segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Martina Topley-Bird

Companheira de Tricky desde "Maxinquaye", era ela que se encarregava de suavizar as sonoridades mais cruas do artista britânico. Nesta missão de polimento musical se manteve durante vários anos, até que, em 2003, Martina Topley-Bird publicou o seu primeiro álbum a solo, "Quixotic" de seu nome.
Só agora, por cortesia do camarada João Santos, ouvi o álbum, e o resultado final é francamente de enaltecer. Por entre uma míriade de estilos - do metal à eletrónica, dos blues ao jazz, da soul ao rock- o único elemento transversal de todo o albúm, realmente, é a versátil mas sempre inconfundível presença vocal de Martina.
Ainda que o albúm possa "pecar" um pouco em termos de coesão devido à incursão por estilos tão ecléticos, essa circunstância não deixa de ser um defeito menor quando nos confrontamos perante a qualidade global das canções.
Com Beth Gibbons e Martina Topley-Bird o universo musical de Bristol continua a dizer presente.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Da politização

O efeitos políticos da Internet não são fáceis de medir. (Continuamos a esperar pela grande obra do camarada Vasco Palouro) Há, no entanto, diversos movimentos digitais extremamente positivos. Tenho recebido vários e-mails, provenientes de círculos que não se confundem com universos educados de classe média ou mundos universitários, mas que normalmente são originários de redes de trabalhadores do terciário, onde se faz um verdadeiro exercício de politização e cidadania. O mais interessante nestes e-mails é o modo como utilizam a informação para explicar de forma simples mas bastante eficaz inúmeros processos quotidianos, como por exemplo a questão fiscal no nosso país (recebi, por exemplo, via um trabalhador de uma conhecida empresa privada, um e-mail com origem na Comissão para a Equidade Fiscal onde, de forma bastante pedagógica, se falava da importância política de pedir um recibo aquando de uma transação). Este tipo de politização é bastante animador. Os seus métodos são em certo sentido contrários a formas de politização que não passam pelo conhecimento sobre os assuntos mas por uma adesão dogmática a slogans e palavras de ordem. Não há actividade política esclarecida sem conhecimento. Infelizmente mesmo alguma esquerda dita moderna e mais viajada utiliza, através de slogans sofisticados, métodos antigos. Continuamos com o mundo dividido primariamente entre os bons e os maus, prosseguem os berreiros estridentes das grandes frases retóricas que não oferecem ao receptor informação sobre os assuntos mas que lhe exigem uma adesão emocional (com alguns casos individuais pelo meio, género noticiário da TVI), que não o tornam capaz de pensar pelas sua própria cabeça e que afastam das boas causas qualquer pessoa com dúvidas sobre o assunto. Por estas e por outras é que os rapazes que foram de extrema-direita e que hoje até são de esquerda são muito menos que os operários que eram de esquerda e que hoje celebram os movimentos racistas e nacionalistas por toda a Europa.

José Mourinho

"Don't try to put pressure on me because i am never under pressure". O homem continua imparável. E impagável.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Dúvida

Passou despercebido nas análises eleitorais, mas a verdade é não foi apenas o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda que viram subir o número de preferências eleitorais, no passado domingo.
O partido Garcia Pereira, vulgo PCTP-MRPP, passou de 36183 votos (0,66%), em 2002, para 47745 (0,84), em 2005.
Sempre gostava de saber destes 47 mil e picos votos, quantos correspondem a séniores que apõem a cruzinha no quadradinho da foice e do martelo do partido Garcia Pereira, pensando que estão a votar no PCP...

Conflito na Terra Santa - Até quando?

Há alguns dias atrás acabei de ler as "Entrevistas no Centro do Mundo", do Henrique Cymerman, jornalista correspondente da SIC que há muitos anos vive em Israel. O livro dá-nos a oportunidade de conhecer os pontos de vista de figuras da esfera política mas também de cidadãos anónimos, de ambos os lados da barricada.

Constatei através da minha leitura que, felizmente, a questão religiosa não é a essencial para todos aqueles que habitam aqueles escassos quilómetros quadrados, excepção feita aos fundamentalistas que existem nos dois lados. Se é verdade que há quem leve o Corão e a Torah demasiado a sério, impedindo que a tolerância pelo próximo possa florescer, também é verdade que há muçulmanos que declaram claramente que não odeiam os israelitas por estes serem judeus, mas sim por estes estarem a ocupar os territórios que habitavam (um dos líderes das Brigadas de Al Aqsa refere inclusivé que não só não odeia os israelitas como até tem amigos em Israel por quem tem muita estima). Da mesma forma, há israelitas que compreendem perfeitamente o drama dos palestinianos.

Pais muçulmanos e pais judeus que perderam filhos em atentados e operações militares, declaram abertamente que não desejam a morte a nenhuma criança, seja de que credo for.

Por um lado é o sinal de que algo poderá efectivamente mudar, embora não saibamos quanto tempo mais teremos de esperar para que a paz se implante de vez no berço das três principais religiões que existem à face da Terra. Quanto tempo mais até haver uma Palestina e um Israel, com fronteiras bem definidas e governos soberanos a coexistirem pacificamente? Em que o Mohamed e o Abraham poderão reunir os seus amigos e, juntos, disputar uma futebolada sem receio de coisa nenhuma?

Conceitos cativos

O mayor de Londres, com o intuito de ofender um jornalista do Daily Mail acusou-o de ser como um guarda Nazi de um campo de concentracao. Uma ofensa extremamente rude, mas uma ofensa que, obviamente, nao abona nada em favor dos guardas Nazis. Acontece que o jornalista e Judeu. Levantou-se pois uma celeuma tremenda a volta do assunto. O Conselho dos Judeus Britanicos acusou Levingston de racista, e exigiu uma desculpa publica. Levingston recusa-se a retratar-se publicamente, defendendo-se que isso seria o mesmo que assumir-se como racista quando ele nao o e. De facto, se Ken Levingston ofendeu alguem, tera sido os ‘skinheads’ e nao os Judeus.
Este episodio, assim como o do Principe, demonstra apenas o poder do lobby Judeu. Demonstra ainda algo mais preocupante. O holocausto representa um dos crimes mais hediondos que a Humanidade jamais teve oportunidade de assistir. Mas de facto, os Judeus apropriaram o papel de vitimas, quase que transformando-o num direito exclusivo. E de facto esta estrategia parece ter surtido grandes resultados para a politica Israelita. Em Israel, assim como nos paises arabes, religiao coexiste simbioticamente com a politica. Assim sendo, criticar o estado Israelita e o mesmo que criticar os Judeus. Logo, quem critica e anti-semita. O trauma da Segunda Grande Guerra e o pavor de ser rotolado de anti-semita, durante anos silenciaram as vozes dos que se opoem a colonizacao coerciva do Estado Palestiniano. Felizmente, as geracoes mais jovens, e nao porque acometidas por amnesia historica, nestes ultimos anos tem revertido tal situacao. E eu pergunto, o que e a Faixa de Gaza e a Palestina se nao dois enormes campos de concentracao, onde a liberdade de movimentos dos Palestinianos e restringida ao minimo; onde a economia Palestiniana e boicotada diariamente, submetendo a probreza extrema um povo; onde mulheres gravidas sao impedidas de passarem os ‘check points’ para chegarem a maternidade; onde casas, escolas, centros culturais sao destruidos por forma a impedir o desenvolvimento da cultura Palestiniana? Porque e que um Judeu nao podera ser um guarda de um campo de concentracao? O que chamar entao aos soldados que estao nos ‘check points’, aos soldados Israelitas que mataram Thomas Hurndall, um pacifista, em 2002? [Atencao que esta 'confusao' entre Israelita e Judeu nao e minha, foi propositadamente construida, fundamentada na Biblia e no processo de construcao social dos Judeus como um grupo etnico e nao como uma religiao]
Mas nao e apenas o sentido da palavra ‘vitima’ que alguns, mas importantes, lobbies Judeus apropriaram. Cativos da sua capacidade de monopolizacao discursiva sao tambem os conceitos de ‘terrorista’ e ‘fundamentalista’.
Entretanto, e mais uma vez, tal como no que sucedeu antes da Segunda Grande Guerra, a Europa assiste impavida a crimes contra a humanidade. Desta feita as vitimas sao os Palestinianos, e quem os comete sao o Estado e o exercito Israelita…

Link do Thomas Hurndall Fund:
http://www.tomhurndall.co.uk/

Ópticas

A história das realidades estatísticas dos resultados eleitorais da Madeira assemelha-se com a história do copo meio cheio ou meio vazio.
Pode o PS ter tido na Madeira o seu pior resultado no todo nacional e o PSD o seu melhor, mas também pode o PS ter tido na Madeira o seu melhor resultado em 30 anos e o PSD o pior, como pode o PS pela primeira vez ter tido o mesmo número de deputados eleitos que o PSD, and so on...

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Delírios matinais

O DN de cá do burgo dedicou, nas suas duas últimas edições, boa parte do seu tempo a fantasias eleitorais e à extrapolação dos resultados do passado fim-de-semana no que à Madeira diz respeito. Ontem, aplicou os resultados da noite de domingo e transformou-os, imagine-se, em supostos resultados de eleições regionais. Ou seja, o que teria acontecido ao PSD/Madeira se se tivesse verificado, em Outubro passado, o resultado que se verificou nestas eleições? Nada de complicado. Tudo muito simples. Porque de acordo com o exercício, meramente especulativo e de base exclusivamente aritmética, o PSD ficaria com a sua actual maioria absoluta presa por apenas dois deputados, o que no entender do DN parece ser muito significativo e razão para fazer notícia. Hoje o mesmo processo aplicou-se às autarquias madeirenses. Conclusões mais ou menos semelhantes. Chegou-se ao cúmulo de imaginar coligações (como se uma coligação fosse uma mera soma de votos de dois ou mais partidos) de esquerda capazes de derrubar, por exemplo, o poder do PSD no Funchal. Perante o delírio, estamos explicados quanto às intenções, esforçadas, de tentar dar a volta ao texto e procurar vitórias morais reconfortantes que coloquem a oposição por cima e o PSD por baixo. Mas a realidade é indesmentível e um facto estatístico incontornável: o PS teve na Madeira o seu pior resultado no todo nacional e o PSD o seu melhor. E é isto que se quer omitir e, confortavelmente, sonegar.

Ainda sobre a responsabilidade do presidente

Parece-me óbvio que Sampaio tem uma responsabilidade acrescida no actual momento político. Se Sampaio, e escrevi isso aqui em tempos, não convocou eleições em Junho (como de facto o devia ter feito) foi, de certeza, porque tinha um acordo com Durão Barroso. Se assim não fosse, Durão nunca teria partido para Bruxelas e deixado vago o cargo de primeiro-ministro. Ou não é isto óbvio?
Do mal menor, encontrou-se Santana Lopes, um Vice-Presidente (o primeiro) do PSD e simplesmente o presidente da maior câmara do país, que Sampaio aceitou, mas a quem anteviu um futuro negro (mesmo com aquelas cenas todas de ouvir os vários quadrantes políticos, as corporações e o Conselho de Estado para fingir que a sua decisão era ponderada e que não estava ainda tomada). Tudo muito bem. O timing era perfeito e jogava a favor do mestre que mexia as pedras. Entre ele e o seu objectivo final (uma maioria PS no Parlamento) apenas uma pedra no sapato: Ferro Rodrigues. Era preciso forçar a demissão de um líder e uma direcção envolvidos, indirectamente, no escândalo Casa Pia, o qual manchava a reputação dos socialistas e que o PS geria muito mal arrastando-se, por culpa própria, num lodo sem fim à vista. Ainda para mais, com Santana motivado, a convocação então de eleições teria servido para legitimá-lo no poder, uma vez que Ferro seria presa fácil do discurso e da popularidade de Santana. Bastou-lhe (a Sampaio) então, e depois, esperar enquanto o governo metia os pés pelas mãos, praticamente todas as semanas. E foi aqui que Sampaio fez jurisprudência e que conseguiu aquilo que ninguém antes ousara fazer: dissolver um parlamento com uma maioria sólida no governo, por mero capricho. Depois de legitimar Santana, Sampaio, protegido pela comunicação social e pela esquerda sedenta de voltar ao poder e atraída pelas sondagens, cometeu um erro pelo qual nunca pagará. O que é pena.

Fantasias

O Correio da Manhã tem afixado em muitas paragens dos autocarros em Lisboa uns placards publicitários que tentam persuadir os progenitores a adquirirem para os seus rebentos o último brinde que acompanha o respectivo jornal, uma Bíblia em animação, para que assim os pobres pequenos "não acreditem apenas em monstros felpudos”.
Como prova do carácter não-ficcional desta Bíblia, em contraponto com o mundo irreal da fantasia infantil, os anúncios mostram a capa do DVD ou do vídeo que estará à venda, nada mais nada menos do que Moisés com um cajado a dividir o Mar Vermelho ao meio!...

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Espirito Luso

[este texto contem linguagem nao aconselhavel a menores]

A minha incursao pelos jornais do burgo leva-me a concluir sobre as duas unicas possiveis reaccoes dos portugueses em situacoes de pos-eleicoes:

1) os portugueses votaram mal e por isso vao se foder

2) ja esta tudo fodido e esta, portanto, nao vale pena antever a luz ao fundo do tunel. Continuemos como antes, de longe, a ver Babel arder

Ja no pos-pos-eleicoes, como e sabido, a unica e tradicional reaccao e:

* negacao: “eu e que nao os pus la! Nem sequer votei neles”

Revelador do espirito luso, nao…

Eleições III

O positivo nestas eleições foi a rejeição de certo tipo de populismo, do boato, da maledicência, do culto insuportável da personalidade, do aproveitamento religioso etc. Em contrapartida, percebemos que para obter uma maioria absoluta basta apenas ser vago, pouco preciso, e não ter ideias fracturantes, ou mesmo ideias algumas.

Eleições II

Infelizmente não se deve esperar muito da maioria absoluta do PS. É expectável que o Estado seja novamente tomado pelo critério da clientela e não pelo do mérito. Algumas excepções serão animadoras. Aqui e ali teremos um bom ministro, um secretário-de-estado competente, algumas boas medidas. Isso é bom e o PS tem condições de ser melhor que o PSD. No entanto, sem querer pedir emprestada a amargura ao Vasco Pulido Valente, quem conhece a história do país, as suas estruturas profundas e persistentes, não fica muito esperançado. Sabe-se que hoje, as burocracias políticas do PSD e do PS não andam muito longe de olhar o mundo da mesma maneira.

Eleições I

Para manter viva a discussão, de certa forma a essência do Grupo do Pato, avanço com algumas considerações sobre o argumento escolhido pelo PSD para justificar a derrota: a decisão de Jorge Sampaio. Tomar Sampaio como um indivíduo separado do mundo que, por capricho, toma uma decisão não serve de explicação. Há várias forma de perceber a atitude de Sampaio e, porventura, todas elas tiveram o seu peso. Uma primeira parte das próprias explicações por ele avançadas: o governo dava mostras de não conseguir governar. Dissidência interna, má gestão pública de alguns assuntos. Esta foi a explicação pública, de certa forma uma explicação débil. Uma teoria mais conspiratória sugere que Sampaio quis entregar o governo ao seu partido. Mas se foi assim por que não convocar eleições quando Durão Barroso saiu? Porque, dirão alguns, Sampaio escolheu o momento em que o governo de coligação estava mais frágil, ferindo-o de morte. Talvez. Outras razões existiram fora do domínio público. E essas serão, tendo em conta o país em que vivemos, as mais importantes. Falo do que passou no seio de um restrito número de pessoas que gere, nas mais diversas áreas, Portugal. Entre estas pessoas, políticos, banqueiros, empresários, representantes de empresas estrangeiras, o alto funcionalismo público, algum poder local, a comunicação social, e outros interesses corporativos etc, decorreram jantares, reuniões, comunicações telefónicas, etc. De tudo isto resultou a ideia de que o governo de Santana Lopes não estava a funcionar. Esta ideia foi tão forte que mesmo dentro do PSD surgiram inúmeras frentes contra Santana, algo que se revelou fatal para o primeiro-ministro. Claro que os inúmeros interesses intermédios, médias clientelas, não concordaram com o afastamento do PSD do aparelho de estado, maná de tachos e tachinhos. São estes que estão a protestar. Mas outros valores mais altos se levantaram. Quem decidiu que Santana tinha que sair foram os interesses que o PSD sempre defendeu e vai continuar a defender.

PSD e Santana

Depois de aguentarem o Santana Lopes, os Portugueses aguentariam ate a Pomba Gira. Ora ai esta uma idea para o proximo congresso do PSD: Pomba Gira a Secretaria Geral. De certeza que depois de assistirem, silenciosos, a campanha vergonhosa do Santana Lopes, sendo por isso cumplices, os encartados do PSD elegeriam ate a Pomba Gira para chegar ao poder. Santana Lopes usou do mais baixo nesta campanha, tao baixo que nem se pode chamar de 'populismo'... O senhor escreveu cartas aos eleitores que mais pareciam saidas de um guiao de uma novela mexicana de terceira e aflorou comentarios sobre a vida sexual e particular do seu oponente do PS, com total desrespeito pela familia do mesmo. Para provarem que nao querem o poder pelo poder, os encartados com direito a voto no tal Congresso deveriam correr com Santana, enviando um sinal aos seus eleitores que estao na politica por sentido de dever publico e com dignidade.

Axioma?

O PSD perdeu as eleicoes. Parafraseando os Monty Pythons: [good] "shit happens"... Chama-se democracia.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Axioma

"O PS de Sócrates será tão arrogante como o PSD de Cavaco."
Que ninguém se engane. Em política não há milagres.

Portugal de 21 de Fevereiro de 2005

No Portugal de 21 de Fevereiro de 2005, um facto é indesmentível: os discursos moralistas e maniqueístas penetram muito bem no eleitorado português e a demagogia é a mais refinada das técnicas políticas. Para quem antecipou a morte do populismo com o Dr. Santana, eis um outro belo exemplo ainda bem vivo e a crescer: o Dr. Louçã e os seus apóstolos. O circo chegou à cidade.

A sondagem. As sondagens

O efeito das sondagens, que deixavam o PS no limiar da maioria absoluta, teve o resultado desejado pelos seus patrocinadores. Estar no limiar, implicava um quase que era um quase tudo, que significava, como é evidente, um esforço final. Com a sondagem favorável, ou no ponto certo, o eleitorado do PS mobilizou-se e beneficiou de longe José Sócrates, também conhecido por choque tecnológico, nome da única ideia, ainda assim muito mal explicada, que foi capaz de apresentar ao país. Um verdadeiro cheque em branco, como se vê. Há pouco tempo atrás, em Outubro de 2004, na Madeira, uma sondagem assassina teve um efeito contrário: de acordo com uma projecção meio manhosa (também chamada de sondagem), o DN dava uma esmagadora maioria de 62% ao PSD contra 20% do PS, isto na sexta-feira antes da eleição. O resultado final esteve muito longe da projecção avançada: 53% para o PSD e 29% para o PS. Aqui, o efeito da sondagem também teve o resultado desejado pelos seus patrocinadores.

Eleições II

Quantos ministros do tempo de Guterres serão agora ministros de Sócrates? Aceitam-se apostas.

Eleições

O PS ganhou as eleições. Parabéns ao Dr. Sampaio pela ajuda (definição de batota promovida e patrocinada) e pela eleição dos seus amigos de longa data. Afinal, para que serve um presidente?

Aí vem a Chuva!

Olho para as previsões meteorológicas do Weather.co.uk para os próximos dias e reparo que Viseu vai fazer finalmente jus ao seu epíteto de "peniquinho do céu" já a partir de amanhã e pelo menos até ao dia 2 de Março.
Note-se que isto acontece logo após o distrito ter quebrado o mito do Cavaquistão ou do Laranjistão! Simples coincidência eleitoral? Não creio.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Palpite

Palpita assim o centro de sondagens de Elephant and Castle.

PS: 42%; PSD: 34%; PP: 8%; CDU: 7.5%; BE: 5%. PCTP: 1.2%, etc
Há ainda que interpretar com atenção os resultados da abstenção e do voto Saramago. A ver.

O Rei do Sinónimo

Quase tão saliente como o excelente resultado que o Benfica alcançou ontem em Krasnodar – desta vez levámos só dois – foi o comentário da RTP. De entre algumas pérolas da banalidade levada a quinta-essência, recordo-me com carinho de uma tirada do distinto comentador (acabei por não conseguir perceber de quem se tratava). Disse então o senhor, reflectindo sobre as dificuldades que o Benfica irá atravessar nos jogos de Março: “Para o Benfica, mais do que decisivo, Março vai ser determinante.” Bonito.

Qual Seinfeld qual carapuça

João César das Neves, dixit, no Independente:
"Hoje temos livros de educação sexual que incitam as crianças do ensino básico à masturbação".
"Com o preservativo a relação sexual passa a ser mesma coisa que comer um pastel de nata".
"A Igreja não condena o presevativo. Condena o deboche".
"Antes da Igreja era o deboche, com regras muito sortidas".
"Estamos a viver os problemas da droga, do suícidio, da desorganização das famílias, do abandono dos mais velhos...Uma enorme quantidade de estudos sociológicos mostram que estão relacionados com a destruição da família e com a sede de prazer!".
...

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

POUS!!!!

É verdade!!! A Carmelinda Pereira tem jovens seguidoras!!!! O POUS tem jovens!!!!

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

O Choque de Civilizações

ATHENS (Reuters) - A clutch of complaints by U.S. viewers that the Athens Olympics opening ceremony featured lewd nudity has incensed the Games chief, who warned American regulators to back off from policing ancient Greek culture.Male nudity, a woman's breast and simulated sex were the subjects of shrill complaints about the opening ceremony on Aug. 13 which were posted by the FCC on its Web site.

"Far from being indecent, the opening ceremonies were beautiful, enlightening, uplifting and enjoyable," Angelopoulos, President ATHENS 2004 Organising Committee for the Olympic Games, wrote in a weekend letter to the Los Angeles Times.

"Greece does not wish to be drawn into an American culture war. Yet that is exactly what is happening," she said.

Complaints focused on a parade of actors portraying naked statues. Among them were the Satyr and the nude Kouros male statues, both emblems of ancient Greece's golden age.

Angelopoulos, who said the handful of U.S. complaints were dwarfed by the 3.9 billion people who watched the ceremony, had a blunt message.

"As Americans surely are aware, there is great hostility in the world today to cultural domination in which a single value system created elsewhere diminishes and degrades local cultures," she said in her letter.

"In this context, it is astonishingly unwise for an agency of the U.S. government to engage in an investigation that could label a presentation of the Greek origins of civilization as unfit for television viewing."

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Dia dos Namorados

O Diário de Notícias cá do burgo promoveu um concurso de poemas e frases de amor, com toda a pompa e circunstância, dedicado ao Dia dos Namorados. O resultado, publicado hoje em anúncio de página inteira, é no mínimo intrigante. O nome dos autores, como é óbvio, não será mencionado. Algumas pérolas:

“Ana amo-te muito.
Desejo-te muitos beijinhos de JL”

“1 silêncio, 2 olhares,
3 sorrisos, 4 palavras,
5 abraços, 1000 beijos,
1 amor Gabriela.”

“Plantas o meu jardim
e decoras a minha alma
Cintia & Marco”

“Amava-te, amo-te, amarte-ei (sic). São estas as palavras que te direi hoje, Élvio”

“Quando começares a pensar em me esqueceres (sic),
esquece de pensar” (!!!) [enigmático no mínimo]

O terceiro prémio da contenda coube:
“meu amor por ti, é como a guerra,
fácil de começar, difícil de acabar”

O segundo:
“Deixo-me levar pelo coração,
neste sentimento especial,
é tão grande a emoção,
jantar contigo no Clube Naval [um dos patrocinadores do concurso]”

Conclusão: o amor é lindo.

100 anos de luto

Um dia e pouco. Facam-se cem anos de luto, adiem-se as eleicoes e entregue-se o rectangulo a um comissao administrativa chefiada pelo Valentim Loureiro e o padre Melicias. Depois do pais estar em ordem restauramos a monarquia e invadimos Ceuta. Ta feito. Viva a irma Lucia, que tanto deu ao nosso pais. Amen.

A Irmã Lúcia

A melhor prova de que não está a haver aproveitamento político foi dada por Santana Lapes, ontem à noite, em declarações à Radio Renascença:
"Estive há meia hora a falar sobre ela", foi "a última conversa que tive antes de vir para aqui", disse Santana Lopes à saída de um comício em Guimarães.
Depois de Portas aparecer em público com os olhos lacrimejantes, Santana remata desta maneira sublime só ao alcance de uns poucos predestinados...

Alguem que me explique...

Como e que, num pais constitucionalmente laico se decreta luto nacional pela morte de uma freira?! Sera que isto agora vai ser moda: por cada freira, cada padre e sacristao que morre no pais vamos ter dia de luto nacional? E pa, isto depois vai ser um problema! E se as minorias religiosas dao de exigir o mesmo...

O PND 3ª parte

Os tempos de antena do PND estão povoados de mães casadas que se apresentam assim mesmo: como mães casadas. E com um ar de quem nunca pecou nem por actos, pensamentos ou mesmo omissões. Gente séria como se vê: um mar de virtudes na sociedade hedionda em que vivemos onde o pecado grassa em todas as esquinas e que urge combater. “Olá, eu sou a Luísa, tenho 35 anos, sou casada e tenha 3 filhos e voto no PND porque…” é uma espécie de grito de guerra que garante que este ser humano apoia o partido do Manel. Mau grado a política de campanha que é escolhida à medida pelas cúpulas partidárias, gostaria de perguntar ao PND qual é o objectivo de tratar a mulher sempre como um objecto sem vontade própria. E já agora se pretendem adicionar à campanha o Joaquim, com toda a certeza um belo protótipo da Nova Democracia: “Olá, eu sou o Joaquim, sou engenheiro, tenho 53 anos, 11 filhos todos machos e 4 netos e não deixo a minha mulher trabalhar porque homem que é macho não deixa a sua esposa andar por aí a ser alvo de piropos dos tipos das obras ou dos empregados de escritório.”

Surrealismo político

No campo do surrealismo político ninguém bate o Partido Humanista na Madeira. O PH (não sei se é neutro) apresenta como cabeça de lista pela Madeira um candidato que nunca esteve cá (é verdade, estão a ler bem: o candidato do PH nunca esteva na Madeira ou mesmo no Porto Santo. Também se aceitava Desertas ou Selvagens, mas nem isso...). Apesar disso, o ilustre senhor, homem de refinado carácter, garante ter conhecimento de que há uma economia paralela que prejudica o desenvolvimento madeirense, facto que por si só lhe deve garantir, quem sabe, a sua entrada na Assembleia da República. Claro que pelo meio, debitou algumas coisas sobre a autonomia e o seu aprofundamento. Mas não se percebeu muito bem o quê. Falar por telefone tem sempre destes inconvenientes. Pela coragem, pela originalidade da candidatura, e claro, pela distinta lata, eu aposto que o PH deve chegar aos…. 32 votos. Em toda a Região. Já não era nada mau.

O PND da Madeira 2ª parte

Por falar em piada, o líder do PND da Madeira, o tal Baltasar Aguiar passa a vida a chamar ao PND, CDS/PP enquanto deambula sobre a incongruência do discurso e da acção política portuguesa. Garante quem o vê e o ouve que o engano é sistemático e que roça o absurdo. Mas nada abala Baltasar na sua epopeia heróica à procura da sua eleição para a Assembleia da República. Nem que a boca lhe esteja sempre a fugir para a verdade e a denunciar as suas verdadeiras intenções. Afinal, o PP do Paulo até é parecido com o PND do Manel.

O PND da Madeira

O líder do PND da Madeira, Baltasar Aguiar, veio propor a criação de um salário para as mulheres que decidam ficar em casa a cuidar dos seus rebeldes rebentos. Esta ideia peregrina foi hoje novamente trazida a público, no espaço de tempo de antena que a comunicação social madeirense reserva para estas imemoráveis cenas de campanha. Pela voz de um outro candidato (mea culpa, não decorei o nome), o PND da Madeira, organização ligeiramente clandestina e praticamente desconhecida no panorama político regional, vislumbra duas vantagens imediatas nesta política estrutural de fundo: primeiro, evitar custos acrescidos com creches e com a sua manutenção (ou seja, gastar menos do erário público); e, segundo, fazer com que as mães portuguesas tenham sempre um meio de subsistência garantido ajudando assim a contribuir para o orçamento doméstico e, quem sabe, evitar a hegemonia masculina (facto cuidadosamente omitido). Como se vê, em pleno século XXI, a mentalidade de homem das cavernas faz sucesso no circo político e na comédia em que vivemos. Para fazer política muitas vezes não é preciso ser sério. Basta ter piada. E algum mau gosto. Força PND.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Assim se vê a força do PP

Tem sido quase unanimemente reconhecido que esta campanha eleitoral tem proporcionado como nunca antes momentos inolvidáveis de galhofa. O ritmo das estultices, sejam em cartazes, em frases proferidas nos comícios, nas aparições televisivas dos candidatos, nas poses de estado forçadas, etc, etc., é tão elevado que somos virtualmente ultrapassados por elas.
Por isso vou agora apenas aqui falar do mais recente momento de assombro a que fui acometido nesta campanha e que tem como seu autor, sem espanto, um putativo candidato a ministro de um elenco governativo chefiado pelo PP, Pires de Lima de seu nome.
Primeiro, certamente inspirado no apelo à sublevação popular das gentes de Coimbra e ao fecho dos portões da cidade defendido por um seu colega de partido na passada semana, considerou que o PP é o partido revolucionário do século XXI! Bem que me tinha parecido que o tinha visto a ele e ao seu presidente de partido na semana passada no Porto a cantar alegremente o clássico slogan do PCP, adaptado agora por estes novos revolucionários, para “Assim se vê a força do PP”.
Logo de seguida, veio opinar que a causa dos salários baixos dos trabalhadores portugueses deve ser imputada às forças de esquerda do PREC. Só para confirmar esta asserção (a minha memória podia já não ser o que era...) fui ao site da CNE para verificar a vigência governativa destas obscurantistas forças ao longo da história da democracia portuguesa.
Segundo o CNE, que pode estar a desvirtuar a verdade, a maior parcela de tempo da democracia portuguesa passou-se sob a vigência governativa de partidos de direita, incluindo o CDS/PP do doutor Pires de Lima, que formou a AD no governo entre 79 e 83 e depois entre 2002 e 2004, quando esteve coligado com o PSD.
Mas concerteza, a julgar pelo vice do PP, que tais partidos não devem ter responsabilidade nenhuma no panorama reinante, no que diz respeito aos baixos salários dos trabalhadores portugueses, pois a culpa aqui morre solteira com as forças do PREC...

A notícia

A notícia do momento, vem na mesma edição do Independente de hoje em grande manchete: “PJ investiga decisão de Sócrates”. Em causa um suposto benefício (licenciamento do Freeport de Alcochete) do então ministro do Ambiente, José Sócrates, a troco de financiamento para campanhas eleitorais do PS.
A notícia, a confirmar-se, é grave. Muito grave, mesmo. Mas no actual momento de combate político e de intensa campanha (não de ideias, que essas não se vêem) a questão que se coloca deve ser vista sob duas perspectivas diferentes: deve a PJ estar quieta porque se vive um momento decisivo para o futuro político do país, onde qualquer denúncia ou mal-entendido pode ser prejudicial para o visado (ainda para mais sendo o visado o mais que provável futuro primeiro-ministro do país); ou, por outra, deve a PJ agir sem ligar a caras e a momentos sociais específicos para não beneficiar o infractor e o sentimento geral de impunidade que grassa por todo o espectro da sociedade portuguesa (com todas as consequências daí advindas)?
Não se sabe bem como medir as consequências destas notícias e quais os seus verdadeiros efeitos na opinião pública. A notícia, recorde-se, é manchete no Independente mas também surge no Público que lhe reserva o canto inferior direito da sua capa, usando antes o “Governo PS” em vez do nome do principal visado (curiosa orientação quando ainda há bem pouco tempo, um simples boato deu primeira página, sem qualquer remorso). A quem ela irá beneficiar é coisa que por ora não se pode medir. Mas não deixará de ser tema de campanha. Quase de certeza.
Por último, apenas um pensamento: não estaremos perante subterfúgios ocultos que ajudam a ultrapassar a actual lei do financiamento dos partidos políticos apresentada pelo próprio PS? A mesma que clama transparência?

O Independente

De acordo com o Independente, foi no aniversário da jornalista Maria João Avillez que se cozinhou a insólita notícia do desejo de Cavaco Silva numa maioria absoluta de José Sócrates saída no Público de 8 de Fevereiro.
Entre os convidados da festa, contava-se o próprio Cavaco Silva, Miguel Veiga, Teresa Patrício Gouveia, Álvaro Barreto, José Manuel Fernandes, José António Saraiva, Vicente Jorge Silva. Ao que dizem, a festa foi um momento pleno de corte e costura sobre Santana Lopes e a sua liderança. Mas a pergunta legítima que se tem de fazer é a seguinte: como é que um director de jornal de referência como o Público é capaz de lançar a escabrosa notícia desta última terça-feira de Carnaval? Será que o Sr. José Manuel Fernandes não se toca e não percebe que mais cedo ou mais tarde iria ser identificado como a fonte do seu próprio jornal?
E que dizer quanto aos evidentes indícios de má-fé e mau profissionalismo? JMF aproveitou-se de uma situação privada para tornar pública um eventual desabafo de Cavaco (muito provavelmente sem ponta de inocência). Só por si, isto é revelador do total sentimento de impunidade que grassa por toda a Comunicação dita Social.

Leitura obrigatoria

Desculpem la, mas tenho mesmo de vos indicar este 'link'. Artigo de leitura obrigatoria de Ward Churchill, academico norte americano, e que lhe valeu a demissao. Boa leitura!

http://www.kersplebedeb.com/mystuff/s11/churchill.html

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Just do it

Gary Neville pôs o dedo na ferida. O defesa do Manchester United desconfia que a campanha anti-racismo que caracterizou os jogos entre selecções que ontem tiveram lugar por toda a Europa foi, mais do que outra coisa qualquer, um inteligente golpe publicitário. A Nike, à custa de uma ideia e umas quantas camisolas, conseguiu publicidade gratuita em milhares de meios de comunicação social. Dirão os mais cépticos em relação a este argumento: mas será que não é possível que uma multinacional tenha princípios humanistas independentes do lucro imediato? A verdade é que o resultado positivo nas mentes adequa-se bem ao resultado positivo no balanço da contabilidade. Lembrei-me do documentário que Mariana Otero realizou sobre a SIC. Numa reunião de direcção a que a realizadora teve acesso, Rangel idealizava a relação produtiva entre os telejornais do operador televisivo e um conjunto de notícias sobre a luta contra o cancro. O cancro vendia, argumentava Rangel

Os clientes

Os distraídos que continuam a acreditar que o ensino universitário é um mundo definido pela transmissão desinteressada dos saberes deveriam passar os olhos por um artigo que o Guardian publicou nesta última segunda-feira (que encontrarão com facilidade na edição on-line do diário inglês). As universidades inglesas recebem por ano 300 mil estudantes estrangeiros, parte considerável oriunda de países de fora da União Europeia. O contingente estrangeiro permeia a economia inglesa com 5 biliões de libras por ano. Como devem imaginar este tipo de «emigrantes» é bem-vindo por cá. Afortunados árabes, japoneses, malaios, tailandeses, coreanos, africanos e, acima de tudo, chineses, enviam os filhos para «o centro do mundo» e pagam três a quatro vezes mais propinas que alunos ingleses e de outros países da União Europeia. Os reitores das faculdades preparam-se para reduzir as vagas destinadas aos alunos locais em detrimento dos rebentos das referidas fortunas internacionais. Argumentam eles que o ambiente multicultural e cosmopolita é muito positivo e que todos têm aprendido imenso com a experiência. Claro que aos ingleses, além da experiência e das loas ao multiculturalismo, também agradam as propinas, o alojamento, e todo o dinheiro que, indirectamente, é investido na economia: transportes, comunicações, alimentação, industrias culturais, etc. Diga-se que os ingleses têm apenas 23% do comércio da educação na sua língua. Os americanos dominam 58% do mercado. Se é certo que as universidades, nomeadamente as mais prestigiadas, são espaços multiculturais, não é menos real que são lugares extremamente homogéneos em relação à origem social dos alunos, mundos de classe média e média alta, para não falar de algumas fortunas inacreditáveis. Perante este contexto de comercialização do ensino, os critérios de selecção dos alunos são muito frágeis e o mérito é cada vez mais o do extracto bancário. A universidade é uma indústria e os alunos, os que podem claro, os seus clientes.

Sócrates e os boatos

Sócrates não teve qualquer pejo em utilizar um boato vindo a público no Público, em que o Prof. Cavaco insinuava que desejava uma maioria absoluta do PS (notícia escabrosa como se demonstrou), para fazer campanha eleitoral a seu favor e daí procurar tirar nítidos dividendos. Tiro pela culatra. O Eng. Sócrates não pode utilizar o efeito do boato apenas quando lhe convém, sob pena de estar a ser conivente com a sua propagação e manipulação política. E ele, melhor que ninguém, devia saber isso porque ainda recentemente foi vítima de uma campanha do género. Ou será que agora o boato já pode ser utilizado? Bem prega Frei Tomás...

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Novo contador

O Grupo do Pato tem finalmente um novo contador gratuito. Graças à Bravenet.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

O Código Da Vinci à lupa

Durante duas horas de documentário, o já aqui aclamado Tony Robinson, procedeu, para desgosto de livrarias e editores, a uma análise precisa do maior best-seller dos nossos tempos: o Código da Vinci, escrito por Dan Brown. O método foi simples: Robinson isolou os mais importantes argumentos do livro e resolveu testar a sua verosimilhança. O resultado foi um divertido desfilar de bengaladas que, peça por peça, foi derrubando a trama de Brown até nada restar de pé. Como Robinson acabou por aconselhar, quem desejar uma abordagem surreal à lenda do cálice sagrado fica melhor servido com o exercício cinematográfico dos Monty Phyton sobre o tema. O documentário começou com uma afirmação do próprio Dan Brown – que parece um daqueles senhores que vendem máquinas para os abdominais no teleshop às três da manhã – asseverando que o seu livro se baseava em evidências históricas. Pois bem, desde o facto de provar não existirem registos da existência de um qualquer enigma original envolvendo o cálice, problema que só terá nascido numa ficção no século XI, tornando-se tema literário, até à desmontagem de fantasias sobre a acção de grupos e seitas religiosas, um deles, o Priorado do Sião, que foi inventado nos anos sessenta por alguém que também queria vender livros, passando pela exclamação quanto às explicações imaginativas de quadros do Da Vinci, o documentário é claro quanto ao excesso de interpretação do livro de Brown. Sobra a dúvida, embora sustentada por outras fontes, do possível papel de Maria Madalena na história da cristandade e da possível omissão de textos sagrados pela hierarquia da igreja católica. Não li o livro de Brown nem pretendo avaliar o seu talento. Acho, porém, que tratando-se de uma ficção, a obra não está sujeita a qualquer tipo de constrangimento, podendo o autor dizer o que bem quiser e entender. O problema reside no facto de a obra estar a ser vendida e consumida como uma verdade histórica minimamente sustentada. Neste aspecto, Brown é um vendedor de banha da cobra que se limitou a romancear um livro do princípio dos anos oitenta (Holy grail, Holy blood) onde a tese foi arquitectada por dois aldrabões que também podiam estar vender máquinas para os abdominais. O autor utilizou a história – que lembre-se é uma ciência empírica que exige fiabilidade nas provas e nas fontes - como Paulo Coelho cozinha a sua psicologia barata com o esoterismo e o misticismo, sustentando assim uma indústria. Ficção por ficção, prefiro a Bíblia.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Liga dos Últimos

Já aqui me referi, há algum tempo, a um dos exemplos de excelência e vanguarda televisiva transmitido pela RTPN, de seu nome “Na Roça com os Tachos”. No entanto, seria injusto deixar passar em claro e não fazer qualquer referência a outros dos expoentes da pantalha televisiva, também ele emitido pela mesma estação, o programa desportivo “Liga dos Últimos”.
Dedicado ao futebol amador, o programa focaliza a sua atenção nos últimos classificados dos campeonatos das divisões mais distantes da Superliga, ou seja, no Baguim do Monte, no Montezelos, no Lamas, no Arguedeira, no Nespereira, no Minhocas, entre muitas outras nobres agremiações desportivas.
Ontem, um dos destaques foi para o derby gondomarense, Montezelo vs Baguim do Monte, respectivamente penúltimo e último classificados da campeonato da 3ª divisão distrital do Porto.
Disputado num pelado marciano, debaixo de uma forte ventania, na reportagem efectuada a este derby tivemos oportunidade de deslindar o complexo processo de tomada de decisões ao nível da equipa técnica, através de momentos únicos, como aquele em que o Técnico Adjunto do Montezelos ordenava ao jogador Nuno para avançar rapidamente no terreno e o Técnico Principal ao lado pedia ao Nuno para ter calma...
Também ao nível directivo ali apercebemo-nos que a comunicação de uma Direcção com os associados ocorre muitas vezes com ruído. Assim se explica a divergência dos adeptos do Montezelos acerca da profundidade do furo hertziano mandado construir pela Direcção para aplacar as nuvens de pó que assolam o pelado terreno de jogo, sempre que o vento se levanta para aqueles lados. 22 metros dizia um adepto, 58 metros asseverava outro, 98 corrigia o terceiro. Por fim, o Presidente lá informou que o furo chegava aos 108 metros, tinha custado 500 contos, mas ainda precisavam de uma bomba de água para elevá-la até à superfície.
No que diz respeito ao processo de explanação táctica, em nenhum lado como ali é possível ver tão claramente um treinador a gritar para os pupilos ao intervalo, na cabine, que o empate, ainda por cima com aquela equipa do Montezelos era uma vergonha para todos, carago, incluindo para ele próprio. Ironia das ironias, o Montezelos, na segunda parte, mesmo reduzido a 9 briosos jogadores conseguiu aguentar o empate a uma bola!
Se a essência do futebol mora em algum lado, é ali naqueles pelados marcianos como o do Montezelos. É mantida por jogadores e dirigentes que se movem apenas e exclusivamente por amor ao jogo e aos clubes, e que não se dobram nem quebram perante as adversidades. Como dizia o Presidente do Lamas de Macedo de Cavaleiros: “Aqui a gente nunca desiste, até já vamos em penúltimo!”

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Santana, o bebé chorão

Santana é o caso mais complexo da política portuguesa. Obviamente que pela negativa. Quando foi eleito para a Câmara de Lisboa, “contra ventos e marés”, Santana mostrou toda a sua capacidade de combate, de abnegação e de determinação nas lutas em que se envolvia. Mas é precisamente a partir daqui que Santana é o exemplo perfeito de um dos problemas mais interessantes que atravessam as democracias contemporâneas modernas: as qualidades políticas e humanas (manifestadas em campanha eleitoral e na oposição), que fazem um político ganhar e conquistar eleições, raramente coincidem com as qualidades necessárias para se ser um bom governante. Santana é um exemplo disso mesmo. Durão também. É neste paradoxo que igualmente vamos perceber que Sócrates sofrerá do mesmo mal. Enquanto se afunda, Santana leva com ele o meu partido: o PSD. O PSD é hoje um partido à deriva, que vai sofrer as consequências nefastas, e draconianas, de uma liderança absurdamente manietada por uma mania obsessiva e esquizofrénica incontrolável, que acabou, é preciso não esquecer, por ser legitimada num congresso quase unânime, mais preocupado em discutir coisas frívolas como o Dr. Cavaco, a comunicação social, os seus lugarzinhos, a sesta e outros temas importantíssimos para o nosso imaginário colectivo, em vez de alternativas concretas para o país.
À falta de ideias políticas claras, o Dr. Santana entrou agora numa campanha de charme junto das mulheres para fazer insinuações hediondas à vida privada de outros candidatos, táctica, aliás, já usada lamentavelmente pelo Dr. Louçã, conhecido arauto da moral do país das maravilhas.
Escusado será dizer que Portugal vive hoje no século XXI e tem entrado na civilização desde que a barbárie foi proibida, por decreto, pela União Europeia, o que fará destas insinuações tiros no próprio pé, não viessem elas de quem vêm. Mas a derrota do PSD, na sua única vantagem imediata, porá fim ao mito: ao mito de Santana Lopes e das suas qualidades enquanto líder político. Se pelo caminho conseguir levar com ele o Dr. Menezes, o Dr. Sarmento e o Sr. Relvas, Portugal, e o PSD, agradecem. Eu pelo menos agradeço. Mesmo que isso nos custe mais 4 anos a marcar passo.

Sócrates, a fotocópia

Quem julga que o Eng. Sócrates será um grande primeiro-ministro por ter sido um bom ministro do ambiente (tese absurda do inenarrável Freitas do Amaral, que também faria do Dr. Portas um bom primeiro-ministro, por exemplo), engana-se redondamente. Sócrates representa o que há de pior na política portuguesa e no seu tão conhecido “centrão”: o imobilismo, o facilitismo, o carreirismo, a incapacidade reformadora, o autismo, os chavões políticos vazios, o deixar andar para a frente enquanto se colocam mais uns milhares de funcionários bem identificados com a cor do poder. Sócrates, um arrogante, é fruto de uma nova geração que não se livra das velhas gerações: basta vê-los a divagar sobre planos disto, reformas daquilo para ver que são as mesmas caras, os mesmos caciques, as mesmas estratégias, os mesmos novos-ricos que chegaram com Guterres atraídos pela glória fácil da efemeridade da política. O problema português começa exactamente aí: na manifesta incapacidade de reformar a classe política (e os seus aparelhos povoados de caciques que controlam quem entra, quem sai e quem lá chega), e de atrair gente boa para as suas fileiras, capaz de, com sangue novo, mudar radicalmente as coisas e fazer algo de positivo pelas futuras gerações.
O Eng. Sócrates é mais do mesmo. Da mesma cepa de que são e foram feitos todos os medíocres que nos últimos tempos nos têm governado. E isso não interessa. Não pode interessar.

Portas, a raposa

É de longe o mais inteligente desta nova geração. Portas é um sobrevivente nato e um político astuto e hábil que não dá ponto sem nó e que vê muito para além da jogada seguinte dos adversários. Coloca muito bem a tónica nos assuntos e é claro como água na exposição dos seus princípios. Ali parece não haver subterfúgios, o que lhe dá uma certa áurea e um dom de enorme transparência e sapiência de quem sabe o que pensar e o que dizer. Portas, poderá ser um dos grandes vencedores da noite das eleições de 20 de Fevereiro. Não por evitar a maioria de esquerda que se avizinha (provavelmente a mais larga de sempre), mas por se manter ou mesmo subir à custa do próprio PSD. Não é de estranhar que os dois extremos políticos da vida portuguesa, tenham líderes como Louçã e Portas. Eles melhor do que ninguém sabem como as coisas funcionam. Mas Portas tem uma enorme vantagem: já foi poder. E ainda por cima, deixou feito algum bom trabalho.

Jerónimo, o candidato-bailarino

É talvez o candidato mais sóbrio de todos. É também o mais velho, o que pressupõe que na política envelhecer pode fazer bem às pessoas – mas Soares e Freitas do Amaral negam completamente o axioma – nomeadamente se estas forem ponderadas e se estiverem na política por convicções. O que mais gosto em Jerónimo de Sousa é a sua paixão, o seu deslumbramento, a sua garra, o seu acreditar no projecto e naquilo que diz. O homem fala do fundo da alma mesmo que nela, muito provavelmente, não acredite. Jerónimo, já aqui lhe fiz referência, tem sido uma agradável surpresa que convém não menosprezar nem descuidar. Bem sabemos que o tratamento dado na comunicação social ao PC não é o melhor, mas na lama em que esta campanha anda e se afunda, não andar neste mundo pode ser uma real mais-valia e um bom indicador. E parece que Jerónimo sabe disso.

Louçã, o evangelista

Louçã é o político populista mais perigoso no activo. Toda a gente conhece a corja que o segue, dona absoluta da moral e dos bons costumes, para quem a liberdade é impor às pessoas as suas ideias e convicções. Na sua maioria são burgueses que odeiam o povo, que o desprezam, finos intelectuais que não sabem o que é trabalhar ou ter de lutar por uma vida melhor, mas que acham chique ser radical, atirar uns ovos e manifestar-se contra o FMI, o G8 e o Fóruns de Davos. São geralmente gente sem ideias, ou de uma única ideia: feministas, ecologistas radicais, aborto, eutanásia, homossexuais, defensores das minorias, dos direitos dos animais, e de outros imediatismos. Agit-prop, no seu melhor. Louçã é mestre na arte da retórica e da mais fina e refinada das ironias. Mas Louçã não tem uma única ideia para o país, o que para si é uma vantagem sobre todos os outros concorrentes, pois não precisa de ser sério. Basta-lhe ser irónico.
De realçar que Louçã foi o primeiro a invocar a vida privada de um candidato para lhe retirar a “autoridade” de se expressar acerca de um tema fracturante. Aliás, em Louçã o recurso a temas fracturantes é recorrente e muito bem usado. A táctica é maniqueísta: “nós” somos os bons, “eles” são os maus; “nós” temos razão, “eles” não têm; “nós” dizemos a verdade, “eles” mentem.