nem que tenha sido apenas com letra pequena e deixaram recordações a somente alguns, no futebol português.
Eis os cromos da bola
Cromos da Bola, assim se chama o blog no qual dei por mim a reviver lembranças de antigas "glórias do futebol português", sob o patrocínio de espirituosos textos de dissertação a acompanhar. Desde Eskilsson a Zé d'Angola, de Bandeirinha a Folha, de Vata a Vlk, passando por já vetustos players do saudoso Académico de Viseu, como o inquebrável defesa jugoslavo Mirko Soc ou o prolífico avançado brasileiro Marcelo Sofia, sósia de Lionel Richie para os autores do texto, diversas são as referências que nos fazem sorrir acerca de personagens "clássicas" que fizeram história, nem que tenha sido apenas com letra pequena e deixaram recordações a somente alguns, no futebol português.
Eis os cromos da bola
terça-feira, novembro 08, 2005
O Estúpido
O director do jornal Público escreveu hoje, a propósito dos acontecimentos em França, um editorial intitulado, Não é o social, estúpido: é a cultura. Enfiei o barrete. Sou precisamente desses estúpidos que, considerando a importância de algumas variáveis culturais, atribuo ao que Fernandes chama de "social" a origem do sucedido. Gostava de argumentar que o estúpido é ele. Confesso, porém, que não o acho estúpido, mas simplesmente perigoso. Atribuir a manifestações violentas uma origem cultural é absurdo. Claro que Fernandes, como outros, não diz isto directamente, eufemiza a questão, fala das dificuldades de integração, mascara um discurso que, sem máscara, quer fazer regressar a ideia de combate civilizacional. Eles são muçulmanos, emigrantes de segunda geração, mas nunca "franceses" socializados na sociedade francesa. O seu problema é que não se conseguem adaptar à "nossa cultura". As culturas tornam-se assim dois blocos unificados, sem fracturas, apenas intermutáveis quando eles, os outros, abdicam do que é seu e se integram. A coisa lembra um pouco as políticas coloniais de assimilação. Esta abdicação implica, se não formos hipócritas como Fernandes, aceitar a vida sem futuro das classes baixas ocidentais, acrescentando-se a isso o estigma proveniente da discriminação de origem cultural. Mas a questão da cultura não resiste a análise mais atenta. Desde logo, pelas informações mais cuidadas, se percebe que não se tratam em grande parte de jovens muçulmanos, que nem todos são de origem emigrante e que o que realmente partilham é o subúrbio francês, esse espaço de desemprego, esse espaço que o Estado abandonou aos poucos. O discurso da "cultura" mascara o discurso da "classe". Não que a classe resolva tudo. Há variáveis culturais e mesmo geracionais que interessa observar, mas a origem de classe é factor determinante. O que sucede, tal como acontece nos Estados Unidos, é que em certas áreas urbanas a classe etnicizou-se.
O discurso de Fernandes é perigoso socialmente porque a "cultura" não é mais do que uma forma sofisticada de regressarmos ao racismo mais primário e à ideia de que os Homens não depende das condições em que são criados mas de uma qualquer essência cultural que, note-se, nunca é explicada senão através de um conjunto de estereótipos ignorantes sobre o "outro".
Mas a grande discussão por detrás da "cultura" é claramente económica. Atribuindo à cultura a responsabilidade de muitos problemas quotidianos, anula-se qualquer ideia de repensar os serviços sociais do Estado. Ao Estado, deste modo, cabe defender a "boa cultura", o que implica quase sempre a lei e a ordem. Não tendo os problemas uma origem social não há razão para parar a progressiva erosão da participação do Estado social na vida dos cidadãos.
O discurso de Fernandes é perigoso socialmente porque a "cultura" não é mais do que uma forma sofisticada de regressarmos ao racismo mais primário e à ideia de que os Homens não depende das condições em que são criados mas de uma qualquer essência cultural que, note-se, nunca é explicada senão através de um conjunto de estereótipos ignorantes sobre o "outro".
Mas a grande discussão por detrás da "cultura" é claramente económica. Atribuindo à cultura a responsabilidade de muitos problemas quotidianos, anula-se qualquer ideia de repensar os serviços sociais do Estado. Ao Estado, deste modo, cabe defender a "boa cultura", o que implica quase sempre a lei e a ordem. Não tendo os problemas uma origem social não há razão para parar a progressiva erosão da participação do Estado social na vida dos cidadãos.
segunda-feira, novembro 07, 2005
Paris
Os senhores que controlam a economia do mundo e seus modelos dominantes deviam olhar para a história e começar rapidamente a acabar com a conversa sobre o colapso do Estado Social e de suas instituições. Se não o fizerem, pode ser que a coisa comece aos poucos a correr realmente mal. Nisto, os franceses costumam ter algum pioneirismo. É esperar.
Karagounis
Jornalistas e comentadores de futebol esquecem-se por vezes do poder que têm como intermediários da informação sobre o jogo para um público vasto. Partindo muitas vezes da sua ignorância crassa sobre os fundamentos do jogo, proferem sentenças sobre jogador A ou jogador B, arriscam interpretações sobre o modo como jogam as equipas e sobre as opções dos treinadores e as exibições dos árbitros. Muitos vezes terão razão, mas há outras em que não têm. Discordo quase totalmente do que se tem dito sobre o jogador do Benfica Karagounis. Embora esteja fora de forma física e por vezes faça uma finta a mais, Karagounis é dos poucos jogadores que levanta a cabeça para analisar o espaço, que hesita antes de passar porque quer fazer a melhor opção, que ataca os jogadores contrários de frente e que faz quebras de movimento que abrem espaços e confundem os adversários. Neste aspecto é um jogador raro. Há o perigo, já evidenciado no estádio da Luz, do jogador ser queimado pelo público, como muitos já foram, e como outros, como Geovanni ou João Pereira, estão a ser. Se os jornalistas e comentadores continuam a incendiar os espectadores não faltará tempo para que a vida de Karagounis se torne um inferno. Infelizmente, por ignorância.
quinta-feira, novembro 03, 2005
Riquelme
Na ressaca da derrota, entre o desgosto do resultado e a má exibição do Benfica, que nunca conseguiu encaixar no esquema dinâmico do adversário, resta a alegria de ver jogar Riquelme, o argentino do Villareal . Atleta estranho, atípico nos tempo que correm, sem a competitividade de um campeão, algo lento, Riquelme olha o jogo de cima, diverte-se a fazer passes difíceis, gosta de adornar as jogadas, de executar mais uma finta, de provocar os adversários com a sua imbatível destreza técnica, de tocar na bola e de dançar como ela como poucos conseguem. Um número dez numa altura em que vão rareando. Não é, obviamente, o mestre Diego, mas tivemos um cheirinho.
quinta-feira, outubro 27, 2005
A Manta
A teoria da manta, pese embora toda a sua simplicidade, adapta-se bem para a explicação de certos fenómenos. Um bom exemplo destes últimos são os lucros bancários.
Em Portugal, graças à liberalização e desregulamentação do sistema financeiro português, e o aumento da concorrência no mercado de crédito, ocorreu uma substancial especialização da actividade bancária na concessão de crédito ao segmento dos particulares.
O aumento do rendimento disponível das famílas e a mudança dos padrões de consumo esteve na génese do crescente endividamento das famílias portuguesas. Sobretudo através do crédito à habitação e do crédito ao consumo de bens e serviços, as principais instituições bancárias já nos habituaram a notícias destas (a julgar pelas supeitas veiculadas dos últimos tempos, a fraude e o branqueamento de capitais também dão uma ajudinha para compor o retrato...).
É aqui que a teoria da manta nos surge útil, pois a mesma teoria preconiza que se se tapa com a manta um lado, destapa-se o outro.
A realidade tem comprovado a teoria da manta, com o nível de endividamento das famílias a superar já, em média (118%), o seu rendimento disponível.
Chega-se à conclusão que no confronto das racionalidades, a racionalidade bancária está a ganhar cada vez mais centímetros de manta, e afirma-se com força crescente, mesmo perante as dúvidas crescentes sobre se os agregados familiares não correm o risco de estarem já excessivamente vulneráveis às alterações das variáveis que determinam a sua capacidade financeira (subida das taxas de juro, desemprego e precarização do emprego, dissolução da estrutura económica de suporte do endividado por divórcio, doença ou morte de um familiar, etc.).
Um dos mais recentes exemplos que tive oportunidade de verificar desta tal racionalidade trata-se do envio, por carta, para o cliente bancário de um cheque já preenchido com um valor determinado para o cliente assim fazer uso dele como bem entender, mediante o pagamento de uma prestação mensal durante 60 ou 84 meses.
Tratando-se de um estratagema deveras acutilante e facilitador do endividamento, quer-me parecer que se a entidade responsável pela regulação da actividade bancária do país, Banco de Portugal, não obviar legalmente estas agressivas formas de assédio ao endividamento, bem pode apregoar a muitos, como São Tomé, para a realização de poupanças, que a julgar pelas evidências estatísticas, a manta vai continuar a cobrir cada vez mais o mesmo lado…
Em Portugal, graças à liberalização e desregulamentação do sistema financeiro português, e o aumento da concorrência no mercado de crédito, ocorreu uma substancial especialização da actividade bancária na concessão de crédito ao segmento dos particulares.
O aumento do rendimento disponível das famílas e a mudança dos padrões de consumo esteve na génese do crescente endividamento das famílias portuguesas. Sobretudo através do crédito à habitação e do crédito ao consumo de bens e serviços, as principais instituições bancárias já nos habituaram a notícias destas (a julgar pelas supeitas veiculadas dos últimos tempos, a fraude e o branqueamento de capitais também dão uma ajudinha para compor o retrato...).
É aqui que a teoria da manta nos surge útil, pois a mesma teoria preconiza que se se tapa com a manta um lado, destapa-se o outro.
A realidade tem comprovado a teoria da manta, com o nível de endividamento das famílias a superar já, em média (118%), o seu rendimento disponível.
Chega-se à conclusão que no confronto das racionalidades, a racionalidade bancária está a ganhar cada vez mais centímetros de manta, e afirma-se com força crescente, mesmo perante as dúvidas crescentes sobre se os agregados familiares não correm o risco de estarem já excessivamente vulneráveis às alterações das variáveis que determinam a sua capacidade financeira (subida das taxas de juro, desemprego e precarização do emprego, dissolução da estrutura económica de suporte do endividado por divórcio, doença ou morte de um familiar, etc.).
Um dos mais recentes exemplos que tive oportunidade de verificar desta tal racionalidade trata-se do envio, por carta, para o cliente bancário de um cheque já preenchido com um valor determinado para o cliente assim fazer uso dele como bem entender, mediante o pagamento de uma prestação mensal durante 60 ou 84 meses.
Tratando-se de um estratagema deveras acutilante e facilitador do endividamento, quer-me parecer que se a entidade responsável pela regulação da actividade bancária do país, Banco de Portugal, não obviar legalmente estas agressivas formas de assédio ao endividamento, bem pode apregoar a muitos, como São Tomé, para a realização de poupanças, que a julgar pelas evidências estatísticas, a manta vai continuar a cobrir cada vez mais o mesmo lado…
segunda-feira, outubro 10, 2005
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