sexta-feira, dezembro 31, 2004

A alternativa

A dois meses das legislativas ainda não se percebeu quais as linhas principais que guiam a política do maior partido da oposição. Pensar-se-ia que com um governo tão débil fosse simples elaborar políticas estruturais alternativas ou pelo menos que surgissem duas ou três ideias elementares. Mas não. O último tempo de antena do PS foi muita forma e pouco conteúdo. O marketing esteve em grande na escolha da indumentária do líder, no estudo da sua postura frente às câmaras e na composição dos planos. Devem ter sido os mesmo senhores do marketing que convençeram o PS que metade do seu tempo de antena devia ser preenchido com imagens do Euro 2004 e da euforia nacionalista de bandeirinha em punho. O resto foram lugares comuns, generalidades que qualquer pessoa com bom senso, seja de esquerda ou direita, pode aceitar.
Tudo leva a crer que vamos ter, mais do que outra coisa, uma competição de projectos de marketing: quem vai ser a empresa que conseguirá vender melhor o seu produto? Será possível reciclar Santana Lopes, especialmente agora que Vangelis mudou de trincheira e que os comícios do PSD vão ter aquele tom épico enjoativo que serve apenas o culto da personalidade? Ou será que a pose modernaça de Sócrates vai acabar por vingar?
A política hoje é cada vez mais um exercício de imagem, com muitos slogans, frases fortes, adjectivos certeiros, tons de voz ensaiados, sorrisos, balõezinhos, cantores populares, jogadores de futebol e nacionalismo.
Entretanto, os cidadãos continuam longe de terem acesso aos critérios que lhes permitiram efectuar as escolhas. É a democracia.

quinta-feira, dezembro 30, 2004

Fontes de Inspiração

"Julgo que se não fosse Nelas e as páginas de necrologia, nunca teria escrito nada."

Lobo Antunes, Jornal do Centro

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Sr. Carlos

A quadra natalícia tem nos dias de hoje como sua consorte a euforia comercial. Companheira inseparável e omnipotente, a voragem das compras, actualmente, é consumada sobretudo nos grandes centros comerciais, em detrimento do comércio tradicional.
Pessoalmente, é-me indiferente ter que fazer compras num centro comercial ou numa qualquer loja de rua. Escolho ou rejeito os locais para gastar os euricos, não segundo a tipologia de organização comercial, mas sim de acordo com um determinante critério de eleição: a qualidade do atendimento prestado.
Concedo que os horários de funcionamento, a atractividade das montras e do interior da lojas, a facilidade de estacionamento ou o resguardo das más condições atmosféricas, sejam variáveis que condicionam a escolha do local onde fazer compras, mas, como disse, elevo acima destas como variável determinante de eleição comercial a qualidade do atendimento, a qual, diga-se, não é exclusiva nem dos centros comerciais nem dos espaços de comércio tradicional.
E no âmbito da qualidade, há, para mim, uma loja imbatível, ou melhor, um comerciante supremo: a Papelaria do Sr. Carlos, na Rua Miguel Bombarda, em Viseu.
Do Sr. Carlos, homem já entrado na casa do sessenta anos de idade, pode dizer-se que foi até aqui há uns anos atrás funcionário de umas das mais antigas, e anteriormente famosa, papelarias de Viseu, a Papelaria Avenida.
Mas não era um funcionário qualquer, era a alma daquela loja, o vendedor extremoso, sempre bem-humorado e disponível para acolher com um sorriso nos lábios e rima nas palavras os clientes. Foi graças a ele que a Papelaria Avenida criou a aura de local de peregrinação obrigatória no comércio viseense.
Foi assim durante décadas, até que aqui há alguns anos resolveu abrir o seu espaço próprio, a sua própria papelaria, uma centena de metros acima do local onde antes laborava. É um espaço exíguo, sem centímetros disponíveis para grandes arranjos decorativos, e onde o material se acumula em altura.
Mas isso não é razão que impeça que uma pletora de clientes diariamente se acotovelem para aí efectuarem as suas compras. Todos eles sabem que aí vão ser recebidos de forma cortês.
Em contraponto, a antiga papelaria do Sr. Carlos, desde que ele saiu, definha diariamente, uma vez que os seus clientes se desviam voluntariamente para a papelaria do Sr. Carlos, o que não é de estranhar se tivermos presente os “monos de gesso” que aí estão prostrados atrás do balcão.
Afinal, apenas na papelaria do Sr. Carlos, é possível acontecer um diálogo destes:
Cliente - Boa tarde, desejava o Público, se faz favor.
Sr. Carlos – Ah, o jornal Público, perfeitamente. O “Público” para o bom público!
Entretanto o Sr. Carlos procura nos bastidores da loja o jornal, e regressa pouco tempo depois.
- Queira-me desculpar este tempo, mas é que já não tenho nenhum exemplar lá dentro. Há apenas um que está ali afixado junto à porta, ao fresquinho, como convém que sejam as notícias. Com licença.
Regressa o Sr. Carlos com o jornal, e prossegue:
- Tenha a amabilidade, aqui tem o Público, hoje com dois suplementos: um de música e de artes para elevar a cultura e o espírito, e um outro de sátira, Inimigo de seu nome, mas amigo da justa crítica mordaz dos nossos tempos.
Entretanto, o cliente, já a rir-se, recebe o jornal, paga e despede-se com o tradicional obrigado, ao que o Sr. Carlos devolve:
- Ora, eu é que agradeço gentilmente a sua preferência por este estabelecimento. Sempre ao dispor!
Perante isto, não é de estranhar que o Sr. Carlos seja o demiurgo dos comerciantes de Viseu, e não só.






domingo, dezembro 26, 2004

Dr. Strangelove

O DVD é uma das poucas armas eficazes para combater o meu longo bocejo natalício. Visto há bastante tempo, Dr. Estranhoamor varrera-se-me da memória. Não vale a pena insistir em loas ao filme, apenas mais uma das obras-primas de Kubrick, um primado da estética em que não há um plano que seja menos do que excepcional. Como a experiência do cinema tem sempre algo a ver com o presente, com o nosso e com o do mundo, Dr. Estranhoamor pareceu-me um fábula sobre a bomba atómica bastante actual. As principais personagens de Kubrick continuam por ai. Sterling Hayden encarna um general que resolve lançar a bomba sobre a então União Soviética para defender a pureza dos americanos, cujos fluídos corporais estavam ameçados pelo comunismo internacional. George C. Scott faz uma caricatura perfeita de outro general americano, um profissional da guerra, para quem os mortos são apenas números num balanco contabilístico. Peter Sellers interpreta - entre outras brilhantes personagens - o Dr. Strangelove, um teórico nazi que imagina novas sociedades purificadas. Diga-se que o realizador não é menos contundente com o outro bloco militar.
Kubrick era um antimilitarista acérrimo.
Os seus medos relativos ao advento de uma sociedade fortemente influenciada pela hierarquia militar, pela indústria das armas e pelos profissionais da morte devem continuar a assustar-nos.

sábado, dezembro 25, 2004

Slogans Partidários

PSD: “Coragem por Portugal”

PS: “Voltar a acreditar”

Em resumo: é precisa muita coragem para voltar a acreditar em tudo isto.

Orçamento

O governo decidiu publicar na imprensa um folheto sobre o orçamento onde explicava as grandes linhas orientadoras e estratégicas. A esquerda não gostou, vociferou e esperneou e diz que é propaganda porque qualquer tentativa de explicar alguma coisa aos portugueses, vinda da direita, é propaganda. A direita, através do sisudo ministro Sarmento, diz que a coisa não chegou aos cem mil euros e que para informar os portugueses isso é manifestamente irrisório (mesmo que pelo meio tenha havido alguma trapalhada). Eu acho bem: acho bem que o governo tente explicar a bem as coisas que faz; acho bem que se dê aos portugueses instrumentos de avaliação para além da censura, dos fait-divers e dos comentadores a soldo de interesses obscuros; acho bem que a direita chateie a arrogante esquerda que se julga vencedora antecipada e detentora de toda a verdade.
Esta nova atitude do Governo, ao contrário do que se diz, é corajosa e deve ser incentivada e mantida no futuro porque perante o actual clima de ataque permanente – e mesmo que assim não fosse – é bom para o Governo manter canais de comunicação directos com os seus cidadãos. Por duas razões. Primeira, porque explica a sua visão das coisas; e, segunda, evita o ruído e os preconceitos das mentes que por aí abundam.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

I&D

Há cerca de um ano atrás era vê-los reunidos em opíparos almoços no Convento do Beato para exararem discursos eloquentes acerca dos funestos e atávicos males que assolam continuamente este país.
Chamavam-se a si próprios “Compromisso Portugal” e congregavam fundamentalmente uma plêiade de gestores e economistas, provindos dos maiores grupos empresariais do País. O seu objectivo principal consistia em morigerar a acção governativa segundo, diziam eles, as modernas teorias económicas e de organização funcional das empresas.
Verberavam o papel interventor do Estado na educação, na saúde, na segurança social, “...quando o mercado se pode perfeitamente substituir ao Estado nesse papel sem qualquer dano para o público em geral e com ganhos claros na produtividade e no nível de serviço”, o fim da presença estatal na gestão das águas, dos transportes ferroviários, dos aeroportos e dos correios, entre muitos outros, porque “...o Estado é um mau gestor e as empresas públicas apresentam cronicamente avultados prejuízos”, etc, etc.
Ironicamente, o Público de hoje reza que “Portugal é o único país do antigo grupo dos 15 da União Europeia (UE) que não consta de uma lista de 500 empresas que mais investiram em investigação e desenvolvimento (I&D) em 2003”.
Ora, quando o axioma que determina o posicionamento global da economias nacionais na actual sociedade informacional postula que a mola decisiva para o crescimento económico radica na capacidade de inovação, nomeadamente aquela que se organiza à volta do grupo convergente de tecnologias formado pela microelectrónica, informática, telecomunicações, biotecnologia e engenharia genética, e depois se lê a este propósito que “a soma do investimento em 2003 das dez empresas portuguesas referidas, que é de 8,5 milhões de euros, não chega ao investimento anual da última empresa das 500 mais europeias”, por aí se vê o fosso que separa a realidade e as preocupações e práticas dos nossos empresários...
Por curiosidade, nos cinco primeiros lugares da lista de empresas europeias mais investiram em investigação e desenvolvimento (I&D), em 2003, estão a Daimler Chrysler, a Siemens, a Volkswagen, a Nokia e a GlaxoSmithKline, representando as áreas que mais investem não só a nível europeu mas a nível mundial - ou seja, a indústria automóvel, a biotecnologia e farmacêutica e as tecnologias da informação e equipamento electrónico...

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Eu um sou um grandi fan dos Sigur Rós

Foi deste modo que Argel, o defesa do Benfica, justificou o seu comportamento nos momentos seguintes ao golo que marcou frente ao Penafiel, quando correu para Trapattoni e o beijou na testa.
“Desde que vi aquele videoclip dos Sigur Rós, “Vidrar Vel Til Loftârâsâ”, onde um jovem futebolista, depois marcar um golo, corre para os braços de um colega e lhe aplica uns apaixonados ósculos, tive sempre o desejo de poder repetir semelhante façanha, ainda para mais quando sabia que estavam 10.000 Pais Natais no Estádio. Parecia mesmo que estava a jogar no Pólo Norte”, disse Argel aos jornalistas presentes na conferência.
Mas Argel foi ainda mais longe, ao admitir que a sonoridade telúrica da banda islandesa tem provocado efeitos surpreendentes na mudança da sua personalidade.
“Antes de conhecer os Sigur Rós era uma pessoa com uma certa inclinação violenta. Rebentava com computadores na Torre das Antas, rebentava com as beiças dos seguranças do Colombo por causa de umas fraldas, enfim, reconheço que era um cara pouco recomendável. Agora, depois do contacto com os videoclips dos Sigur Rós, sou um homem novo, cheio de amor para distribuir por todo o mundo. Da próxima vez que marcar um golo, e que não seja na própria baliza, já prometi ao nosso presidente que irei até aos camarotes para lhe beijar as orelhas”, acrescentou o defesa brasileiro do Benfica.
Dada a explicação, Argel despediu-se dos jornalistas, rematando em alto e bom som, “Viva os Sigur Rós!”.




PC e radicais chiques

Nesta pré-campanha politica gostava para já de destacar a ambiguidade do Bloco e a firmeza do PCP.
Não é de agora que se sabe que o Bloco é um partido burguês que mais cedo ou mais tarde pretende concretizar o sonho de exercer o poder dos gabinetes e infiltrar a máquina do Estado com gentinha do seu calibre, à semelhança do que tem feito nos sindicatos. Será aqui que irá trair os seus ideais e será assim que acabará por desaparecer. Ou ferir-se de morte. O Bloco é um movimento de contra-poder, de intelectuais chiques, radicais urbanos e minoritários, todos anti-democráticos por definição. Não tem perfil para nada mais excepto para o circo de rua e a exploração mediática de uma imagem já gasta. Bastou ver o seu pedido de namoro ao PS e a sua eventual futura viabilização do novo governo: qualquer coisa entre o absurdo e o patético; entre o delírio e a doença.
O PC por seu turno, e como é seu apanágio, não se vende por lentilhas e acredita que há uma via alternativa. Distante e utópica, mas alternativa. Quer dar luta ao PS e ao contrário do Bloco fará desta campanha eleitoral uma questão de vida ou de morte por novas políticas.
O Bloco perderá então por se colar e se oferecer a um poder que é corrupto, populista e que no fundo não representa nada de novo na vida política portuguesa. Com o PC pode acontecer o contrário. E para quem augurou um PC morto, eis a possibilidade de provar exactamente o seu contrário. E logo com o mais improvável dos líderes: Jerónimo de Sousa.

O voto útil

Uma das vantagens eminentes da não existência da coligação, é o facto de deixar de fazer sentido o voto útil no PS. Com isso podem beneficiar o PCP e o Bloco de Esquerda, os partidos pequenos da esquerda.
Se PSD e PP concorressem coligados, a imagem política seria a de um centro-direita unido que era imperioso combater e assim derrotar. O voto no PS seria, por arrasto, uma necessidade evidente que prejudicaria os partidos mais pequenos. Agora deixa de o ser. Não é de excluir que tenha havido por parte da coligação uma orientação no sentido de evitar isso mesmo. Não nos podemos esquecer que as coisas em política muitas vezes não são o que parecem.
Assim, o PS terá de enfrentar 4 adversários aguerridos que lutarão sempre por conquistar quota do seu eleitorado. Isto quer dizer que é preciso muito cuidado com as sondagens porque não reflectem por vezes a verdade momentânea das coisas e porque geralmente não passam de instrumentos ao serviço de causas estranhas à própria vontade dos portugueses com o intuito claro de manipulação. É por isso que não acredito em maiorias absolutas e muito menos em vencedores antecipados. Sócrates que se cuide. Não terá a vida facilitada.

A campanha começou

A originalidade: “Só com o crescimento económico poderemos resolver o desemprego, o equilíbrio das contas públicas e o combate às desigualdades” – José Sócrates

Disfarçada de jantares de Natal, a campanha de Sócrates e seus correligionários já começou. Basta estar atento e ouvi-los a falar à boca cheia de mil e uma promessas e lugares-comuns tão do agrado de multidões arregimentadas também denominadas de aparelho ou de bases.
Era bom que alguém perdesse algum tempo e ensinasse o Eng. Sócrates a ser modesto e a fazer um exame introspectivo sob as suas capacidades e supostas garantias de futuro para Portugal e para os portugueses. Afinal, mesmo que o PS não pense o mesmo, as eleições só se ganham nas urnas e com o voto dos portugueses. Não se ganham por antecipação. E muito menos por optimismo ou arrogância. E muito menos à mesa dos banquetes.
Sócrates não prima pelo bom senso e é muito pior político do que Santana como rapidamente se irá ver. Sócrates é um político cinzento, sem escrúpulos, cujas ideias para Portugal são vendidas a pataco, sem qualquer orientação e que tem como líder espiritual o mais incompetente dos políticos portugueses do pós-25 de Abril: António Guterres. O pior ainda está, portanto, para vir.

quarta-feira, dezembro 15, 2004

O Senhor dos Anéis

Idealmente, a acção governativa deve imperativamente servir o bem comum. Por imprevistos de várias ordens ou quaisquer alterações súbitas àquilo que inicialmente foi programado, sabe-se que nem sempre assim acontece. Todavia, os desvios às boas intenções iniciais são aceitáveis quando a ponderação e a isenção presidiram de modo evidente à tomada de atitudes por parte dos actores políticos.
Ao invés, quando se torna óbvio que uma decisão política terá claros efeitos nocivos para a comunidade, nomeadamente em termos futuros, devido a ter sido irresponsavelmente feita em cima dos joelhos, a sensação de desconfiança acerca da boa índole de quem nos governa acresce.
Vem isto a propósito da intenção do demissionário Governo em vender 65 imóveis por ajuste directo como forma de salvar as contas públicas de 2004, quando prometeu no Parlamento fazê-lo “preferencialmente por hasta pública”. Saliente-se que a grande maioria destes imóveis são actualmente ocupados por serviços públicos, os quais passarão a ser inquilinos e a pagar as respectivas rendas, aumentando a despesa corrente dos mesmos.
Na minha inocência, sempre parti do pressuposto da exigência de estudos que lobrigassem qual o impacto para o erário público que este tipo de atitudes acarretam.
Esta forma de encarar as coisas desmorona-se estrondosamente, quando se sabe que “o Ministério das Finanças nunca divulgou, mesmo ao Parlamento, uma estimativa desses novos custos regulares que esta operação vai acarretar e que apesar de instado várias vezes a esclarecer os deputados sobre os custos futuros para o Estado da venda de património imobiliário dos seus serviços, o ministro Bagão Félix se esquivou a dar essa resposta”.
Ou seja, no meu inocente modo de ver (admito que o problema pode estar em mim), o Estado Português, em mais uma urgente operação de cosmetologia financeira para fazer face ao imediato, neste caso designado pacto de Estabilidade de Crescimento, prepara-se para vender ao desbarato mais uns quantos anéis que diariamente usa, para de futuro ir alugar os mesmos anéis aos seus compradores a um preço desconhecido, sem dar deliberadamente cavaco acerca da onerosidade desta operação para o erário público.
Tinha para comigo que a salvaguarda dos dinheiros dos contribuintes não se compaginava com apostas na roleta, às cegas e no escuro, sem que os riscos estejam estudados e acautelados, enfim, sem qualquer análise prospectiva. Pelo vistos, mais uma vez estava enganado, porque a lógica neste caso é só uma: quem vier que feche a porta.

terça-feira, dezembro 14, 2004

Tubo de escape

Eduardo outra vez. Não é que o homem, entre os múltiplos afazeres académicos e culturais, ainda tem tempo para se debruçar sobre algo tão popular e insignificante como o futebol. Uma honra para todos aqueles que, faltando-lhes a cultura que sobra a Prado Coelho, se dedicam a esmiuçar a telenovela do pontapé na bola. E o que tão nobre personagem tem para oferecer aos aficionados do jogo? Pois bem, Eduardo respondeu com a sua excelência habitual a algumas perguntas singelas efectuadas pelo diário de distribuição gratuita Destak. Pérolas de estilo literário. Voa pensamento. Na primeira resposta, afirma convicto e resoluto que “O Sporting tem sido muito irregular no campeonato mas tem vindo em crescendo. É natural que agora atinja um nível de qualidade melhor.” É realmente natural. Faz sentido. De seguida, Eduardo ultrapassa as melhores expectativas ao referir-se ao Benfica: “Como aspectos positivos o Benfica tem principalmente Simão. Mas depois tem aspectos negativos, que é o caso da defesa. São muito fracos nessa área e têm jogadores muito fracos. E depois há jogos em que parece que a equipa desaparece.” Isto é tão bonito que só se percebe realmente na forma poética.

Como aspectos positivos
Benfica tem
Principalmente
Simão

Mas depois tem aspectos negativos
que é o caso da defesa
São muito fracos nessa área
e têm jogadores muito fracos

E depois há jogos
em que parece
que a equipa desaparece

Só mais uma. Qual a utilidade de um jogo como o futebol para a sociedade portuguesa? “Não é um propriamente uma utilidade. Entre várias funcionalidades o futebol focaliza diferentes emoções e serve de tubo de escape para as tensões da sociedade.” É um artista português ao nível do tubo de escape.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Expresso

O saco de plástico, também conhecido por Expresso, desta semana traz duas notícias auspiciosas: uma suposta preferência de Pinto da Costa por Luís Filipe Menezes para liderar futuramente o FC Porto e o estrondoso acordo entre Santana e Portas para a formação de uma coligação pré-eleitoral entre PSD e PP. As duas notícias são sintomáticas da credibilidade do referido semanário e de como se faz investigação jornalística em Portugal.
Sem precisar de comentar a segunda porque todos conhecemos o seu desfecho, basta dizer, em relação à primeira, que Luís Filipe Menezes é do… Sporting. Sem comentários.

Soares

Soares fez, a semana passada, 80 anos entre 2000 convidados. É obra. Por dois motivos: pela provecta idade e pela enorme mobilização à volta do acontecimento. Soares é das personagens mais controversas da nossa história contemporânea e o seu percurso político é demasiado errático para não levantar nenhuma espécie de celeuma e para gerar tanto unanimidade. É por isso estranho que a data passada tenha sido usada apenas para glorificar feitos e relembrar os faustosos tempos do seu apogeu político. O jornalismo da terrinha, reflexo puro da mediocridade geral, ocupou-se em colocar Soares nos píncaros da lua enquanto discorria sobre as suas inúmeras qualidades de estadista que ainda não perdeu o tino: os próprios directores dos maiores jornais também se refastelaram e se regalaram no faustoso e "inocente" banquete.
Enquanto alguém marcava e organizava este encontro político disfarçado de aniversário, Soares respondia a tudo isto com profundo desprezo (mas aceitando a bajulação generalizada) dizendo, humildemente, que não passaria de uma nota de rodapé na história. O seu discurso é que teve pouco a ver com aniversário. Mas em frente.
Sendo este um evidente comício ao serviço dos interesses socialistas e dos delírios alter-globalização do Dr. Soares e da sua trupe, porque razão tanta gente aceitou ser usada como isco e promoção do mesmo? O que podem ter em comum 2000 pessoas e o Dr. Soares? Aparentemente nada. Nada de especial ou nada que valha em boa verdade tanto esforço. A não ser, pormenor, o ódio puro e doentio à coligação que nos governa(va).

sábado, dezembro 11, 2004

www.grupodopato.blogspot.com

Confesso que me cansam um pouco os posts com remissões constantes para outras moradas electrónicas, artigos, blogs, etc. Prefiro ler os meus comparsas do que as suas simpáticas remissões. Talvez fosse útil resumir tudo num género de escolha semanal ou enviar as informações por e-mail, ou, então, escrever posts que analisem o contexto das remissões, isto é, que valham por si, que não sejam apenas uma fonte de informação, por mais útil que ela seja.
Posto isto, vou enfiar a carapuça e aconselhar o excelente artigo que Augusto Santos Silva escreve hoje no Público: "Sobressalto Cívico Precisa-se". Uma inteligente análise dos mecanismos do populismo em Portugal.
Para além do seu conteúdo, o artigo é importante por outros dois motivos. É revelador. Revela que Santos Silva está bastante acima da mediana do seu partido. É trágico. Só chega a uma clique de portugueses que por educação está preparada para resistir ao contexto político e cultural do populismo retrógado e reaccionário.

http://jornal.publico.pt/publico/2004/12/11/EspacoPublico/O01.html


sexta-feira, dezembro 10, 2004

Sugestao

www.psd.pt

Provavelmente desconsolado com os resultados que todas as sondagens têm dado à estampa acerca da justeza, ou não, da decisão do PR, o PSD/PPD decidiu reconfortar o seu ego e elevar a sua auto-estima, ao colocar a votação no seu site a seguinte questão:
"Concorda com a Decisão do Presidente da República em Convocar Eleições Antecipadas?"
Para espanto geral, neste momento, o Não obtém 69,04% de votos, contra 30,96% do Sim!
Ao menos nalgum lado se reconhece o carácter injusto da decisão do PR e o autêntico abuso de poder que este exerceu, apenas possível num país que vive ainda numa situação de imaturidade democrática.




quarta-feira, dezembro 08, 2004

Portas, o Paulo

O novo segredo de Fatima (afinal, ao que parece eles sao intimos),

Portas já decidiu sobre coligação, mas só revela amanhã
'Sei exactamente o que é que vou fazer mas também quero marcar a diferença: primeiro vou ouvir o Presidente da República e no minuto seguinte digo-lhe o que é que o CDS quer e como é que vai '

em http://www.tsf.pt/online/portugal/interior.asp?id_artigo=TSF156904

e eu penso, ninguem o querera la por Bruxelas?

terça-feira, dezembro 07, 2004

O que esta notícia não diz.

http://jornal.publico.pt/2004/12/07/Nacional/P48.html
A pergunta que não se fez: a quem interessa este adiamento?
A resposta que não se procurou: a todos aqueles que por limite de idade abandonariam já no próximo fim-de-semana a JSD e que assim perderiam boa parte da sua “influência” interna e a capacidade de poderem ser candidatos por esta organização à futura Assembleia da República. Nem mais. Nem menos.

Rambo 3 e um homem a cavalo

Até ao momento em que algum produtor de Hollywood mudar de opinião, Rambo 3 é o último filme da saga de John Rambo, personagem imortalizada pelo expressivo Sylvester Stallone. John Rambo pertence a uma galeria vasta de heróis americanos (que inclui bastantes super-heróis da BD), homens individualistas que funcionam fora das lógicas do poder institucionalizado, fazendo justiça pelas próprias mãos. São figuras típicas deste bestiário, ex-policias, detectives privados, antigos militares, indivíduos que faziam o seu trabalho de forma pouco ortodoxa e que foram, normalmente por uma qualquer injustiça, obrigados a viver à margem do funcionamento burocrático das instituições. Apesar de esmagados pelo mundo moderno das leis e regulamentos, algum episódio, uma missão, um rapto de um familiar, uma chantagem, fá-los voltar ao activo. Este arquétipo tem o charme inconfundível da fuga à modernidade, algo em que todos gostaríamos de viver senão estivéssemos presos aos tentáculos da vida quotidiana, emprego, família, etc. Vale-nos, claro, o cinema americano para viver durante algum tempo as emoções destes homens fora do seu tempo.
Em Rambo 3, o herói americano vai em missão ao Afeganistão para salvar um amigo preso pelas tropas soviéticas que ocupavam o país. Isto já foi há uns anitos como podem ir percebendo. A luta é desigual. De um lado, a máquina de guerra soviética, a representação da modernidade fria e calculista, burocrática e poderosa; do colectivo que esmaga os indivíduos. Do outro, o romântico John Rambo coadjuvado por um grupo, não menos romântico, de homens montados a cavalo. Os Mudjaidines. Se há elemento que não abunda neste tipo de filmes é a surpresa. John Rambo limpou os soviéticos com uma paradoxal eficácia moderna. Não será difícil de perceber que o cinema americano criou heróis românticos com bastante mais piada.
A imagem que o filme oferece dos amigos a cavalo do amigo Rambo é, por seu lado, bastante pedagógica. Os Mudjaidines eram uns amadores de cavalaria, corajosos e abnegados, mas falhos de qualquer estratégia eficaz para combater o poderoso inimigo soviético. Uns provincianos bem intencionados. As personagens destes bravos afegãos estão pouco definidas no filme. Se o realizador tivesse sido mais cuidadoso talvez pudéssemos ver entre os cavaleiros mudjaidines um saudita chamado Osama. Sim, Osama, o terrorista, o homem que, aparentemente, mandou as torres de Nova Iorque para o estaleiro e que nos obriga todos a viver neste mundo de loucura securitária. Quem diria, Osama ali mesmo ao lado de John Rambo. Se ele soubesse. Entretanto, a história ultrapassou com velocidade a ficção. Os bons e desajeitados homens a cavalo transformaram-se nos terríveis taliban. Uma espécie de nova encarnação do diabo, morto e enterrado o belzebu soviético.
Estou para saber de quem é a melhor definição do perigo islâmico, se a do Rambo 3 produzido em Hollywood, se a dos filmes de propaganda politica americana, engendrados por produtores relativamente mais sinistros. Onde está John Rambo quando precisamos dele?

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Na Roça com os Tachos

Apesar de ser quase um leigo na matéria, os programas de culinária nos ecrãs televisivos sempre me incutiram um certo fascínio, provavelmente por ser uma ciência cujos princípios básicos de funcionamento pouco quiseram comigo.
Tradicionalmente, estes programas foram dominados por nomes como Filipa Vacondeus e Mestre Silva. Estes dois, cozinheiros prestigiados ao que diziam, davam a conhecer nas televisões as receitas de algumas iguarias mais ou menos prosaicas, de uma forma profissional e linear.
Porém, notava-se que faltava ali um tom menos monocórdico nos discursos, maior expressividade na comunicação, em suma, um rasgo de genialidade na arte de ensinar a cozinhar.
Ora bem, essa lacuna foi agora colmatada por um são tomense de nome João Carlos Silva, no programa “Na Roça com os Tachos”, da Énetêbê (NTV).
Sempre acompanhado do seu clássico fogão camping gaz, demonstra a sua sageza nesta arte ao ar livre, junto das luxuriantes paisagens são tomenses. Ao sol ou mesmo à chuva, o que se vê é um cozinheiro completamente apaixonado pela sua actividade profissional, debitando mais “Óohhhs” de alegria e admiração durante a confecção das receitas do que o Gabriel Alves durante um jogo de futebol.
Aquilo é um cozinheiro-apresentador que canta e dança enquanto o peixe assa, que chama o cameraman, o Kálu, para ir provar e dizer de sua justiça sobre a mousse de manga que ele preparou, que deixa a comida ao lume para ir perseguir galinhas, enfim, um autêntico one man show!
Combinando a faceta de “verdadeiro artista” com a de virtuoso da cozinha, João Carlos Silva é, indiscutivelmente, o novo Imperador da gastronomia televisiva.



PSD

O Conselho Nacional do PSD decidiu, por larga maioria, dar carta branca ao seu líder para encetar conversações com o PP com o objectivo de elaborar listas conjuntas. A coisa, aprovada por voto secreto, deu 93 votos a favor, 6 contra e uma abstenção. Quanto a mim, penso que tudo isto é mais um erro político grave da direcção do PSD. Por duas razões: primeiro porque o sentimento do Congresso foi claramente anti-coligação, facto agora pura e simplesmente ignorado pelas cúpulas do partido; segundo, porque depois das duas experiências-piloto já tentadas (Europeias e Regionais dos Açores) a coligação com o PP não adiciona: subtrai votos.

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Sorry Everybody

Espreitem este site
http://www.sorryeverybody.com/

Um hooligan da burguesia

A novela do dirigente operário continua. Podem os operários ser dirigentes de partido políticos? Certamente que podem, especialmente se o partido a que pertencem se reclamar como representante da classe operária. Não é a categoria profissional, ou o grau académico, que melhor define o bom ou mau líder. Como diria o outro, é a prática. O tempo o dirá. Centrar a discussão sobre as capacidades de liderança de Jerónimo de Sousa nas sua origem de classe e na sua formação profissional e educacional é tontaria. Por vezes, chega a mesma a ser falta de inteligência ou ainda pior. Diga-se, no entanto, que Jerónimo de Sousa não é propriamente um operário, mas um quadro partidário.
É extraordinário como são muitas vezes pessoas cuja educação de classe supor-se-ia fosse um antídoto contra a análise bárbara que enveredam pelos caminhos ínvios da observação primária. Isto vem a propósito do miserável artigo que Eduardo Prado Coelho escreveu sobre Jerónimo de Sousa. O ultra-inteligente escriba do Público tem a liberdade de criticar o novo líder do PCP, não pode é ser racista. Os milhões de livros que Eduardo leu, os milhares de artistas e escritores que conheceu e apadrinhou, os biliões de filmes que viu, e, com certeza, a esmerada educação burguesa que recebeu, não foram suficientes para acabar com o apartheid mental que lhe molda a cabeça. O ódio de classe que espumou, racismo de classe para chamarmos as coisas pelos nomes, foi tão primário que estalou todo o verniz da erudição, deixando a nu um perigoso fundamentalista, um taliban, um hooligan da pior espécie. Um racista.

Ciclos

Se Durão Barroso representou em boa parte o regresso de algum cavaquismo ao poder (pelo menos de algumas figuras), o novo PS (e eles estão lá todos nas primeiras filas da bancada socialista) representará o regresso da famosa terceira via socialista que em Portugal foi travestida e personificada por Guterres: muito spin, muito marketing, muito show off, muito directo, muito populismo, muita demagogia, muito ruído; em suma, muita parra, mas também muito pouca uva.
A política portuguesa parece viver de ciclos: primeiro Cavaco, depois Guterres, depois um misto de cavaquistas, primeiro, com populistas, depois, e agora no horizonte a possibilidade de mais um governo guterrista/populista. No fundo, só falta mesmo, para compôr o ramalhete, o Dr. Cavaco chegar à Presidência da República. O que vale para esta gente, é que o povo tem, infelizmente, memória curta.

Cavaco outra vez II

Foi este o legado Cavaquista:

http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1209952&idCanal=74
Para contratar mais professoresAlunos de Direito abrem conta para ajudar escola
Lusa

A Associação Académica da Faculdade de Direito, da Universidade de Lisboa, abriu ontem uma conta bancária com o objectivo de conseguir contratar mais professores. O dinheiro que for depositado na conta 288.3608.000.003 do BPI de Benfica será "doado ao conselho directivo da Faculdade, que assim poderá contratar assistentes para que o 2º semestre funcione", declarou Filipa Louro, vice-presidente da associação de estudantes.

Cavaco outra vez I

A serio, eu nao compreendo. Levamos com o Cavaco oito anos, oito mal fadados anos! O povo foi na altura literalmente ‘chantageado’ a votar Cavaco em nome da estabilidade. Lembro-me muito bem dessas eleicoes. Tudo parecia enorme, gigantesco. Para um povo amordacado por uma loga ditadura, ser atirado para a democracia e deveras assustador, nomeadamente quando liderado por uma elite politica pouco informada e muito menos preparada para a vida democratica do que o povo que a elege. Em nome da estabilidade, elege-se Cavaco Silva. Em nome da garantia de proteccao da UE, entidade ate entao ‘desconhecida’, elege-se o homem que podera 'trazer o ouro aos cofres'. Elege-se, portanto, um proto-sosia-de-Salazar. Dispensa-se a PIDE, a censura, e outros ‘vicios’, mas opta-se pelo 'familiar'; pelo cinzentismo; pela rigidez (confundida com estabilidade). Opta-se pela esperteza (confundida com competencia) em detrimento da inteligencia; pela burocratizacao ao inves da creatividade. Iniciam-se as hostilidades democraticas neste pais atraves da celebracao do mediano, do pensar pequenino. Renova-se portanto a maxima do ‘pobrezinhos mas orgulhosos’. Veste-se esta maxima com roupagens democraticas. E nesta transformacao cosmetica, liderada pelo Sr. funcionario-mangas-de-alpaca, Cavaco Silva, chula-se a UE. Rompem-se estradas por tudo quanto e chao neste pais: enriquecem-se os empreiteiros com orcamentos supervalorizados para a compra de materias da pior qualidade. Destroi-se, literalmente o sector agricola: nao se aposta na profissionalizacao dos agricultores; concebem-se programas de formacao agricola ridiculos (alguns resumiam-se a aulas de ponto cruz as ‘mulheres agricultoras’ por essas aldeias a fora); nao se promove a criacao de nichos de mercado de producao agricola, nomeadamente a cultura de produtos organicos, ideal num pais sem grandes latifundios. Difundiu-se a mediocridade para o sector empresarial: os programas de apoio as pequenas e medias empresas contemplam apenas negocios considerados ‘seguros’ - cafes, quiosques, restaurantes que resumem a criacao de emprego quanto muito a dois membros da mesma familia que ficam assim a trabalhar no mesmo sector; teme-se a inovacao e o desenvolvimento, chumbam-se tais projectos e inaugura-se o ciclo de fuga dos ‘cerebros’ (actualmento, atras da Italia, um dos mais elevados da Europa). Nao houve capacidade para a estruturacao de um plano de Saude Nacional coerente: a tendencia para a privatizacao do sector promove a multiplicacao de clinicas privadas, nao havendo controlo nem respeito pelas ‘guidelines’ medicas no que concerne, por exemplo, a realizacao de exames medicos; a anarquia instale-se no sector da saude e no seu ventre gestam-se os hospitais de publicos de gestao privada, o maior engodo que o pais jamais permitiu e que ainda ira dar muito que falar. Tomou-se de assalto a educacao: inicia-se a moda de reformas curriculares sem uma filosofia de fundo; atacam-se as universidades publicas em favor das privadas; difunde-se a ideia de que as universidades sao o tapete vermelho para o mercado de trabalho; impoem-se propinas a falta de uma reforma fiscal. E poderiamos continuar...
Os oito anos de Cavaco foram oito anos de desperdicio. A historia assim se encarregara de o dizer. Pior, foi com o Cavaco que se iniciou a tradicao portuguesa dos politicos-mediocres-gestores. Esta tradicao parece estar tao enraizada que este homem muito provavelmente ira ser o proximo Presidente da Republica! E a democracia, pois entao. Apetece dizer: Portugueses nao votem pela ‘estabilidade’, nao tenham medo. Nao ha que votar sempre nos mesmos, sempre pelas mesmas razoes. Nao temam a creatividade, o arrojo, as ideias novas! Isso nao e sinonimo de instabilidade, e sinonimo de avanco, de mudanca.
Nao tenham medo, vai correr tudo bem!

quinta-feira, dezembro 02, 2004

PPM

Ontem à tarde, ao lado da habitual e risível manifestação dos membros do Grupo de Amigos de Olivença, estultos membros do Partido Nacional Renovador (PNR) e do Partido Popular Monárquico (PPM) indignavam-se perante a decisão do Presidente da República, os primeiros porque não vêem salvação possível em qualquer partido, excepto aquele que representam, obviamente, e os segundos porque 4 meses são insuficientes para fazer qualquer coisa (pelo contrário, são mais do suficientes para fazer muita coisa, quase sempre mal, como se viu...) acrescentando, ainda, que "estão abertos a coligações com o PSD."
- Ó meus amigos monárquicos, pela graça de Deus, atentai no que dizeis. Vós sois monárquicos, mui valorosos homens e mulheres que foram agraciados pelo Divino como portadores da Virtude e defensores inquebrantáveis da Pátria Lusitana. A vossa doutrina professa uma forma de governo em que o poder supremo é exercido por um monarca, representante terrestre do Divino; Como vindes agora apregoar o desejo de estardes à frente dos destinos de uma Nação Republicana, coligados com um Partido Republicano?!
Que grande confusão embacia as cabeças superiores destes monárquicos...

Cavaco outra vez?!

Que raio de moda em Portugal essa a da reciclagem the lixo politico… Desde do 25 de Abril que a politica portuguesa parece o 'jogo das cadeiras'. E, claro esta, com alguns fachozitos reciclados tambem sempre a ver se apanham lugar. Ah povinho com poder de encaixe, sim senhores!

Uma ideia

Já andava com esta ideia desde que li o artigo de Cavaco Silva no Expresso: o verdadeiro alvo do artigo do ex-primeiro-ministro era Sampaio e não o casal que nos governava. E por dois motivos: primeiro porque foi Sampaio o verdadeiro culpado de alguns “maus” políticos terem “tomado” o poder; segundo, porque Cavaco neste seu escrito, e ao contrário do que se diz, mete a classe política portuguesa actual toda no mesmo saco. Isso inclui Santana e Portas, mas também Sampaio, Sócrates e restante companhia: os “maus” que afastam os “bons”. Para quem tinha dúvidas a corrida de Cavaco já começou. E Sampaio já começou por lhe fazer um pequeno grande favor.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Ave!!!!!

Celebremos o despedimento colectivo do Governo!