domingo, setembro 24, 2006
terça-feira, agosto 01, 2006
O novo paradigma estético do futebolista

Esses tempos dourados da brilhantina e fotografados a preto e branco, engavetados já num passado distante, deram progressivamente lugar às diversas imposições das diversas correntes da moda, que os futebolistas, com maior ou menor empenho, se esforçaram por acompanhar no seu look.
Foi assim ao longo dos tempos até que chegámos aos dias de hoje, e eis-nos perante o novo paradigma visual do futebolista moderno: a tatuagem.
Símbolo de rebeldia e de bravura da juventude, essa arte egípcia é agora a arte corporal predilecta dos artistas da bola. Entusiasmados com os novos formatos das camisolas de treino, sem mangas, é ver os artistas da bola, seja nos relvados, seja nas conferências de Imprensa, a exibir orgulhosamente os mais diversos desenhos tatuados, que vão desde o abstraccionismo dos símbolos tribais e dos motivos orientais até aos dragões.
A febre é geral, atravessa nacionalidades, talentos e destrezas. Olhamos para os dois artistas da imagem e lá estão elas nos ombros de um fantasista Rui Costa ou de um irrequieto Miccoli.
Mas acima de tudo a tatuagem é um símbolo democrático, no sentido em que tão depressa a vemos em príncipes, como os da imagem, como logo a seguir nos deparamos com elas nos ombros da plebe, como Bruno Alves ou Beto. Nestes últimos, diga-se, para além de preferência estética massificada, a tatuagem cumpre uma função de relevo: a de factor de prolongamento da carreira no meio futebolístico.
Distraímo-nos a olhar para os motivos tatuados e assim lá nos passa despercebido mais um passe errado, mais uma perda de bola, ou, quiçá, ou entrada violenta sobre um adversário, prática corrente nestes jogadores.
A adopção das tatuagens é, portanto, um sintoma de inteligência por parte dos mesmos. E nós só temos de saudar a iniciativa, porque assim deixamos de nos focar tanto na prática futebolística destes “jogadores”.
segunda-feira, junho 12, 2006
terça-feira, maio 30, 2006
Espanto só para quem quer
A imagem idealista da escola como instância equalizadora de oportunidades sociais, e por conseguinte, mecanismo nivelador das desigualdades sociais, económicas e culturais herdadas, não conseguiu ainda arrancar na maioria das vezes do papel, em Portugal.
Pese embora a melhoria indiscutível do panorama educativo ao longo das últimas décadas, traduzida em indicadores como as taxas de escolaridade da população e de abandono escolar, continuam a permanecer práticas e comportamentos ao nível da sua organização que obstaculizam a sua assumpção plena em termos do cumprimento da sua missão de cidadania.
Um dos principais, senão mesmo o principal escolho nesta matéria, foi agora ventilado, por fim, por alguém com funções ministeriais: a “distinção” social, económica e cultural de muitos alunos exercida pela Escola.
Essa “distinção” vai no sentido de ser assegurada uma homogamia das condições materiais de existência, no que diz respeito à configuração das turmas e aos horários atribuídos. Estudantes com capitais similares são agrupados em turmas quase estanques ao longo do percurso escolar, beneficiam de horários compatíveis com a abertura de um campo de possibilidades de estudo que se estende para além daquele que é definido pela escola, e, numa relação dialética de interesse comum, são tutelados pelos professores mais experientes, os quais por sua vez fazem recair a sua preferência lectiva, na altura do “desenho” das turmas, naquelas que lhes asseguram uma actividade lectiva mais direccionada para o seu focus de actividade e menos para questões estudantis mais problemáticas e que extravasam a realidade escolar mais concreta.
O resultado destas práticas generalizadas tendentes a estigmatizar os alunos menos habilitados em matéria de status herdado, traduz-se, inevitavelmente, na reprodução social caucionada e legitimada pela Escola, ou seja, na inversão daquilo que seria a sua função enquanto instância suprema de equalização de oportunidades.
Daí não perceber o espanto dos professores quando a ministra tocou por fim na ferida... Quem lá anda e quem lá andou, como eu, e não há muito tempo, facilmente se apercebe de que o cenário “arrasador” posto a descoberto pela ministra, limita-se a revelar um fundo de verdade inegável, infelizmente para prejuízo de muitos alunos, que vêem assim o futuro cerceado pelo usufruto de condições escolares desiguais.
sexta-feira, abril 28, 2006
quinta-feira, abril 27, 2006
Que vivas tempos interessantes (maldição chinesa)
Um dos problemas que mais se sente na ainda jovem democracia portuguesa é um insofismável paradoxo: os que querem mudar de facto as coisas são os conservadores; os que querem deixar tudo exactamente na mesma são os progressistas. E eu que pensava que devia ser exactamente o contrário...
O excesso de feriados
quarta-feira, abril 26, 2006
Classe Média
Por exemplo, na mesma estação televisiva, Pacheco Pereira, sob a capa de atento e hirto comentador político, conseguiu há pouco provocar mais lágrimas de riso do que uma cebola cortada, ao afirmar, virando-se para os seus colegas comentadores de serviço, Lobo Xavier e Jorge Coelho, "Eu, nós, que pertencemos à classe média...".
Eis a hilaridade a exibir-se com grande intensidade!
terça-feira, abril 25, 2006
quarta-feira, abril 05, 2006
Havana Blues
São estas também as sonoridades que, misturadas, são abraçadas pelos principais protagonistas da história. Dois jovens e inseparáveis músicos, Ruy e Tito, marcados pela ânsia de transporem os mares que os rodeiam e os enclausuram cumplicemente com as determinações políticas, aspiram pelos palcos europeus, pelo alcance da fama musical para lá das fronteiras da ilha e das salas de espectáculo degradadas.
A oportunidade tem uma face galega, a face visível de dois produtores assalariados de uma editora multinacional, que concede ao grupo musical liderado por Ruy e Tito um salvo conduto para a produção e distribuição internacional de registos discográficos.
Para lá desta aparente correspondência de vontades escondem-se as contrapartidas do mundo do business musical. O salvo conduto, representado pelo contrato discográfico, pressupõe a exteriorização mediática de discursos flamejantes sobre a conjuntura cubana, em paridade com uma imposição artística e usurpação financeira excessiva dos ganhos que advirem das vendas discográficas e dos concertos.
A leitura do contrato faz estremecer a solidariedade entre os membros do grupo. De súbito, o inconformismo unido dos protagonistas perante as amarras políticas e culturais cubana estremece, agora divididos entre a perseguição de um sonho e o preço do mesmo, traduzido no provável fechamento fronteiriço e decorrente separação familiar quase irremediável.
A (re) conquista espanhola estava consumada, agora pela música, e embora não suficientemente forte para impedir o concerto da reconciliação, trouxe para a antiga colónia mais algumas vozes para fazer moeda. O desespero e os sonhos a tal podem obrigar.
quinta-feira, março 30, 2006
Os prazeres da rádio
Portanto,ouvidos atentos...
quarta-feira, março 22, 2006
PSD Madeira
Jaime Ramos adiantou ainda que a comemoração do 25 de Abril, através de uma sessão comemorativa no Parlamento Regional, colocava entraves ao normal desenrolar dos trabalhos parlamentares desse dia, em virtude de já ter agendado para o dia 25 de Abril, da parte da manhã, uma sessão de insultos, impropérios e ameaças com sifões de retrete à integridade física dos líderes da oposição e, da parte da tarde, a entrega de vários requerimentos ao Presidente da Assembleia Regional para a avaliação compulsiva do estado de sanidade mental de vários deputados da oposição regional.
"E se o PSD nacional ainda há 2 anos quis reescrever a História, perdão, ensinar todos os portugueses que aquilo que se passou naquele dia foi uma mera "Evolução", como afixou nos cartazes, é também nosso dever iluminar o povo madeirense acerca do que realmente (não) significa essa data!", acrescentou, antes de atirar para o chão um cravo vermelho, em solidariedade com o gesto do ano passado cometido pelo seu colega parlamentar Coito Pita.
terça-feira, março 14, 2006
segunda-feira, março 13, 2006
Os paraquedistas...
No jornal Record :"José Veiga disparou hoje com um alvo bem definido. O administrador da SAD encarnada falou do empate a zero cedido ontem frente à Naval na Luz, dizendo que o Benfica está a ser prejudicado pelas arbitragens desde que denunciou a reunião entre Luís Guilherme e Pinto da Costa".E se uns tais de Anderson e de Marcel não falhassem de baliza aberta?
domingo, março 12, 2006
Poesia
Há semanas, num jornal francês, dei com uma declaração extraordinária de um responsável do patronato. Qualquer coisa como isto: o amor é precário, a alegria é precária, o casamento é precário, a vida é precária; então porque é que o trabalho não pode ser precário? Quando o patronato argumenta com poesia, já nada é como dantes. "
Acabei de ler isto no blog do Pedro Mexia:
http://estadocivil.blogspot.com/
Realmente, dá que pensar...
terça-feira, fevereiro 28, 2006
Quem são as vítimas?
segunda-feira, fevereiro 27, 2006
Gisberto
Nados em famílias “desestruturadas”, desprovidos por isso de referências parentais centrais para a sua conduta e sem modelos de conduta relacional, sobre os adolescentes procurava-se traçar essencialmente um quadro de contextualização sócio-económico que supostamente teria facilitado o desfecho ocorrido.
Manifestamente, era uma linha claramente redutora e que mitigava outras variáveis de relevo para se compreender o móbil do crime. Muitos outros rapazes têm dificuldades económicas, não estão enraízados num núcleo familiar tradicional e não é por isso que cometem tais actos criminosos. A pobreza é uma condição já suficientemente maldita e difícil de superar, para não se fazer recair o estigma duplamente nessa condição. Havia necessariamente que alargar o âmbito de abordagem noticiosa e investigar outros vectores de entendimento da situação, em suma, advogar uma reflexividade mais alargada do que as propaladas condições materiais de existência, tão centrais nas narrativas jornalísticas.
Entretanto, no fim de semana, uma estação televisiva exibiu uma reportagem efectuada a propósito de uma competição futebolística internacional entre padres. A certa altura, aquando da apresentação dos “craques”, a reportagem visitou um jornal minhoto de inspiração católica, onde a certa altura foi dada voz ao editor do mesmo a dirigir informalmente uma questão a um jornalista do jornal a propósito do “casamento daquelas duas fulanas de Lisboa”…
Matéria jornalística de interesse, não pela aspiração em si, mas pelo carácter de novidade da mesma, envolta por isso ainda em questões jurídicas de jurisprudência, a interrogação do editor do diário minhoto, afinal, não tinha como fito a obtenção de mais elementos informativos com vista à sua inclusão nas páginas do órgão escrito, porque, como se aprestou o editor a revelar, os critérios jornalísticos não tinham eleito esse acontecimento como digno de ser alvo de tratamento noticioso no jornal.
Todavia, aquela “caixa jornalística” momentânea constituiu um momento esclarecedor de como a instituição católica continua a lidar com as orientações sexuais minoritárias. De repente, a “pessoa humana”, tão fulcral nas alegações católicas a respeito de outros assuntos na ordem do dia, transformou-se em “fulana”, expressão provida de uma consideração social menor.
As duas mulheres, por afrontarem valores historicamente estabelecidos a respeito do entendimento da chamada instituição do casamento e por denotarem comportamentos distintivos em relação à moral defendida eclesiaticamente, já não eram duas pessoas, mas sim duas fulanas.
Se dissermos que os rapazes do Porto estavam há muito internados na Oficina de S. José, instituição da diocese do Porto, e que a vítima do crime e das perseguições era um transexual, começamos a ponderar que a aclaração da deficiente socialização primária a que os rapazes foram sujeitos não se deverá única e exclusivamente à sua condição sócio-económica. Analise-se também a actual instituição de integração social dos rapazes e verifique-se em conformidade quais os valores e os pensamentos que ela transmite aos seus internados sobre o "outro". Se calhar alguma da luz para a explicação do sucedido está aí…
Comentanto o "em jeito de comentário"
2- Por isso, o mais preocupante é precisamente o argumento do “incluem-se parte importante de estudos e trabalhos feitos por pessoas que em vez de papaguearem cartilhas ideológicas, estudaram, foram para o terreno, para os arquivos e procuraram, o que não os torna imunes à crítica, chegar a algumas conclusões. Quem é que informa melhor?” Toda a citação resume bem o pensamento do autor. Eu sei porque vi, porque estudei, porque pesquisei. Logo, tu que não viste, que não estudaste, que não pesquisaste não sabes nada do assunto nem podes ter qualquer opinião formada e digna de ser, sequer, comentada. Por isso, cala-te porque não podes “informar”. Faltou apenas acrescentar “sou [a tal] uma autoridade moral avalizada pelas pesquisas académicas que fiz e que diariamente faço”.
3- Eu não percebo nada de átomos (aliás, nunca vi nenhum), mas sei que eles existem. Sou até capaz de explicar, pasme-se, a sua composição (que heresia). Sou capaz também de falar sobre a Revolução Industrial, mas de repente não sei se devo porque não vivi na época. Estou consequentemente e também por isso condenado a não poder falar da China, ou da Inglaterra ou mesmo da Austrália pelo simples facto de nunca os ter visitado. Ou de Angola e Moçambique porque nunca vi de perto a sua pobreza e o desespero das suas populações. Estou proibido ainda de falar sobre a fome e a miséria porque nunca passei fome nem fui miserável. Ou sobre a toxicodependência por razões semelhantes. Continuo assim a procurar sentido para a existência de livros, revistas, filmes, jornais. E de bibliotecas, e livrarias, e museus, e arquivos. E da televisão, da rádio, da internet, etc. Triste mundo este se nos limitássemos a falar apenas sobre as nossas profissões ou sobre o nosso clube de futebol.
4- No meu partido (apesar de discordar com muitas das suas orientações e estratégias) há gente contra e a favor do aborto. Contra e a favor da eutanásia. Contra e a favor da regionalização. Contra e a favor do casamento entre homossexuais. Contra e a favor das privatizações. Contra e a favor da integração europeia. Contra e a favor da intervenção militar no Iraque. Contra e a favor do código do trabalho. Contra e a favor de uma maior liberalização do mercado. Contra e a favor da publicação dos cartoons. Etc. etc. Poucos partidos existem em Portugal com tanta diversidade de opinião. Dogmáticos e transmissores de “cartilhas” são aqueles que impõem uma única, e apenas uma, possibilidade de escolha. Aos seus e ao mundo.
sábado, fevereiro 25, 2006
Para que fique registado
Em jeito de comentário
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
A realidade existe
terça-feira, fevereiro 21, 2006
África
Entre 1960 e 1997 o continente africano recebeu qualquer coisa como o equivalente a seis planos Marshall. Resultado: um enorme e indescritível desastre. África está hoje muito pior do que estava, há quarenta anos atrás. Um exemplo particular: a esperança de vida no Zimbabwe passou de 56 para 33 anos. Vários outros exemplos gerais: metade da sua população vive com menos de um dólar; a fome mata anualmente milhões; a esperança de vida está nos 46 anos; uma em cada seis crianças morre antes de atingir os 5 anos; há 25 milhões de infectados (projecções simpáticas) com o HIV sendo que dois milhões sucumbiram à pandemia apenas em 2005. Problema central: o mundo perante a catástrofe evidente, alicerçado num forte sentimento de culpa (ocidental, sobretudo), decidiu doar rios de dinheiro que mais não serviram do que para encher os bolsos ou de políticos corruptos ou de senhores da guerra. Em qualquer das hipóteses, tratou-se sempre de gente pouco recomendável, que na maioria larga dos casos dedicou-se afincadamente à destruição física, e maciça, dos recursos disponíveis. Como lamento, a grande massa dos europeus convenceu-se de que doar dinheiro apagava o desconforto das imagens que corriam mundo e eliminava, da sua consciência, os dramas e as tragédias individuais e colectivas que entravam, via televisão, casa adentro. Por isso, nada como puxar do livro de cheques e comprar alguma leveza de consciência. Erro crasso, claro está. A maioria dos fundos disponibilizados acabou em parte incerta. Aliás, 80 cêntimos de cada dólar, para ser mais exacto. E claro que a caridade não desenvolveu as estruturas económicas nem deu azo ao desenvolvimento efectivo de uma classe média empreendedora capaz de solidificar alguma coisa de concreto que pudesse avalizar um qualquer futuro. O dinheiro mandou. Logo, o dinheiro comprou, por exemplo, as armas necessárias para amansar o povo e eliminar os adversários, principalmente os incómodos, em troca do forjar de algo levemente parecido com eleições.
Depois da Guerra Fria, situação complexa que não pode ser avaliada fora do contexto específico da época e dos blocos divididos por um muro, restou um único culpado: a América imperial, mais os falcões da sua administração (do passado e do presente, com especial ressonância na administração Reagan, afinal aquela que fez o muro ruir gerando um ódio evidente), responsáveis pelo arrastar das situações devido à sua política geoestratégica expansionista e predatória dos recursos terrestres ou mesmo devido à falta de interesse da região em questão. Outro grave, e roliço, engano. E explicação demasiado simplista para ser levada a sério. Os primeiros responsáveis da grave situação africana são os seus governantes, mesmo que educados nas melhores universidades americanas, inglesas, russas ou francesas e sob influência do “ocidente”. É preciso dizer as coisas como elas são. Usar o colonialismo, ou mesmo o pós-colonialismo, como justificação e desculpabilização pelo terror instituído e diversificado, não ajuda a resolver a situação porque, é preciso que se diga, boa parte dos líderes africanos são déspotas da pior espécie e, em alguns casos, notórios serial killers. Tudo o resto, é defender o indefensável e ser conivente com quem diariamente trai o seu povo, não criando uma única infra-estrutura que possa fazer crescer um país.
Quanto ao argumento da liberalização do comércio é preciso dizer que este é, e quanto a mim, um não argumento. Porque sucede precisamente o contrário: o problema africano resulta do excessivo proteccionismo de alguns mercados e não da liberalização do comércio ou da globalização em si. Basta ver a vergonha da União Europeia e das suas políticas agrícolas, o proteccionismo alfandegário e aduaneiro de blocos comerciais antagónicos e o recente falhanço da Organização Mundial de Comércio. O problema é estar, e continuar, à margem da globalização. Não é estar na globalização. O problema é que gostamos demasiado do nosso bem-estar e aceitamos que líderes africanos continuem impunes. O problema é que passar o raio do cheque é bem mais fácil. E dá menos chatices.
B. Macedo
domingo, fevereiro 19, 2006
O futebol de domingo
B. Macedo
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Berthelot
Entramos em contacto convosco para, infelizmente, vos transmitirmos a notícia, recebida da AISLF, do falecimento de Jean-Michel Berthelot. Desejamos deixar aqui expresso também o nosso pesar por esta perda significativa tanto para os sociólogos em geral como para os colegas que com ele privaram. Em baixo enviamos a notícia recebida da AISLF e um resumo biográfico de Jean-Michel Berthelot (obtido através da página electrónica do Centred’Études Sociologiques de La Sorbonne).
AtentamenteAssociação Portuguesa de Sociologia
A Direcção
Mensagem recebida hoje às 12h15
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Alguma coisa sobre África
Sobre os posts longos...
Queria acrescentar que na realidade vejo uma grande diferença entre fascismo e comunismo, mas que esta nem está no plano doutrinário nem na extraordinária teoria da inclusão/exclusão (tristes tempos estes, em que um totalitarismo é justificado pela sua capacidade ou não de inclusão). E passo a explicar: enquanto que o fascismo teve criminosos com rosto, uma vez que foi derrotado militarmente por uma associação de Estados a quem isso convinha, que acabaram julgados e condenados (pelo menos, os que sobreviveram) pelos horríveis crimes que cometeram, o comunismo, por seu turno, teve a original ousadia de originar crimes sem criminosos, como a história actual nos diz, num branqueamento atroz que lesa a memória, que jamais deveria ser esquecida, das suas vítimas. É por isso que um crime perpetrado por um ditador fascista é um crime; mas um crime perpetrado por um ditador comunista, não é crime: é um passo em frente ou apenas um infeliz acontecimento, um desvio, que nada tem a ver com o comunismo ou com a ideologia. É por isso que Estaline representa um desvio. Tal como todos os outros tipos simpáticos, responsáveis por outros tantos desvios de circunstância. É esta a razão que leva o marxismo a passear-se impune pelo mundo e por muitas cabeças. Como na do camarada Jerónimo que hoje mesmo afirma, em entrevista ao Público, a extraordinária verdade “Quem sou eu para dizer que a minha democracia é melhor do que a deles?”. Isto como resposta à pergunta “Acha que há democracia em Cuba?” Quem sou eu, para dizer o contrário? Quem sou eu para tentar explicar que não há totalitarismos bons e maus? Não acham que está tudo explicado?
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
Realmente não se pode transigir com um novo totalitarismo
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Não se pode transigir com o novo totalitarismo
Quem massacra à pedrada, pratica excisões em crianças, apedreja a mulher adúltera, nega o holocausto ou se deixa explodir num mercado cheio de crianças não é gente recomendável nem gente que eu convide para ir ao café ou para comer em minha casa. Eu sei que são afirmações perigosas, mas perigosos são também os tempos. Nenhum de nós gosta de fascistas.
A história, infelizmente, não nos deixa outro remédio que não seja o não transigir perante a chantagem, o terror ou a intolerância de gente que não quer ou que não sabe ver ou aceitar o que está verdadeiramente em causa: o nosso estilo de vida, a nossa liberdade, a nossa pluralidade. Devemos por isso resistir em nome de todos aqueles que sofreram na pele as arbitrariedades de doutrinas totalitárias, como o fascismo e o comunismo, e à luta que muitos outros travaram para impedir que nós não sofrêssemos hoje na pele a arbitrariedade total do homem sobre o homem, hasteada em nome da utopia e da sociedade perfeita, gritada em nome do sonho tornado pesadelo, num mundo onde a única pergunta - o porquê? - nunca teve uma única ou singular resposta. Recordar Primo Levi e Soljenitsin deve ser suficiente.
Algures por aqui se falou na instrumentalização de imagens desenterradas quatro meses depois com intuitos dúbios. Algures foi afirmado que existiriam interesses obscuros por parte da extrema-direita interessada em fazer renascer esta polémica (que muito sinceramente não é polémica coisíssima nenhuma) com objectivos, quiçá pró-americanos, devido à situação explosiva que se vive no Médio Oriente. Sinceramente, o argumento de tanto usado está gasto. É o mesmo que justifica a guerra no Iraque com o petróleo e exactamente o mesmo que afirma que o Katrina é consequência da globalização predadora. Mas ainda assim poderíamos colocar a questão ao contrário: porquê só agora? Que obscuros interesses estarão por trás das agendas políticas dos fundamentalistas? Sim: porque não colocar a questão ao contrário? Porque é que apenas um lado é capaz de ser conspirativo? Por acaso não haverá islâmicos com vontade própria?
Outra coisa que não podemos estar constantemente a utilizar é o maldito sentimento de culpa pelo passado. Fizemos muitas asneiras, fizemos muitas matanças, e em nome de valores e dos nossos deuses e de outros santos promovemos uma sangrenta Inquisição. Tudo isto foi feito pelo Ocidente apostado em demonstrar, então, a sua superioridade militar, cultural, económica e social. Com resultados desastrosos, diga-se em abono da verdade. Mas isso não pode desculpar nem permitir que outros se aproveitem desse sentimento de culpa para explorar a nossa permanente boa vontade, alicerçada na tentação do diálogo e na busca de soluções de compromisso. Sintomática a situação africana (tantas vezes aqui referida), continuamente injectada com donativos que se limitam a encher chorudas contas bancárias em bancos suíços enquanto os seus dirigentes se sucedem por golpe de Estado ou por conivência política, deixando populações inteiras na miséria e na fome, enquanto assobiamos para o lado ou para o ar. Mas por mais concertos que se façam, com Geldoff e Bono à frente da trupe, a situação não se vai alterar nunca se não houver a coragem de colocar um travão a este nefasto vício que não ajuda os povos que necessitam: apenas apela a um dos nossos sentimentos menos nobres, o da compaixão, traduzida na nossa consciência tranquila de dever cumprido, como a esmola que damos aos mendigos que encontramos nas ruas das nossas cidades.
Mas o problema destes países e destas regiões não é também a globalização (ou o suposto novo império), como muita gente maravilhada e hipnotizada por Chomsky e Negri por aí arenga. O problema é precisamente o contrário: o problema é estar fora e à margem dessa globalização (que ao contrário do que muitos julgam tem regras) porque tudo lhes passa ao lado. Literalmente ao lado. Isto pouca gente quer entender. Ou confortavelmente prefere não entender. Olhem para o exemplo indiano e também para o chinês, e vejam o seu crescimento. Mas como povos de potências “neocoloniais”, que exploraram os mais fracos e que disso se aproveitaram para enriquecer, parece que mais uma geração inteira de europeus terá que pagar as facturas (em atraso?) do passado, como forma de ultrapassar os incómodos do presente. Tudo em nome daquilo que outros, noutros tempos fizeram e projectaram. Desculpem, mas não carrego cruzes de outros, nem aceito que se viva com estes fantasmas. Nem tolero, ainda, que me imponham um sentimento de compaixão que acho repugnante porque essa é a forma mais fácil de cruzar os braços e de não encontrar solução cabal para as coisas. Definitivamente.
Acredito que este conflito, infelizmente, não terminará tão cedo. É latente e parece apenas precisar de um ligeiro rastilho para deflagrar em maior escala (se é que já não deflagrou). Só que ceder em caricaturas ou em simples desenhos, é meio caminho andado para ceder em tudo o resto: na literatura, na pintura, na fotografia, na roupa, na linguagem, nos usos e nos costumes porque podemos ofender a dignidade do profeta ou de outro qualquer ser. Dispensa-se uma nova Idade Média.
Derrotamos há seis décadas o fascismo. Mais recentemente derrotamos o comunismo embora este sobreviva por todo o lado, sem legitimidade política face ao desastre dos resultados, implantado nas nossas universidades e nos meios de comunicação social que deliram com imaginativas teorias e com um conjunto de teses que se pautam, mais pela irresponsabilidade e facilitismo do que propriamente por uma análise séria das coisas. Agora, devemos derrotar este novo totalitarismo (o islamismo radical) que não gosta de nós, do nosso modo de viver e que está disposto a massacrar o que for preciso para impor uma sociedade sem liberdade, ancorada no medo, na escuridão e em dogmas religiosos. Passados estes anos todos, pensei que o totalitarismo fosse coisa sem argumentação ou justificação possíveis. Enganei-me redondamente.
Finalmente, outro aspecto que quanto a mim também é perceptível é que quem promove o choque civilizacional são aqueles que não toleram que outros, nos seus países, tenham liberdade de expressão, queimando, agredindo e matando em nome dessa intolerância. Uma coisa é o direito à indignação (legítima); outra, totalmente diferente, é usar como escudo essa indignação para espalhar e semear a violência gratuita, pilhando, violentando e matando e instrumentalizando (sim, porque os manifestantes nem sabem a cor das caricaturas) ódios com fins políticos. Não pode haver benevolência nem branqueamento de semelhantes comportamentos. Contemporizar, ou deferir, neste particular é voltar atrás. E é um verdadeiro retrocesso civilizacional. Não só da nossa civilização como também de todas as outras que primam pela tolerância e pelo direito à liberdade e à diferença e que procuram um mundo equilibrado onde seja possível haver, apesar das nossas diferenças culturais evidentes, uma só raça de homens: a dos homens livres.
Tolerância
É obvio que nem sempre o fomos, nós, o “Ocidente”, mas tivemos a capacidade de mudar, de separar o estado da religião, e isso, curiosamente aconteceu por alguma razão (Nota: investigar se o factor religioso, ou melhor, se o cristianismo teve alguma coisa a ver com o assunto). Não aconteceu no Oriente, não aconteceu em Africa, não aconteceu nos países Islâmicos. Essa é a nossa vantagem, não quer dizer que sejamos perfeitos, nem de longe o somos, nós, o “Ocidente”. Mas julgo ser consensual que nenhum dos que aqui tem “postado” gostaria de viver num pais muçulmano, e não é tanto pela questão económica é pelo facto de não querermos abdicar da nossa liberdade (por mais manipulada e ilusória que ela seja, não deixa de ser “mais” liberdade do que a que existe nas sociedades maioritariamente islâmicas…) E eu sei que nem sempre foi assim, existe uma dinâmica civilizacional, durante vários séculos o mundo islâmico foi o expoente máximo da civilização (entende-se como os dinamizadores do conhecimento e do “progresso”) mas depois deixaram de o ser.
O Islão tem, de facto, um problema religioso para resolver. E não são só os radicais islâmicos que são um problema, são todas as sociedades que seguem uma matriz religiosa islâmica e que não conseguem superar a dicotomia Estado / Religião, Liberdade Individual / Ditames Religiosos.
Mas, às tantas, a moirama é que tem razão (tal como os grupos de fundamentalistas religiosos cristãos). Qual secularização, qual ciência, o ser humano não precisa dessas coisas para viver em paz consigo próprio. Precisa é de Deus, de ter a consciência tranquila, de viver segundo os mandamentos divinos. E como tal, acho que nos devemos converter e deixar esta vida de pecado e estas discussões que não levam a lado nenhum. Quem não o fizer merece ser apedrejado.
Nao sao pedras senhor, sao rosas...
Venham as pedras
1) Tu não fazes a mínima ideia se aquela civilização, seja lá isso o que for, tem ou não sentido de humor ou capacidade de se rir de si própria. Eu aposto que tem, embora assuma que existam assuntos muito sensíveis a partir dos quais seja quase impossível fazer humor. Mas como é que reagiu a "nossa civilização" ao cartoon do António com o preservativo no nariz do Papa, ou à Última Ceia do Herman José? Somos assim uma civilização tão tolerante. Há trinta e cinco anos podias neste país fazer o humor que fazes hoje? A questão é de civilização ou talvez a política tenha alguma importância? Não foi a nossa civilização, de matriz judaico-cristã, que queimou pessoas no Terreiro do Paço por pensarem de forma diferente do que nos dizia a Santa Madre Igreja? Não foi a nossa civilização que metodicamente meteu milhões de judeus nas câmaras de gás? Não foi a nossa civilização que, até meados do século XX, usou o esclavagismo mais primário para colonizar África? Não será um pouco abusivo falar em nome de civilizações contra outras civilizações. Será tão difícil perceber que a liberdade de imprensa está a servir as balelas do "choque de civilizações", por mais acrobacias argumentativas que tentem considerar a questão da liberdade de imprensa uma discussão autónoma. Gostei especialmente daquele argumento usado neste blogue das "pessoas que estão à minha volta pensam todas como eu" ... e acrescento que devem ouvir a mesma música e ler os mesmo livros e partilhar a mesma boa educação ... mas porventura não trabalharam na fábrica ... e talvez não leiam tablóides racistas ... e talvez não vejam reality shows ... .
2) Usar o pretenso sentido de humor para avaliar uma civilização, isto é, todos os milhões de seres humanos que vivem em determinado espaço, é relativamente bizarro. Mas concedo que é divertido. Talvez valesse a pena, digo eu, utilizar outros critérios de avaliação.
3) Resta considerar, se pensarmos, em tese, que o relativismo e a capacidade de evitar o preconceito são elementos próprios da nossa civilização, que estamos em processo rápido de decadência.
Só podes estar a brincar...
Quanto à antologia de humor islâmico (de 1941) levava para ai uns 14 anos para ler o livro, 20 para o compreender e uns 30 para encontrar uma piada de jeito... Dando uma vista de olhos ao índice, tresanda a piadas da ultima página da celebre "Família Cristã"...
Eu estava a me referir a uma boa piada de cariz religioso...
Ora Sr. Cientista mostre lá uma piada islâmica sobre as barbas do Maomé, ou sobre o comportamento sexual da nora Fátima escrita por um muçulmano, a viver num pais islâmico e que tenha sobrevivido à piadola, que eu conto 10 anedotas sobre Cristo e 10 sobre a Fátima da Cova de Iria.
Assim podemos ver se são tolerantes ou não...
O Sr. Abu Abed... : )
Tou em crer que não há relativismo cultural que aguente humor islâmico.
E quanto a Africa, acho os pretinhos e as pretinhas gente com muita piada.
Os orientais acho que não são muito humorados.
E agora, podem me apedrejar!
terça-feira, fevereiro 07, 2006
E não é que eles também riem ...
http://www.abuabed.net/about.htm
www.arabicjoke.com
http://www.arabiano.com/entertainment/humor.shtml
www.sabda.org/humor/isi.php?id=246
Subject Book: An Anthology of Arab Humor In Arab LiteratureAuthor: Ali MrouehLanguage: ArabicPublisher: Riad El-Rayyes Books Ltd, LondonYear Published: First Printing 1947, Second Printing 1991Number of Pages: 8 volumes; Volume 1 – 182 pages The eight volumes that make up the Anthology of Humor and Arab Literature are: 1) The Peculiarities of Poets and Literary Writers2) The Peculiarities of Egyptians3) The Peculiarities of Driven Away Personalities4) The peculiarities of Judges5) The Peculiarities of Women and Concubines6) The Peculiarities of Geniuses and Fools7) The Peculiarities of Administrators/ Workers8) The Peculiarities of Odd People.
A recensão a este artigo segue em:
http://yementimes.com/article.shtml?i=878&p=culture&a=2
Qual é o problema?
Em relação à mudança de aspecto do blog, confesso a minha falta em não ter questionado os restantes membros...Mas, este preto é lixado para os olhos!!!!
Solving female circumcision complications
Como mulher tenho a dizer que esta imagem publicada no site da Arab-European League, com o titulo 'solving female circumcision complications' nao me agrada nem um pouco. Choque de civilazacoes? Guerra dos sexos? Ou problemas hormonais?Incomoda-me que seja publicada? Nao. Incomoda-me a existencia de sociedades patriarcais, da discriminacao feminina, e de outras formas politicas e sociais que submetem as mulheres a condicoes humilhantes, traumaticas e violentas. Estas existencias continuarao a existir, mesmo se silenciadas nas paginas dos jornais. Ou seja, pode proibir-se o acessorio. Mas isso nao bastara para se chegar ao essencial.
Extremismo
Humor
Coisas soltas
Entao voltamos ao preto e nao ha mais negociacao?! Volto a expressar a minha opiniao: preferia o anterior porque a meu ver era mais 'reader friendly'. Submeto-me no entanto a vontade das maiorias desde que seja uma pessoa um voto...
Nuno,
Mantenho: para mim, nao se trata de nenhum 'choque de civilizacoes'. A ideia so se banaliza se as pessoas assim o pensarem/interiorizarem. A Fatima talvez pense assim, o Rato igualmente. Isso sera de facto infeliz. As pessoas com quem eu falo nao pensam assim: pensam em termos de defesa de um estado laico e da liberdade de imprensa. Sao as mesmas pessoas que aqui em Inglaterra tem lutado contra a legislacao do 'religious hatred' que e apoiada pelos conservadores anglicanistas desta civilizacao.
Quanto ao secularismo das sociedades do medio oriente, ha entao que ir mais longe: as cruzadas iniciaram um processo de radicalizacao no medio oriente. Na altura os 'ocidentais' nao 'seculares' contribuiram para a radicalizacao dos grupos religiosos das sociedades invadidas.
Antes de sair de casa
De facto
Liberdade de imprensa sim
Ofende-me que aches que eu confundo a parte com o todo. Ja devias saber que a sensibilidade e o bom senso nao estam apenas e so do teu lado. Adiante.
Eu nao discordo do teu discurso. Para mim, simplesmente nao e isso que esta aqui em questao. Ou melhor isso estara sempre em questao mas neste momento especifico nao e isso que me preocupa. Preocupa-me que em nome de sensibilidades religiosas fundamentalistas que nao representam a maioria nem aqui nem na China, se facam concessoes a liberdade de imprensa e sobretudo a preservacao de estados laicos.
Por exemplo, irrita-me ver constantemente padres na televisao publica portuguesa (RTP). Ja por variadas vezes escrevi para essa instituicao demonstrando o meu desagrado. Seja a cantar canticos ou rezar pais nossos, a meu ver, os padres deverao limitar-e aos adros. A censura da ‘Ultima Ceia’ do Herman e obvio que tambem me perturba, assim como me perturba a ingerencia da Igreja catolica nos assuntos do estado portugues, nomeadamente na questao do aborto. Ora, por coerencia, irrita-me que devido a uns quantos cartoons, que sao por definicao caricaturas da realidade, exageros, se venha instituir uma censura comandada por um lado por sensibilidades religiosas fundamentalistas e por outro pelo complexo ‘ocidental’ de intelectuais que confudem alhos com bugalhos. Eu nao defendo nem nunca defendi nenhuma intervencao militar em pais algum do mundo. Isso nao invalida que no pais onde escolhi residir eu lute todos os dias pela preservacao de direitos que considero adquiridos assim como acho legitimo que noutros paises as pessoas o facam ainda que esses direitos pelos quais elas lutam estejam intimamente relacionados com a instauracao e perpetuacao de um estado religioso.
Quanto a historia do Ocidente ter travado o processo de secularizacao no medio oriente isso tambem eu o sei. E incrivel, mas ha outras pessoas que leem se calhar os mesmos livros… Mas continuo a nao perceber como e que algo que infelizmente se passou no tempo das cruzadas me obriga agora a nao defender o direito da liberdade de imprensa e da secularizacao do estado onde resido?!
A organizacao 'Islam-Dutch' que opera na Belgica e na Holanda publicou um cartoon da Anne Frank na cama com o Hitler. Por acaso, mais engracado que os de Maome. Ora aqui esta uma boa forma de lancar o debate acerca dos limites da liberdade de expressao/imprensa. Nao quero com isto dizer que eu rejeite as manifestacoes de rua. E pena que depreendas isso. As pessoas sao livres de se manifestarem. Agora, seria bem melhor que essas manifestacoes fossem livres de propaganda racista. Melhor ainda seria que os manifestantes se lembrassem que podem sim senhor recorrer aos tribunais. Afinal e atraves dos tribunais que se produz jurisprudencia aplicavel a casos futuros. E, mais importante, e um direito que assiste aos ofendidos ainda que estes ofendidos sejam uma minoria...
Rato, o Ocidental
A Fátima
Liberdade de imprensa? II
Liberdade de imprensa?
Então?
Problema de comunicacao
Desculpa la Nuno, mas vou ter de pessoalizar a questao. Parece-me que ha aqui um problema de comunicacao que urge resolver:
- tu estas a colocar as coisas em termos de ocidentais/nao ocidentais eu nao. Eu coloco as coisas em termos de defesa de um estado secular/defesa de um estado religoso;
- se os estados seculares produzem despotas fundamentalistas e obvio que eu nao estou de acordo mas isso nao me impede de defender um estado secular. Nao existe ate a data nenhuma correlacao directa entre estado secular/despota;
- os despotas fundamentalistas chegam ao poder tantas vezes devido a complacencia de quem assiste a sua ascensao: foi assim com o Hitler, ignorado, na sua ascensao pelos restantes ‘ocidentais’ e pelos ‘seus’ proprios ‘ocidentais’. E assim com a ‘dinastia’ na Arabia Saudita ignorada pelos ‘ocidentais’ e outros que tais;
- o ponto 3 tambem nao abala um milimetro a minha defesa por um estado secular;
- a minha defesa pelo estado secular nada tem a ver com racismo portanto nao entendo o teu argumento. Logo de maneira politicamente correcta e evitando um comentario menos ‘polite’, direi que nao faco comentarios;
- os limites da imprensa deverao ser contidos em sede propria, nomeadamente nos tribunais e nao nas ruas com cartazes onde se pode ler ‘cortem a cabeca a quem ofender o profeta’ ou gritando slogans como ‘freedom go to hell’;
- mais do que o choque de civilizacoes, conspiracoes politicas e obscuros interesses economicos (que se tao obscuros tao pouco estariam ao alcance dos mais iluminados), as manifestacoes estao populadas de fundamentalistas e jovens descontentes com a sua integracao na sociedade, ocidental ou outra;
- portanto, quanto a mim a discussao passaria sim pela afirmacao da liberdade de expressao e defesa de um estado secular (sera que eu tenho o direito de exigir tal do pais em que vivo, seja no ocidente ou no oriente?) e pela problematica da integracao social nomeadamente dos mais jovens. Estes, quando desapontados pelo estado, no ocidente, oriente ou quica em Marte, poderao mais facilmente se recrutados para movimentos fundamentalistas que nao traduzem de todo a opiniao da maioria;
- terminando, a meu ver a questao e muito mais complexa que a simples dictomia ocidente/medio oriente e ultrapassa os limites macrossociais de uma conspiracao a escala mundial baseada em interesses economicos que existem e que todos nos sabemos existir.
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Monty Python
Agendas políticas de quem?$$$$$$$$$$$$$$$$$
O Jorginho do Sporting
Intenções e capacidades
Agendas políticas de quem?!
O empolamento da questão dos cartoons não radica em nenhuma conspiração cristãos/homens/de direita/ocidentais associados aos médias. Outras questões ligadas ao fundamentalismo religioso/liberdade de expressão foram no passado empoladas: uma peça de teatro em Inglaterra que teve de ser cancelada porque a comunidade Sikh se sentiu ofendida, ou a retirada da grelha de programação da BBC do ‘Jerry Springer show’ que a comunidade cristã considerou uma blasfémia. Isto para não mencionar tantos outros casos como o de Salmon Rushdie. Portanto, achar que só este facto foi agora empolado porque se vive numa era em que a divisão de civilizações passou a ser teorizada nos discursos políticos é ter memória curta. Por outro lado, esta questão não deverá ser reduzida a essa tal oposição de civilizações. Os EUA emitiram um comunicado oficial dizendo que os cartoons eram ofensivos e que achavam deplorável que se manipulasse e utilizasse de tal forma imagens e símbolos religiosos. Este é um momento que define a fronteira que separa os que querem viver em estados seculares e os outros – fundamentalistas muçulmanos, católicos, protestantes, budistas, o que for – que pretendem o regresso à promiscuidade entre estado e religião. Exemplo disso é a declaração de um alto responsável da comunidade muçulmana em Inglaterra que disse que pelas leis do Corão não se deve usar a imagem do profeta. Ora aí é que está o busílis: eu não me rejo pelo Corão, assim como não gostaria de me reger pela bíblia. Eu rejo-me por uma constituição que não me impede de usar a imagem de Maomé.
O que se passou nestes últimos dias está sim senhor ligado à questão da liberdade de expressão, à preservação de uma liberdade que não branqueie a história ou fundamente preconceitos apoiados em ideologias religiosas impostas sem escrutínio dos indivíduos que a elas estão sujeitos. E acreditem, há muito muçulmano que não saltou às ruas em protesto mas que olhou com apreensão a possibilidade de a imprensa fazer concessões às facções mais fundamentalistas.
domingo, fevereiro 05, 2006
Agendas políticas de quem?
sábado, fevereiro 04, 2006
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
VPV e o orgasmo
A chegada de VPV provocou celeuma (e pelos vistos um monumental orgasmo em muita gente) na blogosfera que, fiquei a saber, não é democrática. Desconfio que esta súbita resistência – à entrada de VPV, que pelos vistos agora só assina banalidades e que foi escrita algures na parede deste blogue – tenha que ver com um texto escrito por VPV há uns tempos, deliciosamente chamado “Crescer com o Álvaro”, que muitos impropérios, protestos e indignações gerou junto da comunidade marxista-leninista deste país. Mas isto sou só eu a desconfiar.
Ah, é verdade: estou de volta.
Direito Criativo
terça-feira, janeiro 31, 2006
Leite matinal
E o 1.º prémio Grupo do Pato para o melhor blogue português vai para ... o Grupo do Pato.
Economês versão XIS
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Um jogador "à antiga"

A "era dos extremos" que actualmente se vive no futebol português, com 1 ou 2 clubes endinheirados, ou pelo menos a dar essa aparência, com alguns a mostrarem-se, por fim, em asisada contenção, e com outros a falirem ou a caminho disso, aparecendo nos media como habituées incumpridores das obrigações salarais para com os seus atletas, pode trazer consigo uma virtualidade: um "regresso ao passado", entendido como retorno a uma busca da procura do jogo enquanto actividade prazenteira, capaz mesmo de obrigar a alguns sacrifícios pessoais na vida em prol do gozo extraído da sua prática.
Exemplo do que foi acabado de dizer pôde ver-se ontem, ao final da tarde, na estação de camionagem de Viseu, onde, recém-chegado de Vila Nova de Paiva, local de disputa nessa tarde de mais um jogo a contar para o Campeonato Distrital da 1ª divisão, estava um jovem envergando um equipamento desportivo do novo Academico de Viseu, Semedo Domigos de seu nome, e que havia alinhado na equipa viseense como defesa central nessa partida.
Até aqui nada de extraordinário, a bem dizer, se pode retirar da história. Todavia, se soubermos que o citado jogador é natural e residente em Lisboa, percorrendo por isso 600km sozinho todos os fins de semana para disputar uma partida de futebol, recebendo como compensação monetária uma singela quantia, empregue já noite fora numa sandes adquirida numa máquina de serviço na estação de metro para onde se desloca quando chega à capital, damos conta que a prática do jogo ainda tem encantos que inebriam os seus protagonistas centrais e que os consegue impelir a devotar a si uma boa parte das suas vidas, sem que daí tenha de advir uma retribuição financeira minimamente significativa por essa concessão .
Se ainda há esperança no futuro do jogo, enquanto sinónimo de entrega apaixonada e desinteressada, é em jogadores como Semedo Domingos que ela reside.
domingo, janeiro 29, 2006
Branqueamento
quinta-feira, janeiro 26, 2006
quarta-feira, janeiro 25, 2006
As últimas eleições presidenciais demonstraram que
Aqui há tempos um deputado do CDS/PP, na sessão de desperdício de tempo com o Procurador Geral da República, afirmava que Portugal não era o Burundi. Tenho as minhas dúvidas…
terça-feira, janeiro 24, 2006
Sobre as eleições no ex-cavaquistão

As recentes eleições presidenciais fizeram cair o mito do "cavaquistão", já ele bastante chamuscado nas recentes eleições legislativas...Bragança fartou-se das faustosas votações laranjas de Viseu e decidiu assumir a dianteira nessa matéria.
Também ao nível mais micro, o concelhio, as tendências partidárias são agora mais dinâmicas e menos concentradas na tradicional opção política que tem feito história. Olhando para os resultados destas eleições ao nível das freguesias do concelho, lembramo-nos que a velhinha teoria dos círculos concêntricos de desenvolvimento das cidades, de Burgess, no caso de Viseu ganha foros de actualidade.
A votação presidencial no concelho de Viseu, e nomeadamente a adesão eleitoral ao candidato Cavaco Silva decalca quase na perfeição uma topografia radial. Ao centro, nas três freguesias da cidade o novo Presidente da República alcançou 55% dos votos em todas elas. Num segundo círculo, em freguesias semi-centrais, como Ranhados (53%), São Salvador (55%), Orgens (57%), Torredeita (58%), a identificação foi ligeiramente superior.
Quando nos afastamos das zonas mais centrais e tocamos na freguesias que estão nos limites espaciais concelhios, constatamos as maiores taxas de entusiasmo popular com a candidatura vencedora. Ribafeita (77%), S. Pedro France (77%), Calde (76%) ou Silgueiros (73%), são exemplos claros desta tendência.
Identificando-se esses círculos espaciais, em razão do progressivo processo de urbanização do concelho nos últimos anos, com o desenvolvimento de actividade económicas diferenciadas, com a circulação espacial de diferentes públicos e com a vivência de indivíduos com distintas posses em termos de capitais escolares e culturais, a adesão cavaquista nas eleições presidenciais mostra que a clássica dicotomia rural-urbano, em Viseu, começa agora a notar-se mais do que nunca.













