segunda-feira, maio 31, 2004

Piada antiga

Quando soube que Deus Pinheiro era o cabeça-de-lista da coligação veio-me à memória uma piada antiga.

Perguntam a João de Deus Pinheiro, depois de sair de Ministro dos Negócios Estrangeiros, qual tinha sido o acontecimento que mais o tinha marcado enquanto titular daquelas funções. O homem pensa um bocado e responde “O Golfo”.
Anos depois, fazem-lhe a mesma pergunta, mas desta feita depois de sair de Comissário Europeu. Depois de muito pensar ele atira com... “o Golfe”.

Apelo do Presidente

O Presidente veio apelar à participação dos portugueses nas próximas eleições num artigo hoje publicado no DN. Algures no tempo, o artigo deve ter feito sentido até porque explica o que é a Europa, quais os seus principais desafios e porque é que é importante que todos participem activamente na sua construção.
Lê-se o Presidente e ficamos na dúvida se as eleições de que ele fala são as mesmas pelas quais os políticos andam a fazer campanha. Eu desconfio que não estão a falar da mesma coisa... Não pode ser.

Desabafo

A actual situação do PSD é reveladora de que o partido vive refém do passado. Já não bastava o contínuo entrar de ministros e secretários de estado provenientes da era gloriosa cavaquista como também, e agora, se sucedem os candidatos do tempo das cruzadas num ciclo que parece interminável.
No PSD parece que para refrescar as ideias políticas é necessário recorrer a este género de políticos. O problema pior prende-se com as ideias: nem são novas nem são originais. Para completar o ramalhete e a satisfação total das hostes adormecidas, é conveniente que se perceba que só falta o regresso do D. Sebastião. Perdão, do Dr. Cavaco, às lides domésticas para colocar o pessoal na ordem. O povo certamente agradece, farto de tanta indisciplina e rega-bofe. Entretanto, o problema deve ser contagioso. Algures no PS detecta-se um sintoma parecido: os que afundaram o país oferecem-se agora para remediá-lo à distância, numa espécie de cura milagrosa. O que vale é que para eles, Bruxelas é um fim, daí o evidente esforço na campanha, em vez de um princípio, situação a todos os títulos estranha. É o que dá fazer do Parlamento Europeu um El Dorado em detrimento de um merecido castigo.

domingo, maio 30, 2004

Promentir

Infelizmente, os políticos portugueses não querem esclarecer o povo sobre o que está em causa na Europa nem para que servem as eleições europeias. Entre cartões de várias cores e feitios, as principais forças políticas dedicam-se ao ataque ou à defesa, consoante o caso, das actuais políticas governativas, fazendo deste evento, as eleições europeias, um circo sem sentido e com palhaços de parca qualidade. Sabendo que Portugal manda cada vez menos e obedece cada vez mais à tal Europa que eles se recusam discutir e que os portugueses cada vez menos se interessam por estas coisas chatas que se chamam eleições pergunta-se se esta campanha eleitoral não será uma mera mentira. Eles bem que prome(n)tem mudar, mas são todos iguais. Igualzinhos.

quarta-feira, maio 26, 2004

10.000

Olha, o Pato já tomou mais de 10.000 banhos no lago...

Jim Carrey - Eternal Sunshine of the Spotless Mind

Foi a segunda vez que tive oportunidade de ver Carrey num ecrã de cinema, depois de Homem na Lua, um registo em que a sua conhecida hiper-expressividade e o tom desbragado estavam circuncritos a limites mais estreitos do que o conhecido pela natureza da personagem representada, o comediante Andy Kaufman, e pela oscilação entre a comédia e o drama que a biografia deste implicava.
Sinteticamente, em "Eternal Sunshine of the Spotless Mind", temos agora um Carrey dar largas ao génio criativo do argumentista Charlie Kaufman, o mesmo de "Queres ser John Malkovich", ao vestir a pele de um indivíduo que sobrevive numa existência amorfa e desinteressante, segundo o próprio, e que ao descobrir que foi apagado da memória da rapariga que havia encontrado à beira-mar, decide retribuir à rapariga a supressão da sua mente, desígnio esse que será mal sucedido em virtude dos seus sentimentos não o permitirem.
Se ainda alguém tinha dúvidas do talento de Carrey, elas dissipam-se aceleradamente com a visualização do filme, digo eu...

segunda-feira, maio 24, 2004

Durão Barroso responsabiliza PCP por eventuais problemas de segurança no Euro 2004

Depois dos telemóveis com imagem no Iraque, foi descoberta mais uma força subversiva a por em causa a "nossa" segurança, o PCP.
Relativamente ao apoio incondicional e reverente à refrega iraquiana, ao não pagamento dos honorários devidos aos inspectores do SEF pelo trabalho desenvolvido e ao incumprimento do regulamento de promoções das forças policiais, o primeiro-ministro, curiosamente, foi omisso...

Rumsfeld proíbe telemóveis com câmara digital no Iraque

"De acordo com a publicação, o departamento da Defesa está convencido de que as fotos postas a circular nos Estados Unidos, que mostram os abusos cometidos pelos militares norte-americanos sobre os iraquianos detidos na prisão de Abu Ghraib, foram tiradas por este tipo de aparelhos".
Portanto, ficamos a saber que em vez de proibirem a prática dos abusos, para o departamento de defesa yankee o mais importante é confiscar os telemóveis, esses instrumentos subversivos que estão a minar a vontade de implantar a democracia ocidental na antiga Babilónia.

sexta-feira, maio 21, 2004

Portugal Positivo

O movimento Portugal Positivo, tentativa do PSD, via sociedade civil, combater os malefícos do discurso da «tanga», organizou uma conferência sobre a nossa (dos portugueses) auto-estima. Vasco Pulido Valente foi a grande atracção do evento. Convidar VPV para uma conferência sobre auto-estima organizada por um movimento chamado Portugal Positivo é das melhores piadas que ouvi nos últimos tempos. A coisa correu, bem se vê, bastante mal. Algumas frases do amargurado Vasco. Sobre a modernização do país por imitação de modelos estrangeiros: "Se uma pessoa define o seu programa político como imitação o que está a dizer é que a sua identidade é ser atrasado." Sobre as nossas elites: "Portugal está cheio de nulidades nas mais altas instâncias em que ninguém toca." Perante a estupefacção de um público optimista, Vasco apontou a solução para a depressão nacional: "Se houver mais dinheiro as pessoas começam logo a sentir-se melhor, nem precisam deste tipo de conferências."

A capital do trabalho

Desculpem o futebol outra vez. Dos 14 mil e tal bilhetes atribuídos ao FC Porto para a final da Liga dos Campeões apenas pouco mais de 3 mil foram vendidos ao público. Os restantes foram distribuídos por patrocinadores, empresas e por notáveis do país e da cidade. Quando olharmos para a bancada central do Estádio alemão onde se vai disputar a final e encontrármos políticos, empresários, artistas e outras figuras mais ou menos públicas sabemos que estes personagens, ao contrário da plebe, não tiveram que ir para a frente das bilheteiras dois dias antes. O clube da região, do imaginado "povo do norte" que enche permanentemente a Av. dos Aliados contra o centralismo lisboeta, distribuí os seus bens e serviços pelos mesmos de sempre, os barões do capital regional, as redes de interesses e de tráfico de influências, a mesma «classe» de sempre, que dirige impunemente este país. É neste ponto que estabelecem os limites do populismo, da paixão clubista, da mobilização da capital do trabalho. A capital do trabalho continua muito mais próxima do capital do que do trabalho.

Ao Bruno - nos os ocidentais....

Algarve e uma palavra que deriva do Arabe e significa 'o Ocidente'. E era-o, de facto, para as tribos Arabes de Marrocos. No norte da Europa, Portugal passa a 'Sul'... A relatividade das posicoes geograficas depende tambem da forma como se olha para o mapa: se de frente para a Europa, ou se por outras perspectivas. Enfim, e como tudo na vida...

quarta-feira, maio 19, 2004

Túnel do Rego - As obras estão já em andamento

Depois das mensagens de boas vindas dirigidas ao Sr. Benvindo, é este o novo cartaz afixado pela Câmara Municipal de Lisboa em diversos locais...
No Comments!

terça-feira, maio 18, 2004

Sobre os maus-tratos

Apesar de tudo aquilo que aconteceu na prisão de Abu Ghraib, e que é uma enorme vergonha para a suposta superioridade moral do Ocidente, é importante relembrar que há importantes diferenças de tratamento entre os prisioneiros e os infractores dos dois lados da barricada, situação que a imprensa ocidental, imbuída do seu mais primitivo antiamericanismo, tem confortavelmente esquecido (basta olhar para as recentes fotos falsificadas de humilhações inexistentes que andaram até a circular por correio electrónico). É por isso que convém perceber três coisas:
Convém perceber, em primeiro lugar, que há uns que humilham, põem nus e batem e que há outros que se entretém a cortar a garganta e a cabeça, o que é rigorosamente muito diferente (sei que os puritanos vão ficar muito escandalizados).
Convém perceber, em segundo lugar, que há uns que vão ser julgados em tribunal marcial e que há outros que vão ser totalmente esquecidos e até perdoados, não só pelos seus como também pela generalidade da opinião pública.
E convém ainda perceber, por último, que enquanto nós ocidentais repudiamos aquilo que sucedeu (e verdadeiramente sentimo-lo e reprovamo-lo), eles aplaudem e dão vivas de satisfação de cada vez que cortam uma cabeça.
É por isso que digo que há uma diferença abismal de tratamento e que é má-fé fazer dos americanos os únicos maus do mundo.

A criação da Universidade Pública de Viseu

O primeiro-ministro anunciou, ontem, a criação de uma Universidade Pública em Viseu, cumprindo um dos seus compromissos eleitorais e uma promessa feita pelos sucessivos governos nos últimos 14 anos.
Como viseense, não posso deixar de me congratular com a decisão tomada pelo Governo, "premiando" uma cidade que tem evidenciado uma dinâmica económica e cultural assinalável ao longo das últimas duas décadas.
Pode ser este um impulso fulcral para a criação de centros de excelência ao nível da inovação e do conhecimento, que funcionem como alavancas para o desenvolvimento local e regional.
Para tal torna-se imprescíndivel, não só a aposta na investigação com fortes ligações a outras unidades no país e no estrangeiro, mas também a criação de uma rede de suporte de empresas que forneçam serviços à Universidade e às unidades de investigação, designadamente ao nível do equipamento tecnológico, e o investimento empresarial no chamado capital de risco em áreas de actividade desenvolvidas pelas unidades de investigação da Universidade.
Caso tal não se verifique, arrisca-se a ser mais uma Universidade Pública, incapaz de fazer face
a outras que geograficamente a circundam e de aportar os contributos relevantes que dela se aguardam como motor indispensável para o desenvolvimento de toda aquela região e do País.

segunda-feira, maio 17, 2004

11) Maradona

Quando desenhou a tatuagem de Che Guevara no seu braço direito Maradona disse que finalmente os dois mais importantes argentinos estavam juntos no mesmo corpo.

10) Formalismos

Só apoio a selecção nacional no próximo Europeu se eles jogarem alguma coisa.

9) Rui Rio

É de elementar justiça salientar a postura de Rui Rio em relação ao mundo do futebol. Porventura houve alguns exageros por parte do autarca. Mas as notícias que vieram a lume sobre os financiamentos ilegais da Câmara ao FC Porto provam que tinha efectivamente razão. O Rio é uma lança em África.

8) Os representantes da Nação

Vamos ter outra vez a rábula de Sevilha. Alguns deputados já admitiram que não se importam de faltar à sessão, não recebendo o dinheiro correspondente ao dia de trabalho. Os deputados deviam ter consciência que estão a representar os cidadãos e que a Assembleia não é o cabaret da coxa. Algures no México alguém deve estar surpreendido como é que alguém cancela uma visita de Estado para ir a um jogo de futebol.

7) Patriotas

Há alguma razão para um não portista apoiar o Porto na final da Liga dos Campeões? Consigo encontrar apenas uma. A cultura do ódio é repelente. Também dispenso o argumento patrioteiro. A única forma de apoiar esta equipa depende do que ela conseguir demonstrar em campo, interpretanto o jogo. Como o fez, exemplarmente, na Corunha.

6) Deco

Deco é o melhor jogador a actuar em Portugal. Um espectáculo dentro do espectáculo. No entanto, não consegue, tal como Mourinho, envolver o seu génio numa postura positiva. Deco é violento e é o mais simulador de faltas que tenho visto (bem mais que Liedson. Sé entou inventou uma mão-cheia delas. Deco engana os adversários, o árbitro, os colegas e o público. Os ingleses chamam-lhe diver. É pena.

5) Mourinho

Mourinho é provavelmente o melhor treinador de futebol do Mundo. Ainda ontem ficou provado. O Porto foi superior ao Benfica, tal como o Sporting o havia sido no último derby. Mas o futebol não é matemática. O treinador do Porto encaixou com perfeição na cultura do clube. Regra número um: só se elogia o adversário quando ganhamos, por que isso nos valoriza. Regra número dois: nunca, mas nunca, se reconhece uma derrota considerando que o adversário jogou melhor. Regra número três: tem que haver um responsável externo pela derrota, um agente do centralismo. Este agente é normalmente o árbitro. Qualquer pessoa com o mínimo de imparcialidade reconhecerá que as afirmações de Mourinho sobre o árbitro são tonterias. A massa adepta, de Gondomar, de Gaia, de Espinho, de Ermesinde, acredita, no entanto, na tese da cabala. É isto que é perigoso.

4) As regras do jogo

A cultura do ódio utiliza como arma de coesão interna a invenção do adversário: somos mais fortes e unidos com um inimigo forte. A lógica pegou bem na colagem do FC Porto à cidade do Porto, supostamente esmagada pelo poder centralista representado pelos clubes da capital, especialmente pelo Benfica. O Benfica não era apenas um clube de futebol mas o representante da injustiça centralista. Claro que os porta-vozes que reivindicam a justiça para o Porto não são as pessoas que vivem em condições precárias, em subúrbios miseráveis liderados por caciques autárquicos, mas os barões do Norte, espécie de senhores feudais que à custa do futebol e de electrodomésticos constróem exércitos de adeptos, que à falta de alegria material, sobrevivem do êxito dos seus clubes, bem longe dos palacetes da Foz.

3) A outra vitória

O Benfica não ganhou apenas uma Taça de Portugal, ganhou ao Porto. Mas não é o facto do Porto ser provavelmente a melhor equipa do mundo que torna a vitória mais importante. O que lhe dá um verdadeiro significado é o facto de ela ter sido edificada contra uma cultura do ódio. Esta cultura detestável não deve ser confundida com uma cultura de uma região, de uma cidade, ou das pessoas que por lá moram e trabalham, ela deve-se apenas aqueles que construíram, ao longo dos anos, um clube que se caracteriza por ser contra, que se define pela negativa.

2) A festa

Dizia ontem alguém, visivelmente aborrecido, que parecia que o Benfica tinha ganho a Liga dos Campeões, tal era a festa em Lisboa. Alguns consideraram a comemoração exarcebada a prova de que o clube está decadente. O Benfica deve assumir a sua história recente, uma história de fracassos. Neste contexto compreende-se a alegria, um sentimento extraordinário que ultrapassa em muito o mundo do futebol. O erro daqueles que não gostam, não percebem, e são sobranceiros de mais para procurar perceber o que significa o jogo, é que o futebol é um meio para expressar algumas das coisas essnciais da vida.

11 posts sobre o futebol - 1) Camacho

A vitória que o Benfica alcançou na final da taça de Portugal é o culminar justo do trabalho excepcional de José António Camacho. Reorganizador do futebol do Benfica, exemplo de rigor e frontalidade, o espanhol enfrentou o caos, os treinos em campos emprestados, os ordenados em atraso, as mortes em campo, uma equipa com fragilidades evidentes. Não é apenas o Benfica que perde com a mais que provável saída de Camacho, mas todo o futebol português que, no fundo, não o merece.

Benfica

O Benfica ganhou a Taça de Portugal com todo o mérito. A nação benfiquista, que é uma coisa indescritível como ontem se viu, está de parabéns, mesmo que o Sr. Mourinho diga que foi imensamente prejudicado pelo árbitro.
Por uns momentos, depois das tragédias sucessivas sempre a envolverem jogadores, os muitos portugueses benfiquistas voltaram a sorrir, a celebrar e a seguir os directos com outra atenção e entusiasmo. O Benfica, no espaço de duas semanas, garantiu assim dois objectivos desportivos importantíssimos para o seu futuro. Merecem o aplauso nem que seja pela abnegação e pelo espírito de sofrimento com que encararam a recta final da época. Só que é bom que não se esqueça que boa parte deste projecto (qualificação para a Liga) só teve sucesso porque no outro lado da segunda circular o Eng. Santos não foi despedido por incompetência e manifesta falta de jeito para as funções que anedoticamente ainda ocupa.

Em actualizações

Este blogue andará em actualizações ao longo do dia. Esperemos que para melhor...

sexta-feira, maio 14, 2004

A Frase do Dia

"Quando se dá uma malga de sopa a alguém que está na rua, não se está a contribuir para o recuperar, mas para o manter naquela situação"
Paulo Morais - Vice-presidente da Câmara do Porto

Capitalismos...

Entro numa loja da PT. Quero desfazer umas dúvidas quanto à instalação recente do meu telefone. Enquanto espero a minha vez, abordo uma moça da secção da TMN para que me esclareça se é possível fazer um up-grade do meu telemóvel. Explica-me que sim. Que tenho alguns pontos TMN. E que com mais 200€ me é fácil adquirir uma bomba qualquer da Nokia, género último modelo cheio de coisas que eu não vou ou não sei utilizar. Mostro-me pouco interessado. Afinal, o meu telemóvel está a funcionar perfeitamente e dá-me para as encomendas. E não me custou nem de perto nem de longe 200€, preço altamente desmoralizador.
Mas num ápice tudo muda. Esquecidos os telemóveis e os pontos TMN a moça, esforçada, apresenta-me um banco qualquer que a troco de um depósito/abertura de conta de 500€ me oferece uma quantidade enorme de pontos TMN (precisamente os que me faltam), o que faz tornar aquele telemóvel uma pechincha (metade do preço, para ser exacto, logo 100€). Olhei à volta. Aquilo não tinha aspecto de banco, mas de repente quase que saí dali com uma nova conta bancária, um cartão de crédito sem anuidade e muito provavelmente com um telemóvel tecnologicamente demasiado avançado.
Despertei e fugi para a minha fila. Sobreviver neste mundo capitalista anda mesmo pelas ruas da amargura.

quinta-feira, maio 13, 2004

Herança

Embora o seu posicionamento ideológico e doutrinário ao longo da vida estivesse quase sempre longe, para não dizer completamente nos antípodas daquele que eu perfilho, ainda assim parece-me justo reconhecer que o homem da expressão "25 do A", teve uma atitude nobre ao legar 500 milhões de euros da sua avultadíssima fortuna pessoal para a realização de investigação científica na área da medicina, através da criação de uma Fundação, apenas depois da sua morte, e não em vida para aproveitar e beneficiar somente de gratificações e subvenções monetárias que o regime júridico atinente à criação de fundações faculta, tal como muitos o fazem (embora o seu espólio também dispensasse com comodidade este tipo de artíficios...)

A futebolização da política II

O Dr. Barroso cancelou uma visita de Estado a um sítio importantíssimo chamado México, por causa de uma final de futebol que vai meter o FC Porto e uma equipa de um principado que joga em França. Não me parece grave até porque o Dr. Barroso tem direito de opção. Mas estranho seria encontrarmos um político em Portugal que pusesse os interesses de Estado à frente dos interesses futeboleiros dos seus caciques.
A um mês do principal evento desportivo do ano, nada como um aquecimento para aquilo que nos espera: um governo entretido a ver jogos de futebol dividido entre recepções e cerimónias pomposas e um desastre eleitoral parcialmente anunciado, enquanto espera pelo próximo circo, perdão, pelo próximo desígnio nacional: as medalhas dos Jogos Olímpicos. Pode ser que por essa altura já seja possível ver a tal da retoma...

Floristas

Passo pela zona das floristas junto à Sé Catedral do Funchal. Antigamente (quanto tempo é preciso passar para dizermos antigamente?) estas mulheres passavam o dia a tentar cativar os clientes, exibindo as flores ou dizendo qualquer coisa em voz alta que atraísse a atenção vestidas com os seus trajos característicos. Tempos áureos.
Hoje as coisas parecem-me um pouco diferentes: o dia está mais ou menos solarengo e as duas floristas que lá estão entretêm-se a falar alto ao telemóvel não ligando peva às pessoas que por ali deambulam com ar demasiado apressado. Será que o negócio vai assim tão bem? Não haja dúvida: a crise parece que não chegou à floricultura.

terça-feira, maio 11, 2004

Iraque

Um amigo meu pergunta-me, jocosamente, se considero que a situação que se vive no Iraque está fora de controlo. A pergunta é, evidentemente, venenosa, e um pouco maldosa, porque ele sabe que, ao contrário dele, fui defensor da intervenção e que por causa disso tivemos longas, mas calorosas, discussões. Viro-lhe as costas e não lhe respondo. Não me apetece. Custa-me sempre aceitar que posso estar errado.

sexta-feira, maio 07, 2004

Múm

Os islandeses Múm deram ontem a conhecer ao vivo o seu novo albúm, "Summer make Good", na Aula Magna, num concerto intimista e verdadeiramente inebriante.
Com uma uma voz sussurante, a da vocalista Kristín Anna Valtýsdóttir's a liderar uma eclética digressão musical de 100 minutos, em termos instrumentais, foi o exemplo perfeito de como converter um espectáculo musical numa vibrante viagem pelo espaço sideral.
Inesquecível!



terça-feira, maio 04, 2004

Mais um advogado versado na "realidade sociológica"

Numa prosa deliciosa, o deputado Pinheiro Torres do PSD, num artigo de opinião publicado no jornal Público, vem hoje verberar contra o facto de ter sido exarado na recente revisão constitucional o preceito de nenhum cidadão poder ser privilegiado ou privado de qualquer direito em virtude da sua “orientação sexual”, invocando o facto de que a afixação constitucional desta norma por parte da coligação foi decidida, nas suas palavras, “em oposição com aquele que é o sentimento da realidade sociológica que costuma votar nos partidos da maioria”.
Ora, seria de elementar rigor científico, já para não dizer de bom senso, que este deputado jurista nos desse a conhecer em que abordagens sociológicas sobre o tema é que se foi apoiar para legitimar a sua asserção.
Pode ser uma lacuna minha, mas desconheço qualquer investigação sociológica credível recente acerca do posicionamento daqueles que votam nos partidos de direita que suporte a obliteração da constituição daquele preceito que agora foi incluído.
Pelos vistos, este causídico está mais bem documentado sobre o tema...As coisas que se aprendem sobre a "realidade sociológica" com juristas...

A Futebolização da política

Com a entrada do palavreado futebolístico na política (nunca a política foi tão rasteira), parece que por obra do célebre Euro que aí vem (que caminha a passos largos para uma monumental fífia), só me apetece dizer que os políticos andam em perigoso, e manifesto, fora-de-jogo....

segunda-feira, maio 03, 2004

Despedimento com justa causa

O Sr. Santos do Sporting mais uma vez demonstrou porque é que tem de voltar à engenharia. Está mais do que visto que este Sporting, que joga com um ponta-de-lança de nome Silva e um guarda-redes que faz questão de deixar entrar todos os remates que vão na direcção da baliza, é uma equipa vulgar que perdeu em casa todos os jogos decisivos que fez nas diversas competições em que esteve envolvido: Taça de Portugal (contra o Setúbal), Taça UEFA (frente a uma equipa da Turquia cujo nome nem tento escrever) e, agora, campeonato (perante o seu mais directo rival, Benfica) que lhe podia garantir um acesso à milionária Liga dos Campeões.
Pergunta-se: o culpado pelas três últimas derrotas terá sido o tal sistema obscuro ou o sistema táctico e de jogo do Sr. Santos?

E outra pergunta: quando é que os animais selvagens vão ser proibidos de entrar nos recintos desportivos? Triste exemplo. Triste futebol....

Imprensa

Hoje é Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Leio em qualquer lado que o pior país para se ser jornalista é a Coreia do Norte. Penso que não deve ser a mesma Coreia que o Dr. Bernardino aqui há uns tempos atrás exultava como salutar exemplo de democracia...

Juve Leo

Muito gostaria de saber como é que ao fim de anos e anos a provocar desacatos e a enfileirar atentados às mais elementares normas de uma postura minimamente civilizada, o líder da Juventude Leonina (e não só desta claque..) continua a poder frequentar recintos desportivos sem que qualquer tipo de escolho judicial lhe seja imposto pelas autoridades competentes...

domingo, maio 02, 2004

A Frase do Dia

"A mim ele nunca me levou ao teatro"
Carla Pinto, ex-esposa de João Pinto