A dois meses das legislativas ainda não se percebeu quais as linhas principais que guiam a política do maior partido da oposição. Pensar-se-ia que com um governo tão débil fosse simples elaborar políticas estruturais alternativas ou pelo menos que surgissem duas ou três ideias elementares. Mas não. O último tempo de antena do PS foi muita forma e pouco conteúdo. O marketing esteve em grande na escolha da indumentária do líder, no estudo da sua postura frente às câmaras e na composição dos planos. Devem ter sido os mesmo senhores do marketing que convençeram o PS que metade do seu tempo de antena devia ser preenchido com imagens do Euro 2004 e da euforia nacionalista de bandeirinha em punho. O resto foram lugares comuns, generalidades que qualquer pessoa com bom senso, seja de esquerda ou direita, pode aceitar.
Tudo leva a crer que vamos ter, mais do que outra coisa, uma competição de projectos de marketing: quem vai ser a empresa que conseguirá vender melhor o seu produto? Será possível reciclar Santana Lopes, especialmente agora que Vangelis mudou de trincheira e que os comícios do PSD vão ter aquele tom épico enjoativo que serve apenas o culto da personalidade? Ou será que a pose modernaça de Sócrates vai acabar por vingar?
A política hoje é cada vez mais um exercício de imagem, com muitos slogans, frases fortes, adjectivos certeiros, tons de voz ensaiados, sorrisos, balõezinhos, cantores populares, jogadores de futebol e nacionalismo.
Entretanto, os cidadãos continuam longe de terem acesso aos critérios que lhes permitiram efectuar as escolhas. É a democracia.
sexta-feira, dezembro 31, 2004
quinta-feira, dezembro 30, 2004
Fontes de Inspiração
"Julgo que se não fosse Nelas e as páginas de necrologia, nunca teria escrito nada."
Lobo Antunes, Jornal do Centro
Lobo Antunes, Jornal do Centro
segunda-feira, dezembro 27, 2004
Sr. Carlos
A quadra natalícia tem nos dias de hoje como sua consorte a euforia comercial. Companheira inseparável e omnipotente, a voragem das compras, actualmente, é consumada sobretudo nos grandes centros comerciais, em detrimento do comércio tradicional.
Pessoalmente, é-me indiferente ter que fazer compras num centro comercial ou numa qualquer loja de rua. Escolho ou rejeito os locais para gastar os euricos, não segundo a tipologia de organização comercial, mas sim de acordo com um determinante critério de eleição: a qualidade do atendimento prestado.
Concedo que os horários de funcionamento, a atractividade das montras e do interior da lojas, a facilidade de estacionamento ou o resguardo das más condições atmosféricas, sejam variáveis que condicionam a escolha do local onde fazer compras, mas, como disse, elevo acima destas como variável determinante de eleição comercial a qualidade do atendimento, a qual, diga-se, não é exclusiva nem dos centros comerciais nem dos espaços de comércio tradicional.
E no âmbito da qualidade, há, para mim, uma loja imbatível, ou melhor, um comerciante supremo: a Papelaria do Sr. Carlos, na Rua Miguel Bombarda, em Viseu.
Do Sr. Carlos, homem já entrado na casa do sessenta anos de idade, pode dizer-se que foi até aqui há uns anos atrás funcionário de umas das mais antigas, e anteriormente famosa, papelarias de Viseu, a Papelaria Avenida.
Mas não era um funcionário qualquer, era a alma daquela loja, o vendedor extremoso, sempre bem-humorado e disponível para acolher com um sorriso nos lábios e rima nas palavras os clientes. Foi graças a ele que a Papelaria Avenida criou a aura de local de peregrinação obrigatória no comércio viseense.
Foi assim durante décadas, até que aqui há alguns anos resolveu abrir o seu espaço próprio, a sua própria papelaria, uma centena de metros acima do local onde antes laborava. É um espaço exíguo, sem centímetros disponíveis para grandes arranjos decorativos, e onde o material se acumula em altura.
Mas isso não é razão que impeça que uma pletora de clientes diariamente se acotovelem para aí efectuarem as suas compras. Todos eles sabem que aí vão ser recebidos de forma cortês.
Em contraponto, a antiga papelaria do Sr. Carlos, desde que ele saiu, definha diariamente, uma vez que os seus clientes se desviam voluntariamente para a papelaria do Sr. Carlos, o que não é de estranhar se tivermos presente os “monos de gesso” que aí estão prostrados atrás do balcão.
Afinal, apenas na papelaria do Sr. Carlos, é possível acontecer um diálogo destes:
Cliente - Boa tarde, desejava o Público, se faz favor.
Sr. Carlos – Ah, o jornal Público, perfeitamente. O “Público” para o bom público!
Entretanto o Sr. Carlos procura nos bastidores da loja o jornal, e regressa pouco tempo depois.
- Queira-me desculpar este tempo, mas é que já não tenho nenhum exemplar lá dentro. Há apenas um que está ali afixado junto à porta, ao fresquinho, como convém que sejam as notícias. Com licença.
Regressa o Sr. Carlos com o jornal, e prossegue:
- Tenha a amabilidade, aqui tem o Público, hoje com dois suplementos: um de música e de artes para elevar a cultura e o espírito, e um outro de sátira, Inimigo de seu nome, mas amigo da justa crítica mordaz dos nossos tempos.
Entretanto, o cliente, já a rir-se, recebe o jornal, paga e despede-se com o tradicional obrigado, ao que o Sr. Carlos devolve:
- Ora, eu é que agradeço gentilmente a sua preferência por este estabelecimento. Sempre ao dispor!
Perante isto, não é de estranhar que o Sr. Carlos seja o demiurgo dos comerciantes de Viseu, e não só.
Pessoalmente, é-me indiferente ter que fazer compras num centro comercial ou numa qualquer loja de rua. Escolho ou rejeito os locais para gastar os euricos, não segundo a tipologia de organização comercial, mas sim de acordo com um determinante critério de eleição: a qualidade do atendimento prestado.
Concedo que os horários de funcionamento, a atractividade das montras e do interior da lojas, a facilidade de estacionamento ou o resguardo das más condições atmosféricas, sejam variáveis que condicionam a escolha do local onde fazer compras, mas, como disse, elevo acima destas como variável determinante de eleição comercial a qualidade do atendimento, a qual, diga-se, não é exclusiva nem dos centros comerciais nem dos espaços de comércio tradicional.
E no âmbito da qualidade, há, para mim, uma loja imbatível, ou melhor, um comerciante supremo: a Papelaria do Sr. Carlos, na Rua Miguel Bombarda, em Viseu.
Do Sr. Carlos, homem já entrado na casa do sessenta anos de idade, pode dizer-se que foi até aqui há uns anos atrás funcionário de umas das mais antigas, e anteriormente famosa, papelarias de Viseu, a Papelaria Avenida.
Mas não era um funcionário qualquer, era a alma daquela loja, o vendedor extremoso, sempre bem-humorado e disponível para acolher com um sorriso nos lábios e rima nas palavras os clientes. Foi graças a ele que a Papelaria Avenida criou a aura de local de peregrinação obrigatória no comércio viseense.
Foi assim durante décadas, até que aqui há alguns anos resolveu abrir o seu espaço próprio, a sua própria papelaria, uma centena de metros acima do local onde antes laborava. É um espaço exíguo, sem centímetros disponíveis para grandes arranjos decorativos, e onde o material se acumula em altura.
Mas isso não é razão que impeça que uma pletora de clientes diariamente se acotovelem para aí efectuarem as suas compras. Todos eles sabem que aí vão ser recebidos de forma cortês.
Em contraponto, a antiga papelaria do Sr. Carlos, desde que ele saiu, definha diariamente, uma vez que os seus clientes se desviam voluntariamente para a papelaria do Sr. Carlos, o que não é de estranhar se tivermos presente os “monos de gesso” que aí estão prostrados atrás do balcão.
Afinal, apenas na papelaria do Sr. Carlos, é possível acontecer um diálogo destes:
Cliente - Boa tarde, desejava o Público, se faz favor.
Sr. Carlos – Ah, o jornal Público, perfeitamente. O “Público” para o bom público!
Entretanto o Sr. Carlos procura nos bastidores da loja o jornal, e regressa pouco tempo depois.
- Queira-me desculpar este tempo, mas é que já não tenho nenhum exemplar lá dentro. Há apenas um que está ali afixado junto à porta, ao fresquinho, como convém que sejam as notícias. Com licença.
Regressa o Sr. Carlos com o jornal, e prossegue:
- Tenha a amabilidade, aqui tem o Público, hoje com dois suplementos: um de música e de artes para elevar a cultura e o espírito, e um outro de sátira, Inimigo de seu nome, mas amigo da justa crítica mordaz dos nossos tempos.
Entretanto, o cliente, já a rir-se, recebe o jornal, paga e despede-se com o tradicional obrigado, ao que o Sr. Carlos devolve:
- Ora, eu é que agradeço gentilmente a sua preferência por este estabelecimento. Sempre ao dispor!
Perante isto, não é de estranhar que o Sr. Carlos seja o demiurgo dos comerciantes de Viseu, e não só.
domingo, dezembro 26, 2004
Dr. Strangelove
O DVD é uma das poucas armas eficazes para combater o meu longo bocejo natalício. Visto há bastante tempo, Dr. Estranhoamor varrera-se-me da memória. Não vale a pena insistir em loas ao filme, apenas mais uma das obras-primas de Kubrick, um primado da estética em que não há um plano que seja menos do que excepcional. Como a experiência do cinema tem sempre algo a ver com o presente, com o nosso e com o do mundo, Dr. Estranhoamor pareceu-me um fábula sobre a bomba atómica bastante actual. As principais personagens de Kubrick continuam por ai. Sterling Hayden encarna um general que resolve lançar a bomba sobre a então União Soviética para defender a pureza dos americanos, cujos fluídos corporais estavam ameçados pelo comunismo internacional. George C. Scott faz uma caricatura perfeita de outro general americano, um profissional da guerra, para quem os mortos são apenas números num balanco contabilístico. Peter Sellers interpreta - entre outras brilhantes personagens - o Dr. Strangelove, um teórico nazi que imagina novas sociedades purificadas. Diga-se que o realizador não é menos contundente com o outro bloco militar.
Kubrick era um antimilitarista acérrimo.
Os seus medos relativos ao advento de uma sociedade fortemente influenciada pela hierarquia militar, pela indústria das armas e pelos profissionais da morte devem continuar a assustar-nos.
Kubrick era um antimilitarista acérrimo.
Os seus medos relativos ao advento de uma sociedade fortemente influenciada pela hierarquia militar, pela indústria das armas e pelos profissionais da morte devem continuar a assustar-nos.
sábado, dezembro 25, 2004
Slogans Partidários
PSD: “Coragem por Portugal”
PS: “Voltar a acreditar”
Em resumo: é precisa muita coragem para voltar a acreditar em tudo isto.
PS: “Voltar a acreditar”
Em resumo: é precisa muita coragem para voltar a acreditar em tudo isto.
Orçamento
O governo decidiu publicar na imprensa um folheto sobre o orçamento onde explicava as grandes linhas orientadoras e estratégicas. A esquerda não gostou, vociferou e esperneou e diz que é propaganda porque qualquer tentativa de explicar alguma coisa aos portugueses, vinda da direita, é propaganda. A direita, através do sisudo ministro Sarmento, diz que a coisa não chegou aos cem mil euros e que para informar os portugueses isso é manifestamente irrisório (mesmo que pelo meio tenha havido alguma trapalhada). Eu acho bem: acho bem que o governo tente explicar a bem as coisas que faz; acho bem que se dê aos portugueses instrumentos de avaliação para além da censura, dos fait-divers e dos comentadores a soldo de interesses obscuros; acho bem que a direita chateie a arrogante esquerda que se julga vencedora antecipada e detentora de toda a verdade.
Esta nova atitude do Governo, ao contrário do que se diz, é corajosa e deve ser incentivada e mantida no futuro porque perante o actual clima de ataque permanente – e mesmo que assim não fosse – é bom para o Governo manter canais de comunicação directos com os seus cidadãos. Por duas razões. Primeira, porque explica a sua visão das coisas; e, segunda, evita o ruído e os preconceitos das mentes que por aí abundam.
Esta nova atitude do Governo, ao contrário do que se diz, é corajosa e deve ser incentivada e mantida no futuro porque perante o actual clima de ataque permanente – e mesmo que assim não fosse – é bom para o Governo manter canais de comunicação directos com os seus cidadãos. Por duas razões. Primeira, porque explica a sua visão das coisas; e, segunda, evita o ruído e os preconceitos das mentes que por aí abundam.
quarta-feira, dezembro 22, 2004
I&D
Há cerca de um ano atrás era vê-los reunidos em opíparos almoços no Convento do Beato para exararem discursos eloquentes acerca dos funestos e atávicos males que assolam continuamente este país.
Chamavam-se a si próprios “Compromisso Portugal” e congregavam fundamentalmente uma plêiade de gestores e economistas, provindos dos maiores grupos empresariais do País. O seu objectivo principal consistia em morigerar a acção governativa segundo, diziam eles, as modernas teorias económicas e de organização funcional das empresas.
Verberavam o papel interventor do Estado na educação, na saúde, na segurança social, “...quando o mercado se pode perfeitamente substituir ao Estado nesse papel sem qualquer dano para o público em geral e com ganhos claros na produtividade e no nível de serviço”, o fim da presença estatal na gestão das águas, dos transportes ferroviários, dos aeroportos e dos correios, entre muitos outros, porque “...o Estado é um mau gestor e as empresas públicas apresentam cronicamente avultados prejuízos”, etc, etc.
Ironicamente, o Público de hoje reza que “Portugal é o único país do antigo grupo dos 15 da União Europeia (UE) que não consta de uma lista de 500 empresas que mais investiram em investigação e desenvolvimento (I&D) em 2003”.
Ora, quando o axioma que determina o posicionamento global da economias nacionais na actual sociedade informacional postula que a mola decisiva para o crescimento económico radica na capacidade de inovação, nomeadamente aquela que se organiza à volta do grupo convergente de tecnologias formado pela microelectrónica, informática, telecomunicações, biotecnologia e engenharia genética, e depois se lê a este propósito que “a soma do investimento em 2003 das dez empresas portuguesas referidas, que é de 8,5 milhões de euros, não chega ao investimento anual da última empresa das 500 mais europeias”, por aí se vê o fosso que separa a realidade e as preocupações e práticas dos nossos empresários...
Por curiosidade, nos cinco primeiros lugares da lista de empresas europeias mais investiram em investigação e desenvolvimento (I&D), em 2003, estão a Daimler Chrysler, a Siemens, a Volkswagen, a Nokia e a GlaxoSmithKline, representando as áreas que mais investem não só a nível europeu mas a nível mundial - ou seja, a indústria automóvel, a biotecnologia e farmacêutica e as tecnologias da informação e equipamento electrónico...
Chamavam-se a si próprios “Compromisso Portugal” e congregavam fundamentalmente uma plêiade de gestores e economistas, provindos dos maiores grupos empresariais do País. O seu objectivo principal consistia em morigerar a acção governativa segundo, diziam eles, as modernas teorias económicas e de organização funcional das empresas.
Verberavam o papel interventor do Estado na educação, na saúde, na segurança social, “...quando o mercado se pode perfeitamente substituir ao Estado nesse papel sem qualquer dano para o público em geral e com ganhos claros na produtividade e no nível de serviço”, o fim da presença estatal na gestão das águas, dos transportes ferroviários, dos aeroportos e dos correios, entre muitos outros, porque “...o Estado é um mau gestor e as empresas públicas apresentam cronicamente avultados prejuízos”, etc, etc.
Ironicamente, o Público de hoje reza que “Portugal é o único país do antigo grupo dos 15 da União Europeia (UE) que não consta de uma lista de 500 empresas que mais investiram em investigação e desenvolvimento (I&D) em 2003”.
Ora, quando o axioma que determina o posicionamento global da economias nacionais na actual sociedade informacional postula que a mola decisiva para o crescimento económico radica na capacidade de inovação, nomeadamente aquela que se organiza à volta do grupo convergente de tecnologias formado pela microelectrónica, informática, telecomunicações, biotecnologia e engenharia genética, e depois se lê a este propósito que “a soma do investimento em 2003 das dez empresas portuguesas referidas, que é de 8,5 milhões de euros, não chega ao investimento anual da última empresa das 500 mais europeias”, por aí se vê o fosso que separa a realidade e as preocupações e práticas dos nossos empresários...
Por curiosidade, nos cinco primeiros lugares da lista de empresas europeias mais investiram em investigação e desenvolvimento (I&D), em 2003, estão a Daimler Chrysler, a Siemens, a Volkswagen, a Nokia e a GlaxoSmithKline, representando as áreas que mais investem não só a nível europeu mas a nível mundial - ou seja, a indústria automóvel, a biotecnologia e farmacêutica e as tecnologias da informação e equipamento electrónico...
segunda-feira, dezembro 20, 2004
Eu um sou um grandi fan dos Sigur Rós
Foi deste modo que Argel, o defesa do Benfica, justificou o seu comportamento nos momentos seguintes ao golo que marcou frente ao Penafiel, quando correu para Trapattoni e o beijou na testa.
“Desde que vi aquele videoclip dos Sigur Rós, “Vidrar Vel Til Loftârâsâ”, onde um jovem futebolista, depois marcar um golo, corre para os braços de um colega e lhe aplica uns apaixonados ósculos, tive sempre o desejo de poder repetir semelhante façanha, ainda para mais quando sabia que estavam 10.000 Pais Natais no Estádio. Parecia mesmo que estava a jogar no Pólo Norte”, disse Argel aos jornalistas presentes na conferência.
Mas Argel foi ainda mais longe, ao admitir que a sonoridade telúrica da banda islandesa tem provocado efeitos surpreendentes na mudança da sua personalidade.
“Antes de conhecer os Sigur Rós era uma pessoa com uma certa inclinação violenta. Rebentava com computadores na Torre das Antas, rebentava com as beiças dos seguranças do Colombo por causa de umas fraldas, enfim, reconheço que era um cara pouco recomendável. Agora, depois do contacto com os videoclips dos Sigur Rós, sou um homem novo, cheio de amor para distribuir por todo o mundo. Da próxima vez que marcar um golo, e que não seja na própria baliza, já prometi ao nosso presidente que irei até aos camarotes para lhe beijar as orelhas”, acrescentou o defesa brasileiro do Benfica.
Dada a explicação, Argel despediu-se dos jornalistas, rematando em alto e bom som, “Viva os Sigur Rós!”.
“Desde que vi aquele videoclip dos Sigur Rós, “Vidrar Vel Til Loftârâsâ”, onde um jovem futebolista, depois marcar um golo, corre para os braços de um colega e lhe aplica uns apaixonados ósculos, tive sempre o desejo de poder repetir semelhante façanha, ainda para mais quando sabia que estavam 10.000 Pais Natais no Estádio. Parecia mesmo que estava a jogar no Pólo Norte”, disse Argel aos jornalistas presentes na conferência.
Mas Argel foi ainda mais longe, ao admitir que a sonoridade telúrica da banda islandesa tem provocado efeitos surpreendentes na mudança da sua personalidade.
“Antes de conhecer os Sigur Rós era uma pessoa com uma certa inclinação violenta. Rebentava com computadores na Torre das Antas, rebentava com as beiças dos seguranças do Colombo por causa de umas fraldas, enfim, reconheço que era um cara pouco recomendável. Agora, depois do contacto com os videoclips dos Sigur Rós, sou um homem novo, cheio de amor para distribuir por todo o mundo. Da próxima vez que marcar um golo, e que não seja na própria baliza, já prometi ao nosso presidente que irei até aos camarotes para lhe beijar as orelhas”, acrescentou o defesa brasileiro do Benfica.
Dada a explicação, Argel despediu-se dos jornalistas, rematando em alto e bom som, “Viva os Sigur Rós!”.
PC e radicais chiques
Nesta pré-campanha politica gostava para já de destacar a ambiguidade do Bloco e a firmeza do PCP.
Não é de agora que se sabe que o Bloco é um partido burguês que mais cedo ou mais tarde pretende concretizar o sonho de exercer o poder dos gabinetes e infiltrar a máquina do Estado com gentinha do seu calibre, à semelhança do que tem feito nos sindicatos. Será aqui que irá trair os seus ideais e será assim que acabará por desaparecer. Ou ferir-se de morte. O Bloco é um movimento de contra-poder, de intelectuais chiques, radicais urbanos e minoritários, todos anti-democráticos por definição. Não tem perfil para nada mais excepto para o circo de rua e a exploração mediática de uma imagem já gasta. Bastou ver o seu pedido de namoro ao PS e a sua eventual futura viabilização do novo governo: qualquer coisa entre o absurdo e o patético; entre o delírio e a doença.
O PC por seu turno, e como é seu apanágio, não se vende por lentilhas e acredita que há uma via alternativa. Distante e utópica, mas alternativa. Quer dar luta ao PS e ao contrário do Bloco fará desta campanha eleitoral uma questão de vida ou de morte por novas políticas.
O Bloco perderá então por se colar e se oferecer a um poder que é corrupto, populista e que no fundo não representa nada de novo na vida política portuguesa. Com o PC pode acontecer o contrário. E para quem augurou um PC morto, eis a possibilidade de provar exactamente o seu contrário. E logo com o mais improvável dos líderes: Jerónimo de Sousa.
Não é de agora que se sabe que o Bloco é um partido burguês que mais cedo ou mais tarde pretende concretizar o sonho de exercer o poder dos gabinetes e infiltrar a máquina do Estado com gentinha do seu calibre, à semelhança do que tem feito nos sindicatos. Será aqui que irá trair os seus ideais e será assim que acabará por desaparecer. Ou ferir-se de morte. O Bloco é um movimento de contra-poder, de intelectuais chiques, radicais urbanos e minoritários, todos anti-democráticos por definição. Não tem perfil para nada mais excepto para o circo de rua e a exploração mediática de uma imagem já gasta. Bastou ver o seu pedido de namoro ao PS e a sua eventual futura viabilização do novo governo: qualquer coisa entre o absurdo e o patético; entre o delírio e a doença.
O PC por seu turno, e como é seu apanágio, não se vende por lentilhas e acredita que há uma via alternativa. Distante e utópica, mas alternativa. Quer dar luta ao PS e ao contrário do Bloco fará desta campanha eleitoral uma questão de vida ou de morte por novas políticas.
O Bloco perderá então por se colar e se oferecer a um poder que é corrupto, populista e que no fundo não representa nada de novo na vida política portuguesa. Com o PC pode acontecer o contrário. E para quem augurou um PC morto, eis a possibilidade de provar exactamente o seu contrário. E logo com o mais improvável dos líderes: Jerónimo de Sousa.
O voto útil
Uma das vantagens eminentes da não existência da coligação, é o facto de deixar de fazer sentido o voto útil no PS. Com isso podem beneficiar o PCP e o Bloco de Esquerda, os partidos pequenos da esquerda.
Se PSD e PP concorressem coligados, a imagem política seria a de um centro-direita unido que era imperioso combater e assim derrotar. O voto no PS seria, por arrasto, uma necessidade evidente que prejudicaria os partidos mais pequenos. Agora deixa de o ser. Não é de excluir que tenha havido por parte da coligação uma orientação no sentido de evitar isso mesmo. Não nos podemos esquecer que as coisas em política muitas vezes não são o que parecem.
Assim, o PS terá de enfrentar 4 adversários aguerridos que lutarão sempre por conquistar quota do seu eleitorado. Isto quer dizer que é preciso muito cuidado com as sondagens porque não reflectem por vezes a verdade momentânea das coisas e porque geralmente não passam de instrumentos ao serviço de causas estranhas à própria vontade dos portugueses com o intuito claro de manipulação. É por isso que não acredito em maiorias absolutas e muito menos em vencedores antecipados. Sócrates que se cuide. Não terá a vida facilitada.
Se PSD e PP concorressem coligados, a imagem política seria a de um centro-direita unido que era imperioso combater e assim derrotar. O voto no PS seria, por arrasto, uma necessidade evidente que prejudicaria os partidos mais pequenos. Agora deixa de o ser. Não é de excluir que tenha havido por parte da coligação uma orientação no sentido de evitar isso mesmo. Não nos podemos esquecer que as coisas em política muitas vezes não são o que parecem.
Assim, o PS terá de enfrentar 4 adversários aguerridos que lutarão sempre por conquistar quota do seu eleitorado. Isto quer dizer que é preciso muito cuidado com as sondagens porque não reflectem por vezes a verdade momentânea das coisas e porque geralmente não passam de instrumentos ao serviço de causas estranhas à própria vontade dos portugueses com o intuito claro de manipulação. É por isso que não acredito em maiorias absolutas e muito menos em vencedores antecipados. Sócrates que se cuide. Não terá a vida facilitada.
A campanha começou
A originalidade: “Só com o crescimento económico poderemos resolver o desemprego, o equilíbrio das contas públicas e o combate às desigualdades” – José Sócrates
Disfarçada de jantares de Natal, a campanha de Sócrates e seus correligionários já começou. Basta estar atento e ouvi-los a falar à boca cheia de mil e uma promessas e lugares-comuns tão do agrado de multidões arregimentadas também denominadas de aparelho ou de bases.
Era bom que alguém perdesse algum tempo e ensinasse o Eng. Sócrates a ser modesto e a fazer um exame introspectivo sob as suas capacidades e supostas garantias de futuro para Portugal e para os portugueses. Afinal, mesmo que o PS não pense o mesmo, as eleições só se ganham nas urnas e com o voto dos portugueses. Não se ganham por antecipação. E muito menos por optimismo ou arrogância. E muito menos à mesa dos banquetes.
Sócrates não prima pelo bom senso e é muito pior político do que Santana como rapidamente se irá ver. Sócrates é um político cinzento, sem escrúpulos, cujas ideias para Portugal são vendidas a pataco, sem qualquer orientação e que tem como líder espiritual o mais incompetente dos políticos portugueses do pós-25 de Abril: António Guterres. O pior ainda está, portanto, para vir.
Disfarçada de jantares de Natal, a campanha de Sócrates e seus correligionários já começou. Basta estar atento e ouvi-los a falar à boca cheia de mil e uma promessas e lugares-comuns tão do agrado de multidões arregimentadas também denominadas de aparelho ou de bases.
Era bom que alguém perdesse algum tempo e ensinasse o Eng. Sócrates a ser modesto e a fazer um exame introspectivo sob as suas capacidades e supostas garantias de futuro para Portugal e para os portugueses. Afinal, mesmo que o PS não pense o mesmo, as eleições só se ganham nas urnas e com o voto dos portugueses. Não se ganham por antecipação. E muito menos por optimismo ou arrogância. E muito menos à mesa dos banquetes.
Sócrates não prima pelo bom senso e é muito pior político do que Santana como rapidamente se irá ver. Sócrates é um político cinzento, sem escrúpulos, cujas ideias para Portugal são vendidas a pataco, sem qualquer orientação e que tem como líder espiritual o mais incompetente dos políticos portugueses do pós-25 de Abril: António Guterres. O pior ainda está, portanto, para vir.
quarta-feira, dezembro 15, 2004
O Senhor dos Anéis
Idealmente, a acção governativa deve imperativamente servir o bem comum. Por imprevistos de várias ordens ou quaisquer alterações súbitas àquilo que inicialmente foi programado, sabe-se que nem sempre assim acontece. Todavia, os desvios às boas intenções iniciais são aceitáveis quando a ponderação e a isenção presidiram de modo evidente à tomada de atitudes por parte dos actores políticos.
Ao invés, quando se torna óbvio que uma decisão política terá claros efeitos nocivos para a comunidade, nomeadamente em termos futuros, devido a ter sido irresponsavelmente feita em cima dos joelhos, a sensação de desconfiança acerca da boa índole de quem nos governa acresce.
Vem isto a propósito da intenção do demissionário Governo em vender 65 imóveis por ajuste directo como forma de salvar as contas públicas de 2004, quando prometeu no Parlamento fazê-lo “preferencialmente por hasta pública”. Saliente-se que a grande maioria destes imóveis são actualmente ocupados por serviços públicos, os quais passarão a ser inquilinos e a pagar as respectivas rendas, aumentando a despesa corrente dos mesmos.
Na minha inocência, sempre parti do pressuposto da exigência de estudos que lobrigassem qual o impacto para o erário público que este tipo de atitudes acarretam.
Esta forma de encarar as coisas desmorona-se estrondosamente, quando se sabe que “o Ministério das Finanças nunca divulgou, mesmo ao Parlamento, uma estimativa desses novos custos regulares que esta operação vai acarretar e que apesar de instado várias vezes a esclarecer os deputados sobre os custos futuros para o Estado da venda de património imobiliário dos seus serviços, o ministro Bagão Félix se esquivou a dar essa resposta”.
Ou seja, no meu inocente modo de ver (admito que o problema pode estar em mim), o Estado Português, em mais uma urgente operação de cosmetologia financeira para fazer face ao imediato, neste caso designado pacto de Estabilidade de Crescimento, prepara-se para vender ao desbarato mais uns quantos anéis que diariamente usa, para de futuro ir alugar os mesmos anéis aos seus compradores a um preço desconhecido, sem dar deliberadamente cavaco acerca da onerosidade desta operação para o erário público.
Tinha para comigo que a salvaguarda dos dinheiros dos contribuintes não se compaginava com apostas na roleta, às cegas e no escuro, sem que os riscos estejam estudados e acautelados, enfim, sem qualquer análise prospectiva. Pelo vistos, mais uma vez estava enganado, porque a lógica neste caso é só uma: quem vier que feche a porta.
Ao invés, quando se torna óbvio que uma decisão política terá claros efeitos nocivos para a comunidade, nomeadamente em termos futuros, devido a ter sido irresponsavelmente feita em cima dos joelhos, a sensação de desconfiança acerca da boa índole de quem nos governa acresce.
Vem isto a propósito da intenção do demissionário Governo em vender 65 imóveis por ajuste directo como forma de salvar as contas públicas de 2004, quando prometeu no Parlamento fazê-lo “preferencialmente por hasta pública”. Saliente-se que a grande maioria destes imóveis são actualmente ocupados por serviços públicos, os quais passarão a ser inquilinos e a pagar as respectivas rendas, aumentando a despesa corrente dos mesmos.
Na minha inocência, sempre parti do pressuposto da exigência de estudos que lobrigassem qual o impacto para o erário público que este tipo de atitudes acarretam.
Esta forma de encarar as coisas desmorona-se estrondosamente, quando se sabe que “o Ministério das Finanças nunca divulgou, mesmo ao Parlamento, uma estimativa desses novos custos regulares que esta operação vai acarretar e que apesar de instado várias vezes a esclarecer os deputados sobre os custos futuros para o Estado da venda de património imobiliário dos seus serviços, o ministro Bagão Félix se esquivou a dar essa resposta”.
Ou seja, no meu inocente modo de ver (admito que o problema pode estar em mim), o Estado Português, em mais uma urgente operação de cosmetologia financeira para fazer face ao imediato, neste caso designado pacto de Estabilidade de Crescimento, prepara-se para vender ao desbarato mais uns quantos anéis que diariamente usa, para de futuro ir alugar os mesmos anéis aos seus compradores a um preço desconhecido, sem dar deliberadamente cavaco acerca da onerosidade desta operação para o erário público.
Tinha para comigo que a salvaguarda dos dinheiros dos contribuintes não se compaginava com apostas na roleta, às cegas e no escuro, sem que os riscos estejam estudados e acautelados, enfim, sem qualquer análise prospectiva. Pelo vistos, mais uma vez estava enganado, porque a lógica neste caso é só uma: quem vier que feche a porta.
terça-feira, dezembro 14, 2004
Tubo de escape
Eduardo outra vez. Não é que o homem, entre os múltiplos afazeres académicos e culturais, ainda tem tempo para se debruçar sobre algo tão popular e insignificante como o futebol. Uma honra para todos aqueles que, faltando-lhes a cultura que sobra a Prado Coelho, se dedicam a esmiuçar a telenovela do pontapé na bola. E o que tão nobre personagem tem para oferecer aos aficionados do jogo? Pois bem, Eduardo respondeu com a sua excelência habitual a algumas perguntas singelas efectuadas pelo diário de distribuição gratuita Destak. Pérolas de estilo literário. Voa pensamento. Na primeira resposta, afirma convicto e resoluto que “O Sporting tem sido muito irregular no campeonato mas tem vindo em crescendo. É natural que agora atinja um nível de qualidade melhor.” É realmente natural. Faz sentido. De seguida, Eduardo ultrapassa as melhores expectativas ao referir-se ao Benfica: “Como aspectos positivos o Benfica tem principalmente Simão. Mas depois tem aspectos negativos, que é o caso da defesa. São muito fracos nessa área e têm jogadores muito fracos. E depois há jogos em que parece que a equipa desaparece.” Isto é tão bonito que só se percebe realmente na forma poética.
Como aspectos positivos
Benfica tem
Principalmente
Simão
Mas depois tem aspectos negativos
que é o caso da defesa
São muito fracos nessa área
e têm jogadores muito fracos
E depois há jogos
em que parece
que a equipa desaparece
Só mais uma. Qual a utilidade de um jogo como o futebol para a sociedade portuguesa? “Não é um propriamente uma utilidade. Entre várias funcionalidades o futebol focaliza diferentes emoções e serve de tubo de escape para as tensões da sociedade.” É um artista português ao nível do tubo de escape.
Como aspectos positivos
Benfica tem
Principalmente
Simão
Mas depois tem aspectos negativos
que é o caso da defesa
São muito fracos nessa área
e têm jogadores muito fracos
E depois há jogos
em que parece
que a equipa desaparece
Só mais uma. Qual a utilidade de um jogo como o futebol para a sociedade portuguesa? “Não é um propriamente uma utilidade. Entre várias funcionalidades o futebol focaliza diferentes emoções e serve de tubo de escape para as tensões da sociedade.” É um artista português ao nível do tubo de escape.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
Expresso
O saco de plástico, também conhecido por Expresso, desta semana traz duas notícias auspiciosas: uma suposta preferência de Pinto da Costa por Luís Filipe Menezes para liderar futuramente o FC Porto e o estrondoso acordo entre Santana e Portas para a formação de uma coligação pré-eleitoral entre PSD e PP. As duas notícias são sintomáticas da credibilidade do referido semanário e de como se faz investigação jornalística em Portugal.
Sem precisar de comentar a segunda porque todos conhecemos o seu desfecho, basta dizer, em relação à primeira, que Luís Filipe Menezes é do… Sporting. Sem comentários.
Sem precisar de comentar a segunda porque todos conhecemos o seu desfecho, basta dizer, em relação à primeira, que Luís Filipe Menezes é do… Sporting. Sem comentários.
Soares
Soares fez, a semana passada, 80 anos entre 2000 convidados. É obra. Por dois motivos: pela provecta idade e pela enorme mobilização à volta do acontecimento. Soares é das personagens mais controversas da nossa história contemporânea e o seu percurso político é demasiado errático para não levantar nenhuma espécie de celeuma e para gerar tanto unanimidade. É por isso estranho que a data passada tenha sido usada apenas para glorificar feitos e relembrar os faustosos tempos do seu apogeu político. O jornalismo da terrinha, reflexo puro da mediocridade geral, ocupou-se em colocar Soares nos píncaros da lua enquanto discorria sobre as suas inúmeras qualidades de estadista que ainda não perdeu o tino: os próprios directores dos maiores jornais também se refastelaram e se regalaram no faustoso e "inocente" banquete.
Enquanto alguém marcava e organizava este encontro político disfarçado de aniversário, Soares respondia a tudo isto com profundo desprezo (mas aceitando a bajulação generalizada) dizendo, humildemente, que não passaria de uma nota de rodapé na história. O seu discurso é que teve pouco a ver com aniversário. Mas em frente.
Sendo este um evidente comício ao serviço dos interesses socialistas e dos delírios alter-globalização do Dr. Soares e da sua trupe, porque razão tanta gente aceitou ser usada como isco e promoção do mesmo? O que podem ter em comum 2000 pessoas e o Dr. Soares? Aparentemente nada. Nada de especial ou nada que valha em boa verdade tanto esforço. A não ser, pormenor, o ódio puro e doentio à coligação que nos governa(va).
Enquanto alguém marcava e organizava este encontro político disfarçado de aniversário, Soares respondia a tudo isto com profundo desprezo (mas aceitando a bajulação generalizada) dizendo, humildemente, que não passaria de uma nota de rodapé na história. O seu discurso é que teve pouco a ver com aniversário. Mas em frente.
Sendo este um evidente comício ao serviço dos interesses socialistas e dos delírios alter-globalização do Dr. Soares e da sua trupe, porque razão tanta gente aceitou ser usada como isco e promoção do mesmo? O que podem ter em comum 2000 pessoas e o Dr. Soares? Aparentemente nada. Nada de especial ou nada que valha em boa verdade tanto esforço. A não ser, pormenor, o ódio puro e doentio à coligação que nos governa(va).
sábado, dezembro 11, 2004
www.grupodopato.blogspot.com
Confesso que me cansam um pouco os posts com remissões constantes para outras moradas electrónicas, artigos, blogs, etc. Prefiro ler os meus comparsas do que as suas simpáticas remissões. Talvez fosse útil resumir tudo num género de escolha semanal ou enviar as informações por e-mail, ou, então, escrever posts que analisem o contexto das remissões, isto é, que valham por si, que não sejam apenas uma fonte de informação, por mais útil que ela seja.
Posto isto, vou enfiar a carapuça e aconselhar o excelente artigo que Augusto Santos Silva escreve hoje no Público: "Sobressalto Cívico Precisa-se". Uma inteligente análise dos mecanismos do populismo em Portugal.
Para além do seu conteúdo, o artigo é importante por outros dois motivos. É revelador. Revela que Santos Silva está bastante acima da mediana do seu partido. É trágico. Só chega a uma clique de portugueses que por educação está preparada para resistir ao contexto político e cultural do populismo retrógado e reaccionário.
http://jornal.publico.pt/publico/2004/12/11/EspacoPublico/O01.html
Posto isto, vou enfiar a carapuça e aconselhar o excelente artigo que Augusto Santos Silva escreve hoje no Público: "Sobressalto Cívico Precisa-se". Uma inteligente análise dos mecanismos do populismo em Portugal.
Para além do seu conteúdo, o artigo é importante por outros dois motivos. É revelador. Revela que Santos Silva está bastante acima da mediana do seu partido. É trágico. Só chega a uma clique de portugueses que por educação está preparada para resistir ao contexto político e cultural do populismo retrógado e reaccionário.
http://jornal.publico.pt/publico/2004/12/11/EspacoPublico/O01.html
sexta-feira, dezembro 10, 2004
Sugestao
Um excelente e educativo blog:
http://stupidevilbastard.com/index/seb/comments/mixing_god_and_politics/
http://stupidevilbastard.com/index/seb/comments/mixing_god_and_politics/
www.psd.pt
Provavelmente desconsolado com os resultados que todas as sondagens têm dado à estampa acerca da justeza, ou não, da decisão do PR, o PSD/PPD decidiu reconfortar o seu ego e elevar a sua auto-estima, ao colocar a votação no seu site a seguinte questão:
"Concorda com a Decisão do Presidente da República em Convocar Eleições Antecipadas?"
Para espanto geral, neste momento, o Não obtém 69,04% de votos, contra 30,96% do Sim!
Ao menos nalgum lado se reconhece o carácter injusto da decisão do PR e o autêntico abuso de poder que este exerceu, apenas possível num país que vive ainda numa situação de imaturidade democrática.
"Concorda com a Decisão do Presidente da República em Convocar Eleições Antecipadas?"
Para espanto geral, neste momento, o Não obtém 69,04% de votos, contra 30,96% do Sim!
Ao menos nalgum lado se reconhece o carácter injusto da decisão do PR e o autêntico abuso de poder que este exerceu, apenas possível num país que vive ainda numa situação de imaturidade democrática.
quarta-feira, dezembro 08, 2004
Portas, o Paulo
O novo segredo de Fatima (afinal, ao que parece eles sao intimos),
Portas já decidiu sobre coligação, mas só revela amanhã
'Sei exactamente o que é que vou fazer mas também quero marcar a diferença: primeiro vou ouvir o Presidente da República e no minuto seguinte digo-lhe o que é que o CDS quer e como é que vai '
em http://www.tsf.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF156904
e eu penso, ninguem o querera la por Bruxelas?
Portas já decidiu sobre coligação, mas só revela amanhã
'Sei exactamente o que é que vou fazer mas também quero marcar a diferença: primeiro vou ouvir o Presidente da República e no minuto seguinte digo-lhe o que é que o CDS quer e como é que vai '
em http://www.tsf.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF156904
e eu penso, ninguem o querera la por Bruxelas?
terça-feira, dezembro 07, 2004
O que esta notícia não diz.
http://jornal.publico.pt/2004/12/07/Nacional/P48.html
A pergunta que não se fez: a quem interessa este adiamento?
A resposta que não se procurou: a todos aqueles que por limite de idade abandonariam já no próximo fim-de-semana a JSD e que assim perderiam boa parte da sua “influência” interna e a capacidade de poderem ser candidatos por esta organização à futura Assembleia da República. Nem mais. Nem menos.
A pergunta que não se fez: a quem interessa este adiamento?
A resposta que não se procurou: a todos aqueles que por limite de idade abandonariam já no próximo fim-de-semana a JSD e que assim perderiam boa parte da sua “influência” interna e a capacidade de poderem ser candidatos por esta organização à futura Assembleia da República. Nem mais. Nem menos.
Rambo 3 e um homem a cavalo
Até ao momento em que algum produtor de Hollywood mudar de opinião, Rambo 3 é o último filme da saga de John Rambo, personagem imortalizada pelo expressivo Sylvester Stallone. John Rambo pertence a uma galeria vasta de heróis americanos (que inclui bastantes super-heróis da BD), homens individualistas que funcionam fora das lógicas do poder institucionalizado, fazendo justiça pelas próprias mãos. São figuras típicas deste bestiário, ex-policias, detectives privados, antigos militares, indivíduos que faziam o seu trabalho de forma pouco ortodoxa e que foram, normalmente por uma qualquer injustiça, obrigados a viver à margem do funcionamento burocrático das instituições. Apesar de esmagados pelo mundo moderno das leis e regulamentos, algum episódio, uma missão, um rapto de um familiar, uma chantagem, fá-los voltar ao activo. Este arquétipo tem o charme inconfundível da fuga à modernidade, algo em que todos gostaríamos de viver senão estivéssemos presos aos tentáculos da vida quotidiana, emprego, família, etc. Vale-nos, claro, o cinema americano para viver durante algum tempo as emoções destes homens fora do seu tempo.
Em Rambo 3, o herói americano vai em missão ao Afeganistão para salvar um amigo preso pelas tropas soviéticas que ocupavam o país. Isto já foi há uns anitos como podem ir percebendo. A luta é desigual. De um lado, a máquina de guerra soviética, a representação da modernidade fria e calculista, burocrática e poderosa; do colectivo que esmaga os indivíduos. Do outro, o romântico John Rambo coadjuvado por um grupo, não menos romântico, de homens montados a cavalo. Os Mudjaidines. Se há elemento que não abunda neste tipo de filmes é a surpresa. John Rambo limpou os soviéticos com uma paradoxal eficácia moderna. Não será difícil de perceber que o cinema americano criou heróis românticos com bastante mais piada.
A imagem que o filme oferece dos amigos a cavalo do amigo Rambo é, por seu lado, bastante pedagógica. Os Mudjaidines eram uns amadores de cavalaria, corajosos e abnegados, mas falhos de qualquer estratégia eficaz para combater o poderoso inimigo soviético. Uns provincianos bem intencionados. As personagens destes bravos afegãos estão pouco definidas no filme. Se o realizador tivesse sido mais cuidadoso talvez pudéssemos ver entre os cavaleiros mudjaidines um saudita chamado Osama. Sim, Osama, o terrorista, o homem que, aparentemente, mandou as torres de Nova Iorque para o estaleiro e que nos obriga todos a viver neste mundo de loucura securitária. Quem diria, Osama ali mesmo ao lado de John Rambo. Se ele soubesse. Entretanto, a história ultrapassou com velocidade a ficção. Os bons e desajeitados homens a cavalo transformaram-se nos terríveis taliban. Uma espécie de nova encarnação do diabo, morto e enterrado o belzebu soviético.
Estou para saber de quem é a melhor definição do perigo islâmico, se a do Rambo 3 produzido em Hollywood, se a dos filmes de propaganda politica americana, engendrados por produtores relativamente mais sinistros. Onde está John Rambo quando precisamos dele?
Em Rambo 3, o herói americano vai em missão ao Afeganistão para salvar um amigo preso pelas tropas soviéticas que ocupavam o país. Isto já foi há uns anitos como podem ir percebendo. A luta é desigual. De um lado, a máquina de guerra soviética, a representação da modernidade fria e calculista, burocrática e poderosa; do colectivo que esmaga os indivíduos. Do outro, o romântico John Rambo coadjuvado por um grupo, não menos romântico, de homens montados a cavalo. Os Mudjaidines. Se há elemento que não abunda neste tipo de filmes é a surpresa. John Rambo limpou os soviéticos com uma paradoxal eficácia moderna. Não será difícil de perceber que o cinema americano criou heróis românticos com bastante mais piada.
A imagem que o filme oferece dos amigos a cavalo do amigo Rambo é, por seu lado, bastante pedagógica. Os Mudjaidines eram uns amadores de cavalaria, corajosos e abnegados, mas falhos de qualquer estratégia eficaz para combater o poderoso inimigo soviético. Uns provincianos bem intencionados. As personagens destes bravos afegãos estão pouco definidas no filme. Se o realizador tivesse sido mais cuidadoso talvez pudéssemos ver entre os cavaleiros mudjaidines um saudita chamado Osama. Sim, Osama, o terrorista, o homem que, aparentemente, mandou as torres de Nova Iorque para o estaleiro e que nos obriga todos a viver neste mundo de loucura securitária. Quem diria, Osama ali mesmo ao lado de John Rambo. Se ele soubesse. Entretanto, a história ultrapassou com velocidade a ficção. Os bons e desajeitados homens a cavalo transformaram-se nos terríveis taliban. Uma espécie de nova encarnação do diabo, morto e enterrado o belzebu soviético.
Estou para saber de quem é a melhor definição do perigo islâmico, se a do Rambo 3 produzido em Hollywood, se a dos filmes de propaganda politica americana, engendrados por produtores relativamente mais sinistros. Onde está John Rambo quando precisamos dele?
segunda-feira, dezembro 06, 2004
Na Roça com os Tachos
Apesar de ser quase um leigo na matéria, os programas de culinária nos ecrãs televisivos sempre me incutiram um certo fascínio, provavelmente por ser uma ciência cujos princípios básicos de funcionamento pouco quiseram comigo.
Tradicionalmente, estes programas foram dominados por nomes como Filipa Vacondeus e Mestre Silva. Estes dois, cozinheiros prestigiados ao que diziam, davam a conhecer nas televisões as receitas de algumas iguarias mais ou menos prosaicas, de uma forma profissional e linear.
Porém, notava-se que faltava ali um tom menos monocórdico nos discursos, maior expressividade na comunicação, em suma, um rasgo de genialidade na arte de ensinar a cozinhar.
Ora bem, essa lacuna foi agora colmatada por um são tomense de nome João Carlos Silva, no programa “Na Roça com os Tachos”, da Énetêbê (NTV).
Sempre acompanhado do seu clássico fogão camping gaz, demonstra a sua sageza nesta arte ao ar livre, junto das luxuriantes paisagens são tomenses. Ao sol ou mesmo à chuva, o que se vê é um cozinheiro completamente apaixonado pela sua actividade profissional, debitando mais “Óohhhs” de alegria e admiração durante a confecção das receitas do que o Gabriel Alves durante um jogo de futebol.
Aquilo é um cozinheiro-apresentador que canta e dança enquanto o peixe assa, que chama o cameraman, o Kálu, para ir provar e dizer de sua justiça sobre a mousse de manga que ele preparou, que deixa a comida ao lume para ir perseguir galinhas, enfim, um autêntico one man show!
Combinando a faceta de “verdadeiro artista” com a de virtuoso da cozinha, João Carlos Silva é, indiscutivelmente, o novo Imperador da gastronomia televisiva.
Tradicionalmente, estes programas foram dominados por nomes como Filipa Vacondeus e Mestre Silva. Estes dois, cozinheiros prestigiados ao que diziam, davam a conhecer nas televisões as receitas de algumas iguarias mais ou menos prosaicas, de uma forma profissional e linear.
Porém, notava-se que faltava ali um tom menos monocórdico nos discursos, maior expressividade na comunicação, em suma, um rasgo de genialidade na arte de ensinar a cozinhar.
Ora bem, essa lacuna foi agora colmatada por um são tomense de nome João Carlos Silva, no programa “Na Roça com os Tachos”, da Énetêbê (NTV).
Sempre acompanhado do seu clássico fogão camping gaz, demonstra a sua sageza nesta arte ao ar livre, junto das luxuriantes paisagens são tomenses. Ao sol ou mesmo à chuva, o que se vê é um cozinheiro completamente apaixonado pela sua actividade profissional, debitando mais “Óohhhs” de alegria e admiração durante a confecção das receitas do que o Gabriel Alves durante um jogo de futebol.
Aquilo é um cozinheiro-apresentador que canta e dança enquanto o peixe assa, que chama o cameraman, o Kálu, para ir provar e dizer de sua justiça sobre a mousse de manga que ele preparou, que deixa a comida ao lume para ir perseguir galinhas, enfim, um autêntico one man show!
Combinando a faceta de “verdadeiro artista” com a de virtuoso da cozinha, João Carlos Silva é, indiscutivelmente, o novo Imperador da gastronomia televisiva.
PSD
O Conselho Nacional do PSD decidiu, por larga maioria, dar carta branca ao seu líder para encetar conversações com o PP com o objectivo de elaborar listas conjuntas. A coisa, aprovada por voto secreto, deu 93 votos a favor, 6 contra e uma abstenção. Quanto a mim, penso que tudo isto é mais um erro político grave da direcção do PSD. Por duas razões: primeiro porque o sentimento do Congresso foi claramente anti-coligação, facto agora pura e simplesmente ignorado pelas cúpulas do partido; segundo, porque depois das duas experiências-piloto já tentadas (Europeias e Regionais dos Açores) a coligação com o PP não adiciona: subtrai votos.
sexta-feira, dezembro 03, 2004
Um hooligan da burguesia
A novela do dirigente operário continua. Podem os operários ser dirigentes de partido políticos? Certamente que podem, especialmente se o partido a que pertencem se reclamar como representante da classe operária. Não é a categoria profissional, ou o grau académico, que melhor define o bom ou mau líder. Como diria o outro, é a prática. O tempo o dirá. Centrar a discussão sobre as capacidades de liderança de Jerónimo de Sousa nas sua origem de classe e na sua formação profissional e educacional é tontaria. Por vezes, chega a mesma a ser falta de inteligência ou ainda pior. Diga-se, no entanto, que Jerónimo de Sousa não é propriamente um operário, mas um quadro partidário.
É extraordinário como são muitas vezes pessoas cuja educação de classe supor-se-ia fosse um antídoto contra a análise bárbara que enveredam pelos caminhos ínvios da observação primária. Isto vem a propósito do miserável artigo que Eduardo Prado Coelho escreveu sobre Jerónimo de Sousa. O ultra-inteligente escriba do Público tem a liberdade de criticar o novo líder do PCP, não pode é ser racista. Os milhões de livros que Eduardo leu, os milhares de artistas e escritores que conheceu e apadrinhou, os biliões de filmes que viu, e, com certeza, a esmerada educação burguesa que recebeu, não foram suficientes para acabar com o apartheid mental que lhe molda a cabeça. O ódio de classe que espumou, racismo de classe para chamarmos as coisas pelos nomes, foi tão primário que estalou todo o verniz da erudição, deixando a nu um perigoso fundamentalista, um taliban, um hooligan da pior espécie. Um racista.
É extraordinário como são muitas vezes pessoas cuja educação de classe supor-se-ia fosse um antídoto contra a análise bárbara que enveredam pelos caminhos ínvios da observação primária. Isto vem a propósito do miserável artigo que Eduardo Prado Coelho escreveu sobre Jerónimo de Sousa. O ultra-inteligente escriba do Público tem a liberdade de criticar o novo líder do PCP, não pode é ser racista. Os milhões de livros que Eduardo leu, os milhares de artistas e escritores que conheceu e apadrinhou, os biliões de filmes que viu, e, com certeza, a esmerada educação burguesa que recebeu, não foram suficientes para acabar com o apartheid mental que lhe molda a cabeça. O ódio de classe que espumou, racismo de classe para chamarmos as coisas pelos nomes, foi tão primário que estalou todo o verniz da erudição, deixando a nu um perigoso fundamentalista, um taliban, um hooligan da pior espécie. Um racista.
Ciclos
Se Durão Barroso representou em boa parte o regresso de algum cavaquismo ao poder (pelo menos de algumas figuras), o novo PS (e eles estão lá todos nas primeiras filas da bancada socialista) representará o regresso da famosa terceira via socialista que em Portugal foi travestida e personificada por Guterres: muito spin, muito marketing, muito show off, muito directo, muito populismo, muita demagogia, muito ruído; em suma, muita parra, mas também muito pouca uva.
A política portuguesa parece viver de ciclos: primeiro Cavaco, depois Guterres, depois um misto de cavaquistas, primeiro, com populistas, depois, e agora no horizonte a possibilidade de mais um governo guterrista/populista. No fundo, só falta mesmo, para compôr o ramalhete, o Dr. Cavaco chegar à Presidência da República. O que vale para esta gente, é que o povo tem, infelizmente, memória curta.
A política portuguesa parece viver de ciclos: primeiro Cavaco, depois Guterres, depois um misto de cavaquistas, primeiro, com populistas, depois, e agora no horizonte a possibilidade de mais um governo guterrista/populista. No fundo, só falta mesmo, para compôr o ramalhete, o Dr. Cavaco chegar à Presidência da República. O que vale para esta gente, é que o povo tem, infelizmente, memória curta.
Cavaco outra vez II
Foi este o legado Cavaquista:
http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1209952&idCanal=74
Para contratar mais professoresAlunos de Direito abrem conta para ajudar escola
Lusa
A Associação Académica da Faculdade de Direito, da Universidade de Lisboa, abriu ontem uma conta bancária com o objectivo de conseguir contratar mais professores. O dinheiro que for depositado na conta 288.3608.000.003 do BPI de Benfica será "doado ao conselho directivo da Faculdade, que assim poderá contratar assistentes para que o 2º semestre funcione", declarou Filipa Louro, vice-presidente da associação de estudantes.
http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1209952&idCanal=74
Para contratar mais professoresAlunos de Direito abrem conta para ajudar escola
Lusa
A Associação Académica da Faculdade de Direito, da Universidade de Lisboa, abriu ontem uma conta bancária com o objectivo de conseguir contratar mais professores. O dinheiro que for depositado na conta 288.3608.000.003 do BPI de Benfica será "doado ao conselho directivo da Faculdade, que assim poderá contratar assistentes para que o 2º semestre funcione", declarou Filipa Louro, vice-presidente da associação de estudantes.
Cavaco outra vez I
A serio, eu nao compreendo. Levamos com o Cavaco oito anos, oito mal fadados anos! O povo foi na altura literalmente ‘chantageado’ a votar Cavaco em nome da estabilidade. Lembro-me muito bem dessas eleicoes. Tudo parecia enorme, gigantesco. Para um povo amordacado por uma loga ditadura, ser atirado para a democracia e deveras assustador, nomeadamente quando liderado por uma elite politica pouco informada e muito menos preparada para a vida democratica do que o povo que a elege. Em nome da estabilidade, elege-se Cavaco Silva. Em nome da garantia de proteccao da UE, entidade ate entao ‘desconhecida’, elege-se o homem que podera 'trazer o ouro aos cofres'. Elege-se, portanto, um proto-sosia-de-Salazar. Dispensa-se a PIDE, a censura, e outros ‘vicios’, mas opta-se pelo 'familiar'; pelo cinzentismo; pela rigidez (confundida com estabilidade). Opta-se pela esperteza (confundida com competencia) em detrimento da inteligencia; pela burocratizacao ao inves da creatividade. Iniciam-se as hostilidades democraticas neste pais atraves da celebracao do mediano, do pensar pequenino. Renova-se portanto a maxima do ‘pobrezinhos mas orgulhosos’. Veste-se esta maxima com roupagens democraticas. E nesta transformacao cosmetica, liderada pelo Sr. funcionario-mangas-de-alpaca, Cavaco Silva, chula-se a UE. Rompem-se estradas por tudo quanto e chao neste pais: enriquecem-se os empreiteiros com orcamentos supervalorizados para a compra de materias da pior qualidade. Destroi-se, literalmente o sector agricola: nao se aposta na profissionalizacao dos agricultores; concebem-se programas de formacao agricola ridiculos (alguns resumiam-se a aulas de ponto cruz as ‘mulheres agricultoras’ por essas aldeias a fora); nao se promove a criacao de nichos de mercado de producao agricola, nomeadamente a cultura de produtos organicos, ideal num pais sem grandes latifundios. Difundiu-se a mediocridade para o sector empresarial: os programas de apoio as pequenas e medias empresas contemplam apenas negocios considerados ‘seguros’ - cafes, quiosques, restaurantes que resumem a criacao de emprego quanto muito a dois membros da mesma familia que ficam assim a trabalhar no mesmo sector; teme-se a inovacao e o desenvolvimento, chumbam-se tais projectos e inaugura-se o ciclo de fuga dos ‘cerebros’ (actualmento, atras da Italia, um dos mais elevados da Europa). Nao houve capacidade para a estruturacao de um plano de Saude Nacional coerente: a tendencia para a privatizacao do sector promove a multiplicacao de clinicas privadas, nao havendo controlo nem respeito pelas ‘guidelines’ medicas no que concerne, por exemplo, a realizacao de exames medicos; a anarquia instale-se no sector da saude e no seu ventre gestam-se os hospitais de publicos de gestao privada, o maior engodo que o pais jamais permitiu e que ainda ira dar muito que falar. Tomou-se de assalto a educacao: inicia-se a moda de reformas curriculares sem uma filosofia de fundo; atacam-se as universidades publicas em favor das privadas; difunde-se a ideia de que as universidades sao o tapete vermelho para o mercado de trabalho; impoem-se propinas a falta de uma reforma fiscal. E poderiamos continuar...
Os oito anos de Cavaco foram oito anos de desperdicio. A historia assim se encarregara de o dizer. Pior, foi com o Cavaco que se iniciou a tradicao portuguesa dos politicos-mediocres-gestores. Esta tradicao parece estar tao enraizada que este homem muito provavelmente ira ser o proximo Presidente da Republica! E a democracia, pois entao. Apetece dizer: Portugueses nao votem pela ‘estabilidade’, nao tenham medo. Nao ha que votar sempre nos mesmos, sempre pelas mesmas razoes. Nao temam a creatividade, o arrojo, as ideias novas! Isso nao e sinonimo de instabilidade, e sinonimo de avanco, de mudanca.
Nao tenham medo, vai correr tudo bem!
Os oito anos de Cavaco foram oito anos de desperdicio. A historia assim se encarregara de o dizer. Pior, foi com o Cavaco que se iniciou a tradicao portuguesa dos politicos-mediocres-gestores. Esta tradicao parece estar tao enraizada que este homem muito provavelmente ira ser o proximo Presidente da Republica! E a democracia, pois entao. Apetece dizer: Portugueses nao votem pela ‘estabilidade’, nao tenham medo. Nao ha que votar sempre nos mesmos, sempre pelas mesmas razoes. Nao temam a creatividade, o arrojo, as ideias novas! Isso nao e sinonimo de instabilidade, e sinonimo de avanco, de mudanca.
Nao tenham medo, vai correr tudo bem!
quinta-feira, dezembro 02, 2004
PPM
Ontem à tarde, ao lado da habitual e risível manifestação dos membros do Grupo de Amigos de Olivença, estultos membros do Partido Nacional Renovador (PNR) e do Partido Popular Monárquico (PPM) indignavam-se perante a decisão do Presidente da República, os primeiros porque não vêem salvação possível em qualquer partido, excepto aquele que representam, obviamente, e os segundos porque 4 meses são insuficientes para fazer qualquer coisa (pelo contrário, são mais do suficientes para fazer muita coisa, quase sempre mal, como se viu...) acrescentando, ainda, que "estão abertos a coligações com o PSD."
- Ó meus amigos monárquicos, pela graça de Deus, atentai no que dizeis. Vós sois monárquicos, mui valorosos homens e mulheres que foram agraciados pelo Divino como portadores da Virtude e defensores inquebrantáveis da Pátria Lusitana. A vossa doutrina professa uma forma de governo em que o poder supremo é exercido por um monarca, representante terrestre do Divino; Como vindes agora apregoar o desejo de estardes à frente dos destinos de uma Nação Republicana, coligados com um Partido Republicano?!
Que grande confusão embacia as cabeças superiores destes monárquicos...
- Ó meus amigos monárquicos, pela graça de Deus, atentai no que dizeis. Vós sois monárquicos, mui valorosos homens e mulheres que foram agraciados pelo Divino como portadores da Virtude e defensores inquebrantáveis da Pátria Lusitana. A vossa doutrina professa uma forma de governo em que o poder supremo é exercido por um monarca, representante terrestre do Divino; Como vindes agora apregoar o desejo de estardes à frente dos destinos de uma Nação Republicana, coligados com um Partido Republicano?!
Que grande confusão embacia as cabeças superiores destes monárquicos...
Cavaco outra vez?!
Que raio de moda em Portugal essa a da reciclagem the lixo politico… Desde do 25 de Abril que a politica portuguesa parece o 'jogo das cadeiras'. E, claro esta, com alguns fachozitos reciclados tambem sempre a ver se apanham lugar. Ah povinho com poder de encaixe, sim senhores!
Uma ideia
Já andava com esta ideia desde que li o artigo de Cavaco Silva no Expresso: o verdadeiro alvo do artigo do ex-primeiro-ministro era Sampaio e não o casal que nos governava. E por dois motivos: primeiro porque foi Sampaio o verdadeiro culpado de alguns “maus” políticos terem “tomado” o poder; segundo, porque Cavaco neste seu escrito, e ao contrário do que se diz, mete a classe política portuguesa actual toda no mesmo saco. Isso inclui Santana e Portas, mas também Sampaio, Sócrates e restante companhia: os “maus” que afastam os “bons”. Para quem tinha dúvidas a corrida de Cavaco já começou. E Sampaio já começou por lhe fazer um pequeno grande favor.
quarta-feira, dezembro 01, 2004
terça-feira, novembro 30, 2004
Uma nova Estátua em Felgueiras
De acordo com o "Semanário de Felgueiras" de 26-11-04, "O industrial do calçado vai ser homenageado pela Câmara Municipal de Felgueiras, estando para o efeito a ser estudada a colocação de uma estátua na rotunda das campas, na EN 101-3".
Para o efeito vai ser aberto um concurso público para a adjudicação da obra, constando do caderno de encargos da obra a obrigação da estátua do "industrial do calçado" estar lateralmente acompanhada por duas outras estátuas menores: uma que reproduza fielmente um Ferrari F50 e outra que simbolize a principal força de trabalho da indústria de calçado local, uma pequena criança.
Para o efeito vai ser aberto um concurso público para a adjudicação da obra, constando do caderno de encargos da obra a obrigação da estátua do "industrial do calçado" estar lateralmente acompanhada por duas outras estátuas menores: uma que reproduza fielmente um Ferrari F50 e outra que simbolize a principal força de trabalho da indústria de calçado local, uma pequena criança.
segunda-feira, novembro 29, 2004
A prática logo o dirá.
"Ninguém me tira da cabeça que 90 por cento, ou mais, dos comentários negativos que por aí circulam sobre o novo secretário-geral do PCP provêm de quem, consciente ou inconscientemente, não se consegue libertar do paradigma do canudo. Não é doutor nem engenheiro, logo não está à altura. A prática, esse único critério da verdade, como dizia Lenine, logo o dirá." ANTÓNIO VILARIGUES em PÚBLICO 29/11/2004
Como disseram Lenine e Vilarigues, a prática logo o dirá.
Como disseram Lenine e Vilarigues, a prática logo o dirá.
Jeróóóóóóóóóónimo
Jerónimo de Sousa é o novo líder do PC. Está por isso de parabéns.
Ao longo do fim-de-semana, nas poucas imagens televisivas do congresso de Almada, foi possível ver que o PC embora em “invisível” conflito interno, exageradamente extrapolado pela comunicação social, não está morto e respira ainda com alguma tranquilidade. E que Jerónimo até fala bem. Para o PSD isto é bom; para o PS e para o Bloco é mau; para a vida política do país é assim-assim. Para tudo o resto é indiferente.
Jerónimo, ao que dizem, representa a vitória, que é contínua, da linha mais ortodoxa que desde sempre domina o Comité Central. Contudo, reconheço nele um actor político inteligente e hábil que é apenas desprovido de carisma (o que num líder político é característica, convém relembrar, a não menosprezar). Mas Jerónimo representa ainda uma interessante mudança sociológica de fundo: ao contrário dos seus antecessores, Jerónimo vem do proletariado suburbano e industrial. Precisamente o contrário das experiências e das visões cosmopolitas e burguesas de Carvalhas e Cunhal. E esta sua condição pode ter um efeito curioso. Afinal, não é sempre que o proletariado, sem revolução, chega ao poder.
Ao longo do fim-de-semana, nas poucas imagens televisivas do congresso de Almada, foi possível ver que o PC embora em “invisível” conflito interno, exageradamente extrapolado pela comunicação social, não está morto e respira ainda com alguma tranquilidade. E que Jerónimo até fala bem. Para o PSD isto é bom; para o PS e para o Bloco é mau; para a vida política do país é assim-assim. Para tudo o resto é indiferente.
Jerónimo, ao que dizem, representa a vitória, que é contínua, da linha mais ortodoxa que desde sempre domina o Comité Central. Contudo, reconheço nele um actor político inteligente e hábil que é apenas desprovido de carisma (o que num líder político é característica, convém relembrar, a não menosprezar). Mas Jerónimo representa ainda uma interessante mudança sociológica de fundo: ao contrário dos seus antecessores, Jerónimo vem do proletariado suburbano e industrial. Precisamente o contrário das experiências e das visões cosmopolitas e burguesas de Carvalhas e Cunhal. E esta sua condição pode ter um efeito curioso. Afinal, não é sempre que o proletariado, sem revolução, chega ao poder.
sexta-feira, novembro 26, 2004
Muito interessante
A antropologia é uma disciplina muito interessante, especialmente porque proporciona observatórios de estudo interessantes. Na busca do outro, tarefa cuja competência parece ser especialidade de pessoas formadas em universidades ocidentais, podem conceber-se inúmeros objectos de estudos realmente interessantes.
Professor: Então e você, qual é o seu tema?
Aluno A: Eu quero estudar futebol em Moçambique
Professor: Isso é extremamente interessante.
Aluno A: Pois
Professor: O que é a turma acha deste tema tão interessante escolhido pelo colega?
Turma: É muito interessante
Aluno B: É do caraças de interessante
Aluno C: Que inveja, eu que vou estudar a cultura da beterraba entre pescadoras lésbicas de uma ilha do pacífico nunca teria pensado num tema tão interessante como o futebol em Moçambique
Aluno D: Tu vais estudar a cultura da beterraba entre pescadoras lésbicas de uma ilha do pacífico? Isso é brutalmente interessante. Se quiseres dou-te o e-mail de um amigo meu que fez um mestrado sobre a cultura da couve roxa entre pescadores bissexuais que viviam de cócoras dentro de um vulcão de uma ilha do pacífico.
Aluno E: Quem é que se lembraria de uma coisa dessas? Estou-me a sentir algo parvo, porque o meu tema é apenas a intertextualidade, dança contemporânea e Lacan: valores pós-materiais na China Imperial vistos através do olhar crítico de quatro gerações de mulheres gordas no Irão, nos três dias seguintes à queda do Xá.
Professor: ...nos três dias seguintes à queda do Xá. Isso é ... foda-se, cum caralho, isso é mesmo interessante, é que não que não é só interessante é, no mínimo, muito interessante, talvez algures entre o interessante e o muito interessante mas eu diria que mais próximo do muito interessante, está ali quase, o muito interessante está à vista.
Professor: Então e você, qual é o seu tema?
Aluno A: Eu quero estudar futebol em Moçambique
Professor: Isso é extremamente interessante.
Aluno A: Pois
Professor: O que é a turma acha deste tema tão interessante escolhido pelo colega?
Turma: É muito interessante
Aluno B: É do caraças de interessante
Aluno C: Que inveja, eu que vou estudar a cultura da beterraba entre pescadoras lésbicas de uma ilha do pacífico nunca teria pensado num tema tão interessante como o futebol em Moçambique
Aluno D: Tu vais estudar a cultura da beterraba entre pescadoras lésbicas de uma ilha do pacífico? Isso é brutalmente interessante. Se quiseres dou-te o e-mail de um amigo meu que fez um mestrado sobre a cultura da couve roxa entre pescadores bissexuais que viviam de cócoras dentro de um vulcão de uma ilha do pacífico.
Aluno E: Quem é que se lembraria de uma coisa dessas? Estou-me a sentir algo parvo, porque o meu tema é apenas a intertextualidade, dança contemporânea e Lacan: valores pós-materiais na China Imperial vistos através do olhar crítico de quatro gerações de mulheres gordas no Irão, nos três dias seguintes à queda do Xá.
Professor: ...nos três dias seguintes à queda do Xá. Isso é ... foda-se, cum caralho, isso é mesmo interessante, é que não que não é só interessante é, no mínimo, muito interessante, talvez algures entre o interessante e o muito interessante mas eu diria que mais próximo do muito interessante, está ali quase, o muito interessante está à vista.
Interessante
A academia tem formas várias de interpretar o politicamente correcto que se vai impondo por todo o lado. Uma das expressões fundamentais nesta forma académica de ser politicamente correcto é a palavra interessante. Tudo é interessante: especialmente se o aluno pagar as propinas a tempo e horas. O “interessante” é uma muleta interaccional poderosa, que contribui para que as pessoas gostem, aparentemente, umas das outras. Elias chamar-lhe-ia mais um passo do processo civilizacional. Evitar o confronto. Claro que depois há rituais específicos para proporcionar o conflito. Nesse espaço ritual é possível, aliás é a regra, ser-se crítico e violento (por vezes até de forma artificial). Os ventos pós-modernos libertaram os critérios de avaliação e tudo pode ser, ao mesmo, interessante e odiável, depende, obviamente da corrente teórica ou estética em que navegamos.
quarta-feira, novembro 24, 2004
Love is on the air
Santana Lopes justificou a criação da central de comunicação pelo Executivo que lidera, na terça-feira à noite, no programa «Grande Entrevista» da RTP.
Disse Santana: "É tanta a sensibilidade da comunicação social com este Governo que retribuímos o amor com o amor..."
Ao que parece, desta vez, e para variar, Sampaio não quis ficar a segurar a vela entre os "pombinhos"...
Disse Santana: "É tanta a sensibilidade da comunicação social com este Governo que retribuímos o amor com o amor..."
Ao que parece, desta vez, e para variar, Sampaio não quis ficar a segurar a vela entre os "pombinhos"...
Europa
Um grupo dito ‘numeroso’ foi ao ‘dia oficial do início de funções de José Manuel Barroso’. Gostava de saber quem pagou a excursao. Faz-me lembrar um congresso internacional the medicina familiar em Helsinquia, onde 50% dos medicos presentes eram Portugueses, 40% Espanhois, e 10% do resto do mundo… Adiante… As questoes relativamente ao referendo sao de facto complicadas para a maioria dos Portugueses. No entanto, ao inves de os chamar de estupidos, iletrados e ignorantes, nao vejo a ‘elite’ iluminada do nosso pais a fazer o minimo de esforco para lhes explicar o que e que esses termos complicados querem dizer. O conceito de educacao popular e inexistente num pais dominado por intelectuais que adoram queixar-se do ‘povo’, culpar o ‘povo’ pelos seus males, e que anseiam pela ‘desgraca’ que lhes vira dar razao. Nao e o conceito de uma Europa unida que esta em questao, sao precisamente o funcionamento das instituicoes europeias e a democratisacao dos processos de decisao. Esse deveria ser o debate que deveria saltar os circulos restritos da politica para a populacao que, com certeza, ainda que estupida, se esclarecida, seria pelo menos capaz de tomar uma decisao informada. Quanto as instituicoes, poderia ate comecar-se por uma ‘limpeza’ de ‘tachos’ onde muitos ‘nao crentes’, dado ao status e condicoes financeiras vao para Bruxelas ‘nao crer’ numa idea que, assim sendo, poucas hipoteses tera de se concretizar (e democratisar).
Nao percebo porque e que se opta pelo silencio ‘ali’ e se critica ‘aqui’. Sinceramente, nao percebo. Quem cala consente, por medo ou respeito, nao sei. Mas se se cala e cumplice, logo, perde a legitimidade sobretudo para chamar ‘iletrados’ e ‘ignorantes’ a outros a quem oferece pouco mais do que o silencio…
Nao percebo porque e que se opta pelo silencio ‘ali’ e se critica ‘aqui’. Sinceramente, nao percebo. Quem cala consente, por medo ou respeito, nao sei. Mas se se cala e cumplice, logo, perde a legitimidade sobretudo para chamar ‘iletrados’ e ‘ignorantes’ a outros a quem oferece pouco mais do que o silencio…
Bruxelas III
Entretanto, a pergunta que vai a referendo sobre o nosso futuro na Europa está dividida em três partes distintas, o que faz dela uma mescla de definições confusas e difusas. Como alguém inteligentemente disse, é uma “trigunta”. Esta “trigunta” implica o domínio de conceitos como maioria qualificada, direitos fundamentais e quadro institucional, por exemplo.
Ora, toda a gente sabe que os portugueses são ignorantes em quase tudo e que para além dos termos técnicos do mundo da bola, pouco ou nada pescam de outros assuntos. Aliás, os portugueses são europeiamente conhecidos por serem iletrados e incapazes de, sozinhos, preencherem, por exemplo, um formulário ou um simples questionário. Os portugueses raramente lêem e o que lêem provavelmente não compreendem, dizem também muitos estudiosos da matéria. Somos, os portugueses, geralmente últimos em tudo o que tem a ver com educação e cultura (excepto no dinheiro que lá se despeja) como a UNESCO constantemente afirma. E como somos tudo isto, o governo e o PS decidiram encurtar caminho porque perceberam, e bem, que não vale a pena explicar aquilo que ninguém vai simplesmente perceber. No fundo, é tudo uma questão de não perder tempo desnecessário que pode ser útil para outros desígnios importantes. Também é preciso não esquecer o velho ditado que fala na relação entre ignorância e felicidade, argumento, aliás, que pode servir para justificar o silêncio e a inutilidade das explicações.
Com tudo pelos vistos planeado ao pormenor, resta ao Governo rezar para que mais de 50% do eleitorado não tenha nada mais interessante para fazer nesse dia. E que opte pelo sim.
Proposta avulsa e gratuita: fazer o referendo numa quarta-feira e dar tolerância de ponto a todos os funcionários públicos que decidirem ir votar. No sim, claro.
Ora, toda a gente sabe que os portugueses são ignorantes em quase tudo e que para além dos termos técnicos do mundo da bola, pouco ou nada pescam de outros assuntos. Aliás, os portugueses são europeiamente conhecidos por serem iletrados e incapazes de, sozinhos, preencherem, por exemplo, um formulário ou um simples questionário. Os portugueses raramente lêem e o que lêem provavelmente não compreendem, dizem também muitos estudiosos da matéria. Somos, os portugueses, geralmente últimos em tudo o que tem a ver com educação e cultura (excepto no dinheiro que lá se despeja) como a UNESCO constantemente afirma. E como somos tudo isto, o governo e o PS decidiram encurtar caminho porque perceberam, e bem, que não vale a pena explicar aquilo que ninguém vai simplesmente perceber. No fundo, é tudo uma questão de não perder tempo desnecessário que pode ser útil para outros desígnios importantes. Também é preciso não esquecer o velho ditado que fala na relação entre ignorância e felicidade, argumento, aliás, que pode servir para justificar o silêncio e a inutilidade das explicações.
Com tudo pelos vistos planeado ao pormenor, resta ao Governo rezar para que mais de 50% do eleitorado não tenha nada mais interessante para fazer nesse dia. E que opte pelo sim.
Proposta avulsa e gratuita: fazer o referendo numa quarta-feira e dar tolerância de ponto a todos os funcionários públicos que decidirem ir votar. No sim, claro.
Bruxelas II
No avião de regresso a Lisboa, apanho o DN com um interessante quadro sobre a confiança na Europa por parte dos europeus. A fonte é o European Election Study, entidade que, confesso, não conheço. Fico a saber que dos 25 actuais Estados-membros apenas 4 – Espanha, Itália, Suécia e Alemanha – têm percentagens positivas relativamente a esta confiança na Europa. E mesmo assim, em nenhum caso superior a 55%. Daí para baixo a confiança mergulha numa espiral que tem de ser forçosamente apelidada de… desconfiança. Holanda 48,8%, França 46,2%, Irlanda 40,9%, Portugal 39,5%, Grécia 34,5%, só para citar alguns. Nos novos países, a coisa piora, o que é normal: Malta 25,2% e Chipre 9,9% são os dois extremos. Os futuros possíveis países da União – Roménia, Turquia e Bulgária – têm 9%, 6,5% e 6,2% respectivamente. Sublinho o quadro. Hesito se o devo mandar aos meus interlocutores da tarde. Opto pelo mais fácil: estar quieto. Também é cómodo.
Bruxelas
De visita ao Parlamento Europeu, na companhia de dois eurodeputados do PSD, fico a perceber porque a Europa caminha para uma espécie de tragédia anunciada. No dia oficial do início de funções de José Manuel Barroso, na passada segunda-feira, os dois eurodeputados que acolhem o grupo mais ou menos numeroso em que me integro, falam-nos como europeístas convictos, apaixonados e cheios de romantismo. Tudo ali é belo e, claro, inevitável. A globalização exige, o desenvolvimento social e económico pede, a burocracia manda. Fiquei na dúvida se devia ter tentado despertá-los para o mundo. Optei pelo silêncio. Não quis estragar a festa e sempre é mais cómodo.
terça-feira, novembro 23, 2004
Vitimização
Toda a gente já percebeu a obsessão, doentia, pela comunicação social deste governo. Não há dia que não haja notícia fresca sobre o assunto. O que deixa muita gente desesperada. E com razão. Esta obsessão para além de anormal, não é, como é óbvio, salutar. E a imagem que passa, que sai deste governo para o país através dos meios da comunicação social e dos comentadores, é um misto de prepotência com fragilidade: prepotência no modo abrupto como quer agarrar e dominar as coisas (no fundo um dos papéis mais importantes dos partidos políticos é de natureza processual e tem a ver com o modo como organiza o Estado e o Governo) e fragilidade no que concerne à adopção de políticas e de estratégias. Quer uma quer outra, representam falhas estruturais, e também conjunturais, que polvilham a actual vida política nacional imersa em profunda trapalhada. Nota-se assim a ânsia desmedida pelo poder e a clara ausência de estratégia política de fundo que conduza os portugueses a bom porto.
Portas é mais inteligente do que Santana e bem mais interessante no modo como gere os silêncios – em política nem sempre conta o que se diz; muitas vezes o importante é o que não se diz. É por isso que há qualquer coisa aqui que não bate certo e que me faz pensar se não há atrás de tudo isto uma estratégia oculta.
A pergunta que todos fazem é como foi possível que Portas e Santana tenham chegado ao poder. É uma pergunta legítima e que só é possível porque o Dr. Sampaio tomou a decisão de não convocar eleições. É coisa, claro, que magoa e frustra muita gente. E esta constatação mergulha a maioria dos comentários políticos num ódio primário aos dois personagens. Relembra-se o passado duvidoso de Portas e a inconstância de Santana; pede-se inclusive o regresso de Cavaco numa clara manobra de desespero. Mas todas estas orientações e críticas partem de pressupostos que podem não ser válidos: confiam em demasia que o governo não vai contra-atacar; confiam em demasia que a coligação se dissolverá por si própria; confiam que a retoma não vai chegar; confiam que não será possível recuperar a imagem perdida; confiam que as Autárquicas serão o prenúncio do desastre anunciado; confiam que de tanto massacrar o Dr. Sampaio vai ouvir os apelos; confiam que o Dr. Portas e o Dr. Santana vão ficar calados e mudos no seu canto. No fundo esquecem-se que este duo tem o Estado, em todo o seu esplendor, ao seu dispor. E esquecem-se também de uma outra coisa: o ataque constante, por tudo e por nada, cria um efeito boomerang que pode trazer dissabores aos críticos a médio prazo. Portas e Santana são óptimos no papel de vítimas e dão-se muito bem na dificuldade (ainda este fim-de-semana António Barreto e Vasco Pulido Valente falaram sobre este aspecto da vitimização) e no papel de acossados. Portas é ainda conhecido por resistir em situações de desespero e Santana costuma ganhar contra todas as sondagens. Eles têm currículo mais do que suficiente que provam parte destes axiomas. É por isso que era bom tomar algum cuidado quando se faz do tudo e do nada espectáculo mediático de chacota à coligação. Tenham medo do animal ferido e encurralado.
Portas é mais inteligente do que Santana e bem mais interessante no modo como gere os silêncios – em política nem sempre conta o que se diz; muitas vezes o importante é o que não se diz. É por isso que há qualquer coisa aqui que não bate certo e que me faz pensar se não há atrás de tudo isto uma estratégia oculta.
A pergunta que todos fazem é como foi possível que Portas e Santana tenham chegado ao poder. É uma pergunta legítima e que só é possível porque o Dr. Sampaio tomou a decisão de não convocar eleições. É coisa, claro, que magoa e frustra muita gente. E esta constatação mergulha a maioria dos comentários políticos num ódio primário aos dois personagens. Relembra-se o passado duvidoso de Portas e a inconstância de Santana; pede-se inclusive o regresso de Cavaco numa clara manobra de desespero. Mas todas estas orientações e críticas partem de pressupostos que podem não ser válidos: confiam em demasia que o governo não vai contra-atacar; confiam em demasia que a coligação se dissolverá por si própria; confiam que a retoma não vai chegar; confiam que não será possível recuperar a imagem perdida; confiam que as Autárquicas serão o prenúncio do desastre anunciado; confiam que de tanto massacrar o Dr. Sampaio vai ouvir os apelos; confiam que o Dr. Portas e o Dr. Santana vão ficar calados e mudos no seu canto. No fundo esquecem-se que este duo tem o Estado, em todo o seu esplendor, ao seu dispor. E esquecem-se também de uma outra coisa: o ataque constante, por tudo e por nada, cria um efeito boomerang que pode trazer dissabores aos críticos a médio prazo. Portas e Santana são óptimos no papel de vítimas e dão-se muito bem na dificuldade (ainda este fim-de-semana António Barreto e Vasco Pulido Valente falaram sobre este aspecto da vitimização) e no papel de acossados. Portas é ainda conhecido por resistir em situações de desespero e Santana costuma ganhar contra todas as sondagens. Eles têm currículo mais do que suficiente que provam parte destes axiomas. É por isso que era bom tomar algum cuidado quando se faz do tudo e do nada espectáculo mediático de chacota à coligação. Tenham medo do animal ferido e encurralado.
Canas de Senhorim
O Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim continua a sua saga cómica em prol da elevação daquela lauta terra à figura jurídica de Concelho.
Chefiado por um “artista” aspirante a Presidente de Câmara, de seu nome Luís Pinheiro, o Movimento cortou hoje a linha de caminho de ferro local, tendo por isso enfrentado a GNR. O saldo da refrega consistiu nalgumas baixas hospitalares por parte da população de Canas. Nada de surpreendente, portanto.
O que surpreende, isso sim, é como é que a população de Canas continua convencida da razão da sua reivindicação. Nem sequer vale a pena trazer à colação a dimensão da localidade e a sua exiguidade demográfica. Mais importante do que deixar-se enlevar pelo canto de uma sereia chamada Luís Pinheiro, seria a população de Canas reflectir sobre os factos concretos, nomeadamente aqueles que dizem respeito à circunstância fatal das freguesias que o Movimento propõe que constem do futuro concelho de Canas rejeitarem liminarmente essa pretensão, assentindo antes permanecer no concelho de Nelas, tal como actualmente acontece.
Não é à toa que as restantes localidades não pretendem unir-se ao Concelho de Canas. Culturalmente, as populações sempre se identificaram com a freguesia a que pertencem, não com os concelhos, uma criação político-administrativa muito mais recente, ao contrário das freguesias cujas delimitações espaciais datam do período romano.
Para as populações é-lhes igual ao litro que Canas queira ser Concelho ou não. O que elas pretendem é continuar a pertencer à mesma freguesia de sempre. E uma vez que têm que estar agregadas a um concelho, entre aderir aos novos-cristãos de Canas ou ficarem-se pelo conhecido, optam por Nelas.
Só em Canas de Senhorim, e um tal de Luís Pinheiro, é que não vêem isto, e lá continuam em reivindicações tontas...
Chefiado por um “artista” aspirante a Presidente de Câmara, de seu nome Luís Pinheiro, o Movimento cortou hoje a linha de caminho de ferro local, tendo por isso enfrentado a GNR. O saldo da refrega consistiu nalgumas baixas hospitalares por parte da população de Canas. Nada de surpreendente, portanto.
O que surpreende, isso sim, é como é que a população de Canas continua convencida da razão da sua reivindicação. Nem sequer vale a pena trazer à colação a dimensão da localidade e a sua exiguidade demográfica. Mais importante do que deixar-se enlevar pelo canto de uma sereia chamada Luís Pinheiro, seria a população de Canas reflectir sobre os factos concretos, nomeadamente aqueles que dizem respeito à circunstância fatal das freguesias que o Movimento propõe que constem do futuro concelho de Canas rejeitarem liminarmente essa pretensão, assentindo antes permanecer no concelho de Nelas, tal como actualmente acontece.
Não é à toa que as restantes localidades não pretendem unir-se ao Concelho de Canas. Culturalmente, as populações sempre se identificaram com a freguesia a que pertencem, não com os concelhos, uma criação político-administrativa muito mais recente, ao contrário das freguesias cujas delimitações espaciais datam do período romano.
Para as populações é-lhes igual ao litro que Canas queira ser Concelho ou não. O que elas pretendem é continuar a pertencer à mesma freguesia de sempre. E uma vez que têm que estar agregadas a um concelho, entre aderir aos novos-cristãos de Canas ou ficarem-se pelo conhecido, optam por Nelas.
Só em Canas de Senhorim, e um tal de Luís Pinheiro, é que não vêem isto, e lá continuam em reivindicações tontas...
Um novo conceito de talho
Tempos houve em que alguém desesperado chegou a pensar que uma boa alternativa à míngua do mercado sociológico seria abrir um talho gay. A ideia surgiu de uma apurada leitura das leis da oferta e da procura (Adam Smith q.b.), embora nunca ninguém tenha percebido aquilo que distinguiria um talho gay de um outro talho qualquer. A questão permaneceu eternamente no ar e porventura será melhor que se fique por ai.
Mas a demanda pela reinvenção do talho tradicional, seja lá isso o que for, é um processo irrevogável que atormenta as imaginações além fronteiras. Foi assim que num mercado no sul de Londres nasceu o talho disco. O local chama-se East Street Market e é dos lugares que mais alto subiu na minha escala londrina, imediatamente à frente da Tate Modern, mas ainda assim atrás do Café Estrela. Este mercado é um sítio extraordinário, frequentado maioritariamente por ingleses de origem ganesa, nigeriana, jamaicana e por emigrantes de diversas proveniências. Pois bem, no meio deste mercado há um talho dirigido por turcos. O talho é todo branco, pontuado pelo vermelho de múltiplos animais esventrados, cortados e dilacerados por três homens vestidos com batas brancas pontuadas pelo sangue de múltiplos animais esventrados, cortados e dilacerados, e que se movimentam energeticamente ao som de um poderoso sound system que debita os sons dos últimos êxitos de hip hop, rap e reagge. Os clientes reagiram positivamente aquela imagem da carnificina animal perpetrada ao som ritmado das palavras do rapper. Os amigos turcos parecem felizes. Não alvitrei se a música se altera com a hora do dia e gostava bastante de perceber se o hip hop vende melhor o porco, o peru, a vaca ou os miúdos, salvo seja.
Confesso que não sei se me sentia à vontade para comprar uns bifes do lombo ao som do Eminem. Afinal, a vaca é um animal bucólico e prazenteiro, um pouco obtuso, mas honesto, cuja quietude merece algum respeito. Talvez uma valsa, ou o hino da Eurovisão.
Um talho, com música ou sem música, é um dos lugares mais fascinantes do mundo. Aprende-se imenso.
Mas a demanda pela reinvenção do talho tradicional, seja lá isso o que for, é um processo irrevogável que atormenta as imaginações além fronteiras. Foi assim que num mercado no sul de Londres nasceu o talho disco. O local chama-se East Street Market e é dos lugares que mais alto subiu na minha escala londrina, imediatamente à frente da Tate Modern, mas ainda assim atrás do Café Estrela. Este mercado é um sítio extraordinário, frequentado maioritariamente por ingleses de origem ganesa, nigeriana, jamaicana e por emigrantes de diversas proveniências. Pois bem, no meio deste mercado há um talho dirigido por turcos. O talho é todo branco, pontuado pelo vermelho de múltiplos animais esventrados, cortados e dilacerados por três homens vestidos com batas brancas pontuadas pelo sangue de múltiplos animais esventrados, cortados e dilacerados, e que se movimentam energeticamente ao som de um poderoso sound system que debita os sons dos últimos êxitos de hip hop, rap e reagge. Os clientes reagiram positivamente aquela imagem da carnificina animal perpetrada ao som ritmado das palavras do rapper. Os amigos turcos parecem felizes. Não alvitrei se a música se altera com a hora do dia e gostava bastante de perceber se o hip hop vende melhor o porco, o peru, a vaca ou os miúdos, salvo seja.
Confesso que não sei se me sentia à vontade para comprar uns bifes do lombo ao som do Eminem. Afinal, a vaca é um animal bucólico e prazenteiro, um pouco obtuso, mas honesto, cuja quietude merece algum respeito. Talvez uma valsa, ou o hino da Eurovisão.
Um talho, com música ou sem música, é um dos lugares mais fascinantes do mundo. Aprende-se imenso.
domingo, novembro 21, 2004
Sócrates
Sócrates, a lenda brasileira do futebol dos anos 80, actualmente com 50 anos, regressou neste sábado aos relvados, envergando a camisola do Garthforth, um clube inglês das divisões inferiores .
De acordo com os relatos, durante 20 minutos alardeou a sua classe de forma estridente, de tal forma que o observador da equipa técnica do Sporting aconselhou já a sua contratação na reabertura do mercado aos responsáveis da SAD verde e branca, uma vez que mantém praticamente intactas as faculdades técnicas que o consagraram e evidencia um ritmo de jogo compatível à da maioria dos jogadores do Sporting, superando inclusivé nos piques de corrida, Rui Jorge e Pedro Barbosa.
De acordo com os relatos, durante 20 minutos alardeou a sua classe de forma estridente, de tal forma que o observador da equipa técnica do Sporting aconselhou já a sua contratação na reabertura do mercado aos responsáveis da SAD verde e branca, uma vez que mantém praticamente intactas as faculdades técnicas que o consagraram e evidencia um ritmo de jogo compatível à da maioria dos jogadores do Sporting, superando inclusivé nos piques de corrida, Rui Jorge e Pedro Barbosa.
sexta-feira, novembro 19, 2004
A questão do referendo - 3 em 1
«Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da UE, nos termos da Constituição para a Europa?»
Eis as opções de resposta que virão nos boletins:
Sim para todas;
Não para todas;
Sim para a primeira, Não para a segunda e Sim para a terceira;
Não para a primeira, Sim para a segunda e Não para a terceira;
Sim para a primeira, Sim para a segunda e Não para a terceira;
Não para a primeira, Não para a segunda e Sim para a terceira;
Eis as opções de resposta que virão nos boletins:
Sim para todas;
Não para todas;
Sim para a primeira, Não para a segunda e Sim para a terceira;
Não para a primeira, Sim para a segunda e Não para a terceira;
Sim para a primeira, Sim para a segunda e Não para a terceira;
Não para a primeira, Não para a segunda e Sim para a terceira;
quinta-feira, novembro 18, 2004
CTT
O motivo que os CTT invocam no seu site para a disposição, on-line, de um conjunto diversificado de produtos e serviços, prende-se com a vontade de garantir comodidade e celeridade no atendimento dos seus clientes, eximindo estes da perda de tempo nos balcões dos correios. È uma vontade generosa e que vem por bem.
Pena é essa filosofia de empresa não estar implementada em muitas outras situações comezinhas, como, por exemplo, a autenticação de documentos, faculdade consignada por lei aos CTT.
Estando aos CTT atribuída a função, quando assim requisitada, de autenticar documentos, pensar-se-ia que todos os balcões da instituição o pudessem fazer naturalmente, até porque para o exercício da mesma apenas são necessários dois requisitos: a existência de um carimbo e a competência de leitura por parte do funcionário.
Acontece que, devido a directrizes recentes, nem todos os balcões dos CTT estão autorizados a cumprir a difícil tarefa de autenticar documentos, nomeadamente os balcões mais "pequeninos", segundo os CTT, os quais apesar de anteriormente deterem a mesma dimensão garantiam a autenticação na hora.
Eis como um serviço público consegue desvirtuar o princípio da garantia paritária de serviços nos seus balcões, obrigando os contribuintes a deslocarem-se quilómetros e a perderem uma farturinha de tempo para alcançarem o seu desiderato.
Entretanto, os mesmos balcões mais pequeninos que não têm autorização hierárquica para procederem à sua missão, em alternativa permitem aos clientes a compra de canecas de barro, brincos e até o carregamento de telemóveis, tudo mui nobres e indispensáveis tarefas que um serviço público deve assegurar...
Pena é essa filosofia de empresa não estar implementada em muitas outras situações comezinhas, como, por exemplo, a autenticação de documentos, faculdade consignada por lei aos CTT.
Estando aos CTT atribuída a função, quando assim requisitada, de autenticar documentos, pensar-se-ia que todos os balcões da instituição o pudessem fazer naturalmente, até porque para o exercício da mesma apenas são necessários dois requisitos: a existência de um carimbo e a competência de leitura por parte do funcionário.
Acontece que, devido a directrizes recentes, nem todos os balcões dos CTT estão autorizados a cumprir a difícil tarefa de autenticar documentos, nomeadamente os balcões mais "pequeninos", segundo os CTT, os quais apesar de anteriormente deterem a mesma dimensão garantiam a autenticação na hora.
Eis como um serviço público consegue desvirtuar o princípio da garantia paritária de serviços nos seus balcões, obrigando os contribuintes a deslocarem-se quilómetros e a perderem uma farturinha de tempo para alcançarem o seu desiderato.
Entretanto, os mesmos balcões mais pequeninos que não têm autorização hierárquica para procederem à sua missão, em alternativa permitem aos clientes a compra de canecas de barro, brincos e até o carregamento de telemóveis, tudo mui nobres e indispensáveis tarefas que um serviço público deve assegurar...
Os racistas e os fascistas do politicamente correcto IV
É assim, vivemos entre os racistas básicos do antigamente e os novos fascistas do politicamente correcto que pensam que a sociedade ideal seria controlada por microfones e câmaras para apanhar o cidadão a fazer o comentário errado, para depois o castigar e humilhar publicamente, como naqueles estados americanos em que os presos têm que, através de cartazes, anunciar o seu crime à sociedade: roubei um chocolate no supermercado, disse mal do meu chefe, fiz um comentário sexista, dei um pontapé no cão. Admirável Mundo Novo.
Os racistas e os fascistas do politicamente correcto III
Parece evidente que existe um problema de racismo em Espanha. Isto é diferente, no entanto, de afirmar que todos os espanhóis são racistas. Mas o que é mais irritante nesta prosa jornalística é a pose educadora da raça escolhida. Na Inglaterra, os africanos ocupam os lugares mais baixos da hierarquia profissional. Na Inglaterra, os africanos continuam a ser discriminados nas escolas. Na Inglaterra, vários tablóides sugerem diariamente que os africanos inventaram o crime. Na Inglaterra, todos os partidos do espectro políticos falam dos emigrantes de uma forma que faz do nosso Paulo Portas um menino do coro. Na Inglaterra, os partidos da extrema-direita nacionalista e racista sobem exponencialmente a sua votação. Já agora, a Inglaterra não deve ser confundida com a multicultural e cosmopolita Londres onde, apesar do liberalismo nos costumes, os negros dos bairros periféricos do sul rumam todos os dias a norte para limpar, construir e guardar, os bairros brancos e burgueses do norte. Os jogadores negros foram enxovalhados neste país durante décadas a fio, aliás, o futebol em Inglaterra foi durante muitos anos um desporto onde os negros não entravam. E só não são enxovalhados agora, porque o jogo se tornou um espectáculo caro para a classe média politicamente correcta, aquela que em público é incapaz de ser racista mas que, se fosse possível, gostava que os seus filhos tivessem um saudável casamento branco. É esta sociedade, a mesma cujo governo, com sucesso discutível, procura com armas civilizar o Médio Oriente, que se toma pela zeladora do mundo, numa atitude paternalista insuportável. Assim de repente, chamava-lhe neo-colonialismo. O que sucedeu no Bernabéu só vai levantar tanta celeuma porque era a equipa nacional que jogava. Infelizmente, a base da questão é nacionalista.
Os racistas e os fascistas do politicamente correcto II
O forte nacionalismo inglês, a sua moralista ética protestante, o seu sentido de superioridade sobre todos os povos do mundo, que não é reconhecido pela forma estúpida e primária demonstrada por alguns adeptos espanhóis, mas por uma pose doutoral e distante que alguns súbditos de sua majestade gostam de ensaiar, seria mais suportável se os seus acólitos não cometessem o grave erro de omitir a sua própria realidade. No Guardian, jornal liberal de “esquerda”, um distinto jornalista relatou mais ou menos nestes termos a questão racial em Espanha. Primeiro, explicitou a diferença entre a forma como a Espanha (mediterrânica, atrasada, etc) trata a questão da raça, quando comparada com a Inglaterra (o espaço da civilização). Depois, usou uma retórica perigosa, que, no fundo, não é mais do que o princípio de todos os racismos. Esta retórica, que infelizmente não é a primeira vez que ouço por aqui, consiste em tomar a parte pelo todo. Neste caso preciso, esta estratégia uniu-se a uma outra não menos perigosa: o abuso da adjectivação proporcionada por determinados substantivos colectivos. Deste modo, os Espanhóis, essa raça de 40 milhões de pessoas, foram colectivamente apelidados de xenófobos, através da exposição de quatro ou cinco exemplos de racismo nos campos e nos clubes de futebol do seu pais. Para reforçar a sua ideia, o jornalista disse ainda que na sociedade espanhola os cidadãos de origem africana ocupam os lugares profissionais mais baixos e são constantemente maltratados. Ora, nada disto se passa em Inglaterra.
Os racistas e os fascistas do politicamente correcto -I
Terminou há poucas horas o triste jogo de futebol entre a Espanha e a Inglaterra. O encontro foi irremediavelmente marcado pelos cânticos racistas de parte, aparentemente significativa, dos adeptos espanhóis que se encontravam no estádio. A atitude é intolerável e mostra como às vezes basta uma pequena alteração nas circunstâncias que rodeiam um jogo para os valores da ignorância, da falta de inteligência e da cobardia virem ao de cima. É um racismo explícito, brutal, próprio de pessoas com um evidente défice mental. Não sei que parcela de adeptos se comportou assim, mas é bom lembrar que estávamos no Bernabéu, lugar do Real Madrid e dos Ultra Sur, a sua claque fascista. De lembrar ainda que o encanto futebolístico do Real não altera o facto de o clube ter estado próximo da Espanha franquista, e de os seus adeptos representarem, em termos genéricos, uma população espanhola mais conservadora e reaccionária. A “atenuante” vale de pouco e o comportamento violento demonstrado pelos jogadores ingleses desde o princípio do encontro também não desculpa nada. A questão racial que rodeou este jogo foi, no entanto, levantada anteriormente. Luís Aragonés, treinador espanhol, terá dito a um seu jogador, que alinha no Arsenal de Londres, que devia lutar para tirar o lugar a um seu companheiro de equipa, o francês Henry, apelidando este último de “shit negro”. A conversa foi captada por um microfone e, com razão, a questão racial foi levantada. Aragonés, que terá o seu défice mental, veio retratar-se publicamente, pedindo desculpa e afirmando que os media ingleses retiraram a expressão do contexto. No contexto ou fora do contexto, as palavras falam por si. Os media ingleses não ficaram convencidos e consideraram que Aragonés devia ter sido despedido. É a partir deste momento que os defensores da moral e dos bons costumes se transformam nos fascistas do politicamente correcto.
terça-feira, novembro 16, 2004
Canção Nova
Ao imaginarmos uma televisão religiosa, porventura pensamos logo em programas enfadonhos e aborrecidos até dizer basta . Padres, padrecos, bispos e cardeais a trazerem a luz ao rebanho durante homilias à meia-luz, alvitrando contra as tentações perniciosas dos tempos modernos e à quebra dos valores cristãos. Ou seja, seria algo parecido com os milhentos pasquins católicos que povoam a imprensa escrita regional, semanalmente.
Mas esta visão mais tradicional nem sempre tem uma tradução real. A prová-lo está o canal disponível por cabo, Canção Nova. Brasileiro de nascença, evangélico de baptismo, tem na alegria e na comédia a sua profissão de fé. Aliás, mal se compreende a criação de canais temáticos vocacionados para a comédia, quando a TV Cabo já oferece há muito tempo aos seus espectadores 24 horas de galhofa diária, através do Canção Nova.
No Canção Nova, também há padres, missas e rebanhos. Mas há diferenças em relação ao padrão clássico a que associamos à actividade de salvação das almas terrestres. Um desses exemplos é o programa “Atendimento Espiritual”, onde os espectadores contam todas as suas angústias interiores a um conselheiro espiritual, uma espécie de Prof. Cazombé.
No último programa, Alice, 44 anos, da Baixa da Banheira (identidade fictícia), carpia sobre o marido constantemente embriagado e violento e os filhos despeitados, na esperança de obter um remédio mágico imediato da parte do guia. E consegui-o!
Através do veredicto de que o marido e os filhos da senhora tinham, garantidamente, um coração de pedra, o guia aconselhou a Sra. Alice a aspergir a cama do marido e dos filhos com água, mas não em demasia, para assim as camas não ficarem ensopadas!
A Sra. Alice agradeceu, feliz da vida, por ter visto finalmente a luz ao fundo do túnel, prontificando-se a executar imediatamente as ordens recebidas.
O único senão de tão proveito programa prende-se com o facto de não haver um acompanhamento aos resultados dos auxílios espirituais prestados.
Sempre gostava de saber se a água aspergida nas camas dos que possuem corações duros sempre os amolece, ou se o marido, normalmente chegado a casa embriagado e furioso da vida, ao deitar-se na cama embebida em H2O se passou dos carretos por isso e arreou mais uma grande carga de porrada na desgraçada da Sra. Alice.
Pessoalmente, inclino-me para um desfecho mais em conformidade com esta última hipótese...
Mas esta visão mais tradicional nem sempre tem uma tradução real. A prová-lo está o canal disponível por cabo, Canção Nova. Brasileiro de nascença, evangélico de baptismo, tem na alegria e na comédia a sua profissão de fé. Aliás, mal se compreende a criação de canais temáticos vocacionados para a comédia, quando a TV Cabo já oferece há muito tempo aos seus espectadores 24 horas de galhofa diária, através do Canção Nova.
No Canção Nova, também há padres, missas e rebanhos. Mas há diferenças em relação ao padrão clássico a que associamos à actividade de salvação das almas terrestres. Um desses exemplos é o programa “Atendimento Espiritual”, onde os espectadores contam todas as suas angústias interiores a um conselheiro espiritual, uma espécie de Prof. Cazombé.
No último programa, Alice, 44 anos, da Baixa da Banheira (identidade fictícia), carpia sobre o marido constantemente embriagado e violento e os filhos despeitados, na esperança de obter um remédio mágico imediato da parte do guia. E consegui-o!
Através do veredicto de que o marido e os filhos da senhora tinham, garantidamente, um coração de pedra, o guia aconselhou a Sra. Alice a aspergir a cama do marido e dos filhos com água, mas não em demasia, para assim as camas não ficarem ensopadas!
A Sra. Alice agradeceu, feliz da vida, por ter visto finalmente a luz ao fundo do túnel, prontificando-se a executar imediatamente as ordens recebidas.
O único senão de tão proveito programa prende-se com o facto de não haver um acompanhamento aos resultados dos auxílios espirituais prestados.
Sempre gostava de saber se a água aspergida nas camas dos que possuem corações duros sempre os amolece, ou se o marido, normalmente chegado a casa embriagado e furioso da vida, ao deitar-se na cama embebida em H2O se passou dos carretos por isso e arreou mais uma grande carga de porrada na desgraçada da Sra. Alice.
Pessoalmente, inclino-me para um desfecho mais em conformidade com esta última hipótese...
segunda-feira, novembro 15, 2004
Nick, o mestre
Nestes tempos em que quem paga bilhete para ver um concerto sujeita-se a um desfilar desinspirado de canções tiradas a papel químico do discos do cantor ou da banda, Nick Cave é uma benção. Nada do repertório estereotipado das estrelas do espectáculo, nada das frases formatadas, nada de poses mal ensaiadas, ou tiques de vedeta, apenas um portento de energia criativa que faz parecer qualquer banda de neo-punk como um grupo de baile para o serão familiar. Nick Cave, o extraordinário naipe de músicos que compõe os Bad Seeds, e o coro que acompanha o espectáculo, valem todo o dinheiro gasto no bilhete e ainda mais algum.
As promessas
Arjen Robben tem apenas vinte anos mas já é um dos melhores jogadores de futebol do mundo. Se puderem olhar para o rapaz a correr com a bola aproveitem que é um espectáculo. Quem sabe inspirado pelas exibições extraordinárias do seu pupilo, José Mourinho afirmou – já estava a demorar – que ia ganhar o campeonato inglês, e nem vai precisar das duas últimas jornadas. Por cá, ninguém acredita.
quinta-feira, novembro 11, 2004
O Colonialismo português para lá de Gilberto Freyre
Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
E fazes-me tua mina
Patrão!
Eu sou carvão
E tu acendes-me, patrão
Para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não
Patrão!
Eu sou carvão!
E tenho que arder, sim
E queimar tudo com a força da minha combustão
Eu sou carvão!
Tenho que arder na exploração
Arder até às cinzas da maldição
Arder vivo como alcatrão, meu irmão
Até não ser mais tua mina
Patrão!
Eu sou carvão!
Tenho que arder
E queimar tudo com o fogo da minha combustão
Sim!
Eu serei o teu carvão
Patrão!
Grito Negro
José Craveirinha
E tu arrancas-me brutalmente do chão
E fazes-me tua mina
Patrão!
Eu sou carvão
E tu acendes-me, patrão
Para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não
Patrão!
Eu sou carvão!
E tenho que arder, sim
E queimar tudo com a força da minha combustão
Eu sou carvão!
Tenho que arder na exploração
Arder até às cinzas da maldição
Arder vivo como alcatrão, meu irmão
Até não ser mais tua mina
Patrão!
Eu sou carvão!
Tenho que arder
E queimar tudo com o fogo da minha combustão
Sim!
Eu serei o teu carvão
Patrão!
Grito Negro
José Craveirinha
quarta-feira, novembro 10, 2004
Sporting II
Como o assunto é mimo, outro jogador do Sporting que não anda bem é Rochemback. Rochemback, apelidado de Messias e de outros adjectivos similares do ramo dos milagres e derivados, não gostou de ser substituído no jogo contra o Porto e daí desatou a disparatar e a ofender verbalmente o treinador do Sporting. Diga-se em abono da verdade que ninguém tinha dado pela presença de tão distinta figura pelo relvado do Dragão com a excepção de Peseiro e do próprio Rochemback. Mas adiante, que isto para ele não parecia ser motivo de substituição. Às vezes não estar e estar, no futebol, é exactamente a mesma coisa, como diria o Poeta Artur.
Soube agora que a SAD do Sporting perdoou o moço (que esperemos tenha menos problemas familiares que o Ricardo) e decidiu aplicar-lhe apenas uma multa pecuniária como modo de sanear o assunto. Eu não me quero meter na vida interna desta SAD tão turbulenta e evidentemente muito bem gerida. Mas convém lembrar que são atitudes destas que normalmente descambam em tragédia sem remédio. Numa equipa pejada de, dizem eles, jovens talentos, era tempo de alguém puxar a sério as orelhas para que as maçãs podres não contaminem o resto do parco cesto que resta. A continuar por este caminho, qualquer dia, nem a imaginação do Dr. Dias da Cunha nem a desculpa do sistema, pegam.
Soube agora que a SAD do Sporting perdoou o moço (que esperemos tenha menos problemas familiares que o Ricardo) e decidiu aplicar-lhe apenas uma multa pecuniária como modo de sanear o assunto. Eu não me quero meter na vida interna desta SAD tão turbulenta e evidentemente muito bem gerida. Mas convém lembrar que são atitudes destas que normalmente descambam em tragédia sem remédio. Numa equipa pejada de, dizem eles, jovens talentos, era tempo de alguém puxar a sério as orelhas para que as maçãs podres não contaminem o resto do parco cesto que resta. A continuar por este caminho, qualquer dia, nem a imaginação do Dr. Dias da Cunha nem a desculpa do sistema, pegam.
Sporting
O guarda-redes Ricardo do Sporting anda muito escandalizado com toda a gente. Razão simples: o menino não gosta de ser alvo de críticas porque isso afecta sobremaneira a família, elemento sagrado e intocável. Eu não conheço a família do Sr. Ricardo, mas reconheço que este é um drama familiar intenso que por vezes descamba em consumo excessivo de anti-depressivos. Contudo é sempre bom avivar a memória quando se tem problemas de amnésia. E lembro-me particularmente das reportagens eufóricas sobre as estranhíssimas virtudes humanas e desportivas de Ricardo por alturas do Europeu e, nomeadamente, depois daquele célebre penálti defendido sem as luvas. Nessa altura não me pareceu haver ali grande tristeza. Ou grande tensão. Eram tempos áureos e o pessoal gostava do Ricardo o que consequentemente fazia da família dele uma família feliz. Só que a vida prega-nos destas lições e o menino Ricardo tem de aprender a aceitar a crítica, quer a sua família goste quer a sua família não goste. E não adianta tapar o sol com a peneira nem chover no molhado: Ricardo não é o melhor guarda-redes português. Como regularmente se tem visto. E apreciado.
segunda-feira, novembro 08, 2004
Castelos e Teleféricos
Soube que as visitas ao Castelo de São Jorge em Lisboa passaram a ser pagas. Corrijo: passaram a ser pagas com a excelsa excepção dos lisboetas. O caso não traz novidade, mas é paradigmático da saloiice portuguesa. Mas, boa notícia, há já gente disposta a levar a coisa até às suas últimas consequências que é como dizer acabar com a benesse. Pelo menos o Nuno da Câmara Pereira. Acho bem. Geralmente vale tudo para tentar explorar o “turista” e dar de borla aos “naturais” do sítio, neste grande sector produtivo português que se chama Turismo. Há pouco tempo, na Madeira, também se passou uma situação semelhante embora de contornos diferentes. O teleférico que liga a Zona Velha da cidade do Funchal ao Monte, e que muito sucesso tem feito, praticava preços distintos (e bastante distintos) consoante a cara do freguês: freguês que vinha de fora da Região (não interessava a nacionalidade) pagava um preço e freguês de dentro da Região outro preço (mais barato do que o primeiro). A coisa ainda funcionou e foi em frente até que alguém se chateou com a conversa. Só aí se percebeu a ilegalidade do “golpe” ainda para mais em território europeu e num espaço supostamente sem fronteiras. Os madeirenses, por seu turno, descobriram entretanto às suas custas que andar de teleférico afinal não é barato.
Eu entendo que se queira beneficiar os naturais do sítio. Principalmente quando são sempre um apetitoso nicho de mercado a explorar nas horas vagas dos outros, por exemplo. É bom para todos e, principalmente, é popular para quem o propõe e o permite. Mas como não estamos aqui a falar de estudantes, crianças e/ou reformados o problema parece-me óbvio: mentalidade tacanha e vista muito curta, ainda por cima patrocinada por pessoas com idade suficiente para ter juízo. O “estrangeiro” que se cuide portanto.
Um amigo meu, que estudou alguns anos no Algarve, dizia-me uma vez na brincadeira que por lá, nos restaurantes e cafés algarvios, pouco faltava para se escrever “Cerveja 100$00 - Beer 500$00”, tal era o tratamento diferenciado entre “uns” e “outros”. Sintomático.
Eu entendo que se queira beneficiar os naturais do sítio. Principalmente quando são sempre um apetitoso nicho de mercado a explorar nas horas vagas dos outros, por exemplo. É bom para todos e, principalmente, é popular para quem o propõe e o permite. Mas como não estamos aqui a falar de estudantes, crianças e/ou reformados o problema parece-me óbvio: mentalidade tacanha e vista muito curta, ainda por cima patrocinada por pessoas com idade suficiente para ter juízo. O “estrangeiro” que se cuide portanto.
Um amigo meu, que estudou alguns anos no Algarve, dizia-me uma vez na brincadeira que por lá, nos restaurantes e cafés algarvios, pouco faltava para se escrever “Cerveja 100$00 - Beer 500$00”, tal era o tratamento diferenciado entre “uns” e “outros”. Sintomático.
Ursula Rucker no Teatro Viriato
Recém-chegada de uma longa viagem de Moscovo onde havia tocado no dia anterior, a norte-americana Ursula Rucker, ainda assim, proporcionou ao repleto auditório do Teatro Viriato, na passada sexta-feira, um excelso concerto.
Apresentando ao público os temas da sua mais recente obra musical, o álbum “Silver or Lead”, Ursula Rucker, por entre acordes de jazz, hip-hop, soul e blues, aliados à electrónica, entoou a sua “palavra falada” ácida e sussurrante sobre a realidade urbana contemporânea, a condição feminina, a escravatura e a política, espalhando, no final, uma atmosfera de pura doçura musical em todo o espaço.
Se a própria não tivesse confessado ninguém diria que ela estava há quase 48 horas sem dormir.
Apresentando ao público os temas da sua mais recente obra musical, o álbum “Silver or Lead”, Ursula Rucker, por entre acordes de jazz, hip-hop, soul e blues, aliados à electrónica, entoou a sua “palavra falada” ácida e sussurrante sobre a realidade urbana contemporânea, a condição feminina, a escravatura e a política, espalhando, no final, uma atmosfera de pura doçura musical em todo o espaço.
Se a própria não tivesse confessado ninguém diria que ela estava há quase 48 horas sem dormir.
sábado, novembro 06, 2004
Secretismos
Depois do Expresso, também conhecido romanticamente por Saco de Plástico pelos leitores da concorrência, ter anunciado acordos secretos entre os dois actuais partidos da coligação, eis que o Independente desta semana alinha pela mesma diapasão e faz saber que os líderes do PSD e do PP "já acordaram fazer listas conjuntas para as próximas eleições legislativas". Pssst. Não leiam muito alto porque isto é secreto.
PS: Pergunta adicional: Alguém sabe do primeiro-ministro?
PS: Pergunta adicional: Alguém sabe do primeiro-ministro?
Se o ridículo matasse...
Manuel Monteiro: "Há mensagens para que o PND resista porque, no futuro, o PSD quer coligar-se connosco" Público, 4 de Novembro de 2004
sexta-feira, novembro 05, 2004
George Bush na Casa Branca
Faco minhas as palavras desta leitora inglesa de um jornal local:
"Congratulations to the Americans for returning George Dubya to the White House. Enjoy the estimated multi-trillion dollar deficit Bush will leave you with in four years' time. The increasing isolation from the rest of the world means Bush will be able to Christianize the US in peace. And Osama Bin Laden is not a bad chap - he simply dresses badly. Let's leave him to sojourn in Tora Bora for another four years too. See if you can build upon the 200,000-plus civilians 'disarmed' (dis-legged, dis-headed, dis-bodied) in Irap and Afghanistan. And let's not call it murder. They were not Christians and they can't vote - not now anyway. Who cares about the Kyoto agreement? Global warming means champagne grapes will be grown in the UK within five years. Who needs ice caps? One cannot build Coca-Cocal factories on ice caps. And continue tighten your stranglehold on evil Cuba, because you don't agree with their socialist government.
Though at least if the US becomes completely isolated (which is the best solution all round, I think we all can agree), it will free up the rest of us to continue with the advancement of civilisation without the albatross of a giant, bloated nation of religious fundamentalists, heavily armed xenophobes and idol/idle worshippers around our necks.
Yes, three cheers for another four years of George Dubya. Hip, hip..."
"Congratulations to the Americans for returning George Dubya to the White House. Enjoy the estimated multi-trillion dollar deficit Bush will leave you with in four years' time. The increasing isolation from the rest of the world means Bush will be able to Christianize the US in peace. And Osama Bin Laden is not a bad chap - he simply dresses badly. Let's leave him to sojourn in Tora Bora for another four years too. See if you can build upon the 200,000-plus civilians 'disarmed' (dis-legged, dis-headed, dis-bodied) in Irap and Afghanistan. And let's not call it murder. They were not Christians and they can't vote - not now anyway. Who cares about the Kyoto agreement? Global warming means champagne grapes will be grown in the UK within five years. Who needs ice caps? One cannot build Coca-Cocal factories on ice caps. And continue tighten your stranglehold on evil Cuba, because you don't agree with their socialist government.
Though at least if the US becomes completely isolated (which is the best solution all round, I think we all can agree), it will free up the rest of us to continue with the advancement of civilisation without the albatross of a giant, bloated nation of religious fundamentalists, heavily armed xenophobes and idol/idle worshippers around our necks.
Yes, three cheers for another four years of George Dubya. Hip, hip..."
quinta-feira, novembro 04, 2004
Associação Académica de Coimbra
A Associação Académica de Coimbra diz que não vai comemorar o seu aniversário porque o momento é de luta contra a actual política de educação do governo da República. Acho bem. Motivos para comer e beber desalmadamente não faltam na Universidade e estes dias sem festa, raros, podem servir para coisas igualmente úteis e tantas vezes negligenciadas como estudar e aprender e, quem sabe, ler um livro sem desenhos. Já não era mau. Lanço o repto para que o governo não mude uma vírgula até depois da semana académica. Vamos ver se os meninos mantém a coerência.
quarta-feira, novembro 03, 2004
Sobre a vitória de Bush
Depois de, ao que tudo indica, Bush ter sido releito como presidente dos EUA, e das sondagens à boca das urnas indicarem que o medo de novos ataques terroristas foi decisivo na opção final de muitos eleitores, relembram-se as palavras de Benjamim Franklim:
"Aqueles que abrem mão da liberdade em troca de um pouco de segurança temporária, não merecem nem liberdade, nem segurança."
"Aqueles que abrem mão da liberdade em troca de um pouco de segurança temporária, não merecem nem liberdade, nem segurança."
terça-feira, novembro 02, 2004
Bush & Kerry
A algumas horas do fecho das urnas os candidatos à Casa Branca, face às sondagens que anunciam um empate técnico entre ambos, colocaram as respectivas máquinas eleitorais em esforços redobrados para conseguirem a vitória.
Telefonemas para os lares dos indecisos, visitas porta a porta aos dúbios, e-mails a pedir a cruzinha no quadrado certo aos hesitantes, a tudo as campanhas democrata e republicana recorrem para os seus líderes poderem ocupar a cadeira do poder.
Com uma pequena nuance.
Enquanto os democratas estimulam o voto em Kerry, os republicanos apelam aos eleitores, não para votarem no Partido Republicano, mas sim no Partido rival, nos democratas.
Buscando ensinamentos nas eleições de há 4 anos atrás, em que Bush obteve, segundo os dados oficiais do colégio eleitoral norte-americano, exactamente menos 540.420 votos que o adversário, e mesmo assim conseguiu, graças ao original sistema eleitoral americano, ser declarado como o grande vencedor da contenda, os partidários de Bush demandam junto de meio milhão dos eleitores para optarem pelo voto em Kerry de molde a garantirem a reeleição de Bush.
Acaso o meio milhão de votos a menos desta vez não seja suficiente para certificar a vitória, os republicanos, precavidos, estimaram já que 1.000.000 de votos a menos do que o candidato democrata seja já uma margem confortável para assegurarem, indiscutivelmente, a vitória de Bush.
Telefonemas para os lares dos indecisos, visitas porta a porta aos dúbios, e-mails a pedir a cruzinha no quadrado certo aos hesitantes, a tudo as campanhas democrata e republicana recorrem para os seus líderes poderem ocupar a cadeira do poder.
Com uma pequena nuance.
Enquanto os democratas estimulam o voto em Kerry, os republicanos apelam aos eleitores, não para votarem no Partido Republicano, mas sim no Partido rival, nos democratas.
Buscando ensinamentos nas eleições de há 4 anos atrás, em que Bush obteve, segundo os dados oficiais do colégio eleitoral norte-americano, exactamente menos 540.420 votos que o adversário, e mesmo assim conseguiu, graças ao original sistema eleitoral americano, ser declarado como o grande vencedor da contenda, os partidários de Bush demandam junto de meio milhão dos eleitores para optarem pelo voto em Kerry de molde a garantirem a reeleição de Bush.
Acaso o meio milhão de votos a menos desta vez não seja suficiente para certificar a vitória, os republicanos, precavidos, estimaram já que 1.000.000 de votos a menos do que o candidato democrata seja já uma margem confortável para assegurarem, indiscutivelmente, a vitória de Bush.
Prós e Contras
A RTP brindou-nos ontem com um “Prós e Contras” sobre as eleições americanas. Dividiu, salomonicamente, os paineleiros em pró-Bush e pró-Kerry, sendo que estes últimos mais não eram do que cruzados anti-Bush. De um lado, Vasco Rato e Martins da Cruz; do outro, Mário Soares e Ângelo Correia. Na assistência estava um perito em petróleo e outro em sondagens.
Louve-se a tentativa de esclarecer, mas ela foi irrisória e simultaneamente efémera. A coisa prometeu cedo mas rapidamente transformou-se em logro e em desilusão: os actores não ajudaram, a entrevistadora também não e o público estava, e era, pouco mais do que amorfo.
Entre as patranhas de um e outro lado (em partes iguais) e os argumentos mais do que repetidos e conhecidos, poucos pareceram perceber que as verdadeiras diferenças existentes entre os dois candidatos são apenas mensuráveis e identificáveis no plano interno, já que no plano externo o enorme poderio americano não permite nem admite grande margem de manobra. É por isso falso, e só para citar um exemplo, que Kerry vá, em caso de vitória, desmobilizar as suas tropas uma vez que ele próprio, facto que muito comodamente se omite, votou a favor da Guerra no Iraque.
Por entre piropos e algumas acusações subliminares entre os paineleiros (que chegou a meter a descolonização do Dr. Soares), todos falaram do “incompetente” Bush e esqueceram o “incoerente” Kerry, como lhes chamou a The Economist. Sintoma claro que não interessa quem vai ganhar desde que Bush não ganhe. É por isso óbvio para mim que Kerry, se ganhar, tem um grave problema de legitimidade nas mãos para resolver.
Louve-se a tentativa de esclarecer, mas ela foi irrisória e simultaneamente efémera. A coisa prometeu cedo mas rapidamente transformou-se em logro e em desilusão: os actores não ajudaram, a entrevistadora também não e o público estava, e era, pouco mais do que amorfo.
Entre as patranhas de um e outro lado (em partes iguais) e os argumentos mais do que repetidos e conhecidos, poucos pareceram perceber que as verdadeiras diferenças existentes entre os dois candidatos são apenas mensuráveis e identificáveis no plano interno, já que no plano externo o enorme poderio americano não permite nem admite grande margem de manobra. É por isso falso, e só para citar um exemplo, que Kerry vá, em caso de vitória, desmobilizar as suas tropas uma vez que ele próprio, facto que muito comodamente se omite, votou a favor da Guerra no Iraque.
Por entre piropos e algumas acusações subliminares entre os paineleiros (que chegou a meter a descolonização do Dr. Soares), todos falaram do “incompetente” Bush e esqueceram o “incoerente” Kerry, como lhes chamou a The Economist. Sintoma claro que não interessa quem vai ganhar desde que Bush não ganhe. É por isso óbvio para mim que Kerry, se ganhar, tem um grave problema de legitimidade nas mãos para resolver.
quinta-feira, outubro 28, 2004
As mulheres não gostam de foder - Parte 2
O Ministério Público decidiu abrir um inquérito ao caso de um livro com título alegadamente obsceno que foi exposto, há cerca de mês e meio, na montra de uma livraria de um centro comercial de Viseu.
Após algumas queixas, a PSP de Viseu decidiu aconselhar os proprietários da livraria Polvo a retirarem da montra o livro «As Mulheres Não Gostam de Foder», um ensaio sexual em banda desenhada.
O Ministério Público podia ter arquivado o caso, mas decidiu levar o assunto por diante. Para avançar, o delegado do procurador de Viseu, baseou-se numa lei de 1976 que proíbe a exposição em montras de qualquer produto obscenô.
A decisão surpreendeu os dois proprietários da livraria. «Estou boquiaberto. Só posso dizer que estamos a regredir», disse à TSF um dos sócios, Jorge Deodato.
Em Setembro, uma denuncia levou a PSP de Viseu até à livraria Polvo aconselhando a retirada de determinado livro, que podia ser considerado ofensivo. Os agentes levaram o livro mas o caso não ficou esquecido.
A polémica serviu para fazer de «as mulheres não gostam de foder», uma pequena banda desenhada cómica que custa 2 euros e meio, um sucesso. De tal forma que o autor, Alvarez Rabo, vai estar este fim-de-semana em Viseu.
Após algumas queixas, a PSP de Viseu decidiu aconselhar os proprietários da livraria Polvo a retirarem da montra o livro «As Mulheres Não Gostam de Foder», um ensaio sexual em banda desenhada.
O Ministério Público podia ter arquivado o caso, mas decidiu levar o assunto por diante. Para avançar, o delegado do procurador de Viseu, baseou-se numa lei de 1976 que proíbe a exposição em montras de qualquer produto obscenô.
A decisão surpreendeu os dois proprietários da livraria. «Estou boquiaberto. Só posso dizer que estamos a regredir», disse à TSF um dos sócios, Jorge Deodato.
Em Setembro, uma denuncia levou a PSP de Viseu até à livraria Polvo aconselhando a retirada de determinado livro, que podia ser considerado ofensivo. Os agentes levaram o livro mas o caso não ficou esquecido.
A polémica serviu para fazer de «as mulheres não gostam de foder», uma pequena banda desenhada cómica que custa 2 euros e meio, um sucesso. De tal forma que o autor, Alvarez Rabo, vai estar este fim-de-semana em Viseu.
E o Durao continua a dar-nos alegrias!!!!!
Voces tem estado a seguir a carreira do nosso menino, o Durao, la fora? Eu acho hilario, hilario! E ele hoje, coitadinho, a dar explicacoes a um jornalista da BBC sobre a confusao que para la arranjou no Parlamento... Estou aqui que nem posso de tanto rir!
Olha, e ja agora, sempre vai o Cavaco a Presidente? Eta, povinho que nao aprende! Nao havera por la em Bruxelas um lugarzito tambem para esse? Aposto que o Cavaco e o Buttiglione se iam dar que nem duas ratas de sacristia...
Olha, e ja agora, sempre vai o Cavaco a Presidente? Eta, povinho que nao aprende! Nao havera por la em Bruxelas um lugarzito tambem para esse? Aposto que o Cavaco e o Buttiglione se iam dar que nem duas ratas de sacristia...
quarta-feira, outubro 27, 2004
Antes de Anoitecer
Tem sido um filme levado ao colo pela crítica cinematográfica, e não só, por permitir a abertura de um “espaço de encantamento”, pelo “jogo de subtileza” aí presente, por constituir-se como um momento propício para “o espectador ser assaltado pelos seus fantasmas”, etc.
Envolto num envelope tão prendado, ao abri-lo e ao ver-se o filme inserto fica-se com a impressão de que a crítica, realmente, habita um universo muito singular, ensimesmado quanto baste, pois consegue descobrir subtileza onde existe a inanidade quase total, confundir encantamento com corriqueiro, e transpor os seus fantasmas pessoais para os espectadores.
“Antes de Anoitecer” é um filme passado quase em tempo real entre um par que se reencontra nove anos depois de se ter separado em Viena, com promessas mútuas de rápido reencontro mas que os desígnios insondáveis do destino entretanto impediram (onde é que eu já vi isto?). Reencontro cumprido, percorrem Paris recordando Viena, carpindo mágoas sobre as vicissitudes das suas vidas amorosas, divagando acerca da impotência dos homens franceses, por contraponto à tusa constante dos americanos.
No fim, Julie Delpi canta e encanta, Ethan Hawke vê a hora de apanhar o avião aproximar-se a contragosto e descem subitamente as cortinas sobre a história, concedendo-se ao espectador, ao jeito do você decide, o poder de imaginar um enredo feliz de ansiada união ou infeliz de repetida separação.
Ironicamente, a sensação que fica no final é a de que aqueles dois nunca chegam a lado nenhum, antes andam constantemente a engonhar, sendo aquilo que se costumar designar por uns grandes empata-fodas. Cá para mim, Julie Delpi só tem garganta e Ethan Hawke afinal é francês.
Envolto num envelope tão prendado, ao abri-lo e ao ver-se o filme inserto fica-se com a impressão de que a crítica, realmente, habita um universo muito singular, ensimesmado quanto baste, pois consegue descobrir subtileza onde existe a inanidade quase total, confundir encantamento com corriqueiro, e transpor os seus fantasmas pessoais para os espectadores.
“Antes de Anoitecer” é um filme passado quase em tempo real entre um par que se reencontra nove anos depois de se ter separado em Viena, com promessas mútuas de rápido reencontro mas que os desígnios insondáveis do destino entretanto impediram (onde é que eu já vi isto?). Reencontro cumprido, percorrem Paris recordando Viena, carpindo mágoas sobre as vicissitudes das suas vidas amorosas, divagando acerca da impotência dos homens franceses, por contraponto à tusa constante dos americanos.
No fim, Julie Delpi canta e encanta, Ethan Hawke vê a hora de apanhar o avião aproximar-se a contragosto e descem subitamente as cortinas sobre a história, concedendo-se ao espectador, ao jeito do você decide, o poder de imaginar um enredo feliz de ansiada união ou infeliz de repetida separação.
Ironicamente, a sensação que fica no final é a de que aqueles dois nunca chegam a lado nenhum, antes andam constantemente a engonhar, sendo aquilo que se costumar designar por uns grandes empata-fodas. Cá para mim, Julie Delpi só tem garganta e Ethan Hawke afinal é francês.
terça-feira, outubro 26, 2004
Michael Moore
Três meses depois da sua estreia nacional finalmente chegou o mais recente documentário de Michael Moore, Fahrenheit 9/11, aos cinemas madeirenses. Confesso que ia com uma ideia um pouco pré-concebida (mea culpa, não gosto de Moore nem daquilo que ele representa) e que por isso o filme-documentário não me despertou grandes apetites nem despropositadas esperanças. Nada de novo, portanto. Quem viu Bowling for Columbine conhece a treta e percebe logo os truques de Fahrenheit 9/11. Louve-se a encenação, que é boa, e a montagem, que é muito boa. Moore não esconde o seu propósito, mas ardilosamente omite factos importantes simplesmente porque para ele a verdade é um mero acessório de retórica ao serviço dos seus interesses e das suas patéticas tergiversações. Estilos.
O documentário, nota-se e sente-se, é feito para consumo interno, mas foi um sucesso também na Europa onde entretanto se descobriu, um ódio maciço ao Sr. Bush e à sua administração. Todos os europeus (parece que sem excepção) querem corrê-lo e pô-lo fora da Casa Branca de acordo com estudos recentes de indubitável credibilidade. Percebe-se a agonia e o drama: eu também não gosto do Sr. Zapatero, mas nem por isso deixo de dormir descansado ou vivo preocupado com a vida interna espanhola. Prioridades diferentes.
Por último, só para dizer que a coisa diverte e faz passar o tempo. Damos sonoras gargalhadas e soltamos uns uis empedernidos sempre que o acima-de-qualquer-suspeita Moore nos desvenda a marosca e o golpe que frequentemente envolve uns árabes muito perigosos. Só que o filme de Moore é igual ao Código da Vinci de Dan Brown: é para divertir; não é para levar a sério.
O documentário, nota-se e sente-se, é feito para consumo interno, mas foi um sucesso também na Europa onde entretanto se descobriu, um ódio maciço ao Sr. Bush e à sua administração. Todos os europeus (parece que sem excepção) querem corrê-lo e pô-lo fora da Casa Branca de acordo com estudos recentes de indubitável credibilidade. Percebe-se a agonia e o drama: eu também não gosto do Sr. Zapatero, mas nem por isso deixo de dormir descansado ou vivo preocupado com a vida interna espanhola. Prioridades diferentes.
Por último, só para dizer que a coisa diverte e faz passar o tempo. Damos sonoras gargalhadas e soltamos uns uis empedernidos sempre que o acima-de-qualquer-suspeita Moore nos desvenda a marosca e o golpe que frequentemente envolve uns árabes muito perigosos. Só que o filme de Moore é igual ao Código da Vinci de Dan Brown: é para divertir; não é para levar a sério.
O poder dos pesadelos
A BBC iniciou a transmissão de uma série de três documentários sobre o processo político que conduziu ao sistema de poder e de confrontações a que assistimos hoje no mundo. O documentário chama-se The Power of Nightmares e a sua ideia base é a de que o poder actual está intimamente relacionado com a criação de mitos e fantasmas, formas de convencer as pessoas de ameaças que na realidade não existem. Confesso que tenho algumas dúvidas em relação ao modo como a história é contada. No entanto, o trabalho merece atenção. O autor segue duas histórias. A primeira começa com Leo Strauss, filósofo que deu aulas na escola de Chicago durante os anos 50. A segunda, com Sayyid Qutb, um teórico egípcio que estudou nos EUA e que se tornou, mais tarde, o ideólogo de associações fundamentalistas que lutavam contra o Egipto secular pós-independência. Strauss era um anti-liberal, anti-individualista que desejava que os EUA seguissem um modelo social colectivista e comunitário, assente na religião e em princípios conservadores, e alimentado por mitos que atribuíam à América o papel de democratizador do mundo. Strauss foi professor e criou uma espécie de escol. O seu escol esteve sempre ligado a uma facção minoritária da extrema-direita do partido republicano. Com a chegada de Reagan ao poder, os seguidores de Strauss foram-se impondo, ficando conhecidos, entre outras coisas, por fabricar relatórios que atribuíam à União Soviética um poder militar que esta na realidade não possuía. Não é difícil perceber quem são estes homens, hoje denominados por neo-conservadores: Wolfowitz (um dos alunos de Strauss), Rumsfeld, Cheney, entre outros menos conhecidos. O documentário mostra imagens de discursos de Wolfowitz e Rumsfelf realizados nos anos setenta. Se colocarmos Al-Qaeda, ou Saddam, no lugar de União Soviética reconhecemos facilmente que os discursos são muito similares: a mesma forma simplista de falar no bem e no mal, a mesma concepção justiceira da América. A única diferença, significativa, é que a União Soviética era uma realidade mais palpável do que o terrorismo difuso, sem cara e sem Estado, que hoje se tornou no grande inimigo do ocidente. Serão estes homens que, ainda nos anos oitenta, vão levar os EUA a unir-se aos mais primários movimentos islâmicos, para lutar contra o domínio soviético no Afeganistão. Na outra história vemos como o fundamentalismo islâmico se alimentou do ódio aos regimes que dominavam os novos estados independentes no Médio Oriente governados por marionetes do ocidente. Dois casos emblemáticos. O Xá do Irão, que caiu em 1979 às mãos da revolução islâmica de Khomeni, e o caso de Sadat, no Egipto. O fundamentalismo islâmico transformou-se, aos poucos, numa força de defesa dos oprimidos pelas injustiças das novas economias liberais. A sua solução: voltar às interpretações mais rígidas e literais do islão e esmagar o individualismo. Também eles criaram um grande fantasma: o ocidente egoísta que desvia os homens da religião, que transforma as mulheres, que cria mil encantos que destróem a herança islâmica. As histórias são demasiado centradas numa concepção idealista do mundo e da acção humana, pouco articuladas com o processo económico e o saque aos recursos energéticos. Porém, estas genealogias ideológicas do presente geo-político não deixam de ser importantes para acrescentar mais algumas peças ao puzzle.
Forum Social Europeu
O Forum Social Europeu realizou-se entre os dias 15 a 17 de Outubro em Londres. E perguntam voces, o que e o Forum Social Europeu? E um espaco de convivio Social entre pessoas que se dizem de esquerda, amigas dos pobrezinhos, e bem pensantes. E essencialmente um espaco de masturbacao intelectual. A ‘malta’ vai para ouvir os outros a concordar com o que nos dizemos e pensamos, e vice-versa. E para isto ‘a malta’ paga a modica quantia de £30 libras. Isto, se viver em Londres. Caso nao viva em Londres, 'a malta' teria de pagar a deslocacao, estadia, e comida. Aposto que enquanto as mentes brilhantes estiveram a pensar sobre a vida e futuro dos ‘pobrezinhos’, os ‘pobrezinhos’ quer de Chelas quer de Wythenshawe pouco ou nada devem saber sobre Forum Social. Estarao pois demasiado alienados. As proprias associacoes comunitarias que trabalham nestas areas, como nao recebem (directamente) subsidios da CE, nunca na vida poderiam enviar um representante, dado ao custo que envolvia participar no evento. Mas pronto, a ‘malta’ la vai, convive uns com os outros, ouve uns grupos etnicos e tal (alguns deles por acaso nao vivem em Sao Salvador mas em Manchester, mas pronto isso e so um pormenor), acha-se cool, activista, esta com os seus pares e da assim sentido a sua existencia. E perguntam voces, o que e o Forum Social Europeu? E um espaco que infelizmente foi transformado num espaco de terapia colectiva para uma esquerda classe media / media alta, intelectual, e que se leva demasiado a serio.
domingo, outubro 24, 2004
@ e duas chamadas não atendidas
Um chinês quis registar o seu primogénito com o original nome de @. As autoridades locais lamentavelmente não foram na conversa e não permitiram o feito que, no fundo, pouco teria de inovador. Nestas coisas nada como ter abertura de espírito e tolerância suficiente para entender e acolher estas novas modas. Mas enquanto a coisa não é possível e ninguém se lembra de chamar ao filho www ou mesmo João Internet de Email Pereira, nada como navegar um pouco pelas living rooms dos jogos de computador. Lá tudo isto (e muito mais) é possível e, garanto, viável. A imaginação do nickname (nome que esconde a verdadeira identidade e que pode ter mil e uma conotações) não tem limites, regras ou simplicidades. Desde o sTre337 Kill3r, fbi.pt, Corto Maltese, Frizen@TT, skunkblast, passando pelo [vírus] bossT, facas, baby BLUE, AKBrothers, KGB, e terminando no Krusk the Barbarian, City Hunter, black HAWK, jansolo.nl ou _AL_sadr, há de tudo e para todos os gostos e feitios. Incluindo um tipo (ou tipa) com a sugestiva alcunha de… duas chamadas não atendidas. Quem sabe o que o futuro nos reserva? Quem pode garantir que este chinês não é um visionário?
sexta-feira, outubro 22, 2004
Energia nuclear
As vezes digo-vos, nao ha paciencia para estar aqui com grandes retoricas e jargoes. Este e um dos casos: mas esta tudo doido? Afinal o que e que se passa nesse pais?! Entao agora o governo anda a falar de 'energia nuclear' por forma a reduzir a dependencia do petroleo! Mas esta tudo a dormir ai o que? Tenham la paciencia, bem sei que 40 anos de ditadura habitua o corpo e a mente a preguica de fazer algo mas a nossa geracao sinceramente, nao se mexe! Nao facam nada agora nao e vao ver que ainda comem com uma centralzinha ali para os lados do Alentejo... A classe politica nesse pais e uma bosta mas a sociedade civil, Cristo! Parece que andam todos a fumar da mesma erva...
quinta-feira, outubro 21, 2004
O sistema
Alguns sócios do Benfica tiveram a ideia peregrina de processar o árbitro do último jogo contra o Porto. O próximo passo será processar os jogadores, os treinadores, os médicos. Tanta fúria mal direccionada. O nível do debate futebolístico em Portugal voltou a descer a níveis impensáveis. A escola, reconheça-se, é a do Porto, mas os dirigentes do Benfica seguem fielmente a cartilha, conseguindo, por vezes, bater recordes na arte da sarjeta. É lamentável que ninguém conseguisse tirar ilações do sucedido neste último jogo. É evidente que o Benfica foi prejudicado. O golo não assinalado é um erro objectivo, diferente das intermináveis e subjectivas discussões sobre a intensidade das faltas. Um clube foi prejudicado, o público foi enganado, a questão tem consequências económicas. O que fazer? A resposta está na criação de um novo sistema. Dois, ou três técnicos conhecedores das regras do futebol em comunicação com o árbitro, umas quantas televisões e um ou outro programa informático. Decisão em breves segundos: não quebra o ritmo de jogo. Estou plenamente convencido que, embora o sistema seja ineficaz para medir a existência de algumas faltas, podia ser decisivo para avaliar se a falta foi realmente cometida dentro da área e, mais importante, se o jogador se encontra, ou não, em situação de fora de jogo. Para além, obviamente, de situações idênticas à que se passou neste último domingo na Luz. Se fossemos mais longe, seria ainda útil para avaliar questões disciplinares: se houve, ou não, uma agressão, se o jogador simulou, ou não, uma falta.
Os estudantes em Coimbra
Esta coisa de Cuba esta-me a fazer pensar nas semelhancas e nas diferencas entre Cuba, a ditadura dos que comem criancinhas, e Portugal, a democracia dos que prendem criancinhas…
Abro os sites das noticias em Portugal e leio que um estudante em Coimbra foi preso, alegadamente por ter agredido um agente da PSP. E deixo-me entao transportar para o tempo das manifs contra a PGA (a minha primeira experiencia em manifestacoes colectivas) em que nos eramos putos e um dia bloqueamos uma estrada. Sentamo-nos no meio do chao e para ali ficamos, orgulhosos de nos, por lutarmos contra algo que consideravamos injusto, por nos sentirmos grandes, adultos, com direitos. E a policia la veio, com mangueiras, empurrando os nossos corpos adolescentes com a violenta pressao da agua. Sentiamo-nos protegidos porque estavamos em grupo. O colectivo conforta o individual. Mas tambem sentiamos medo. Eu espero que o Joao, o estudante preso, nao esteja a sentir medo. Espero que ele saiba que nao so os colegas dele, mas tambem eu e muitos outros, ja ‘grandes’ e adultos mas nao cinicos, somos o seu ‘colectivo’. Que ele saiba que eu e muitos outros temos orgulho nele por se sentir um cidadao de plenos direitos, e por lutar pelo aquilo em que acredita. Eu acredito que um Governo deve preocupar-se sobretudo e fundamentalmente com 3 coisas e garantir que todos os seus cidadaos tenham acesso livre e gratuito a essas mesmas coisas: Saude, Educacao, e Bem Estar Social. Nao e uma tarefa dificil, a partir do momento em que se aperfeicoa e revoluciona (e nao reforma) o sistema de contribuicao de impostos e por ai vai. Um governo que nao se pauta por este principio e uma verdadeira merda. O Governo Portugues e uma merda e eu so gostava e que houvessem mais ‘Joaos’ por entre esse povo, com a cara e a coragem de cobrarem do Estado o que e seu de direito!
Abro os sites das noticias em Portugal e leio que um estudante em Coimbra foi preso, alegadamente por ter agredido um agente da PSP. E deixo-me entao transportar para o tempo das manifs contra a PGA (a minha primeira experiencia em manifestacoes colectivas) em que nos eramos putos e um dia bloqueamos uma estrada. Sentamo-nos no meio do chao e para ali ficamos, orgulhosos de nos, por lutarmos contra algo que consideravamos injusto, por nos sentirmos grandes, adultos, com direitos. E a policia la veio, com mangueiras, empurrando os nossos corpos adolescentes com a violenta pressao da agua. Sentiamo-nos protegidos porque estavamos em grupo. O colectivo conforta o individual. Mas tambem sentiamos medo. Eu espero que o Joao, o estudante preso, nao esteja a sentir medo. Espero que ele saiba que nao so os colegas dele, mas tambem eu e muitos outros, ja ‘grandes’ e adultos mas nao cinicos, somos o seu ‘colectivo’. Que ele saiba que eu e muitos outros temos orgulho nele por se sentir um cidadao de plenos direitos, e por lutar pelo aquilo em que acredita. Eu acredito que um Governo deve preocupar-se sobretudo e fundamentalmente com 3 coisas e garantir que todos os seus cidadaos tenham acesso livre e gratuito a essas mesmas coisas: Saude, Educacao, e Bem Estar Social. Nao e uma tarefa dificil, a partir do momento em que se aperfeicoa e revoluciona (e nao reforma) o sistema de contribuicao de impostos e por ai vai. Um governo que nao se pauta por este principio e uma verdadeira merda. O Governo Portugues e uma merda e eu so gostava e que houvessem mais ‘Joaos’ por entre esse povo, com a cara e a coragem de cobrarem do Estado o que e seu de direito!
quarta-feira, outubro 20, 2004
Académico de Viseu - Fim à Vista?
Só o facto de a assembleia geral do próximo dia 24 contemplar na ordem de trabalhos a possibilidade concreta de acabar com o Clube Académico de Futebol e fazer renascer o clube com outro nome, em consequência da falta de uma direcção e de 300.000 euros para resolver os problemas de tesouraria do clube, é preocupante para aqueles que simpatizam com este clube quase centenário, e que detém a competir pelo seu emblema mais de 500 jovens em diversas modalidades (futebol, atletismo, natação e andebol, principalmente).
Mesmo que a ventilação da possibilidade de extinção tenha como móbil latente o apelo aos associados e simpatizantes no sentido da pronta concertação para se debelar rapidamente os entraves actuais à governação sadia do clube, nunca tal eventualidade deveria sequer constar assumidamente num processo de intenção.
O Clube Académico de Futebol é mais do que um clube descartável devido à dívida de 242000 euros a um antigo jogador ou por alguns dirigentes considerarem que tem uma estrutura pesada, e da qual são parte integrante.
O Clube Académico de Futebol é há muitas décadas a referência máxima de afectos desportivos de uma cidade e de toda uma região e um factor crucial de auto-definição em termos de pertença clubística, ou seja, constitui-se como uma referência identitária indiscutível ao nível do desporto local que nenhum outro clube que agora porventura viesse a ser criado em sua substituição conseguiria alguma vez fazer esquecer, mesmo que esse clube surgisse sem passivo financeiro como o actual...
Tem um passado e um historial de feitos e atletas desportivos que engrandeceram a cidade e é também essa cidade que tem a obrigação de encontrar as soluções para inverter o panorama actual e não deixar cair levianamente um século de história da entidade que dá significado maior à prática desportiva em Viseu.
Mesmo que a ventilação da possibilidade de extinção tenha como móbil latente o apelo aos associados e simpatizantes no sentido da pronta concertação para se debelar rapidamente os entraves actuais à governação sadia do clube, nunca tal eventualidade deveria sequer constar assumidamente num processo de intenção.
O Clube Académico de Futebol é mais do que um clube descartável devido à dívida de 242000 euros a um antigo jogador ou por alguns dirigentes considerarem que tem uma estrutura pesada, e da qual são parte integrante.
O Clube Académico de Futebol é há muitas décadas a referência máxima de afectos desportivos de uma cidade e de toda uma região e um factor crucial de auto-definição em termos de pertença clubística, ou seja, constitui-se como uma referência identitária indiscutível ao nível do desporto local que nenhum outro clube que agora porventura viesse a ser criado em sua substituição conseguiria alguma vez fazer esquecer, mesmo que esse clube surgisse sem passivo financeiro como o actual...
Tem um passado e um historial de feitos e atletas desportivos que engrandeceram a cidade e é também essa cidade que tem a obrigação de encontrar as soluções para inverter o panorama actual e não deixar cair levianamente um século de história da entidade que dá significado maior à prática desportiva em Viseu.
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