sábado, abril 30, 2005
Não hesitar
Embora não percebendo o projecto do Dr. Carrilho para Lisboa, percebo perfeitamente a escolha selectiva que o Dr. Carrilho faz das suas companhias e da sua opção, clara, por não fazer coligações. Entre fazer campanha ao lado do Ruben Carvalho ou fazer campanha exclusivamente ao lado da Bárbara, poucos hesitariam. Ele não hesitou.
Vícios
50 dias
Desde a fuga de Elba, 50 dias se passaram. Faltam outros 50 para Napoleão cair.
sexta-feira, abril 29, 2005
A terra das oportunidades
quarta-feira, abril 27, 2005
Prozac e Ritalin
As duas notícias vinham hoje no DN do continente: “Psicofármacos com riscos em crianças” e “Consumo de antidepressivos aumenta no País”. Duas situações indelevelmente associadas e que revelam já um nítido e puro descontrolo no nosso país.
As drogas psicotrópicas têm o seu expoente máximo nos EUA onde o Prozac e o Ritalin, só para citar alguns exemplos, fazem maravilhas pelos adolescentes americanos e, principalmente, pelos seus progenitores que não olham a meios para conseguir a felicidade dos seus rebentos (belíssima forma de lavar daí as suas mãos). Aliás, 10% da população americana (qualquer coisa como 28 milhões de indivíduos e maioritariamente feminina), toma o Prozac (considerado por muitos um verdadeiro ícone do “sexo fraco” e até uma espécie de “Nação”) com o intuito de melhorar a sua auto-estima e realização. O Ritalin, por seu lado, é prescrito para adolescentes e crianças com dificuldades de concentração ou consideradas como hiperactivas (seja lá o que isso for) e tem uma espécie de função contrária ao Prozac.
Conhece-se os riscos daqui inerentes, mas parece que muita gente vê mais prós do que contras nesta administração ad hoc destas drogas para lá de qualquer limite razoável. O seu consumo excessivo tem efeitos e consequências ainda por estudar e não é certo que certos sintomas posteriores não sejam resultado destes medicamentos: depressões, crises, tendências suicidárias e outras coisas do género.
Alguns autores, como Fukuyama, identificam três grandes tendências que resultaram do alargamento das chamadas drogas psicotrópicas nos EUA: a primeira tem a ver com desejo do cidadão comum de procurar numa patologia tão alargada quanto possível as causas dos seus problemas para daí minimizar as suas responsabilidades quanto à “doença” em si; a segunda decorre dos enormes interesses financeiros e económicos que alimentam a monstruosa indústria farmacêutica e que fazem cada vez mais medicamentos para tudo e mais alguma coisa; e, finalmente, uma terceira que é muito culpa de nós todos, e que tem a ver com o facto de querer ver tudo e qualquer coisa como uma doença “urgente” e “incurável”.
Nada nos custa perceber o que este tipo de dosagem anda a fazer pelas nossas crianças e pelos nossos adolescentes, em particular, e por cada vez mais gente, em geral.
Mas o pior, quanto a mim, ainda está por vir e por ver: com o desenvolvimento da engenharia genética e com o conhecimento alargado e integral do genoma humano, a ciência diz-nos que vêm aí os medicamentos feitos à medida (o sonho da genética é fazer o “bebé por encomenda”, por exemplo) que vão, por um lado, garantir satisfação plena e “cura total” consoante o caso e a patologia, e, por outro lado, menosprezar qualquer efeito secundário problemático que impeça o vulgar “tratamento”.
Perante este cenário, o meu sentimento é pessimista. E temo que dentro em breve a moda alastre e chegue a cada vez mais gente…
terça-feira, abril 26, 2005
Disfunções
Seria injusto não reconhecer que há benefícios óbvios, sobretudo em relação ao sector privado. De facto não tenho grandes razões de queixa nessa matéria. Segundo alguns não deveria sequer queixar-me. Mas queixo-me.
1º - É inacreditável que só uma imensa minoria dos que me interrogam/felicitam deseja saber o conteúdo funcional do meu trabalho, ou demonstram interesse sobre aquilo que se passa numa instituição que sobrevive à custa dos impostos que pagam, sendo óbvio que não acham bem pagar impostos, muito menos para pagar o meu salário.
2º - A subversão maior e mais preocupante, é que na maioria dos casos a bitola de comparação com as ditas regalias do funcionalismo público, são as condições laborais de que a maioria goza no sector privado, que são normalmente aceites entre um prosaico, “é a vida”, ou um fatalista …”não há nada a fazer”
A minha inquietação (sim, porque isto de ser funcionário público também dá espaço para inquietações), é a leviandade com que se tratam matérias fundamentais como os direitos dos trabalhadores, e como se pensa segundo uma lógica bipolar profundamente acrítica e superficial. Se alguém folhear o novo código do trabalho vai perceber, que já não há só o branco e o preto, mas que se caminha a passos largos para um cinzento carregado e homogéneo. Não faltarão muitos anos para que tanto no público como no privado os trabalhadores usufruam do mesmo: De cada vez menos.
Já agora seria interessante que muitos dos que se queixam da sua sorte, que “invejam” a minha, ou que acham que não se pode fazer nada, estivessem presentes nas comemorações do 1º de Maio. Pode parecer um argumento demagógico, mas ainda assim continuo a gostar muito mais do vermelho do que do cinzento.
(P.S. – Parece–me uma ideia demasiado batida e pouco original comparar o P.C.P à igreja católica, mas ainda assim, cristãos e ateus venham à missa na Alameda)
Fórmula 1
Desde os tempos em que Senna e Prost finalizaram os confrontos nos circuitos, que os grandes prémios foram perdendo para mim boa parte do encanto a que até então tinham estado associados.
Com a memória pessoal esticando-se ao início da década de oitenta, quando pontificavam o louco finlandês, Keke Rosberg, o falecido Gilles Villeneuve, Patrick Tambay, Nelson Piquet, Andrea de Cesaris, Michele Alboreto, Nigel Mansel, Thierry Boutsen, além dos citados Senna e Prost, ao volante de Ferraris, Mc Larens e do meu carro preferido, o Lotus, patrocinado pela John Players Special, em todas as quinzenas aquelas duas horas de Grande Prémio em frente do televisor eram praticamente sagradas.
Eram tempos em que as garantias de segurança que os carros ofereciam primavam por uma certa precaridade, fazendo os pilotos do risco e da audácia constantes consortes traiçoeiros da integridade física.
Mudaram os tempos, apareceram novos pilotos, novos circuitos, novas regras de segurança, e o entusiasmo refreou-se. Os laços afectivos com os ídolos de sempre extinguiram-se com o seu desaparecimento, os palcos de aceleração situavam-se nos mais insuspeitos e indiferentes locais (Malásia, Bahrein, Turquia), enquanto que outros eram apagados do mapa (Estoril), novas regras de segurança diluíram a margem de erro dos pilotos, e, sobretudo, surgiu Schumacher.
Tornado por mérito próprio a maior figura da disciplina automobilística, cerceou toda a concorrência durante anos a fio e provocou com a sua indesmentível superioridade o bocejo permanente sobre a incerteza quanto ao vencedor.
Até que este ano, ao que parece, a F1 volta novamente às grandes emoções, graças a um piloto espanhol, Alonso, que neste G.P de San Marino susteve o primeiro lugar acossado ininterruptamente pela maior lenda vida da F1, Schumacher, durante as últimas 15 voltas. Sem vacilar, sem se desconcentrar um centésimo, ganhou a corrida e fez com que os comentadores televisivos dissessem que há muito que não se via uma corrida assim.
Depois de tantos anos de afastamento, acho que escolhi o dia certo para ver novamente um Grande Prémio.
domingo, abril 24, 2005
Do livro e da venda
sexta-feira, abril 22, 2005
Fumo branco
Médias
Nos EUA, em 1850, a média de idades cifrava-se nos 19 anos. Na década de 90 do século passado, essa mesma média subiu para 34 anos. Algumas projecções demográficas, com alguma pertinência, prevêem que em 2050 esse número atinja os 40 anos. É um fenómeno preocupante que é indiciador da enorme mudança que se avizinha e que não pode ser descontextualizado de dois fenómenos umbilicalmente ligados: o aumento da esperança de vida e a queda, abrupta, da taxa de fertilidade.
Mas a coisa piora fora dos EUA. De acordo com projecções semelhantes, e que não levam em linha de conta um eventual aumento da esperança de vida (que no ano 2000 nos EUA era de 74,2 anos para os homens e de 79,9 para as mulheres, por exemplo), a média de idades para esse mesmo ano de 2050 será de 54 anos na Alemanha, de 56 anos no Japão e de 58 anos na Itália. Mais: prevê-se que no caso italiano apenas uma reduzidíssima percentagem de crianças tenham parentes colaterais (que é exactamente o mesmo que dizer que muito poucas terão irmãos ou primos).
Parece evidente que este é um fenómeno preocupante e de consequências imprevisíveis nas sociedades ditas ocidentais. Um só exemplo, entre muitos possíveis, em tom de descontracção: que sentido farão os desfiles de moda com meninas anorécticas para plateias de idosos?
Bento 16 e o Patriarcalismo
Não sendo portanto surpreendente a sua nomeação, considero que é mais honesto que a figura ideológica dominante do Vaticano há longos anos, saia finalmente dos bastidores e dê a cara no papel de principal actor do Vaticano.
Dos diversos temas controversos sobre os quais tomou conhecidas posições no passado , gostaria de opinar sobre uma questão que penso ser particularmente sintomática de um desfasamento obstinado da realidade social, adoptado pelas elites católicas dominantes, incluindo Ratzinger, ou seja, o patriarcalismo, enquanto sistema caracterizado pela autoridade, imposta institucionalmente, do homem sobre mulher e filhos no âmbito familiar, e que se enraiza na estrutura familiar e na reprodução socio-biológica da espécie.
A frontal e veemente oposição à ordenação das mulheres para as funções sacerdotais, que tem sido transmitida nas prédicas de Ratzinger, denota uma clara resistência às reivindicações para a concessão de um estatuto de igualdade às mulheres no seio da Igreja Católica.
Estas reivindicações cobrem-se de antanho mas acentuaram-se nas últimas décadas em paridade com um conjunto simultâneo de transformações sociais, tecnológicas e culturais que vão desde;
- o aumento da autonomia reprodutiva feminina através dos avanços tecnológicos na medicina reprodutiva e na farmacologia;
- o surgimento de uma grande variedade de estruturas domésticas, visíveis através da proliferação de lares de solteiros e habitados por apenas um dos pais;
- a crescente taxa de divórcios, que por sua vez se associa a outras tendências importantes: o adiamento da formação de casais e a formação de relacionamentos sem casamento.
- a incorporação massiva das mulheres no mercado de trabalho remunerado, traduzida quase sempre numa contribuição financeira decisiva para o orçamento doméstico;
- por fim, relacionado com os factores acima invocados, o aumento da influência social, política e cultural dos diversos movimentos feministas numa economia informacional global. Tais movimentos, não obstante a diversidade de objectivos e adversários, perfilam uma ideia comum: a abolição do patriarcalismo.
Negar estas evidências, enterrando a cabeça na areia, ou fazer de conta de que elas ocorrem numa qualquer superestrutura metafísica erigida por indívíduos que se inserem uma faixa populacional numericamente muito restrita, e portanto irrelevante, é um sintoma de intenso atavismo de que a Igreja Católica se faz valer publicamente e que prenuncia mais um afastamento incompreensível a medio prazo da comunidade de crentes.
quinta-feira, abril 21, 2005
Semelhanças entre o PC Português e a Igreja Católica
- Ambas as instituições têm adeptos renovadores e adeptos ortodoxos;
- Ambas as instituições vivem embrenhadas em movimentos de cisão e são fortemente criticadas por toda a gente que se julga no direito de as julgar;
- Ambas as instituições são acusadas de se fecharem na doutrina e na sua rigidez;
- Ambas as instituições são acusadas de não reconhecer os seus erros do passado;
- Ambas as instituições viram subir ao poder novos líderes conotados com a ala mais ortodoxa e radical;
- Ambas as instituições têm novos chefes tidos, numa primeira instância, como cinzentos e demasiado velhos para promoverem as mudanças necessárias e urgentes;
- Ambas as instituições são odiadas pelo Dr. Louçã e pela sua quadrilha circense;
- Ambas as instituições viviam, e vivem, com o célebre dilema: mudar e deixar de ser; ou não mudar e deixar morrer. No fundo, o ser ou não ser.
Em tudo isto uma única ideia que retiro de uma frase sublime de Mark Twain: “A notícia da minha morte é manifestamente exagerada”. Vão ver que sim. E vão ver que em ambos os casos.
Tempos sempre interessantes
Ecos de Weimar
sexta-feira, abril 15, 2005
Aeroporto II
Aeroporto I
Esquemas III
Apenas para constatar alguns factos:
O Sr. Veiga é director desportivo do Benfica.
O Sr. Veiga é o maior accionista do Estoril.
Que nome terá este tipo de coincidência?
quinta-feira, abril 14, 2005
Esquemas II
Quanto a esquemas, será no mínimo demagógico não aceitar que são prática comum na estrutura e organização do futebol português, tal como é demagógico dar exagerada atenção ás palavras de Petit. Partamos de um pressuposto óbvio: nada ou quase nada vale a pena no futebol português. Ainda assim se quiserem falar de futebol, o Benfica empatou e empatou bem.
A notícia
O Sr. Madaíl, personagem do nosso imaginário colectivo, veio com toda a pompa e circunstância anunciar que a sociedade Euro 2004 SA deu lucros na ordem dos 4 milhões de euros (mais coisa menos coisa) facto que o deixou, naturalmente, contente e satisfeito. O povo, de fraca memória, engole a patranha como é óbvio porque o futebol em Portugal é uma mistura de logro com ficção científica. Mas aprenda-se com a iniciativa e com a propaganda gratuita do Sr. Madaíl.
Perguntas inocentes para o Sr. Madaíl, indivíduo também conhecido por só aparecer nos bons momentos: como é que uma empresa que teve como principais funções vender ingressos para estádios novos e recrutar jovens em regime de voluntariado não haveria de dar lucro? Como é que uma empresa que praticamente só tinha receitas, excluindo como é óbvio os chorudos ordenados usufruídos pelo Sr. Madaíl e seus lacaios, não haveria de ser um sucesso? Só 4 milhões, Sr. Madaíl? Tanto bilhete vendido, e só 4 milhões, Sr. Madaíl?
O esquema
As afirmações valem o que valem e Petit, o jogador mais polido do Mundo, já pediu desculpa pela infelicidade, certamente imaginando algum processo sumaríssimo que o suspendesse por 10 minutos, por exemplo. Só que o mundo dá muitas voltas e agora parece que é o Estoril a receber uma motivação extra para facilitar o jogo que tem de jogar contra o Benfica uma vez que o mesmo, ao que consta, vai ser deslocado para esse inenarrável estádio do Algarve – uma das mais engenhosas ideias da personagem focada no post anterior – em vez de ser disputado no estádio da Amoreira, casa oficial do Estoril Praia.
A tramóia está bem montada. Tão bem montada que nem se pode chamar bem de batota. Esquema será talvez a denominação mais correcta.
Estou à espera que Petit, o jogador mais polido do Universo, discorra, obstinadamente, sobre esta motivação extra dada aos jogadores adversários que visa, obviamente, prejudicar o Benfica e beneficiar o Estoril.
terça-feira, abril 12, 2005
Jardim de Infância de Moselos
O objectivo da feira consiste em angariar fundos para a aquisição de material didáctico, como jogos e livros e, eventualmente, um computador para o estabelecimento, já que, segundo a organizadora da iniciativa, “os apoios que vêem do Ministério da Educação não dão para quase nada”.
O Ministério da Educação, a quem compete a tutela pedagógica da instituição, devia, certamente, conhecer o perfil social da maioria das crianças que frequentam aquele estabelecimento de educação e as carências por que passam grande parte das famílias daquelas 49 crianças em termos de bens culturais que possam colocar ao dispor das aprendizagens e do desenvolvimento daquelas crianças desde tenra idade, à semelhança do que acontece com aquelas que nascem em lares economicamente mais bafejados.
Seria de elementar justiça num Estado que se quer redistribuidor de riquezas e oportunidades, que crianças tão novas não tivessem que estar envolvidas tão precocemente em estratégias mercantilistas para a dotação material do estabelecimento pré-escolar que frequentam e assim poderem usufruir de actividades educativas na justa medida de igualdade com as demais.
Se o grau de desenvolvimento civilizacional de um país se deve também medir pela existência de um rede tendencialmente gratuita de estabelecimentos de educação pré-escolar, territorialmente abrangente e financeiramente bem dotada, o exemplo que o jardim de infância de Moselos corporiza por estes dias não será propriamente o melhor indicador a este respeito.
segunda-feira, abril 11, 2005
Dialéctica Hegeliana Social-democrata
Antítese (negação): o PSD precisa de se refazer e de se refundar (para usar um termo na moda) e para isso precisa de enterrar e acabar com o poder do cavaquismo, dos seus barões e dos mitos ardilosamente alimentados e propagados. É preciso ainda promover maior participação interna dos seus militantes e operar uma verdadeira abertura à sociedade civil capaz de atrair sangue novo e ideias novas.
Síntese (negação da negação): Ontem, regressou em força o cavaquismo (!). Há qualquer coisa aqui que não bate certo.
Afinal, Parménides tinha razão: nada muda. Porque nada interessa mudar, acrescento eu.
sexta-feira, abril 08, 2005
O funeral do Papa e o poder da fé
quarta-feira, abril 06, 2005
Pestana, o Papa, e o Reino Unido
Ora, no pais democratico de Pestana termina agora o julgamento de 3 politicos do Labour Party condenados por fraude eleitoral a escala industrial (sic palavras do Juiz). Ao que parece, esta sera apenas uma gota num imenso oceano de fraude eleitoral com votos via postal. Nada que nao me passasse pela cabeca quando nas ultimas eleicoes locais e sem eu nada pedir, chegou a minha casa um boletim de voto que qualquer pessoa poderia ter assinado (alias chegaram seis: referentes a todos os anteriores inquilinos e eu poderia ter preenchido todos...). No entanto, os tres partidos parlamentares esforcam-se por diminuir a gravidade da situacao. Isto porque num pais onde acima de 50% nao vao as urnas, todos os partidos deverao ter os seus politicos que a noite, num primeiro andar de um qualquer armazem, levam a familia para preencher 3000 ou mais boletins de voto.
No pais de abertura do Sr. Pestana, passou o 'Social Behaviour Act', que faria corar Salazar, e passara, sem controversia, a lei de 'odio religioso' que muito provavelmente tera precisamente os efeitos que pretende evitar.
No aberto pais de Pestana (que ja agora aproveito para dizer que e o Reino Unido, visto Londres ser uma cidade...) ha dias que a BBC nos massacra com o Papa. Alias, eu ja vi mais vezes a imagem do Papa morto do que a das minhas falecidas tias todas juntas! Blair adiou o anuncio do dia das eleicoes e Charles, o retardado, adiou o seu casamento com o travesti Camila. E isto estamos a falar de um pais que nao e constitucionalmente laico. Isto porque o pais democratico de Pestana nao tem constituicao e legalmente os cidadaos britanicos sao ainda subditos da Rainha que e o representante maximo da Igreja Anglicana (duro trabalho que delegou no retardado).
Pestana representa o nacional parolismo esquecendo-se que 1) ha coisas boas e mas em todo o lado 2) na era da informacao ja nao se pode ir para os jornais dizer baboseiras. A Pestana de nada lhe serve o dinheiro e as viagens. Pouco parece ter aprendido para alem de maneirismos novos-ricos e ressaibiamentos. Eu compreendo. Ser portugues na Africa do Sul do Apartheid e dificil, sobretudo quando os portugueses eram vistos ao nivel da populacao negra. Pestana optou por se identificar com o grupo dominante e opressor. Pois quanto a mim, abonaria muito mais em seu favor se fosse o contrario...
Take care!
terça-feira, abril 05, 2005
Variedades
Shares
António Borges
Marques Mendes
O PSD de Luís Marques Mendes representa um regresso ao passado sem sentido, com pouco esclarecimento, sem qualquer ruptura e com total conivência com o regime político vigente, onde o PS usará a seu bel-prazer a máquina do Estado para levar a água ao seu moinho. Mendes limitar-se-á a esperar que o poder lhe caia no colo (se antes não for corrido), enquanto luta abnegadamente para ganhar as eleições que se avizinham. O PSD que se prepare: a travessia pode ser longa. E dura.
Menezes
Menezes estará praticamente sozinho, totalmente despido de gente influente nas suas fileiras e com muito poucas hipóteses de sucesso. Tão cedo ninguém esquece a tragédia santanista e Menezes tem sobre si essa velada ameaça de representar uma espécie de ressurreição. Mas pelo menos vai à luta, apresenta moção, candidata-se e, espera-se, não desiste. Outros não podem dizer o mesmo.
A esta distância é duro antecipar o resultado que o espera, mas Menezes, é um combatente hábil que venderá, certamente, cara a derrota. Joga com o facto de não pertencer à classe política lisboeta o que é, simultaneamente, uma vantagem e uma desvantagem (é muito complicado penetrar em classes herméticas que se protegem e se reproduzem). Contudo podia ter evitado alguns exageros que denotam insegurança e pequenez de horizontes: dizer que vai ter uma mulher como secretária-geral e que vai dar o cargo de secretário-geral adjunto à JSD são propostas perfeitamente desenquadradas, que não têm qualquer sentido prático e que se podem revelar erros políticos graves explorados pelos seus adversários.
No PSD, parece-me óbvio, acontecerá como no PS na altura de Soares, Alegre e Sócrates: ganhará o candidato que mais rapidamente der garantias de um rápido retorno ao poder. E esse candidato, para os barões e seus derivados, não é Menezes. Já se percebeu isso.
segunda-feira, abril 04, 2005
Público on-line pago
Continuo a achar muito discutível que as publicações que optam pelo condicionamento monetário da informação on-line retirem daí proveitos, actuais e futuros, significativos.
Desde logo, porque a lógica de fechar a sete chaves a informação vai completamente ao arrepio da cultura primordial da tecnologia de informação que é a Internet, ou seja, a cultura da livre distribuição e partilha da informação, como forma de democratizar o seu acesso. E porque essa continua ser a cultura dominante, a batalha pela elitização dos acessos não será facilmente vencida, principalmente quando à excepção dos artigos de opinião, todos os outros temas dos jornais são alvo de tratamento noticioso por parte de uma miríade de media e publicações on-line, nacionais e internacionais, isentos de assinaturas.
Depois, porque concentrando-se os adoptantes principais da prática da Internet nas faixas mais jovens, restringir o acesso aos conteúdos virtuais do jornal não será concerteza a melhor forma de atrair e cativar futuros leitores para o jornal.
Por outro lado, para quem não aderir à assinatura, será expectável um menor tempo de permanência no site, logo também um menor tempo de exposição a mensagens publicitárias, sendo portanto provável que ocorra um abaixamento do preço que as marcas pagam pela publicidade, dando azo ao famoso mecanismo de auto-regulação de mercado, tão prezado pelo Director do Público.
Ainda neste capítulo, os efeitos da diminuição de acessos e do menor tempo de permanência on-line não se farão sentir simplesmente na publicidade externa. Também o impacto da publicidade interna acerca da imensa panóplia de publicações apêndice que os próprios jornais de há algum tempo a esta parte tem vindo a aderir, e que segundo consta, são responsáveis por uma fatia considerável das receitas dos mesmos, será reduzido.
É por isso que para o apuramento final do saldo desta opção não bastará somar os créditos das assinaturas conseguidas. Terá que haver uma contabilidade bem mais abrangente.