sexta-feira, abril 28, 2006

Senna, Prost & Schumacher - Silverstone 93

quinta-feira, abril 27, 2006

Que vivas tempos interessantes (maldição chinesa)

Um dos problemas que mais se sente na ainda jovem democracia portuguesa é um insofismável paradoxo: os que querem mudar de facto as coisas são os conservadores; os que querem deixar tudo exactamente na mesma são os progressistas. E eu que pensava que devia ser exactamente o contrário...

O excesso de feriados

Leio algures que o eterno problema da produtividade portuguesa também passa pelo excesso de feriados automaticamente aproveitados para faustosas pontes e férias. Pego na minha agenda de secretária e vejo lá, claro como água, a negação absurda de semelhante afirmação, graças a um muito interessante quadro onde é possível aferir os feriados existentes em cada um dos 25 países da actual União Europeia. Assim, este ano Portugal tem 12 feriados – 1 de Janeiro, 14 de Abril (sexta-feira santa), 25 de Abril, 1 de Maio, 10 e 15 de Junho, 15 de Agosto, 5 de Outubro, 1 de Novembro, 1, 8 e 25 de Dezembro – contra, por exemplo, 15 da Áustria, 16 de Chipre e da Eslováquia, 14 da Eslovénia, da Finlândia, de Malta e da República Checa, 13 da Dinamarca, da Suécia e da Grécia. No mesmo patamar, ou seja com os mesmos 12, temos ainda a Bélgica, a Espanha, a França e a Itália. No extremo, está a Grã-Bretanha com 8 e a Lituânia com 10. Em qualquer um dos casos, sem excepção de país, é necessário somar os feriados municipais que como se sabe são variáveis. Perante este cenário, não consigo vislumbrar que extraordinária relação pode haver entre feriados e produtividade. Como se vê, eis como é fácil desmontar um mito repetidamente usado. Aliás, ainda há bem pouco tempo, constatou-se exactamente o contrário: os portugueses até trabalham muito. Ou pelo menos, trabalham muitas horas. O problema reside, por isso, no se trabalhar mal e não no trabalhar pouco. O que é diferente. Isto só por si iliba boa parte dos trabalhadores que se limita a fazer e a cumprir com o que é pedido. mas obriga, num outro prisma, a fazer entrar na arena outras duas variáveis: os empresários de mercearia e de pouca visão e o próprio Estado incapaz de mudar a situação.

quarta-feira, abril 26, 2006

Classe Média

Não se pense, contudo, a avaliar pelo programa anterior, que a SIC não possui humoristas com talento...
Por exemplo, na mesma estação televisiva, Pacheco Pereira, sob a capa de atento e hirto comentador político, conseguiu há pouco provocar mais lágrimas de riso do que uma cebola cortada, ao afirmar, virando-se para os seus colegas comentadores de serviço, Lobo Xavier e Jorge Coelho, "Eu, nós, que pertencemos à classe média...".
Eis a hilaridade a exibir-se com grande intensidade!

terça-feira, abril 25, 2006

Tomar a Liberdade

quarta-feira, abril 05, 2006

Havana Blues

Fazendo jus ao título escolhido, Havana Blues gira a câmara de filmar em torno dos sons actualmente produzidos em Cuba, que vão desde as sonoridades mais características da ilha, até ao rock, aos blues, ao hip-hop, ao rap ou ao metal.
São estas também as sonoridades que, misturadas, são abraçadas pelos principais protagonistas da história. Dois jovens e inseparáveis músicos, Ruy e Tito, marcados pela ânsia de transporem os mares que os rodeiam e os enclausuram cumplicemente com as determinações políticas, aspiram pelos palcos europeus, pelo alcance da fama musical para lá das fronteiras da ilha e das salas de espectáculo degradadas.
A oportunidade tem uma face galega, a face visível de dois produtores assalariados de uma editora multinacional, que concede ao grupo musical liderado por Ruy e Tito um salvo conduto para a produção e distribuição internacional de registos discográficos.
Para lá desta aparente correspondência de vontades escondem-se as contrapartidas do mundo do business musical. O salvo conduto, representado pelo contrato discográfico, pressupõe a exteriorização mediática de discursos flamejantes sobre a conjuntura cubana, em paridade com uma imposição artística e usurpação financeira excessiva dos ganhos que advirem das vendas discográficas e dos concertos.
A leitura do contrato faz estremecer a solidariedade entre os membros do grupo. De súbito, o inconformismo unido dos protagonistas perante as amarras políticas e culturais cubana estremece, agora divididos entre a perseguição de um sonho e o preço do mesmo, traduzido no provável fechamento fronteiriço e decorrente separação familiar quase irremediável.
A (re) conquista espanhola estava consumada, agora pela música, e embora não suficientemente forte para impedir o concerto da reconciliação, trouxe para a antiga colónia mais algumas vozes para fazer moeda. O desespero e os sonhos a tal podem obrigar.