quinta-feira, dezembro 29, 2005
O que seria se o Superman fosse africano...
Jornal Tribuna de Macau
sexta-feira, dezembro 23, 2005
barcos gregos
Cantavam os Xutos, no auge da sua criatividade: "Já estou farto de procurar Um sítio para me encaixar Mas não pode ser Está tudo cheio, tão cheio, cheio, cheio Mas o que é que eu vou fazer Eu vou para longe, para muito longe Fazer-me ao mar, num dia negro Vou embarcar, num barco grego Falta-me o ar, falta-me emprego Para cá ficar Já estou farto de descobrir Tantas portas por abrir Mas não pode ser, é tudo feio, tão feio, feio Mas o que é que eu vou fazer"
domingo, dezembro 18, 2005
Clubite II
Clubite I
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Mais um debate
Quanto mais realce se dá à audição dos candidatos, mais se constata à ilharga a impotência que mesmo uma figura central de topo de um país está votada, tal como se configura a actual organização económica, social e simbólica do planeta. Tal impotência não é determinada pelo asséptico modelo de debate, mas pelas visíveis mãos atadas de todos os candidatos, uns mais presos a crenças doutrinárias vetustas do que outros, perante o destino e o presente que lhes foge e não conseguirão controlar.
Esse presente é o presente dos fluxos. Os fluxos de capital, fluxos da informação, fluxos da tecnologia, fluxos de imagens, sons e símbolos. Mais do que um elemento integrante da nossa organização social, esses fluxos são a expressão dos processos que dominam a nossa vida económica, social e política.
Num presente marcado pelos circuitos electrónicos (microelectrónica, telecomunicações, processamento computacional, sistemas de transmissão e transporte em alta velocidade), onde os lugares não desaparecem, mas a sua lógica e o seu significado são absorvidos em rede, rede essa que conecta lugares específicos com características sociais, culturais, físicas e funcionais bem-definidas, através de cidades globais, são as elites globais que dominam.
O problema é que a articulação de tais elites é global e são essas elites que por intermédio da rede constituída pelos sistemas de processos da economia global, especialmente os do sistema financeiro, que estabecelem e reorganizam as práticas sociais dominantes. Perante este espaço de fluxos, não há Presidente da República que consiga ter poder e autonomia para impor vontades e futuros para os cidadãos do seu país.
Quem não se ligar aos nós de ligação dessa rede e não conseguir que os seus interesses sejam representados dentro da estrutura desse espaço de fluxos bem pode debater incessantemente, que o seu futuro não será deveras risonho....
quarta-feira, dezembro 07, 2005
DN 07-12-005: Barroso perde o ponto
terça-feira, dezembro 06, 2005
Os poderes do presidente
segunda-feira, dezembro 05, 2005
O Juíz decidiu, tá decidido
No despacho de arquivamento, o procurador do MP, além de alegar a inexistência de matéria para sustentar uma eventual irregularidade, lamenta a controvérsia que surgiu em torno do ensaio sexual em banda desenhada, do espanhol Alvarez Rabo, admitindo que, se porventura o autor da obra tivesse o peso e a importância literária de um Lobo Antunes (que escreveu "Os cus de Judas") ou Miguel Esteves Cardoso (que editou "O amor é fodido"), a contestação não teria tido lugar.
Depois disto fica a sugestão aos livreiros das Edições Polvo: Colocar na montra da livraria as três obras em exibição lado a lado.
domingo, dezembro 04, 2005
Outra vez
quarta-feira, novembro 30, 2005
Um Plano Tecnológico no país do ‘eu é que sei’
a) o compromisso feito pelo Estado em apoiar a investigação na área do desenvolvimento de armamento, no contexto dos compromissos assumidos por Portugal na NATO. Ora, isto merece, quanto a mim, explicações muito claras, nomeadamente explicações de principio (será correcto o envolvimento do país neste tipo de actividade cientifica?) e econômico (i.e. qual a percentagem de investimento público que será devotada a este tipo de investigação, ou ainda, e justificável este tipo de envolvimento quando estruturas prévias de investigação nesta área são inexistentes).
b) até que ponto o Estado reconhece que certos ‘tipos’ de ciência não apresentam um grau de rentabilidade e comercialização tão elevado quanto outros. Isto porque são ramos científicos que poderão, nomeadamente, requerer mais tempo para a aquisição de aplicação prática. O reconhecimento do Estado nesta matéria e essencial pois à medida em que certos ramos científicos poderão começar a ser, gradualmente, co-financiados pela iniciativa privada, outros – nomeadamente aqueles não-rentáveis – deverão ser cada vez mais apoiados pelo Estado.
Um debate mais de detalhe, e construtivo, deverá então passar fundamentalmente pela a discussão dos dois pontos acima referidos. Um debate não construtivo é aquele que simplesmente corta a discussão pela rama. Estes são os debates do ‘eu é que sei’, e portanto ‘isto está tudo mal’. Está mal porque por principio a ciência não deverá ficar nas mãos da iniciativa privada, logo, não há pé para discussão. Bom, há sim senhor. Basta assegurar que o Estado seja sempre co-financiador, e assegurar sobretudo e legalmente, a independência intelectual e os direitos dos cientistas, bem como os direitos do Estado (óbvio que juntamente com os direitos da entidade privada também investidora) sobre a utilização ou produção de qualquer produto cientifico que sirva os interesses da população (exemplo: a produção da vacina contra a gripe das aves, se descoberta). Ou seja, sempre que o interesse público assim o justifique.
Debates não produtivos são também aqueles das associações de empresários-tipo-Vale-do-Ave, de indústrias pré-segunda revolução industrial, que vêem dizer que não se revêem no dito Plano Tecnológico e que não foram sequer ouvidos. Eh... Alô!!! Realmente a qualificação dos recursos humanos e a requalificação da população activa não se afigura vantajosa para estes empresários que vivem da produção de contrafacção, trabalho infantil, e trabalho feminino pouco ou nada qualificado. É óbvio que o Plano Tecnológico lança o repto a este tipo de indústrias: o desenvolvimento de um pais é colectivo e não sectorial. Se a mão-de-obra tem que se adaptar às existentes actividades economicas, estas terão de se adaptar também a uma mão-de-obra mais qualificada, reflexiva, e exigente.
A minha maior preocupação relativamente a este Plano concerne à sua implementação: como será que a burocracia do Estado vai articular a implementação deste ambicioso Plano? No país do ‘eu é que sei’, a resposta a esta questão é uma caixinha de surpresas... Na maioria das vezes, pouco agradáveis...
Mas seria bom que houvesse um debate mais aberto, que as pessoas realmente lessem o documento, e que construtivamente se lançassem mais idéias em praça publica, num ambiente de saudável discussão, ao invés de um ambiente marcado por ‘eu-é-seis’ ressabiados que raramente e quase nunca apresentam ideias. Se calhar talvez porque não as têm...
terça-feira, novembro 29, 2005
Chef
Com a carência de "chefs" no país capazes de aguçar o paladar dos portugueses a preços em conta, aprisionar versáteis cozinheiros não creio que seja a solução. O homem ainda por cima "limpava" tachos, panelas e muitos outros objectos de cozinha que o comum dos mortais não tem paciência para limpar e desengordurar no final das refeições...Gente mal agradecida é o que é.
segunda-feira, novembro 28, 2005
Estupidez e retardamento mental é...
Populismo é…
http://www.geocities.com/republaicidade/index.html
A UE, a PAC, e a nova 'guerra' franco-inglesa
sexta-feira, novembro 25, 2005
Pacheco Pereira, just do your homework & have a port...
Em segundo lugar, se bem que concorde com a pressão que o governo britânico exerce sobre os interesses instituídos da Franca e da Alemanha no conjunto da EU, concordo também que a diplomacia Portuguesa não tem necessariamente de ser sinônimo de servilismo. Declarações agressivas são comuns em negociações. Fazem parte do jogo. Quem vê Mandelson a negociar com certeza que não chamara aquilo de diplomacia, mas mais de bullying. Ou então basta lembrar a conferencia de imprensa do ministro dos negócios estrangeiros brasileiro após as negociações entre a EU e os representantes dos paises em vias de desenvolvimento sobre o comercio e agricultura. Luiz Fernando Furlan disse na altura que ou o seu inglês era muito mau ou Mandelson era surdo... Nao consta que o RU deixasse de importar cafe ao Brasil, ou mesmo que diminuisse a quota de importacao de produtos brasileiros.
Portanto, JPP, no calor da indignação, não escrevas artigos tontos... Espera, just sit back, drink an Earl Grey, and relax. Or have a port, have a port...
quinta-feira, novembro 17, 2005
Guns of Brixton
Guns of Brixton
When they kick at your front door
How you gonna come?
With your hands on your head
Or on the trigger of your gun
When the law break in
How you gonna go?
Shot down on the pavement
Or waiting on death row
You can crush us
You can bruise us
But you'll have to answer to
Oh, the guns of Brixton
A Igreja e o sexo
1. A ‘bela italiana’, como era apelidada a mulher assassinada, terá feito o teste no Centro de Rastreio Anonimo do Hospital de Viseu. Parece-me a mim que provavelmente a informação acerca da infecção desta mulher terá vindo desta unidade.
2. Por outro lado, no circuito da prostituição em Viseu, esta mulher era a mais procurada e a que mais facturava porque não obrigava os seus clientes ao uso do preservativo.
Segundo informacoes do Centro de Rastreio Anonimo do Hospital de Viseu, o numero de utentes desta unidade não sofreu nenhum aumento. Significa pois que, e segundo fontes não oficiais, os presumíveis clientes da ‘bela italiana’ se dirigem a outras unidades de rastreio, nomeadamente as situadas nas grandes cidades, para fazerem o teste de despiste do HIV. E realmente deplorável que os cidadãos não sintam confiança numa estrutura de Saúde que legalmente e obrigada a manter o anonimato. Mais deplorável ainda e o assassinato desta mulher. Tudo isto so vem provar que em termos de mentalidades, Portugal ainda esta na Idade das Trevas. Pior, revela igualmente que as campanhas de prevenção do HIV/Sida tem falhado redondamente. Os homens portugueses, a grande maioria, recusa-se a usar preservativo. A grande maioria das mulheres, amordaçadas por uma cultura ainda altamente conservadora, não e suficientemente emancipada para exigir o uso do preservativo, remetendo essa decisão para homem. Assim sendo, Portugal e o pais da Europa com um dos mais elevados índices do vírus de HVI. A julgar pela a confiança que os cidadaos tem nas estruturas de Saúde, este indice será ate, porventura, mais elevado.
Para tornar esta questão ainda mais surreal, a educação sexual nas escolas parece engatada em marcha atrás. A Igreja, incapaz de resolver os seus proprios problemas internos no que concerne ao comportamento sexual dos seus apóstolos padres, da-se ao luxo de fazer comentários públicos completamente desajustados a situação do pais. Acusa o Estado de se preocupar somente com a prevenção da "gravidez não planeada, (d)as doenças sexualmente transmissíveis e abusos e exploração sexual" e expressa o seu descontentamento relativamente "a colaboração de estudantes mais velhos que frequentam o ensino superior" nas aulas que abordem estas tematicas com os adolescentes. A Igreja, parece-me a mim, quer ensinar o ‘amor’. Os veiculos humanos para divulgarem este ensinamento serao, presumo, os padres (que ganharao assim um salario do Estado, com todas as regalias que isso implica). Sendo uma organizacao dita da sociedade civil, a Igreja tem todo o direito de expressar a sua opiniao. No entanto, num estado constitucionalmente laico, a ultima coisa que eu gostaria de ver era padres nas escolas. Os padres tem que se acostumar ao seu espaco – a igreja, a capela, e o adro. O ‘amor’ nao se ensina, sente-se. Nao ha moral nenhuma, catolica ou outra, que possa vir ensinar, inculcar o amor, as formas de amar, e os preceitos do amor. Sexo por sexo, sexo com amor ou sem amor, devera ficar ao criterio de cada um. Isto desde que ambas as pessoas envolvidas no acto estejam plenamente conscientes do que estao a fazer, desde que nenhuma delas seja forcada a faze-lo e/ou humilhada no processo. Sexo com amor por si so nao evita doencas sexualmente transmissiveis, que vao desde a Sida, a hepatite, a clamidia que leva a infertilidade, ao papiloma virus que se desenvolve em cancro do cervix. Como em questoes do amor cada um sabe de si, uma educacao sexual correcta devera passar sobretudo pela emancipacao feminina. O inculcar nas mentalidades das adolescentes que sexo so quando elas quiserem, sem pressoes sociais, quando se sentirem preparadas, e com preservativo. Aos homens, e educacao sexual passara pela desconstrucao dos mitos da virilidade e masculinidade, e por uma maior responsabilizacao pelo acto sexual. A Igreja, que reze pais-nossos e que ame os outros, de tal forma que nao os condene moral e fisicamente.
terça-feira, novembro 15, 2005
Ainda as culturas
Devido às características da génese da criação da Internet e do caldo de culturas que desde o início lhe deram forma e nela estão enraízadas, pareceu-me que seria uma iniciativa condenado ao fracasso.
A Internet foi moldada desde cedo, entre outras, pela cultura hacker, que, ao contrário da imagem tradicionalmente veiculada pelos media, valoriza os quadros informais de transmissão gratuita da informação, a livre partilha da descoberta e a cooperação em rede.
Obviamente, este modus de acção está nos antípodas da iniciativa do "Público", que apostou no custeamento do acesso à informação. Até hoje, que eu tenha conhecimento, o jornal nunca deu a conhecer o state of art da sua iniciativa. Contudo, a julgar pelos indicadores apurados recentemente por uma empresas de sondagens sobre a Web, o panorama não deve ser muito risonho quanto ao número de adesões à assinatura paga da edição on-line...
A confirmar-se esta tendência (tudo o leva a crer) na assinatura do "Público on-line", não deixa de ser uma pena que o seu director, actualmente tão envolto na destrinça das questões culturais, tenha descurado uma análise mais aprofundada da(s) cultura(s) da Internet...
segunda-feira, novembro 14, 2005
Estranhamente, concordo
http://dn.sapo.pt/2005/11/14/opiniao/a_grande_reforma_universitaria.html
Ele ha coisas...
O último e mais esperado candidato
www.vieira2006.com
domingo, novembro 13, 2005
Liberte, Egalite, Fraternite
Egalite: cidadaos com visto de residencia, com as mesmas obrigacoes que os cidadaos franceses, serao expulsos do pais na eventualidade de infraccao da lei (o que revela direitos substancialmente diferentes);
Fraternite: onde?!
Et vive la Republic!
PS: Qualquer semelhanca entre este tipo de regime republicano e um regime autocratico (daqueles que normalmente acabam por ser bombardeados), e pura coicidencia.
quinta-feira, novembro 10, 2005
A "invenção" dos muçulmanos
Antes da queda do muro de Berlim ser muçulmano era uma coisa diferente. O império soviético veio dar lugar, nas imaginações do "ocidente", ao império muçulmano. O hiper-racionalizado Homem soviético, frito e falho de emoções, veio dar lugar ao irracionalismo religioso do barbudo bombista suicida. E é assim que nos vão contando histórias.
Cromos da Bola
Cromos da Bola, assim se chama o blog no qual dei por mim a reviver lembranças de antigas "glórias do futebol português", sob o patrocínio de espirituosos textos de dissertação a acompanhar. Desde Eskilsson a Zé d'Angola, de Bandeirinha a Folha, de Vata a Vlk, passando por já vetustos players do saudoso Académico de Viseu, como o inquebrável defesa jugoslavo Mirko Soc ou o prolífico avançado brasileiro Marcelo Sofia, sósia de Lionel Richie para os autores do texto, diversas são as referências que nos fazem sorrir acerca de personagens "clássicas" que fizeram história, nem que tenha sido apenas com letra pequena e deixaram recordações a somente alguns, no futebol português.
Eis os cromos da bola
quarta-feira, novembro 09, 2005
Na periferia
Leitura interessante:
http://dn.sapo.pt/2005/11/09/sociedade/aqui_ha_trabalho_malta_para_fora.html
terça-feira, novembro 08, 2005
O Estúpido
O discurso de Fernandes é perigoso socialmente porque a "cultura" não é mais do que uma forma sofisticada de regressarmos ao racismo mais primário e à ideia de que os Homens não depende das condições em que são criados mas de uma qualquer essência cultural que, note-se, nunca é explicada senão através de um conjunto de estereótipos ignorantes sobre o "outro".
Mas a grande discussão por detrás da "cultura" é claramente económica. Atribuindo à cultura a responsabilidade de muitos problemas quotidianos, anula-se qualquer ideia de repensar os serviços sociais do Estado. Ao Estado, deste modo, cabe defender a "boa cultura", o que implica quase sempre a lei e a ordem. Não tendo os problemas uma origem social não há razão para parar a progressiva erosão da participação do Estado social na vida dos cidadãos.
Ensino e mobilidade
http://www.lse.ac.uk/collections/pressAndInformationOffice/newsAndEvents/
archives/2005/LSE_SuttonTrust_report.htm
Nos subúrbios
Estes bairros, muito à semelhança do que se vem fazendo em Portugal, são verdadeiros depósitos de imigrantes e de ‘autóctones’ socialmente excluídos. Para aqui são empurrados os não-desejáveis, aqueles cujo funcionamento do mercado imobiliário exclui das zonas mais centrais das grandes cidades, de terem acesso às mesmas escolas que os desejáveis têm. Nestes depósitos, famílias amontoam-se em andares, esquecidas que estão por se manterem (ou serem mantidas) longe da vista... A integração não passa nunca pela mistura, daí a falácia do ‘multiculturalismo’ e/ou da ‘multisocialização’. Passa sim, pela hipócrita transferência de recursos ‘apropriados’ ao tipo de população residente: uma população ‘especial’, porque afinal trata-se de gerações de segunda e terceira... Apoiam-se assim a criação nestas áreas de centros de recursos ‘multiculturais’, associações de todo o tipo, ONGs e afins. O estado delega a intervenção social num ‘corpo especializado’ da chamada sociedade civil. Este modelo está visivelmente esgotado e claramente não resulta. Sem perspectivas e confinados ao seu bairro, estes grupos de jovens não só se sentem frustrados, aborrecidos de morte, mas também territoriais: o perímetro do bairro e afinal o seu perímetro de vida. Em França, estes jovens FRANCESES, apenas demonstram que existem, que o seu território existe, numa existência diferente...
Por outro lado, há ainda a questão do ‘emprego’ ou do ‘trabalho’. Dizia um luso-francês que em Franca há trabalho, não será como há 30 anos, mas trabalho há. Ninguém quer é trabalho, mas sim empregos. Bom, ‘who can blame them?’. A corrente neo-liberal, estranhamente e talvez inconscientemente apoiada na ‘gouche avant-garde’ pós-moderna e pós tudo, instituiu, e contaminou as mentalidades, a idéia de que trabalho é prazer. Trabalho é vida. Vida é trabalho. Trabalho é diversão, é tudo... Acima de tudo, trabalho é ‘lifestyle’. Um estilo de vida ‘fluido’, ‘flutuante’, ‘informático’, cosmopolitano, cool. Ser trolha não é cool. Ser padeiro, carpinteiro, não é cool. Tanta coisa não é cool. A desvalorização de tantas e tantas profissões tem sido uma constante nos últimos 30, 20 anos. Esta desvalorização é acentuada pelo próprio, e tão celebrado, processo tecnológico, que retira criatividade aos ofícios. Os ‘ofícios’ passam de ofícios a ‘trabalho’, mas trabalhos não-cools. Já não mais se equaciona trabalho a creatividade, ou simplesmente a sobrevivência, ao conceito de ‘livelihoods’ ou modos de vida, que permitem viver não per se, mas viver para outras coisas, outros interesses fora da esfera do trabalho cool. O tal luso-francês tinha um trabalho cool. Daí talvez a sua incapacidade de perceber ‘o outro’, o que vive ‘ali’, no subúrbio...
Quanto vale um blogue?

My blog is worth $20,887.98.
How much is your blog worth?
O nosso não está nada mal cotado. Se houvesse alguém que nos comprasse, como é evidente...
segunda-feira, novembro 07, 2005
Paris
Karagounis
quinta-feira, novembro 03, 2005
Fundamentalismos mundanos da pós-modernidade...
Riquelme
quinta-feira, outubro 27, 2005
A Manta
Em Portugal, graças à liberalização e desregulamentação do sistema financeiro português, e o aumento da concorrência no mercado de crédito, ocorreu uma substancial especialização da actividade bancária na concessão de crédito ao segmento dos particulares.
O aumento do rendimento disponível das famílas e a mudança dos padrões de consumo esteve na génese do crescente endividamento das famílias portuguesas. Sobretudo através do crédito à habitação e do crédito ao consumo de bens e serviços, as principais instituições bancárias já nos habituaram a notícias destas (a julgar pelas supeitas veiculadas dos últimos tempos, a fraude e o branqueamento de capitais também dão uma ajudinha para compor o retrato...).
É aqui que a teoria da manta nos surge útil, pois a mesma teoria preconiza que se se tapa com a manta um lado, destapa-se o outro.
A realidade tem comprovado a teoria da manta, com o nível de endividamento das famílias a superar já, em média (118%), o seu rendimento disponível.
Chega-se à conclusão que no confronto das racionalidades, a racionalidade bancária está a ganhar cada vez mais centímetros de manta, e afirma-se com força crescente, mesmo perante as dúvidas crescentes sobre se os agregados familiares não correm o risco de estarem já excessivamente vulneráveis às alterações das variáveis que determinam a sua capacidade financeira (subida das taxas de juro, desemprego e precarização do emprego, dissolução da estrutura económica de suporte do endividado por divórcio, doença ou morte de um familiar, etc.).
Um dos mais recentes exemplos que tive oportunidade de verificar desta tal racionalidade trata-se do envio, por carta, para o cliente bancário de um cheque já preenchido com um valor determinado para o cliente assim fazer uso dele como bem entender, mediante o pagamento de uma prestação mensal durante 60 ou 84 meses.
Tratando-se de um estratagema deveras acutilante e facilitador do endividamento, quer-me parecer que se a entidade responsável pela regulação da actividade bancária do país, Banco de Portugal, não obviar legalmente estas agressivas formas de assédio ao endividamento, bem pode apregoar a muitos, como São Tomé, para a realização de poupanças, que a julgar pelas evidências estatísticas, a manta vai continuar a cobrir cada vez mais o mesmo lado…
segunda-feira, outubro 10, 2005
segunda-feira, outubro 03, 2005
Amor com amor se paga
Alegre vota em Soares... na segunda volta.
Tão amigos que eles são. E nada hipócritas, já agora.
Fim da Silly Season
sábado, outubro 01, 2005
Teorias da conspiração
2) Fátima Felgueiras é a candidata invisível do PS à Câmara de Felgueiras, aquele concelho que, fruto da boa gestão autárquica, tem 44% da população com saneamento básico. Afinal a senhora sempre saca umas massas para o partido. Deve haver pelo país uma relação inversamente proporcional entre o saneamento básico e o número de Ferraris por habitante.
3) Os Super-Dragões estão bem activos na campanha pela Câmara do Porto.
4) Jorge Coelho é o político mais poderoso do país. O homem e a sua máquina.
5) Os jogadores do Sporting andam a boicotar o Peseiro. Os adeptos da valorosa agremiação leonina preparam-se mais uma vez para destruir o clube. Despeçam o homem que fico contente. Felizmente o país anda tão mau que já não há nada que nos envergonhe no estrangeiro. E a Suécia sempre é um país decente, com uma boa segurança social, florestas viçosas, os Abba, etc
6) Cavaco afinal não se vai candidatar.
7) Santana avança
8) Santana ganha
Chega de férias
quinta-feira, setembro 08, 2005
quarta-feira, agosto 17, 2005
Respondo pelo que Faço
A quem tal asserção lhe parece despropositada e mesmo ridícula, aconselha-se uma visita por estes dias à capital da Beira Alta, Viseu.
Na senda de acompanhar o forte ritmo de jogo imprimido pelo candidato socialista à câmara local, em termos propagandísticos, o actual presidente da edilidade, Fernando Ruas, e candidato a mais um mandato, decidiu responder ao pontapé de saída socialista e avançou com a colocação de cartazes em todo o concelho, sob o slogan “Respondo pelo que Faço!”.
Naturalmente, o dever da disseminação deste slogan por uma miríade de rotundas construídas ao longo dos mandatos pelo candidato fez subir imediatamente as resmas de papel produzido pela Portucel, e os consequentes lucros desta empresa, traduzíveis no aumento imediato da sua cotação em Bolsa.
Deu ainda um impulso fundamental à industria metalomecânica local para o fabrico de barras metálicas de suporte aos mesmos cartazes e conseguiu, simultaneamente, reduzir os números do desemprego, ao presidir à contratação de 12 trabalhadores locais, os quais divididos por dois turnos de 8h tentam assegurar com a maior brevidade possível a cobertura de todas as rotundas com pelo menos um cartaz afixado em redor. Prevê-se que até final do mês de Agosto os seus esforços sejam coroados de êxito.
terça-feira, agosto 16, 2005
E você? Hesitaria?
Imagem A:

Imagem B:
segunda-feira, agosto 15, 2005
Escoteiros
segunda-feira, agosto 08, 2005
Marco e os outros
quarta-feira, agosto 03, 2005
A página arrancada do antigamente
A espera
sexta-feira, julho 29, 2005
Partidos e Media
Para os eleitores indecisos de Lisboa e Porto, será essencialmente na ágora televisiva que se irão dissipar as dúvidas quanto ao sentido de voto no candidato a escolher. Representante maior dos media, a televisão, simultaneamente, é o principal instrumento difusor de informações das nossas sociedades e o campo de batalha principal pelo poder.
Quem está fora dos media, apenas reside num limbo político. Sem os media, e principalmente a televisão, não é possível adquirir ou exercer poder, daí estes se terem vindo a tornar nas últimas décadas o espaço privilegiado da luta política.
Em virtude dos media privilegiarem a comunicação simplificada, o efeito desta convergência traduz-se inevitavelmente na personalização das opções políticas e partidárias, dificultando acesso dos partidos aos media. Os partidos deixam de ser a principal fonte de influência de opinião dos cidadãos, em prol de fontes externas ao sistema político, como os media, e, consequentemente, o fosso entre partidos e cidadãos aumenta.
Com o aprofundamento desta distância, é tanto o exercício de cidadania quanto a vivência democrática que ficam seriamente abaladas.
sábado, julho 23, 2005
Cantona
Num assombro, lembro-me dele e do futebol de eleição que praticava no Manchester United. Já não há jogadores assim: com este carisma, com esta determinação, com esta desenvoltura, com esta elegância. Já não há jogadores deste calibre; jogadores que olhavam para o jogo como um movimento estético que tinha de resultar ou em poesia ou em tragédia. Eric, o homem que corria de cabeça erguida feito locomotiva, de gola levantada e pronto a fintar o adversário que enfrentava, foi provavelmente o último grande jogador do século XX (sim, de acordo, não me posso esquecer desse extraordinário Zidane, mas esse ainda entra no início deste século). Para Cantona, o jogo tinha um mínimo de regras e daí que tudo nele fosse verdadeiramente imprevisível e imponderável.
Cantona treina agora a selecção de futebol de praia do seu país, o que é quase uma despromoção, reconheça-se. Está um pouco mais gordo. Cantona, filho de artistas, também conhecido por Dieu (Deus) ou Eric, o Terrível, nos tempos áureos em que espalhava magia e rebeldia pelos relvados ingleses, era um romântico, um sonhador e um poeta. Vê-lo é como ver um mito. Um mito vivo, que fez do futebol a sua arte e a sua causa. Espero que ele continue igual a si próprio e que seja enquanto treinador o mesmo que foi enquanto jogador: genial, acima de tudo. E espero também que ele nunca mude porque fazem falta ao futebol, os românticos, os sonhadores e os poetas. Como ele foi. Como eu espero que ele ainda seja.
quarta-feira, julho 20, 2005
A Justiça bicéfala
Dois artigos e uma leitura
2 - António Barreto, também no Público (17/7/2005), escreveu, em resposta a considerações feitas por Vasco Pulido Valente, um artigo sobre as elites nacionais. Para Barreto as elites são grupos dirigentes do país que podem assumir várias formas: "Há elites cultas e incultas; autónomas e dependentes do Estado; democráticas ou autocráticas; esclarecidas ou predadoras; activas ou parasitárias; e de esquerda ou de direita." Acrescenta que as elites não se confundem com as classes altas mas normalmente provêm delas. Continua Barreto: "Com a excepção de grande parte dos intelectuais e artistas, assim como de uma porção de políticos, as elites portuguesas são geralmente de direita. E muito dependentes. Precisam do Estado, não da população. Fizeram fortuna, têm negócios, compram e vendem, aprendem e exprimem-se graças ao Estado, não à população ou a si próprios." Barreto não poupa também o que chama de elites de esquerda, embora, pela sua posição social, lhes atribua menos responsabilidades.
Claro que podemos contestar a linha de divisão entre esquerda e direita proposta por Barreto. Concordemos, porém, que é o capital económico que genericamente domina a elite de um país com uma economia liberalizada.
É este capital económico, vastamente ignorante, 500 vezes mais parisitário e nocivo do que qualquer funcionalismo público pretensamente preguiçoso, capital incompetente (no sentido das próprias leis de mercado e da concorrência), que escapa praticamente incólume ao sacrifício do défice. Temos uma classe política autónoma, minimamente independente do poder económico? Não. Como se costuma utilizar na gíria do futebol, estamos sempre a beneficiar o infractor.
terça-feira, julho 19, 2005
Sai Tomasson, entre Pandiani
Lavar a alma...
Entretanto, não muito longe daqui, o eng. Sócrates, que não leu nem conhece Maquiavel, prepara-se, sorrateiramente, para lançar nova vaga de austeridade lá para Outubro, de preferência depois de perdidas, por pouco, as eleições. Já nada espanta. Os sinais contraditórios já são tantos, que toda a gente está resignada, mesmo que ministros e primeiro-ministro falem linguagens diferentes e nada incomode verdadeiramente as criaturas, embrenhadas num animalesco carnaval de asneiras, de demagogia e da pior espécie de ruído.
Também ao longe, saindo do intenso nevoeiro, um novo D. Sebastião toma forma e ganha peso. Adoptou aliás táctica já por si municiada (com relativo insucesso): a do tabu. Cavaco, esse homem luminoso, esse profeta, que nos fez entrar a Europa casa adentro e que forjou o novo indígena (como foi brilhantemente descrito por Vasco Pulido Valente), é o senhor que se segue. Provavelmente, por dez anos. Por dez longos anos.
Ao olhar para isto, pergunto-me, que futuro nos resta? Quanta desilusão é possível aguentar? Bem sei que o calor (e esta maldita humidade) aperta, mas já nem um banho de mar me lava a alma ou me dá alento. Estou cansado. Hoje sinto-me cansado.
quarta-feira, julho 13, 2005
Sitiada em Manchester
terça-feira, julho 12, 2005
segunda-feira, julho 11, 2005
olhó comboio
A alma lusitana descodificada
sexta-feira, julho 08, 2005
Golfe
Quando se lê que o Golfe é a modalidade desportiva que denuncia a maior percentagem de casos postivos de doping (1,67% de casos positivos), conquanto possua um baixo índice de controlos efectuados, superando as violações dos regulamentos anti-doping do Atletismo, Ciclismo e Halteriofilismo, o espanto assola-nos de imediato o espírito sobre os caminhos da verdade desportiva na contemporaneidade!
Por que carga de água se dopam os golfistas? Para darem as tacadas com mais força? Para andarem pelos greens mais depressa? Para saltarem mais alto as vedações dos campos para irem buscar a bola quando esta excede os limites do campo?
Como alguém costuma dizer, enfim, só coisas que me atormentam!
quarta-feira, julho 06, 2005
O arrastão do cimento
segunda-feira, julho 04, 2005
A internacionalização do político português
Monteiro superstar
Índice de asneira
Há que considerar o Expresso.
O Sr. Vieira
Se houvesse um índice que medisse a quantidade de asneiras que saem nos jornais, não havia quem batesse os jornais desportivos.
domingo, julho 03, 2005
Os liberais
quinta-feira, junho 30, 2005
O Adeus de mais um Resistente
Emídio Guerreiro
A aquisição
quarta-feira, junho 29, 2005
Bem prega Frei Tomás...
Mais papista que o Papa
No Parlamento Regional, um deputado do PS pavoneia-se em loas às famigeradas medidas apresentadas por Sócrates para combater o défice e colocar na ordem as contas do país. A sua intervenção incide essencialmente no fim de algumas regalias, há muito instituídas, dos funcionários públicos e no anúncio da austeridade e de uma espécie de nova ditadura que transforma tudo em números., em índices e em estatísticas. No caso em particular, Ricardo Freitas, o deputado em questão, referia-se ao congelamento das progressões automáticas nas carreiras e à passagem da reforma para os 65 anos, entre outras coisas (como o extraordinário aumento do IVA) que têm o objectivo supremo e ignóbil de culpar os suspeitos do costume.
Tudo muito bem. Nada que não se esperasse de um parlamentar da bancada que tem a mesma cor partidária do governo da República e que faz do seu discurso uma tentativa, vã e efémera, de legitimação da actual acção política de um executivo há demasiado tempo à deriva.
Mas o extraordinário nisto tudo, e espantem-se, é que o referido deputado é, para além de deputado pelo Partido Socialista, presidente do Sindicato Democrático da Função Pública na Madeira. Isso mesmo, leram bem: presidente do Sindicato da Função Pública na Madeira. Ora, neste cenário absurdo, não estaremos perante um caso gritante de incompatibilidade política? Como se sentirão os associados deste sindicato ao verem um presidente que não os defende e que não é com eles solidário? É para isto que servem os sindicatos? Bem fez Roberto Almada, deputado pelo Bloco de Esquerda, ao anunciar no hemiciclo que ia cessar imediatamente a sua inscrição neste sindicato e distribuir cópias do referido discurso pelos trabalhadores do mesmo. Se eu fosse sindicalizado, faria o mesmo.
segunda-feira, junho 27, 2005
A Ritinha e as amigas
Se o blog é insuportável, ao menos poupa-nos a visão da criatura. Já na televisão constatei o que seria se esperar. Uma menina muito Fashion como convêm, que vive em Madrid, e de vez em quando vem ao Portugal dos pequeninos visitar a família. Sim porque Portugal é chato, demasiado cinzento, machista, pequenino para a criatividade e inteligência da ritinha. Pela minha parte mandava as Ritas, as Martas, as Margaridas, e todas as “betinhas” que se acham escritoras para um gulag na Sibéria. Já é difícil fazer programas sobre livros. Já é complicado ler certas coisas. Agora aturar esta gente é impossível.
P.S – Não esquecer o papel muito “pedagógico” da editora Oficina do Livro, que pública a grande maioria das alarvidades que estas senhoras escrevem.
O regresso de Mohammed Saeed al-Sahaf

Ele fez história. E deixou seguidores:
Kumba Ialá garante que não perdeu as eleições.
A dupla Daniel Oliveira/Ana Drago garante que não houve arrastão e que os assaltos na praia de Carcavelos foram provocados pelo pânico de uma carga policial.
Saddam Hussein garante que ainda é presidente do Iraque.
Eu, perante o delírio, não garanto nada.
domingo, junho 26, 2005
Os populistas também se abatem
O Dr. Carrilho medita por isso profundamente. E medita profundamente à procura de algo que evite o naufrágio que as sondagens prometem. Por um lado, pode fugir (desistindo); e por outro, pode deixar-se ir de fantasia em fantasia até à estocada final (candidatando-se). Dê por onde der, um e outro caminho adivinham o fim do mito e são a prova provada que os intelectuais populistas também se abatem.
Um projecto
quarta-feira, junho 22, 2005
Sempre a abrir
O mundo do futebol é mesmo extraordinário. Depois de ter sido dado como certo em cinco ou dez clubes (incluindo o Inter e o Real Madrid), eis que afinal Luisão vai ficar no Benfica até 2011.
Em termos de surrealismo ninguém bate os jornais desportivos. E, arrisco, no ridículo também não.
Football Club United of Manchester
Tornado o clube mais rico do planeta na década de 90, e historicamente expoente máximo da globalização da indústria futebolística, o United tornou-se recentemente alvo de atracção por parte daquele multimilionário norte-americano, o que não sendo uma novidade nos dias de hoje, distancia-se ainda assim de casos semelhantes, como o Chelsea, por ter sido accionado por parte de um indivíduo garantidamente sem qualquer vínculo emocional ao jogo ou ao clube. Creio ter sido a partir daqui que boa parte da revolta se instalou entre os adeptos dissidentes.
Ao invés do que sucedeu com o Chelsea de Abrahamovic, por exemplo, um clube de bairro, habitualmente arredado de feitos de relevo alcançados nos relvados, que não desperta grande fervor na velha Albion, o United é um clube com expressão por toda a ilha, recheado de proezas futebolísticas ao longo do seu tempo de vida e detentor de um rico historial de atletas célebres, alguns deles a quem a vida foi tragicamente ceifada nos céus de Munique.
A sua eclosão primordial deve-se à vontade de um grupo de trabalhadores dos caminhos de ferro, operários ferroviários, que no século 19 viam no jogo uma forma não violenta de enfrentar de igual para igual a agremiação das elites locais, o City. A marca genética do clube em termos do perfil social dos seus adeptos de base manteve-se com o correr dos anos, não obstante as necessárias nuances introduzidas pela crescente popularidade nacional e internacional do mesmo.
Sabiam os adeptos que o clube era comandado por dirigentes que, apesar da pretensão de progressiva mercantilização da marca e obtenção de lucros, o United continuava a ter à sua frente indivíduos, se não todos, pelo menos alguns, que além de deterem uma visão estratégica do clube como instrumento de receitas globais, possuíam simultaneamente uma adesão emocional incondicional ao clube.
A circunstância de Glazer ser originário de um país que não possui uma tradição histórica no jogo, de nunca ter partilhado a memória colectiva de vitórias, derrotas e tragédias que formatou muitos dos fãs do United, e de provavelmente subestimar esse passado em prol exclusivamente da rentabilidade financeira do seu investimento, terá sido uma gota de água muito grande para a imagem dos ideais de agremiação clubística que seriam intocáveis aos 2600 antigos adeptos do United.
A ver vamos se em breve serão seguidos por outros adeptos, numa tentativa de recuperação da pureza perdida do jogo.
terça-feira, junho 21, 2005
Novos axiomas
“Os institutos de sondagens tornaram-se, nos dias de hoje, os adivinhos dos tempos antigos que lêem os inquéritos de opinião com a gravidade com que os seus predecessores interpretavam as entranhas das galinhas.”
Fareed Zakaria, “O Futuro da Liberdade”, Gradiva
Professores
Os professores esquecem-se, claro, que Portugal é dos países que mais gasta em educação per capita (e dos que piores resultados tem) e que os professores, comparativamente à Europa desenvolvida, são das classes que melhor recebem. Tudo isto parecem pormenores irrelevantes. Aliás, calmamente ignorados por todos.
Do alto da sua sapiência, e da mais abjecta demonstração corporativa, demagógica e de duvidosa ética, os professores ameaçaram e ameaçam faltar aos exames, testes e outros derivados. O Ministério está numa posição de força e não quer ceder perante a chantagem e outros nomes feios. Pelo meio lixa-se o mexilhão, que é como quem diz lixam-se os alunos, que só por acaso são a parte mais interessada no assunto, factor convenientemente apagado pelos doutos cultos que ensinam as nossas criancinhas.
Fica a lição desta gente ilustre e mais este gentil ensinamento às gerações futuras: não podes vencê-los? Podes sempre lixar a vida de outros que nada têm a ver com o assunto. Nem mais.
sábado, junho 18, 2005
Cunhal, o Álvaro, Cunhal o homem
De Cunhal como ser humano, no total pouco sei. Bateria na mulher, como se diz de Einstein, assumido pacifista? Não faço a mínima ideia. Se estivesse em Lisboa teria ido ao seu funeral. Não por ser Cunhal, o Álvaro, mas o homem, como tantos outros, complexo. Iria pois celebrar uma vida de luta contra um regime opressor, uma tenacidade de sobrevivência em nome da liberdade, qualquer que fossem os moldes em que Cunhal, agora o Álvaro, pensou essa liberdade. Sair à rua no seu funeral é celebrar não uma vida, mas tantas outras anónimas, que nos permitem hoje usufruirmos do impensável há 30 anos atrás. E é precisamente na celebração de tantas outras vidas anónimas de tantos outros seres humanos de excepção, que reside o meu contentamento de ver tantos e tantas a seguirem, de cravo na mão, a carreta funerária de Álvaro. Muitos daqueles que foram entrevistados pelas televisões tinham também eles histórias para contar. Estas histórias fazem a História, e esta deverá narrar o colectivo. Celebravam-se pois a si próprios, às suas vidas. Celebrei também eu nesse dia a vida de Fernandes, meu bisavó, que organizou a primeira greve em Portugal de estivadores no Porto de Leixões e que por isso foi bater com os costados ao Aljube, agravando assim a pobreza da sua vasta prol que sempre o apoiou e compreendeu a sua permanente indignação. Assim o seguiu, uma vida também tantas vezes na clandestinidade, por esse Portugal a fora, de onde sempre se recusou a sair. ‘Prendem-te o corpo mas nunca o pensamento’, dizia.
O funeral de Cunhal foi para mim a não celebração do mito, mas do homem que como outros, e de uma vida, que como tantas e tantas outras, também elas de excepção, lutaram pela libertação da liberdade enclausurada pela ditadura. A ser símbolo, que esse dia seja o símbolo do colectivo, de bravas gentes que eu quero acreditar que ainda existem. Que não seja mito. Os mitos elevam-se à condição de sombras nas cavernas, das sombras geram-se dogmas, e os dogmas sim, não aprisionam os corpos (quando não...) mas quase sempre o pensamento...
sexta-feira, junho 17, 2005
Títulos e manchetes
Selecção do “lê-se” da parte desportiva do Diário de Notícias do Funchal de 17 de Junho de 2005
“Benfica recusa 7 milhões da Juventus por Miguel” – O Jogo
“Não peçam a lua por mim” – Miguel em declarações à imprensa italiana, citadas por O Jogo
“Quero experimentar outro campeonato” – Miguel (Record)
“Sporting não vende Enak ao Dínamo por seis milhões” – O Jogo
“Empresário diz que jogador ficou furioso” – Idem
"Enakarhire não deseja jogar no Sporting" - A Bola
“O presidente disse bobagens sobre mim” – Luís Fabiano sobre Pinto da Costa (O Jogo)
“Koeman quer matulões” – Record
“Benfica vota contra sorteio dos árbitros” – Record
“Vai ser craque” – Ronaldinho Gaúcho sobre Anderson (A Bola)
O mundo do futebol é cada vez mais surreal.
O trolha de Portugal
Na televisão pode-se tudo. Há muito que batemos no fundo.








