quinta-feira, dezembro 29, 2005

O que seria se o Superman fosse africano...

"O regresso do Super-Homen, ao grande ecrã, está marcado para o mês de Junho de 2006. A Warner Bros já revelou que Brandon Routh vai ser o actor que irá substituir o falecido Christopher Reeve. As gravações já começaram, na Austrália, e o facto de o actor, de 26 anos, ter o órgão sexual grande de mais está a causar problemas aos produtores do filme. Segundo o site Entertainment Wise, como o fato do Super-Homem é muito justo ao corpo, os produtores estão a pensar em usar tecnologia digital para suavizar o pénis de Brandon".

Jornal Tribuna de Macau

sexta-feira, dezembro 23, 2005

barcos gregos

O país anda distraído com as presidenciais, cuja campanha tem um nível ligeiramente mais elevado do que os reality shows da TVI. Sócrates deve estar satisfeito. Entretanto as estatísticas, imperiais, vão dando mostras do percurso da nossa modernização. Portugal nunca deixou de ser um país de emigrantes. O facto de agora recebermos muita gente parece ter ocultado essa permanência. A emigração voltou, no entanto, a crescer. Não se trata de uma emigração qualificada, mas a mesma de sempre, a da pobreza, originária em grande parte da região norte do país.
Cantavam os Xutos, no auge da sua criatividade: "Já estou farto de procurar Um sítio para me encaixar Mas não pode ser Está tudo cheio, tão cheio, cheio, cheio Mas o que é que eu vou fazer Eu vou para longe, para muito longe Fazer-me ao mar, num dia negro Vou embarcar, num barco grego Falta-me o ar, falta-me emprego Para cá ficar Já estou farto de descobrir Tantas portas por abrir Mas não pode ser, é tudo feio, tão feio, feio Mas o que é que eu vou fazer"

domingo, dezembro 18, 2005

Clubite II

O escândalo continua. Mais uma vez, de forma desassombrada, sem o respeito devido a uma centenária instituição, o Benfica foi dramaticamente prejudicado pela arbitragem. O sistema não dorme, as suas forças trabalham nas trevas. Penalties contei dois. E a conta é feita por baixo, que é para não haver dúvidas. Mas o mais trágico foi mesmo o lance do golo do Benfica. Foi visível, para toda a gente, que o nosso jogador Luisão foi brutalmente agredido pelo guarda redes da equipa adversária. Reparem com justiça na imagem e observem o modo como a fronha ameaçadora e peluda do guarda-redes daquele clube brasileiro da Madeira embateu com violência desmesurada no braço terno e honesto de Luisão, provocando-lhe inúmeras contusões que lhe podem ficar para o resto da vida (consta que o homem nem dormiu bem esta noite e que se levantou às 3.25 da manhã para escrever o testamento não vá, como se espera, a situação piorar). Perante esta barbaridade, que fez o juiz? Nada. Deixou a jogada decorrer até ao fim e nada. Já não digo que irradiassem o homem do Nacional do futebol, mas pelo menos que o suspendessem por uns anos. Mas não; nem um amarelo levou. Com estes exemplos não se admirem que as crianças de hoje se tornem os terroristas de amanhã, que se expludam em estações de comboios e que ponham etnias inteiras em câmaras de gás. Uma vergonha.

Clubite I

Um dos grandes problemas da esquerda portuguesa é a clubite. A clubite, como fenómeno global, manifesta-se por várias razões. É útil para manter relações pessoais. Partilham-se conhecimentos e opiniões, alimentam-se inúmeras discussões, perde-se tempo, reforça-se espírito de grupo, ganha-se sentido de vida pelo reconhecimento do adversário (sem o qual a vida era bastante mais aborrecida). Quase que é possível dizer que a clubite à esquerda é uma espécie de estilo de vida, organizado tribalmente. Mas há outro lado, bastante mais trágico. A clubite política, como as clubites em geral, é quase sempre irmã do desconhecimento, da imparcialidade, da incapacidade de fazer propostas e de discernir quem são os verdadeiros adversários e quais os seus métodos. Sobretudo em relação à elaboração de propostas, algo que exige uma análise do real - e dá trabalho e actualização - a clubite é cega. A clubite não é outra coisa senão a imagem da incapacidade. Num contexto da pequena política, a opinão da clubite não é, por vezes, falha de razão, conseguindo fazer críticas acertadas e justas. Mas a esquerda não pode continuar a entreter-se com a pequena política. Não é apenas uma questão de justeza, é uma questão de opções. Mas é a esquerda que vamos tendo.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Mais um debate

Era o debate presidencial entre os candidatos da área ideológica com que mais me identifico, e, à priori, mais uma boa oportunidade para os dois candidatos esgrimirem perícias. Todavia, o que ressalta evidente no final de mais uma jornada de debates, à imagem das jornadas anteriores deste campeonato presidencial, continua a ser a distorção sobre a suposta importância decisiva da eleição que se avizinha para o futuro do país e dos portugueses.
Quanto mais realce se dá à audição dos candidatos, mais se constata à ilharga a impotência que mesmo uma figura central de topo de um país está votada, tal como se configura a actual organização económica, social e simbólica do planeta. Tal impotência não é determinada pelo asséptico modelo de debate, mas pelas visíveis mãos atadas de todos os candidatos, uns mais presos a crenças doutrinárias vetustas do que outros, perante o destino e o presente que lhes foge e não conseguirão controlar.
Esse presente é o presente dos fluxos. Os fluxos de capital, fluxos da informação, fluxos da tecnologia, fluxos de imagens, sons e símbolos. Mais do que um elemento integrante da nossa organização social, esses fluxos são a expressão dos processos que dominam a nossa vida económica, social e política.
Num presente marcado pelos circuitos electrónicos (microelectrónica, telecomunicações, processamento computacional, sistemas de transmissão e transporte em alta velocidade), onde os lugares não desaparecem, mas a sua lógica e o seu significado são absorvidos em rede, rede essa que conecta lugares específicos com características sociais, culturais, físicas e funcionais bem-definidas, através de cidades globais, são as elites globais que dominam.
O problema é que a articulação de tais elites é global e são essas elites que por intermédio da rede constituída pelos sistemas de processos da economia global, especialmente os do sistema financeiro, que estabecelem e reorganizam as práticas sociais dominantes. Perante este espaço de fluxos, não há Presidente da República que consiga ter poder e autonomia para impor vontades e futuros para os cidadãos do seu país.
Quem não se ligar aos nós de ligação dessa rede e não conseguir que os seus interesses sejam representados dentro da estrutura desse espaço de fluxos bem pode debater incessantemente, que o seu futuro não será deveras risonho....

quarta-feira, dezembro 07, 2005

DN 07-12-005: Barroso perde o ponto

Num artigo publicado hoje no DN, José Manuel Barroso procura desconstruir a influência laica dos Estados Europeus reabilitando, por assim dizer, a influência do Cristianismo no Velho Continente. Infelizmente Barroso perde o ponto porque confunde duas coisas importantes: filosofia ou fundamentos filosóficos com religião e práticas religiosas. A influência helênica sobre a constituição da sociedade Europeia tal como a conhecemos hoje nunca foi confundida com a religião helênica, centrada nos 12 deuses do Olímpio e no Panteão dos demônios e heróis. Do mesmo modo, não deverão ser confundidos os princípios filosóficos do cristianismo com a decorrente prática religiosa. Estas duas influências convergiram fundamentalmente na emergência do raciocínio dedutivo e da(s) Lei(s). Estes dois elementos, ironicamente, foram fundamentais para a própria construção de uma Europa laica.

terça-feira, dezembro 06, 2005

Os poderes do presidente

Não sendo propriamente o incrível Hulk, nem o Homem-Aranha, nem tão pouco o Batman ou o Super-Homem, o presidente português tem os poderes que lhe são consagrados pela Constituição. A coisa é tão clara que a discussão nacional sobre o assunto, que nenhum jornalista se coíbe de introduzir em debates e entrevistas, é inútil. O presidente não pode legislar, não tem governo, ministérios nem secretarias de estado. Não gere orçamentos. Pode vetar leis, enviá-las para o Tribunal Constitucional. Em caso disso, e este disso é avaliação relativamente subjectiva, pode dissolver o Parlamento. Pode fazer comunicações ao país, reunir com o governo, partidos, sindicatos, igrejas, etc. Pode fazer "presidências abertas". Mais do que tudo, tem um poderoso poder de intervenção mediática, o que lhe garante uma influência eleitoral considerável, isto, claro, se aquilo que disser não for apenas percebido por 5% dos portugueses, como foi timbre das intervenções públicas do actual titular do cargo. Nesta campanha eleitoral, se algum dos candidatos dá a sua opinião sobre uma questão concreta: o desemprego, o défice, a segurança social, logo lhe perguntam se isso não é matéria de governo? É, no sentido da execução legislativa, não o é, porque um presidente tem que ter ideias sobre as matérias que preocupam o país, tendo inclusivé o dever de as expressar.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

O Juíz decidiu, tá decidido

Depois da celeuma no ano transacto levantada o Ministério Público (MP) do Tribunal Judicial de Viseu arquivou o processo de inquérito à exposição do livro polémico - "As mulheres não gostam de foder" - na montra da livraria das Edições Polvo, em Viseu.
No despacho de arquivamento, o procurador do MP, além de alegar a inexistência de matéria para sustentar uma eventual irregularidade, lamenta a controvérsia que surgiu em torno do ensaio sexual em banda desenhada, do espanhol Alvarez Rabo, admitindo que, se porventura o autor da obra tivesse o peso e a importância literária de um Lobo Antunes (que escreveu "Os cus de Judas") ou Miguel Esteves Cardoso (que editou "O amor é fodido"), a contestação não teria tido lugar.
Depois disto fica a sugestão aos livreiros das Edições Polvo: Colocar na montra da livraria as três obras em exibição lado a lado.

domingo, dezembro 04, 2005

Outra vez

No prosseguimento de justas análises sobre o momento futebolístico português que têm brindado aqui o nosso espaço de conversa, venho protestar pelos acontecimentos desta jornada. Mais uma vez, as forças negras e ímpias que há muito dominam o futebol português congeminaram ardilosamente para prejudicar o glorioso SLB. Quem beneficiou com tal empresa? Os mais directos e históricos adversários do clube da águia. Senão vejamos: ao Sporting foi-lhe perdoado pelo menos um penalty, além de ter sofrido um golo limpo que foi mal anulado. No jogo do F.C. Porto, a mesma coisa: perdoaram-lhe um clara grande penalidade e o valoroso adversário dos dragões marcou um belo tento prontamente anulado pelas forças ocultas. Isto é, em vez de ganharmos três pontos aos directos adversários só conquistamos 2, depois da vitória contra aquele clube brasileiro do Funchal. Um escândalo.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Um Plano Tecnológico no país do ‘eu é que sei’

Saiu o tão esperado Plano Tecnológico do governo. Foi com uma certa apreensão que li o documento. Este é sem duvida um momento importante. Trata-se da iniciativa mais séria e importante que um governo alguma vez encetou para despoletar, finalmente, o desenvolvimento economico e social do país. Sempre pensei que este seria um passo arriscado, daqueles que embate em constantes pedras que obstruem o caminho. Pedras conservadores, pedras sem visão, pedras pouco criativas, ou pedras simplesmente pedras. Recordo-me de um encontro com João Sentieiro, do Ministério para a Ciência e Tecnologia, em que eu chamei a atenção para o facto de muitos cientistas portugueses, cuja formação é paga pelo Estado (i.e. impostos dos cidadãos portugueses), não terem a oportunidade de regressarem a Portugal para exercerem ciência. A isto o senhor respondeu que era um orgulho ter Damásios espalhados pelo mundo... Bom, ciência não é propriamente futebol e nos EUA poucos sabem que é o Damásio... Cientistas, nos países que realmente investem em ciência, são trabalhadores como quaisquer outros, e não vedetas-tipo-perús-inchados, como em Portugal. E aqueles que sabem quem é Damásio, consideram-no norte-americano, uma vez que esta é a sua nacionalidade, legalmente impressa no seu passaporte. Portanto, publicado o Plano Tecnológico, reservei um tempinho para o ler. Para já, li o relatório duas vezes e... Parece-me bem. Independentemente da quizília entre o Ministro da Ciência e da Economia, e que terá levado à demissão de José Tavares, o relatório é um documento estruturado e bem redigido (i.e. de uma forma simples e acessível, sem a normal verborréia própria dos acadêmicos do burgo). As medidas propostas funcionam em articulação e baseiam-se numa perspectiva holística do desenvolvimento tecnológico do país. Existe uma preocupação com a qualificação inter-geracional, propondo-se medidas de requalificação da população activa em simultâneo ao reforço do ensino básico. É reforçada a idéia e a intenção de expandir e melhorar as escolas tecnológicas e profissionais que qualificarão os alunos que não desejam seguir uma carreira universitária. Por outro lado, procura-se criar a ponte entre a investigação cientifica nas universidades e politécnicos, e a iniciativa privada, atraindo-se fundos para projectos de pesquisa até agora 100% financiados pelo Estado, ou simplesmente não financiados. Dois pontos a discutir mais demoradamente são:

a) o compromisso feito pelo Estado em apoiar a investigação na área do desenvolvimento de armamento, no contexto dos compromissos assumidos por Portugal na NATO. Ora, isto merece, quanto a mim, explicações muito claras, nomeadamente explicações de principio (será correcto o envolvimento do país neste tipo de actividade cientifica?) e econômico (i.e. qual a percentagem de investimento público que será devotada a este tipo de investigação, ou ainda, e justificável este tipo de envolvimento quando estruturas prévias de investigação nesta área são inexistentes).
b) até que ponto o Estado reconhece que certos ‘tipos’ de ciência não apresentam um grau de rentabilidade e comercialização tão elevado quanto outros. Isto porque são ramos científicos que poderão, nomeadamente, requerer mais tempo para a aquisição de aplicação prática. O reconhecimento do Estado nesta matéria e essencial pois à medida em que certos ramos científicos poderão começar a ser, gradualmente, co-financiados pela iniciativa privada, outros – nomeadamente aqueles não-rentáveis – deverão ser cada vez mais apoiados pelo Estado.

Um debate mais de detalhe, e construtivo, deverá então passar fundamentalmente pela a discussão dos dois pontos acima referidos. Um debate não construtivo é aquele que simplesmente corta a discussão pela rama. Estes são os debates do ‘eu é que sei’, e portanto ‘isto está tudo mal’. Está mal porque por principio a ciência não deverá ficar nas mãos da iniciativa privada, logo, não há pé para discussão. Bom, há sim senhor. Basta assegurar que o Estado seja sempre co-financiador, e assegurar sobretudo e legalmente, a independência intelectual e os direitos dos cientistas, bem como os direitos do Estado (óbvio que juntamente com os direitos da entidade privada também investidora) sobre a utilização ou produção de qualquer produto cientifico que sirva os interesses da população (exemplo: a produção da vacina contra a gripe das aves, se descoberta). Ou seja, sempre que o interesse público assim o justifique.
Debates não produtivos são também aqueles das associações de empresários-tipo-Vale-do-Ave, de indústrias pré-segunda revolução industrial, que vêem dizer que não se revêem no dito Plano Tecnológico e que não foram sequer ouvidos. Eh... Alô!!! Realmente a qualificação dos recursos humanos e a requalificação da população activa não se afigura vantajosa para estes empresários que vivem da produção de contrafacção, trabalho infantil, e trabalho feminino pouco ou nada qualificado. É óbvio que o Plano Tecnológico lança o repto a este tipo de indústrias: o desenvolvimento de um pais é colectivo e não sectorial. Se a mão-de-obra tem que se adaptar às existentes actividades economicas, estas terão de se adaptar também a uma mão-de-obra mais qualificada, reflexiva, e exigente.
A minha maior preocupação relativamente a este Plano concerne à sua implementação: como será que a burocracia do Estado vai articular a implementação deste ambicioso Plano? No país do ‘eu é que sei’, a resposta a esta questão é uma caixinha de surpresas... Na maioria das vezes, pouco agradáveis...
Mas seria bom que houvesse um debate mais aberto, que as pessoas realmente lessem o documento, e que construtivamente se lançassem mais idéias em praça publica, num ambiente de saudável discussão, ao invés de um ambiente marcado por ‘eu-é-seis’ ressabiados que raramente e quase nunca apresentam ideias. Se calhar talvez porque não as têm...

terça-feira, novembro 29, 2005

Chef

O indivíduo entrava nas habitações, durante a noite e, quase como ponto de honra, "matava a fome". Não raras ocasiões, de acordo com as autoridades, terá mesmo ido a ponto de confeccionar as refeições, usando os ingredientes e a cozinha alheios. Depois de alimentado, "aproveitava" para assaltar essas mesmas residências, levando tudo quanto pudesse e lhe parecesse valioso.

Com a carência de "chefs" no país capazes de aguçar o paladar dos portugueses a preços em conta, aprisionar versáteis cozinheiros não creio que seja a solução. O homem ainda por cima "limpava" tachos, panelas e muitos outros objectos de cozinha que o comum dos mortais não tem paciência para limpar e desengordurar no final das refeições...Gente mal agradecida é o que é.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Estupidez e retardamento mental é...

Quando certos políticos vêem dizer que só um sistema presidencialista poderá tirar o país da crise...

Populismo é…

Quando num Estado constitucionalmente laico o governo manda, e muito bem, que se retirem os crucifixos das escolas e instituições estatais, e os políticos em campanha eleitoral, à falta de idéias pertinentes, fazem disto um cavalo de Tróia...
http://www.geocities.com/republaicidade/index.html

A UE, a PAC, e a nova 'guerra' franco-inglesa

O impasse da União Europeia (UE) era esperado. O problema é a forma como a questão está a ser colocada: a nova guerra entre o Reino Unido (RU) e a França. O RU quer diminuir o peso dos gastos com a PAC (Pacote de Agricultura Comum) nos impostos dos cidadãos Europeus. Segundo o governo britânico, o sector industrial nunca foi tão fortemente subsidiado e por isso mesmo, assim vai o argumento, soube adaptar-se ao dinâmico mercado global. Este argumento é coerente com a política britânica e a sua tendência patogenica para a liberalização dos mercados, independentemente das consequências adversas que daí poderão advir. O moto é: se singrares tudo bem, se não singrares paciência... Do outro lado da trincheira temos a França, a economia mais subsidiada do conjunto dos paises ditos desenvolvidos. A França recusa-se inclusive a negociar uma pequena redução na PAC. Afinal, o coutryside francês mantém-se prístino, inalterado, e rico porque subsidiado. Christine Legarde, a ministra francesa para o comercio com o exterior, defende, num tom arrogante e cínico, que a importância de uma agricultura subsidiada é a de sabermos a origem da comida que temos no nosso prato e a preservação da identidade cultural francesa. Ao ouvir a senhora falar fiquei com a sensação que a França realmente não se enxerga! Ter o desplante de dizer tal coisa quando os paises mais pobres da UE são forçados a desmantelar o seu countryside, obrigados a parar de cultivar certos e determinados produtos, diminuindo assim a variedade das culturas em seu território nacional, com todas as consequências ambientais que daí advêm! O que a França não percebe é que a UE não existe para a servir e que os direitos deverão ser iguais para todos. O RU entende que os direitos deverão ser iguais para todos mas sobre uma perspectiva cruelmente neo-liberal. Esta ‘guerra’ no interior da UE deveria opor os pequenos paises da União às chamadas economias fortes. O paises menos desenvolvidos da União deveriam exigir uma maior igualdade de qualidade vida. Sim porque o que se passa em França é que enquanto na Roménia e em Portugal os camponeses emigram para limpar as latrinas dos franceses, os camponeses franceses passam o dia a cheirar vinho e queijo sponsored by the EU... Esta igualdade passa ainda por uma reforma das instituições Europeias, uma maior democratização destas mesmas instituições a par da sua desburocratização, limpando das suas secretarias centenas de burocratas cuja a única utilidade é a de aumentarem o trafego aéreo... A guerra que opõe o RU a França opõe dois pontos de vista errados. O único mérito do RU é obrigar os paises da União a repensarem a estrutura política e económica da mesma. É talvez uma oportunidade de ouro para os paises mais fracos se unirem e aproveitarem a luta dos Golias para forçarem, finalmente, a integração das suas reivindicações.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Pacheco Pereira, just do your homework & have a port...

Começo a ler o artigo de um homem aflito, em que a tinta discorre letras num turbilhão. Se me concentrasse apenas na forma e não no significado de tais símbolos, pensaria estar a ler um artigo de um evangelista do sétimo dia, que escreve que o mundo afinal terminara ao sexto, e que o sexto e já amanha... Mas não. Estou a ler um artigo do Jose Pacheco Pereira (JPP), no Publico. E JPP esta realmente aflito. Aflige-se ele com as declarações de Freitas do Amaral em relação a resistência do Reino Unido em fazer passar o orçamento Europeu. Teatralmente escreve JPP que estas foram “as mais violentas acusações que qualquer governante europeu da EU fez contra outro governo da EU”. Chocado, JPP, que deve ter escrito o artigo ainda de queixo caído, afirma que Portugal alienou um dos seus maiores aliados. Bom, que dizer... JPP do your homework... Em primeiro lugar, nenhum jornal britânico focou o assunto. A celeuma levantada por JPP, que toma as dores do Reino de Isabel, não se verifica por cá, nem a Isabel esta com dores algumas. Isto espelha exactamente o respeito e a importância que a Inglaterra atribui a Portugal, pais que certamente não considera como o seu melhor aliado. A estratégia do Reino Unido (RU) passa pelas boas relações com os paises do Leste, esses sim, seus aliados preferenciais, uma vez que estes paises se mostram mais favoráveis a política dos EUA. Ser a ponte entre os dois continentes e o que o RU ambiciona. Mediar, ser um player no trafico de influencias políticas internacionais e, sem sombra de duvida, o papel que o RU quer para si, na Europa e no Mundo. Portugal não interessa. O vinho do Porto faz parte do comercio livre e têxteis já os ingleses não produzem. Portanto...
Em segundo lugar, se bem que concorde com a pressão que o governo britânico exerce sobre os interesses instituídos da Franca e da Alemanha no conjunto da EU, concordo também que a diplomacia Portuguesa não tem necessariamente de ser sinônimo de servilismo. Declarações agressivas são comuns em negociações. Fazem parte do jogo. Quem vê Mandelson a negociar com certeza que não chamara aquilo de diplomacia, mas mais de bullying. Ou então basta lembrar a conferencia de imprensa do ministro dos negócios estrangeiros brasileiro após as negociações entre a EU e os representantes dos paises em vias de desenvolvimento sobre o comercio e agricultura. Luiz Fernando Furlan disse na altura que ou o seu inglês era muito mau ou Mandelson era surdo... Nao consta que o RU deixasse de importar cafe ao Brasil, ou mesmo que diminuisse a quota de importacao de produtos brasileiros.
Portanto, JPP, no calor da indignação, não escrevas artigos tontos... Espera, just sit back, drink an Earl Grey, and relax. Or have a port, have a port...

quinta-feira, novembro 17, 2005

Guns of Brixton

Os defensores da excelência do modelo de integração britânico sofrem de amnésia histórica e quando falam da excelência de Londres é porque nunca foram muito para sul do Tamisa. Independentemente da origem cultural, como agora se diz, basta um desemprego alto e a usual discriminação racial para inflamar a situação. Em 1981, quando o sul de Londres explodiu, a multidão foi apelidada de "black crowd". Não houve grande conversa sobre a origem religiosa ou mesmo cultural dos que protestaram, filhos e netos de jamaicanos, nigerianos e de outras proveniências. O relatório oficial falava de "serious social and economic problems affecting Britain's inner cities" e ainda de "racial disadvantage that is a fact of British life". Nem sombra do grande satã muçulmano. Os The Clash escreveram sobre Brixton. Seguem as primeiras estrofes.

Guns of Brixton

When they kick at your front door
How you gonna come?
With your hands on your head
Or on the trigger of your gun

When the law break in
How you gonna go?
Shot down on the pavement
Or waiting on death row

You can crush us
You can bruise us
But you'll have to answer to
Oh, the guns of Brixton

A Igreja e o sexo

Na tradicional e Catolica cidade de Viseu foi assassinada uma prostituta Brasileira, portadora do vírus HIV. Parte-se do principio que o facto desta mulher estar infectada esteve na origem deste deplorável acto. Para já, há duas questões que aqui se levantam:

1. A ‘bela italiana’, como era apelidada a mulher assassinada, terá feito o teste no Centro de Rastreio Anonimo do Hospital de Viseu. Parece-me a mim que provavelmente a informação acerca da infecção desta mulher terá vindo desta unidade.

2. Por outro lado, no circuito da prostituição em Viseu, esta mulher era a mais procurada e a que mais facturava porque não obrigava os seus clientes ao uso do preservativo.

Segundo informacoes do Centro de Rastreio Anonimo do Hospital de Viseu, o numero de utentes desta unidade não sofreu nenhum aumento. Significa pois que, e segundo fontes não oficiais, os presumíveis clientes da ‘bela italiana’ se dirigem a outras unidades de rastreio, nomeadamente as situadas nas grandes cidades, para fazerem o teste de despiste do HIV. E realmente deplorável que os cidadãos não sintam confiança numa estrutura de Saúde que legalmente e obrigada a manter o anonimato. Mais deplorável ainda e o assassinato desta mulher. Tudo isto so vem provar que em termos de mentalidades, Portugal ainda esta na Idade das Trevas. Pior, revela igualmente que as campanhas de prevenção do HIV/Sida tem falhado redondamente. Os homens portugueses, a grande maioria, recusa-se a usar preservativo. A grande maioria das mulheres, amordaçadas por uma cultura ainda altamente conservadora, não e suficientemente emancipada para exigir o uso do preservativo, remetendo essa decisão para homem. Assim sendo, Portugal e o pais da Europa com um dos mais elevados índices do vírus de HVI. A julgar pela a confiança que os cidadaos tem nas estruturas de Saúde, este indice será ate, porventura, mais elevado.
Para tornar esta questão ainda mais surreal, a educação sexual nas escolas parece engatada em marcha atrás. A Igreja, incapaz de resolver os seus proprios problemas internos no que concerne ao comportamento sexual dos seus apóstolos padres, da-se ao luxo de fazer comentários públicos completamente desajustados a situação do pais. Acusa o Estado de se preocupar somente com a prevenção da "gravidez não planeada, (d)as doenças sexualmente transmissíveis e abusos e exploração sexual" e expressa o seu descontentamento relativamente "a colaboração de estudantes mais velhos que frequentam o ensino superior" nas aulas que abordem estas tematicas com os adolescentes. A Igreja, parece-me a mim, quer ensinar o ‘amor’. Os veiculos humanos para divulgarem este ensinamento serao, presumo, os padres (que ganharao assim um salario do Estado, com todas as regalias que isso implica). Sendo uma organizacao dita da sociedade civil, a Igreja tem todo o direito de expressar a sua opiniao. No entanto, num estado constitucionalmente laico, a ultima coisa que eu gostaria de ver era padres nas escolas. Os padres tem que se acostumar ao seu espaco – a igreja, a capela, e o adro. O ‘amor’ nao se ensina, sente-se. Nao ha moral nenhuma, catolica ou outra, que possa vir ensinar, inculcar o amor, as formas de amar, e os preceitos do amor. Sexo por sexo, sexo com amor ou sem amor, devera ficar ao criterio de cada um. Isto desde que ambas as pessoas envolvidas no acto estejam plenamente conscientes do que estao a fazer, desde que nenhuma delas seja forcada a faze-lo e/ou humilhada no processo. Sexo com amor por si so nao evita doencas sexualmente transmissiveis, que vao desde a Sida, a hepatite, a clamidia que leva a infertilidade, ao papiloma virus que se desenvolve em cancro do cervix. Como em questoes do amor cada um sabe de si, uma educacao sexual correcta devera passar sobretudo pela emancipacao feminina. O inculcar nas mentalidades das adolescentes que sexo so quando elas quiserem, sem pressoes sociais, quando se sentirem preparadas, e com preservativo. Aos homens, e educacao sexual passara pela desconstrucao dos mitos da virilidade e masculinidade, e por uma maior responsabilizacao pelo acto sexual. A Igreja, que reze pais-nossos e que ame os outros, de tal forma que nao os condene moral e fisicamente.

terça-feira, novembro 15, 2005

Ainda as culturas

Por alturas em que o "Público" tomou a iniciativa de fechar grande parte dos seus conteúdos on-line a todos aqueles que não aderissem à assinatura mensal paga, levantou-se uma onda de cizânia aqui no ciberespaço. Inclusivé, à data, tive oportunidade de deixar aqui umas palavras de forte desconfiança quanto ao sucesso da operação.
Devido às características da génese da criação da Internet e do caldo de culturas que desde o início lhe deram forma e nela estão enraízadas, pareceu-me que seria uma iniciativa condenado ao fracasso.
A Internet foi moldada desde cedo, entre outras, pela cultura hacker, que, ao contrário da imagem tradicionalmente veiculada pelos media, valoriza os quadros informais de transmissão gratuita da informação, a livre partilha da descoberta e a cooperação em rede.
Obviamente, este modus de acção está nos antípodas da iniciativa do "Público", que apostou no custeamento do acesso à informação. Até hoje, que eu tenha conhecimento, o jornal nunca deu a conhecer o state of art da sua iniciativa. Contudo, a julgar pelos indicadores apurados recentemente por uma empresas de sondagens sobre a Web, o panorama não deve ser muito risonho quanto ao número de adesões à assinatura paga da edição on-line...
A confirmar-se esta tendência (tudo o leva a crer) na assinatura do "Público on-line", não deixa de ser uma pena que o seu director, actualmente tão envolto na destrinça das questões culturais, tenha descurado uma análise mais aprofundada da(s) cultura(s) da Internet...

segunda-feira, novembro 14, 2005

Estranhamente, concordo

A propos de uma reforma universitaria:
http://dn.sapo.pt/2005/11/14/opiniao/a_grande_reforma_universitaria.html

Ele ha coisas...

O Durao Barroso prometeu uma quantia razoavel ao governo Frances para resolver os problemas sociais nos suburbios. Ora, se o governo Frances distribuisse racionalmente e equitativamente o dinheiro que ja recebe da UE nada disto seria necessario. O estilo 'O-la-la, le bon vin' da agricultura francesa, tem sido hiper subsidiado, anos a fio, pela a UE. Isto sem quaisquer beneficios para o resto da Uniao... Neste assunto, lamentavelmente, estou com o Blair. E inadmissivel que 40% do orcamento da Uniao Europeia seja canalizado para a agricultura, sendo o grosso deste dinheiro destinado a paises como a Franca e Alemanha. Entretanto, nos suburbios urbanos, o 'lunpen proletariat', agora apelidado de 'imigrantes', vivem acocados como animais nos matadouros. Boa Durao, ficaras com certeza para a Historia conhecido como o melhor Presidente na Uniao, fama que acumularas com a de melhor Primeiro Ministro Portugues!

O último e mais esperado candidato

A coisa está ainda no começo mas uma onda imparável poderá varrer as próximas eleições. Vieira is back.
www.vieira2006.com

domingo, novembro 13, 2005

Liberte, Egalite, Fraternite

Liberte: recolher obrigatorio, proibicao de concentracoes de pessoas;

Egalite: cidadaos com visto de residencia, com as mesmas obrigacoes que os cidadaos franceses, serao expulsos do pais na eventualidade de infraccao da lei (o que revela direitos substancialmente diferentes);

Fraternite: onde?!

Et vive la Republic!
PS:
Qualquer semelhanca entre este tipo de regime republicano e um regime autocratico (daqueles que normalmente acabam por ser bombardeados), e pura coicidencia.

quinta-feira, novembro 10, 2005

A "invenção" dos muçulmanos

Existindo há uns bons séculos os muçulmanos foram dramaticamente reinventados nas últimas duas décadas. Antigamente os muçulmanos eram designados de forma diferente. Havia os regimes amigos a quem se podia vender armas porque tinham uma posição estratégica, como o Iraque de Saddam, ou os regimes perigosos, focos de potenciais comunismos, como O Egipto de Nasser ou a Síria ou mesmo na altura o Afeganistão. É certo que a revolução islâmica no Irão lembrou que havia muçulmanos, mas quem se lembrava da religião quando o mundo era disputado, território a território, entre dois tabuleiros políticos. Mesmo o conflito entre Israel e a Palestina era, antes de tudo, político, ou se quisermos, geo-estratégico. Hoje as divisões políticas parecem pouco importantes, trata-se, como advogam os grandes defensores do factor de explicação cultural/religioso, de uma batalha entre civilizações. É certo que esta visão implica uma amnésia em relação certas amizades, a mais evidente das quais a da Arábia Saudita. O quadro cultural/religioso redefiniu a representação do mapa mundo, com algumas limitações, substituindo o proeminente quadro político/económico. Mas não o fez apenas a um nível macro-estrutural. No que respeita a indivíduos com determinada origem nacional, como se passa neste momento em França, eles deixaram de ser operários, agricultores, desempregados, consumidores de bens e serviços ou mesmo cidadãos, para passarem a ser muçulmanos. Do outro lado da barreira estão os ocidentais, também eles violentamente uniformizados.
Antes da queda do muro de Berlim ser muçulmano era uma coisa diferente. O império soviético veio dar lugar, nas imaginações do "ocidente", ao império muçulmano. O hiper-racionalizado Homem soviético, frito e falho de emoções, veio dar lugar ao irracionalismo religioso do barbudo bombista suicida. E é assim que nos vão contando histórias.

Cromos da Bola

Não tenho por hábito deixar aqui referências de outros blogs. Mas como a regra comporta por vezes a excepção, ainda para mais somos portugueses, e esse arrojo transgressor faz parte do nosso ethos, vou aproveitar para habilitar todos aqueles que assim o queiram com a possibilidade de arrematar o prémio de uma nostálgica e bem disposta viagem às memórias do nosso desporto-rei.
Cromos da Bola, assim se chama o blog no qual dei por mim a reviver lembranças de antigas "glórias do futebol português", sob o patrocínio de espirituosos textos de dissertação a acompanhar. Desde Eskilsson a Zé d'Angola, de Bandeirinha a Folha, de Vata a Vlk, passando por já vetustos players do saudoso Académico de Viseu, como o inquebrável defesa jugoslavo Mirko Soc ou o prolífico avançado brasileiro Marcelo Sofia, sósia de Lionel Richie para os autores do texto, diversas são as referências que nos fazem sorrir acerca de personagens "clássicas" que fizeram história, nem que tenha sido apenas com letra pequena e deixaram recordações a somente alguns, no futebol português.
Eis os cromos da bola

quarta-feira, novembro 09, 2005

Na periferia

Conheço Cinfães como a palma da minha mão. Os meus Verões eram passados numa pequena aldeia, Paradela. Aqueles Verões que se estendiam por Setembro e que me permitiam ficar para as vindimas. A ‘praia’ era a Espiunca, que fica na rota do então límpido rio Paiva. A piscina o ‘poço negro’, uma das nascentes do rio acantonada num dos profundos vales de Paradela antes de se juntar ao leito do Paiva. Lembro-me ainda pequena de ouvir as minhas tias falarem nos ‘brasileiros’, aqueles que no inicio do século XX cruzaram o Atlântico em busca de melhores dias. Ou dos foragidos a I Guerra mundial. Uma guerra em que os historiadores Portugueses teimam em negar a participação de Portugal. Na aldeia falava-se da ‘venda’ de homens ao exército inglês. Homens esses que rumavam ao Brasil, precisamente no sentido oposto a uma Europa em armas. Falavam também dos ‘aliados’ do regime, que vinham ‘confiscar’ as colheitas e das paredes falsas, por detrás das lareiras, para esconder o milho. Aos ‘brasileiros’, juntavam-se os ‘suíços’, os ‘alemães’, e os ‘franceses’, em Agosto para a festa da padroeira Santa Ana. Dos emigrados na ‘Europa’ recordo-me dos carros e das bolachas! Bolachas a que ainda não tínhamos acesso em Portugal, muito menos em Paradela, onde só havia uma ‘loja’ com produtos locais e pastilhas elásticas ‘Gorila’. Em Paradela, a água acartava-se da fonte, a roupa lavava-se nos tanques comunitários. As televisões, para quem as tinha, eram a bateria. As casas eram iluminadas a ‘petromax’. A água do banho era aquecida a lareira, fosse Verão ou Inverno, e a banheira era uma ‘celha’ enorme. As casas de banho eram construídas por cima das cortes dos animais e consistiam numa tábua disposta como se fosse um banco de madeira mas com um círculo recortado. A vida em Paradela assemelhava-se à vida de tantas outras aldeias do concelho de Cinfães, onde mulheres de negro estavam claramente em maioria e carregavam as costas os molhes de milho amparados pelas ‘sacholas’. Recordo-me quando a luz eléctrica chegou à aldeia. Não me recordo de quando o saneamento básico, ou a água canalizada foram introduzidos. Talvez porque nunca o foram... Mas vi este ano, este Verão, que mais campos e campos se amontoam sem serem trabalhados, que as mulheres de negro morreram e que muitos poucos restam numa aldeia que ainda assim teima em permanecer acolhedora e bucólica. A emigração, tal como a imigração, e um fenómeno que deve ser levado a sério. Em Cinfães, os sucessivos fluxos migratórios e a progressiva desertificação humana das suas aldeias e lugares revela o abandono a que o interior foi votado pelos sucessivos governos que, mal, concentram a sua atenção somente no litoral do pais. Governos que optaram por um tipo de desenvolvimento económico apressado, trôpego, sem nada de estrutural. Um desenvolvimento económico que ignorou a necessidade do desenvolvimento agrícola e criou ‘novos-ricos’ a rodos, engenheiros aos molhos, politiqueiros Armani, licenciados as pás, e, claro está, muitos e muitos ‘executivos’. Cinfães é o subúrbio dos subúrbios. Ou melhor, o subúrbio da periferia, ignorado, esquecido. Pela esquerda e pela direita. Paradela lá esta, aguardando por novo Agosto, mês em que os filhos da terra regressam. Mas agora, os carros já não impressionam e as bolachas já são as mesmas.
Leitura interessante:
http://dn.sapo.pt/2005/11/09/sociedade/aqui_ha_trabalho_malta_para_fora.html

terça-feira, novembro 08, 2005

O Estúpido

O director do jornal Público escreveu hoje, a propósito dos acontecimentos em França, um editorial intitulado, Não é o social, estúpido: é a cultura. Enfiei o barrete. Sou precisamente desses estúpidos que, considerando a importância de algumas variáveis culturais, atribuo ao que Fernandes chama de "social" a origem do sucedido. Gostava de argumentar que o estúpido é ele. Confesso, porém, que não o acho estúpido, mas simplesmente perigoso. Atribuir a manifestações violentas uma origem cultural é absurdo. Claro que Fernandes, como outros, não diz isto directamente, eufemiza a questão, fala das dificuldades de integração, mascara um discurso que, sem máscara, quer fazer regressar a ideia de combate civilizacional. Eles são muçulmanos, emigrantes de segunda geração, mas nunca "franceses" socializados na sociedade francesa. O seu problema é que não se conseguem adaptar à "nossa cultura". As culturas tornam-se assim dois blocos unificados, sem fracturas, apenas intermutáveis quando eles, os outros, abdicam do que é seu e se integram. A coisa lembra um pouco as políticas coloniais de assimilação. Esta abdicação implica, se não formos hipócritas como Fernandes, aceitar a vida sem futuro das classes baixas ocidentais, acrescentando-se a isso o estigma proveniente da discriminação de origem cultural. Mas a questão da cultura não resiste a análise mais atenta. Desde logo, pelas informações mais cuidadas, se percebe que não se tratam em grande parte de jovens muçulmanos, que nem todos são de origem emigrante e que o que realmente partilham é o subúrbio francês, esse espaço de desemprego, esse espaço que o Estado abandonou aos poucos. O discurso da "cultura" mascara o discurso da "classe". Não que a classe resolva tudo. Há variáveis culturais e mesmo geracionais que interessa observar, mas a origem de classe é factor determinante. O que sucede, tal como acontece nos Estados Unidos, é que em certas áreas urbanas a classe etnicizou-se.
O discurso de Fernandes é perigoso socialmente porque a "cultura" não é mais do que uma forma sofisticada de regressarmos ao racismo mais primário e à ideia de que os Homens não depende das condições em que são criados mas de uma qualquer essência cultural que, note-se, nunca é explicada senão através de um conjunto de estereótipos ignorantes sobre o "outro".
Mas a grande discussão por detrás da "cultura" é claramente económica. Atribuindo à cultura a responsabilidade de muitos problemas quotidianos, anula-se qualquer ideia de repensar os serviços sociais do Estado. Ao Estado, deste modo, cabe defender a "boa cultura", o que implica quase sempre a lei e a ordem. Não tendo os problemas uma origem social não há razão para parar a progressiva erosão da participação do Estado social na vida dos cidadãos.

Ensino e mobilidade

Em Portugal discute-se neste momento a introducao de emprestimos bancarios a estudantes universitarios. Esta medida abjecta e inspirada nos modelos Britanico e dos EUA alega uma maior democratizacao do acesso ao ensino superior e consequentemente uma maior e elevada mobilidade social inter/intra-geracional. Bom, aqui fica entao um estudo comparativo da London School of Economics que vem demonstrar que tanto os EUA como o Reino Unido estao entre os paises com menor indice de mobilidade social no contexto dos chamados paises desenvolvidos... E interessante a leitura deste documento. Talvez os politicos Portugueses devessem informar-se melhor ao inves de avancarem com propostas comprovadamente falidas. Resta realcar que os paises mais bem cotados, muitos deles, como a Filandia, tem um sistema de ensino publico completamente 'gratis'.
http://www.lse.ac.uk/collections/pressAndInformationOffice/newsAndEvents/
archives/2005/LSE_SuttonTrust_report.htm

Nos subúrbios

A França assiste ha mais de 10 dias ao que se pode designar de uma ‘micro-guerra civil’. Jovens, apelidados de segundas e terceiras gerações de imigrantes, tem expressado o seu descontentamento, a sua revolta, relativamente às condições sociais em que vivem e a que estão sujeitos. O facto de estes jovens, nascidos e criados em Franca, serem ainda apelidados de segundas e terceiras gerações, e não simplesmente de um grupo de cidadãos, e bastante revelador da forma como os ditos ‘autóctones’ franceses lidam com a questão da imigração. Quantas gerações serão necessárias para que jovens como estes sejam considerados cidadãos de pleno direito?
Estes bairros, muito à semelhança do que se vem fazendo em Portugal, são verdadeiros depósitos de imigrantes e de ‘autóctones’ socialmente excluídos. Para aqui são empurrados os não-desejáveis, aqueles cujo funcionamento do mercado imobiliário exclui das zonas mais centrais das grandes cidades, de terem acesso às mesmas escolas que os desejáveis têm. Nestes depósitos, famílias amontoam-se em andares, esquecidas que estão por se manterem (ou serem mantidas) longe da vista... A integração não passa nunca pela mistura, daí a falácia do ‘multiculturalismo’ e/ou da ‘multisocialização’. Passa sim, pela hipócrita transferência de recursos ‘apropriados’ ao tipo de população residente: uma população ‘especial’, porque afinal trata-se de gerações de segunda e terceira... Apoiam-se assim a criação nestas áreas de centros de recursos ‘multiculturais’, associações de todo o tipo, ONGs e afins. O estado delega a intervenção social num ‘corpo especializado’ da chamada sociedade civil. Este modelo está visivelmente esgotado e claramente não resulta. Sem perspectivas e confinados ao seu bairro, estes grupos de jovens não só se sentem frustrados, aborrecidos de morte, mas também territoriais: o perímetro do bairro e afinal o seu perímetro de vida. Em França, estes jovens FRANCESES, apenas demonstram que existem, que o seu território existe, numa existência diferente...
Por outro lado, há ainda a questão do ‘emprego’ ou do ‘trabalho’. Dizia um luso-francês que em Franca há trabalho, não será como há 30 anos, mas trabalho há. Ninguém quer é trabalho, mas sim empregos. Bom, ‘who can blame them?’. A corrente neo-liberal, estranhamente e talvez inconscientemente apoiada na ‘gouche avant-garde’ pós-moderna e pós tudo, instituiu, e contaminou as mentalidades, a idéia de que trabalho é prazer. Trabalho é vida. Vida é trabalho. Trabalho é diversão, é tudo... Acima de tudo, trabalho é ‘lifestyle’. Um estilo de vida ‘fluido’, ‘flutuante’, ‘informático’, cosmopolitano, cool. Ser trolha não é cool. Ser padeiro, carpinteiro, não é cool. Tanta coisa não é cool. A desvalorização de tantas e tantas profissões tem sido uma constante nos últimos 30, 20 anos. Esta desvalorização é acentuada pelo próprio, e tão celebrado, processo tecnológico, que retira criatividade aos ofícios. Os ‘ofícios’ passam de ofícios a ‘trabalho’, mas trabalhos não-cools. Já não mais se equaciona trabalho a creatividade, ou simplesmente a sobrevivência, ao conceito de ‘livelihoods’ ou modos de vida, que permitem viver não per se, mas viver para outras coisas, outros interesses fora da esfera do trabalho cool. O tal luso-francês tinha um trabalho cool. Daí talvez a sua incapacidade de perceber ‘o outro’, o que vive ‘ali’, no subúrbio...

Quanto vale um blogue?


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O nosso não está nada mal cotado. Se houvesse alguém que nos comprasse, como é evidente...

segunda-feira, novembro 07, 2005

Paris

Os senhores que controlam a economia do mundo e seus modelos dominantes deviam olhar para a história e começar rapidamente a acabar com a conversa sobre o colapso do Estado Social e de suas instituições. Se não o fizerem, pode ser que a coisa comece aos poucos a correr realmente mal. Nisto, os franceses costumam ter algum pioneirismo. É esperar.

Karagounis

Jornalistas e comentadores de futebol esquecem-se por vezes do poder que têm como intermediários da informação sobre o jogo para um público vasto. Partindo muitas vezes da sua ignorância crassa sobre os fundamentos do jogo, proferem sentenças sobre jogador A ou jogador B, arriscam interpretações sobre o modo como jogam as equipas e sobre as opções dos treinadores e as exibições dos árbitros. Muitos vezes terão razão, mas há outras em que não têm. Discordo quase totalmente do que se tem dito sobre o jogador do Benfica Karagounis. Embora esteja fora de forma física e por vezes faça uma finta a mais, Karagounis é dos poucos jogadores que levanta a cabeça para analisar o espaço, que hesita antes de passar porque quer fazer a melhor opção, que ataca os jogadores contrários de frente e que faz quebras de movimento que abrem espaços e confundem os adversários. Neste aspecto é um jogador raro. Há o perigo, já evidenciado no estádio da Luz, do jogador ser queimado pelo público, como muitos já foram, e como outros, como Geovanni ou João Pereira, estão a ser. Se os jornalistas e comentadores continuam a incendiar os espectadores não faltará tempo para que a vida de Karagounis se torne um inferno. Infelizmente, por ignorância.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Fundamentalismos mundanos da pós-modernidade...

O titulo é pomposo, mas a questão é bem simples. Falo-vos da paranóia pós-moderna em relação aos fumadores. Assisto com curiosidade ao debate actual que demoniza os fumadores, fazendo pesar sobre os seus ombros as culpas de todos os males e maleitas de saúde. Esta seita de gente que se fuma até ao cancro deverá ser banida, colocada sob uma espécie de quarentena diária, sujeita a um novo tipo de ‘apartheid’ que impedirá a contaminação dos saudáveis e felizes não fumadores. Bastas vezes escuto com curiosidade os acesos argumentos dos saudáveis. Um discurso ponteado de possessivos: ‘sim porque eu e os meus filhos não temos de estar a sofrer as conseqüências dos vícios privados dos outros. Trata-se da minha saúde’. Bom, só para vos dizer que considero este discurso uma hipocrisia. Mais. Resolvi até não mais me chatear com o deixar de fumar, só para meter nojo. Muitos do saudáveis fazem-me a mim sofrer devido aos vícios privados deles, entre os quais, o vicio do petróleo. A poluição por veículos motorizados esta intimamente relacionada (muito mais do que a frágil relação entre tabaco/cancro no pulmão) com o aumento de leucemias, e problemas respiratórios, nomeadamente nas crianças. Ora eu não tenho carro, não ambiciono ter carro, e desprezo (sim, desprezo tanto quanto me desprezam a mim por fumar) quem e dependente do carro e demasiado burguês para andar de transportes públicos. Se argumentam que a rede de transportes públicos não e boa, então o mesmo vigor que colocam na luta contra o tabaco, coloquem numa nobre luta cívica pelo desenvolvimento da dita rede. Do mesmo modo, eu defendo a criação de uma taxa acrescentada sobre o preço das passagens de avião, a chamada taxa da poluição, bem como concordo com a aplicação desta mesma taxa aos veículos motorizados num valor proporcional à cilindrada. O lucro destas acções deverá reverter para instituições publicas que fazem investigação na área das energias alternativas. É que os saudáveis fundamentalistas, que se enchem de ‘fast-foods’, esquecem-se que pelo menos em Inglaterra, cada vez que eu compro um maço de cigarros estou a pagar uma taxa que reverte para o ‘Cancer Research Institute’. Portanto, eu como fumadora faço muito mais por eles do que eles por mim. Eu pago o tratamento das leucemias deles, por assim dizer...

Riquelme

Na ressaca da derrota, entre o desgosto do resultado e a má exibição do Benfica, que nunca conseguiu encaixar no esquema dinâmico do adversário, resta a alegria de ver jogar Riquelme, o argentino do Villareal . Atleta estranho, atípico nos tempo que correm, sem a competitividade de um campeão, algo lento, Riquelme olha o jogo de cima, diverte-se a fazer passes difíceis, gosta de adornar as jogadas, de executar mais uma finta, de provocar os adversários com a sua imbatível destreza técnica, de tocar na bola e de dançar como ela como poucos conseguem. Um número dez numa altura em que vão rareando. Não é, obviamente, o mestre Diego, mas tivemos um cheirinho.

quinta-feira, outubro 27, 2005

A Manta

A teoria da manta, pese embora toda a sua simplicidade, adapta-se bem para a explicação de certos fenómenos. Um bom exemplo destes últimos são os lucros bancários.
Em Portugal, graças à liberalização e desregulamentação do sistema financeiro português, e o aumento da concorrência no mercado de crédito, ocorreu uma substancial especialização da actividade bancária na concessão de crédito ao segmento dos particulares.
O aumento do rendimento disponível das famílas e a mudança dos padrões de consumo esteve na génese do crescente endividamento das famílias portuguesas. Sobretudo através do crédito à habitação e do crédito ao consumo de bens e serviços, as principais instituições bancárias já nos habituaram a notícias destas (a julgar pelas supeitas veiculadas dos últimos tempos, a fraude e o branqueamento de capitais também dão uma ajudinha para compor o retrato...).
É aqui que a teoria da manta nos surge útil, pois a mesma teoria preconiza que se se tapa com a manta um lado, destapa-se o outro.
A realidade tem comprovado a teoria da manta, com o nível de endividamento das famílias a superar já, em média (118%), o seu rendimento disponível.
Chega-se à conclusão que no confronto das racionalidades, a racionalidade bancária está a ganhar cada vez mais centímetros de manta, e afirma-se com força crescente, mesmo perante as dúvidas crescentes sobre se os agregados familiares não correm o risco de estarem já excessivamente vulneráveis às alterações das variáveis que determinam a sua capacidade financeira (subida das taxas de juro, desemprego e precarização do emprego, dissolução da estrutura económica de suporte do endividado por divórcio, doença ou morte de um familiar, etc.).
Um dos mais recentes exemplos que tive oportunidade de verificar desta tal racionalidade trata-se do envio, por carta, para o cliente bancário de um cheque já preenchido com um valor determinado para o cliente assim fazer uso dele como bem entender, mediante o pagamento de uma prestação mensal durante 60 ou 84 meses.
Tratando-se de um estratagema deveras acutilante e facilitador do endividamento, quer-me parecer que se a entidade responsável pela regulação da actividade bancária do país, Banco de Portugal, não obviar legalmente estas agressivas formas de assédio ao endividamento, bem pode apregoar a muitos, como São Tomé, para a realização de poupanças, que a julgar pelas evidências estatísticas, a manta vai continuar a cobrir cada vez mais o mesmo lado…

segunda-feira, outubro 10, 2005

1ª página


Ora aí está uma 1ª página, que é como quem diz "hoje, não tínhamos mesmo mais nada para dizer"...

segunda-feira, outubro 03, 2005

Amor com amor se paga

Soares vota em Alegre... na segunda volta.

Alegre vota em Soares... na segunda volta.

Tão amigos que eles são. E nada hipócritas, já agora.

Cartazes de outros mundo













































Retirados daqui.

Fim da Silly Season

Regressanto lentamente. Mas regressando.

sábado, outubro 01, 2005

Teorias da conspiração

1) Alegre é o candidato invisível do PS às presidenciais. Resguarda o partido da aproximação das forças à sua esquerda e cria, para a segunda volta, uma onda soarista.

2) Fátima Felgueiras é a candidata invisível do PS à Câmara de Felgueiras, aquele concelho que, fruto da boa gestão autárquica, tem 44% da população com saneamento básico. Afinal a senhora sempre saca umas massas para o partido. Deve haver pelo país uma relação inversamente proporcional entre o saneamento básico e o número de Ferraris por habitante.

3) Os Super-Dragões estão bem activos na campanha pela Câmara do Porto.

4) Jorge Coelho é o político mais poderoso do país. O homem e a sua máquina.

5) Os jogadores do Sporting andam a boicotar o Peseiro. Os adeptos da valorosa agremiação leonina preparam-se mais uma vez para destruir o clube. Despeçam o homem que fico contente. Felizmente o país anda tão mau que já não há nada que nos envergonhe no estrangeiro. E a Suécia sempre é um país decente, com uma boa segurança social, florestas viçosas, os Abba, etc

6) Cavaco afinal não se vai candidatar.

7) Santana avança

8) Santana ganha

Chega de férias

Só um blog sem patrão para ter quase dois meses de férias. Nada mau nos tempos que correm

quarta-feira, agosto 17, 2005

Respondo pelo que Faço

É comum no períodos das campanhas eleitorais levantarem-se as vozes de discordância com os gastos propagandísticos que os partidos políticos esbanjam para a eleição dos seus candidatos. Sendo aparentemente legítima esta inferência, também é verdade que, por vezes, sob o fundo mais visível de gastos aparentemente supérfluos, uma campanha eleitoral pode constituir-se como uma decisiva alavanca de crescimento económico.
A quem tal asserção lhe parece despropositada e mesmo ridícula, aconselha-se uma visita por estes dias à capital da Beira Alta, Viseu.
Na senda de acompanhar o forte ritmo de jogo imprimido pelo candidato socialista à câmara local, em termos propagandísticos, o actual presidente da edilidade, Fernando Ruas, e candidato a mais um mandato, decidiu responder ao pontapé de saída socialista e avançou com a colocação de cartazes em todo o concelho, sob o slogan “Respondo pelo que Faço!”.
Naturalmente, o dever da disseminação deste slogan por uma miríade de rotundas construídas ao longo dos mandatos pelo candidato fez subir imediatamente as resmas de papel produzido pela Portucel, e os consequentes lucros desta empresa, traduzíveis no aumento imediato da sua cotação em Bolsa.
Deu ainda um impulso fundamental à industria metalomecânica local para o fabrico de barras metálicas de suporte aos mesmos cartazes e conseguiu, simultaneamente, reduzir os números do desemprego, ao presidir à contratação de 12 trabalhadores locais, os quais divididos por dois turnos de 8h tentam assegurar com a maior brevidade possível a cobertura de todas as rotundas com pelo menos um cartaz afixado em redor. Prevê-se que até final do mês de Agosto os seus esforços sejam coroados de êxito.

terça-feira, agosto 16, 2005

O homem do leme

Deu-se conta que nos últimos tempos tem sido governado por este homem?

E você? Hesitaria?

Risque a imagem que não lhe interessa ou descubra onde o primeiro-ministro prefere estar.

Imagem A:















Imagem B:

segunda-feira, agosto 15, 2005

Escoteiros

Está tudo doido. Uma greve de uma empresa de refeições no aeroporto de Heathrow. Alguns voos foram atrasados. Uma comitiva de escoteiros portugueses. Devido à situação, os escoteiros tiveram que dormir no aeroporto e regressar no outro dia de camioneta. A RTP fez várias reportagens sobre o sucedido e foi ainda esperar a camioneta à fronteira. Lá estava também a mãe de um escoteiro. A jornalista perguntou-lhe pelas horas de angústia e sofrimento e a senhora com um ar pesaroso confirmou. O chefe dos escoteiros também disse que havia uma pessoa que precisou de ser medicada. Lá se viu o plano de um mocetão com um ar saudável a tomar comprimidos. Há pachorra para isto? Sofrimento é dormir na rua e levar com um tijolo na cabeça. Angústia é continuar à espera do ponta-de-lança. Os escoteiros deviam estar mas é a fazer sandes de queijo para as pessoas no aeroporto; aposto que nas imediações estavam várias velhas a querer passar uma estrada provavelmente perigosa. Os escoteiros são um pouco como as tunas, não se percebem para que é que servem.

segunda-feira, agosto 08, 2005

Marco e os outros

É verdade que Marco Chagas é um excelente comentador. A apreciação às suas qualidades é mais do que justa. Há uma volta à França com Marco Chagas e outra volta à França sem o Marco Chagas. Refira-se ainda que a RTP sempre teve um excelente naipe de comentadores desportivos, com a óbvia excepção do futebol. No vólei o Fiúza Fraga, no basket o João Coutinho, o da selecção da Jugosnávia, e o mais discutível Carlos Barroca, com o seu estilo NBA, no andebol o João Barata e outro indivíduo de que não me lembro o nome, no rugby o incomparável Cordeiro do Vale sempre em directo de Murrayfield ou de Twickenham, no atletismo o Jorge Lopes e o excelente Luís Lopes (podemos ouvi-los na RTP e Eurosport, respectivamente, na cobertura dos mundiais de atletismo que se realizam em Helsínquia) no hipismo o coronel Jorge Mathias e, apesar de não me lembrar outra vez dos nomes, recordo-me dos bons comentários do ténis (Moura Diniz, será?) e da ginástica desportiva. Estes comentadores têm quase todos uma característica: sabem do que estão a falar. Porventura uns serão mais especializados do que os outros, mas todos conseguem estabelecer a preciosa ligação entre um conhecimento especializado e o espectador leigo. Curiosa e tristemente nunca tal coisa sucedeu com o futebol. O desporto-rei continua entregue a curiosos, jornalistas pouco competentes para a função, personalidades mediáticas e outros membros de uma fauna que raramente conseguem ligar duas frases seguidas. Alguns executam o trabalho positivamente, mas sempre sem o brilho dos comentadores das modalidades que a RTP nos habituou a ouvir.

quarta-feira, agosto 03, 2005

A página arrancada do antigamente

Continua no jornal Público a novela relativamente ridícula das páginas arrancadas e dos livros queimados. Qualquer dia, seguindo este politicamente correcto cozinhado numa calma dos trinta anos depois, ainda alguém sugere excitado que se deveria ter preservado, para pesquisa histórica, o próprio regime.

A espera

E o ponta-de-lança senhores, o ponta-de-lança? Quantas manhãs mais os seis milhões vão ter que acordar numa expectativa eternamente defraudada?

sexta-feira, julho 29, 2005

Partidos e Media

Com a aproximação das eleições autárquicas, tem sido possível constatar o aumento de frenesim na actividade dos vários candidatos e partidos, primeiro na disputa do melhor “boneco” para os cartazes, depois na divulgação das mensagens nos espaços de antena que as televisões concedem e em breve nos decisivos debates televisivos entre candidatos, nomeadamente das duas principais cidades.
Para os eleitores indecisos de Lisboa e Porto, será essencialmente na ágora televisiva que se irão dissipar as dúvidas quanto ao sentido de voto no candidato a escolher. Representante maior dos media, a televisão, simultaneamente, é o principal instrumento difusor de informações das nossas sociedades e o campo de batalha principal pelo poder.
Quem está fora dos media, apenas reside num limbo político. Sem os media, e principalmente a televisão, não é possível adquirir ou exercer poder, daí estes se terem vindo a tornar nas últimas décadas o espaço privilegiado da luta política.
Graças ao efeito convergente da crise dos sistemas políticos tradicionais e do acréscimo do grau de penetrabilidade dos media, a informação e a comunicação políticas têm sido crescentemente dirigidas aos destinatários através dos media, daqui sucedendo que sendo o acontecimento político um processo aberto, a sua organização esteja enquadrada pela lógica pelos media.
Em virtude dos media privilegiarem a comunicação simplificada, o efeito desta convergência traduz-se inevitavelmente na personalização das opções políticas e partidárias, dificultando acesso dos partidos aos media. Os partidos deixam de ser a principal fonte de influência de opinião dos cidadãos, em prol de fontes externas ao sistema político, como os media, e, consequentemente, o fosso entre partidos e cidadãos aumenta.
Com o aprofundamento desta distância, é tanto o exercício de cidadania quanto a vivência democrática que ficam seriamente abaladas.

sábado, julho 23, 2005

Cantona

Notícia interessante: um jogo de futebol de praia, entre as selecções de França e de Portugal, não acaba. Ou por outra, acaba em batalha campal. Ou em batalha no areal, para ser mais preciso. Quem começou a contenda aqui pouco importa e é irrelevante para o caso. Quem tem memória, lembra-se que estas duas selecções vivem pegadas seja na praia, seja nos torneios de jovens onde partimos os balneários, seja por causa das mãos do Abel Xavier (ou do bigode do José Romão, para exagerar um pouco). Mas no meio de tudo isto, uma coisa chama-me à atenção: o seleccionador francês atende pelo nome de Eric Cantona.
Num assombro, lembro-me dele e do futebol de eleição que praticava no Manchester United. Já não há jogadores assim: com este carisma, com esta determinação, com esta desenvoltura, com esta elegância. Já não há jogadores deste calibre; jogadores que olhavam para o jogo como um movimento estético que tinha de resultar ou em poesia ou em tragédia. Eric, o homem que corria de cabeça erguida feito locomotiva, de gola levantada e pronto a fintar o adversário que enfrentava, foi provavelmente o último grande jogador do século XX (sim, de acordo, não me posso esquecer desse extraordinário Zidane, mas esse ainda entra no início deste século). Para Cantona, o jogo tinha um mínimo de regras e daí que tudo nele fosse verdadeiramente imprevisível e imponderável.
Cantona treina agora a selecção de futebol de praia do seu país, o que é quase uma despromoção, reconheça-se. Está um pouco mais gordo. Cantona, filho de artistas, também conhecido por Dieu (Deus) ou Eric, o Terrível, nos tempos áureos em que espalhava magia e rebeldia pelos relvados ingleses, era um romântico, um sonhador e um poeta. Vê-lo é como ver um mito. Um mito vivo, que fez do futebol a sua arte e a sua causa. Espero que ele continue igual a si próprio e que seja enquanto treinador o mesmo que foi enquanto jogador: genial, acima de tudo. E espero também que ele nunca mude porque fazem falta ao futebol, os românticos, os sonhadores e os poetas. Como ele foi. Como eu espero que ele ainda seja.

quarta-feira, julho 20, 2005

A Justiça bicéfala

Numa excelente peça jornalística, Sofia Pinto Coelho, na SIC, procurou perceber se existia, ou não, uma justiça bicéfala, que trata ricos e pobres de forma diferente. Falou com um cidadão que foi condenado a seis anos de prisão por um desfalque de 600 mil euros (ou coisa parecida). Comparou, depois, o caso deste homem com os mediáticos processos da Universidade Moderna e de Vale e Azevedo. Concluiu que embora os montantes dos desfalques nestes últimos casos tenham sido muito maiores do que na situação precedente, as penas foram mais leves. Mesmo crime, penas diferentes. A diferença, claro, passa por um bom aconselhamento jurídico, pago a peso de ouro. O homem que desviou os 600 mil euros afirmou à jornalista que, se soubesse, tinha roubado muito mais, poderia assim pagar a um bom advogado e ainda ficar com uma simpática reforma ao fim de três ou quatro anos.

Dois artigos e uma leitura

1- André Freire, no Público (15/7), analisou as desigualdades na distribuição dos sacrifícios que estão a ser feitos para domesticar o défice público. O primeiro grande instrumento de combate ao défice foi o aumento do IVA: toca a todos. Aumentou também o imposto sobre o tabaco e sobre os combustíveis. Depois houve um esforço para reduzir alguns benefícios sociais, nomeadamente na função pública. Seguiu-se o aumento da idade de reforma. Freire nota, porém, que alguns grupos de interesse dentro do funcionalismo público, essencialmente alguns altos quadros de empresas públicas e algumas corporações mais fortes, saíram quase intocados por este esforço colectivo. Mais escandaloso é o modo como o governo remete ao factor trabalho a tarefa solitária do equilíbrio do défice. O PS chumbou, refere Freire, no dia 2/6/2005, uma proposta de lei que limitava o sígilo bancário, arma fundamental da administração fiscal. Os benefícios fiscais para as grandes empresas continuam a pulular impunemente, o que implica cortes drásticos nas receitas do IRC. Portugal tem, no quadro europeu, a maior diferença entre as taxas nominais e as reais no que respeita à cobrança do IRC. Isto é, o factor capital foi grandemente poupado nos esforços para equilibrar o défice. Isto leva-me a outro artigo.

2 - António Barreto, também no Público (17/7/2005), escreveu, em resposta a considerações feitas por Vasco Pulido Valente, um artigo sobre as elites nacionais. Para Barreto as elites são grupos dirigentes do país que podem assumir várias formas: "Há elites cultas e incultas; autónomas e dependentes do Estado; democráticas ou autocráticas; esclarecidas ou predadoras; activas ou parasitárias; e de esquerda ou de direita." Acrescenta que as elites não se confundem com as classes altas mas normalmente provêm delas. Continua Barreto: "Com a excepção de grande parte dos intelectuais e artistas, assim como de uma porção de políticos, as elites portuguesas são geralmente de direita. E muito dependentes. Precisam do Estado, não da população. Fizeram fortuna, têm negócios, compram e vendem, aprendem e exprimem-se graças ao Estado, não à população ou a si próprios." Barreto não poupa também o que chama de elites de esquerda, embora, pela sua posição social, lhes atribua menos responsabilidades.

Claro que podemos contestar a linha de divisão entre esquerda e direita proposta por Barreto. Concordemos, porém, que é o capital económico que genericamente domina a elite de um país com uma economia liberalizada.
É este capital económico, vastamente ignorante, 500 vezes mais parisitário e nocivo do que qualquer funcionalismo público pretensamente preguiçoso, capital incompetente (no sentido das próprias leis de mercado e da concorrência), que escapa praticamente incólume ao sacrifício do défice. Temos uma classe política autónoma, minimamente independente do poder económico? Não. Como se costuma utilizar na gíria do futebol, estamos sempre a beneficiar o infractor.

terça-feira, julho 19, 2005

Sai Tomasson, entre Pandiani

A acreditar na manchete do Record, depois de Tomasson, Pandiani é o senhor que se segue. A gargalhada é geral.

Lavar a alma...

A silly season avança confortavelmente país adentro. Nada pára a desavergonhada. Depois dos avisos à navegação, mais areia, da fina e da grossa, para os olhos dos portugueses, entretidos a discutir coisas menores e desinteressantes como novos aeroportos, linhas de comboio e TGVs e, pasme-se, originalidade suprema, energia eólica. São estes os novos desígnios a bem da nação e dos portugueses. Isso e uma coisa com o sinistro nome de Programa de Investimentos em Infra-estruturas Prioritárias, que promete 25 mil milhões de euros de bandeja para distribuir por aí.
Entretanto, não muito longe daqui, o eng. Sócrates, que não leu nem conhece Maquiavel, prepara-se, sorrateiramente, para lançar nova vaga de austeridade lá para Outubro, de preferência depois de perdidas, por pouco, as eleições. Já nada espanta. Os sinais contraditórios já são tantos, que toda a gente está resignada, mesmo que ministros e primeiro-ministro falem linguagens diferentes e nada incomode verdadeiramente as criaturas, embrenhadas num animalesco carnaval de asneiras, de demagogia e da pior espécie de ruído.
Também ao longe, saindo do intenso nevoeiro, um novo D. Sebastião toma forma e ganha peso. Adoptou aliás táctica já por si municiada (com relativo insucesso): a do tabu. Cavaco, esse homem luminoso, esse profeta, que nos fez entrar a Europa casa adentro e que forjou o novo indígena (como foi brilhantemente descrito por Vasco Pulido Valente), é o senhor que se segue. Provavelmente, por dez anos. Por dez longos anos.
Ao olhar para isto, pergunto-me, que futuro nos resta? Quanta desilusão é possível aguentar? Bem sei que o calor (e esta maldita humidade) aperta, mas já nem um banho de mar me lava a alma ou me dá alento. Estou cansado. Hoje sinto-me cansado.

quarta-feira, julho 13, 2005

Sitiada em Manchester

Aqui estou eu, sitiada no edificio da faculdade porque uns poucos metros a frente, por baixo da Mancunian Way, a policia procura por uma bomba. No café da faculdade, os sitiados e evacuados dos edificios circundantes amontoam-se, procurando reproduzir uma normalidade que ja nao existe, falando ao telemovel com familiares para relatar em primeira mao a experiencia viva de quem parece viver numa guerra. A normalidade, essa, ja nao e o que era. A normalidade agora e assustadora. Nao tanto pelas bombas. Mas pela forma como nos, seres humanos, aceitamos, interiorizamos e aprendemos a viver e a conviver com a violencia. As explosoes em Londres chocaram muito poucos. A reaccao mais comum foi o ‘ja era esperado’. Portanto, esperamos assim que o normal seja as pessoas morrerem, de forma violenta, a merce de fundamentalismos religiosos, de politicas cruzadas que tantas vezes transcedem os cidadaos comuns. A actual realidade, para muitos, tera pois de se adaptar a esta nova normalidade. Como? Reforcando-se os mecanismos de vigilancia e controlo pessoal e social. Parte da nova normalidade passa entao a ser a subtil coercao social praticada, na Europa, por estados democraticos que gradualmente se vao transformando em democracias policiais dado a sua incompetencia de lidar com questoes de integracao. Comeco a viver num mundo que so pensava possivel nos livros de ficcao cientifica, onde talvez ate para ir ao café terei de passar por um dispositivo de identificacao de retina, onde diariamente seremos obrigados a provar a nossa inocencia sob pena de denunciar culpabilidade, onde nos afastaremos mais e mais uns dos outros, onde o medo nos invade, onde a violencia inesperada se torna esperada e normal. Milhares e milhares de anos de evolucao para nada. Para isto…

segunda-feira, julho 11, 2005

olhó comboio

No segundo canal, no programa Clube de Jornalistas, Luís Osório acabou de afirmar que é um tormento horrososo andar de comboio na linha de Sintra. Vou mudar para a Fátima Campos Ferreira.

A alma lusitana descodificada

No fim da primeira parte do décimo-nono "Prós e Contras" dedicado ao estado da nação, Fátima Campos Ferreira anunciou que na segunda parte, daqui a poucos minutos, vamos chegar à essência do ser português. Estou com alguma esperança de que não haja segunda parte, mas infelizmente tudo indica que o disparate vai continuar.

sexta-feira, julho 08, 2005

Golfe

Há por vezes situações em que os sintomas manifestados são de molde a fazer qualquer comum mortal baixar os braços. Este aqui , então, é demasiado pungente!
Quando se lê que o Golfe é a modalidade desportiva que denuncia a maior percentagem de casos postivos de doping (1,67% de casos positivos), conquanto possua um baixo índice de controlos efectuados, superando as violações dos regulamentos anti-doping do Atletismo, Ciclismo e Halteriofilismo, o espanto assola-nos de imediato o espírito sobre os caminhos da verdade desportiva na contemporaneidade!
Por que carga de água se dopam os golfistas? Para darem as tacadas com mais força? Para andarem pelos greens mais depressa? Para saltarem mais alto as vedações dos campos para irem buscar a bola quando esta excede os limites do campo?
Como alguém costuma dizer, enfim, só coisas que me atormentam!

quarta-feira, julho 06, 2005

O arrastão do cimento

O jornalista Alexandre Vale publicou, na última edição do Notícias da Amadora, uma excelente análise sobre as movimentações imobiliárias no concelho amadorense durante a regência do socialista Joaquim Raposo. Com 175.872 habitantes, contas de 2001, a Amadora tem a maior densidade populacional do conjunto dos oito concelhos da Grande Lisboa, com 7.586,6 indivíduos por km2. (Segue-se Lisboa, com 6.496,5 habitantes por km2). Apesar desta situação, a Câmara da Amadora já aprovou projectos que, nos próximos anos, vão trazer para o concelho mais 60 000 pessoas. Nalgumas regiões começam a existir problemas de poluição. Em quase todas as freguesias já não há espaço para um jardim, apesar das juntas socialistas chamarem de "espaço verde" qualquer rectângulo de erva com 3m2. A imaginação poderosa do nosso construtor civil, com o aval camarário, transforma qualquer espaço exíguo em terreno urbanizável: em cima de estradas, cortando jardins, fazendo subir prédios encavalitados sobre prédios, etc. A última da Câmara da Amadora é anuir a construção de mais alguns fogos no espaço que hoje é ocupado pelo Estádio do Estrela. Alexandre Vale destrinça todos os negócios e avança com o nome dos construtores civis. Estima ainda que o lucro destes negócios possa atingir os 100 milhões de contos. Claro que a discussão nas próximas eleições vai-se centrar nos roubos por esticão, no furto do telemóvel, na ameça proveniente dos bairros problemáticos. O habitual.

segunda-feira, julho 04, 2005

A internacionalização do político português

Depois do taxista, do pedreiro, das auxiliares de limpeza (como agora se diz), do assalariado agrícola e do futebolista, o país começou a exportar políticos. A coisa corre mal por duas razões. Primeiro, nós precisamos é de importar políticos: se sobrar alguém na Suécia, ou na Dinamarca, mandem cá para baixo para o rectângulo. Imaginem um sueco à frente de Marco de Canavezes ou de Felgueiras. Segundo, a performance do político português tem sido decepcionante. Do caso Barroso todos sabemos. Mais recentemente há o Guterres nos refugiados. Alguém consegue explicar quais são as credenciais de Guterres para estar à frente de uma Comissão que trata dos problemas dos refugiados. Só Deus e os seus representantes na terra podem explicar tão estranha nomeação. Os jornalistas internacionais estão espantados com a fluência verbal do novo alto comissário. Os refugiados devem andar preocupados.

Monteiro superstar

Tiago Monteiro lá terminou brilhantemente o Grande Prémio de França no 13.º lugar. Note-se que, se tivesse sucedido nesta corrida algo parecido com o que se passou na corrida anterior, isto é, se 14 carros tivessem desistido, Tiago teria ficado em -1, o que seria inédito e verdadeiramente extraordinário. Mais uma prova que somos um povo de eleitos.

Índice de asneira

"Se houvesse um índice que medisse a quantidade de asneiras que saem nos jornais, não havia quem batesse os jornais desportivos."

Há que considerar o Expresso.

O Sr. Vieira

No seu insistente périplo pelo país, o Sr. Vieira do Benfica vai alimentando uma espécie de fantasia só possível, e praticável, por se aproveitar desse enigmático mundo do futebol e da gente ignorante que por lá abunda. O Sr. Vieira, personagem ainda hoje muito estranha e ambígua, está convencido que o Benfica pode tornar-se num clube de topo a nível mundial num curto espaço de tempo. Ele apoia-se na recente conquista do campeonato, numa campanha que quer atingir os 300 mil sócios e em discursos inflamados que visam inimigos imaginários. Já não vale a diligência. Criar ilusões para manter vivo um “gigante” há muito decadente, é uma manifesta ousadia que um dia lhe sairá caro. Por enquanto, o Sr. Vieira vai disfarçando a fragilidade e desorientação com a ridícula conquista de um campeonato atípico, ainda para mais convenientemente adornada por uma efusiva campanha popular. Mas na época que se avizinha, e presente numa Liga dos Campeões altamente competitiva arbitrada pelos melhores da Europa, sem qualquer espaço para falhas e sem pressões do Sr. Veiga (outro personagem de um filme de terror), o Sr. Vieira vai perceber porque é que o Benfica (tal como todos os outros clubes portugueses) não passa de uma nulidade evidente na Europa do futebol e porque é que os seus jogadores, para além de esforçados, são, na sua grande maioria, medíocres.

PS: Zenden, jogador mediano que foi dado como reforço do Benfica várias vezes, vai assinar pelo Liverpool, pondo fim a mais uma novela alimentada pelo Sr. Vieira e pelos jornais que adoram enganar papalvos.
Se houvesse um índice que medisse a quantidade de asneiras que saem nos jornais, não havia quem batesse os jornais desportivos.

domingo, julho 03, 2005

Os liberais

O Congresso dos EUA demonstrou o seu desagrado pela tentativa de compra, por parte de uma empresa estatal chinesa, da empresa petrolífera americana Unical. Consideraram os congressitas que a proposta do oriente constituía um perigo para a soberania dos EUA. Um olhar mais cuidado sobre a economia americana é suficiente para perceber que este caso não é único. Um sem número de medidas proteccionistas favorece as empresas americanas e o agente destas políticas é o Estado americano. Apesar da propaganda liberal, os EUA crescem à custa da intervenção estatal. É seguro apregoar o liberalismo quando as vantagens nas trocas estão protegidas. É por isso que o governo brasileiro pede a liberalização das trocas de produtos agrícolas. A intervenção do Estado americano está longe de ser apenas económica. Repare-se nos processos políticos recentes em algumas repúblicas da antiga URSS, repare-se, mais nitidamente, nos processos militares no Médio Oriente. É o Estado que abre o caminho aos desejos insaciáveis da economia. Liberal, mas não tanto.

quinta-feira, junho 30, 2005

O Adeus de mais um Resistente

«A liberdade nasce com a aurora da Humanidade, é uma necessidade intrínseca do progresso e caminha a par da dignidade humana. Sem dignidade não há liberdade e por isso as ditaduras não se sustentam a não ser pela força».
Emídio Guerreiro

A aquisição

Sem a arte do sorvete caseiro criado pela mão do artífice, o novo corneto manga/cenoura da Olá é uma aposta segura da indústria dos gelados para este ano. Esperemos que se aguente para a próxima temporada, não prosseguindo na senda do triste calvário do Fizz Limão.

quarta-feira, junho 29, 2005

Bem prega Frei Tomás...

...fazei como ele diz, não como ele faz.

Mais papista que o Papa

No Parlamento Regional, um deputado do PS pavoneia-se em loas às famigeradas medidas apresentadas por Sócrates para combater o défice e colocar na ordem as contas do país. A sua intervenção incide essencialmente no fim de algumas regalias, há muito instituídas, dos funcionários públicos e no anúncio da austeridade e de uma espécie de nova ditadura que transforma tudo em números., em índices e em estatísticas. No caso em particular, Ricardo Freitas, o deputado em questão, referia-se ao congelamento das progressões automáticas nas carreiras e à passagem da reforma para os 65 anos, entre outras coisas (como o extraordinário aumento do IVA) que têm o objectivo supremo e ignóbil de culpar os suspeitos do costume.
Tudo muito bem. Nada que não se esperasse de um parlamentar da bancada que tem a mesma cor partidária do governo da República e que faz do seu discurso uma tentativa, vã e efémera, de legitimação da actual acção política de um executivo há demasiado tempo à deriva.
Mas o extraordinário nisto tudo, e espantem-se, é que o referido deputado é, para além de deputado pelo Partido Socialista, presidente do Sindicato Democrático da Função Pública na Madeira. Isso mesmo, leram bem: presidente do Sindicato da Função Pública na Madeira. Ora, neste cenário absurdo, não estaremos perante um caso gritante de incompatibilidade política? Como se sentirão os associados deste sindicato ao verem um presidente que não os defende e que não é com eles solidário? É para isto que servem os sindicatos? Bem fez Roberto Almada, deputado pelo Bloco de Esquerda, ao anunciar no hemiciclo que ia cessar imediatamente a sua inscrição neste sindicato e distribuir cópias do referido discurso pelos trabalhadores do mesmo. Se eu fosse sindicalizado, faria o mesmo.

segunda-feira, junho 27, 2005

A Ritinha e as amigas

Manter um programa sobre livros, em horário em que os outros canais passam novelas, como faz questão de sublinhar o apresentador no final de cada programa, não é fácil. Ainda que expatriado para essa coisa híbrida e cinzentona que é a RTPN, Francisco José Viegas continua a apresentar-nos, todas as semanas livros, autores, escritores, investigadores que de maior ou menor interesse representam de uma forma plural uma parte do que se cria, pensa e publica; Procurando justamente ser plural, o seu último programa foi alvo de um terrível erro de casting. A personagem convidada é a autora de um blog já famoso, o blog da rititi, que como outros se converteu agora em livro. Quem quiser pode consultar esse espaço de “reflexão” muito pós-moderno e rosa choc, onde a Rita escreve sobre a sua vidinha, e onde opina, sempre com muitas asneiras, sobre nada. A escrita é light e pop como convêm, carregada de Chanel, explanando argumentos banais, já conhecidos em outras pensadoras da mesma doutrina “pseudo-feminista-chic”.
Se o blog é insuportável, ao menos poupa-nos a visão da criatura. Já na televisão constatei o que seria se esperar. Uma menina muito Fashion como convêm, que vive em Madrid, e de vez em quando vem ao Portugal dos pequeninos visitar a família. Sim porque Portugal é chato, demasiado cinzento, machista, pequenino para a criatividade e inteligência da ritinha. Pela minha parte mandava as Ritas, as Martas, as Margaridas, e todas as “betinhas” que se acham escritoras para um gulag na Sibéria. Já é difícil fazer programas sobre livros. Já é complicado ler certas coisas. Agora aturar esta gente é impossível.

P.S – Não esquecer o papel muito “pedagógico” da editora Oficina do Livro, que pública a grande maioria das alarvidades que estas senhoras escrevem.

O regresso de Mohammed Saeed al-Sahaf


Ele fez história. E deixou seguidores:
Kumba Ialá garante que não perdeu as eleições.
A dupla Daniel Oliveira/Ana Drago garante que não houve arrastão e que os assaltos na praia de Carcavelos foram provocados pelo pânico de uma carga policial.
Saddam Hussein garante que ainda é presidente do Iraque.
Eu, perante o delírio, não garanto nada.

domingo, junho 26, 2005

Os populistas também se abatem

O Dr. Carrilo ameaça bater com a porta e abandonar a sua formosa candidatura a Lisboa. Percebo-o perfeitamente: o Dinis Maria afinal ainda não consegue articular um ensaio inteiro, o Eduardo Prado Coelho sozinho não chega para as encomendas e o antigo namorado da Bárbara (um tipo também conhecido por "cabelo azul") voltou à apresentação de programas de televisão. O pessoal do marketing, desesperado, também entende que a coisa assim não vai lá e que a conjugação dos planetas não está a ajudar o pobre político-filósofo (ou será filósofo-político?).
O Dr. Carrilho medita por isso profundamente. E medita profundamente à procura de algo que evite o naufrágio que as sondagens prometem. Por um lado, pode fugir (desistindo); e por outro, pode deixar-se ir de fantasia em fantasia até à estocada final (candidatando-se). Dê por onde der, um e outro caminho adivinham o fim do mito e são a prova provada que os intelectuais populistas também se abatem.

Um projecto

Um projecto muito interessante do Hugo, um colega meu de mestrado.

quarta-feira, junho 22, 2005

Sempre a abrir

O mundo do futebol é mesmo extraordinário. Depois de ter sido dado como certo em cinco ou dez clubes (incluindo o Inter e o Real Madrid), eis que afinal Luisão vai ficar no Benfica até 2011.
Em termos de surrealismo ninguém bate os jornais desportivos. E, arrisco, no ridículo também não.

Football Club United of Manchester

A recente criação de um novo clube por parte de um grupo de adeptos dissidentes do Manchester United, em sinal de desagrado provocado pela compra da maioria do capital do famoso clube das Midlands pelo magnata norte-americano Malcolm Glazer, surge, indiscutivelmente, como um grito de alerta e revolta para o perigo de desvirtuação da identidade clubística e de valores do jogo que ameaça corroer algumas agremiações futebolísticas espalhadas por essa Europa fora.
Tornado o clube mais rico do planeta na década de 90, e historicamente expoente máximo da globalização da indústria futebolística, o United tornou-se recentemente alvo de atracção por parte daquele multimilionário norte-americano, o que não sendo uma novidade nos dias de hoje, distancia-se ainda assim de casos semelhantes, como o Chelsea, por ter sido accionado por parte de um indivíduo garantidamente sem qualquer vínculo emocional ao jogo ou ao clube. Creio ter sido a partir daqui que boa parte da revolta se instalou entre os adeptos dissidentes.
Ao invés do que sucedeu com o Chelsea de Abrahamovic, por exemplo, um clube de bairro, habitualmente arredado de feitos de relevo alcançados nos relvados, que não desperta grande fervor na velha Albion, o United é um clube com expressão por toda a ilha, recheado de proezas futebolísticas ao longo do seu tempo de vida e detentor de um rico historial de atletas célebres, alguns deles a quem a vida foi tragicamente ceifada nos céus de Munique.
A sua eclosão primordial deve-se à vontade de um grupo de trabalhadores dos caminhos de ferro, operários ferroviários, que no século 19 viam no jogo uma forma não violenta de enfrentar de igual para igual a agremiação das elites locais, o City. A marca genética do clube em termos do perfil social dos seus adeptos de base manteve-se com o correr dos anos, não obstante as necessárias nuances introduzidas pela crescente popularidade nacional e internacional do mesmo.
Sabiam os adeptos que o clube era comandado por dirigentes que, apesar da pretensão de progressiva mercantilização da marca e obtenção de lucros, o United continuava a ter à sua frente indivíduos, se não todos, pelo menos alguns, que além de deterem uma visão estratégica do clube como instrumento de receitas globais, possuíam simultaneamente uma adesão emocional incondicional ao clube.
A circunstância de Glazer ser originário de um país que não possui uma tradição histórica no jogo, de nunca ter partilhado a memória colectiva de vitórias, derrotas e tragédias que formatou muitos dos fãs do United, e de provavelmente subestimar esse passado em prol exclusivamente da rentabilidade financeira do seu investimento, terá sido uma gota de água muito grande para a imagem dos ideais de agremiação clubística que seriam intocáveis aos 2600 antigos adeptos do United.
A ver vamos se em breve serão seguidos por outros adeptos, numa tentativa de recuperação da pureza perdida do jogo.

terça-feira, junho 21, 2005

Novos axiomas

“Os institutos de sondagens tornaram-se, nos dias de hoje, os adivinhos dos tempos antigos que lêem os inquéritos de opinião com a gravidade com que os seus predecessores interpretavam as entranhas das galinhas.”

Fareed Zakaria, “O Futuro da Liberdade”, Gradiva

Professores

Os professores estão chateados. Dizem eles que não podem ser prejudicados na carreira, na sua progressão, na reforma e numa série de direitos adquiridos. Não consegui confirmar, mas penso que já acham bem, por um outro prisma, reunir muito sem qualquer propósito, ensinar sem qualidade, ter 4 e 5 meses de férias, produzir hordas de analfabetos e ter horários que lhes permite, entre outras coisas, ensinar formação profissional, dar explicações ou ter um segundo emprego. À custa do Estado.
Os professores esquecem-se, claro, que Portugal é dos países que mais gasta em educação per capita (e dos que piores resultados tem) e que os professores, comparativamente à Europa desenvolvida, são das classes que melhor recebem. Tudo isto parecem pormenores irrelevantes. Aliás, calmamente ignorados por todos.
Do alto da sua sapiência, e da mais abjecta demonstração corporativa, demagógica e de duvidosa ética, os professores ameaçaram e ameaçam faltar aos exames, testes e outros derivados. O Ministério está numa posição de força e não quer ceder perante a chantagem e outros nomes feios. Pelo meio lixa-se o mexilhão, que é como quem diz lixam-se os alunos, que só por acaso são a parte mais interessada no assunto, factor convenientemente apagado pelos doutos cultos que ensinam as nossas criancinhas.
Fica a lição desta gente ilustre e mais este gentil ensinamento às gerações futuras: não podes vencê-los? Podes sempre lixar a vida de outros que nada têm a ver com o assunto. Nem mais.

sábado, junho 18, 2005

Cunhal, o Álvaro, Cunhal o homem

Sempre ofereci grande resistência ao(s) culto(s) de personalidade(s). Um característica pessoal que fez com que mesmo o quarto da minha adolescência fosse despido de posters de cantores rock ou actores de cinema, e que me previne ainda de envergar camisolas com rostos estampados. Não acredito em seres humanos perfeitos, superiores, ímpios, forjados na correcção suprema de carácter. A humanidade é a condição de ser humano – este por vezes bom, por vezes mau, por vezes assim-assim, algumas vezes fraco, outras forte, capaz de grandes actos de bondade, inventor da tortura. Fruto das circunstâncias – físicas, sociais, genéticas e outras, suas e dos outros. É deveras uma condição complexa esta, não passível de ser reduzida e resumida a um só adjectivo qualificativo.
De Cunhal como ser humano, no total pouco sei. Bateria na mulher, como se diz de Einstein, assumido pacifista? Não faço a mínima ideia. Se estivesse em Lisboa teria ido ao seu funeral. Não por ser Cunhal, o Álvaro, mas o homem, como tantos outros, complexo. Iria pois celebrar uma vida de luta contra um regime opressor, uma tenacidade de sobrevivência em nome da liberdade, qualquer que fossem os moldes em que Cunhal, agora o Álvaro, pensou essa liberdade. Sair à rua no seu funeral é celebrar não uma vida, mas tantas outras anónimas, que nos permitem hoje usufruirmos do impensável há 30 anos atrás. E é precisamente na celebração de tantas outras vidas anónimas de tantos outros seres humanos de excepção, que reside o meu contentamento de ver tantos e tantas a seguirem, de cravo na mão, a carreta funerária de Álvaro. Muitos daqueles que foram entrevistados pelas televisões tinham também eles histórias para contar. Estas histórias fazem a História, e esta deverá narrar o colectivo. Celebravam-se pois a si próprios, às suas vidas. Celebrei também eu nesse dia a vida de Fernandes, meu bisavó, que organizou a primeira greve em Portugal de estivadores no Porto de Leixões e que por isso foi bater com os costados ao Aljube, agravando assim a pobreza da sua vasta prol que sempre o apoiou e compreendeu a sua permanente indignação. Assim o seguiu, uma vida também tantas vezes na clandestinidade, por esse Portugal a fora, de onde sempre se recusou a sair. ‘Prendem-te o corpo mas nunca o pensamento’, dizia.
O funeral de Cunhal foi para mim a não celebração do mito, mas do homem que como outros, e de uma vida, que como tantas e tantas outras, também elas de excepção, lutaram pela libertação da liberdade enclausurada pela ditadura. A ser símbolo, que esse dia seja o símbolo do colectivo, de bravas gentes que eu quero acreditar que ainda existem. Que não seja mito. Os mitos elevam-se à condição de sombras nas cavernas, das sombras geram-se dogmas, e os dogmas sim, não aprisionam os corpos (quando não...) mas quase sempre o pensamento...

sexta-feira, junho 17, 2005

Títulos e manchetes

Selecção do “lê-se” da parte desportiva do Diário de Notícias do Funchal de 17 de Junho de 2005

“Benfica recusa 7 milhões da Juventus por Miguel” – O Jogo

“Não peçam a lua por mim” – Miguel em declarações à imprensa italiana, citadas por O Jogo

“Quero experimentar outro campeonato” – Miguel (Record)

“Sporting não vende Enak ao Dínamo por seis milhões” – O Jogo

“Empresário diz que jogador ficou furioso” – Idem

"Enakarhire não deseja jogar no Sporting" - A Bola

“O presidente disse bobagens sobre mim” – Luís Fabiano sobre Pinto da Costa (O Jogo)

“Koeman quer matulões” – Record

“Benfica vota contra sorteio dos árbitros” – Record

“Vai ser craque” – Ronaldinho Gaúcho sobre Anderson (A Bola)

O mundo do futebol é cada vez mais surreal.

O trolha de Portugal

Descoberto via Sinédrio, mas originalmente colocado no blogue Clube de Fans do José Cid, aprecie a eleição do Trolha de Portugal no inenarrável programa do Manuel Luís Goucha. E depois, claro e como não podia deixar de ser, delicie-se com o seu regresso.
Na televisão pode-se tudo. Há muito que batemos no fundo.